Questões de Concurso Sobre flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo) em português

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Q2442678 Português
Como reescrever o passado? Como refazer um passado que pode estar perdido? É isto que tenta fazer Vinicius Calderoni em sua dramaturgia Museu Nacional [Todas as vozes do fogo]. Texto teatral narrado por Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado na América Latina, conta a História do Brasil a partir da tragédia de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, instituição bicentenária que abrigava mais de 20 milhões de itens de diversas áreas de pesquisa.

Em setembro de 2018, o Brasil acompanhou com estupor o incêndio do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, sede do Museu Nacional, instituição científica e museológica que abrigava mais de 20 milhões de itens das áreas de antropologia, zoologia, geologia, etnologia, paleontologia e arqueologia.Entre eles, Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado na América Latina, um dos únicos remanescentes do fogo.

Pela voz de Luzia e outros personagens componentes do acervo, que interpretam quinze canções inéditas, compostas com a Companhia Barca dos Corações Partidos para o espetáculo, o musical percorre o imenso edifício imperial e, transitando entre passado, presente e futuro, flagra histórias que foram e que poderiam ser, de personagens históricos e de gente comum, de seres animados e inanimados, de objetos materiais e imateriais.



Adaptado de: https://jornalnota.com.br/2024/02/01/museu-nacionaldramaturgia-musical-parte-do-acervo-que-sobreviveu-ao-incendio-paranarrar-o-brasil/. 
Na frase o musical percorre o imenso edifício imperial, o verbo percorre está conjugado no presente do indicativo. Como ficaria a frase se o verbo estivesse conjugado no pretérito perfeito do indicativo?  
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Q2442505 Português
História do brigadeiro: saiba como foi criado o doce favorito dos brasileiros




(Disponível em: receitas.band.uol.com.br/noticias/historia-do-brigadeiro-saiba-como-foi-criado-odoce-favorito-dos-brasileiros-16447860 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Na frase retirada do texto “O brigadeiro Eduardo Gomes não venceu as eleições, mas ganhou uma grande homenagem” há:
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Q2441652 Português
O texto abaixo deve ser lido com atenção para responder à questão:

Na amurada da escuna

    Naquela noite avistamos terra logo após o anoitecer, e a escuna tomou aquela direção. Montgomery deu a entender que era para ali que se dirigia. Estávamos muito longe para poder vê-la em detalhe; a meus olhos, parecia apenas uma longa faixa azulada de encontro à tonalidade azul acinzentada do mar. Dali se elevava uma coluna quase vertical de fumaça que se dissipava no céu.

    O capitão não estava no convés quando a avistamos. Depois de ter despejado sobre mim sua fúria ele havia descido aos tropeções, e ouvi alguém comentar que estava dormindo no chão da própria cabine. O imediato havia assumido o comando; era aquele indivíduo magro e taciturno que eu já vira à roda do leme. Aparentemente, também ele detestava Montgomery, e não dava o menor sinal de perceber nossa presença ali. Comemos todos juntos em um silêncio pesado, depois de algumas tentativas frustradas de minha parte para entabular conversação. Percebi que os homens daquele navio viam meu companheiro de viagem e seus animais de maneira estranhamente hostil. Percebi também que Montgomery era muito reticente quanto ao seu propósito no transporte das criaturas e sobre seu lugar de destino, e, embora curioso quanto a essas duas questões, abstive-me de fazer mais perguntas.

    Depois do jantar, ficamos conversando no tombadilho até que o céu se cobriu de estrelas. Exceto por sons ocasionais vindos do castelo da proa, onde brilhava uma luz amarelada, e um ou outro movimento dos animais nas jaulas, tudo estava quieto. A onça estava encolhida, fitando nos com olhos faiscantes, e era apenas um vulto escuro num canto da jaula. Os cães pareciam adormecidos.

