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Questões de Concurso Sobre formação das palavras: composição, derivação, hibridismo, onomatopeia e abreviação em português

Foram encontradas 2.293 questões

Ano: 2016 Banca: FGV Órgão: MRE Prova: FGV - 2016 - MRE - Oficial de Chancelaria |
Q603140 Português

Texto 2 – No começo era o pé

Sim, no começo era o pé. Se está provado, por descobertas arqueológicas, que há sete mil anos estes brasis já eram habitados, pensai nestas legiões e legiões de pés que palmilharam nosso território. E pensai nestes passos, primeiro sem destinos, machados de pedra abrindo as iniciais picadas na floresta. E nos pés dos que subiam às rochas distantes, já feitos pedra também, e nos que se enfeitaram de penas e receberam as primeiras botas dos conquistadores e as primeiras sandálias dos pregadores; pés barrentos, nus, ou enrolados de panos dos caminheiros, pés sobre-humanos dos bandeirantes que alargaram um império, quase sempre arrastando passos e mais passos em chãos desconhecidos, dos marinheiros dos barcos primitivos e dos que subiram aos mastros das grandes naus. Depois o Brasil se fez sedentário numa parte de seu povo. Houve os pés descalços que carregaram os pés calçados, pelas estradas. A moleza das sinhazinhas de pequeninos pés redondos, quase dispensáveis pela falta de exercício. E depois das cadeirinhas, das carruagens, das redes carregadas por escravos, as primeiras grandes estradas já com postos de montaria organizados, o pedágio de vinténs estabelecido já no século XVIII. Mas além da abertura dos portos, depois da primeira etapa da industrialização, com os navios a vapor, as estradas de ferro, o pé de sete milênios da terra do Brasil ainda faz seu caminho.

                                                                          (Dinah Silveira de Queiroz)

Um dos processos conhecidos de formação de palavras em Português é a chamada “derivação imprópria”, marcada pela criação de uma nova palavra pela modificação de sua classe original. Tal processo aparece em:
Alternativas
Q2867384 Português

O texto a seguir refere-se às questões 11 a 15.


Receita Sustentável

Ingredientes

2 kg de consciência
0,02 g de ambição
3 l de preservação
3 kg de respeito ao próximo
400 g de diferença
½ kg de igualdade econômica
1 kg de igualdade social

Modo de preparo

Use os dois kg de consciência quando for tentado a fazer algo prejudicial ao próximo. Os 0,02 g de ambição somente quando quiser crescer na vida, sem afetar os outros.
Em seguida, use os 3 l de preservação ambiental sempre, até para jogar um papel de bala no local correto.
Então, acrescente ½ kg de igualdade econômica para que seu bolo fique fofo. Despeje 1 kg de igualdade social quando todos estiverem excluindo a minoria.
Para dar um gosto melhor ao bolo, coloque os 3 kg de respeito ao próximo na massa.
Finalmente, bote os 400g de diferença, pois se todo bolo fosse igual, o gosto enjoaria.

Augusto Moraes

Fonte: http://escrevendocomkatita.blogspot.com.br /2012/06/receitas- poeticas.html

Assinale a alternativa cuja palavra escrita com “Ç” apresenta o mesmo processo de derivação da palavra “preservação”.

Alternativas
Q2867367 Português

O excerto a seguir refere-se às questões de 07 a 10.


Charles Astor – Paraquedismo

Em 1931, no Aeroclube de São Paulo, Charles Astor atuou sozinho formando alunos pelo Brasil e foi sem sombra de dúvida o maior incentivador do paraquedismo no Brasil. Em 1941, no Campo dos Afonsos/RJ, aconteceu o primeiro salto coletivo na América do Sul, realizado por 12 alunos de Charles Astor.

Fonte: http://www.quedalivreparaquedismo.com.br/paraquedismo/ historia-do-paraquedismo

A palavra “paraquedismo” é formada por

Alternativas
Q2867365 Português

O excerto a seguir refere-se às questões de 07 a 10.


Charles Astor – Paraquedismo

Em 1931, no Aeroclube de São Paulo, Charles Astor atuou sozinho formando alunos pelo Brasil e foi sem sombra de dúvida o maior incentivador do paraquedismo no Brasil. Em 1941, no Campo dos Afonsos/RJ, aconteceu o primeiro salto coletivo na América do Sul, realizado por 12 alunos de Charles Astor.

Fonte: http://www.quedalivreparaquedismo.com.br/paraquedismo/ historia-do-paraquedismo

Assinale a alternativa correta quanto ao que se afirma a seguir.

Alternativas
Q2867356 Português
O excerto a seguir refere-se às questões 5 e 6.

Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.

Sócrates

Assinale a alternativa correta quanto ao que se afirma a respeito da frase do pensador Sócrates.

Alternativas
Ano: 2015 Banca: IADES Órgão: CRC-MG Prova: IADES - 2015 - CRC-MG - Revisor |
Q2791678 Português

Considerando estruturas linguísticas do texto, é correto afirmar que o vocábulo “planalto” é formado por

Alternativas
Ano: 2015 Banca: IADES Órgão: CRC-MG Prova: IADES - 2015 - CRC-MG - Revisor |
Q2791675 Português

Acerca do conceito de resenha crítica, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2750730 Português

PAISAGEM URBANA


-----São cinco horas da manhã, um nevoeiro cai branco como leite, fria como gelo. Milhões de gotinhas d’água brilham em trilhos de ferro. “Bom dia”, diz Um Homem para o Outro Homem. “Bom dia, por quê?”, pensa o Outro, olhando para o Um. Um Homem inalterável é um poste, que espera o trem na estação quase vazia.

-----É o trem que leva e traz toda a gente ao trabalho, ao centro da cidade, a tantos lugares nenhum. É o trem que chega carregado de pop, popular, população, populacho, que pula que nem pipoca por todos os bairros da capital. Na plataforma uma luz vermelha pisca, enquanto um sinal de alerta grita: blem! Blem! Blem! Na cabeça, tanto do Um como do Outro, as ideias vão e vêm, como os trens. Os trens que não têm remédio, não têm escolha. Apenas vão e vem. É preciso ir em frente.

-----A máquina aparece na curva e vem lenta, grave, forte, grande, imensa. Pára a máquina, desce um branco, uma mulata, o gordo e o magro, dois meninos maluquinhos. Chegada de uns, partida de outros. No meio de um cheiro áspero de fumaça e óleo diesel, o Outro Homem entra no trem. Um Homem continua um poste. Rígido. Concreto. E é só quando uma moça desce a escada do vagão carregando uma mala, cabelo preso com fita e olhar de busca, que o homem-poste tem um sobressalto. Os olhares se encontram. O trem vai e os olhares vêm. O mundo é assim...

-----Outro Homem se foi. Um Homem está feliz.


Marco Antonio Hailer.

Analise as afirmações sobre a formação das palavras retiradas do texto:


I - A palavra “sobressalto” é formada por justaposição assim como “girassol”.

II - idêntico processo de formação de palavra está presente em “trabalho” e “alerta”.

III - A palavra “inalterável” é formada por derivação parassintética.

IV - O sufixo de “nevoeiro” da ideia de intensidade.


Quais afirmativas estão corretas?

Alternativas
Q2055615 Português
Assinalar a alternativa que apresenta ambas as palavras formadas pelo processo denominado derivação sufixal:
Alternativas
Q2055556 Português
Assinalar a alternativa que apresenta uma palavra formada pelo processo denominado composição por justaposição:
Alternativas
Q2042207 Português
As palavras “recordista” e “paraolimpíada” são formadas, respectivamente, pelos processos denominados:
Alternativas
Q1627430 Português

Texto 7


Cultura visual e texto literário: variações

   No início dos anos noventa, num programa matinal da TV Globo dirigido ao público infantil, crianças entravam em disputa por um objeto qualquer, e a que apresentava o pior desempenho recebia, ou melhor, era castigada com um livro. O exemplo dispensa comentários ao estigmatizar a leitura como algo penoso e impertinente, enquanto fortalece uma reserva de mercado para a televisão entre os pixotes. Parece também concordar com a Bíblia, onde se lê no Eclesiastes 12.12: “E de se fazerem livros não há fim. E muita devoção a eles é fadiga para a carne”. E dá sua contribuição à velha guerra dos meios - o cinema acabaria com o teatro, a televisão liquidaria o teatro e o cinema, o CD Rom aposentaria o livro etc. - profecias com as quais os fatos se divertem, pois, na verdade, os veículos se reacomodam uns em relação aos outros, suas linguagens se entre mesclam na mais ora criativa, ora espúria intersemio-se. Pensemos no videogame, que é quadrinho, televisão, arte gráfica, computação, e não exterminou, aparentemente, sequer uma cantiga de roda até agora!

  O que o exemplo não explicita, porém, é seu desejo de impor uma temporalidade vazia. Para o entretenimento é preciso que o tempo passe sem ser notado, sem resistência, macio como o fluir gozoso do consumo. Assiste-se ao Domingão do Faustão para matar o tempo, mas lê-se Grande sertão: veredas para saborear melhor o tempo, enriquecendo-o com outros tempos. É inegável: o entretenimento dessensibiliza, ao passo que a boa literatura sobre-sensibiliza nossa inerência ao tempo, apondo-lhe pelo prazer uma nova qualidade. 


SANTOS, Jair Ferreira dos. Breve, o pós-humano: ensaios

contemporâneos. 2a. ed. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 2003.

A alternativa em que o que se afirma sobre a formação das seguintes palavras, retiradas do texto 1 , não está correto, é
Alternativas
Q1627419 Português
Texto 3

A noção de ‘classe de palavra’ é o conceito-chave de nosso conhecimento da língua como um sistema. É assim que o verbo varia para expressar tempo e pessoa (estão / estamos/ estavam), o substantivo apresenta gênero (o portão / a porta) e varia para expressão de número (o cachorro / os cachorros), características que ele repassa ao adjetivo que o acompanha (preso / presos / presa / presas).

 AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua
Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008. Adaptado.
Ao afirmar que o substantivo “varia a expressão de número”, o autor refere-se à categoria de:
Alternativas
Q1380362 Português

O poeta Jessier Quirino, grande pesquisador popular, faz, de maneira lúdica, inteligente e criativa, um verdadeiro inventário linguístico, a partirdos seus causos. Atente ao fragmento abaixo e responda o que se pede:

Conversa De Manicure


Guaribação de bochecha

Pra limpar cara de jaca

Aparamento de unha

Tiramento de inhaca

Baibeadô de suvaco

Vi tapadô de buraco

Disfaçadô de ressaca.

Vaqueiro fazendo unha

Foi minha grande surpresa!

Sentou-se no mei das feme

Deixou de lado a macheza.

Viúva do mermo dia

Se alegrou da tristeza

E pra fugir do empêrro

Logo depois do enterro

Foi pro salão de beleza.


(Fragmento - Disponível em: >http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-jessier-quirino<. Data da consulta: 15/05/2015.)


Os vocábulos GUARIBAÇÃO, TIRAMENTO, MACHEZA e TRISTEZA, retirados do texto acima, além de bons neologismos (invenção de palavras), são exemplos de:

Alternativas
Q1368125 Português

Uso indevido de celular vira rotina nas escolas

    Na América Latina, estima‐se que 60% das crianças ganham o seu primeiro telefone celular aos 12 anos. Especificamente no Brasil, uma em cada três crianças acessa a internet por dispositivos móveis e a média de idade para se ganhar um celular tem sido 8 anos. Esses números evidenciam o alcance tecnológico na nova geração de brasileirinhos conectados, que segundo uma recente pesquisa do Instituto iStart, – órgão que tem a missão de levar mais educação em Ética e Segurança Digital para as famílias brasileiras – ainda não está recebendo orientações adequadas por parte da família e até da escola para o uso ético, legal, seguro e saudável destes dispositivos digitais.

    O estudo aponta que o mau uso das novas ferramentas tecnológicas no ambiente escolar é frequente e as instituições pesquisadas foram unânimes ao afirmar que já registraram em média 20 ocorrências de utilização inadequada dos dispositivos entre os alunos desde o início do ano letivo de 2015. Os incidentes mais comuns têm sido: cyberbullying (75%), distração, dispersão e interferência no andamento da aula por conta do manuseio do celular (56,25%) e a exposição demasiada de intimidade com o compartilhamento de imagens íntimas de menores de idade (31,25%).

    Na avaliação da Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital e fundadora do Instituto iStart, hoje o celular é uma ferramenta poderosa que funciona como a porta da rua digital, abrindo caminhos para as crianças ficarem expostas a bilhões de pessoas conectadas, onde não há muros nem portas. “Os pais devem alertar seus filhos sobre estes riscos. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a criança, que é o menor até 12 anos incompletos, não pode ficar desacompanhada de um adulto, seja em casa, na rua tradicional ou na internet. Sempre tem que haver um adulto responsável supervisionando e assistindo.”

    A advogada enaltece que a atual realidade interconectada exige preparo para usar essas ferramentas de forma saudável e segura, pois qualquer descuido pode gerar muita dor de cabeça e danos bem reais. “Pais e professores que tiveram toda uma educação mais analógica hoje têm o desafio de precisarem orientar os jovens digitais sobre a importância da boa conduta no uso destes recursos, ajudando‐os a despertar essa visão crítica de que a moda passa, mas o conteúdo fica nas redes e se perpetua na web”, afirma Patricia.

    A Dra. Patricia Peck Pinheiro é advogada especialista em Direito Digital, formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em negócios pela Harvard Business School, curso de Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral e MBA em marketing pela Madia Marketing School. É Sócia Fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, da empresa de cursos Patricia Peck Pinheiro Treinamentos e do Instituto iStart de Ética Digital que conduz o Movimento Família mais Segura na Internet.

(Disponível em: http://www.desafiosdaeducacao.com.br/blog/. Adaptado.)

“Esses números evidenciam o alcance tecnológico na nova geração de brasileirinhos conectados, (...)” (1º§). O termo em destaque apresenta uma formação morfológica semelhante ao do vocábulo
Alternativas
Q1363962 Português

Texto para responder á questão.


Meu amigo Brasílio


        No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.

         - Fica para jantar- ele convidou.

        Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.

        - Ixi, não tenho talheres.

         - Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família.

        - Vendi pela internet. Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão.

         Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.

- Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.

         Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?

         Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.

         Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Historicamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?

        Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.

         Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.

(Denis Russo Burgierman. Disponível em:<http:super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>, acesso em 18/01/2015.) 

Meu amigo Brasílio

    No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.

     - Fica para jantar - ele convidou.

    Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.

    - Ixi, não tenho talheres.

    - Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família. - Vendi pela internet.

    Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão. Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.

    - Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.

    Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?

    Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.

    Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Historicamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?

    Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.

    Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.

(Denis Russo Burgierman. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>, , acesso em 18/01/2015.) 


O substantivo FELICIDADE foi formado pelo processo de:
Alternativas
Q1359064 Português

Texto para responder à questão.

Meu amigo Brasílio

    No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.

    - Fica para ja n ta r- ele convidou.

    Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.

     - Ixi, não tenho talheres.

    - Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família.

    - Vendi pela internet. Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão.

    Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.

     - Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.

    Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?

    Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.

    Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Flistoricamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?

     Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.

    Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.

(Denis Russo Burgierman. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>, acesso em 18/01/2015.)

O substantivo FELICIDADE foi formato pelo processo de:
Alternativas
Q1332653 Português
Considerando o Processo de Formação de Palavras – em qual dos exemplos abaixo está presente um caso de derivação parassintética?
Alternativas
Q1332148 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Diferença entre ricos e pobres alcança maior nível em 30 anos, aponta OCDE



(FONTE: Deutsche Welle – disponível em http://www.cartacapital.com.br/sociedade/diferenca-entre-ricos-e-pobres- alcanca-maior-nivel-em-30-anos-aponta-ocde-8762.html - Texto adaptado especialmente para esta prova.)
Assinale V, se verdadeiro, ou F, se falso, nas seguintes afirmações feitas sobre a estrutura e a formação de palavras do texto.
( ) desigualdade tem prefixo e sufixo, mas não é parassintética. ( ) pós-crise é uma palavra composta por justaposição. ( ) continental e nórdicos têm sufixos que formam adjetivos. ( ) debate é formada por derivação regressiva.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q1250002 Português

LEIA O TEXTO


Na frase: “... contra a Samarco e suas controladoras para criar um fundo de R$ 20 bilhões para iniciativas de minimização dos impactos e indenização.” (linhas 13 e 14) A palavra destacada é formada pelo processo de:
Alternativas
Respostas
1921: B
1922: A
1923: C
1924: E
1925: D
1926: D
1927: E
1928: B
1929: A
1930: B
1931: B
1932: C
1933: C
1934: A
1935: D
1936: D
1937: B
1938: C
1939: C
1940: A