Questões de Concurso
Comentadas sobre gêneros textuais em português
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(__)A fábula e o apólogo são exemplos de gêneros dramáticos, pois apresentam conflitos encenados com personagens fictícias.
(__)O romance histórico pertence ao gênero narrativo e apresenta elementos ficcionais mesclados a fatos históricos.
(__)O gênero oratório é restrito ao discurso político e não inclui outras modalidades, como o sermão ou a oratória acadêmica.
(__)O drama é um exemplo do gênero dramático, sendo frequentemente encenado em apresentações teatrais.
A sequência está correta em:
"Era uma manhã fria e silenciosa em uma pequena vila no interior da Inglaterra. O céu estava coberto por nuvens cinzentas, e uma névoa densa pairava sobre as ruas desertas. No casarão da colina, Eleanor preparava-se para mais um dia de trabalho solitário. Há anos vivia ali, guardando segredos que jamais ousara revelar, nem mesmo ao fiel cão Charlie, que sempre a acompanhava.
Enquanto escrevia em seu diário, a jovem ouviu um som inesperado vindo do jardim. Curiosa, desceu as escadas e abriu a porta. Do outro lado, um homem misterioso, de roupas gastas e olhar desconfiado, segurava uma carta. "Para Eleanor Grey", disse ele, antes de desaparecer na névoa. Com mãos trêmulas, Eleanor abriu o envelope e encontrou uma mensagem que a fazia questionar tudo o que acreditava ser verdade.
A carta falava sobre seu passado, sobre uma vida que ela não lembrava e sobre segredos que envolviam não só sua família, mas toda a vila. Assim, Eleanor embarcava em uma jornada de descobertas, onde enfrentaria medos antigos e verdades dolorosas."
No trecho acima, são apresentados elementos essenciais para a construção de um romance, como enredo, personagens, ambiente e tempo. Com base no texto e nos conceitos teóricos do gênero, assinale a alternativa correta.
Sobre a linguagem empregada na crônica, assinale a alternativa INCORRETA:
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
À Beira-Mar
Por que será que tem gente que vive se metendo com o que os outros estão fazendo? Pode haver coisa mais ingênua do que um menininho brincando com areia, na beira da praia? Não pode, né? Pois estávamos nós deitados a doirar a pele para endoidar mulher, sob o sol de Copacabana, em decúbito ventral (não o sol, mas nós) a ler “Maravilhas da Biologia”, do coleguinha cientista Benedict Knox Ston, quando um camarada se meteu com uma criança, que brincava com a areia.
Interrompemos a leitura para ouvir a conversa. O menininho já estava com um balde desses de matéria plástica cheio de areia, quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia funga, e explicou pro cara que ia jogar a areia num casal que estava numa barraca lá adiante. E apontou para a barraca.
Nós olhamos, assim como olhou o cara que perguntava ao menininho. Lá, na barraca distante, a gente só conseguia ver dois pares de pernas ao sol. O resto estava escondido pela sombra, por trás da barraca. Eram dois pares, dizíamos, um de pernas femininas, o que se notava pela graça da linha, e outro masculino, o que se notava pela abundante vegetação capilar, se nos permitem o termo.
— Eu vou jogar a areia naquele casal por causa de que eles estão se abraçando e se beijando muito — explicou o menininho, dando outra fungada.
O intrometido sorriu complacente e veio com lição de moral.
— Não faça isso, meu filho — disse ele (e depois viemos a saber que o menino era seu vizinho de apartamento). Passou a mão pela cabeça do garotinho e prosseguiu: — deixe o casal em paz. Você ainda é pequeno e não entende dessas coisas, mas é muito feio ir jogar areia em cima dos outros.
O menininho olhou pro cara muito espantado e ainda insistiu:
— Deixa eu jogar neles.
O camarada fez menção de lhe tirar o balde da mão e foi mais incisivo:
— Não senhor. Deixe o casal namorar em paz. Não vai jogar areia não.
O menininho então deixou que ele esvaziasse o balde e disse: — Tá certo. Eu só ia jogar areia neles por causa do senhor.
— Por minha causa? — estranhou o chato. — Mas que casal é aquele?
— O homem eu não sei — respondeu o menininho. — Mas a mulher é a sua.
Texto extraído do livro “O melhor do Stanislaw”
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
TEXTO I
A triste história de Kluge Hans, o cavalo que calculava
Uns 120 anos atrás, uma das maiores celebridades da ciência mundial era Kluge Hans (João Esperto, em alemão), o cavalo que, segundo o seu dono, sabia somar, subtrair, multiplicar, dividir, operar com frações, dizer as horas e calcular dias da semana.