    Montgomery acendeu charutos para nós e pôsse a falar sobre Londres num tom de reminiscência nostálgica, fazendo todo tipo de perguntas sobre as mudanças que teriam ocorrido lá. Falava como um homem que um dia amou a vida que teve num lugar mas que se separou dele para sempre. Fiz comentários sobre este ou aquele aspecto, mas durante todo aquele tempo a estranheza do seu comportamento se infiltrava em minha mente, e enquanto falava eu observava seu rosto estranho e pálido à luz da lanterna pendurada às minhas costas. Depois olhei para o oceano escuro, em cujas sombras estava oculta a sua ilha.

(WELLS, H. G. A ilha do doutor Moreau. Tradução Braulio Tavares. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.)
Identifique o tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto.
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Q2441651 Português
O texto abaixo deve ser lido com atenção para responder à questão:

Na amurada da escuna

    Naquela noite avistamos terra logo após o anoitecer, e a escuna tomou aquela direção. Montgomery deu a entender que era para ali que se dirigia. Estávamos muito longe para poder vê-la em detalhe; a meus olhos, parecia apenas uma longa faixa azulada de encontro à tonalidade azul acinzentada do mar. Dali se elevava uma coluna quase vertical de fumaça que se dissipava no céu.

    O capitão não estava no convés quando a avistamos. Depois de ter despejado sobre mim sua fúria ele havia descido aos tropeções, e ouvi alguém comentar que estava dormindo no chão da própria cabine. O imediato havia assumido o comando; era aquele indivíduo magro e taciturno que eu já vira à roda do leme. Aparentemente, também ele detestava Montgomery, e não dava o menor sinal de perceber nossa presença ali. Comemos todos juntos em um silêncio pesado, depois de algumas tentativas frustradas de minha parte para entabular conversação. Percebi que os homens daquele navio viam meu companheiro de viagem e seus animais de maneira estranhamente hostil. Percebi também que Montgomery era muito reticente quanto ao seu propósito no transporte das criaturas e sobre seu lugar de destino, e, embora curioso quanto a essas duas questões, abstive-me de fazer mais perguntas.

    Depois do jantar, ficamos conversando no tombadilho até que o céu se cobriu de estrelas. Exceto por sons ocasionais vindos do castelo da proa, onde brilhava uma luz amarelada, e um ou outro movimento dos animais nas jaulas, tudo estava quieto. A onça estava encolhida, fitando nos com olhos faiscantes, e era apenas um vulto escuro num canto da jaula. Os cães pareciam adormecidos.

    Montgomery acendeu charutos para nós e pôsse a falar sobre Londres num tom de reminiscência nostálgica, fazendo todo tipo de perguntas sobre as mudanças que teriam ocorrido lá. Falava como um homem que um dia amou a vida que teve num lugar mas que se separou dele para sempre. Fiz comentários sobre este ou aquele aspecto, mas durante todo aquele tempo a estranheza do seu comportamento se infiltrava em minha mente, e enquanto falava eu observava seu rosto estranho e pálido à luz da lanterna pendurada às minhas costas. Depois olhei para o oceano escuro, em cujas sombras estava oculta a sua ilha.

(WELLS, H. G. A ilha do doutor Moreau. Tradução Braulio Tavares. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.)
Marque a alternativa que explica a razão pela qual o verbo “avistamos” está no pretérito perfeito do indicativo na frase “Naquela noite avistamos terra logo após o anoitecer.” 
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Q2441647 Português
O texto abaixo deve ser lido com atenção para responder à questão:

Capítulo 01

    No dia 14 de janeiro de 1862, os membros da Sociedade Real de Geografia de Londres compareceram em peso à sessão convocada pelo presidente. Num discurso interrompido várias vezes por aplausos dos honrados colegas, Sir Francis deulhes uma importante notícia, terminando a comunicação com frases entusiásticas de patriotismo:

    - A Inglaterra sempre esteve à frente de todas as nações pela bravura de seus homens nas viagens de descobertas. O Dr. Samuel Fergusson, um dos seus ilustres filhos, manterá essa tradição. Se a tentativa desse homem, como todos nós esperamos, for coroada de sucesso, ela completará as noções esparsas que temos do continente africano. E, se fracassar, ficará na história como uma das mais ousadas concepções da genialidade humana!

