Questões de Concurso
Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra se em português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
FIM DO MUNDO
Carlos Drummond de Andrade
Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.
O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.
Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.
(...)
Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.
O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)
Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.
(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)
"Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado."
Em relação às palavras destacadas no trecho acima, na mesma ordem em que se encontram, qual é a função que elas exercem no período?
O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo:
TENTAÇÃO
(1º§) Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. Na rua vazia, vibravam as pedras de calor − a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão.
(2º§) Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú.
(3º§) A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro. A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
(4º§) Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria.
(5º§) Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos. Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
(6º§) No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos − lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, talvez cedendo à gravidade com que se pediam.
(7º§) Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo.
(8º§) Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte do que ela. Nem uma só vez olhou para trás.
*Glossário: "basset" é um termo de origem francesa "bas" que significa "baixo" ou "anão".
(Clarice Lispector. Escritora brasileira) -
(armazemdetexto.blogspot.com)
Analise as frases seguidas de informação à direita:
I. No período interrogativo: "Que foi que se disseram?" − temos uma proclise atraída pela conjunção subordinativa integrante "que".
II. O "se" da oração: "Ambos se olhavam" - enuncia reciprocidade.
III. Em: "A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina" − temos, respectivamente: preposição essencial imposta pela regência nominal; contração prepositiva imposta pela regência verbal; contração prepositiva imposta pela regência nominal.
IV. A crase: "à" usada na frase: "Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento" − é imposta pela concordância verbal.
Marque a alternativa com a série correta.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 04 e, a seguir, responda à questão que a ele se referem.
Texto 04
A palavra
Rubem Braga
Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito como não imaginar que, sem querer, feri alguém?
Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta. Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.
Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... Mas o canário não cantava.
Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven – o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro de ouro?
Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11536/a-palavra. Acesso em: 19 ago. 2023.
I - Em “Às vezes, também a gente tem o consolo [...]”, o sinal indicativo de crase foi usado porque a expressão “às vezes” é uma locução adverbial feminina.
II - Em “[...] alguma coisa que se disse [...]” o pronome oblíquo “se” foi usado em posição proclítica porque, de acordo com a norma, a palavra “que”, a qual antecede esse pronome, é atrativa.
III - Em “[...] ajudou alguém a se reconciliar [...]”, o termo “se” foi usado como uma conjunção subordinativa adverbial, que insere no trecho uma ideia de condição.
IV - Em “[...] a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse [...]”, nos dois usos, a palavra “que” foi usada como pronome relativo, uma vez que retoma termos referidos anteriormente.
V - Em “Às vezes, também a gente tem o consolo”, a vírgula foi usada de acordo com a norma, uma vez que a expressão “às vezes” se encontra antecipada.
Estão CORRETAS as afirmativas
Texto para responder à questão.
Halloween: a curiosa origem do Dia das Bruxas
É celebrado no dia 31 de outubro, principalmente nos Estados Unidos, mas, hoje em dia, é comemorado em diversos outros países, inclusive no Brasil. Hábitos como o de crianças se fantasiarem para sair de porta em porta atrás de doces, ou de espalhar pela casa enfeites e adereços “assustadores” como abóboras esculpidas e iluminadas (...) são cada vez mais populares. No entanto, sua origem pouco tem a ver com o significado moderno que essa festa adquiriu.
De onde vem o nome do Halloween?
O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido. Seu nome deriva de “All Hallows’ Eve”. “Hallow” è um termo antigo para “santo”, e “eve” è o mesmo que “vèspera”. O termo designava, atè o sèculo 16, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Mas uma coisa é a etimologia de seu nome, outra completamente diferente é a origem do Halloween moderno.
Como esta festa começou?
