Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra se em português

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Q2739975 Português

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


PRECISAMOS DE UMA POLÍCIA QUE NOS PROTEJA


Tem muito policial bom Brasil a fora. Gente corajosa, de olhar inquisitivo, interesse nas pessoas, solidez, moral. No geral, no País, esses bons policiais tem imensa dificuldade em lidar com a cultura da corporação. Acabam ficando deprimidos, uns escorregam no álcool ou em outras drogas, vários vão lentamente afrouxando a fibra moral. Alguns se suicidam, pela impossibilidade de conciliar o que eles acham certo com o que são obrigados a fazer todos os dias. Numa pesquisa com PMs do Estado do Rio1, um a cada dez admitiu que já tentou se matar, um a cada cinco disse que pensava nisso.

Sem polícia, não é possível viver em paz na sociedade. Por mais rico e civilizado que seja um lugar, sempre haverá o perigo de alguém mau aparecer querendo lesar os outros – até o Éden precisa se precaver contra esse risco. O trabalho de polícia é um serviço público básico, que qualquer Estado digno de cobrar imposto tem a obrigação de prover.

Infelizmente, o Brasil não provê esse serviço, embora cobre impostos bem altos de seus cidadãos.

Talvez, nos últimos tempos, você tenha visto cena semelhante pelo You Tube, ou, em caso de azar, pessoalmente. A viatura robocópica passa em frente a um bar, alguém com um copo de cerveja na mão grita um desaforo, surge um corinho provocativo. Sem nem se dar ao trabalho de estacionar, o carro de polícia abre a janela em frente ao bar e borrifa gás tóxico em todo mundo, inclusive nos funcionários da casa, na senhora idosa sentada no balcão, nas crianças assustadas.

Gás lacrimogênio pode causar cegueira, aborto, colapso respiratório, além de ser fator de risco para doenças crônicas. Ainda assim, está longe de ser a pior coisa que pode acontecer a um brasileiro num encontro com a polícia.

A polícia daqui é uma das que mais matam no mundo, mais de 3 mil pessoas perdem a vida no País a cada ano perfurados por balas disparadas por agentes públicos. Claro que parte dessas mortes é necessária, elas podem inclusive ter salvo vidas. Mas é difícil evitar a constatação de que nossa polícia mata demais, ainda mais quando se verifica que várias vítimas são crianças, mães e pessoas desarmadas. Nos Estados Unidos, país bastante violento que possui população bem maior que a nossa, a polícia leva 30 anos para matar tanta gente. E a polícia de uma só cidade brasileira, São Paulo, mata mais que a dos EUA inteiros. Quase nunca, por aqui, algum policial é sequer investigado por essas mortes. Punições criminais são tão raras quanto moscas brancas.

62% dos brasileiros têm medo de ser vítima de violência policial – índice que fica mais e mais próximo de 100% quando se pergunta para pretos, pobres e nordestinos2.

Diante desse quadro, é de se compreender que muitos brasileiros odeiam a polícia. Quantos de nós ou dos nossos amigos já vivemos traumas na mão de policiais sádicos, corruptos ou preconceituosos. Essa rejeição de parte da população à polícia chegou a um extremo nos últimos três anos, desde que a violência desmedida da PM paulistana desencadeou aquela que talvez fique registrada como a maior revolta popular da história do País, depois inflamada por uma crise econômica e por um imenso escândalo de corrupção que perpassa todo sistema político.

Dia sim, dia também, em alguma cidade brasileira, há milhares de manifestantes gritando “Não acabou/ tem que acabar/ eu quero o fim da Polícia Militar”, sob o olhar ressentido dos próprios PMs, que ganham salário menor do que o valor das bombas de gás lacrimogênio que eles têm para jogar. O que se vê ao final de cada noite é uma batalha cheia de mágoa e sangue, que fica mais amarga a cada manifestação.

Não deveríamos ter ódio da polícia. Nenhuma sociedade saudável sobrevive se não tem confiança nas pessoas cujo serviço é cuidar da nossa segurança. Tem algo muito errado num país no qual agentes da ordem saem pelas ruas fazendo bagunça – explodindo bomba na cara, mirando no olho dos fotógrafos, mentindo no registro das ocorrências. O governo desconfia tanto dos nossos policiais que proibiu que eles ajudem a socorrer pessoas passando mal – o próprio Estado suspeita que eles possam se aproveitar para forjar execuções.