     - Viva! Viva! - gritou a assembleia, arrebatada pelas emocionantes palavras.

    - Um viva para o corajoso Fergusson! - exclamou um dos membros mais expansivos do auditório.

    Gritos de entusiasmo ecoaram por toda a sala.

    A sessão ficou em polvorosa. Todos os audaciosos viajantes, que o espírito de aventura levara aos cinco continentes, estavam presentes, alguns já envelhecidos e cansados. A maioria deles, física ou moralmente, havia escapado de naufrágios, de incêndios, das machadinhas dos índios, dos tacapes de selvagens, do tronco de tortura e dos estômagos dos antropófagos. Por tudo o que já haviam passado não puderam controlar as aceleradas batidas do coração, tão comovidos ficaram com as palavras do orador.

    Aquele discurso ficou na memória de todos os membros da Sociedade Real de Geografia, de Londres.

    E, como na Inglaterra o entusiasmo não se limitava às palavras, foi posta em votação uma ajuda de custo, como encorajamento ao dr. Fergusson, ajuda esta que atingiu o valor de duas mil e quinhentas libras. A grandeza da soma mostrava-se proporcional à importância do projeto.

(VERNE, Júlio. Cinco semanas num balão. Tradução e adaptação de Maria Alice Doria. São Paulo: Melhoramentos, 2013.)
Identifique o tempo verbal predominante no primeiro parágrafo do texto.
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Q2441261 Português
Identifique, nas frases abaixo, o verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. 
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Q2440776 Português
Como fica o verbo PREDIZER conjugado na terceira pessoa do plural no futuro do modo subjuntivo?
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Q2440569 Português
Súplica por uma árvore


        Um dia, um professor comovido falava-me de árvores. Seu avô conhecera Andersen, esse pequeno deus que encantou para sempre a infância, todas as infâncias, com suas maravilhosas histórias. Mas, além de conhecer Andersen, o avô desse comovido professor legara a seus descendentes uma recordação extremamente terna: ao sentir que se aproximava o fim de sua vida, pediu que o transportassem aos lugares amados, onde brincara em menino, para abraçar e beijar as árvores daquele mundo antigo – mundo de sonho, pureza, poesia – povoado de crianças, ramos, flores, pássaros... O professor comovido transportava-se a esse tempo de ternura, pensava nesse avô tão sensível, e continuava a participar, com ele, dessa cordialidade geral, desse agradecido amor à Natureza que, em silêncio, nos rodeia com a sua proteção, mesmo obscura e enigmática.

            Lembrei-me de tudo isso ao contemplar uma árvore que não conheço, e cujo tronco há quinze dias se encontra ferido, lascado pelo choque de um táxi desgovernado. Segundo os técnicos, se não for socorrida, essa árvore deverá morrer dentro em breve: pois a pancada que a atingiu afetou-a na profundidade de sua vida.


(MEIRELES, Cecília. “Suplica por uma árvore”. In: O que se diz e o que se entende. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.)
Marque a alternativa que classifica CORRETAMENTE o tempo e o modo dos verbos destacados no fragmento a seguir.

“O professor comovido TRANSPORTAVA-se a esse tempo de ternura, PENSAVA nesse avô tão sensível, e CONTINUAVA a participar, com ele, dessa cordialidade geral, desse agradecido amor à Natureza que, em silêncio, nos rodeia com a sua proteção, mesmo obscura e enigmática”.
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Q2440181 Português

Estudo aponta aumento de 13,5% em mortes no trânsito

A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes cresceu 2,3% em uma década




Disponível em https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/13899-estudoaponta-aumento-de-13-5-em-mortes-no-transito. Acesso em 15.jan.2023. Adaptado.