Desde o século 18, historiadores apontam para um antigo festival pagão ao falar da origem do Halloween: o festival celta de Samhain (termo que significa “fim do verão”). O Samhain durava três dias e começava em 31 de outubro. Segundo acadêmicos, era uma homenagem ao “Rei dos mortos”. Estudos recentes destacam que o Samhain tinha entre suas maiores marcas a fogueira e celebrava a abundância de comida após a época de colheita. O problema com essa teoria é que ela se baseia em poucas evidências além da época do ano em que os festivais eram realizados. A comemoração, a linguagem e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região. Os galeses celebravam, por exemplo, o “Calan Gaeaf”. Há pontos em comum entre esse festival realizado no País de Gales e o Samhain, celebração predominantemente irlandesa e escocesa, mas há muitas diferençastambém. Em meados do século 8, o papa Gregório Terceiro mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio - a data do festival romano dos mortos - para 1º de novembro, a data do Samhain. Não se tem certeza se Gregório Terceiro ou seu sucessor, Gregório Quarto, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de “cristianizar” o Samhain. Mas, quaisquer que fossem seus motivos, a nova data para esse dia fez com que a celebração cristã dos santos e a do Samhain fossem unidas. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram se misturando.
Quando surgiu o Dia das Bruxas?
O Dia das Bruxas, o Halloween, que conhecemos hoje, tomou forma entre 1500 e 1800. Fogueiras tornaram-se especialmente populares nessa festa. Elas eram usadas na queima do joio (que celebrava o fim da colheita no Samhain), como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra. Outro costume de Halloween era o de prever o futuro – previa-se a data da morte de uma pessoa ou o nome de seu futuro marido ou mulher. (...) A comida era um componente importante do Halloween, assim como de muitos outros festivais. Um dos hábitos mais característicos envolvia crianças, que iam de casa em casa cantando rimas ou entoando orações para as almas dos mortos. Em troca, elas recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido liberada do purgatório. (...)
Como a festa chegou à América?
Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a “Grande Fome”, um milhão de pessoas foram forçadas a emigrar para os Estados Unidos, levando junto sua história e tradições. Não é coincidência que as primeiras referências ao Halloween apareceram na América pouco depois disso. Em 1870, por exemplo, uma revista americana publicou uma reportagem em que o descrevia como feriado “inglês”. A princípio, as tradições do Dia das Bruxas nos Estados Unidos uniam brincadeiras comuns no Reino Unido rural com rituais de colheita americanos. (...) O milho era um cultivo importante da agricultura americana — e acabou entrando com tudo na simbologia característica do Halloween americano. Tanto que, no início do século 20, espantalhos — típicos de colheitas de milho — eram muito usados em decorações do Dia das Bruxas. Foi nos EUA também que a abóbora passou a ser sinônimo de Halloween. No Reino Unido, o legume mais “entalhado” ou esculpido era o turnip, um tipo de nabo. (...) A tradição moderna de “doces ou travessuras” tambèm è americana. (...)
E quanto ao Halloween moderno?
(...) Por aqui, desde 2003, também se celebra nesta mesma data o Dia do Saci, fruto de um projeto de lei que busca resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Dia das Bruxas. (...) Atualmente, o festival conserva pouco de sua origem, mas, apesar de ter ganhado nova roupagem, dá oportunidade para que adultos brinquem com seus medos e fantasias.
BBC News Brasil. Adaptado. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn39d 7d7dnlo
Labutou-se com muita honra.
Assinale a alternativa que classifique corretamente o termo destacado:
Considere o texto a seguir, de autoria de Paulo Mendes Campos, para responder a questão.
“Um bar legal precisa apresentar cinco qualidades fundamentais: boa circulação de ar, bom proprietário, bons garçons, bons fregueses e boa bebida. Isto é raríssimo de acontecer. Quando o garçom é uma flor de sujeito, o dono do bar costuma ser uma besta; se os fregueses são alcoólicos esclarecidos, o ambiente às vezes é quente e abafado; vai ver um excelente e confortável bar refrigerado, e boa percentagem de uísque é fabricada no Engenho de Dentro. Para dizer toda a verdade, o bar perfeito não existe. O barman, de fato, é um dos segredos do bar. Cada freguês deve sentir a ilusão de que o barman tem uma predileção especial por ele, e em nome disso será capaz de resolver qualquer problema. O incompreensível é que resolvem mesmo. O homem que chega a uma grande metrópole desconhecida é como um avião voando em solidão por dentro de um espesso nevoeiro. Mas se este homem pertence à comunidade internacional dos frequentadores de bar, cada barman é uma torre com a qual ele poderá entrar em contato a fim de orientar-se. Os únicos estranhos aos quais eu falo sem timidez, com perfeita familiaridade, são os barmen e estes igualmente reconhecem logo em mim o freguês escolado, curtido em todos os amargos, navegador de longo curso. Todo frequentador de bar tem o direito eventual de embriagar-se inconvenientemente uma vez por outra. Quem vende bebida deve ser linchado quando exige de seus fregueses um comportamento de casa de chá. Aclarados neste ponto, podemos afirmar que o maior inimigo do bar e do alcoolismo é o mau bebedor contumaz, o bebedor que bebe anos a fio e não aprende a beber, o bebedor diariamente chato, incapaz de entender o tácito acordo de amabilidade e contenção que existe entre todos os bons bebedores do mundo. Eu os conheço todos e os abomino. Conheço toda a imensa variedade da espécie (agressivos, prolixos, confidenciais, pedantes, questionadores, inoportunos, monocórdios, ressentidos etc. etc.). Ah, se um dia eu pendurar o meu copo numa prateleira e passar a beber em casa, podereis estar certos, contemporâneos, que foram os maus bebedores que me levaram a este extremo!"
(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações.)
No trecho “Todo frequentador de bar tem o direito eventual de embriagar-se”, a partícula “-se”, no verbo “embriagar-se”, pode ser classificada como:
A parceria intersetorial pode ser entendida como uma integração intensa, de longo prazo, deliberada e contínua entre dois ou mais setores que se unem voluntariamente na forma de arranjos de trabalho, formados por organizações com e sem fins lucrativos. Essas organizações identificam interesses e preocupações mútuos e trocam, compartilham ou desenvolvem em conjunto produtos, tecnologias e serviços que visam responder a demandas econômicas, sociais e ambientais ainda não atendidas pela agenda de políticas públicas. Entre seus benefícios estão medidas sociais avançadas relacionadas ao desenvolvimento econômico, à educação, à segurança, ao saneamento, à saúde, à redução da pobreza, à infraestrutura e à sustentabilidade ambiental. Ainda, existem os esforços para alcançar benefícios comunitários, removendo barreiras à inclusão social e mitigando os efeitos nocivos decorrentes de atividades e comportamentos socioeconômicos e socioambientais indesejáveis.
Duas características de gestão aumentam o potencial da parceria intersetorial para promover a transformação social. A primeira é a colaboração, que permite configurar e otimizar recursos e habilidades de todos os parceiros, levando a resultados mais eficientes. A segunda é o desenvolvimento de inovações que possam impactar a vida das pessoas de maneira sustentável. As parcerias intersetoriais reposicionam responsabilidades sistêmicas antes isoladas no mercado, no Estado ou na sociedade civil. Elas integram a expertise estratégica de agentes sociais comprometidos com projetos dessa natureza, superam barreiras inerentes à colaboração não gerenciada e oferecem um caminho alternativo para o desenvolvimento comunitário.
As intenções de parcerias intersetoriais e sua natureza unem instituições formais e grupos sociopolíticos informais. A estrutura de tais parcerias depende de seus integrantes e de como são selecionados, de sua motivação para o trabalho em conjunto, de seu foco principal nos processos decisórios relacionados às atividades compartilhadas (ambientais, de desenvolvimento, geográficas e jurisdicionais), dos setores representados na parceria (público, privado e sociedade civil), dos objetivos e funções dela, entre outros aspectos.
Inicialmente qualificadas como “o paradigma colaborativo do século XXI”, as parcerias intersetoriais são fortemente debatidas nos meios envolvidos na coordenação da vida social: governo, Estado, setor público, empresariado, setor privado, organizações não governamentais e sociedade civil, entre outros. A princípio, eles correspondiam a três segmentos institucionais presentes na sociedade: o institucional exclusivamente público representado pelo governo, o Estado e o setor público; o aspecto institucional exclusivamente privado representado pelo empresariado e pelo setor privado; e o aspecto institucional exclusivamente civil no setor da sociedade civil e das organizações não governamentais.
A evolução desse contexto resultou na hibridização organizacional, particularmente em virtude do número de organizações, com fins lucrativos ou não, pertencentes a membros direta e simultaneamente ligados a organizações públicas, privadas e da sociedade civil. Como resultado dessa miscigenação, a maioria dos debates contemporâneos analisa as parcerias intersetoriais com base nos ideais e objetivos dos parceiros envolvidos.
(Fonte: BORIM-DE-SOUZA, Rafael. 2023. — adaptado.)
“Queixa-se de todos os patrões.”
Compare a versão original do período que inicia o 2º parágrafo do texto e a paráfrase correspondente, com atenção para o trecho em destaque.
Versão original:
“Essa ressalva é necessária porque eventos como os desastres ambientais em Minas só SE entendem adequadamente quando SE compreende a relação entre a sociedade humana e a natureza que a envolve.”
Paráfrase:
“Essa ressalva é necessária porque eventos como os desastres ambientais em Minas só são entendidos adequadamente quando a relação entre a sociedade humana e a natureza que a envolve é compreendida.”
Considerando a alternância das estruturas, como se classifica sintaticamente o item SE, da versão original, em cada uma das ocorrências?
I - Se 3/5 dos deputados comparecerem, haverá quórum para votação.
II – Se aproximaram um do outro e ignoraram-se.
III – Calcula-se que menos da metade dos convidados estará presente.
IV – Se ofendiam e se xingavam reciprocamente.
V – Se se aplicasse corretamente o direito, não existiriam injustiças.
2. Amanhã já se apagou
3. Se hoje eu te odeio
4. Amanhã lhe tenho amor
5. Lhe tenho amor
6. Lhe tenho horror
7. Lhe faço amor
8. Eu sou um ator
(RAUL SEIXAS. Metamorfose Ambulante. Rio de Janeiro. Universal Music: 1973.)
Neste recorte da música Metamorfose Ambulante, Raul Seixas repete a palavra "Se" nos três primeiros versos, conforme grifado acima. Acerca deste termo, assinale a alternativa correta:
O clube
― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…
― E gordos…
― Você está enorme.
― Você também.
― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.
― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.
― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?
― Você não se lembra? Não há mais criados.
― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.
― Mas eu vivo só para estas reuniões.
― Eu também. Não há mais nada.
― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.
― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.
― Ali se sentava o… Como era mesmo?
― O Gastão.
― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…
― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.
― É engraçado. Não consigo me lembrar…
― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.
― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.
― Ali, sentava o doutor Malvino.
― Camarões com molho de nata.
― Não. Musse de salmão.
― Exato. Divina. E do lado dele…
― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.
― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.
― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…
― Lamentável, lamentável.
― E quando morreu o Parreirinha?
― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.
― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.
― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.
― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]
― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.
― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.
― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…
― Cuidado. Assim. Epa.
― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.
― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.
― Olha a garrafa!
― Caiu embaixo da mesa.
― O fogo já chegou no chão.
― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.
― Salva as panquecas! Salva as panquecas!
― Tarde demais.
― Acho que devíamos chamar alguém para…
― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.
― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?
― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.
― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.
― Ai.
― Hein?
― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?
― Bisque de lagosta.
― Pena, pena. Enfim…
― O pior é morrer assim, queimado.
― Você preferia como?
― Pelo menos mal-passado.
Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:
I. “― Você não se lembra? Não há mais criados.”
II. “― Ali se sentava o… Como era mesmo?”
III. “― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…”
Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua como conjunção condicional apenas em: