Questões de Concurso Comentadas sobre gêneros textuais em português

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Q1679957 Português
TEXTO 01

O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

 O BRASILEIRO E A LEITURA NA ATUALIDADE

(1º§) O brasileiro não lê. Ao menos é isso que eu tenho escutado hoje. Por obrigação profissional e por obsessão nas horas vagas, costumo conversar muito sobre livros. Atualmente, com uma frequência incômoda, não importa qual é a formação de quem fala comigo, essa frase se repete. Amigos, taxistas, colegas jornalistas, escritores e até executivos de editoras já me disseram que o brasileiro não lê.

(2º§) Quando temos dificuldade para entender uma frase, uma boa técnica de aprendizado é repeti-la várias vezes. Um dos meus primeiros professores de inglês me ensinou isso. Nunca pensei que fosse usar esse truque com uma frase em português. Mas, depois de ouvir tantas vezes que o brasileiro não lê, e de discordar tanto dos que dizem isso, resolvi tentar fazer esse exercício. Talvez enfim eu os entenda. Ou talvez eu me faça entender.

(3º§) O brasileiro não lê, mas a quantidade de livros produzidos no Brasil só cresceu nos últimos anos. Na pesquisa mais recente da Câmara Brasileira do Livro, a produção anual se aproximava dos 500 milhões de exemplares. Seriam aproximadamente 2,5 livros para cada brasileiro, se o brasileiro lesse.

(4º§) O brasileiro não lê, mas o país é o nono maior mercado editorial do mundo, com um faturamento de R$ 6,2 bilhões. Editoras estrangeiras têm desembarcado no país para investir na publicação de livros para os brasileiros que não leem. Uma das primeiras foi a gigante espanhola Planeta, em 2003. Naquela época, imagino, os brasileiros já não liam. Outras editoras vieram depois, no mesmo movimento incompreensível.

(5º§) O brasileiro não lê, mas desde 2004 o preço médio do livro caiu 40%, descontada a inflação. Entre os motivos para a queda estão o aumento nas tiragens, o lançamento de edições mais populares e a chegada dos livros a um novo público. Um mistério, já que o brasileiro não lê.

(6º§) O brasileiro não lê - e os poucos que leem, é claro, são os brasileiros ricos. Mas a coleção de livros de bolso da L&PM, conhecida por suas edições baratas de clássicos da literatura, vendeu mais de 30 milhões de exemplares desde 2002. Com seu sucesso, os livros conquistaram pontos de venda alternativos, como padarias, lojas de conveniência, farmácias e até açougues. As editoras têm feito um esforço irracional para levar seu acervo a mais brasileiros que não leem. Algumas já incluíram livros nos catálogos de venda porta-a-porta de grandes empresas de cosméticos. Não é preciso nem sair de casa para praticar o hábito de não ler.

(7º§) O brasileiro não lê, mas vez ou outra aparecem best-sellers por aqui. Esse é o nome dado aos autores cujos livros muitos brasileiros compram e, evidentemente, não leem. Uma delas, a carioca Thalita Rebouças, já vendeu mais de um milhão de exemplares. Seus textos são escritos para crianças e adolescentes - que, como todos sabemos, trocaram os livros pelos tablets e só querem saber de games. Outro exemplo é Eduardo Spohr, que se tornou um fenômeno editorial com seus romances de fantasia. Ele é o símbolo de uma geração de novos autores do gênero, que escrevem para centenas de milhares de jovens brasileiros que não leem.

(8º§) O brasileiro não lê - e, mesmo se lesse, só leria bobagens. Mas, há poucos meses, um poeta estava entre os mais vendidos do país. Em algumas livrarias, a antologia Toda poesia, de Paulo Leminski (1944-1989), chegou ao primeiro lugar. Ultrapassou a trilogia Cinquenta tons de cinza, até então a favorita dos brasileiros (e brasileiras) que não leem. (...)

(Danilo Venticinque escreve às terças-feiras para a Revista EPOCA. 04.06.2014) - (Texto Adaptado) (http://revistaepoca.globo.com/cultura/danilo-venticinque/noticia/2013/06/o-brasilei ro-nao-le.html) - Disponível 05.01.2021ponível 05.01.2021
Analise os fragmentos textuais seguintes:
1 - A "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias, texto-matriz da obra literária, foi produzida no primeiro momento do Romantismo Brasileiro, época na qual se vivia uma forte onda de nacionalismo, que se devia ao recente rompimento do Brasil-colônia com Portugal. Neste sentido, o poeta trata de demonstrar aversão aos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil. (...)

2 - Uma mobilização de estudantes universitários pela liberação do uso de xerox de livros em universidades públicas e privadas, lançada em fevereiro último, foi a única iniciativa digna de nota contra uma aberração chamada Associação Brasileira de Direitos Reprográficas (ABDR), representante das editoras, que desde 2004 aciona a polícia para dar batidas em bibliotecas e centros acadêmicos universitários. (...)

