Questões de Concurso Comentadas sobre gêneros textuais em português

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Q2212655 Português
Leia o texto para responder à questão.

A formiga e a cigarra

    A cigarra, tendo cantado todo o verão, viu-se completamente sem provisões quando o inverno chegou. Não tinha nem um pedacinho de inseto ou de larva. Foi então queixar- -se da falta de alimentos na casa da formiga, sua vizinha, pedindo-lhe que lhe emprestasse alguns grãos para subsistir até a primavera.

    – Palavra de animal, eu lhe pagarei juros e principal, antes da próxima colheita.

    A formiga não empresta nada. Este é seu menor defeito.

    – Que é que você fazia no verão, diz ela à que deseja tomar emprestado.

    – Não se aborreça, todos os dias e noites eu cantava.

    – Estou muito bem. Você cantava; pois bem: agora dance.

(Fábula de La Fontaine. Extraída de Fiorin, 1990)
Com base em Schneuwly e Dolz (2004), a fábula é um gênero que circula no domínio social de comunicação da
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Q2178152 Português
TEXTO

Quem tem medo da liberdade de expressão?

Alexandre Cruz

    Com o advento das redes sociais, debates sobre os limites da liberdade de expressão têm ganhado força na sociedade brasileira e, com a proximidade das eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entrou no baile. Sob argumento de que notícias e opiniões falsas ou desinformativas podem causar danos a grupos sociais ou até mesmo interferir no resultado final de uma eleição, aumenta-se perigosamente o apoio à formulação de uma espécie de "index prohibitorum" digital, contendo palavras e opiniões que devem ser previamente censuradas sob o risco potencial de causar danos sociais ou eleitorais.
    O Youtube, por exemplo, já filtra palavras que não podem ser ditas, podendo gerar a desmonetização de um vídeo ou, no limite, a sua exclusão da plataforma. O resultado, no final, é o surgimento de uma variedade de neologismos cifrados utilizados por youtubers para substituir as palavras indesejadas.
    A perspectiva na qual palavras, ideias e opiniões devem ser censuradas pelo seu dano presumido não é nova. Além de ser utilizada levianamente por grupos para cercear opiniões divergentes sem ter o trabalho de argumentar, tende a focar mais nos possíveis prejuízos do que nos benefícios de uma amplíssima liberdade de expressão para a sociedade em geral.
    Entre a independência dos Estados Unidos e o fim da 1ª Guerra Mundial, por exemplo, diversos casos contestando os limites da liberdade de expressão e de imprensa tiveram curso em tribunais estaduais e na Suprema Corte daquele país. Neste período, como aponta o historiador Michael Curtis, prevaleceu no judiciário norte-americano a chamada "Doutrina da Tendência Ruim", onde opiniões consideradas com potencial para causar eventuais danos sociais deveriam ser suprimidas.
    Na esteira dessa doutrina, obras que criticavam a escravidão, por exemplo, foram censuradas em diversas cortes de estados escravagistas sob o argumento de causar danos ao direito de propriedade. Coube a jornalistas, advogados, intelectuais e ativistas contestar essa doutrina e muitas vezes promover a circulação de obras abolicionistas ilegalmente. Ou seja, enquanto setores do judiciário norte-americano impunham uma visão restritiva e racista da liberdade de expressão, coube à sociedade civil ampliar os seus limites na prática.
    Ecos de uma concepção de liberdade de expressão mais ampla, de raiz popular, chegariam à Suprema Corte dos Estados Unidos apenas na década de 1920. Anos antes, Benjamin Gitlow, membro do Partido Socialista, foi processado pelo estado de Nova Iorque pelo crime de anarquia após ter publicado no periódico "The Revolutionary Age" o texto "The Left Wing Manifesto". Embora sua defesa tenha alegado que o artigo se tratava de uma análise histórica, não de uma incitação revolucionária, Gitlow foi considerado culpado pela corte estadual, tendo sua condenação confirmada pela maioria da Suprema Corte em 1925.
    Porém, durante o julgamento, foi possível vislumbrar a penetração de uma concepção mais ampla da liberdade de expressão entre juízes da corte. Em um histórico voto dissidente, o juiz Oliver Wendell Holmes Jr. registraria que: "toda ideia é um incitamento. Ela se oferece para a crença e, se acreditada, é praticada a menos que outra crença a supere, ou a falta de empenho sufoque o movimento em seu nascimento. A única diferença entre a expressão de uma opinião e uma incitação, no sentido mais restrito, é o entusiasmo do orador pelo resultado".
    No Brasil, também a liberdade de expressão e de imprensa foram uma conquista da sociedade civil após décadas de censura ao longo do século 20, não uma concessão da burocracia estatal. Historicamente, a ampla liberdade de expressão sempre foi um instrumento popular para fustigar o poder estabelecido em prol de mudanças sociais. Não podemos deixar que contextos políticos nublados nos façam esquecer disso. Os benefícios de uma ampla liberdade de expressão e de imprensa são maiores do que os malefícios de sua utilização para o cometimento de crimes (que devem ser punidos através do devido processo legal).
    Aceitar a premissa de que uma ideia ou opinião deva ser censurada, talvez até por algoritmos, antes de alcançar o espaço público devido ao seu possível dano social ou eleitoral, sem crime determinado e comprovado, é lançar um bumerangue autoritário que mais cedo ou mais tarde voltará.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 14 set. 2022.
O gênero discursivo que apresenta propósito comunicativo e estrutura que se aproximam do texto em foco é 
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Q2178122 Português
TEXTO