O proprietário, o professor de matemática e treinador de cavalos amador Wilhelm von Osten, exibia Hans publicamente, sem cobrar ingresso, para grande espanto da audiência. Por exemplo, quando Von Osten perguntava "se o oitavo dia do mês é uma terça-feira, em que data cai a sexta-feira seguinte?", Hans respondia batendo o casco no chão 11 vezes.
Os céticos diziam que era fraude, que Von Osten passava as respostas ao bicho por meio de sinais. Mas Hans acertava mesmo quando o dono estava ausente e as perguntas eram feitas por outra pessoa. Assim, a lenda do cavalo que calculava não parava de crescer.
Perante o interesse do público, a autoridade educacional da Alemanha criou uma comissão de 13 especialistas para investigar o fenômeno. Além do psicólogo Carl Stumpf, que a presidia, ela incluía um veterinário, um gerente de circo, um oficial de cavalaria, vários professores e o diretor do zoológico de Berlim. Em setembro de 1904 saiu o relatório, o qual inocentava Von Osten de qualquer truque.
Então, o biólogo e psicólogo Oskar Pfungst decidiu testar as habilidades do cavalo em diferentes condições: usando outras pessoas para questionar Hans; isolando o questionador e o cavalo do público; variando se Hans podia ver o questionador ou não; e até se o questionador sabia as respostas ou não.
Dessa forma, ele confirmou que não importava quem fazia as perguntas, o que comprovava que não havia má-fé da parte de Von Osten. Por outro lado, Pfungst constatou que Hans só respondia corretamente quando podia ver o questionador e este conhecia as respostas! De algum modo subconsciente, o questionador passava as respostas ao cavalo... E isso acontecia até quando era o próprio Pfungst quem questionava!
A descoberta lançou o descrédito sobre o pobre Hans, o que era muito injusto: mesmo não sendo capaz de calcular, Hans era um animal notável, com uma capacidade extraordinária para ler a expressão facial e a linguagem corporal dos humanos, melhor do que nós próprios somos capazes.
Von Osten não ficou convencido com as conclusões de Pfungst e continuou exibindo o seu fenômeno até morrer, em 1909. A partir daí, Hans passou por vários donos e acabou sendo alistado para servir na 1ª Guerra Mundial. O seu registro termina em 1916, quando, acredita-se, foi morto em combate.
VIANA, Marcelo. Folha de S.Paulo. Folha Corrida, 20 dez. 2023, p. B8 (adaptado).
Leia o trecho do texto I e o texto II para responder à questão a seguir.
TRECHO DO TEXTO I
"O proprietário, o professor de matemática e treinador de cavalos amador Wilhelm Von Osten, exibia Hans publicamente, sem cobrar ingresso, para grande espanto da audiência. Por exemplo, quando Von Osten perguntava 'se o oitavo dia do mês é uma terça-feira, em que data cai a sexta-feira seguinte?', Hans respondia batendo o casco no chão 11 vezes."
TEXTO II

V. Disponível em: https://nastrilhasdarazao.wordpress.com/2019/04/15/hans-o-esperto-o-cavalo-que -sabia-contar/. Acesso em: 20 jan. 2024.
A partir da leitura do trecho do texto I e do texto II, analise as afirmativas a seguir.
I. O trecho transcrito do texto I e a figura representada no texto II abordam assuntos afins, embora empreguem linguagens diferentes.
II. A organização estilístico-composicional no trecho do texto I apresenta o entrecruzamento de sequências narrativa e injuntiva.
III. Os dois textos, cada um à sua maneira, enfocam o mesmo personagem, porém a abordagem numa perspectiva crítico-irônica se faz presente no texto II.
IV. Os dois textos se aproximam quanto aos seus propósitos comunicativos, porém cada um trata da matéria segundo as características do respectivo gênero.
Estão corretas as afirmativas
Com base no texto apresentado e nos estudos sobre gêneros do discurso, assinale a alternativa INCORRETA:
Sobre as concepções de linguagens, associe:
1. Ensino de análise linguística.
2. Linguagem.
3. Texto.
4. Gênero.
5. Leitura.
( ) Interação que podemos sustentar conceitos básicos para a aula de Língua Portuguesa.
( ) É uma atitude responsiva ativa.
( ) Entendido como cadeias de pensamento como organização relativamente estável de enunciados.
( ) É uma unidade comunicativa global.
