Questões de Concurso
Comentadas sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português
Foram encontradas 3.545 questões
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A primavera chegou
Há um conto escandinavo, escrito por não sei quem há muitas primaveras, em que o mordomo se curva respeitosamente e anuncia à senhora condessa:
– Com a vossa permissão, a primavera chegou.
– Diga-lhe que seja bem-vinda e pode permanecer três meses em minhas terras.
Então vem o primeiro domingo da primavera. E havia um velho mendigo que tinha uma perna de pau. Suspeitava-se que em sua mocidade houvesse sido um terrível pirata; de qualquer maneira era agora apenas um velho mendigo que pedia esmola todo domingo na porta da igreja. E havia uma rica velhinha que todo domingo dava ao mendigo uma grande moeda de cobre. Naquele domingo, entretanto, por ser o primeiro da primavera, deu-lhe uma grande moeda de ouro. O mendigo sorriu e pediu licença para lhe oferecer uma bela rosa.
– Que rosa tão bela, mendigo. Onde a colheu?
– Nasceu em minha perna de pau, senhora.
Guardei apenas isso do conto escandinavo que li há muitos anos. Lembro-me ainda vagamente de um casal de namorados que sai pelo campo – e a primavera é tão linda que eles esquecem, e voltam mil anos depois, ainda primaveris, em outra primavera…
Mas isso era na Escandinávia, em um daqueles países louros e frios. No Rio será que existe primavera? Proponho que ela exista; apenas o homem distraído não a vê chegar, nem a sente; nossa primavera é sutil e para entrar na cidade não pede licença ao Prefeito.
É claro que falta à nossa gente um pouco de imaginação para sentir, para viver a primavera. Essa gente que espera condução em longas, tediosas filas – por que não aproveita o tempo da espera para fazer rodas e cantar? Imagino a cidade sob esse delírio primaveril; os bondes criariam asas, guiados por condutores de grandes bigodes líricos, e esvoaçariam no céu azul; na Gávea os cavalos ficariam brincando de carrossel e as senhoras e cavalheiros correriam felizes pela pista com flores nos dentes. No cinema, Gina Lolobrigida sairia da tela e viria sentar na poltrona ao meu lado:
– Sim, é bem verdade que me amas? Ouvi o teu suspiro; vi, na penumbra, teus olhos que brilhavam. Quero ficar junto de ti. Io te voglio tanto bene!
Eu me assustaria, mostraria meus papéis, dizendo que devia haver algum engano, eu não era nenhum artista de cinema, não era nem mesmo o Aloísio Sales, era apenas um espectador, o pobre do Braga, obscuro trecho da realidade brasileira…
Mas ela recitaria:
“Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão”.
Iríamos para a amplidão dos mares. E na volta tomaríamos grandes, imortais, chuveiradas. Pois na primavera (faça o que quiser a Inspetoria de Águas) na primavera todos teremos água, pois nascerão fontes líricas no metal das torneiras e de nossas banheiras saltarão peixes voadores que se porão a cantar como verdadeiros gaturamos e nós todos seremos acqua-loucos de felicidade. Primavera!
BRAGA, R. A primavera chegou. Manchete, Rio de Janeiro, 1953. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13047/aprimavera-chegou>.
Atenção: Para responder à questão, considere o texto a seguir.
Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente, e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos da experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem-se as ruas, implanta-se a infraestrutura, depois erguem-se os prédios e, se sobrar espaço, colocam-se uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.
Outra forma de avaliação da cidade seria por meio da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica.
Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstra que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a Praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a Praça São Marcos.
É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis às de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.
Além das árvores e de outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?
(Adaptado de: ECKBO, Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)
Acerca do uso das formas verbais no texto, considere as seguintes afirmativas:
I. Em Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica (2º parágrafo), o verbo têm está no presente do indicativo, em vez de seguir o futuro do pretérito do verbo faria, pois corrobora a asserção da frase imediatamente anterior.
II. A pergunta que termina o texto emprega o verbo construir no futuro do pretérito, de maneira a reforçar a ironia de uma pergunta retórica.
III. Em questionar se eles estão fora de proporção (2º parágrafo), o verbo também pode ser empregado no presente do subjuntivo, estejam, uma vez que é antecedido de conjunção condicional.
Está correto o que consta de
Atenção: Para responder à questão, considere o texto a seguir.
Passo o dia fazendo uma reportagem, não procuro nem pelo telefone nenhum amigo - e quando anoitece e chego ao apartamento sou um homem só nesta cidade de São Paulo. Ligo para dois conhecidos; nenhum está em casa. Perdi há tempos meu caderno de endereços; não encontro a lista de telefone. Tomo um banho, mudo a roupa e saio sozinho, sem programa, pelas calçadas formigantes deste começo de noite paulistana.
A ideia de entrar em um restaurante e jantar sozinho me deixa frio. Entro num desses cafés movimentados da avenida São João, e como um desses pastéis feitos na hora, baratos e quentes com que em outros tempos enganei minha fome, nas noites frias, solitárias e sem dinheiro. Tomo também uma batida, depois peço um sanduiche e mais um pastel e um café; saio para a rua numa vaga noção de estar feliz, andando no meio dessa multidão encapotada que os cinemas de grandes luzes brilhantes vão engolindo em seus enormes ventres negros, onde esses homens e essas mulheres passam duas horas entretidos na mentira de outras vidas em outras terras. Vejo a multidão que sai de um desses cinemas, muitas dessas pessoas se comoveram com a fita, algumas choraram, há famílias enormes que chegam à calçada com um ar desorientado, meio sonâmbulas, e que de repente parecem aflitas de regressar à realidade da rua e de si mesmas, e temem se desagregar no seio da multidão apressada.
Desfilam por mim centenas, milhares de caras, e não conhecer ninguém me dá uma tristeza confortável, essa doçura melancólica da cidade estranha e grande. Entretanto aqui é São Paulo, onde tanto vivi. Entro em um bar ao acaso, mas também não vejo nenhum conhecido; e beber sozinho seria mais triste do que tudo. Agora não procuro mais ninguém; estou apenas vagando pelas ruas, integrado nesse fluir infindável de homens — um homem calado no meio deles, um desconhecido entre desconhecidos, apenas amparado por essa vaga solidariedade feita de alguma coisa de frágil e ao mesmo tempo de hostil, de prevenção e de identidade, que une os transeuntes da mesma rua. E reencontro assim, quase vinte anos depois, mais forte, mais populosa e imponente, a minha São Paulo da vez primeira, onde eu não conhecia ninguém e onde perambulei docemente uma noite inteira, aprendendo a rua com meus olhos e meus pés, gozando devagar o encanto da cidade que escolhera para viver exatamente porque ali não conhecia ninguém.
Mas ouço meu nome; é um amigo que me chama de dentro de um automóvel Subo ao seu carro, vamos encontrar outros amigos em um bar. Na calçada ficou o fantasma solitário, mas livre e lírico, do rapaz aventureiro de antigamente.
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. “O Aventureiro”, Rio de Janeiro: Correio da Manhã, 227/1952. Disponivel em: https:llrubl.casaruibarbosa.gov.br)

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que à destacado no trecho acima está também destacado em:
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
À Beira-Mar
Por que será que tem gente que vive se metendo com o que os outros estão fazendo? Pode haver coisa mais ingênua do que um menininho brincando com areia, na beira da praia? Não pode, né? Pois estávamos nós deitados a doirar a pele para endoidar mulher, sob o sol de Copacabana, em decúbito ventral (não o sol, mas nós) a ler “Maravilhas da Biologia”, do coleguinha cientista Benedict Knox Ston, quando um camarada se meteu com uma criança, que brincava com a areia.
Interrompemos a leitura para ouvir a conversa. O menininho já estava com um balde desses de matéria plástica cheio de areia, quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia funga, e explicou pro cara que ia jogar a areia num casal que estava numa barraca lá adiante. E apontou para a barraca.
Nós olhamos, assim como olhou o cara que perguntava ao menininho. Lá, na barraca distante, a gente só conseguia ver dois pares de pernas ao sol. O resto estava escondido pela sombra, por trás da barraca. Eram dois pares, dizíamos, um de pernas femininas, o que se notava pela graça da linha, e outro masculino, o que se notava pela abundante vegetação capilar, se nos permitem o termo.
— Eu vou jogar a areia naquele casal por causa de que eles estão se abraçando e se beijando muito — explicou o menininho, dando outra fungada.
O intrometido sorriu complacente e veio com lição de moral.
— Não faça isso, meu filho — disse ele (e depois viemos a saber que o menino era seu vizinho de apartamento). Passou a mão pela cabeça do garotinho e prosseguiu: — deixe o casal em paz. Você ainda é pequeno e não entende dessas coisas, mas é muito feio ir jogar areia em cima dos outros.
O menininho olhou pro cara muito espantado e ainda insistiu:
— Deixa eu jogar neles.
O camarada fez menção de lhe tirar o balde da mão e foi mais incisivo:
— Não senhor. Deixe o casal namorar em paz. Não vai jogar areia não.
O menininho então deixou que ele esvaziasse o balde e disse: — Tá certo. Eu só ia jogar areia neles por causa do senhor.
— Por minha causa? — estranhou o chato. — Mas que casal é aquele?
— O homem eu não sei — respondeu o menininho. — Mas a mulher é a sua.
Texto extraído do livro “O melhor do Stanislaw”
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta)
[...] quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia funga, e explicou pro cara que ia jogar a areia num casal que estava numa barraca lá adiante.
Alternativas:
Texto 03

Disponível em: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-2063729898-placa-decorativa-quadro-regras-da-casa. Acesso em: 3 fev. 2025.
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012. p. 19-21 (Adaptado).
Assinale a frase em que essa forma tem valor de futuro.
A importância do papel do farmacêutico na Atenção Básica
A Assistência Farmacêutica envolve um conjunto de atividades/ações que são: a seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia de qualidade dos produtos e serviços, bem como a sua avaliação e acompanhamento de sua utilização, com o objetivo de obter resultados fidedignos e a melhoria na qualidade de vida da população.
Para organização e planejamento da assistência farmacêutica, é necessário que se disponha de recursos humanos qualificados na área da farmácia, aptos para lidar com diversos aspectos dos medicamentos. [...]
No Brasil, a Assistência Farmacêutica é considerada como um conjunto de procedimentos necessários à promoção, prevenção e recuperação da saúde, individual e coletiva, centrado no medicamento, englobando as atividades de pesquisa, produção, distribuição, armazenamento, prescrição e dispensação, esta última entendida como o ato essencialmente de orientação quanto ao uso adequado dos medicamentos e sendo privativa do profissional farmacêutico.
A Assistência Farmacêutica compõe um dos sistemas de apoio à atenção à saúde, com o sistema de apoio diagnóstico e terapêutico e os sistemas de informação em saúde, com o objetivo na garantia do acesso e do uso racional de medicamentos. Uma ferramenta importante que compõe a Assistência Farmacêutica é a gestão técnica da assistência farmacêutica. Ela se caracteriza como um conjunto de atividades farmacêuticas interdependentes e focadas na qualidade, no acesso e no uso racional de medicamentos, ou seja, na produção, seleção, programação, aquisição, distribuição, armazenamento e dispensação dos medicamentos.
Dessa forma, a Assistência Farmacêutica constitui um componente da política de medicamentos, essencial no sistema de saúde, sendo prioritária e imperativa a sua definição, organização e estruturação nos diversos níveis de atenção à saúde, com ênfase no setor público, no marco da “transformação do novo modelo assistencial de vigilância à saúde”.
O farmacêutico tem função importante na Assistência Farmacêutica, na medida em que é o único profissional da equipe de saúde que tem sua formação técnico-científica fundamentada na articulação de conhecimentos das áreas biológicas e exatas. Em relação à atividade do farmacêutico neste teatro de operações, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que esse é o profissional com melhor capacitação para conduzir as ações destinadas à melhoria do acesso e promoção do uso racional dos medicamentos, sendo ele indispensável para organizar os serviços de apoio necessários para o desenvolvimento pleno da assistência farmacêutica.
