Questões de Concurso Comentadas sobre figuras de linguagem em português

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Q3233557 Português
Eu, Etiqueta



Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

(ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa:
Publicações Europa-América, 1989.)
No trecho "Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente)", há um uso deliberado de uma figura de linguagem para enfatizar a perda de individualidade. Qual é essa figura e qual seu efeito no contexto?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2024 - UNESP - Motorista |
Q3232533 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cuidado!

    Se você viu o título desta coluna e imaginou ler um alerta importante, acertou... mas só pela metade. Existe algo que merece, sem dúvida, nossa atenção especial. Estou falando de cuidado, a gentileza com as pessoas, a responsabilidade assumida com alguém ou o carinho e a atenção de fazer o melhor que podemos fazer.
    No meu trabalho, equilibrar arrojo com cautela em relação às informações é essencial para prover conteúdo e análises bem fundamentados, úteis, atualizados e práticos. Esse zelo com o que faço é mais do que uma mera questão de profissionalismo. É respeito com quem dedica tempo e atenção para consumir o conteúdo que produzo. O cuidado que coloco em cada palestra, em cada post em minhas redes sociais é percebido e valorizado. E isso se reflete na confiança que as pessoas depositam em mim. O maior valor do cuidado é interno, não externo. Ou seja, quem cuida do que faz cuida, acima de tudo, de si próprio. Fazer com cuidado traz um sentimento de missão cumprida, de fazer a sua parte.
    Empresas que abraçam os princípios – cuidado com o meio ambiente, com a sociedade e com as próprias empresas – não só contribuem para um mundo melhor, mas também inspiram mais confiança e admiração de clientes. Vivemos um paradoxo interessante: enquanto os valores nas empresas se consolidam, vemos uma nova geração entrando no mercado de trabalho com uma esperança quase cega na tecnologia, especialmente na inteligência artificial. Muitos jovens imaginam que, como a inteligência artificial poderá fazer “tudo”, eles não precisam se dedicar com o mesmo empenho a realizar e aprender tarefas que ficarão obsoletas.
    Ledo engano. A inteligência artificial veio para ficar e mudar nossa forma de viver e trabalhar, mas o cuidado, o capricho e a dedicação são exatamente os elementos humanos que não serão substituídos por máquinas. São a atenção aos detalhes, a responsabilidade e a gentileza que fazem toda a diferença tanto na vida profissional quanto na pessoal. O que não vai mudar, independentemente de qualquer revolução tecnológica, o que nunca perde o valor é o cuidado. Portanto, cuidado com o cuidado.

(Ricardo Amorim, O Estado de S.Paulo, 24 de julho de 2024. Adaptado)
Há palavra ou expressão empregada em sentido figurado na alternativa:
Alternativas
Q3232035 Português
ANTIGUIDADES 


Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela.
(...)


Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.) 


Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.


A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo. 


Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais!
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível. 


Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada. 


Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada. 
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
(…)


Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela
gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira. 


Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
– Valha-me Deus!…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas! 


Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversas
que davam sono.
Antiguidades… 


Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio. 


D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava. 
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
(…) 


D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço. 


Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
(…)  


Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/coracoralina-poemas/ (Adaptado) 
Uma figura de linguagem denominada antítese está presente nos versos da alternativa:
Alternativas
Q3230740 Português
Assinale a alternativa que contenha um exemplo de antítese.
Alternativas
Q3229640 Português
Pertinente a figuras de linguagem, marque a alternativa inverídica.
Alternativas
Q3229555 Português

Qual das figuras de linguagem listadas a seguir está presente nesses versos?



“Marcha o homem sobre o chão


Leva no coração uma ferida acesa


Dono do sim e do não


Diante da visão da infinita beleza” (Caetano Veloso)

Alternativas
Q3225734 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que se observa emprego de vocábulo em sentido figurado.
Alternativas
Q3225430 Português
   Ninguém deveria ser obrigado a gostar de ler. Que cada um seja livre para preferir os trabalhos manuais, os esportes ou o pôquer à leitura e à escrita. Todavia, a apropriação da cultura escrita é desejável por pelo menos três motivos.