( ) Decorrência das necessidades demonstradas pelo conjunto de textos dos alunos em conjunção com o(s) gênero(s) de texto escolhido(s).
Assinale a sequência CORRETA:
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
Eu não queria estar na pele dos narradores de futebol. A vida lhes ficou difícil. Além da dificuldade de identificar os jogadores pelo número na camisa (que passou de 1 a 11 para de 1 a 99), posição em campo (todos hoje jogam em todas) e estilo de cabelo (abundam os cabelos descorados), há os nomes. Temse a impressão de que, nos anos 2000, os pais brasileiros elegeram certos nomes com os quais registrar seus filhos e correram em massa para os cartórios. É só consultar o atual plantel profissional dos principais times, divulgado por eles. Tome Mateus (ou Matteus, Matheus, Matteo ou Mateuzinho). Botafogo, Corinthians, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Santos e São Paulo, todos têm um. O Flamengo e o Cruzeiro têm dois. Ou, então, Lucas (ou Luccas ou Lucca). Atlético Mineiro, Flamengo, Grêmio, Santos e São Paulo têm o seu. O Cruzeiro e o Internacional, dois, e o Fluminense, pode crer, cinco. Cinco Lucas! E Wallace? Há pelo menos um no Cruzeiro, Flamengo, Fluminense e Vasco. E o que dizer de Alan (ou Allan)? Botafogo, Corinthians, Flamengo e Internacional têm um e o Atlético Mineiro, dois — todos eles Álans, não mais Alãs.
Disponível em:https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/03/bola-com-kaue-ou-sera-kaua.shtml>.Acesso em: 6 mar. 2025.
READ TEXT II AND ANSWER THE SIX QUESTION THAT FOLLOW IT
TEXT II

From: https://schulzmuseum.org/wp-content/uploads/2020/11/1963-05-01_WEBscaled.jpg
Sobre ele, assinale a afirmativa incorreta.
Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I

Na era digital, as redes sociais tornaram‑se o palco onde muitos de nós encenam nossas vidas, dançando ao ritmo das curtidas e validações virtuais. Contudo, por trás da fachada de felicidade e sucesso, a roda da escravidão moderna está em pleno movimento, aprisionando muitos em uma busca incessante por uma validação que muitas vezes é ilusória.
Ao explorar as vidas aparentemente perfeitas que permeiam nossos feeds, é fácil cair na armadilha da comparação. A tirania dos valores “exibidos” nas redes sociais impõe padrões inatingíveis, criando uma ilusão de felicidade que obscurece a realidade complexa e multifacetada da experiência humana.
A busca incessante pela validação virtual cria uma dinâmica paradoxal. A roda da escravidão digital gira, e indivíduos se encontram cada vez mais distantes de suas próprias verdades, submersos na ilusão de que a aceitação on‑line equivale à validação pessoal. O preço pago por essa busca desenfreada é a perda da percepção de individualidade; à medida que nos moldamos para atender a padrões externos, muitas vezes em detrimento de nossa autenticidade, perdemos nossa verdadeira essência.
A sociedade contemporânea — marcada pela constante exposição nas redes sociais — propaga essa narrativa de sucesso e felicidade que muitas vezes é desconectada da realidade. A pressão para “parecer feliz, parecer bem‑sucedido” alimenta essa roda da ilusão, levando à exaustão emocional e à deterioração da saúde mental.
A reinvenção necessária não reside na perpetuação dessa farsa digital, mas na redescoberta da verdadeira autenticidade. É hora de desconectar‑se da tirania da validação virtual e reconectar‑se consigo mesmo. Ao invés de se perder nas imagens retocadas e narrativas cuidadosamente construídas, busque a essência de sua própria jornada.
Reverter esse ciclo demanda consciência, aceitação, ações conscientes para cultivar uma presença digital que reflita a verdadeira complexidade e autenticidade da experiência humana, promovendo a valorização do indivíduo para além das métricas virtuais.
Para se libertar é necessário buscar o autoconhecimento. Ao explorar as dinâmicas familiares, sociais e culturais que moldam nossas crenças e comportamentos, é possível desatar as correntes invisíveis desta roda da escravidão digital. Através do autodesenvolvimento é possível reconectar‑se consigo mesmo.
Nas palavras de Carl Jung, “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”. A jornada interior nos desperta para a verdadeira essência, permitindo‑nos desafiar padrões prejudiciais e construir uma narrativa pessoal mais autêntica, tornando‑nos livres e felizes.