(dos Santos V. B., da Rosa P. S., Leite F.M.C. A importância do papel do farmacêutico na Atenção Básica. RBPS [Internet]. Em: outubro de 2017. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/rbps/article/view/17715. Adaptado.)
O câncer cada vez mais próximo da cura
Ao realizar uma pesquisa breve no portal de periódicos da Capes, uma das principais referências nacionais no que se refere aos acervos das produções acadêmicas, é possível notar que há 203 resultados para o termo cura do câncer somente nos últimos dois anos. Isso nos ajuda a pressupor uma ideia óbvia: há um desejo incontido dos pesquisadores por tratamentos que tornem o câncer bem menos letal.
Os tratamentos convencionais, principalmente a radioterapia e a quimioterapia, dão uma contribuição importante, mas esbarram fortemente em efeitos colaterais que comprometem a qualidade de vida do paciente durante o combate ao tumor. Minimizar esse sofrimento e potencializar as chances de cura são, portanto, duas estratégias sobre as quais a ciência se debruça todos os dias.
Uma das respostas mais importantes nesse sentido, se não a mais, vem sendo o CAR-T Cell. A técnica é uma revolução na imunoterapia e no combate a alguns tipos de câncer, especialmente a leucemia linfoblástica aguda (LLA), o linfoma não-Hodgkin (LNH) e o mieloma múltiplo. O tratamento consiste na extração de algumas células T, que atuam no sistema imunológico, do próprio paciente. Essas células são então programadas para combater as células cancerígenas, e na sequência são reinseridas no corpo do paciente.
Há uma multiplicação de casos de pacientes que simplesmente se livraram do câncer. Um deles ganhou recentemente uma atenção ampla nos sites de notícias nacionais. Um brasileiro de 61 anos, diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, já havia passado por 45 sessões de quimioterapia sem sucesso, e estava prestes a ser conduzido a cuidados paliativos. Depois de se submeter à imunoterapia com CAR-T Cell, o câncer simplesmente desapareceu.
O grande salto da ciência hoje em relação ao tratamento é sua expansão para outros tipos de câncer. O procedimento é visto como a grande esperança contra os tumores sólidos, como de próstata, de mama e de cérebro. Se a cura do câncer figura entre os temas recorrentes da Capes, não podemos nos furtar de dizer que alguma parte desse acervo é composta também por produções científicas que tratam dos avanços do CAR-T Cell para novas fronteiras.
Hoje, esses estudos se debruçam principalmente sobre a genética do câncer. Grosseiramente, é como se a ciência estivesse produzindo um manual de instruções sobre cada câncer para, através dessa imunoterapia, reprogramar as células T para atacar pontualmente o problema identificado no seu organismo de origem.
É possível classificar, portanto, como uma tendência as chances de já nos próximos anos esse tratamento ser expandido para novos tipos de tumores que hoje ainda não estão no radar da ciência. O CAR-T Cell é um procedimento que pode levar à cura do câncer. E isso leva a comunidade científica a alimentar a esperança de que a profusão de relatos favoráveis à cura logo serão o tema principal das produções acadêmicas neste campo. Quem viver verá.
(Guilherme Muzzi. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao. Acesso em: fevereiro de 2025.)
[...]
Nas entrevistas que fiz enquanto sonhava, os entrevistados mostraram-se muitas vezes mais autênticos, sobretudo mais lúcidos, do que estando eu em vigília” (AGUALUSA, José Eduardo. 2017)
Sobre os trechos retirados do fragmento, afirma-se corretamente que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Comer muitos ovos por dia é saudável?
Segundo alguns nutricionistas consultados, o consumo excessivo e repetido de qualquer alimento é contraindicado.
"Nenhum alimento tem um consumo livre. Nem os
vegetais, legumes ou frutas", diz Antonio Herbert Lancha
Jr., professor da Universidade de São Paulo (USP).
Todos os alimentos devem respeitar uma quantidade
alinhada com nossa necessidade diária."
