Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q3978530 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Podes já não lembrar, mãe, mas eu lembro



    Foi ela que me deu para ler A nova mulher, de Marina Colassanti. Também me estimulou a ler O complexo de Portnoy, meu primeiro Philip Roth, e Servidão Humana, de Somerset Maugham. Aliás, encontrei na estante da sala outro título deste autor, com a caligrafia dela na primeira folha, assinalando a propriedade da relíquia: Um gosto e seis vinténs, edição de 1941, que narra a trajetória de um corretor da bolsa que abandona a família e a profissão para se dedicar exclusivamente à pintura no Taiti - baseado na vida de Paul Gauguin. Realidade inspirando ficção. A propósito, foi ela também, minha mãe, que me indicou Truman Capote.


    Eu tinha uns 17 anos e sonhava em morar sozinha, ao contrário da garotada de hoje, mas reconhecia a sorte de ter uma biblioteca familiar à disposição. Virei uma leitora compulsiva e, anos depois, quando saí de casa, eu é que comecei a emprestar a ela minhas descobertas editorais. Nunca mais paramos de trocar livros, até meses atrás, quando ela admitiu, aos 88 anos, que estava tendo dificuldade de ler. Reagi. Entreguei a ela os livros da coleção Letras Grandes, da L&PM. Coloquei em suas mãos histórias em quadrinhos que contavam a vida de Van Gogh e de David Bowie. Estiquei a vida útil de seus olhos, até que, há poucos dias, elajogou a toalha e declarou que não dava mais. Já não conseguia acompanhar as histórias. Nem mesmo a sua própria.


    Esta semana, percebi o quanto ela estava desanimada diante das limitações da velhice - com a perda da memória, em especial. Mirava fixamente sua estante de livros, absorta em sei lá que pensamentos. Até que, do nada, fez a pergunta fatal, sem tirar os olhos da estante: "de que adiantou eu ter lido tanto?"


    Mãe, a leitura te fez uma das mulheres mais humanas com quê tenho o privilégio de conviver. Te deu um senso de humor que foi desperdiçado: tu terias brilhado como comentarista de programas de televisão como eu ria com tuas análises. A leitura te deu significância. Dignidade. Te fez diferenciar o profundo do superficial. Foi a literatura que te levou a cursar a faculdade de Letras aos 46 anos de idade. Tornou a tua conversa interessante. Fez com que não te sentisses sozinha aos 12 anos, quando mudaste de cidade sem ter uma amiga sequer. Os livros te tornaram uma apreciadora refinada do cinema. Tua conexão com gente de todas as idades: foi por causa deles, dos livros. Nunca conheci uma única pessoa que não te admirasse.


    Ler tanto, ler muito, adiantou não só a tua vida, mas também a minha. Quando fiz 13 anos, ganhei de ti e do pai uma máquina de escrever. E, a partir de então, me tornei eu mesma uma máquina de escrever. Podes já não lembrar mãe, mas eu lembro.



Autora: Martha Medeiros GZH (adaptado). 

No trecho de um corretor da bolsa que abandona a família, há um termo que introduz uma oração subordinada e retoma o substantivo corretor. Nessa construção, o vocábulo que classifica-se como:
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Q3975648 Português
"A herança"

Mariana encontrou a carta quando revirava os pertences da avó, falecida há pouco mais de uma semana. A letra, ainda que trêmula, era inconfundível. "Minha neta", começava ela, "sei que você me julgava rígida, talvez injusta. Não me cabe agora justificar-me; o tempo já o fez por mim. Mas quero que saiba que tudo o que fiz — cada palavra dura, cada silêncio imposto — teve em vista teu bem. Não o entenderás agora, e não peço que o entendas. Apenas guarda isto: o amor se revela de muitas formas, e algumas delas são quase impossíveis de reconhecer quando se é jovem. Perdoa-me, se puderes. Se não puderes, que esta carta, pelo menos, te sirva para compreender que também eu fui jovem um dia, e que também me feriram, e que também aprendi a ferir por medo de ser ferida. A casa é tua. Os bens são teus. Mas o que realmente importa está nestas linhas, que agora te entrego, e que guardaram por tanto tempo o que minha boca nunca soube dizer."