O sistema político tem dado respostas insuficientes ao problema, tanto à esquerda quanto à direita. Enquanto um lado elege como inimigo a polícia inteira, o outro defende os abusos, e se esquece que, num País que entra nessa espiral de execuções e vinganças, qualquer um pode ser a próxima vítima.

É injustificável que, em 2016, o Brasil ainda tenha uma polícia construída nos anos de 1970, sob uma mentalidade ultra-autoritária, que vê o cidadão como um inimigo em potencial. Todo mundo que é sério concorda há mais de 20 anos que nosso modelo de polícia é inadequado e ultrapassado. E, ainda assim, após décadas de democracia sob governos de PMDB, PSDB, PT, não demos nenhum passo decisivo na direção certa.

É uma tentação culpar os policiais (ou os manifestantes) pelo fracasso, mas ele é do sistema político inteiro. Nessa história, os policiais são pelo menos tão vítimas quanto vilões. Quase 75% deles querem uma reforma profunda, que inclua a desmilitarização da polícia3. Eles querem que a polícia melhore.

Quem geralmente não quer são os políticos, que acham conveniente ter uma polícia brutal que despreze regras, de maneira a poder usá-la para atacar seus inimigos e para manipular a opinião pública, exacerbando seus medos.

Já é hora de criar uma polícia de verdade no Brasil. Uma instituição transparente, que tenha como única missão proteger a população, que use a força com sabedoria e que garanta que todo mundo cumpra as regras – as mesmas, para todos.

Esse último item é especialmente importante. O Brasil é a terra do privilégio: achamos normal que umas pessoas sejam tratadas de um jeito e outras de outro. Para um país funcionar, as regras que cada cidadão tem que seguir precisam ser sempre as mesmas, seja ele branco ou preto, rico ou pobre, de direita ou de esquerda. Se não for assim, não é polícia: é um bando de arruaceiros, entre outros bandos de arruaceiros. E ninguém respeitará sua autoridade.


1 Por que os policiais se matam, Dayse Miranda (org.)

2 Atlas da violência 2016.

3 Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2014.


Denis Russo Burgierman. Superinteressante. São Paulo, out. 2016, p.11.

Tomando a leitura dos dois primeiro períodos do parágrafo 01, depreende-se que o segundo período estabelece com o primeiro uma relação de:

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Q2733627 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir e responda às questões de 01 a 07.


Reumatismo: dores crônicas que incapacitam os pacientes


1 A definição de reumatismo é abrangente. Trata-se de toda e qualquer afecção aguda, crônica,

caracterizada por dor articular ou outras alterações dos músculos e ossos. Na verdade, o que existe é um

grupo composto por mais de 100 enfermidades diferentes.

Algumas delas têm elevado potencial incapacitante – sendo a segunda principal causa de

5 afastamento de trabalho no Brasil, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e da Previdência

Social. No Brasil, 12 milhões de pessoas convivem com o problema. Engana-se quem imagina que a

doença esteja associada apenas aos idosos. Crianças e adultos jovens também podem sofrer com o

problema.

Doenças reumáticas podem afetar as articulações, os músculos, os ligamentos e os tendões. Ainda

10 podem comprometer o funcionamento de órgãos internos vitais, como o coração, o cérebro e os rins.

Entre as doenças mais conhecidas estão a fibromialgia, a artrite psoriásica e a artrite reumatoide.

Os sintomas costumam ser semelhantes. O diagnóstico é acompanhado por dor persistente nas

articulações, por mais de seis semanas, bem como vermelhidão, inchaço e calor. Muitas vezes, os

pacientes apresentam também dificuldades para se movimentar, principalmente pela manhã.

15 Há vários aspectos relacionados ao desenvolvimento ou agravamento das doenças reumáticas,

como fatores genéticos, traumatismos, obesidade, sedentarismo, fumo e depressão, entre outros. Em

casos como o da fibromialgia, fatores psicológicos podem estar ligados ao agravamento da doença.

“O que muitas vezes frustra os pacientes é que eles vão ao médico, fazem vários exames no corpo

todo e não encontram nada. Muitos acreditam que estão loucos, o que só faz aumentar a depressão e as

20 dores”, comenta a reumatologista Evelin Goldenberg. Nesses casos, o tratamento envolve uma equipe

multidisciplinar formada por fisioterapia, técnicas de relaxamento, apoio psicológico e acupuntura. [...]

