Questões de Concurso
Comentadas sobre figuras de linguagem em português
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Coluna 1 Frases
1. Meu relacionamento com o Flávio é um campo de batalha. 2. Esta carta é tão preciosa como o maior tesouro para mim! 3. Meu gato gosta de ficar no braço do sofá. 4. Bebeu uma garrafa de vinho sozinho.
Coluna 2 Figuras de linguagem
( ) Metonímia ( ) Catacrese ( ) Metáfora ( ) Comparação
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
A cartomante
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na saúde pública; mas assim que obteve um bom “pistolão”, toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não deveria ir para diante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com o auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, à mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era “coisa-feita”, havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa.
Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que é que atrasava sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante,
cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda a espécie de feitiçaria, principalmente
a africana. Rua, etc.”.
Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga
de algum preto-mina, a soldo do seu cunhado, Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.
Arranjou com o primeiro conhecido que encontrou o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria a casa; compraria um terno para Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro, e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito.
O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher.
(Contos completos de Lima Barreto. Por: Lima Barreto. 2010. Adaptado.)
Coluna 1
1. Ele foi veloz feito um avião.
2. Cuidado! A boca do fogão está acesa.
3. Ela já bebeu três latas de Pepsi!
4. Seu olhar penetrante me deixava insegura!
Coluna 2
( ) catacrese.
( ) sinestesia.
( ) comparação.
( ) metonímia.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Julgue o item que se segue.
A catacrese é uma figura de linguagem que ocorre
quando palavras são empregadas em um sentido
figurado por falta de um termo específico que expresse
aquela ideia, como no uso de "braço" em "braço da
cadeira", para indicar partes de objetos que não têm
denominações próprias.
Julgue o item que se segue.
Embora todos os tipos de cartas sejam
predominantemente narrativos, a carta argumentativa
se distingue por apresentar, primordialmente, a função
apelativa da linguagem, com o objeivo de persuadir o
destinatário.
Na frase acima é possível observar a seguinte figura de linguagem:
Qual figura de linguagem encontramos na frase acima?
TEXTO 2
Chuvas intensas e enchentes dos últimos dias já são classificadas como o pior desastre climático da história do Rio Grande do Sul
As chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Sul nos últimos dias deixam um rastro de destruição e mortes. Segundo o último boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado, o evento extremo já causou mais de 100 óbitos e deixou centenas de milhares de desalojados.
O governo gaúcho classifica a situação como "a maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul".
Article information - Author, André Biernath, Camilla Costa e Caroline Souza. Role, da Equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ 16 de
maio de 2024.
“O tempo voa, pois parece que foi ontem que começamos o ano letivo”.
Identifique a figura de linguagem presente na frase:
"Seus olhos são duas estrelas que iluminam meu caminho."
Leia o texto abaixo e responda a quesão a seguir:
Texto 1
"É difícil saber qual é nossa primeira recordação. Lembro distintamente o dia em que completei três anos. Lembro-me de quanto me senti importante. Tomávamos o chá no jardim — uma parte do jardim em que, anos mais tarde, uma rede balançava, suspensa entre duas árvores. A mesa estava repleta de doces, o bolo de aniversário era coberto de glacê e exibia as tradicionais velas. Três Velas. E uma excitante ocorrência — uma minúscula aranha vermelha, tão pequena que eu mal podia enxergá-la, surgira correndo pela toalha. E minha mãe dissera: “É uma aranha que dá sorte, Agatha, um bom augúrio para seu aniversário...”
Texto 2:
"A lebre vivia zombando da tartaruga, porque ela andava muito devagar. Um dia, cansada das humilhações da lebre, a tartaruga propôs-lhe uma corrida entre as duas. A lebre achou a ideia ridícula, porque tinha a certeza que ganharia, e aceitou o desafio rindo: — Aceito o desafio, lebre. Com essa, vou me divertir ainda mais da sua lerdeza."
Texto 3:
"Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía “as reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo.
Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscálo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia
que era tempo indefinido, enquanto o fel não
escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a
adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes
adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito:
como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando
danadamente que eu sofra."
Leia os trechos a seguir e depois responda a questão corretamente:
TRECHO I:
CAPÍTULO PRIMEIRO / DO TÍTULO Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eleslhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração - se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.
TRECHO II:
CAPÍTULO X / ACEITO A TEORIA
Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há
dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos
que são, em resumo, tenores desempregados. Eu, leitor
amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, não só
pela verossimilhança, que é muita vez toda a verdade,
mas porque a minha vida se casa bem à definição.
Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um
quatuor... Mas não adiantemos; vamos à primeira parte,
em que eu vim a saber que já cantava, porque a
denúncia de José Dias, meu caro leitor, foi dada
principalmente a mim. A mim é que ele me denunciou.
Referência bibliográfica: ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio
de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.