   O primeiro é que não estamos mais no tempo em que as exigências técnicas, requeridas por inúmeras tarefas, eram transmitidas pela imitação gestual, e não por uma explicitação verbal. Ser inábil com a escrita é hoje uma pesada desvantagem em uma grande quantidade de setores. E com a aceleração das mudanças pelas quais passamos, cada um, ao longo da vida, será sem dúvida chamado a exercer sucessivamente diversas profissões. A familiaridade com a escrita é um fator decisivo do devir social e, antes disso, do destino escolar, que condiciona em boa parte esse devir. Stéphane Beaud mostrou como a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam, é prejudicial para o seu percurso escolar, e depois universitário. Ele observa que o bloqueio dos meninos em relação à leitura é uma questão fundamental, que condiciona não só o seu acesso aos estudos, mas também a sua relação com a política.

   Com efeito, é muito mais difícil ter voz ativa no espaço público quando se é inábil no uso da cultura escrita, e essa é a segunda razão pela qual ninguém deveria ser excluído dela. Ter familiaridade com a leitura, assim como com a escrita, não é suficiente e não garante nada, mas quem está distante dela corre todos os riscos de ficar fora do jogo. No momento em que a visibilidade midiática, os signos exteriores de riqueza, a cultura técnica ou o desempenho esportivo parecem prevalecer sobre os valores literários, o poder permanece, o que quer que digam, ligado à escrita. Se o atual presidente da república francesa se exibe muito mais em parques de diversões ou com cantores populares do que em livrarias, contrariamente a diversos de seus predecessores, é em uma biblioteca, ante os livros, que ele posa para a fotografia oficial. E, no cotidiano, ele se aconselha com homens de letras.

   O terceiro motivo é que o recurso à cultura escrita permite não apenas aceder ao campo do saber e da informação, mas ainda lançar mão das imensas reservas da literatura, sob todas as suas formas, cuja riqueza é indubitavelmente sem igual para que o ser humano possa se construir ou se reconstruir na adversidade. Certamente, não é o único meio e, em muitos casos, não é um recurso suficiente. Entretanto, somos seres de linguagem e seres de narrativas, e estas possuem um valor reparador.


(Michèle Petit. A arte de ler ou como resistir à adversidade, 2021. Adaptado)
O trecho em que se observa a presença de comparação é:
Alternativas
Q3223251 Português
Cinema antigo


Os pequenos prazeres da vida, curtidos quase secretamente, exigem certo refinamento não ao alcance de qualquer um. Requerem uma habilidade especial, igual à dos pássaros ao sugar o néctar das menores flores. Já os grandes prazeres pedem cenário, câmaras e razoável plateia. A felicidade dos artistas de televisão, por exemplo, é uma coisa pública, para ser compartilhada, fotografada, invejada. Quanta alegria eles demonstram ao exibir sua mansão, seus carros ou quando são flagrados fazendo compras em Paris ou Nova York, ocasiões sempre aproveitadas para dar aquelas declarações inteligentes!

Há prazeres de todos os tamanhos, como os domésticos, inocentes. O meu favorito parece obra de maníaco. Conforta- -me, porém, não ser o único desse clube. Aí, entra minha mulher, Ismênia, e diz a vocês:

– Ele é maluco por filmes antigos. Aqueles do Humphrey Bogart, vocês sabem.

Sim, filmes de preferência em preto e branco. Feitos antes das cores e dos chatíssimos efeitos especiais, tão ao alcance de qualquer diretor sem talento. Não há nada mais delicioso que ver um policial noir1 , numa noite de sexta-feira, tomando uma dose de uísque e mordiscando salgadinhos.

Alguns são velhos conhecidos. Como “Os Assassinos”, baseado em Hemingway2 , primeira versão de 1946, com Burt Lancaster e Ava Gardner. Outros nem tanto, aí procuro descobrir em que ano foram produzidos. Há várias pistas: as roupas que os atores usam, a marca e o modelo dos carros, o estilo dos móveis e as referências históricas. Concentro-me em todos os detalhes. Às vezes peço socorro a Ismênia se a chave do enigma está no penteado ou no vestido.