As doenças reumáticas são crônicas, ou seja, não existe cura, apenas tratamentos que têm o

objetivo de limitar os sintomas. Seu forte potencial incapacitante pode obrigar um profissional a

abandonar a vida produtiva, assim como depender dos cuidados de familiares até para tarefas simples do

25 cotidiano ou contratar funcionários domésticos. [...]

Em alguns casos, é possível receber o auxílio da Previdência Social. “Mas, se o profissional é

autônomo, por exemplo, acaba perdendo sua fonte de renda e terá de viver com o suporte financeiro da

família”, analisa a reumatologista Lícia Mota. É muito comum que o enfermo seja o principal

responsável pela renda familiar, o que pode gerar uma situação difícil.

30 Especialistas concordam que a doença é altamente incapacitante, mas um tratamento

multidisciplinar pode fazer com que o paciente volte a realizar atividades cotidianas. “Ele precisa

reaprender a fazê-las. Esse aprendizado não é apenas um exercício individual, mas um esforço conjunto

de todos que estão ao seu redor”, pontua o terapeuta ocupacional Pedro Henrique Tavares, que atua junto

a pacientes reumatoides.


(Disponível em: http://m.correiodoestado.com.br/. Acesso em: 09/2016.)

Pode-se afirmar que o trecho, na ordem em que as orações se apresentam, Especialistas concordam que a doença é altamente incapacitante, mas um tratamento multidisciplinar pode fazer com que o paciente volte a realizar atividades cotidianas (linhas 30 e 31) é um período

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Q2725637 Português

Indique qual conjunção cabe na lacuna da oração “As máquinas estão consertadas, _______, os trabalhadores podem voltar ao serviço.”:

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Q2725634 Português

Qual função desempenha a palavra “se” na oração “Se você vier, iremos juntos ao cinema”:

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Q2723593 Português

Texto para as próximas cinco questões:


“O cego Estrelinho”

Mia Couto


O cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua história poderia ser contada e descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades. Aquela mão era repartidamente comum, extensão de um no outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco dedos e eram os de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão.

O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimónia no viver. O sempre lhe era pouco e o tudo insuficiente. Dizia, deste modo:

— Tenho que viver já, senão esqueço-me.

Gigitinho, porém, o que descrevia era o que não havia. O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era mais profícua que papaeira. O cego enchia a boca de águas:

— Que maravilhação esse mundo. Me conte tudo, Gigito!

A mão do guia era, afinal, o manuscrito da mentira. Gigito Efraim estava como nunca esteve S. Tomé: via para não crer. O condutor falava pela ponta dos dedos. Desfolhava o universo, aberto em folhas. A ideação dele era tal que mesmo o cego, por vezes, acreditava ver. O outro lhe encorajava esses breves enganos:

— Desbengale-se, você está escolhendo a boa procedência!

Mentira: Estrelinho continuava sem ver uma palmeira à frente do nariz. Contudo, o cego não se conformava em suas escurezas. Ele cumpria o ditado: não tinha perna e queria dar o pontapé. Só à noite, ele desalentava, sofrendo medos mais antigos que a humanidade. Entendia aquilo que, na raça humana, é menos primitivo: o animal.

— Na noite aflige não haver luz?

— Aflição é ter um pássaro branco esvoando dentro do sono.

Pássaro branco? No sono? Lugar de ave é nas alturas. Dizem até que Deus fez o céu para justificar os pássaros. Estrelinho disfarçava o medo dos vaticínios, subterfugindo:

— E agora, Gigitinho? Agora, olhando assim para cima, estou face ao céu?

Que podia o outro responder? O céu do cego fica em toda a parte. Estrelinho perdia o pé era quando a noite chegava e seu mestre adormecia. Era como se um novo escuro nele se estreasse em nó cego. Devagaroso e sorrateiro ele aninhava sua mão na mão do guia. Só assim adormecia. A razão da concha é a timidez da amêijoa? Na manhã seguinte, o cego lhe confessava: se você morrer, tenho que morrer logo no imediato. Senão-me: como acerto o caminho para o céu?

Foi no mês de dezembro que levaram Gigitinho. Lhe tiraram do mundo para pôr na guerra: obrigavam os serviços militares. O cego reclamou: que o moço inatingia a idade. E que o serviço que ele a si prestava era vital e vitalício. O guia chamou Estrelinho à parte e lhe tranquilizou:

— Não vai ficar sozinhando por aí. Minha mana já mandei para ficar no meu lugar.

O cego estendeu o braço a querer tocar uma despedida. Mas o outro já não estava lá. Ou estava e se desviara, propositado? E sem água ida nem vinda, Estrelinho escutou o amigo se afastar, engolido, espongínquo, inevisível. Pela pimeira vez, Estrelinho se sentiu invalidado.

— Agora, só agora, sou cego que não vê.

(...)


COUTO, Mia. Estórias abensonhadas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. (Pág 23 e 24).

No último parágrafo do fragmento do conto “— Agora, só agora, sou cego que não vê”, a oração subordinada presente classifica-se corretamente como:

Alternativas
Q2723137 Português

São termos relacionados ao nome: adjunto nominal, aposto, predicativo e complemento nominal.


Assinale a alternativa que apresentar a exemplificação e a classificação CORRETA.

Alternativas
Q2718920 Português

Assinalar a alternativa que apresenta a CORRETA classificação morfológica do termo sublinhado em “Se antes o bebê era dependente para tudo, aos poucos ele começa a verbalizar seus desejos e se negar a seguir aquilo que os adultos decidiram.”:

Alternativas
Q2718626 Português

Texto para as questões de 01 a 10


Sobre vacas, bernes e política


ERA UMA vez uma vaca feliz, saudável e bonita. Mas nem tudo é perfeito. A vaca tinha hóspedes. Alguns bernes se hospedaram nela e alimentavam-se da sua carne. Mas os bernes eram poucos e pequenos... A vaca e os bernes viviam em paz.

Aconteceu, entretanto, que os bernes começaram a se multiplicar. Os bernes aumentavam, mas a vaca não aumentava, confirmando a lei de Malthus que disse que os alimentos crescem em razão aritmética enquanto as bocas crescem em razão geométrica. O couro da vaca se encheu de calombos que indicavam a presença dos bernes.

Mesmo assim a vaca continuava saudável. Ela tinha muita carne de sobra. Foi então que uma coisa inesperada aconteceu: alguns bernes sofreram uma mutação genética e passaram a crescer em tamanho. Foram crescendo, ficando cada vez maiores, e com uma voracidade também cada vez maior.

Os vermes magrelas ficaram com inveja dos vermes grandes e trataram de tomar providências para que eles crescessem também. O corpo da pobre vaca passou a ser uma orgia de crescimento. Os bernes só falavam numa coisa: "É preciso crescer!" Mas a vaca não crescia. Ficava do mesmo tamanho. De tanto ser comida pelos bernes, a vaca ficou doente. Emagreceu. Mas os bernes nada sabiam sobre a vaca em que moravam. Para ver a vaca seria preciso que eles estivessem fora da vaca. Mas os bernes estavam dentro da vaca. Assim, não percebiam que sua voracidade estava matando a vaca.

A vaca morreu. E com ela morreram os bernes. Fizeram autópsia da vaca. O relatório do legista observou que os bernes mortos eram excepcionalmente grandes, bem nutridos, muitos deles chegando à obesidade.

James Lovelock é um cientista que sugeriu que a nossa Terra é um organismo vivo, como a vaca da parábola. Sendo uma coisa viva ela pode ter saúde ou ficar doente. Sua conclusão é que nós, os bernes, já estragamos a Terra, nossa vaca, além de qualquer possibilidade de cura. A Terra está doente. O crescimento das nações está provocando profundas mudanças climáticas irreversíveis: a atmosfera está se aquecendo, as geleiras estão derretendo, a poluição do meio ambiente aumenta, acontecem catástrofes naturais numa intensidade desconhecida. Esses são os sintomas dos estertores da nossa Terra destruída pela voracidade dos bernes. "E o pior está por acontecer", ele diz. "Ecossistemas inteiros serão extintos, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal...”


(RUBEM ALVES - Folha de S.Paulo, caderno Mais, 22/ 01/06, pág. 9).

Analise o período a seguir:


Os vermes magrelas ficaram com inveja dos vermes grandes e trataram de tomar providências para que eles crescessem também.


Acerca do período e das estruturas linguísticas das orações que o compõem, é CORRETO o que se afirma em:

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Q2718454 Português

Texto para responder às questões de 01 a 15.

Uma vela para Dario

Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminui o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva e descansou na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se ele não está se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.

Estendeu-se mais um pouco, deitado agora na calçada, e o cachimbo a seu lado tinha apagado. Um rapaz de bigode pediu ao grupo que se afastasse, deixando-o respirar. E abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario roncou pela garganta e um fio de espuma saiu no canto da boca.

Cada pessoa que chegava se punha na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram acordadas e vieram de pijama às janelas. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao lado dele.

Uma velhinha de cabeça grisalha gritou que Dario estava morrendo. Um grupo transportou-o na direção do táxi estacionado na esquina. Já tinham introduzido no carro a metade do corpo, quando o motorista protestou: se ele morresse na viagem? A turba concordou em chamar a ambulância. Dario foi conduzido de volta e encostado à parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém afirmou que na outra rua havia uma farmácia. Carregaram Dario até a esquina; a farmácia era no fim do quarteirão e, além do mais, ele estava muito pesado. Foi largado ali na porta de uma peixaria. Imediatamente um enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse o menor gesto para espantá-las.

As mesas de um café próximo foram ocupadas pelas pessoas que tinham vindo apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficara torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os documentos. Vários objetos foram retirados de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do seu nome, idade, cor dos olhos, sinais de nascença, mas o endereço na carteira era de outra cidade.

Registrou-se tumulto na multidão de mais de duzentos curiosos que, a essa hora ocupava toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu contra o povo e várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava apenas a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – não podia retirar do dedo senão umedecendo-o com o sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.

A última boca repetiu – “Ele morreu, ele morreu”, e então a gente começou a se dispersar. Dario havia levado quase duas horas para morrer e ninguém acreditara que estivesse no fim. Agora, os que podiam olhá-lo, viam que tinha todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não lhe pôde fechar os olhos ou a boca, onde as bolhas de espuma haviam desaparecido. Era apenas um homem morto e a multidão se espalhou rapidamente, as mesas do café voltaram a ficar vazias. Demoravam-se nas janelas alguns moradores, que haviam trazido almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario esperando o rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade, apagando-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.

TREVISAN, Dalton. . Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1964, p.33-35.

A oração destacada em “Um rapaz de bigode pediu ao grupo QUE SE AFASTASSE” é subordinada:

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Q2716721 Português

O sublinhado em “A médica explica que as mulheres, em geral, começam a perder colágeno (proteína que dá firmeza à pele) aos 25 anos.” é classificado sintaticamente como:

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Q2055905 Português
Para responder a questao, leia a tirinha a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Qual é a classificação da palavra "se", presente no terceiro quadrinho? 
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Q2042826 Português
O senhor é favorável à redução da diferença do tempo de aposentadoria entre homens e mulheres para três anos? Defendo a ideia de que no caso da mulher haja uma pequena diferença. Agora, há algo interessante. A Constituição prevê o somatório de duas condições: idade e tempo de contribuição. Está escrito lá: na Previdência, você só pode se aposentar se reunir duas condições. A primeira: 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher. A segunda: 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos, se mulher. Agora, não sei o que aconteceu que, com o tempo, se entendeu que isso era uma alternativa e não um somatório das duas condições.

Para articular as ideias do texto, utilizamos diferentes mecanismos de combinação oracional. Assim, podemos afirmar sobre as estruturas sintáticas que formam esse texto que:
I - A estrutura “de que no caso da mulher haja uma pequena diferença”, (linha 2) por complementar o termo “ideia”, é denominada oração substantiva completiva nominal. II - A relação de sentido expressa entre a oração adverbial introduzida pelo conector SE e a oração principal, na estrutura “você só pode se aposentar se reunir duas condições” (linhas 3 e 4) é de explicação. III - Na estrutura “com o tempo, se entendeu que isso era uma alternativa e não um somatório das duas condições”, (linhas 5 e 6) o SE funciona como partícula de indeterminação do sujeito.
É(são)CORRETA(S)apenas a(s) afirmação(ões) presente(s) em:
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Q1707735 Português
     As populações ribeirinhas são povos que vivem nas beiras dos rios e geralmente são extremamente pobres. As atividades desempenhadas são o artesanato e a agricultura e muitos povos sobreviviam e sobrevivem da pesca artesanal, da caça, do roçado e do extrativismo. Por conta dos aspectos geográficos do país, é na Amazônia que está a maior parte dessa população. Além das populações nativas, somam-se a esta categoria descendentes de migrantes do Nordeste do país.  
     Na segunda metade do século XIX, muitos nordestinos deixaram sua terra natal e seguiram para a Amazônia atrás dos empregos oferecidos nas empresas que atuavam no ciclo da extração do látex das árvores conhecidas como seringueiras.. A ausência de políticas públicas que tratassem da desmobilização desse contingente de trabalhadores fez com que eles se espalhassem ao longo dos rios da floresta amazônica. 
     Por residirem em um ambiente onde a força da natureza se faz presente, os ribeirinhos aprenderam a viver em um meio repleto de limitações e desafios impostos pelo rio e pela floresta. As casas, em sua maioria, são de palafita, feitas em madeira sobre troncos e pilares. Esse tipo de construção também é usado para deixar as casas “mais altas” para evitar que sejam invadidas pelas águas durante as enchentes.
     É no rio que os ribeirinhos executam uma das principais atividades que lhes proporciona fonte de renda e de sobrevivência: a pesca. A plantação de milho e mandioca, a produção de farinha e a coleta da castanha e do açaí também ocupam lugar de destaque nas atividades agrícolas das comunidades ribeirinhas. As relações comerciais são praticadas, na maioria das vezes, sob a forma de escambo entre comunidades vizinhas e, quando há excedente, este é vendido no centro urbano mais próximo.
    A relação diferenciada com a natureza faz dos ribeirinhos grandes detentores de conhecimentos sobre aspectos da fauna e da flora da floresta; o uso de plantas medicinais; o ritmo e o caminho das águas; os sons da mata; as épocas da terra. Esse convívio alimenta a cultura e os saberes transmitidos de pai para filho, contudo as comunidades ribeirinhas convivem com o isolamento econômico e social.
     Como afirmam os moradores, viver na condição ribeirinha requer espírito de comunhão e solidariedade. Nas comunidades ribeirinhas, convive-se com o isolamento econômico e social, sempre à margem de uma série de políticas públicas e mecanismos de controle da qualidade de vida. Como os ribeirinhos contam com poucos serviços públicos, eles sofrem com doenças, falta de educação e de assistência social.
     O Decreto nº 6.040, de 07 de fevereiro de 2007, reconheceu a existência dos povos e comunidades tradicionais, dentre os quais estão os ribeirinhos, instituindo uma política nacional voltada para as necessidades específicas desses povos, a Política Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT).


(Texto adaptado de <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=1053:ribeirinhos>)
No excerto “Nas comunidades ribeirinhas, convive-se com o isolamento econômico e social, sempre à margem de uma série de políticas públicas e mecanismos de controle da qualidade de vida.”, o termo em destaque tem função de
Alternativas
Q1701308 Português
Espetáculos públicos e exibição de animais

    Desde que se tem notícia da existência do homem sobre a terra, está ele, de uma forma ou de outra, interagindo com os animais. Das arenas romanas até nossos dias, vê-se que o homem pouco evoluiu, vez que ainda se regozija com o sofrimento alheio. Com o monoteísmo, difundiu-se a ideia de que o homem deveria dominar a natureza e as criaturas que nela habitavam, dogma que tem sido levado a efeito de forma irracional e irresponsável.
    É relativamente recente a consciência da finitude dos recursos naturais. Do mesmo modo a ideia acerca da dignidade animal e, como decorrência, a visão de que os animais são, por si mesmos, detentores de direitos em face do homem.     
    A questão é posta, por outro lado, dentro do conceito amplo de dignidade humana e, especificamente, em comparação com as diretrizes traçadas pela União no respeitante à política de educação ambiental.
    Analisa-se a questão, ainda, sob a ótica da ciência, da ética e da medicina veterinária.
    Todas essas considerações são contrapostas aos preceitos e princípios constitucionais ambientais, focando, depois, a análise sobre a constitucionalidade da legislação específica infraconstitucional, propondo, ao final, adoção de medidas práticas visando a mais ampla e efetiva defesa da vida animal.
    O Ministério Público fundamenta sua atuação protetiva da fauna no disposto nos artigos 129, inciso III e 225, § 1º, inciso VII, da Constituição da República e no artigo 5º, da Lei nº 7347/85
    Ressalte-se, ainda, que o Brasil é subscritor de um tratado internacional denominado “Declaração Universal dos Direitos dos Animais”, firmado em Bruxelas, na Bélgica, em 27/01/78, em Assembleia da UNESCO, no qual é conferido a todos os bichos o direito à vida e à existência, à consideração e ao respeito, à cura e à proteção do homem.
    Declara o repúdio à tortura para com os animais, impedindo a destruição ou violação da integridade de um ser vivo e prevê no artigo 3º que nenhum animal será submetido a maus tratos e a atos cruéis e no artigo 5º que cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie, sendo que toda modificação desse ritmo e dessas condições, imposta pelo homem para fins mercantis, é contrária a esse direito.
    Deve ressaltar-se, por fim, que o artigo 10 prevê que nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem e que a exibição deles e os espetáculos que deles se utilizam são incompatíveis com a sua dignidade.

(Adaptado de http://www.portalseer.ufba.br)
Observe as seguintes passagens do texto, dando especial atenção às palavras em destaque.
I. vê-se que o homem pouco evoluiu. II. ainda se regozija com o sofrimento alheio. III. difundiu-se a ideia de que o homem deveria dominar a natureza. IV. Analisa-se a questão, ainda, sob a ótica da ciência.
A palavra “se”, como se sabe, pode pertencer a diferentes classes gramaticais, incluindo a das conjunções. Quantas das ocorrências de “se”, acima, pertencem à classe das conjunções?
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Q1627033 Português
A Velha Contrabandista
    Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
      Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim para ela:
     - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
     A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
      - É areia!
      Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
     Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
      Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
     - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
     - Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
     - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias? 
     - O senhor promete que não "espáia"?  - quis saber a velhinha.
    - Juro - respondeu o fiscal.
    - É a lambreta.  

Stanislaw Ponte Preta. Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NTE3MzQ5/ 
No trecho extraído do texto, “Diz que foi aí que o fiscal se chateou”, a partícula SE desempenha a função de:
Alternativas
Q1389711 Português
“Se minha memória embaralha a sequência dos acontecimentos, não há sombras sobre os momentos marcantes que vivi no Holocausto.” 
Nessa sentença, há a demarcação assinalada pela vírgula, separando a primeira construção do restante da estrutura. Que papel sintático é operado pela conjunção inicial, SE, na construção introdução da sentença?
Alternativas
Q1386070 Português

Alguns motivos para você ver os morcegos com outros olhos

Mariana Araguaia de Castro Sá Lima


Geralmente, morcegos não são animais que despertam simpatia nas pessoas. Provavelmente, o primeiro motivo é o fato de sempre serem associados aos vampiros, bem como a uma grande probabilidade de transmitirem a raiva. Além desses dois fatores, há também o agravante de que alguns se alimentam de sangue de gado e têm uma aparência horrível.

Primeiramente, é importante dizer que espécies hematófagas, ou seja, as que se alimentam de sangue, são apenas três. Dessa forma, dentre as mais de 1.000 espécies que temos em todo o mundo, somente essas possuem tal hábito alimentar.

Outra questão é o fato de que nossa espécie não faz parte do cardápio de nenhum outro animal, exceto em casos extremos. Assim, entre uma galinha e você, por exemplo, com certeza um morcego hematófago optará pela primeira opção, e entre uma galinha e uma espécie nativa, provavelmente esta será a escolhida. Isso porque morcegos preferem espécies que se encontram em seu habitat. No entanto, quando seu ambiente está fragilizado ou destruído, a alternativa é buscar outro local que possa oferecer a ele abrigo e alimento.

Quanto à raiva, realmente os morcegos são capazes de transmiti-la, assim como qualquer mamífero, inclusive aqueles que vivem conosco, tais como gatos e cachorros. Daí a importância da vacinação. Além disso, na maioria dos casos, os responsáveis são os hematófagos e, como você já sabe, são apenas três.

Assim como cachorros com raiva, morcegos acometidos pelo vírus responsável por essa doença apresentam sintomas característicos: são avistados durante o dia, e no chão. Caso veja algum morcego assim, é necessário somente se afastar e contactar o Centro de Zoonoses.

No que se refere à aparência, não há muito a ser dito, embora seja necessário perceber que temos uma tendência a dar juízo de valor sobre as outras espécies de acordo com a visão que temos delas, o que é algo discutível.

Morcegos são capazes de realizar, com eficiência, o controle populacional de diversas espécies, inclusive daquelas capazes de nos transmitir doenças ou causar prejuízos econômicos, como ratos, mosquitos e pragas de plantação em geral. Além disso, graças a eles, há a polinização eficiente de diversas plantas e a dispersão de sementes, auxiliando também na recomposição de ambientes destruídos. Só para se ter uma ideia, aproximadamente dois terços das angiospermas tropicais são polinizadas por morcegos e, algumas, somente por eles!

Assim, percebe-se que os morcegos são animais muito importantes para a manutenção da vida de diversos ambientes e espécies, inclusive a nossa. Praticamente inofensivos, muitos são mortos em decorrência de preconceito e falta de conhecimento sobre a sua importância. Quanto a isso, é sabido que, em alguns países, muitas famílias constroem abrigos e disponibilizam bebedouros para tais animais, como forma de protegê-los e gozar de seus benefícios.


Adaptado de: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/curiosidades/algunsmotivos-para-voce-ver-os-morcegos-com-outros-.htm>

Qual função desempenha a palavra “se” na oração “Se você vier, iremos juntos ao cinema”:
Alternativas
Q1354663 Português

Texto para responder à questão.


Uma vela para Dario


        Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminui o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva e descansou na pedra o cachimbo.

        Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se ele não está se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.

         Estendeu-se mais um pouco, deitado agora na calçada, e o cachimbo a seu lado tinha apagado. Um rapaz de bigode pediu ao grupo que se afastasse, deixando-o respirar. E abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario roncou pela garganta e um fio de espuma saiu no canto da boca.

        Cada pessoa que chegava se punha na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram acordadas e vieram de pijama às janelas. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao lado dele. Uma velhinha de cabeça grisalha gritou que Dario estava morrendo. Um grupo transportou-o na direção do táxi estacionado na esquina. Já tinham introduzido no carro a metade do corpo, quando o motorista protestou: se ele morresse na viagem? A turba concordou em chamar a ambulância. Dario foi conduzido de volta e encostado à parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

         Alguém afirmou que na outra rua havia uma farmácia. Carregaram Dario até a esquina; a farmácia era no fim do quarteirão e, além do mais, ele estava muito pesado. Foi largado ali na porta de uma peixaria. Imediatamente um enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse o menor gesto para espantá-las.

         As mesas de um café próximo foram ocupadas pelas pessoas que tinham vindo apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficara torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

        Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os documentos. Vários objetos foram retirados de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do seu nome, idade, cor dos olhos, sinais de nascença, mas o endereço na carteira era de outra cidade. 

        Registrou-se tumulto na multidão de mais de duzentos curiosos que, a essa hora ocupava toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu contra o povo e várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

        O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava apenas a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – não podia retirar do dedo senão umedecendo-o com o sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.

         A última boca repetiu – “Ele morreu, ele morreu”, e então a gente começou a se dispersar. Dario havia levado quase duas horas para morrer e ninguém acreditara que estivesse no fim. Agora, os que podiam olhá-lo, viam que tinha todo o ar de um defunto.

         Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não lhe pôde fechar os olhos ou a boca, onde as bolhas de espuma haviam desaparecido. Era apenas um homem morto e a multidão se espalhou rapidamente, as mesas do café voltaram a ficar vazias. Demoravam-se nas janelas alguns moradores, que haviam trazido almofadas para descansar os cotovelos.

         Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

         Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario esperando o rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade, apagando-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.

TREVISAN, Dalton. Cemitério de elefantes . Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1964, p.33-35.

O termo destacado em “Dois ou três passantes rodearam-no, indagando SE ele não está se sentindo bem.”, no contexto, é:
Alternativas
Q1344989 Português
Observe a placa abaixo e marque a alternativa correta.
Imagem associada para resolução da questão
https://www.google.com.br/search?q=placa+de+alugase&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0ahUKEwjEu9rHzK_OAhWFGZAK HZMaAMkQsAQIIA&biw=1231&bih=525#imgrc=Qh4mI1VtQtZyhM%3A
Alternativas
Q1218141 Português
A frase em que o vocábulo SE exemplifica um pronome apassivador é:
Alternativas
Respostas
981: E
982: B
983: B
984: B
985: A
986: A
987: A
988: B
989: D
990: C
991: E
992: E
993: A
994: A
995: C
996: C
997: B
998: B
999: B
1000: D