O verbo destacado em “[...] houve forte queda na taxa de mortalidade [...]”, transposto para a terceira pessoa do singular do pretérito mais-que-perfeito do indicativo, está corretamente estruturado no item
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Q2439681 Português
Na frase “Fazia bolos todas as manhãs”, podemos dizer que o verbo está:  
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Q2427483 Português

Texto 11A05


        Não negueis jamais ao erário, à administração, à União os seus direitos. São tão invioláveis, como quaisquer outros. O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar-se de escrúpulo, porque são os mais mal defendidos, os que suscitam menos interesse, e os contra cujo direito conspiram a inferioridade na condição com a míngua nos recursos. 


        Preservai, juízes de amanhã, preservai vossas almas juvenis desses baixos e abomináveis sofismas. A ninguém importa mais do que à magistratura fugir do medo, esquivar-se de humilhações, e não conhecer covardia. Todo bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez, que a nada se dobre, e de nada se tenha medo, senão da outra justiça, assente, cá embaixo, na consciência das nações, e culminante, lá em cima, no juízo divino. 


        Não tergiverseis com as vossas responsabilidades, por mais atribulações que vos imponham, e mais perigos a que vos exponham. Nem receeis soberanias da terra: nem a do povo, nem a do poder. O povo é uma torrente, que rara vez se não deixa conter pelas ações magnânimas. A intrepidez do juiz, como a bravura do soldado, arrebata-o e o fascina.


        Os poderosos que investem contra a justiça, provocam e desrespeitam tribunais, por mais que lhes espumem contra as sentenças, quando justas, não terão, por muito tempo, a cabeça erguida em ameaça ou desobediência diante dos magistrados, que os enfrentam com dignidade e firmeza.


        Na missão do advogado também se desenvolve uma espécie de magistratura. As duas se entrelaçam, diversas nas funções, mas idênticas no objeto e na resultante: a justiça. Com o advogado, justiça militante. Justiça imperante, no magistrado.


Rui Barbosa. Oração aos moços. Brasília: Senado Federal,

Conselho Editorial, 2019, p. 61-63 (com adaptações).

Considerando os recursos estilísticos e estruturais e os mecanismos de coesão e coerência do texto 11A05, julgue o item seguinte. 


O texto é construído predominantemente com o emprego de orações com formas verbais no modo subjuntivo. 

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Q2417593 Português
Na campanha, a expressão imperativa do verbo “cuidar” leva a um efeito de sentido que 
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Q2415726 Português

Julgue o item subsequente.


Os modos verbais se dividem em duas categorias: subjuntivo e imperativo. O primeiro, se caracteriza por relatar fatos incertos e duvidosos. Diferentemente do segundo, o qual tece ordens a um determinado locutor.

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Q2406896 Português
Trecho do conto Feliz Aniversário, de Clarice Lispector.

        A família foi pouco a pouco chegando. Os que vieram de Olaria estavam muito bem vestidos porque a visita significava ao mesmo tempo um passeio a Copacabana. A nora de Olaria apareceu de azul-marinho, com enfeite de paetês e um drapejado disfarçando a barriga sem cinta. O marido não veio por razões óbvias: não queria ver os irmãos. Mas mandara sua mulher para que nem todos os laços fossem cortados – e esta vinha com o seu melhor vestido para mostrar que não precisava de nenhum deles, acompanhada dos três filhos: duas meninas já de peito nascendo, infantilizadas em babados cor-de-rosa e anáguas engomadas, e o menino acovardado pelo terno novo e pela gravata.

        Tendo Zilda – a filha com quem a aniversariante morava – disposto cadeiras unidas ao longo das paredes, como numa festa em que se vai dançar, a nora de Olaria, depois de cumprimentar com cara fechada aos de casa, aboletou-se numa das cadeiras e emudeceu, a boca em bico, mantendo sua posição de ultrajada. “Vim para não deixar de vir”, dissera ela a Zilda, e em seguida sentara-se ofendida. As duas mocinhas de cor-de-rosa e o menino, amarelos e de cabelo penteado, não sabiam bem que atitude tomar e ficaram de pé ao lado da mãe, impressionados com seu vestido azul-marinho e com os paetês.

        Depois veio a nora de Ipanema com dois netos e a babá. O marido viria depois. E como Zilda – a única mulher entre os seis irmãos homens e a única que, estava decidido já havia anos, tinha espaço e tempo para alojar a aniversariante –, e como Zilda estava na cozinha a ultimar com a empregada os croquetes e sanduíches, ficaram: a nora de Olaria empertigada com seus filhos de coração inquieto ao lado; a nora de Ipanema na fila oposta das cadeiras fingindo ocupar-se com o bebê para não encarar a concunhada de Olaria; a babá ociosa e uniformizada, com a boca aberta.

        E à cabeceira da mesa grande a aniversariante, que fazia hoje oitenta e nove anos.

(LISPECTOR, Clarice. Feliz aniversário. IN: Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco,1998. Fragmento.)

As formas verbais destacadas em “Mas mandara sua mulher para que nem todos os laços fossem cortados — e esta vinha com o seu melhor vestido para mostrar que não precisava de nenhum deles, [...].” (1º§) são equivalentes quanto ao aspecto temporal por elas indicado, demonstrando a correção do texto. 
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Q2406625 Português
Turismo na própria cidade



Por Hayuni Luiza Schramm



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(Disponível em: www.nunypelomundo.com/turismo-na-propria-cidade/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Na frase “E você, já visitou sua cidade?”, o verbo visitar está conjugado no: 
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Q2405452 Português
Ensinar a alegria


          Muito se tem falado sobre o sofrimento dos professores.

       Eu, que ando sempre na direção oposta, e acredito que a verdade se encontra no avesso das coisas, quero falar sobre o contrário: a alegria de ser professor, pois o sofrimento de se ser um professor é semelhante ao sofrimento das dores de parto: a mãe o aceita e logo dele se esquece, pela alegria de dar à luz um filho.

        Reli, faz poucos dias, o livro de Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro. Bem ao final, à guisa de conclusão e resumo da história, está este poeminha de Rückert:

Nossos dias são preciosos
mas com alegria os vemos passando
se no seu lugar encontramos
uma coisa mais preciosa crescendo:
uma planta rara e exótica,
deleite de um coração jardineiro,
uma criança que estamos ensinando,
um livrinho que estamos escrevendo.


      Este poema fala de uma estranha alegria, a alegria que se tem diante da tristeza que é ver os preciosos dias passando... A alegria está no jardim que se planta, na criança que se ensina, no livrinho que se escreve. Senti que eu mesmo poderia ter escrito essas palavras, pois sou jardineiro, sou professor e escrevo livrinhos. Imagino que o poeta jamais pensaria em se aposentar. Pois quem deseja se aposentar daquilo que lhe traz alegria? Da alegria não se aposenta... Algumas páginas antes o herói da história havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, descobrira que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação fossem os estudantes.

        Ao ler o texto de Hesse, tive a impressão de que ele estava simplesmente repetindo um tema que se encontra em Nietzsche. O que é bem provável. Fui procurar e encontrei o lugar onde o filósofo (escrevo esta palavra com um pedido de perdão aos filósofos acadêmicos, que nunca o considerariam como tal, porque ele é poeta demais, “tolo” demais...) diz que “a felicidade mais alta é a felicidade da razão, que encontra sua expressão suprema na  obra do artista. Pois que coisa mais deliciosa haverá que tornar sensível a beleza? Mas “esta felicidade suprema,” ele acrescenta, “é ultrapassada na felicidade de gerar um filho ou de educar uma pessoa.”

         Passei então ao prólogo de Zaratustra.

Quando Zaratustra tinha 30 anos de idade deixou a sua casa e o lago de sua casa e subiu para as montanhas. Ali ele gozou do seu espírito e da sua solidão, e por dez anos não se cansou. Mas, por fim, uma mudança veio ao seu coração e, numa manhã, levantou-se de madrugada, colocou-se diante do sol, e assim lhe falou: Tu, grande estrela, que seria de tua felicidade se não houvesse aqueles para quem brilhas? Por dez anos tu vieste à minha caverna: tu te terias cansado de tua luz e de tua jornada, se eu, minha águia e minha serpente não estivéssemos a tua espera. Mas a cada manhã te esperávamos e tomávamos de ti o teu transbordamento, e te bendizíamos por isso. Eis que estou cansado na minha sabedoria, como uma abelha que ajuntou muito mel; tenho necessidade de mãos estendidas que a recebam. Mas, para isso, eu tenho de descer às profundezas, como tu o fazes na noite e mergulhas no mar... Como tu, eu também devo descer...

         Abençoa, pois, a taça que deseja esvaziar-se de novo...


        Assim se inicia a saga de Zaratustra, com uma meditação sobre a felicidade. A felicidade começa na solidão: uma taça que se deixa encher com a alegria que transborda do sol. Mas vem o tempo quando a taça se enche. Ela não mais pode conter aquilo que recebe. Deseja transbordar. Acontece assim com a abelha que não mais consegue segurar em si o mel que ajuntou; acontece com o seio, turgido de leite, que precisa da boca da criança que o esvazie. A felicidade solitária é dolorosa. Zaratustra percebe então que sua alma passa por uma metamorfose. Chegou a hora de uma alegria maior: a de compartilhar com os homens a felicidade que nele mora. Seus olhos procuram mãos estendidas que possam receber a sua riqueza. Zaratustra, o sábio, se transforma em mestre. Pois ser mestre é isso: ensinar a felicidade.

        “Ah!”, retrucarão os professores, “a felicidade não é a disciplina que ensino. Ensino ciências, ensino literatura, ensino história, ensino matemática...” Mas será que vocês não percebem que essas coisas que se chamam “disciplinas’’, e que vocês devem ensinar, nada mais são que taças multiformes coloridas, que devem estar cheias de alegria?

          Pois o que vocês ensinam não é um deleite para a alma? Se não fosse, vocês não deveriam ensinar. E se é, então é preciso que aqueles que recebem, os seus alunos, sintam prazer igual ao que vocês sentem. Se isso não acontecer, vocês terão fracassado na sua missão, como a cozinheira que queria oferecer prazer, mas a comida saiu salgada e queimada...

             O mestre nasce da exuberância da felicidade. E, por isso mesmo, quando perguntados sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta: “Sou um pastor da alegria...” Mas, é claro, somente os seus alunos poderão atestar da verdade da sua declaração...




In: ALVES, Ruben. A arte de ensinar. Indaiatuba: ARS Poética Editora Ltda., 1994. Disponível em: http://www.virtual.ufc.br/CursoUCA/ modulo_3/6994779-Rubem-Alves-A-Alegria-de-Ensinar.pdf. Acesso em 28 dez.2023 Adaptado.
Tendo em vista os tempos verbais, no trecho “Algumas páginas antes o herói da história (1) havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se (2) destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, (3) descobrira que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer (4) era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação (5) fossem os estudantes”, enumeram-se cinco formas verbais flexionadas, respectivamente, nos seguintes tempos pretéritos:
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Q2400692 Português
Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau


        A crítica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau (1713-1784), foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofo sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.

       O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.

       Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das artes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito crítico, livre de pressões.



(Adaptado do encarte, sem identificação de autoria, do volume Rousseau - Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 474-475)
É adequada a articulação entre os tempos e os modos das formas verbais na seguinte frase:
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Q2396265 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo
magnético da Terra



          O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual.

         Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição — o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta.

            Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

        O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razões ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

         “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contêm material orgânico (ou seja, material com átomos de carbono)”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração à imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.”

        Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que átomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele.

          A equipa espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo — a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos —, aumente a precisão com que conhecemos a história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).