O ovo é bastante popular entre atletas e fisiculturistas
porque, além de ser um alimento de baixo custo e fácil
preparo, possui proteínas de alta qualidade, colaborando
para a construção e a reparação muscular e, portanto,
para a hipertrofia.
Mas segundo a nutricionista Desire Coelho, doutora em
Ciências pelo Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo (USP), muitos dos hábitos
praticados por fisiculturistas e influenciadores com
rotinas extremas não são embasados pela ciência.
Antonio Lancha Jr. diz que pesquisas demonstram que o
consumo excessivo de ovos provoca uma alteração nas
bactérias do intestino e leva à produção de uma
substância chamada TMAO. Ela, por sua vez, está ligada
ao estímulo da produção de colesterol.
O alto teor de colesterol está associado a um risco
aumentado de doenças cardíacas. Ao mesmo tempo, a
substância desempenha um papel fundamental para a
execução de funções vitais no organismo.
A quantidade de lipídios ingerida com o ovo varia
conforme o hábito de preparação. O ovo cozido, por
exemplo, é considerado muito mais saudável do que o
ovo frito.
A gema é a parte mais gordurosa do ovo. Uma gema de
ovo contém cerca de 185 miligramas de colesterol, que é
mais da metade da quantidade diária de 300 mg
recomendada por órgãos de saúde.
Segundo Lancha Jr., comer apenas a clara em
quantidade excessiva também leva ao aumento da
produção de timol e, consequentemente, à alteração da
capacidade de síntese do colesterol.
Além disso, diz a nutricionista, o excesso de proteína na
alimentação leva à produção de sulfeto de hidrogênio
(H2S), ligado à proliferação de células tumorais no
intestino.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0k58288gd7o.adaptado.
Conjugando a locução verbal destacada no pretérito perfeito do indicativo, tem-se:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
As bolhas de ar de milhões de anos contidas no bloco de gelo mais antigo do mundo
O gelo mais antigo do mundo, datado de um milhão de anos, foi extraído das profundezas da Antártica.
Trabalhando a temperaturas de -35°C, uma equipe de
cientistas extraiu um cilindro de gelo de 2,8 km de
comprimento, maior do que oito torres Eiffel de ponta a
ponta.
Suspensas dentro do gelo, estão bolhas de ar antigas
que os cientistas acreditam que ajudem a resolver um
mistério duradouro sobre a história climática do nosso
planeta.
Os cientistas europeus trabalharam durante quatro
verões na Antártica, competindo contra sete nações para
serem os primeiros a chegar à rocha sob o continente
gelado.
O trabalho ajuda a desvendar um dos maiores mistérios
da história climática do nosso planeta: o que aconteceu
há novecentos mil a um milhão de anos, quando os
ciclos glaciais foram interrompidos e, segundo os
pesquisadores, nossos ancestrais chegaram perto da
extinção.
"É uma conquista incrível", diz Carlo Barbante, professor
da Universidade de Veneza (Itália), que coordenou a
pesquisa.
"Você tem, em suas mãos, um pedaço de gelo com um
milhão de anos e é possível enxergar camadas de cinzas
provenientes de erupções vulcânicas. Vemos as
pequenas bolhas em seu interior, bolhas de ar que
nossos ancestrais respiraram há um milhão de anos", diz
ele.
O local da perfuração fica no platô antártico, no leste do
continente, a quase três mil metros de altitude.
Os núcleos de gelo são vitais para a compreensão dos
cientistas sobre como nosso clima está mudando.
Eles retêm bolhas de ar e partículas que revelam os
níveis de emissões de gases de efeito estufa e a
variação de temperatura que ajudam os cientistas a
traçar como as condições climáticas se alteraram ao
longo do tempo.
Os dados de outros núcleos de gelo ajudaram os
cientistas a concluir que o atual aumento de temperatura
ligado às emissões de gases de efeito estufa é causado
pela queima de combustíveis fósseis pelos seres
humanos.
"Olhamos para o passado a fim de entender melhor
como o clima funciona e como podemos projetá-lo para o
futuro", diz o professor Barbante.
A equipe teve os últimos dias bem tensos, pois
conseguiu perfurar ainda mais fundo do que o previsto pelos dados do radar e o núcleo foi retirado lentamente
da camada de gelo, usando uma máquina de perfuração.
Os especialistas querem entender o que aconteceu no
período chamado de Transição do Pleistoceno Médio.
Esse é o mesmo período em que, de acordo com
algumas teorias, os ancestrais dos seres humanos atuais
quase desapareceram, caindo para cerca de apenas mil
indivíduos.
Os cientistas não sabem se há uma ligação entre essa
quase extinção e o clima, explica Barbante, mas isso
demonstra que é um período incomum.
"O que eles encontrarão é uma incógnita, mas sem
dúvida ampliará nossa janela para o passado do nosso
planeta", disse Barbante à BBC News.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kxkyq7z51o.adaptado.
Conjugando o verbo destacado no pretérito perfeito do indicativo, tem-se:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O que esperar da inteligência artificial em 2025
A inteligência artificial (IA) tornou-se um instrumento fundamental para se enfrentar grandes desafios científicos. Áreas como saúde, astronomia e exploração espacial, neurociência ou mudanças climáticas, entre outras, irão se beneficiar ainda mais no futuro.
O programa AlphaFold — desenvolvido pelo grupo
Alphabet, do Google, e que ganhou o Prêmio Nobel em
2024 — determinou a estrutura tridimensional de 200
milhões de proteínas.
Seu desenvolvimento representa um avanço significativo
na Biologia Molecular e na Medicina. Isso facilita a
concepção de novos medicamentos e tratamentos. Em
2025, esse processo começará e com acesso gratuito ao
AlphaFold para aqueles responsáveis pelo
desenvolvimento de remédios e tratamentos medicinais.
A rede ClimateNet utilizará circuitos neurais artificiais
para realizar análises espaciais precisas de grandes
volumes de dados climáticos, imprescindíveis para
compreender e mitigar o aquecimento global.
A utilização do ClimateNet será essencial em 2025 na
prevenção de eventos climáticos extremos com maior
exatidão.
Agentes autônomos de IA baseados em modelos de
linguagem são a meta para 2025 de grandes empresas
de tecnologia como OpenAI (ChatGPT), Meta (LLaMA),
Google (Gemini) e Anthropic (Claude).
Até agora, estes sistemas de IA fazem recomendações.
Em 2025, no entanto, espera-se que eles tomem
decisões por nós.
Os agentes de IA realizarão ações personalizadas e
precisas em tarefas que não sejam de alto risco, sempre
ajustadas às necessidades e preferências do usuário.
Por exemplo: comprar uma passagem de ônibus,
atualizar a agenda, recomendar uma compra específica
e executá-la.
Eles também poderão responder nosso e-mail — tarefa
que nos toma muito tempo diariamente.
Nessa linha, a OpenAI lançou o AgentGPT e o Google
lançou o Gemini 2.0. Essas plataformas são usadas para
o desenvolvimento de agentes autônomos de IA.
A noção de agentes autônomos levanta questões
profundas sobre o conceito de "autonomia humana e
controle humano".
O que significa realmente "autonomia"?
Esses agentes de IA criarão a necessidade de
pré-aprovação. Quais decisões permitiremos que estas
entidades tomem sem a nossa aprovação direta (sem
controle humano)?
Enfrentamos um dilema crucial: saber quando é melhor ser "automático" na utilização de agentes autônomos de
IA e quando é necessário tomar a decisão, ou seja,
recorrer ao "controle humano" ou à "interação
humano-IA".
O conceito de pré-aprovação ganhará enorme relevância
na utilização de agentes autônomos de IA.
Portanto, precisamos de regulamentação. Isso
proporciona o equilíbrio necessário para o
desenvolvimento de uma IA confiável e responsável e
avançar nos grandes desafios para o bem da
humanidade.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kx2e74jyxo.adaptado.
Conjugando o verbo destacado no futuro do subjuntivo, tem-se: (leve em consideração as alterações, caso seja necessário)