3 - Jeremias ficou uma tarde e parte da noite trancado no quarto, trabalhando um novo quadro. Mal ouvia a mãe que chamava para comer, para tomar café, que reclamava da vida, gritava com os filhos mais novos, com o marido. Jeremias estava certo de que era o seu melhor trabalho: uma flor abstrata, carregada de riscos e cores, que poderia permitir variada leitura. Ele se negava a interpretá-la, preferia senti-la na pele. (...)

Marque a alternativa que identifica corretamente o gênero de cada fragmento textual.
Alternativas
Q1679381 Português
Analise as características que constroem os textos seguintes:
I - A ajuda internacional para a educação no atual estágio da expansão capitalista: sua funcionalidade - Um dos aspectos que atualmente mais avultam nas redefinições dos rumos e das estratégias de desenvolvimento das sociedades periféricas é o tipo de atuação que sobre estas vêm exercendo as agências internacionais de ajuda e cooperação, pertençam ou não à Organização das Nações Unidas. É possível identificar, na maioria dessas agências capitalistas, não só aspectos ideológicos, mas também objetivos e formas de atuação semelhantes nos países do Terceiro Mundo. As diferenças neste último caso decorrem muito do estágio de integração desses países na esfera de influência do capitalismo, do que propriamente de diferenças de objetivos ou ideologias. (ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil (1930-1973). Editora Vozes. 2003. Petrópolis.p.198).
II - Apostas na educação, como instrumento de diminuição da pobreza, encontram respaldo em pesquisas que mostram a correlação entre o aumento do tempo de estudo e a melhoria dos indicadores sociais (Menezes, 2006, Soares, 2006. In: Educação e desempenho escolar. Em Aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 65-81, abr. 2009.) - (Adaptado)
III - Todos sabemos que os estudos sobre a educação brasileira revelam que a superação da pobreza e da desigualdade exige uma escolaridade mínima de 12 anos, embora se saiba que a pobreza e a exclusão social apresentem complexidades que exigem a conjugação de esforços de todas as políticas públicas e não apenas da área educacional.
(Educação e desempenho escolar. Em Aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 65-81, abr. 2009.) - (Adaptado)
Marque a alternativa com correta identificação do gênero de cada texto.
Alternativas
Q1678633 Português

Estudo rejuvenesce células de idosos em 25 anos.

Profissionais de Israel observaram regeneração dos telômeros e queda nas células ligadas ao envelhecimento

“Em um estudo inovador, cientistas da Universidade de Tel Aviv relataram ter revertido o processo de envelhecimento. O método escolhido pelos pesquisadores foi a terapia de oxigênio.

Os pesquisadores utilizaram câmaras hiperbáricas para observar seu efeito em células e material genético de vida útil curta. A ideia era analisar se a terapia, baseada na respiração de oxigênio na cabine pressurizada, poderia reverter efeitos conhecidos do envelhecimento em idosos. Os participantes eram 35 pessoas de 64 anos de idade.

Assim, os idosos foram colocados na câmara hiperbárica por 90 minutos diários, cinco dias por semana ao longo de três meses. Ao longo da pesquisa, os cientistas investigaram o funcionamento de células associadas à deterioração de tecidos e órgãos no organismo, além de medir os telômeros (molécula cujo encurtamento está relacionado ao envelhecimento celular precoce) de cada participante.

Como resultado, os israelenses constataram um aumento em 20% no comprimento dos telômeros dos idosos e uma queda de 37% nas células estudadas. De acordo com os estudiosos, isso seria equivalente a 25 anos de rejuvenescimento.

O estudo é inovador por apontar cientificamente para a possibilidade da reversão do processo de envelhecimento em nível celular. No entanto, é claro que muitas outras pesquisas precisam ser feitas acerca do assunto,
https://veja.abril.com.br/ciencia/estudo-rejuvenesce-celulas-de-idosos-em-25-anos/


Considerando a estrutura e a forma que dão um padrão ao texto, é possível afirmar que ele pertence aos gêneros jornalísticos, porque

I. expõe a intencionalidade do relato de comunicar fatos como o avanço científico na área do rejuvenescimento.
II. expõe a intencionalidade do autor de interpretar o fato e apresentar opiniões pessoais.
III. apresenta uma sequência explicativa em que detalha o estudo, procurando passar ao leitor o conhecimento específico.

Marque a opção que indica a(s) afirmativa(s) CORRETA(S).

