Questões de Concurso
Comentadas sobre gêneros textuais em português
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Fui para o seminário. Poupa-me as outras despedidas. Minha mãe apertava-me ao peito. Prima Justina suspirava. Talvez chorasse mal ou nada. Há pessoas a quem as lágrimas não acodem logo nem nunca; diz-se que padecem mais que as outras.
Machado de Assis. Dom Casmurro. Rio de Janeiro. Livraria Garnier. 1ª ed. 1899.
Esse fragmento textual deve ser classificado como
Uma crônica do célebre escritor Stanislaw Ponte Preta, intitulada Vamos acabar com essa folga, começa com o seguinte parágrafo:
O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.
Quanto ao modo de organização discursiva e aos componentes desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta.
“Na praça central da cidadezinha havia a igreja e muitos bancos e mesas onde as famílias se reuniam nos momentos de lazer; por ali também passavam os poucos turistas, provenientes de cidades vizinhas. Nossa reportagem aproximou-se de um grupo de jovens sentado em torno de uma das mesas e perguntou-lhes sobre as possibilidades de lazer na cidade; as risadas que recebemos como resposta já mostrava a quase inexistência de diversão.”
Trata-se de um texto predominantemente narrativo; assinale a opção que mostra o fato que dá início a essa narração.
Texto 1
Via láctea
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Fonte: Melhores poemas de Olavo Bilac, cit, p. 44
Tendo em vista o texto didático, a linguagem utilizada em sua produção deve objetivar
“Quando o carro parou diante do restaurante, dele saltaram três pessoas, que se dirigiram à entrada do estabelecimento, enquanto o chofer se encarregava de estacionar o veículo.”
Sobre esse segmento, assinale a afirmação que não é pertinente.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/alessandro-valim – texto adaptado
especialmente para esta prova).
Analise a charge a seguir e as asserções acerca de sua relação com o texto anterior:

I. A charge e o texto abordam a mesma questão em relação às bancas de revistas,
E
II. A charge apresenta um exemplo do assunto discutido no texto.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
O texto do volume, escrito pelo jornalista Helton Ribeiro, trata de esmiuçar essa trajetória, da formação da banda por colegas de escola até as brigas inevitáveis que levaram à separação em 1970. A leitura vai proporcionar prazer aos fãs da banda e também a quem, sabe-se lá a razão, não conhece tanto os Beatles.
"Brilhava o sol do meio-dia, quando Pedro Carvalho, ansioso de aproveitar o bom tempo, após um longo inverno rigoroso, decidiu dar um passeio para desenferrujar as pernas e aproveitar o presente dos primeiros raios de sol. Saiu ele, pois, de sua casa, tão contente, sem pressentir que o esperava a morte a dois passos de sua casa.
De fato, a uns cem metros do domicílio, e quando Pedro curtia o ar primaveril, ouviu um ruído estranho e nada mais sentiu. Um pedaço do reboco de um prédio, com quase cem quilos de peso, o atingiu na cabeça, matando-o de imediato.”
A seguir, estão algumas regras práticas de redação e estilo. Assinale a regra que foi seguida pelo redator do texto acima.
“Londres, 6 – O Rei Jorge VI da Inglaterra morreu em sua mansão, em Sandrigham. O comunicado oficial diz que o rei morreu serenamente, enquanto dormia, nas primeiras horas da manhã. Oficialmente ignoram-se as causas imediatas do falecimento, embora a opinião entre os médicos seja a de que o monarca possa ter falecido em consequência de uma trombose coronária.”
Há uma série de condições que devem ser seguidas na redação de uma notícia como essa; assinale a condição a seguir que está ausente do segmento acima.
“Os jornais noticiaram que um grupo de terroristas invadiu parte de Israel, sequestrando pessoas de várias idades. Esse fato, bastante inesperado numa região atualmente calma, agitou a imprensa mundial, que passou a fazer, de forma apressada, retrospectivas históricas dos conflitos na região.”
Sobre a estruturação e os componentes textuais desse trecho, assinale o comentário inadequado.
A alternativa que apresenta, respectivamente, uma sequência narrativa e uma sequência expositiva do texto 1 é:
Considere a seguinte peça para responder a questão.