TELLES, Lygia Fagundes. As horas nuas. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 p. 50
Considerando a sequência "que também eu fui jovem um dia, e que também me feriram, e que também aprendi a ferir por medo de ser ferida", analise as seguintes afirmações:


I. Os três "que" são conjunções integrantes, introduzindo objetos diretos oracionais do verbo “compreender”, coordenados entre si.

II. O pronome "me" em "me feriram" exerce função de sujeito, indicando que a avó sofreu a ação de ferir; já em "aprendi a ferir", o pronome está ausente porque o verbo "ferir", nesse contexto, causa ambiguidade, que é exatamente a intenção da autora.

III. A estrutura "por medo de ser ferida" está redigida na voz passiva ("ser ferida"), e o agente da passiva está implícito, indeterminando o responsável pelo ato de ferir.

IV. A repetição anafórica de "que também" cria um efeito de intensificação emocional, coesivo e coerente com a confissão da avó, progressivamente reveladora de sua vulnerabilidade.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3975390 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
Assinale a opção correta acerca de aspectos linguísticos pertinentes ao primeiro período do texto 12A1-II: “Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua.”
Alternativas
Q3974697 Português
Considere o seguinte período de Machado de Assis em 'Dom Casmurro': 

'Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles dão ao termo, mas no que lhe pôs o vulgo.'

Sobre a organização sintática desse excerto, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FURB Órgão: FURB - SC Prova: FURB - 2026 - FURB - SC - Motorista |
Q3972837 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Fim da escala 6×1 e combate ao feminicídio ganham as ruas do Carnaval de Salvador na tradicional Mudança do Garcia

A irreverência, alegria e luta popular ganharam mais força em Salvador nesta segunda-feira (16) com a tradicional Mudança do Garcia. A manifestação, que é a mais antiga do Carnaval da Bahia, completa oficialmente 96 anos e reúne gerações que percorrem o Circuito Riachão — do Largo do Garcia até o Campo Grande — no ritmo de blocos percussivos, charangas e minitrios. Para os sindicatos, que também desfilam juntos na festa, este ano a defesa do fim da escala 6×1 e o enfrentamento ao feminicídio são algumas das principais bandeiras de luta que ganham as ruas durante a folia. [...]

(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/02/16/fim-da-escala-6x1-e-comba te-ao-feminicidio-ganham-as-ruas-do-carnaval-de-salvador-na-tradicion al-mudanca-do-garcia/. Acesso em: 23 fev. 2026. Adaptado.)
No texto, há duas orações sublinhadas . Analise-as no contexto e, em seguida, analise as sentenças:
I.A oração "que é a mais antiga do Carnaval da Bahia" tem a função de explicar "manifestação".
II.A segunda oração, "que também desfilam juntos na festa", tem a função de restringir "sindicatos", ou seja, não é qualquer sindicato, mas apenas aqueles que estavam na manifestação.
III.Em ambas as orações, o pronome "que" tem como referente a palavra imediatamente anterior, a saber: manifestação (1ª oração) e sindicatos (2ª oração).
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3972815 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Fim da escala 6×1 e combate ao feminicídio ganham as ruas do Carnaval de Salvador na tradicional Mudança do Garcia

A irreverência, alegria e luta popular ganharam mais força em Salvador nesta segunda-feira (16) com a tradicional Mudança do Garcia. A manifestação, que é a mais antiga do Carnaval da Bahia, completa oficialmente 96 anos e reúne gerações que percorrem o Circuito Riachão — do Largo do Garcia até o Campo Grande — no ritmo de blocos percussivos, charangas e minitrios. Para os sindicatos, que também desfilam juntos na festa, este ano a defesa do fim da escala 6×1 e o enfrentamento ao feminicídio são algumas das principais bandeiras de luta que ganham as ruas durante a folia. [...]