Alternativas
Q1676942 Português
Leia o texto com atenção:

EMERGÊNCIA

    É fácil identificar o passageiro de primeira viagem. É o que já entra no avião desconfiado. O cumprimento da aeromoça, na porta do avião, já é um desafio para a sua compreensão.
    – Bom dia...
    – Como assim?
    Ele faz questão de sentar num banco de corredor, perto da porta. Para ser o primeiro a sair no caso de alguma coisa dar errado. Tem dificuldade com o cinto de segurança. Não consegue atá-lo. Confidencia para o passageiro ao seu lado:
     – Não encontro o buraquinho. Não tem buraquinho?
    Acaba esquecendo a fivela e dando um nó no cinto.
    Comenta, com um falso riso descontraído: “Até aqui, tudo bem”. O passageiro ao lado explica que o avião ainda está parado, mas ele não ouve. A aeromoça vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa.
     – Obrigado. Não bebo.
    Quando o avião começa a correr pela pista antes de levantar voo, ele é aquele com os olhos arregalados e a expressão de Santa Mãe do Céu! No rosto. Com o avião no ar, dá uma espiada pela janela e se arrepende. É a última espiada que dará pela janela.
    Mas o pior está por vir. De repente ele ouve uma misteriosa voz descarnada. Olha para todos os lados para descobrir de onde sai a voz.
    “Senhores passageiros, sua atenção, por favor. A seguir, nosso pessoal de bordo fará uma demonstração de rotina do sistema de segurança deste aparelho. Há saídas de emergência na frente, nos dois lados e atrás.”
    – Emergência? Que emergência? Quando eu comprei a passagem ninguém falou nada em emergência. Olha, o meu é sem emergência.
    Uma das aeromoças, de pé ao seu lado, tenta acalmá-lo.
    – Isto é apenas rotina, cavalheiro.
    – Odeio a rotina. Aposto que você diz isso para todos. Ai meu santo.
    “No caso de despressurização da cabina, máscaras de oxigênio cairão automaticamente de seus compartimentos.”
    – Que história é essa? Que despressurização? Que cabina?
    “Puxe a máscara em sua direção. Isso acionará o suprimento de oxigênio. Coloque a máscara sobre o rosto e respire normalmente.”
     – Respirar normalmente?! A cabina despressurizada, máscaras de oxigênio caindo sobre nossas cabeças – e ele quer que a gente respire normalmente?! “Em caso de pouso forçado na água...”
    – O quê?!
     “... os assentos de suas cadeiras são flutuantes e podem ser levados para fora do aparelho e...”
    – Essa não! Bancos flutuantes, não! Tudo, menos bancos flutuantes!
    – Calma, cavalheiro.
    – Eu desisto! Parem este troço que eu vou descer. Onde é a cordinha? Parem!
    – Cavalheiro, por favor. Fique calmo.
   – Eu estou calmo. Calmíssimo. Você é que está nervosa e, não sei por quê, está tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro ao meu lado. Que, aliás, também parece consternado e levemente azul.
    – Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.
    – Só não quero mais ouvir falar de banco flutuante.
   – Certo. Ninguém mais vai falar em banco flutuante.
    Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta desesperadamente recuperar a respiração, e pede desculpas. Perdeu a cabeça.
    – É que banco flutuante foi demais. Imagine só. Todo mundo flutuando sentado. Fazendo sala no meio do Oceano Atlântico!
     A aeromoça diz que lhe vai trazer um calmante e aí mesmo é que ele dá um pulo:
    – Calmante, por quê? O que é que está acontecendo? Vocês estão me escondendo alguma coisa!
    Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo. Ele fica rígido na cadeira. Recusa tudo que lhe é oferecido. Não quer o almoço. Pergunta se pode receber a sua comida em dinheiro. Deixa cair a cabeça para trás e tenta dormir. Mas, a cada sacudida do avião, abre os olhos e fica cuidando da portinha do compartimento sobre sua cabeça, de onde, a qualquer momento, pode pular uma máscara de oxigênio e matá-lo do coração.
    De repente, outra voz. Desta vez é a do comandante.
     – Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araújo. Neste momento, à nossa direita, podemos ver a cidade de...
    Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto:
    – Olha para a frente, Araújo! Olha para a frente!

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Mais comédias para ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2009.

Com base no texto lido responda a questão:
Sobre a crônica:
I. É narrada por um narrador observador. II. É possível perceber ao final do texto que o passageiro se mostra sólito ao voo. III. A intencionalidade discursiva do autor da crônica é relatar, de forma cômica, a ignávia que acomete alguns passageiros. IV. A intenção discursiva do escritor é de relatar o descontrole de alguns passageiros durante um suposto primeiro voo, o que provoca exasperação dentro do avião.
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Q1676492 Português

Pai não entende nada


A filha de 14 anos chega para o pai e diz:

- Pai, preciso comprar um biquíni novo.

- Mas filha, você comprou um biquíni no ano passado.

- Ah pai, quero um biquíni novo.

- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.

- Mas eu quero, pai.

- Tá bom, filha. Pegue esse dinheiro e compre um biquíni maior.

- Maior não, pai. Menor.

Pai não entende nada mesmo!


Luís Fernando Veríssimo.