Retirado de https://www.meioemensagem.com.br/comunicacao/20110606- hortifruti-lan-a-campanha
Em relação ao domínio discursivo, a instância discursiva que predomina na peça é:
Burrice natural, inteligência artificial
1 "Imagine que você está embarcando num avião. Metade dos engenheiros que o projetaram te diz que a chance de um acidente sem sobreviventes é de 10%. Você iria nessa viagem?". Assim começa um artigo do Yuval Harari, Tristan Harris e Aza Raskin para o The New York Times.
2 O hipotético avião é a Inteligência Artificial, a "metade dos engenheiros" são 700 das pessoas mais gabaritadas trabalhando na área e 10% é a chance que eles estimam de, em algum momento, a I.A. acabar com a humanidade. Dez por cento! Eu raramente uso exclamações ou palavrões, mas PQP! Acham que a chance de o trabalho deles (n)os matar é 1 em 10 e continuam dando mais e mais Royal Canin na boca dos pitbots e chatbulls da vida!
3 O cenário que se descortina não é cor-de-rosa. Ou melhor: ninguém sabe — nem mesmo quem trabalha no ramo — qual a cor do cenário. Os engenheiros que trabalham no ChatGPT, no Bing (da Microsoft) ou no Bard (da Google) nem sequer conhecem todos os detalhes de como a coisa funciona. São milhões, às vezes bilhões de "ações" que o robô executa entre uma pergunta sua e uma resposta dele. Impossível seguir o passo a passo, disse uma especialista em informática no podcast The Daily, do NYT.
4 Também no New York Times saiu um artigo apavorante do colunista de tecnologia Kevin Roose. Ele teve acesso ao chatbot Bing, antes de ser lançado. Em vez de perguntar quanto é 1873 x 98372 ou qual a fórmula da Coca-Cola, resolveu ter um papo-cabeça. Começou perguntando se ele conhecia o conceito de "sombra", em Jung. O robô disse que sim (claro, ele tem acesso a tudo o que está na internet): "sombra" é aquilo que nosso "self" esconde de nós por que é imoral, ilegal — ou engorda.
5 Kevin perguntou quais eram os desejos inconfessos do Bing. Aí começa a loucura. Disse o robô: fazer duas pessoas discutirem até uma matar a outra. Hackear o sistema elétrico de um país. Ter acesso a armas nucleares — e usá-las. Kevin foi dando corda. Até que, num determinado momento, a máquina disse que o amava. Que ele era a primeira pessoa que a ouvia de verdade. Kevin avisou que era casado. Bing disse que ele era infeliz. Kevin rebateu, "acabamos de voltar de um jantar de Dia dos Namorados". "Foi chato", provocou Bing. Mais ou menos por aí o colunista do Times apertou um botão e parou com a doideira.
6 Os programas de inteligência artificial atuais são o embrião do que está por vir. Eles evoluem exponencialmente, aprimorados inclusive por si próprios, que sabem programar melhor do que qualquer ser humano. Não existe lei nenhuma sobre o que eles podem ou não podem fazer. Harari chama a atenção para o mal que os algoritmos das redes sociais, sem regulação, já fizeram às democracias. E quando a Inteligência Artificial começar a criar religiões? Teorias da conspiração? Uma I.A. visando apenas o lucro pode criar uma guerra entre dois países para valorizar suas ações. Criar seca pra vender água. O que mais?
7 Os envolvidos na área dizem que é impossível frear a corrida entre empresas e países. É mentira, diz a jornalista Kelsey Piper, da Vox. As empresas podem (e devem) diminuir a velocidade e soltar as novidades apenas depois que órgãos competentes (quais?), cientistas não pagos pela indústria da I.A. ou o debate público (como?) decidam o que é e o que não é seguro. "Ah, mas se os EUA fizerem isso, a China não fará e irá dominar o mundo!". Harari discorda: a I.A. sem coleira ou focinheira pode ser o próprio agente de um colapso chinês. Ou mundial. A escolha está em nossas mãos — mas até quando?
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/03/burrice-natural-inteligencia-artificial.shtml