ARAGÃO, Alessandra. A roda da escravidão da felicidade virtual. Estado de Minas, 21 dez. 2023 (adaptado).

I. Pode-se afirmar que o texto é uma crônica, tendo em vista que se trata de uma abordagem pessoal a respeito de um tema cotidiano.
II. A autora apresenta profundo embasamento teórico e científico para suas afirmações, o que se percebe pelas citações que o texto traz.
III. Os ditos populares trazidos pela autora são parcialmente aceitos por ela, que questiona sua validade na contemporaneidade.
Quais estão corretas?
Leia atentamente o texto abaixo para responder à questão.
Fake news x desinformação
(Texto adaptado)
O que mudou nos últimos anos, depois da explosão das redes sociais, foi a escala e o meio de difusão de mentiras, que passaram a ser chamadas de fake news (notícias falsas) e desinformação. Usados popularmente como sinônimos, os dois termos têm diferenças conceituais de acordo com os estudiosos do assunto e as instituições que os utilizam.
Segundo Eugênio Bucci, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP, “fake news é a falsificação da forma notícia. Parece ser uma notícia jornalística, mas não é”. Ele explicou o conceito em evento da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo no ano passado, do qual também participou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador Paulo Galizia.
O professor argumenta que não se deve usar a expressão como sinônimo de mentira. “Fake news são um tipo historicamente datado de mentira. São uma criação do século XXI, que frauda a forma notícia a partir das plataformas sociais e das tecnologias digitais que favorecem a difusão massiva de enunciados”, explica. “As fake news não existem desde sempre.”
Já a desinformação, de acordo com o professor, trata-se de um ambiente comunicacional hostil à informação. “A desinformação é o efeito geral da disseminação de fake news e de outros recursos para enganar ou manipular pessoas ou públicos com fins inescrupulosos”, afirma. “Na era da desinformação, a capacidade social de distinguir fato e opinião se desfaz.”
Fonte: https://www.tre-go.jus.br/comunicacao/noticias/
Analise o cartaz publicitário a seguir.

Sobre ele, assinale a afirmativa correta.
O câncer cada vez mais próximo da cura
Ao realizar uma pesquisa breve no portal de periódicos da Capes, uma das principais referências nacionais no que se refere aos acervos das produções acadêmicas, é possível notar que há 203 resultados para o termo cura do câncer somente nos últimos dois anos. Isso nos ajuda a pressupor uma ideia óbvia: há um desejo incontido dos pesquisadores por tratamentos que tornem o câncer bem menos letal.
Os tratamentos convencionais, principalmente a radioterapia e a quimioterapia, dão uma contribuição importante, mas esbarram fortemente em efeitos colaterais que comprometem a qualidade de vida do paciente durante o combate ao tumor. Minimizar esse sofrimento e potencializar as chances de cura são, portanto, duas estratégias sobre as quais a ciência se debruça todos os dias.
Uma das respostas mais importantes nesse sentido, se não a mais, vem sendo o CAR-T Cell. A técnica é uma revolução na imunoterapia e no combate a alguns tipos de câncer, especialmente a leucemia linfoblástica aguda (LLA), o linfoma não-Hodgkin (LNH) e o mieloma múltiplo. O tratamento consiste na extração de algumas células T, que atuam no sistema imunológico, do próprio paciente. Essas células são então programadas para combater as células cancerígenas, e na sequência são reinseridas no corpo do paciente.
Há uma multiplicação de casos de pacientes que simplesmente se livraram do câncer. Um deles ganhou recentemente uma atenção ampla nos sites de notícias nacionais. Um brasileiro de 61 anos, diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, já havia passado por 45 sessões de quimioterapia sem sucesso, e estava prestes a ser conduzido a cuidados paliativos. Depois de se submeter à imunoterapia com CAR-T Cell, o câncer simplesmente desapareceu.
O grande salto da ciência hoje em relação ao tratamento é sua expansão para outros tipos de câncer. O procedimento é visto como a grande esperança contra os tumores sólidos, como de próstata, de mama e de cérebro. Se a cura do câncer figura entre os temas recorrentes da Capes, não podemos nos furtar de dizer que alguma parte desse acervo é composta também por produções científicas que tratam dos avanços do CAR-T Cell para novas fronteiras.
Hoje, esses estudos se debruçam principalmente sobre a genética do câncer. Grosseiramente, é como se a ciência estivesse produzindo um manual de instruções sobre cada câncer para, através dessa imunoterapia, reprogramar as células T para atacar pontualmente o problema identificado no seu organismo de origem.