A crônica é um texto narrativo que em muitas ocasiões pretende criar uma situação engraçada. O humor desta crônica foi construído a partir do(a):
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Q1675717 Português
Tomando em consideração que um texto se estrutura com base em características gerais de um determinado gênero textual, numere a Coluna B, conforme a Coluna A.
COLUNA A
I. Carta. II. Conto. III. Crônica. IV. Entrevista. V. Notícia. VI. Poesia.
COLUNA B
( ) Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de destaque sobre algum assunto de interesse. É um gênero marcado pela oralidade e possui importante papel ao difundir conhecimento e formar opinião sobre uma temática. ( ) Caracteriza-se por apresentar um trabalho voltado para o estudo da linguagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de imagens. ( ) Esse gênero textual está entre os mais utilizados pela sociedade, estando presente nas diversas práticas sociais, pessoais ou comerciais. Sua característica principal é a existência de emissor e destinatário. ( ) Gênero que apresenta uma narrativa informal ligada à vida cotidiana. Apresenta certa dose de lirismo e sua principal característica é a brevidade. ( ) Apresenta linguagem linear e curta, que envolve poucas personagens movimentando-se em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho. ( ) Aborda um tema atual ou algum acontecimento real. Possui teor informativo e pode se apresentar em textos descritivos e narrativos ao mesmo tempo, estruturando, portanto, tempo, espaço e as personagens envolvidas.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
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Q1906736 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão .


A marca no flanco 

Lya Luft 


O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. 

É uma ideia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo. 

E o que configura essa perspectiva nossa?

Ela se inaugura na infância, com suas carências nem sempre explicáveis. Mesmo se fomos amados, sofremos de uma insegurança elementar. Ainda que protegidos, seremos expostos a fatalidades e imprevistos contra os quais nada nos defende. Temos de criar barreiras e ao mesmo tempo lançar pontes com o que nos rodeia e o que ainda nos espera. Toda essa trama de encontro e separação, terror e êxtase encadeados, matéria da nossa existência, começa antes de nascermos.

Mas não somos apenas levados à revelia numa torrente. Somos participantes. 

Nisso reside nossa possível tragédia: o desperdício de uma vida com seus talentos truncados se não conseguirmos ver ou não tivermos audácia para mudar para melhor – em qualquer momento, e em qualquer idade.

A elaboração desse “nós” iniciado na infância ergue as paredes da maturidade e culmina no telhado da velhice, que é coroamento embora em geral seja visto como deterioração.

Nesse trabalho nossa mão se junta às dos muitos que nos formam. Libertando-nos deles com o amadurecimento, vamos montando uma figura: quem queremos ser, quem pensamos que devemos ser – quem achamos que merecemos ser.

Nessa casa, a casa da alma e a casa do corpo, não seremos apenas fantoches que vagam, mas guerreiros que pensam e decidem.

Constituir um ser humano, um nós, é trabalho que não dá férias nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Quem sabe um pedaço que vai desabar. Mas se abrirão também janelas para a paisagem e varandas para o sol.

O que se produzir – casa habitável ou ruína estéril – será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do que nos fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso, esse selo, sinete, essa marca.

Porém isso ainda seria simples demais: nessa argamassa misturam-se boa-vontade e equívocos, sedução e celebração, palavras amorosas e convites recusados. Participamos de uma singular dança de máscaras sobrepostas, atrás das quais somos o objeto de nossa própria inquietação. Nem inteiramente vítimas nem totalmente senhores, cada momento de cada dia um desafio.

Essa ambiguidade nos dilacera e nos alimenta. Nos faz humanos.

No prazo de minha existência completarei o projeto que me foi proposto, aos poucos tomando conta dessa tela e do pincel.

Nos primeiros anos quase tudo foi obra do ambiente em que nasci: família, escola, janelas pelas quais me ensinaram a olhar, abrigo ou prisão, expectativa ou condenação.

Logo não terei mais a desculpa dos outros: pai e mãe amorosos ou hostis, bondosos ou indiferentes, sofrendo de todas as naturais fraquezas da condição humana que só quando adultos reconhecemos. Por fim havemos de constatar: meu pai, minha mãe, eram apenas gente como eu. Fizeram o que sabiam, o que podiam fazer.

E eu… e eu?

Marcados pelo que nos transmitem os outros, seremos malabaristas em nosso próprio picadeiro. A rede estendida por baixo é tecida de dois fios enlaçados: um nasce dos que nos geraram e criaram; o outro vem de nós, da nossa crença ou nossa esperança. 

LUFT, Lya. Perdas & Ganhos. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 21-23 [Adaptado] 

Em relação ao gênero, é adequado afirmar que o texto de Lya Luft é 
Alternativas
Q1791024 Português
Leia o texto para responder a questão.
Deu match
Por Mentor Neto

   Lucimara e Haroldo estão juntos há quase quatro meses. Se conheceram no Inner Circle, um aplicativo de relacionamento.
   – Eu prefiro… É que o Tinder caiu muito, sabe? As mulheres estão lá só para conseguirem seguidores no Instagram. Haroldo está decepcionado.
   Assim que começaram a namorar, os dois apagaram seus perfis no Happn, Badoo e Tinder. O casal tem uma relação moderna, ele mora num apartamento em Moema e ela numa casa de vila em Pinheiros.
   – É melhor, porque cada um tem a sua privacidade, entende? Lucimara, que já foi casada, acha que cada um tem que ter o seu espaço. Os dois são profissionais liberais, desses com uma rotina muito complicada, o Haroldo chega cedo e sai tarde do escritório de advocacia, a Lucimara trabalha com gastronomia, e têm eventos quase todas as noites, então, não conseguem se ver sempre.  
  – Eu detesto grude, ele também. Então a gente deixa para se encontrar só quando tem vontade, entende? Lucimara esclarece.
   – Fora que o trânsito na cidade é impossível. Outro dia pensei em fazer uma surpresa, mas tava dando duas horas no Waze. Haroldo reclama.
   Mesmo não se vendo com frequência, são muito íntimos porque um acompanha a rotina diária do outro pelas redes sociais.
   Haroldo posta uma foto do café da manhã.
   Lucimara comenta:
   “Amor, cadê a fruta?”
   Ele não responde, mas clica no coraçãozinho, aí, a Lucimara posta uma foto indo para o trabalho com a hashtag #chuvadosinfernos. Haroldo dá like na foto e comenta #tamojunto. 
   Para começar o dia, quando chega no escritório, Haroldo faz um post falando mal do Bolsonaro.
  – Ele posta essas coisas só para me provocar, diz Lucimara, que é sobrinha de um primo do Paulo Guedes. Em seguida comenta só um “kkkk”, para mostrar sua cumplicidade com o namorado.
   A turma que trabalha na cozinha experimental, com a Lucimara, acha o casal top.
 Para relaxar, adoram assistir Netflix no sofá. Assistem juntos, na mesma hora. Recentemente maratonaram “La Casa de Papel”, cada um em sua televisão, conversando pelo Twitter.
   Lucimara adora cozinhar para o Haroldo, ela sabe que a sobremesa preferida do namorado é bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Então, quando consegue chegar em casa um pouco mais cedo, prepara uma receita que baixou no TasteMade, chama um Rappi e manda entregar no apartamento de Moema. 
   Se já discutiram a relação, é claro, por WhatsApp.
   – Normal. Vamos combinar que todo casal tem seus altos e baixos, né? Lucimara é realista. 
 – O importante é nunca dormir brigado. Haroldo mostra um gif animado de um panda virando cambalhota na neve que Lucimara adora e entende como um pedido de desculpas.
   – Ele não é um fofo? Lucimara está apaixonada, mas está se referindo ao panda.
   Semana passada, na terça-feira, resolveram jantar com um casal de amigos. Combinaram uma ligação de vídeo por Skype e cada um pediu iFood em sua própria casa.
   – Tem coisa melhor do que comida boa em boa companhia? Cada um come o que quer e na hora de ir embora é só desligar e ir pra cama. Lucimara deixa escapar a preguiça. 
   – Fora que economiza no Uber. Haroldo é meio muquirana.
  O jantar foi uma delícia, o Haroldo comeu hambúrguer e Lucimara, sushi. Já os amigos, uma pizza e China In Box.
   A mãe de Lucimara acha estranho ela quase nunca encontrar o namorado, mas o fato é que procurou o Haroldo no Facebook e não foi com a cara do sujeito. Então apelou:
   – Filha, vocês tão certos. Com esse Coronavirus à solta, quanto menos sair de casa, melhor.

Disponível em https://istoe.com.br/deu-match/
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto.
Alternativas
Q1789903 Português

É possível a vida dos gêneros como uma tessitura de redes discursivas, provenientes dos mais diferentes focos da cultura oral e escrita. Nessas esferas de realidade, o gênero piada constitui-se como um discurso que faz parte do universo da sala de aula.

Leia a piada a seguir e, em seguida, responda o que se pede. 


Assim que Joãozinho chegou em casa, sua mãe perguntou:

- Oi, meu filho, como foi a aula hoje?

E o menino respondeu sem muito entusiasmo:

- Foi bem!

-Que bom! Tem certeza de que aprendeu tudo?

- Acho que não, Mãe! Amanhã vou ter que ir de novo.

(Fonte: CEREJA, William e COCHAR, Thereza. Português/Linguagens. São Paulo: Saraiva. 2015, p. 160).

Do gênero textual acima, pode-se depreender:
I- A ideia central da piada retrata a mesmice da sala de aula, evidenciando, sob a forma de humor, a ineficiência do processo de ensino e aprendizagem. II- O gênero lúdico incentiva o riso em sala de aula, cria um ambiente propício ao ensino e à aprendizagem, ajudando o professor a conquistar a atenção do aluno e a reter o conhecimento. III- A transposição do gênero piada ao discurso didático se configura e reflete as múltiplas possibilidades de uso da linguagem, provocando o riso, que nega o discurso autoritário.
É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q1789902 Português
Os gêneros textuais são fenômenos vinculados à vida cultural e social e contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do cotidiano. Desta forma, pode-se afirmar que:
I- O texto é uma produção cultural fundada na linguagem e se realiza no cruzamento de sujeitos discursivos, porque mobiliza sentidos gerados no evento comunicativo. II- A dimensão dos usos de gêneros textuais passa a ser elos de uma cadeia que dinamiza as relações entre os sujeitos discursivos ou sistemas de linguagem. III- Os gêneros textuais não podem hibridizar-se, cruzar-se, fazendo o texto ganhar novas significações.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q1787804 Português

Os três pássaros do rei Herodes (lenda)


Pela triste estrada de Belém, a Virgem Maria, tendo o Menino Jesus ao colo, fugia do rei Herodes.

Aflita e triste ia em meio do caminho quando encontrou um pombo, que lhe perguntou: – Para onde vais, Maria? – Fugimos da maldade do rei Herodes, – respondeu 

Mas como naquele momento se ouvisse o tropel dos soldados que a perseguiam, o pombo voou assustado.

Continuou Maria a desassossegada viagem e, pouco adiante, encontrou uma codorniz que lhe fez a mesma pergunta que o pombo e, tal qual este, inteirada do perigo, tratou de fugir. Finalmente, encontrou-se com uma cotovia, que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino, atrás de cerrado grupo de árvores que ali existia.

Os soldados de Herodes encontraram o pombo e dele souberam o caminho seguido pelos fugitivos.

Mais para a frente a codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo.

Ao fim de algum tempo de marcha, surgiram à frente da cotovia.

– Viste passar por aqui uma moça com uma criança no regaço?

– Vi, sim – respondeu o pequenino pássaro – Foram por ali.

E indicou aos soldados um caminho que se via ao longe. E assim afastou da Virgem e de Jesus os seus malvados perseguidores.

Deus castigou o pombo e a codorniz.

O primeiro, que tinha uma linda voz, passou a emitir, desde então, um eterno queixume.

A segunda passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.

E a cotovia recebeu o prêmio de ser a esplêndida anunciadora do sol a cada dia que desponta.

Fonte (adaptada):

https://armazemdetexto.blogspot.com/2017/11/lenda-os-tres-passaros-do-rei-herodes.html.


A estrutura do texto acima indica que:
Alternativas
Q1773655 Português
Quando um e-mail é dirigido a uma pessoa com quem temos intimidade, podemos abreviar algumas palavras como, por exemplo: também (tb), quando (qdo), porque (pq), você (vc) etc. Tendo como parâmetro essa situação de uso da vírgula, é CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q1772156 Português
TEXTO
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

Empatia: capixabas dão show de solidariedade em vários lugares do Espírito Santo
Diante do Novo Coronavírus, alguns capixabas buscaram levar amor e ajudar os que mais sofrem neste momento
Atualizado 27/03/2020 07:01:11
Em meio à pandemia do Novo Coronavírus que atinge o mundo todo e também o Espírito Santo, capixabas esbanjam empatia e o sentimento de solidariedade toma conta de muita gente! Foi o caso do dono de um restaurante localizado em Vila Velha, que abriu as portas do estabelecimento e distribuiu pratos de comida para moradores em situação de rua.
"A partir de hoje, quem mora na rua e precisa comer vai vim até meu restaurante que eu vou distribuir comida de forma gratuita para vocês", disse em um vídeo gravado e publicado nas redes sociais.
No combate ao Novo Coronavírus, a Receita Federal também ajudou. Todos os termômetros apreendidos na Alfândega foram doados para a Secretaria de Estado de Saúde do Espírito Santo (Sesa), uma decisão tomada pelo delegado Fabrício Betto.
Além dele, outros casos de empatia também foram vistos no Espírito Santo, como o caso do professor de matemática que ofereceu aulas de reforço online e também da dentista Mariella Gottardi, que criou uma campanha para arrecadar sabão e abastecer as comunidades. "Eu abri uma conta e juntei uma verba com todos meus amigos. Recebi o apoio de supermercados que me ajudaram a distribuir os donativos. Além disso, reforço que toda minha ação foi sem sair de casa", concluiu a profissional da área de saúde.
Em uma rede de hotel, por exemplo, faltam turistas, mas não falta amor. Luzes foram acessas em formato de coração e fé. Um movimento voltado para população em situação de rua, fez uma campanha pedindo ajuda para todos os moradores que neste momento enfrentam a falta de alimentos e produtos de higiene. Em um vídeo publicado, os organizadores pediam ajuda a toda população capixaba.
Disponível em:
https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/03/2020/empatia-capixabas-dao-sho w-de-solidariedade-em-varios-lugares-do-espirito-santo. Acesso em 30/08/2020.
Assinale a alternativa CORRETA sobre o texto:
Alternativas
Q1770889 Português
Avalie como (V) verdadeiro ou (F) falso as proposições a seguir sobre a estrutura do enunciado:
“Se toque. Acura do câncer pode estar em suas mãos”. (In: ANTUNES, Irandé. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo: Parábola, 2003, p. 132).
( ) A construção linguística do enunciado apresenta um desvio da norma culta da língua, sendo incompatível com o gênero “anúncio publicitário”. ( ) O objetivo do gênero textual é atingir o maior número de pessoas por força da persuasão, por isso o emprego de um registro mais próximo do informal. ( ) A elaboração do anúncio enseja uma análise discursiva sobre a duplicidade de sentido do enunciado.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Alternativas
Q1770833 Português

Leia a letra de música a seguir para responder à próxima questão:  


A carta 


Escrevo-te 

Estas mal traçadas linhas,

Meu amor,

Porque veio a saudade

Visitar meu coração.

Espero que desculpes

Os meus erros, por favor,

Nas frases desta carta

Que é uma prova de afeição. 


Talvez tu não a leias,

Mas quem sabe até darás

Resposta imediata

Me chamando de "Meu Bem".


Porém, o que me importa

É confessar-te uma vez mais:

Não sei amar na vida

Mais ninguém.


[...]


Ao me apaixonar,

Por ti não reparei

Que tu tivestes

Só entusiasmo

E para terminar

Amor assinarei

"Do sempre, sempre teu..."


SAMPAIO, Raul: SANTOS. Benil. A Carta. Disponível em: https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/45771/Acesso em: 07103/2020.  (Adaptado.)  




Essa letra de canção esta disposta na forma de carta pessoal. Ê CORRETO apontar, como um dos elementos formais desse gênero de texto:
Alternativas
Q1770832 Português

A partir da leitura do texto abaixo, responda à questão.


Crianças que veem comidas saud6vels na TV tendem a se alimentar melhor



    Programas de televisão que apresentem alimentos saudáveis podem ser uma ajuda e tanto para que as crianças façam melhores escolhas alimentares. segundo uma pesquisa realizada na Holanda e publicada na Revista de Nutrição, Educação e Comportamento, dos Estados Unidos. Os pesquisadores chegaram â conclusão após realizarem um experimento com 125 crianças holandesas que tinham entre 10 e 12 anos. 
    No estudo. os pequenos foram divididos em grupos: parte deles assistiu a um programa de culinár1a em que apareciam alimentos saudáveis, os outros jovens viram programas com comidas nem tão benéficas â saúde. Após a exibição dos programas, os pesquisadores ofereceram dois lanches para as crianças: um mais saudável, com maçã e pepino, e outro com batatas fritas e biscoitos industrializados. Segundo os especialistas, as crianças que assistiram a programas de TV em que apareciam alimentos saudáveis tinham uma probabilidade quase três vezes maior de optar peto menu mais nutritivo. 
    Para Frans FoIkvord, líder da pesquisa, o estudo prova que a educação alimentar é essencial, inclusive, no ambiente acadêmico. "A educação nutricional nos ambientes escolares pode ter uma influência positiva importante no conhecimento. atitudes, habilidades e comportamentos das crianças-, disse no artigo.  
    Os estudiosos fizeram questão de ressaltar que maus hábitos alimentares durante a infância e a adolescência têm múltiplos efeitos negativos para a saúde. Por isso, eles acreditam que influenciar positivamente as crianças é importe. "A probabilidade de consumir frutas e legumes entre jovens e adultos está fortemente relacionada ao conhecimento de como prepará-los", comentou Falkvord. "O aumento das habilidades culinárias entre as crianças pode influenciar positivamente o consumo de frutas e vegetais de forma que persista na idade adulta", conclui.  

Revista Galileu. 06/01/2020. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/01/crianças-que-veem-comidas-saudaveis-na-tv-tendem-se-alimentar-melhor.html.Acesso em: 07/03/2020. (Adaptado.)


Quanto ao gênero discursivo do texto e ás sequências textuais que o constituem, é CORRETO considerar que:
Alternativas
Q1769778 Português
Após a Leitura da quadrinha a seguir, analise as proposições com relação a esse gênero, assinalando (V) para verdadeiro e (F) para falso.
Até nas flores se vê O destino e a sorte Umas enfeitam a vida Outras enfeitam a morte.
( ) Há neste gênero o emprego de recursos sonoros, métrica e ritmo que enriquecem a coerência temática do texto. ( ) Os mecanismos utilizados na formatação do gênero ampliam o significado das palavras, o que confere sentido ao texto. ( ) Os dois últimos versos apresentam a figura de linguagem paradoxo.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Alternativas
Q1769514 Português

Leia atentamente o texto abaixo, extraído do jornal O TEMPO - 16/02/20, de modo a responder à questão:


O PESO DO MOSQUITO (LAURA MEDIOLE)

"Convidei meu vizinho para fazer um mutirão da limpeza em seu quintal, e ele só me enrola. Já denunciei, e nada. Ele só aparece a cada 15 dias. Mato e entulho tomaram conta de tudo.” 

“Por que o jornal não vem filmar o criadouro dos mosquitos aqui, no vizinho? As calhas da sua casa estão todas entupidas, e a água da chuva desce em cima do muro, que vai cair a qualquer momento. Já denunciei aí no jornal a proliferação do mosquito da dengue, e ninguém faz nada...”

Pois é; as internautas têm razão, é o fim da picada!!! Ou melhor, o início, quando os vizinhos ignoram um dos maiores problemas enfrentados pela população nos últimos anos. Impressionante a falta de consciência (ou de vergonha na cara mesmo) dessas pessoas (felizmente, uma minoria), que põem em risco a saúde e até a vida dos moradores.

Custa dar uma olhada nos seus quintais? Não entendem que uma simples tampinha de Coca-Cola com água pode vir a ser um criadouro de larvas do Aedes aegypti? Que, ao crescerem, viram mosquitos capazes de causar danos enormes às pessoas? Quem já teve dengue sabe disso. [...] Como se não bastasse a incapacidade de reação, correm o risco de sofrer a dengue hemorrágica, que pode ser fatal. 

Explico isso em pormenores acreditando que algum leitor menos esclarecido, que ainda não se deu conta da situação, se atente ao problema. E, antes de fazer pouco-caso das campanhas, mutirões ou pedidos dos vizinhos, pense nisso, pense num filho seu acometido pela doença. Se para um adulto já é pesado, imagina para uma criança?

Pesquisas confirmam que 80% dos focos são residenciais. Ou seja, estão no lixo acumulado nos quintais, na latinha com água de chuva, na calha entupida, e por aí vai. Como exemplo da irresponsabilidade, cito as caixas-d’água. O fiscal chega na casa, vasculha o terreno minuciosamente, explica os riscos, deixa um panfleto sobre o tema, notifica quando necessário e, para finalizar, pergunta sobre a caixa-d’água. O morador, já sem muita paciência com aquela “invasão domiciliar”, diz que a caixa está ok, que se encontra fechada. O fiscal sai, e entra o drone, que, do alto, mostra que aquela caixa-d’água, além de não ter tampa, é um criadouro de mosquitos.

Há vários meses a Prefeitura de Betim (cito ela porque é a que estou mais próxima) vem fazendo campanhas e mutirões de casa em casa, envolvendo escolas, pais de alunos, moradores de modo geral, além de um trabalho intensivo de capina e retirada de lixo e entulhos, espalhados pela população. [...]

Vejo que, além do lixo, temos aí um problema educacional. Talvez o país ainda demore décadas para que a população se conscientize disso. [...] Em cada regional há um local destinado aos entulhos, o que muitos caminhões clandestinos, vindos até de cidades vizinhas, ignoram. Mesmo com o risco de serem multados, na calada da noite, continuam descarregando materiais nas calçadas ou em locais indevidos, apesar de a prefeitura disponibilizar caçambas próprias para isso, distribuídas em pontos estratégicos da cidade. Nas escolas, as crianças desde cedo são conscientizadas sobre a importância da reciclagem. E, numa espécie de gincana ecológica, envolvendo também os pais, elas cumprem o que lhes é ensinado.

Um trabalho de formiguinha, até chegar o dia em que não serão mais necessários fiscais e tantos outros custos para o município, que poderiam ser evitados. Até chegar o dia em que não morrerão mais pessoas de dengue. 


Analise as proposições acerca da estruturação do texto jornalístico acima, e as classifique como (V) para verdadeiras ou (F) para falsas:
( ) A menção aos depoimentos no início do texto, culminando na pergunta destinada ao leitor, constitui a chamada introdução para chamar a atenção, recurso que reforça o apelo da autora para a necessidade de evitar o lixo, que contribui para a proliferação do mosquito da dengue. ( ) O gênero a que pertence o texto é a notícia, o que se comprova pelos depoimentos citados e pelas pesquisas, relativos a uma cidade específica (Betim), que denunciam a dificuldade para controlar os focos do mosquito da dengue. ( ) O gênero a que pertence o texto é o artigo de opinião, e do ponto de vista tipológico, classifica-se como dissertativo-argumentativo, apresentando sequências linguísticas expositivas, opinativas e conversacionais. ( ) A estratégia usada pela autora, de inserir depoimentos bem como comentários avaliativos entre parênteses, tem o propósito de sensibilizar diretamente os gestores (prefeitos, em especial) para o problema de saúde pública que afeta as cidades brasileiras.
A sequência que responde CORRETAMENTE é:
Alternativas
Q1763189 Português

Após a leitura do texto 2 a seguir, responda à questão.


Texto 2


'ANJO BOM DABAHIA'


Nascida em Salvador, Irmã Dulce, que ficou conhecida como "anjo bom da Bahia", teve uma trajetória de fé e obstinação na qual enfrentou as rígidas regras de enclausuramento da igreja para prestar assistência a comunidades pobres da cidade, trabalho que realizou até a morte.
Ela ingressou na vida religiosa como noviça na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, em São Cristóvão (SE).

Em Salvador, passou a se dedicar a ações sociais. Em 1959, ocupou um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio e improvisou uma enfermaria para cuidar de doentes. Foi o embrião das Obras Sociais Irmã Dulce, que atualmente atende uma média de 3,5 milhões de pessoas por ano. Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/

Analise as assertivas abaixo acerca da tipologia textual e do gênero textual do texto 2 e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1720640 Português
Todos os itens a seguir são exemplos de gêneros textuais, EXCETO:
Alternativas
Respostas
1161: D
1162: A
1163: C
1164: A
1165: B
1166: D
1167: A
1168: A
1169: D
1170: A
1171: C
1172: D
1173: C
1174: E
1175: B
1176: A
1177: C
1178: A
1179: D
1180: C