Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra se em português

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Q2370168 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


Receita para um dálmata

(ou: Soneto branco com bolinhas pretas)


Pegue um papel, ou uma parede, ou algo

que seja quase branco e bem vazio.

Amasse-o até que tome forma

de um animal: focinho, corpo, patas.


Em cada pata ponha muitas unhas

e em sua boca muitos dentes. (Caso

queira, pinte o focinho de qualquer

cor que pareça rosa). Atrás, na bunda,


ponha um fiapo nervoso: será seu

rabo. Pronto. Ou quase: deixe-o lá

fora e espere chover nanquim. Agora


dê grama ao bicho. Se ele rejeitar,

é dálmata. Se comer (e mugir),

é uma vaca que tens. Tente outra vez.


Gregório Duvivier
A partícula “se” dependendo do contexto em que é utilizada pode adquirir diferentes significados e, consequentemente, diferentes classificações gramaticais. Assinale a alternativa que indique corretamente a classificação morfológica da partícula “se” no contexto abaixo:

    Se ele rejeitar,     
    é dálmata

Alternativas:
Alternativas
Q2358042 Português

Texto CB1A1  


        Enquanto Singapura e Dublin lançaram suas réplicas digitais usando aprendizado de máquina para prever eventos e tendências futuras, países inteiros ainda não garantiram água potável e eletricidade para seus habitantes. Como a arquitetura reflete as sociedades, a acentuada desigualdade social em que vivemos continuará sendo refletida na arquitetura que construímos: algumas obras totalmente projetadas por inteligência artificial (IA), outras criadas manualmente e com modelos físicos em um escritório de arquitetura boutique, e a grande maioria sendo feita no local com papel e lápis, sem a intervenção direta de arquitetos. Talvez todos esses cenários coexistam na mesma cidade. 


O escritor Benjamin Labatut declarou: “se a inteligência artificial fosse capaz de pensar, teria pontos cegos; se conseguisse ser criativa, teria limites, pois limites são frutíferos; se fosse capaz de imitar nossa capacidade de raciocínio, talvez precisasse do (ou desenvolvesse o) nosso talento para a loucura. E se lhe faltasse compreensão, se não se importasse com a beleza e o horror que pode criar, então seria imprudente nos colocarmos em suas mãos.”. 


O futuro da arquitetura está na interseção entre inovação tecnológica e intenção humana. Em última instância, a agência humana — sociedade civil, políticos e partes interessadas — exerce uma influência significativa. O curso da história não está escrito em pedra, mas é moldado pelas decisões tomadas hoje, especialmente se a IA afeta nossos bolsos. A arquitetura, então, torna-se o resultado de decisões coletivas, em que os avanços da IA se cruzam com as aspirações e os valores da sociedade. É dentro desse jogo de interações que a evolução e o impacto da arquitetura encontram sua ressonância e seu significado. 


Nicolás Valencia. O impacto das ferramentas de inteligência artificial na arquitetura em 2024 (e além). Internet: (com adaptações). 





Em relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o próximo item. 


No último período do segundo parágrafo, o vocábulo “se” classifica-se como pronome, em todas as suas ocorrências.

Alternativas
Q2350581 Português
Uma esperança


     Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica que tantas vezes verifica‐se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.

     Houve um grito abafado de um dos meus filhos:

     – Uma esperança! E na parede bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade pra isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não podia ser.

     – Ela quase não tem corpo, queixei‐me.

     – Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.

     Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.

     – Ela é burrinha, comentou o menino.

     – Sei disso, respondi um pouco trágica.

     – Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.

     – Sei, é assim mesmo.

     – Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.

     – Sei, continuei mais infeliz ainda.

     Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando‐a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não apagasse.

     – Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim. Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.

     Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar‐se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê‐la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:

     – É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...

     – Mas ela vai esmigalhar a esperança! Respondeu o menino com ferocidade. 

     – Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.

     O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.

     Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá‐la.

     Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “E essa agora? Que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.


(LISPECTOR, Clarice. 1925‐1977. Felicidade Clandestina: Contos – Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)
Analise o fragmento textual: “Não a clássica que tantas vezes verifica‐se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre.” (1º§) Sobre o termo “se”, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q3892622 Português
A maçã


No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Dois-pontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto: “Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria.” As funções desempenhadas pela palavra ‘se’ nesse contexto, na ordem em que aparecem, são, respectivamente, de:
Alternativas
Q3760326 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “sempre se descobre a providencial porta falsa”, o termo “se” exerce a função de:
Alternativas
Q3760318 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente”, o termo “se” pode ser classificado como:
Alternativas
Q3733664 Português
Analise as opções abaixo e marque a alternativa em que a partícula apassivadora está exemplificada:
Alternativas
Q3733125 Português
Leia atentamente o período abaixo:
Os alunos queixaram-se da didática apresentada pelo professor.
Assinale a alternativa que classifica corretamente o termo destacado:
Alternativas
Q3733116 Português
Leia atentamente as alternativas abaixo e assinale aquela em que o termo "se " é índice de indeterminação do sujeito:
Alternativas
Q3732707 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho “Quem procura encontrar-se”, a partícula “-se” desempenha a função de:
Alternativas
Q3713869 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere o seguinte excerto, retirado do texto: “Esses dois, se um morrer, o outro se suicida.” Neste contexto, a palavra “se” atua, respectivamente, como:
Alternativas
Q3704804 Português
Considere as seguintes sentenças:
I. Não sei se ele está acordado.
II. Se estiver disponível, me ligue mais tarde.
III. Eles estão se beijando.
Em relação à classe gramatical, a palavra “se” atua como conjunção apenas na(s) sentença(s):
Alternativas
Q3703848 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


FIM DO MUNDO


Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.


O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.


Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


 (...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.


O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)


Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)

"Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado."


Em relação às palavras destacadas no trecho acima, na mesma ordem em que se encontram, qual é a função que elas exercem no período?

Alternativas
Q3686890 Português
O que é o estranho gelo “super iônico”, que só derrete a altas temperaturas


        Algumas coisas no universo são tão estranhas, que parecem coisas saídas de um filme de ficção científica ou de uma edição de histórias em quadrinhos. Um tipo de gelo que só derreteria em temperaturas elevadas é o típico exemplo de algo que só pode ter saído da cabeça maluca de algum autor bastante criativo. Mas provando que nada é estranho o suficiente que não possa piorar, esse tipo de gelo existe e tem até nome: gelo super iônico.

         Apesar da comprovação de sua existência ter sido feita em 2019, o gelo super iônico tem sido teorizado desde 1988. O gelo super iônico é uma propriedade incomum da água que só existe em condições bastante específicas. É preciso que a água esteja sob pressões e temperaturas tão extremas, que seu estado fique ao mesmo tempo entre o sólido e o líquido.

         Uma molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (a famosa sigla H2O). Conforme vão esfriando, os átomos vão se agitando, fazendo com que as moléculas fiquem mais próximas umas das outras até congelar, no processo conhecido como solidificação. Mas na água super iônica, o processo é diferente. O calor intenso faz com que as ligações entre os átomos das próprias moléculas quebrem, de modo que na mistura fiquem estruturas sólidas de átomos de oxigênio com um fluxo de íons de hidrogênio (daí o nome super iônico). Isso faz com que a água iônica se encontre ao mesmo tempo sólida e líquida.

         Chamado também de gelo quente ou gelo negro (devido a sua cor preta), os cientistas acreditam que esse (...) tipo de gelo pode ser a forma de água mais abundante do universo. Essa poderia ser uma explicação do por que Urano e Netuno terem campos magnéticos tão diferentes.

         Segundo os pesquisadores, não só o núcleo desses dois planetas é composto por esse gelo quente, mas outros exoplanetas também. O recente estudo busca justamente estudar essa fase da água para conseguir entender a dinâmica do nöcleo dos chamados planetas “gigantes de gelo”, como Urano e Netuno. “A recente descoberta de exoplanetas ricos em água semelhantes a Netuno requer uma compreensão mais detalhada do diagrama de fases da água nas condições de pressão e temperatura relevantes para seus interiores planetários”, afirmou Arianna Gleason, pesquisadora de Ciências Geológicas da Universidade Stanford.

         Essa característica sólida e líquida do gelo confere a ele capacidade de condução graças aos seus íons de hidrogênio livres. No estudo de 2019, os pesquisadores já haviam comprovado a existência dessa forma, mas o estudo recente queria entender se seria possível encontrar uma forma diferente do mesmo gelo, e se essa forma poderia ter uma melhor condutividade.

         Para isso, Gleason e sua equipe comprimiram fatias finas de água entre duas camadas de diamante, e então as bombardearam com lasers. Com algumas ondas de choque, elas aumentaram a pressão para até 2 milhões de atmosferas, com temperaturas acima dos 4000 ºC. Ao utilizar difração de raios X, eles descobriram que não somente esse gelo de fato era diferente daquele descoberto em 2019, como também possuía uma maior condutividade. A presença de água em diferentes estados físicos e essa condutividade gerada ajudaria a explicar o padrão estranho observado no campo magnético de Netuno e Urano, por exemplo.

         É graças aos Íons das partículas soltas de hidrogênio que os campos magnéticos são gerados. Mas a pesquisa recente mostrou que os planetas podem ter duas camadas com íons diferentes, gerando dois campos magnéticos que interagem um com o outro.

Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em 
<https://super.abril.com.br/ciencia/o-que-e-o-estranho
gelo-super-ionico-que-so-derrete-a-altas-temperaturas/> 
A palavra ‘se’, que ocorre no excerto “Isso faz com que a água iônica se encontre ao mesmo tempo sólida e líquida.”, exerce a função de: 
Alternativas
Q3683153 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 04 e, a seguir, responda à questão que a ele se referem.


Texto 04


A palavra

Rubem Braga


    Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito como não imaginar que, sem querer, feri alguém?


    Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta. Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.


     Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.


    Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... Mas o canário não cantava.


     Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven – o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro de ouro?


     Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.


Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11536/a-palavra. Acesso em: 19 ago. 2023. 

Considere o trecho “Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.” (Linhas 4-6) Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura linguística do referido trecho.
I - Em “Às vezes, também a gente tem o consolo [...]”, o sinal indicativo de crase foi usado porque a expressão “às vezes” é uma locução adverbial feminina.
II - Em “[...] alguma coisa que se disse [...]” o pronome oblíquo “se” foi usado em posição proclítica porque, de acordo com a norma, a palavra “que”, a qual antecede esse pronome, é atrativa.
III - Em “[...] ajudou alguém a se reconciliar [...]”, o termo “se” foi usado como uma conjunção subordinativa adverbial, que insere no trecho uma ideia de condição.
IV - Em “[...] a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse [...]”, nos dois usos, a palavra “que” foi usada como pronome relativo, uma vez que retoma termos referidos anteriormente.
V - Em “Às vezes, também a gente tem o consolo”, a vírgula foi usada de acordo com a norma, uma vez que a expressão “às vezes” se encontra antecipada.

Estão CORRETAS as afirmativas  
Alternativas
Q3680867 Português

Texto para responder à questão.


Halloween: a curiosa origem do Dia das Bruxas


É celebrado no dia 31 de outubro, principalmente nos Estados Unidos, mas, hoje em dia, é comemorado em diversos outros países, inclusive no Brasil. Hábitos como o de crianças se fantasiarem para sair de porta em porta atrás de doces, ou de espalhar pela casa enfeites e adereços “assustadores” como abóboras esculpidas e iluminadas (...) são cada vez mais populares. No entanto, sua origem pouco tem a ver com o significado moderno que essa festa adquiriu.


De onde vem o nome do Halloween?


O Halloween tem suas raízes não na cultura americana, mas no Reino Unido. Seu nome deriva de “All Hallows’ Eve”. “Hallow” è um termo antigo para “santo”, e “eve” è o mesmo que “vèspera”. O termo designava, atè o sèculo 16, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Mas uma coisa é a etimologia de seu nome, outra completamente diferente é a origem do Halloween moderno.


Como esta festa começou?


Desde o século 18, historiadores apontam para um antigo festival pagão ao falar da origem do Halloween: o festival celta de Samhain (termo que significa “fim do verão”). O Samhain durava três dias e começava em 31 de outubro. Segundo acadêmicos, era uma homenagem ao “Rei dos mortos”. Estudos recentes destacam que o Samhain tinha entre suas maiores marcas a fogueira e celebrava a abundância de comida após a época de colheita. O problema com essa teoria é que ela se baseia em poucas evidências além da época do ano em que os festivais eram realizados. A comemoração, a linguagem e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região. Os galeses celebravam, por exemplo, o “Calan Gaeaf”. Há pontos em comum entre esse festival realizado no País de Gales e o Samhain, celebração predominantemente irlandesa e escocesa, mas há muitas diferençastambém. Em meados do século 8, o papa Gregório Terceiro mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio - a data do festival romano dos mortos - para 1º de novembro, a data do Samhain. Não se tem certeza se Gregório Terceiro ou seu sucessor, Gregório Quarto, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de “cristianizar” o Samhain. Mas, quaisquer que fossem seus motivos, a nova data para esse dia fez com que a celebração cristã dos santos e a do Samhain fossem unidas. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram se misturando.


Quando surgiu o Dia das Bruxas?


O Dia das Bruxas, o Halloween, que conhecemos hoje, tomou forma entre 1500 e 1800. Fogueiras tornaram-se especialmente populares nessa festa. Elas eram usadas na queima do joio (que celebrava o fim da colheita no Samhain), como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra. Outro costume de Halloween era o de prever o futuro – previa-se a data da morte de uma pessoa ou o nome de seu futuro marido ou mulher. (...) A comida era um componente importante do Halloween, assim como de muitos outros festivais. Um dos hábitos mais característicos envolvia crianças, que iam de casa em casa cantando rimas ou entoando orações para as almas dos mortos. Em troca, elas recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido liberada do purgatório. (...)


 Como a festa chegou à América?


Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a “Grande Fome”, um milhão de pessoas foram forçadas a emigrar para os Estados Unidos, levando junto sua história e tradições. Não é coincidência que as primeiras referências ao Halloween apareceram na América pouco depois disso. Em 1870, por exemplo, uma revista americana publicou uma reportagem em que o descrevia como feriado “inglês”. A princípio, as tradições do Dia das Bruxas nos Estados Unidos uniam brincadeiras comuns no Reino Unido rural com rituais de colheita americanos. (...) O milho era um cultivo importante da agricultura americana — e acabou entrando com tudo na simbologia característica do Halloween americano. Tanto que, no início do século 20, espantalhos — típicos de colheitas de milho — eram muito usados em decorações do Dia das Bruxas. Foi nos EUA também que a abóbora passou a ser sinônimo de Halloween. No Reino Unido, o legume mais “entalhado” ou esculpido era o turnip, um tipo de nabo. (...) A tradição moderna de “doces ou travessuras” tambèm è americana. (...)


E quanto ao Halloween moderno? 


(...) Por aqui, desde 2003, também se celebra nesta mesma data o Dia do Saci, fruto de um projeto de lei que busca resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Dia das Bruxas. (...) Atualmente, o festival conserva pouco de sua origem, mas, apesar de ter ganhado nova roupagem, dá oportunidade para que adultos brinquem com seus medos e fantasias.


BBC News Brasil. Adaptado. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn39d 7d7dnlo

Nas sentenças a seguir, retiradas do texto, verificam-se diferentes usos da palavra ‘se’. Assinale a alternativa em que a palavra ocorre como índice de indeterminação do sujeito.
Alternativas
Q3667835 Português
Em “Não se esqueça de comprar meu presente de aniversário”, o que justifica a obrigatoriedade da colocação da palavra sublinhada antes do verbo é a presença de: 
Alternativas
Q3662546 Português
Leia o texto e responda a questão.


         A tecnologia vem, de maneira crescente, intermediando as relações humanas em seus mais diversos aspectos. Ela está presente nas interações sociais, nos estudos, no entretenimento ou no consumo. Este último, conforme abordado em artigo publicado neste espaço há duas semanas, está gerando um crescimento exponencial das vendas pela internet. É um movimento que já vinha em curso, mas foi acelerado com as restrições impostas pela pandemia, trazendo oportunidades e obstáculos para empreendedores e empresas, independente do porte do negócio.

         Um dos maiores desafios para o mundo corporativo no momento, diante da presença crescente da tecnologia na sociedade, é a chamada transformação digital. Trata-se de uma mudança muito mais profunda do que a mera adoção de novas tecnologias ou a digitalização de documentos e processos na empresa. Pode-se dizer, grosso modo, que a digitalização é a passagem de documentos, processos e procedimentos de um meio analógico para um meio digital.

         A transformação vai além. Ela se serve de todas essas mudanças para mergulhar de cabeça na era digital, com foco quase total em melhorar a experiência do cliente, não na tecnologia em si. Uma pesquisa da norte-americana Altimeter mostra que 55% dos gestores da transformação digital apontam a evolução dos comportamentos e preferências dos consumidores como o grande impulsionador do processo de mudança. Os outros pilares seriam a melhoria da eficiência dos processos internos, o aumento da inovação tecnológica e a geração de valor e de competitividade para a empresa.

[Adaptado] ANDRADA, Doorval. O desafio da transformação digital. Disponível em: 
<https://gazetadotriangulo.com.br/artigo-de-opiniao-o-desafio-da-transformacao-digital/>. Acesso em: 17 fev. 2023
Na oração “Trata-se de uma mudança muito mais profunda...”, o uso do pronome se justifica pela função sintática de:
Alternativas
Q3655729 Português
Leia atentamente as alternativas abaixo e assinale aquela em que o termo destacado é pronome apassivador:
Alternativas
Q3655726 Português
Leia atentamente o período abaixo:

Labutou-se com muita honra.

Assinale a alternativa que classifique corretamente o termo destacado:
Alternativas
Respostas
401: D
402: E
403: D
404: A
405: D
406: B
407: B
408: D
409: D
410: B
411: B
412: D
413: B
414: A
415: D
416: E
417: D
418: D
419: D
420: C