Há 30 anos, o Brasil começava sua revolução contra a Aids.

Alexandre Versignassi
Diretor de redação

    “A Aids era uma doença variada, e uniformemente fatal”, definiu Drauzio Varella num episódio recente de seu (ótimo) podcast, o Outras Histórias. “À medida que a imunidade ia caindo”, ele segue, “repetiam-se as infecções oportunistas: pneumonias, meningites, lesões cerebrais por toxoplasmose... Você tratava uma infecção e vinha outra, depois outra. Uma hora o doente estava tão debilitado que não sobrevivia”.
     Drauzio usa o tempo verbal no passado por um motivo óbvio: Aids sem tratamento é uma página virada no Brasil. Começou há 30 anos, em 1991. Foi quando teve início a compra e distribuição gratuita de remédios contra HIV pelo SUS. Na época, o principal era o AZT, pouco eficaz. Em 1995, porém, viriam os inibidores de protease. Funciona assim: as cópias do vírus emergem capengas das células infectadas. Para ter como invadir novas células, eles precisam amadurecer. A protease é uma enzima que edita as proteínas do HIV, conferindo-lhe poder de fogo. Os inibidores de protease, então, impedem essa “fase de crescimento”. E o vírus fica dormente.
    Há diversos inibidores de protease, cada um feito para pegar o vírus numa fase diferente de maturação – combinados com outras classes de medicamentos, eles formam a versão moderna do coquetel antiaids. “Foi uma revolução absurda. Eu tinha doentes internados que estavam virtualmente morrendo. Eles saíram do hospital, e muitos estão vivos até hoje. Uma doença que era uniformemente fatal passou a ser controlável.”
    A aquisição dos novos medicamentos pelo SUS não foi simples. Envolveu negociações duras de preços com as farmacêuticas e quebra de patente. Mas deu certo. E produziu frutos fora do Brasil também.
    Em 2002, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSR) lutava contra a Aids na África do Sul. Com mais de 4 milhões de infectados (10% da população), havia mil mortes por dia em decorrência do HIV. O governo era negacionista. O presidente da época, Thabo Mbeki, dizia que o HIV não causava Aids, então não tinha por que gastar com antirretrovirais.
    A MSR, então, comprou cargas de coquetel antiaids do governo brasileiro, a preços baixos, e levou para a África do Sul para administrar em doentes terminais. Um ano depois, 91% dos pacientes tratados por eles estavam vivos e saudáveis. A opinião pública, então, convenceu-se de que era possível vencer a Aids. E em 2003 o governo de lá deu o braço a torcer: passou a distribuir os remédios.
    A África do Sul ainda é o epicentro global da doença. Infelizmente, a proporção de infectados até subiu, para 20,4% da população (7,7 milhões) – no Brasil, é de 0,43% (920 mil). O número de mortes, ao menos, baixou brutalmente. Hoje são 200 por dia. Sem o coquetel gratuito, seriam dez vezes mais. Ou seja: uma iniciativa que o Brasil tomou há 30 anos é responsável por salvar vidas até hoje não só aqui, mas na África do Sul também.
    Governantes negacionistas vêm e vão. O que fica para sempre são as vitórias do bom senso contra o obscurantismo. Parabéns à imensa maioria dos brasileiros, que agora, na pandemia, confiou na ciência e aderiu às vacinas. Vocês fizeram jus à história do país.

Superinteressante, dez/2021. [texto adaptado] 
Considerando o modo de organização dos parágrafos 5 e 6, a sequência textual dominante, nesses dois parágrafos, é 
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Q2169179 Português
Considere o texto abaixo para responder a questão.

“A salada ficou salgada: preços da cenoura, tomate e alface dispararam; veja maiores altas de preços em 12 meses.

Gasolina exerceu maior influência de alta sobre a inflação de abril, mas preços de alguns alimentos lideram ranking dos itens que mais subiram nos últimos 12 meses.

A cenoura ficou 178% mais cara. O tomate, 103%. Até o preço da alface disparou, com alta de 45% nos 12 meses até abril. E a saladinha do brasileiro ficou salgada – e pesada para o bolso.

A gasolina foi o item que mais contribuiu, sozinho, para a inflação de abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo IBGE. Mas foram os alimentos que lideraram o ranking das maiores altas em 12 meses.”

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/05/11/a-salada-ficousalgada-precos-da-cenoura-tomate-e-alface-dispararam-vejamaiores-altas-de-precos-em-12-meses.ghtml - Acesso em 12/05/2022
O trecho acima mencionado pertence a um tipo textual específico, que pode ser identificado a partir de suas características estruturais e, também, de sua organização temática. A partir dessa leitura é possível caracterizar o texto como:
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Q2168989 Português
Considere o texto abaixo para responder a questão.

“Você é um envelhescente? (Mário Prata)

        Se você tem entre 55 e 70 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.

        Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceram de nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 55 e os 70), existe a envelhescência.

        A envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim com a adolescência é uma preparação para a maturidade. Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia. Não. Antes, a envelhescência. E, se você está em plena envelhescência, já notou como ela é parecida com a adolescência? Coloque os óculos e veja como este nosso estágio é maravilhoso: (...)”

https://marioprata.net/cronicas/voce-e-um-envelhescente/-
Acesso em: 11/05/2022
O trecho citado acima pertence a um tipo textual específico, que pode ser identificado a partir de suas características estruturais e, também, de sua organização temática. A partir dessa leitura, é possível caracterizar o texto como:
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Q2154881 Português
Leia o texto a seguir.
A professora de minha filha Joana pede a todos os alunos que escrevam um resumo de um livro que leram. Ela me pergunta para que escrever esse resumo. Tento dar alguma motivação para essa tarefa, e digo-lhe que a professora pode não ter lido o livro e lendo o resumo que ela faria poderia ficar interessada ou não em ler todo o livro. Recebi como resposta: – Mas que professora mais indecisa! Precisa ler 25 resumos para saber se quer ler o livro?.
Fonte: GERALDI, João Wanderley. O ensino de língua portuguesa e a Base Nacional Comum Curricular. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 9, n. 17, p. 381- 396, jul./dez. 2015.

A resposta de Joana permite afirmar que a produção textual na escola deve considerar 
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Q2154879 Português
Leia o texto a seguir.
Imagem associada para resolução da questão

O uso que as autoras fazem da tirinha para explicar o que são orações subordinadas adjetivas restritivas trata o gênero textual tira em quadrinhos como 
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Q2154877 Português
O Homem de Ferro sauasno a vovozinha

Era uma vez uma vovozinha muito velha ela tinha 101 anos e ela tinha um protetor chamado Homem de Ferro ela sempre podia comtar com a sua ajudar que sempre ele tavala para a protejela uma tarde o Homem de Ferro pemsou em levar 10 paes pas a vó no caminho pra casa da vó ele viu dois cachorro de 3 cabesa ele asou os dois muitos estranhos e ele parou voado e os cachorros foram pracasa da vovozimha o Homem de Ferro gigou matou o primeiro cachoro o segundo cachorro modeu ele e ele ficou com raiva e matou o cachoro e deu o dosé pra vovozinha eles viveram feliz para sepre FIM

Fonte: Produção textual de um aluno de escola pública de 5º ano. (Anônimo).
O texto produzido apresenta sequencias linguísticas típicas do gênero
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Q2132155 Português
Ex-boxeador faz sucesso como designer de unhas
no ES: ‘Continuo na luta, agora de outro jeito’

Já faz alguns anos que Thomaz Edson trocou os ringues e a carreira como boxeador pelo salão de beleza.
Não foi um processo fácil: o capixaba, filho do vitorioso boxeador Touro Moreno e irmão dos medalhistas olímpicos Esquiva e Yamaguchi Falcão, precisou se afastar do esporte após uma séria lesão.
Em meio aos preparativos para competir nas Olímpiadas de 2012, em Londres, Thomaz estava participando do campeonato nacional de boxe, em São Paulo (SP), quando estourou o ligamento do ombro.
A lesão, ocorrida em 2010, o obrigou a “amarrar as luvas” e mudar os planos de vida.
Além dessa lesão, Thomaz sofreu outra contusão no mesmo local pouco depois, o que agravou o problema e tornou a recuperação do membro impossível. Assim, foi decretado o fim precoce da carreira como boxeador.
Pouco depois, ele passou a treinar o outro irmão, Yamaguchi Falcão, nos Estados Unidos, mas a rotina não prosperou.
Foi aí que Thomaz encontrou uma nova paixão transformada em profissão sem sequer precisar sair de casa. Ele descobriu que sua enteada, Julianna Alves, estava fazendo um curso de design de unhas, e também se interessou pelas aulas.
“Ela estava em um período de transição de maquiadora para designer de unhas. Enquanto ela estava aprendendo, eu acompanhei a evolução dela”, declarou o ex-pugilista. 
Aos poucos, ele foi tomando gosto pela nova profissão e resolveu apostar na nova carreira. Ao lado de Julianna, Thomaz foi se superando gradativamente e ganhando terreno nas redes sociais. 
Hoje, além do atendimento à clientela, ele faz sucesso na internet com fotos e vídeos criativos sobre sua rotina. Já as luvas dos tempos do boxe ainda são usadas, mas agora apenas por diversão. 

Incentivo contra o preconceito

Como era de se esperar, a nova fase de Thomaz veio cercada de preconceitos e velhos estereótipos que os profissionais da área de beleza precisam lidar todos os dias. 
Felizmente, entre uma crítica vazia e outra, ele recebe centenas de mensagens de apoio em resposta. E o melhor: hoje ganha muito mais do que na época em que era boxeador.
“Tem que ignorar as críticas. Só recebe críticas quem está fazendo algo. Hoje eu tenho parceria, apoio, dentro dessa profissão, que eu não tinha antes. Hoje eu recebo três vezes mais do que eu recebia no esporte. Minha família é totalmente orgulhosa de mim. Eu estou batalhando mesmo, procurando ser protagonista da minha caminhada. Continuo na luta, mas de outro jeito”, disse o designer de unhas. 

Disponível em: https://bityli.com/pMEkvR.
Acesso em: 18 abr. 2022 (adaptado).
Esse texto é 
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Q2122142 Português
São Paulo, 25 de julho de 1880.