É possível classificar, portanto, como uma tendência as chances de já nos próximos anos esse tratamento ser expandido para novos tipos de tumores que hoje ainda não estão no radar da ciência. O CAR-T Cell é um procedimento que pode levar à cura do câncer. E isso leva a comunidade científica a alimentar a esperança de que a profusão de relatos favoráveis à cura logo serão o tema principal das produções acadêmicas neste campo. Quem viver verá.
(Guilherme Muzzi. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao. Acesso em: fevereiro de 2025.)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Ratos aplicam primeiros socorros em companheiros desacordados
A competição não é a única lei do reino animal. Um novo estudo ajuda a ilustrar a importância da cooperação entre os animais ao mostrar que os camundongos não deixam seus companheiros caídos para trás. Eles se mobilizam para aplicar técnicas de primeiros socorros em ratinhos inconscientes − que vão desde algumas cutucadas com a pata, mordidas e até um puxão na língua que parece respiração boca a boca.
A prática do cuidado não é exclusividade dos seres humanos, e descobertas recentes da ciência mostram que ela é muito mais comum no resto do reino animal do que se imaginava. Chimpanzés selvagens tocam e lambem companheiros feridos, e elefantes prestam assistência a parentes doentes, por exemplo. Até os golfinhos foram avistados ajudando a empurrar um camarada angustiado para a superfície, para que ele pudesse respirar.
Cientistas ligados à Universidade do Sul da Califórnia filmaram ratos em interação com seus companheiros de jaula, que poderiam estar ativos ou anestesiados. As descobertas foram divulgadas no periódico Science, e mostram que os camundongos cuidam uns dos outros. Ao longo de um período de 13 minutos, os animais ativos passavam em média seis minutos (47% do tempo) interagindo com seus companheiros de espécie inconscientes, tentando acordá-los.
Primeiros socorros para roedores
As interações seguiam um roteiro comportamental: os ratos começavam cheirando os companheiros, e depois começavam a passar a pata e cutucar para chamar atenção. Depois de não receberem resposta com esses métodos simples, eles recorriam a táticas mais invasivas e intensas: o camundongo ativo abria a boca do ratinho desacordado e puxava sua língua para fora.
Os ratos também lambem os olhos e mordem a boca dos amigos desmaiados. A técnica de puxar a língua do camarada se repetiu em mais de 50% dos casos.
Em outro teste, os pesquisadores colocaram uma bolinha de plástico atóxica na boca dos ratinhos desacordados e, em 80% dos casos, os companheiros roedores conseguiram remover o objeto com sucesso.
As técnicas de primeiros socorros funcionaram: os ratos que receberam cuidado de seus companheiros de espécie acordaram e passaram a andar mais rápido do que os outros anestesiados que não receberam nenhum auxílio.
Os camundongos que estavam cuidando dos animais desacordados passavam mais tempo investidos se eles fossem realmente amigos, já tendo se conhecido antes. Se os ratos estivessem se vendo pela primeira vez, o nível de interação era menor.
A técnica do puxão na língua pode parecer respiração boca a boca, mas não é. Os ratos não conseguem fazer reanimação cardiopulmonar, já que essa técnica complexa requer treinamento. O que eles fazem é análogo a um chacoalhão, um tapinha para acordar ou mesmo alguns preceitos básicos de primeiros socorros para ajudar a respirar.
Monitorando o cérebro dos ratos, os pesquisadores perceberam uma relação entre os atos de cuidado e neurônios que liberam ocitocina na amígdala e no hipotálamo, o que impulsiona o comportamento cooperativo dos roedores. A ocitocina é um hormônio relacionado a apego, empatia e prazer.
É provável que esse comportamento seja inato, e não aprendido, visto que os animais que participaram do experimento tinham entre dois e três meses e nunca tinham presenciado uma situação dessas antes.
Além dessa equipe de cientistas, outros dois laboratórios chegaram a conclusões similares em 2025, o que mostra que os comportamentos desses animais aumentam a coesão de um grupo − e, portanto, ajudam os ratos a sobreviver e se adaptar.
Retirado e adaptado de: LIMA, Eduardo. Ratos aplicam primeiros socorros em companheiros desacordados. Revista Super Interessante. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/ratos-aplicam-primeiros-socorros-em-c ompanheiros-desacordados/ Acesso em: 24 fev., 2025.
(__) O texto pertence ao gênero artigo de divulgação científica.
(__) O texto apresenta a função conativa da linguagem como predominante.
(__) O texto pertence ao gênero notícia.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: