Questões de Concurso Sobre formação das palavras: composição, derivação, hibridismo, onomatopeia e abreviação em português

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Q2349024 Português
Na varanda 


   Já faz parte do anedotário lírico brasileiro aquele episódio (autêntico) de Murilo Mendes caminhando por uma rua, nem sei mais se de Minas ou do Rio. De repente vê uma moça debruçada na janela. Há tanto que não presenciava cena semelhante, comum no interior e em tempos idos, mas praticamente extinta na vida urbana, que, invocado e cheio de entusiasmo, ajoelhou-se e começou a exclamar aos berros, gesticulando com excitação:

   – Mulher na janela, que beleza! Mulher na janela, meus parabéns!

  A moça deve ter fugido assustada, provavelmente sem entender o que aquele homem alto e ossudo saudava com tamanha efusão. Como explicar-lhe que, com certeiro instinto, Murilo identificara e estava fixando para sempre, da maneira espontânea e exuberante que lhe era própria, um flagrante poético perfeito, o milagre que ela própria, sem perceber, corporizava? Moça que, em plena cidade e infensa à agitação a seu redor, dispunha ainda de lazer e prazer para pôr-se à janela e contemplar a rua, os transeuntes, a tarde, as nuvens. Mulher na janela...

  Pois a mim também, há pouco, me foi concedido o privilégio de captar um momento desses, tão impregnados de passado que dir-se-iam irreais nos dias de hoje – coisa de outra civilização. Eram quase duas horas de uma quarta-feira e buscávamos, meu amigo e eu, um lugar tranquilo para almoçar. Apesar do mau tempo, ou por causa dele, todos os restaurantes do Leblon, com mesinhas na calçada, estavam repletos. Numa esquina de Ipanema encontramos um, semivazio, onde se costuma comer uma boa massa, e para lá nos dirigimos às carreiras, impulsionados pela fome e pela chuva. De repente, estacamos diante de um sobradinho, desses que vão se tornando raridade no Rio. Não fizemos o menor comentário, mas ali permanecemos alguns minutos, imóveis, perplexos, enquanto a água ia caindo. A casa estava rodeada por um mínimo jardim e tinha à frente um alpendre também pequenino, protegido da chuva. Nele, um casal de velhinhos conversava. 

  – Velhinhos na varanda! – gritei dentro de mim mesma, deslumbrada. – Que coisa mais linda, velhinhos na varanda! Os dois nem repararam em nossa presença curiosa, ou, se o fizeram, acharam-na corriqueira. Talvez estivessem acostumados a despertar a atenção dos que passavam, pois, ao vê-los, tive imediatamente a certeza de que sentar-se na varanda à hora da sesta era um ritual que ambos executavam regularmente. As cadeiras eram de vime, colocadas uma ao lado da outra; não havia mesa entre elas, só vasos com plantas e flores pelos cantos. Junto à porta aberta, um capacho. Os dois se olhavam, falavam sem pressa, quase sem gestos, e sorriam de leve. Tudo muito devagar, como se nada urgisse, e aquele colóquio, diante da chuva, tivesse a importância natural das coisas mais simples.

  Velhinhos na varanda.... Nem eram assim tão velhos – meu amigo e eu comentamos depois. O diminutivo surgia instintivamente, como demonstração de ternura, e me lembrei do que outro poeta, o Bandeira, explicava a respeito do Aleijadinho, cujo apelido refletia apenas a solidariedade e o carinho que a doença daquele mulato robusto e de boa altura despertava no povo da Vila Rica. Velhos na varanda – não, isso não expressa o que vimos. Eram um velhinho e uma velhinha, numa varanda de Ipanema (ou seria em Mariana?), conversando tranquilamente depois do almoço. Como não confiar na vida, depois desse flash apenas entrevisto, mas tão bonito, tão comovedor, que imediatamente se cristalizou em nós? Em janeiro de 1980, quando a cidade se desequilibra entre a inflação e a violência, quando o mundo assiste, aflito e impotente, aos desvarios que ameaçam dilacerá-lo, quando...

  Um casal de velhinhos se senta na varanda, num começo de tarde chuvosa, e conversa. Sobre quê? Sobre tudo, sobre nada – não interessa. Estão sentados e conversam. Ela nem sequer faz algum trabalho manual, uma blusinha de crochê para a neta, um paninho para colocar debaixo da fruteira da sala; ele não tem nenhum jornal ou livro no colo. Estão ali exclusivamente para conversar um com o outro. Olham a rua distraidamente. O fundamental são eles mesmos, conversando (pouco), sentados nas cadeiras de vime, num dia de semana como qualquer outro.

   É, nem tudo está perdido, pelo contrário, se ainda resta gente que pode e quer cultivar essas delicadas flores do espírito, comentando isso e aquilo, o namoro da empregada, a nova receita de bolo, o último capítulo da novela, o preço da alcatra – esquecida de tudo que é triste e feio e ruim, de tudo que não cabe naquele alpendre úmido. Velhinhos na varanda...

   Enquanto almoçamos, fico imaginando que não há de faltar muito para cumprirem as bodas de ouro; que os filhos se casaram; que devem reunir-se todos no sobrado, para o ajantarado de domingo, gente madura, jovens, meninos, bebês e babás, em torno dos dois velhinhos. Talvez tenham perdido uma filha ainda adolescente, vítima de alguma doença estranha que os médicos não souberam diagnosticar. Talvez tenham feito uma longa viagem à Europa depois que ele se aposentou, ou passado uma temporada nos Estados Unidos quando o caçula esteve completando o PhD. Talvez nada disso. Fico imaginando, mas nenhuma dessas histórias me seduz. Gostei mesmo é do que vi: o casal de velhinhos conversando na varanda.

  Comemos quase em silêncio, meu amigo e eu, sem reparar se a massa estava gostosa. À saída passamos diante do sobradinho, em cujo alpendre não havia mais ninguém.


(Coleção Melhores Crônicas: Maria Julieta Drummond de Andrade. Seleção e prefácio de Marcos Pasche. Global, 2012, pp.187-190. Publicada no livroUm buquê de alcachofras, 1980.)
Considere o trecho: “Como não confiar na vida, depois desse flash apenas entrevisto, mas tão bonito, tão comovedor, que imediatamente se cristalizou em nós?” (7º§). O termo sublinhado “flash” constitui um exemplo de empréstimo linguístico advindo de outro idioma e incorporado a um contexto de língua portuguesa. A esse processo dá-se o nome de:
Alternativas
Q4116114 Português
O texto abaixo servirá de base para a questão


Tiro ao Álvaro.


De tanto levá frechada do teu olhar

Meu peito até parece sabe o quê?

Táubua de tiro ao Álvaro

Não tem mais onde furar

(Não tem mais)

De tanto leva frechada do teu olhar

Meu peito até parece sabe o quê?

Táubua de tiro ao Álvaro

Não tem mais onde furar

(Não tem mais)

De tanto leva frechada do teu olhar

Meu peito até parece sabe o quê?

Táubua de tiro ao Álvaro

Não tem mais onde furar

Teu olhar mata mais do que bala de carabina

Que veneno estriquinina

Que peixeira de baiano 

Teu olhar mata mais que atropelamento de automóver

Mata mais que bala de revórver


Compositores: Joao Rubinato / Oswaldo Molles
No texto acima, os termos "frechada, táubua, automóver" podem ser considerados exemplos de:
Alternativas
Q4113915 Português

Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.





(Disponível em: https://www.todamateria.com.br/preconceito-linguistico/– texto adaptado especialmente para esta prova).

 Cegalla diz que a Morfologia se ocupa da estrutura e da classificação das palavras. Observando as três palavras destacadas (em negrito) no texto, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) As três palavras são da mesma família etimológica, uma vez que possuem a mesma raiz.
( ) A palavra linguista é formada de radical + sufixo.
( ) A palavra linguístico é formada por derivação parassintética.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4113889 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



Povo no Peru pintava os crânios de seus ancestrais




(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/ha-mil-anos-povo-no-peru-pintava-os-cranios-de-seusancestrais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a palavra “pesquisadores”, analise as assertivas abaixo:

I. A palavra foi formada pelo processo de derivação parassintética.
II. Em relação à posição da sílaba tônica, a palavra é paroxítona.
III. Identificam-se dois dígrafos na palavra destacada.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q4111747 Português

A disciplina do amor


Foi na França, durante a Segunda Grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.


Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.


Todos os dias, com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina.


As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.


Lygia Fagundes Teles

Analise as proposições abaixo:


1- No trecho “ Quiseram prendê-lo , distraí-lo ”, os termos destacados classificam-se sintaticamente como objeto direto.



2- No trecho “Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.”, há uma oração subordinada adverbial temporal.



3 -No trecho “A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas...”, o termo destacado classifica-se sintaticamente como adjunto adverbial de lugar.



4 - No trecho “que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia”, o vocábulo destacado foi formado por derivação parassintética.


Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4102894 Português
A questão deve ser respondida com base no Texto 1.


Texto 1


“Essa palavra já (ainda não) foi aportuguesada?” Muitos de nós já fizemos ou ouvimos uma pergunta semelhante. Apesar de muita gente se referir ao aportuguesamento como sendo a adaptação de uma palavra à ortografia do português, muitas vezes formalizado e finalizado com a admissão da forma adaptada a um dicionário da língua, esse fenômeno é muito mais corriqueiro do que imaginamos, pois ocorre também (e principalmente) na pronúncia. Na maior parte das vezes, a pronúncia é, na verdade, a referência para a adaptação ortográfica. A maioria dos falantes de uma língua tende a fazer algum tipo de adaptação a itens lexicais vindos de outra língua, e isso não é diferente para nós, falantes de português do Brasil (PB). Esses pequenos reparos são decorrentes de exigências próprias da língua materna do falante, muitas vezes distintas das encontradas na língua da qual se pega a palavra emprestada, como um som (vogal ou consoante) ou um tipo de sílaba inexistente em sua língua. Chamamos de “nativização” esse conjunto de reparos que modifica, na pronúncia, palavras estrangeiras, deixando-as com características sonoras da língua nativa. Esses reparos se dão, sobretudo, através da substituição de sons e da modificação de sílabas (e do número de sílabas). Apenas para facilitar a exposição, referimo-nos ao processo de adaptação na ortografia como “aportuguesamento” e, na pronúncia, como “nativização” (mesmo que pudéssemos dizer que o aportuguesamento é a nativização típica de falantes de português, às vezes acompanhada pela adaptação ortográfica).


Fonte: DAMULAKIS, Jean Nunes. Como escrevemos e pronunciamos palavras emprestadas no português brasileiro (adaptado). Revista Roseta, dez. 2020.
Em relação à formação das palavras “aportuguesamento” e “nativização”, é correto afirmar que são palavras:
Alternativas
Q4102526 Português
A questão deve ser respondida com base no texto 2.


Texto 2


A burocracia/3


Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito. E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.


Fonte: GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: Editora LPM, 2016.
A palavra “banquinho” é formada pelo processo de:
Alternativas
Q4080481 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como gregos e romanos usavam eletricidade para aliviar dores sem saber gerá-la

A eletroterapia é um conjunto de técnicas médicas e fisioterapêuticas que usa a eletricidade para tratar uma série de lesões e doenças. Entre suas aplicações, estão a reabilitação muscular, o tratamento de dores crônicas, da depressão e de certas lesões cerebrais.

O ser humano compreende a natureza da eletricidade e aprendeu a manipulá-la há pouco tempo, de forma que a eletroterapia é considerada um avanço científico do mundo moderno.

Mas os antigos gregos e romanos tiveram experiências com a eletricidade e chegaram a propô-la como solução para males e enfermidades.

Será que eles tinham dispositivos para gerar e manipular a eletricidade? Não, mas eles dispunham de fontes naturais e acessíveis de eletricidade: os peixes.

A capacidade que algumas espécies de peixes têm de gerar eletricidade é chamada bioeletrogênese.

Esses animais utilizam a eletricidade com diversos propósitos, como a comunicação, a caça, a defesa, a navegação e a caracterização do seu entorno.

Algumas espécies eletrógenas vivem em lugares onde se desenvolveram civilizações importantes, como as arraias-elétricas que habitam o Mar Mediterrâneo ou os peixes-gatos-elétricos da África.

Sabemos que os egípcios, os gregos e os romanos estavam familiarizados com os peixes elétricos, que aparecem representados em baixos-relevos de monumentos egípcios, na cerâmica grega e em mosaicos romanos. 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2lp9x397pdo. Adaptado.
[...] que aparecem representados em 'baixos-relevos' de monumentos egípcios.

O termo destacado é:
Alternativas
Q4079754 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como gregos e romanos usavam eletricidade para aliviar dores sem saber gerá-la

A eletroterapia é um conjunto de técnicas médicas e fisioterapêuticas que usa a eletricidade para tratar uma série de lesões e doenças. Entre suas aplicações, estão a reabilitação muscular, o tratamento de dores crônicas, da depressão e de certas lesões cerebrais.

O ser humano compreende a natureza da eletricidade e aprendeu a manipulá-la há pouco tempo, de forma que a eletroterapia é considerada um avanço científico do mundo moderno.

Mas os antigos gregos e romanos tiveram experiências com a eletricidade e chegaram a propô-la como solução para males e enfermidades.

Será que eles tinham dispositivos para gerar e manipular a eletricidade? Não, mas eles dispunham de fontes naturais e acessíveis de eletricidade: os peixes.

A capacidade que algumas espécies de peixes têm de gerar eletricidade é chamada bioeletrogênese.

Esses animais utilizam a eletricidade com diversos propósitos, como a comunicação, a caça, a defesa, a navegação e a caracterização do seu entorno.

Algumas espécies eletrógenas vivem em lugares onde se desenvolveram civilizações importantes, como as arraias-elétricas que habitam o Mar Mediterrâneo ou os peixes-gatos-elétricos da África.

Sabemos que os egípcios, os gregos e os romanos estavam familiarizados com os peixes elétricos, que aparecem representados em baixos-relevos de monumentos egípcios, na cerâmica grega e em mosaicos romanos. 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2lp9x397pdo. Adaptado.
[...] que aparecem representados em 'baixos-relevos' de monumentos egípcios.

O termo destacado é:
Alternativas
Q4077902 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como gregos e romanos usavam eletricidade para aliviar dores sem saber gerá-la


A eletroterapia é um conjunto de técnicas médicas e fisioterapêuticas que usa a eletricidade para tratar uma série de lesões e doenças. Entre suas aplicações, estão a reabilitação muscular, o tratamento de dores crônicas, da depressão e de certas lesões cerebrais.

O ser humano compreende a natureza da eletricidade e aprendeu a manipulá-la há pouco tempo, de forma que a eletroterapia é considerada um avanço científico do mundo moderno.

Mas os antigos gregos e romanos tiveram experiências com a eletricidade e chegaram a propô-la como solução para males e enfermidades.

Será que eles tinham dispositivos para gerar e manipular a eletricidade? Não, mas eles dispunham de fontes naturais e acessíveis de eletricidade: os peixes.

A capacidade que algumas espécies de peixes têm de gerar eletricidade é chamada bioeletrogênese.

Esses animais utilizam a eletricidade com diversos propósitos, como a comunicação, a caça, a defesa, a navegação e a caracterização do seu entorno.

Algumas espécies eletrógenas vivem em lugares onde se desenvolveram civilizações importantes, como as arraias-elétricas que habitam o Mar Mediterrâneo ou os peixes-gatos-elétricos da África.

Sabemos que os egípcios, os gregos e os romanos estavam familiarizados com os peixes elétricos, que aparecem representados em baixos-relevos de monumentos egípcios, na cerâmica grega e em mosaicos romanos.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2lp9x397pdo. Adaptado.

[...] que aparecem representados em 'baixos-relevos' de monumentos egípcios.



O termo destacado é:  

Alternativas
Q4050916 Português

Papos


— Me disseram...

— Disseram-me.

— Hein?

— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?

— O quê?

— Digo-te que você...

— O “te” e o “você” não combinam.

— Lhe digo?

— Também não. O que você ia me dizer?

— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

— Partir-te a cara.

— Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

— É para o seu bem.

— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...

— O quê?

— O mato.

— Que mato?

— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

— Eu só estava querendo…

— Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!

— Se você prefere falar errado...

— Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?

— No caso... não sei.

— Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

— Esquece.

— Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

— Depende.

— Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.

— Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

— Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

— Por quê?

— Porque, com todo este papo, esqueci-lo.



Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Assinale a alternativa que apresenta a palavra formada pelo processo de composição. 
Alternativas
Q4050683 Português
De acordo com a norma culta da língua portuguesa, assinale a alternativa que indica corretamente um substantivo composto. 
Alternativas
Q4050268 Português

Por que insetos são cruciais para vida na Terra



Vivemos em um planeta de insetos. Eles representam cerca de 70% de todas as espécies conhecidas na Terra e sua biomassa combinada é 16 vezes maior que a dos humanos. Há 300 milhões de anos, libélulas gigantes com envergadura de 75 centímetros voavam entre as samambaias arbóreas. Hoje em dia, os insetos são extraordinariamente diversos, com uma enorme variedade de cores, formas e tamanhos. Eles também desempenham um papel crucial na vida na Terra. Eles servem de alimento para muitos animais, incluindo a maioria dos pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios e peixes de água doce. Cerca de 80% das espécies de plantas selvagens do mundo também dependem de insetos para polinizá-las, assim como três quartos das plantas que cultivamos para alimentação. Não é exagero dizer que, sem os insetos, muitos de nós morreríamos de fome. Mas muitos tipos de insetos em diferentes partes do mundo estão ameaçados. Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes. Um importante estudo de 2020 estimou que os insetos que vivem na Terra estão a diminuir em cerca de 9% por década em todo o mundo. Um estudo alemão descobriu que a biomassa de insetos voadores nas reservas naturais diminuiu alarmantes 76% entre 1989 e 2016. Nos Estados Unidos, as populações de borboleta-monarca diminuíram 80% neste século. Algumas espécies no Reino Unido, como a borboleta-vírgula e as borboletas-malhadinhas, estão contrariando a tendência. Mas de maneira geral, a distribuição geográfica global das borboletas no Reino Unido diminuiu, em média, 42% desde 1976. As espécies invasoras também estão sofrendo. Ratos se alimentaram da tesourinha de Santa Helena, um tipo de lacraia, até levar a espécie à extinção e quase exterminaram o weta gigante da Nova Zelândia, um tipo de gafanhoto. A poluição luminosa também representa um problema, pois atrai as mariposas e as condena à morte e perturba o ciclo de vida dos insetos. Também desorienta alguns besouros que navegam usando a luz da Via Láctea.



“Guerra contra a natureza”


Além de tudo isso, os insetos têm agora que lidar com as mudanças climáticas. Alguns insetos mais adaptáveis, como os mosquitos, as baratas e as moscas domésticas, se beneficiarão de temperaturas mais altas e de mais chuva. Mas a maioria sofrerá. Zangões estão desaparecendo de seus habitats mais ao sul, superaquecendo em seus corpos peludos à medida que o clima esquenta. Secas, inundações e incêndios florestais também podem devastar as populações já ameaçadas. Em 1962, a bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução literal para o português), alertando que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela escreveu: "O homem é parte da natureza" e a sua guerra contra a natureza "é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo". Mas a previsão de Carson era apenas o começo. Desde então, os habitats de vida selvagem ricos em insetos foram destruídos em grande escala. Os solos foram degradados e os rios obstruídos com lodo, poluídos ou drenados. A agricultura, tão dependente dos insetos para a polinização, é responsável por grande parte do seu declínio. Estima-se que 4 milhões de toneladas de pesticidas sejam lançadas no meio ambiente todos os anos.



Então, o que podemos fazer se quisermos proteger nossos insetos? A resposta mais simples está em reestruturar jardins e varandas, plantando flores silvestres e arbustos nativos, reduzindo o corte da relva e encontrando alternativas aos pesticidas. Mas as ações individuais não serão suficientes. Imagine cidades verdes repletas de árvores, hortas e lagos, todas livres de pesticidas e cheias de vida. O movimento para uma agricultura sustentável para insetos e toda a natureza está crescendo, mas precisa de muito mais apoio, tanto por parte de governos como de consumidores. Ainda não é tarde demais. A maioria das espécies de insetos ameaçadas ainda não foi extinta e pode se recuperar rapidamente se for protegida. O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies ao desprendimento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e o avião provavelmente ficará bem. Remova dez, 20 ou 50 e, em algum momento, ocorrerá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm o planeta funcionando. Quantos podem ser removidos com segurança do avião antes que ele caia?


 

BBC News Brasil. Disponível em  <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedgnv3yvlpo>

Assinale a alternativa que apresenta apenas palavras formadas por composição. 
Alternativas
Q4050264 Português

Por que insetos são cruciais para vida na Terra



Vivemos em um planeta de insetos. Eles representam cerca de 70% de todas as espécies conhecidas na Terra e sua biomassa combinada é 16 vezes maior que a dos humanos. Há 300 milhões de anos, libélulas gigantes com envergadura de 75 centímetros voavam entre as samambaias arbóreas. Hoje em dia, os insetos são extraordinariamente diversos, com uma enorme variedade de cores, formas e tamanhos. Eles também desempenham um papel crucial na vida na Terra. Eles servem de alimento para muitos animais, incluindo a maioria dos pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios e peixes de água doce. Cerca de 80% das espécies de plantas selvagens do mundo também dependem de insetos para polinizá-las, assim como três quartos das plantas que cultivamos para alimentação. Não é exagero dizer que, sem os insetos, muitos de nós morreríamos de fome. Mas muitos tipos de insetos em diferentes partes do mundo estão ameaçados. Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes. Um importante estudo de 2020 estimou que os insetos que vivem na Terra estão a diminuir em cerca de 9% por década em todo o mundo. Um estudo alemão descobriu que a biomassa de insetos voadores nas reservas naturais diminuiu alarmantes 76% entre 1989 e 2016. Nos Estados Unidos, as populações de borboleta-monarca diminuíram 80% neste século. Algumas espécies no Reino Unido, como a borboleta-vírgula e as borboletas-malhadinhas, estão contrariando a tendência. Mas de maneira geral, a distribuição geográfica global das borboletas no Reino Unido diminuiu, em média, 42% desde 1976. As espécies invasoras também estão sofrendo. Ratos se alimentaram da tesourinha de Santa Helena, um tipo de lacraia, até levar a espécie à extinção e quase exterminaram o weta gigante da Nova Zelândia, um tipo de gafanhoto. A poluição luminosa também representa um problema, pois atrai as mariposas e as condena à morte e perturba o ciclo de vida dos insetos. Também desorienta alguns besouros que navegam usando a luz da Via Láctea.



“Guerra contra a natureza”


Além de tudo isso, os insetos têm agora que lidar com as mudanças climáticas. Alguns insetos mais adaptáveis, como os mosquitos, as baratas e as moscas domésticas, se beneficiarão de temperaturas mais altas e de mais chuva. Mas a maioria sofrerá. Zangões estão desaparecendo de seus habitats mais ao sul, superaquecendo em seus corpos peludos à medida que o clima esquenta. Secas, inundações e incêndios florestais também podem devastar as populações já ameaçadas. Em 1962, a bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução literal para o português), alertando que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela escreveu: "O homem é parte da natureza" e a sua guerra contra a natureza "é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo". Mas a previsão de Carson era apenas o começo. Desde então, os habitats de vida selvagem ricos em insetos foram destruídos em grande escala. Os solos foram degradados e os rios obstruídos com lodo, poluídos ou drenados. A agricultura, tão dependente dos insetos para a polinização, é responsável por grande parte do seu declínio. Estima-se que 4 milhões de toneladas de pesticidas sejam lançadas no meio ambiente todos os anos.



Então, o que podemos fazer se quisermos proteger nossos insetos? A resposta mais simples está em reestruturar jardins e varandas, plantando flores silvestres e arbustos nativos, reduzindo o corte da relva e encontrando alternativas aos pesticidas. Mas as ações individuais não serão suficientes. Imagine cidades verdes repletas de árvores, hortas e lagos, todas livres de pesticidas e cheias de vida. O movimento para uma agricultura sustentável para insetos e toda a natureza está crescendo, mas precisa de muito mais apoio, tanto por parte de governos como de consumidores. Ainda não é tarde demais. A maioria das espécies de insetos ameaçadas ainda não foi extinta e pode se recuperar rapidamente se for protegida. O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies ao desprendimento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e o avião provavelmente ficará bem. Remova dez, 20 ou 50 e, em algum momento, ocorrerá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm o planeta funcionando. Quantos podem ser removidos com segurança do avião antes que ele caia?


 

BBC News Brasil. Disponível em  <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedgnv3yvlpo>

Considere as seguintes palavras, que ocorrem no texto:

I. catastrófica;

II. tesourinha;

III. extraordinariamente.

As palavras dadas apresentam marcas que indicam diferentes processos de formação. Aquela(s) que apresenta(m) simultaneamente prefixo e sufixo é (são): 
Alternativas
Q3668391 Português
Normose


    Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

    Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

    A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

    Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

    Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes. 


(Martha Medeiros – O pensador: https://www.pensador.com/sobre_professores_martha_ medeiros/. Acesso: 13.09.23) 
Na Língua Portuguesa, ‘‘normose’’ é considerada um: 
Alternativas
Q3625561 Português

Haverá em breve uma vacina contra o câncer?


Empresas de biotecnologia querem lançar em alguns anos imunizantes contra a doença, algo que se tornou possível com a tecnologia de mRNA. Com isso, o câncer pode deixar de ser uma "sentença de morte". Em poucos anos, a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) revolucionou a medicina. Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia. 


Mesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas em pouco tempo graças à tecnologia de mRNA. Mas esse avanço, recentemente agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, pode ainda alcançar muito mais.


A tecnologia de mRNA também deu novo impulso à pesquisa sobre o câncer. O CEO da empresa de biotecnologia CureVac, Alexander Zehnder, quer introduzir no mercado vacinas com base nessa tecnologia em um prazo máximo de cinco anos.


 O desenvolvimento de vacinas contra certos tipos de câncer seria um sonho realizado para a humanidade. "Pesquisas sobre vacinas contra o câncer vêm sendo realizadas há 20 anos. Os progressos atuais, porém, são enormes", afirma Zehnder. "Ganhamos muita experiência durante a pandemia e a inteligência artificial está tão avançada que consegue resolver muitos problemas na programação do mRNA", explicou o chefe da CureVac em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag.


As vacinas contra o câncer estimulam o sistema imunológico de maneira que as defesas próprias do corpo podem combater especificamente as células tumorais. "O fator mortal no câncer é o fato de ele se manter em crescimento. A vacina visa conter esse crescimento, mesmo que o câncer já esteja metastático. O câncer, dessa forma, se torna uma doença crônica com a qual se pode conviver durante décadas. Não é mais uma sentença de morte", disse Zehnder.


Corrida pela vacina


Além da CureVac, outras empresas também investem intensamente em pesquisas contra o câncer. No início de outubro, a empresa BioNTech publicou resultados preliminares promissores de um estudo clínico em andamento. A eficácia de sua vacina de mRNA contra o câncer, CARVac, já está sendo testada em cobaias.


O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse em entrevista à revista alemã Der Spiegel que, segundo sua estimativa, haverá vacinas contra o câncer disponíveis nos próximos anos. "Acreditamos que será possível produzi-las em larga escala antes de 2030", afirmou.



No longo prazo, as vacinas tendem a substituir o tratamento convencional contra o câncer. Isso também seria um fator bastante positivo, uma vez que as terapias com quimioterapia ou radiação são extremamente agressivas para os pacientes.


"A quimioterapia ou a radiação nunca combatem somente o tumor, mas também os tecidos saudáveis. É por isso que há tantos efeitos colaterais", explicou Zehnder. "A vantagem de usar o mRNA é que o sistema imunológico próprio é estimulado e combate especificamente o câncer, e nada mais".



Como funciona a vacina? 


As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer.


O tratamento com as células CAR-T foi aprovado na Europa em 2018 e vem sendo utilizado principalmente no tratamento da leucemia, o chamado câncer sanguíneo. 


No entanto, essa forma bastante eficaz de imunoterapia tem custos impraticáveis para muitos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisas sobre o Câncer da Alemanha, os fabricantes cobram até 320 mil euros pela produção dessas células imunológicas para apenas um paciente.


Nesse tipo de imunoterapia, as células T são filtradas dos leucócitos - os glóbulos brancos - do sangue do paciente. Elas então são geneticamente modificadas para formarem receptores quiméricos de antígeno (CARs) na superfície. Isso resulta em um receptor cujos componentes diferentes não se encaixam. 



Vacinas deixam as células tumorais visíveis


Se as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam especificamente nas células cancerígenas. O sistema imunológico é ativado e ataca as células tumorais. As futuras vacinas podem dar apoio a esse processo se, por exemplo, as células CAR-T não conseguirem encontrar ou estiverem muito enfraquecidas para lutar contra as tumorais.


Para deixar as células tumorais mais visíveis, a proteína Claudin-6 é introduzida na célula cancerígena com ajuda da tecnologia mRNA. Isso cria um antígeno que se aloja na superfície da célula tumoral, tornando-a mais fácil de ser reconhecida e combatida pelas CAR-T.


Até agora, as células T modificadas combatiam somente o câncer sanguíneo. Mas os avanços rápidos na tecnologia de mRNA aumentam as esperanças de que possa haver no futuro terapias eficazes e menos agressivas, não apenas para a leucemia, mas também para outros tipos de câncer.



Retirado e adaptado de: TERRA. Haverá em breve uma vacina contra o câncer? Portal Terra. Disponível em: https://www.terra. com.br/noticias/havera-em-breve-uma-vacina-contra-o-cancer, 60f8d40daa34735e8fe2882052bb273fti7x3zb1.html Acesso em: 09 nov., 2023. 

Haverá em breve uma vacina contra o câncer?


Empresas de biotecnologia querem lançar em alguns anos imunizantes contra a doença, algo que se tornou possível com a tecnologia de mRNA. Com isso, o câncer pode deixar de ser uma "sentença de morte". Em poucos anos, a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) revolucionou a medicina. Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia. 


Mesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas em pouco tempo graças à tecnologia de mRNA. Mas esse avanço, recentemente agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, pode ainda alcançar muito mais.


A tecnologia de mRNA também deu novo impulso à pesquisa sobre o câncer. O CEO da empresa de biotecnologia CureVac, Alexander Zehnder, quer introduzir no mercado vacinas com base nessa tecnologia em um prazo máximo de cinco anos.


 O desenvolvimento de vacinas contra certos tipos de câncer seria um sonho realizado para a humanidade. "Pesquisas sobre vacinas contra o câncer vêm sendo realizadas há 20 anos. Os progressos atuais, porém, são enormes", afirma Zehnder. "Ganhamos muita experiência durante a pandemia e a inteligência artificial está tão avançada que consegue resolver muitos problemas na programação do mRNA", explicou o chefe da CureVac em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag.


As vacinas contra o câncer estimulam o sistema imunológico de maneira que as defesas próprias do corpo podem combater especificamente as células tumorais. "O fator mortal no câncer é o fato de ele se manter em crescimento. A vacina visa conter esse crescimento, mesmo que o câncer já esteja metastático. O câncer, dessa forma, se torna uma doença crônica com a qual se pode conviver durante décadas. Não é mais uma sentença de morte", disse Zehnder.


Corrida pela vacina


Além da CureVac, outras empresas também investem intensamente em pesquisas contra o câncer. No início de outubro, a empresa BioNTech publicou resultados preliminares promissores de um estudo clínico em andamento. A eficácia de sua vacina de mRNA contra o câncer, CARVac, já está sendo testada em cobaias.


O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse em entrevista à revista alemã Der Spiegel que, segundo sua estimativa, haverá vacinas contra o câncer disponíveis nos próximos anos. "Acreditamos que será possível produzi-las em larga escala antes de 2030", afirmou.



No longo prazo, as vacinas tendem a substituir o tratamento convencional contra o câncer. Isso também seria um fator bastante positivo, uma vez que as terapias com quimioterapia ou radiação são extremamente agressivas para os pacientes.


"A quimioterapia ou a radiação nunca combatem somente o tumor, mas também os tecidos saudáveis. É por isso que há tantos efeitos colaterais", explicou Zehnder. "A vantagem de usar o mRNA é que o sistema imunológico próprio é estimulado e combate especificamente o câncer, e nada mais".



Como funciona a vacina? 


As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer.


O tratamento com as células CAR-T foi aprovado na Europa em 2018 e vem sendo utilizado principalmente no tratamento da leucemia, o chamado câncer sanguíneo. 


No entanto, essa forma bastante eficaz de imunoterapia tem custos impraticáveis para muitos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisas sobre o Câncer da Alemanha, os fabricantes cobram até 320 mil euros pela produção dessas células imunológicas para apenas um paciente.


Nesse tipo de imunoterapia, as células T são filtradas dos leucócitos - os glóbulos brancos - do sangue do paciente. Elas então são geneticamente modificadas para formarem receptores quiméricos de antígeno (CARs) na superfície. Isso resulta em um receptor cujos componentes diferentes não se encaixam. 



Vacinas deixam as células tumorais visíveis


Se as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam especificamente nas células cancerígenas. O sistema imunológico é ativado e ataca as células tumorais. As futuras vacinas podem dar apoio a esse processo se, por exemplo, as células CAR-T não conseguirem encontrar ou estiverem muito enfraquecidas para lutar contra as tumorais.


Para deixar as células tumorais mais visíveis, a proteína Claudin-6 é introduzida na célula cancerígena com ajuda da tecnologia mRNA. Isso cria um antígeno que se aloja na superfície da célula tumoral, tornando-a mais fácil de ser reconhecida e combatida pelas CAR-T.


Até agora, as células T modificadas combatiam somente o câncer sanguíneo. Mas os avanços rápidos na tecnologia de mRNA aumentam as esperanças de que possa haver no futuro terapias eficazes e menos agressivas, não apenas para a leucemia, mas também para outros tipos de câncer.



Retirado e adaptado de: TERRA. Haverá em breve uma vacina contra o câncer? Portal Terra. Disponível em: https://www.terra. com.br/noticias/havera-em-breve-uma-vacina-contra-o-cancer, 60f8d40daa34735e8fe2882052bb273fti7x3zb1.html Acesso em: 09 nov., 2023. 

Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, que relaciona palavras do texto com seus processos de formação:


Primeira coluna: Processo de formação

(1)Derivação parassintética.

(2)Derivação regressiva.

(3)Derivação sufixal.

(4)Composição por justaposição.



Segunda coluna: Palavras do texto

(__)radiação

(__)biotecnologia

(__)cancerígenas

(__)desenvolvimento

(__)tratamento

(__)glóbulos brancos



Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:


Alternativas
Q3433114 Português
Quanto ao processo de formação das palavras, marque a alternativa cuja formação ocorre através do acréscimo de um prefixo.
Alternativas
Q3432799 Português

Leia o texto e responda a questão.



Irreverente e subversiva, seu nome é Rita Lee


Bianca Portugal



Na monarquia do rock nacional, o trono máximo sempre foi ocupado por uma mulher: Rita Lee. Ela faleceu no último dia 8/5, aos 75 anos, vítima de câncer de pulmão. Cantora, compositora e multiinstrumentista, a estrela revolucionou a música e também a sociedade como um todo. Ainda cedo, Rita levantou a bandeira do feminismo, lutando, dentro e fora do rock, contra o machismo vigente. Com letras questionadoras, alcançou o top five dos artistas que mais venderam discos na história do País, mas isso parecia pouco para ela. Rita sempre extrapolou o cenário musical, lançou pensamentos revolucionários em entrevistas e, principalmente, em seu dia a dia. A roqueira também encabeçou a defesa pelos direitos dos animais e, além do título de Rainha do Rock, que ela achava cafona, preferindo ser chamada de Padroeira da Liberdade, ostentava a alcunha de Rainha Vegana. Uma grande estrela, que desde os anos 1960 influencia gerações com seu talento, suas convicções e seu modo de viver. [...]


Fonte: https://caras.uol.com.br/revista/irreverente-e-subversiva-seu-nome-e-rita-lee.phtml




A palavra “encabeçou” é formada por um processo de:
Alternativas
Q3253143 Português
NUNCA É TARDE PARA NOS TORNAR QUEM DESEJAMOS SER: O EXEMPLO DE CONCEIÇÃO EVARISTO


Uma das escritoras mais importantes do país, ela se consagrou depois dos 60 anos e hoje expande nosso conhecimento sobre identidade e cultura negra.


Morena (20/07/2023 - 18:06)


    O envelhecimento no mundo em que vivemos é malvisto. Há até um nome para a discriminação que pessoas acima de 50 anos costumam sofrer durante o processo de envelhecer: etarismo. Em 2017, quando passei no vestibular para a Universidade Federal Fluminense, aos 26 anos, me sentia uma espécie de extraterrestre entre dezenas de pessoas entre 17 e 20 anos de idade que estudavam comigo. Ao contrário da maioria, eu trabalhava em tempo integral, dependia do trabalho para obter o meu sustento e não podia me dedicar integralmente aos estudos. Esta sensação de ser velha na faculdade fazia com que eu me sentisse “fora de lugar” naquele ambiente. E cedo demais percebesse que o mundo te olha diferente quando você não faz as coisas “na hora certa”.

    Foi bem nesta fase que conheci mais a fundo a obra da escritora Conceição Evaristo. Lendo sobre sua trajetória descobri que, antes de se tornar uma escritora premiada, até os 20 e poucos anos de idade, Evaristo era empregada doméstica e conciliava seus estudos com o trabalho. Antes de ler sobre sua vida, tinha vergonha de ter sido auxiliar de creche, vendedora, garçonete e de ter começado a trabalhar antes de ingressar no ensino superior. Achava que chegar tão tarde à formação acadêmica era um demérito, de alguma forma. Aquela sensação de desajuste que nos causa uma profunda vergonha foi sumindo conforme conhecia mais sobre a escrevivência que a escritora propunha com seu trabalho literário.

    A escrevivência é a escrita que nasce das experiências de subjetividades de mulheres negras, segundo a autora. Esta perspectiva me fez reavaliar muitas coisas. Quer dizer então que eu poderia escrever sobre minha experiência e expressar de forma autoral minha própria visão de mundo? Me pareceu incrível a percepção de que a experiência poderia ser uma vantagem na minha trajetória, não mais uma fonte inesgotável de constrangimento. De fato, havia muita história para contar e meus horizontes sobre o que eu poderia ser se expandiram.

    Conceição Evaristo formou-se no Curso Normal aos 25 anos em 1971, trabalhou como professora na rede pública de educação no Rio e em Niterói, após passar em concursos. Formouse em Letras na UFRJ na década de 1990, quando também estreou na literatura através dos Cadernos Negros, publicação pioneira de literatura afro-brasileira organizada pelo grupo Quilombhoje. Daí para frente fez mestrado, doutorado, deu aula em universidade, :inclusive internacionais. Em 2003 publicou Ponciá Vivêncio, seu primeiro romance, e em 2015 ganhou o Prêmio Jabuti aos 69 anos de idade. 

    A mineira filha de dona Joana é reconhecidamente uma das escritoras mais importantes do nosso país, suas obras são verdadeiras aulas sobre identidade e cultura negra. Além de sua produção literária, Conceição Evaristo me ensinou que os sonhos são águas que correm fora do rio do tempo. Afinal de contas, nunca estaremos atrasadas para nos tornar quem desejamos ser.


Texto adaptado do site: https://istoe.com.br/mulher/noticia/nunca-etarde-para-nos-tornar-quem-desejamos-ser-o-exemplo-deconceicao-evaristo/, acesso em 20 de julho de 2023.
Assinale a alternativa em que todas as palavras são formadas pelo processo de derivação prefixal:
Alternativas
Q3045472 Português
Qual das palavras abaixo apresenta uma formação parassintética? 
Alternativas
Respostas
621: D
622: B
623: B
624: B
625: C
626: A
627: B
628: A
629: C
630: C
631: D
632: A
633: B
634: C
635: B
636: C
637: A
638: D
639: E
640: B