      Meu caro Lúcio,
      Recebi o teu cartão com a data de 28 do pretérito.
      Não me posso negar ao teu pedido (...), aí tens os apontamentos que me pedes, e que sempre eu os trouxe de memória.
    Nasci na cidade de São Salvador, capital da província da Bahia, em um sobrado da rua do Bângala, formando ângulo interno, em a quebrada, lado direito de quem parte do adro da Palma, na freguesia de Sant’Ana, a 21 de junho de 1830, pelas sete horas da manhã, e fui batizado, oito anos depois, na igreja matriz do Sacramento, da cidade de Itaparica.
       Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Mina (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã.
        Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida e vingativa.
        Dava-se ao comércio — era quitandeira, muito laboriosa, e mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreições de escravos, que não tiveram efeito.
       (...) Nada mais pude alcançar a respeito dela. Nesse ano, 1861, voltando a São Paulo, e estando em comissão do governo, na vila de Caçapava, dediquei-lhe os versos que com esta carta envio-te.
        Meu pai, não ouso afirmar que fosse branco, porque tais afirmativas neste país constituem grave perigo perante a verdade, no que concerne à melindrosa presunção das cores humanas: era fidalgo; e pertencia a uma das principais famílias da Bahia de origem portuguesa. Devo poupar à sua infeliz memória uma injúria dolorosa, e o faço ocultando o seu nome.
    Ele foi rico; e nesse tempo, muito extremoso para mim: criou-me em seus braços. Foi revolucionário em 1837. Era apaixonado pela diversão da pesca e da caça; muito apreciador de bons cavalos; jogava bem as armas, e muito melhor de baralho, armava as súcias e os divertimentos: esbanjou uma boa herança, obtida de uma tia em 1836; e reduzido à pobreza extrema, a 10 de novembro de 1840, em companhia de Luiz Cândido Quintela, seu amigo inseparável e hospedeiro, que vivia dos proventos de uma casa de tavolagem, na cidade da Bahia, estabelecida em um sobrado de quina, ao largo da praça, vendeu-me, como seu escravo, a bordo do patacho Saraiva.

Sérgio Rodrigues. Meu pai me vendeu – de Luiz Gama para Lúcio de Mendonça. In: Cartas brasileiras: correspondências históricas, políticas, célebres, hilárias e inesquecíveis que marcaram o país. 1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

A respeito do texto precedente, julgue o item que se segue.


O locutor utiliza a linguagem informal para tratar do assunto a que se refere no texto, de forma subjetiva, devido à característica do gênero textual escolhido.

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Q2122139 Português
São Paulo, 25 de julho de 1880.

      Meu caro Lúcio,
      Recebi o teu cartão com a data de 28 do pretérito.
      Não me posso negar ao teu pedido (...), aí tens os apontamentos que me pedes, e que sempre eu os trouxe de memória.
    Nasci na cidade de São Salvador, capital da província da Bahia, em um sobrado da rua do Bângala, formando ângulo interno, em a quebrada, lado direito de quem parte do adro da Palma, na freguesia de Sant’Ana, a 21 de junho de 1830, pelas sete horas da manhã, e fui batizado, oito anos depois, na igreja matriz do Sacramento, da cidade de Itaparica.
       Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Mina (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã.
        Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida e vingativa.
        Dava-se ao comércio — era quitandeira, muito laboriosa, e mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreições de escravos, que não tiveram efeito.
       (...) Nada mais pude alcançar a respeito dela. Nesse ano, 1861, voltando a São Paulo, e estando em comissão do governo, na vila de Caçapava, dediquei-lhe os versos que com esta carta envio-te.
        Meu pai, não ouso afirmar que fosse branco, porque tais afirmativas neste país constituem grave perigo perante a verdade, no que concerne à melindrosa presunção das cores humanas: era fidalgo; e pertencia a uma das principais famílias da Bahia de origem portuguesa. Devo poupar à sua infeliz memória uma injúria dolorosa, e o faço ocultando o seu nome.
    Ele foi rico; e nesse tempo, muito extremoso para mim: criou-me em seus braços. Foi revolucionário em 1837. Era apaixonado pela diversão da pesca e da caça; muito apreciador de bons cavalos; jogava bem as armas, e muito melhor de baralho, armava as súcias e os divertimentos: esbanjou uma boa herança, obtida de uma tia em 1836; e reduzido à pobreza extrema, a 10 de novembro de 1840, em companhia de Luiz Cândido Quintela, seu amigo inseparável e hospedeiro, que vivia dos proventos de uma casa de tavolagem, na cidade da Bahia, estabelecida em um sobrado de quina, ao largo da praça, vendeu-me, como seu escravo, a bordo do patacho Saraiva.

Sérgio Rodrigues. Meu pai me vendeu – de Luiz Gama para Lúcio de Mendonça. In: Cartas brasileiras: correspondências históricas, políticas, célebres, hilárias e inesquecíveis que marcaram o país. 1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

A respeito do texto precedente, julgue o item que se segue.


O texto está escrito na 1.ª pessoa do singular, uma das características do gênero textual carta pessoal.

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Q2115281 Português
Sobre a atividade comunicativa, o linguista Bakhtin afirma que “Para falar, utilizamo-nos sempre dos gêneros do discurso”. Em relação ao citado anteriormente, pode-se afirmar que: 
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Q2112349 Português
O trecho de um texto pertencente ao gênero “prescritivo”, ou seja, aquele que, dentre outras características, instrui o leitor acerca de um procedimento e apresenta caráter coercitivo, encontra-se em:
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Q2107874 Português
Atenção: Leia a fábula “O cão adormecido e o lobo”, de Esopo, para responder à questão.

Um cão dormia diante de um estábulo quando um lobo o avistou e, depois de agarrá-lo, estava para comê-lo, mas ele começou a implorar ao lobo que não o sacrificasse naquele momento. “Agora”, disse ele, “estou magro e mirrado. Mas meus donos estão para realizar uma festa de casamento e, se você me deixar livre agora, no futuro estarei mais gordo para você me devorar.” O lobo se convenceu e o soltou. Alguns dias depois ele voltou e encontrou o cão dormindo no alto da casa. Então ele parou e falou para o cão descer, lembrando-o do compromisso. O cão respondeu: “Mas se você, lobo, me vir dormindo de novo diante do estábulo, não mais aguarde casamento!”

(Esopo. Fábulas completas. São Paulo: Cosac Naify, 2013)
Depreende-se da leitura da fábula a seguinte moral:
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Q2105186 Português
Em uma aula de produção de texto, é solicitado aos alunos do oitavo ano que produzam o convite para a festa de seu aniversário. Antes se lhes expuseram todos os componentes que devem integrar esse gênero textual, inclusive, segundo Schneuwly e Dolz*, os aspectos tipológicos, os quais correspondem à descrição de ações, e as capacidades de linguagem dominantes, que constituem:


*SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004, p. 60.
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Q2105185 Português
Os gêneros textuais têm um suporte, “uma superfície física em formato específico que suporta, fixa e mostra um texto”, de acordo com Marcuschi*; com base nessa ideia, o suporte apresenta os aspectos seguintes, exclusive:


*MARCUSCHI, L. A. A questão do suporte dos gêneros textuais. Disponível em: https://xdocs.com.br/doc/248672029-a-questao-do-suporte-dos-generostextuais-marcuschi-6nw5yl2eken1 (acesso em 03/05/2022)
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Q2104970 Português
Analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Uma característica comum às narrativas mais antigas é contar os feitos extraordinários de um herói. Por meio de longos poemas narrativos, um acontecimento histórico protagonizado por um herói ou por um povo é contado em estilo solene, grandioso.
( ) A poesia lírica surge como uma forma de expressar sentimentos e emoções pessoais pela voz do eu-lírico. Alguns exemplos dessa poesia são a elegia, a écloga, a ode e o soneto.
( ) Na poesia, além do significado das palavras, a sua sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como o ritmo, a rima e o metro.
( ) A cena, num espetáculo teatral, é a unidade de ação das personagens. O mais importante, no gênero dramático, é o texto da obra; logo, corpo do ator na cena, assim como o cenário, o figurino e a iluminação têm pouca importância no desenrolar de uma peça.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
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Q2103263 Português
O jargão

   Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe nem o jargão. Mas inventa.
   – Ó Matias, você entende de mercado de capitais…
   – Nem tanto, nem tanto…
   (Uma das características do Falso Entendido é a falsa modéstia.)
   – Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?
   – Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market – ou o que nós chamamos de topi-maque –, o throwback recai sobre o repasse e não sobre o release, entende?
    – Francamente, não.
    Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos…”.
   Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião e ele pensa muito antes de se decidir a responder:
   – Há muito mais coisa por trás disso do que vocês pensam…
   Ou então, e esta é mortal:
   – Não é tão simples assim…
   Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília.
   E há o falso que interpreta. Para ele tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando.
   – O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporções diretas ao declínio no uso da gordura animal nos países do Mercado Comum. Só não vê quem não quer.
  E se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, e vocês sabiam que toda a Reforma se explica a partir da prisão de ventre de Lutero?
   Mas o jargão é uma tentação. Eu, por exemplo, sou fascinado pela linguagem náutica, embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos onde a única linguagem técnica que você precise saber é “Que horas servem o bufê?”. Nunca pisei num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjoo em escada rolante. Mas, na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, principalmente, dos especialíssimos nomes de equipagem.
   Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação:
   – Recolher a traquineta!
   – Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu.
  O Vizeu é um vento que nasce na costa ocidental da África, faz a volta nas Malvinas e nos ataca a boribordo, cheirando a especiarias, carcaças de baleia e, estranhamente, a uma professora que eu tive no primário.
   – Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua!
   – Cuidado com a sanfona de Abelardo!
   A sanfona é um perigoso fenômeno que ocorre na vela parruda em certas condições atmosféricas e que, se não contido a tempo, pode decapitar o piloto. Até hoje não encontraram a cabeça do comodoro Abelardo.
   – Cruzar a spínola! Domar a espátula! Montar a sirigaita! Tudo a macambúzio e dois quartos de trela senão afundamos, e o capitão é o primeiro a pular.
   – Cortar o cabo de Eustáquio!


(Luís Fernando Veríssimo. Publicada em “As Mentiras que os homens contam”.)
O texto apresentado tem como característica pertencente ao gênero textual em que se classifica o emprego de uma linguagem informal podendo ser exemplificada nos seguintes trechos, EXCETO:
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Q2087646 Português
Até o século XVIII, pode-se afirmar que prevaleceu a concepção dos gêneros literários conhecida como “concepção clássica” em que havia uma divisão rígida dos gêneros, elementos de um gênero não se misturavam de forma alguma com os do outro. Leia o fragmento a seguir: 
Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro… Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. Não marquei a hora exata daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e que eu poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres. Não soltamos as mãos, nem elas se deixaram cair de cansadas ou de esquecidas. Os olhos fitavam-se e desfitavam-se, e depois de vagarem ao perto, tornavam a meter-se uns pelos outros… (ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1994, p. 30-31.)
Considerando o enunciado acerca dos gêneros literários e o fragmento apresentado, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O fragmento apresentado está em conformidade com o exposto na afirmativa feita no enunciado da questão. ( ) A tragédia, uma das espécies do gênero dramático tal como concebido até o Romantismo, é exemplificada por meio do fragmento anterior, ainda que de forma híbrida. ( ) Observa-se a presença de elementos que caracterizam o estilo lírico no fragmento destacado, denotando um afastamento da concepção clássica quanto aos gêneros literários.
A sequência está correta em 
Alternativas
Q2081906 Português
No que se refere aos gêneros literários, mais precisamente sobre os gêneros textuais descritivos, julgue os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:  
I – romance. II – novela. III – notícia. IV – anúncio de classificado. 
Alternativas
Respostas
881: A
882: D
883: C
884: B
885: A
886: A
887: B
888: D
889: A
890: E
891: C
892: D
893: C
894: B
895: A
896: A
897: B
898: B
899: A
900: C