(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/02/16/fim-da-escala-6x1-e-comba te-ao-feminicidio-ganham-as-ruas-do-carnaval-de-salvador-na-tradicion al-mudanca-do-garcia/. Acesso em: 23 fev. 2026. Adaptado.)
No texto, há duas orações sublinhadas. Analise-as no contexto e, em seguida, analise as sentenças:
I.A oração "que é a mais antiga do Carnaval da Bahia" tem a função de explicar "manifestação".
II.A segunda oração, "que também desfilam juntos na festa", tem a função de restringir "sindicatos", ou seja, não é qualquer sindicato, mas apenas aqueles que estavam na manifestação.
III.Em ambas as orações, o pronome "que" tem como referente a palavra imediatamente anterior, a saber: manifestação (1ª oração) e sindicatos (2ª oração).
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3972285 Português
Sobre o sofrimento e sobre a felicidade

        Acho que sabedoria é saber sofrer pelas razões certas. Quem não sofre, quando há razões para isso, está doente. Se uma pessoa querida morre e o coração não sangra, se um golpe duro da vida atinge a quem se ama e os olhos não choram, se uma desgraça cai sobre o povo e a alma não fica triste, se o fogo consome as florestas e o corpo não queima também, é porque algo está errado com a gente.

        Quem é feliz e nunca sofre padece de uma grave enfermidade e precisa ser tratada a fim de aprender a sofrer. Sofrer pelas razões certas significa que estamos em contato com a realidade, que o corpo e a alma sentem a tristeza das perdas e que existe em nós o poder do amor. Só não sofrem, quando para isso há razões, aqueles que perderam a capacidade de amar. Toda experiência de amor traz, encolhida no seu ventre, à espera, a possibilidade de sofrer. Assim, a receita para não sofrer é muito simples: basta “matar” o amor.
   
        Mas que enorme seria a perda se isso acontecesse! Porque é o sofrimento que nos faz pensar. Pensamos ou para encontrar formas de eliminar o sofrimento, quando isso é possível, ou para dar um sentido ao sofrimento, quando ele não pode ser evitado. O pensamento, assim, filho da dor, está a serviço da alegria. Todas as belas conquistas do espírito humano, da poesia à ciência, nasceram assim.
   
        Mas há outros sofrimentos que não nascem de perdas reais. A felicidade pode ser destruída por uma doença que mora em nossos olhos. O que é ilustrada por esta estorieta que gosto de contar:
    
        “Um homem encontra uma garrafa que estava enterrada e, ao abri-la, surpreende-se com a saída de um gênio, que se coloca ao seu serviço. O gênio diz ao homem que pode transformar em realidade todos os seus sonhos.
    
        Tão logo percebe que aquilo era mesmo possível, o felizardo começa a imaginar tudo o que poderia pedir: a juventude, uma beleza física irresistível, palácios deslumbrantes nos quatro cantos do mundo, serviçais, as mais belas mulheres, os melhores vinhos, as comidas mais saborosas, os amigos fiéis. Seus olhos brilham, pois ele sabe que tem nas mãos a chave para a felicidade.
    
        Mas, o gênio calmamente diz ao homem que havia se esquecido de mencionar apenas um detalhe: tudo aquilo que o homem pedisse para si o seu pior inimigo receberia em dobro!
    
        Logo, como que por encanto, a face do sortudo muda de expressão, tornando-se mais séria e mais sombria. Ele para, pensa e, novamente com um sorriso de realização, dirige-se ao gênio para fazer seu único pedido: “quero que me fure um olho”.

ALVES, Rubem. A eternidade numa hora. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2017.
Atente-se aos períodos I e II a seguir para assinalar a alternativa correta.
I. “Acho que sabedoria é saber sofrer pelas razões certas.”
II. “Porque é o sofrimento que nos faz pensar.” 
Alternativas
Q3967445 Português
Texto II


O Natal e o Ano Novo que a mídia vende


    Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder de compra.

     A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.

    Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes  ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa, isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática. Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo insustentável em múltiplas dimensões.


ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
A palavra ‘que’ destacada foi utilizada para retomar um termo antecedente em:
Alternativas
Q3967405 Português
TEXTO I


Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


     Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

     Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas aoenvelhecimentosão universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença e o luto/ São somente meus”.

       A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas.

       Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

        Montaigne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros.”

     Desde Montaigne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

        Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”.

        Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Ó, coração, ó, coração atormentado — esta caricatura/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”

      Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

      Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

        É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

     Bernard Shaw escreveu aos 92 anos: “É mais difícil lidar com o envelhecimento do que com a morte... Acreditar na imortalidade genuína é acreditar no horror inimaginável”.

        Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não-ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.

        Feliz Ano-Novo.


VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo. 31 dez. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
drauziovarella/2025/12/certos-medos-e-angustias-nao-tem-relacao-com-a-idade-e-sao-universais.shtml. Acesso em: 21 jan. 2026. (Adaptado)





TEXTO II


CONSOADA


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 223.




Leia este trecho.

“Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido.”

Assinale a alternativa na qual o termo destacado possui a mesma função sintática da palavra que.  
Alternativas
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Q3965557 Português
Assinale a alternativa que completa, respectivamente, as orações abaixo:

“Eu sei _________.
_______ eu tenho que ir?
Acho que já sei o ________ de ler isso.”
Alternativas
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Q3965552 Português
Na oração “Ela disse que viria.”, a palavra destacada pode ser classificada como:
Alternativas
Q3965386 Português
Operação Nexus Nordeste 2026 apreende 200 mil pés de maconha na Bahia

Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026. A ação ocorreu no domingo (22) e resultou na prisão de dez pessoas, na apreensão de oito veículos, 200 mil pés de maconha e três toneladas da droga pronta para o comércio, além de celulares e armas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), no âmbito da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe). Foram integradas as forças da Polícia Militar da Bahia, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) e a Polícia Federal.

A operação ocorreu durante dois dias e começou com a erradicação de uma extensa plantação de maconha. Os policiais foram surpreendidos por pessoas em oito veículos que tentavam resgatar parte da droga já erradicada, para impedir a incineração. Foram realizados acompanhamentos táticos, dez indivíduos foram presos e os automóveis apreendidos. Nos veículos, a polícia encontrou sacos de maconha.

No dia seguinte, as equipes retornaram às áreas consideradas críticas e fizeram novas varreduras, aplicando técnicas de patrulhamento rural e rastreamento de combate.

No total, além dos veículos e da droga, também foram apreendidas três armas, sendo uma submetralhadora, munição e 12 aparelhos celulares.

A Operação Nexus Nordeste 2026 segue em andamento, reforçando a atuação integrada das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na região.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), reafirma o compromisso com o fortalecimento das Polícias Civis e com a promoção de operações coordenadas voltadas à descapitalização e à desestruturação de organizações criminosas em todo o território nacional.


https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/operacao-nexus-nordeste2026-apreende-200-mil-pes-de-maconha-na-bahia
"Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026."
Avalie a função sintática do vocábulo 'que' no período apresentado e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3964135 Português

Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026. 

Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empregados no trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", analise seus valores sintáticos e discursivos no período complexo, observando a relação entre oração subordinante e elementos retomados ou introduzidos, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3964067 Português

Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.

Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empregados no trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", analise seus valores sintáticos e discursivos no período complexo, observando a relação entre oração subordinante e elementos retomados ou introduzidos, e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3963609 Português
Operação Nexus Nordeste 2026 apreende 200 mil pés de maconha na Bahia


Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026. A ação ocorreu no domingo (22) e resultou na prisão de dez pessoas, na apreensão de oito veículos, 200 mil pés de maconha e três toneladas da droga pronta para o comércio, além de celulares e armas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), no âmbito da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe). Foram integradas as forças da Polícia Militar da Bahia, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) e a Polícia Federal.

A operação ocorreu durante dois dias e começou com a erradicação de uma extensa plantação de maconha. Os policiais foram surpreendidos por pessoas em oito veículos que tentavam resgatar parte da droga já erradicada, para impedir a incineração. Foram realizados acompanhamentos táticos, dez indivíduos foram presos e os automóveis apreendidos. Nos veículos, a polícia encontrou sacos de maconha.

No dia seguinte, as equipes retornaram às áreas consideradas críticas e fizeram novas varreduras, aplicando técnicas de patrulhamento rural e rastreamento de combate.

No total, além dos veículos e da droga, também foram apreendidas três armas, sendo uma submetralhadora, munição e 12 aparelhos celulares.

A Operação Nexus Nordeste 2026 segue em andamento, reforçando a atuação integrada das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na região.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), reafirma o compromisso com o fortalecimento das Polícias Civis e com a promoção de operações coordenadas voltadas à descapitalização e à desestruturação de organizações criminosas em todo o território nacional.


https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/operacao-nexus-nordeste2026-apreende-200-mil-pes-de-maconha-na-bahia 
"Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026."
Avalie a função sintática do vocábulo 'que' no período apresentado e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3963433 Português

Leia o texto a seguir:

 

Os mares na bijuteria

Iesa Rodrigues

 

Se existe um setor, além do jeans e da moda praia, em que o Brasil faz tendências de estilo, é o dos balangandãs. Desde a era das descobertas, somos conquistados por espelhinhos e colares. Nem passaram muitos anos até começarmos a usar a criatividade inata para inventar nossas próprias bijuterias. Afinal, os cocares e adereços das tribos já eram bonitos.

Depois de algumas décadas acompanhando lançamentos nacionais e internacionais, se ainda existe uma vitrine capaz de me surpreender é a destes acessórios irresistíveis. A prova aconteceu nesta semana, na rotineira passagem pelo shopping da Gávea: no lugar da antiga papelaria estavam cordões coloridos, um deles com olhos gregos penduradinhos, um cavalo marinho como pingente, conchas... Pronto: deixei de lado a discussão com o gerente do banco, esqueci de ver o preço dos mouses na loja em frente. Entrei e conversei com a Ana, vendedora, marketeira de mão cheia, garota simpática, que ama a loja e seus produtos. E contou a história:

Michele Coelho, mais conhecida como Mimi Coelho, criava as bijoux da Farm. A demanda cresceu tanto que virou a Lola, marca independente, sem deixar a Farm. Os preços ficam na faixa dos R$150. Nos despedimos com a promessa da Ana escrever para o meu site - ela é poeta! Só fui embora porque entrou uma multidão na pequena loja.

Outra marca de balangandãs é a Morana. Uma gigante do ramo, fundada em 2002, com mais de 300 lojas no país, que nunca se acomodou nas peças básicas ou na pretensão a joias.

A Fresh Vibes, nova coleção inspirada em referências marítimas e celestes, traz pérolas, conchas e elementos orgânicos, um frescor para este alto-verão.

Fala Nara Dutra, Head de Marketing e E-commerce da Morana:

"Fresh Vibes nasce como um convite para viver o verão com mais espontaneidade e conexão com o momento presente. Pensamos em uma coleção versátil, que dialoga com diferentes estilos e ocasiões, mas sempre com esse frescor e brilho que são a essência da estação e da Morana.”

 

Fonte: https://www.jb.com.br/colunistas/iesa-rodrigues/2026/01/1058380-os-mares-na-bijuteria.html. Acesso em 19/01/2026. Excerto

“Uma gigante do ramo, fundada em 2002, com mais de 300 lojas no país, que nunca se acomodou nas peças básicas ou na pretensão a joias” (4º parágrafo). Nesse trecho, a palavra em destaque classifica-se corretamente como:
Alternativas
Q3963349 Português
Operação Nexus Nordeste 2026 apreende 200 mil pés de maconha na Bahia



Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026. A ação ocorreu no domingo (22) e resultou na prisão de dez pessoas, na apreensão de oito veículos, 200 mil pés de maconha e três toneladas da droga pronta para o comércio, além de celulares e armas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), no âmbito da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe). Foram integradas as forças da Polícia Militar da Bahia, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) e a Polícia Federal.

A operação ocorreu durante dois dias e começou com a erradicação de uma extensa plantação de maconha. Os policiais foram surpreendidos por pessoas em oito veículos que tentavam resgatar parte da droga já erradicada, para impedir a incineração. Foram realizados acompanhamentos táticos, dez indivíduos foram presos e os automóveis apreendidos. Nos veículos, a polícia encontrou sacos de maconha.

No dia seguinte, as equipes retornaram às áreas consideradas críticas e fizeram novas varreduras, aplicando técnicas de patrulhamento rural e rastreamento de combate.

No total, além dos veículos e da droga, também foram apreendidas três armas, sendo uma submetralhadora, munição e 12 aparelhos celulares. A Operação Nexus Nordeste 2026 segue em andamento, reforçando a atuação integrada das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na região.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), reafirma o compromisso com o fortalecimento das Polícias Civis e com a promoção de operações coordenadas voltadas à descapitalização e à desestruturação de organizações criminosas em todo o território nacional.



https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/operacao-nexus-nordeste2026-apreende-200-mil-pes-de-maconha-na-bahia
"Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026."
Avalie a função sintática do vocábulo 'que' no período apresentado e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3963030 Português
Operação Nexus Nordeste 2026 apreende 200 mil pés de maconha na Bahia


Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026. A ação ocorreu no domingo (22) e resultou na prisão de dez pessoas, na apreensão de oito veículos, 200 mil pés de maconha e três toneladas da droga pronta para o comércio, além de celulares e armas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), no âmbito da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe). Foram integradas as forças da Polícia Militar da Bahia, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) e a Polícia Federal.

A operação ocorreu durante dois dias e começou com a erradicação de uma extensa plantação de maconha. Os policiais foram surpreendidos por pessoas em oito veículos que tentavam resgatar parte da droga já erradicada, para impedir a incineração. Foram realizados acompanhamentos táticos, dez indivíduos foram presos e os automóveis apreendidos. Nos veículos, a polícia encontrou sacos de maconha.

No dia seguinte, as equipes retornaram às áreas consideradas críticas e fizeram novas varreduras, aplicando técnicas de patrulhamento rural e rastreamento de combate.

No total, além dos veículos e da droga, também foram apreendidas três armas, sendo uma submetralhadora, munição e 12 aparelhos celulares.

A Operação Nexus Nordeste 2026 segue em andamento, reforçando a atuação integrada das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na região.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), reafirma o compromisso com o fortalecimento das Polícias Civis e com a promoção de operações coordenadas voltadas à descapitalização e à desestruturação de organizações criminosas em todo o território nacional.



https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/operacao-nexus-nordeste2026-apreende-200-mil-pes-de-maconha-na-bahia
"Forças de segurança que atuam na zona rural de Brotas de Macaúbas (BA) realizaram mais uma fase da Operação Nexus Nordeste 2026."
Avalie a função sintática do vocábulo 'que' no período apresentado e assinale a alternativa CORRETA. 
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Q3961074 Português

    Aristóteles afirmava que o coração era o órgão responsável pela consciência, pela sensação e pelo movimento, e que o cérebro era uma espécie de “radiador” que servia apenas para resfriar o coração.
    Passados 2.500 anos, essa hipótese pode ser refutada imediatamente por estudos na área das neurociências: é o cérebro que, por meio da complexidade de suas rugas, dobras e tipos celulares, coordena as funções cognitivas e as “automáticas”, como os batimentos do coração e a respiração. Uma reviravolta sem tamanho em relação ao que postulava o filósofo grego. Como disse Karl Popper, um dos maiores filósofos da ciência, “a ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas”.
    Hoje, se você perguntar a qualquer pessoa (incluindo neurocientistas) qual é o “chefe” do nosso corpo, a resposta muito provavelmente vai ser: o cérebro. Porém, novos estudos têm posto em dúvida sua hegemonia como órgão de controle, e quem vem ganhando força é uma região quase tão misteriosa quanto o cérebro: o intestino.
    O intestino tem sido chamado de “o nosso segundo cérebro”, e de fato existe uma abundância de células nervosas vivendo em nossas entranhas. Os neurônios intestinais mantêm um contato direto com o cérebro, podendo ter impacto em nosso comportamento.
    O cérebro e o intestino podem trabalhar juntos ditando nossos pensamentos e ações. Então é possível dizer que o intestino interfere no funcionamento do cérebro e vice-versa, e atualmente até existe uma área de pesquisa voltada somente para o tão falado eixo intestino-cérebro.
    Mas essa história de eixo cérebro-intestino tem potencial de ficar ainda mais interessante: existem evidências científicas de que as bactérias intestinais comandariam o sistema nervoso intestinal e o central. O que parece ser mais extravagante do que a ideia inicial de Aristóteles vem se confirmando, pois estudos demonstram que a microbiota intestinal é capaz de modular nosso comportamento. O intestino humano é colonizado por nada mais nada menos do que surpreendentes 100 trilhões de microrganismos vivos, em sua grande maioria bactérias.
    Estudos recentes reforçam a ideia de que a microbiota intestinal influencia o cérebro e podem provocar uma revolução no tratamento de distúrbios mentais, especialmente diante das dificuldades da neurofarmacologia em fazer medicamentos atravessarem as barreiras cerebrais. A possibilidade de atuar indiretamente no cérebro por meio do intestino, utilizando bactérias e seus metabólitos como mediadores, abre novos caminhos para o desenvolvimento de fármacos. Esse cenário leva até a questionar o conceito de livre-arbítrio, já que organismos microscópicos podem exercer um controle silencioso sobre nossos pensamentos e comportamentos.

Fonte: Folha de São Paulo. Adaptado.
A respeito da distinção entre conjunção integrante e pronome relativo, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.
(1) Conjunção integrante.
(2) Pronome relativo.

( ) “Aristóteles afirmava que o coração era o órgão responsável pela consciência [...]” (1º parágrafo).
( ) “[...] e que o cérebro era uma espécie de ‘radiador’ [...]” (1º parágrafo).
( ) “‘[...] a ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas’.” (2º parágrafo).
( ) “O que parece ser mais extravagante do que a ideia inicial de Aristóteles [...]” (6º parágrafo).
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Q3957955 Português
    Não é possível falar de autonomia de professores sem fazer referência ao contexto trabalhista, institucional e social em que os professores realizam o seu trabalho. Seu desenvolvimento não é apenas uma questão de vontade e livre pensamento por parte dos docentes. As condições reais de desenvolvimento de sua tarefa, bem como o clima ideológico que a envolve, são fatores fundamentais que a apoiam ou a entorpecem. E sem as condições adequadas, o discurso sobre a autonomia pode cumprir apenas duas funções: ou é uma mensagem de resistência, de denúncias, de carências para um trabalho digno e com possibilidades de ser realmente educativo, ou é uma armadilha para os professores, que só pretende fazê-los crer falsamente que possuem condições adequadas de trabalho e que, portanto, o problema é só deles.

CONTRERAS, José. Autonomia de professores. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez, 2002.

A respeito dos mecanismos de coesão gramatical, observe os vocábulos destacados no fragmento de texto e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
61: C
62: C
63: C
64: D
65: B
66: E
67: D
68: C
69: A
70: B
71: A
72: A
73: D
74: C
75: D
76: B
77: A
78: B
79: A
80: D