(Fonte: Superinteressante — adaptado.)
A forma negativa do verbo da frase “Acende a luz” é: 
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Q2394363 Português
TEXTO I


Aula de religião


            Magricela como a Olívia Palito, mulher de Popeye, parecia um galho seco dentro do vestido escuro. Era antipática e ranzinza. Usava óculos de lentes grossas: não enxergava direito, vivia confundindo um aluno com outro.

          A aula de religião não contava ponto nem influía na nossa média, mas a diretora nos obrigava a frequentar.

          Um dia apareceu uma barata na sala de aula. Descobrimos então que Dona Risoleta tinha um verdadeiro horror de baratas: soltou um grito, apontou a bichinha com o dedo trêmulo e subiu na cadeira, pedindo que matássemos. Era uma barata grande, daquelas cascudas. A classe inteira se mobilizou para matá-la. Foi aquele alvoroço.



(SABINO, Fernando. Menino no espelho.
Rio de Janeiro, Record, 1990, p.113)
Considere o fragmento do texto: “...soltou um grito, apontou a bichinha com o dedo trêmulo e subiu na cadeira...”. Marque a alternativa que apresenta o modo e o tempo verbal dos verbos “soltou”, “apontou”, “subiu”.
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Q2394155 Português
Sonho de lesma


Moacyr Scliar



      Ela nasceu lesma, vivia no meio de lesmas, mas não estava satisfeita com sua condição. Não passamos de criaturas desprezadas, queixava-se. Só somos conhecidas por nossa lentidão. O rastro que deixaremos na História será tão desprezível quanto a gosma que marca nossa passagem pelos pavimentos.

        A esta frustração correspondia um sonho: a lesma queria ser como aquele parente distante, o escargot. O simples nome já a deixava fascinada: um termo francês, elegante, sofisticado, um termo que as pessoas pronunciavam com respeito e até com admiração. Mas, lembravam as outras lesmas, os escargots são comidos, enquanto nós pelo menos temos chance de sobreviver. Este argumento não convencia a insatisfeita lesma, ao contrário: preferiria exatamente terminar sua vida desta maneira, numa mesa de toalha adamascada, entre talheres de prata e cálices de cristal. Assim como o mar é o único túmulo digno de um almirante batavo, respondia, a travessa de porcelana é a única lápide digna dos meus sonhos.

      Assim pensando, resolveu sacrificar a vida por seu ideal. Para isso, traçou um plano: tinha de dar um jeito de acabar em uma cozinha refinada. O que não seria tão difícil. Perto dali havia uma horta onde eram cultivadas alfaces: belas e selecionadas alfaces, de folhas muito crespas. Alfaces destinadas a gourmets, sem dúvida. Uma dessas alfaces, raciocinou a lesma, me levará ao destino que almejo. Foi até a horta, à doida velocidade de meio quilômetro por hora, e ocultou-se no vegetal. Que, de fato, foi colhido naquele mesmo dia e levado para ser consumido.

      Infelizmente, porém, a alface não fazia parte de um prato francês, mas sim de um popular e globalizado lanche. Quando a consumidora foi comê-lo constatou, horrorizada, a presença da lesma. Chamado, o gerente a princípio negou a evidência: disse que aquilo era um vestígio de óleo queimado. O que deixou a lesma indignada: eu não sou óleo queimado, bradava, eu sou uma criatura, e uma criatura com um sonho, respeitem meu sonho ou será que, para vocês, nada mais é sagrado, só o direito do consumidor?

      Ninguém a ouviu, claro. Foi ignominiosamente jogada no lixo, junto com suas ilusões de grandeza. E assim descobriu que, quem nasceu para lesma nunca chega a escargot, mesmo viajando de carona em certas alfaces, principalmente viajando de carona em certas alfaces.


SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2002, p. 145-146.
No texto, a sequência textual dominante caracteriza-se pela presença de verbos flexionados no pretérito
Alternativas
Respostas
661: D
662: A
663: C
664: C
665: B
666: A
667: B
668: D
669: D
670: C
671: E
672: A
673: E
674: E
675: C
676: A
677: A
678: D
679: B
680: A