– Ah, eu já sei esse. Esteve na moda por volta de 1960.

Adoro filmes, como “Falcão Maltês” ou “Pacto Sinistro”, que são adaptações de romances marcantes. Algo todos tinham em comum, além do roteiro primoroso, a fumaça. Os atores e atrizes fumavam desbragadamente; era preciso assoprar para apreciar certas cenas. Outro item, a beleza estonteante das Ava, Rita, Marlene3 . Enchiam a tela.

Não haveria lugar para os Stallone, com seus equipamentos mortíferos. No lugar de armas de grande poder de fogo, imperavam os lances de inteligência, demolidoras frases de espírito ou certeiros socos no queixo. Tudo elegante, sofisticado, chiquérrimo. Os próprios fora da lei usavam smoking, e rolava uma trilha sonora de Cole Porter ou Gershwin. Então o bom ficava ainda melhor.

– Você vai assistir a esse filme de novo? – pergunta minha mulher.

– Sim, querida.

– Se assistir, vou para um hotel.

Não suporto mais. Não me preocupo; ela só cumpriu a ameaça umas cinco vezes.


(Marcos Rey. Coleção melhores crônicas: Marcos Rey. Seleção de Anna Maria Martins. Global editora. Adaptado)

1. policial noir: romances e filmes baseados em histórias de investigação e suspense.
2. Ernest Hemingway (1899-1961): escritor norte-americano.
3. Ava, Rita, Marlene: Ava Gardner, Rita Hayworth, Marlene Dietrich.
Considere as passagens do texto.

•  ... ocasiões sempre aproveitadas para dar aquelas declarações inteligentes! (1o parágrafo)
•  ... era preciso assoprar para apreciar certas cenas. (7o parágrafo)
•  Então o bom ficava ainda melhor. (8o parágrafo)

Nas passagens indicadas, é correto afirmar que o autor expressa suas ideias, respectivamente, por meio de:
Alternativas
Q3202779 Português

Leia este texto de Graciliano Ramos e responda a seguir


"Meu pai e o proprietário sumiram-se, foram cuida r de negócios, numa daquelas conversas cheias de gritos. Minha mãe e eu ficamos cercados de saias"


A palavra destacada tem com mulher uma relação de interdependência, de implicação. Ao empregá-la no lugar do vocábulo "mulheres", o escritor usou a seguinte figura de linguagem:

Alternativas
Q3202347 Português

Leia o Texto 2 para responder a questão.


Texto 2


Odisseia espacial 2024: não apenas para astronautas


2023 foi um ano único para o Espaço, com os Starlinks ganhando destaque no uso militar e o ISRO da Índia colocando o Chandrayaan 3 no Polo Sul da Lua. O espaço não é mais apenas para astronautas, privilegiados ou apenas para homens; é a nova fronteira para o comércio. EUA e China estão em um confronto cósmico, com serviços como imagens de satélite se tornando tão comuns quanto seu café da manhã. Esqueça “o céu é o limite” – em 2024, o céu é apenas o começo. A paisagem espacial está pronta para uma transformação dramática à medida que tecnologias emergentes convergem para revolucionar o comércio espacial. Serviços de satélite, exploração espacial e atividades em órbita se tornarão comuns, impulsionados por uma fusão de cooperação internacional e competição estratégica. E não esqueçamos, que em 2024 podemos ter Lauren Sanchez, parceira de Jeff Bezos, liderando uma tripulação totalmente feminina em um voo espacial, a bordo do foguete New Shepard, da Blue Origin.


Disponível em: <https://www.somosicev.com/blogs/page/2/> . Acesso em: 20 ago. 2024. [Adaptado].

O trecho “em 2024 podemos ter Lauren Sanchez, parceira de Jeff Bezos, liderando uma tripulação totalmente feminina em um voo espacial” funciona no texto como um recurso 
Alternativas
Q3200664 Português
Assinale a alternativa em que a figura de linguagem disposta é corretamente exemplificada.
Alternativas
Q3198922 Português
Identifique a alternativa em que o termo destacado apresenta a figura de linguagem denominada CATACRESE.
Alternativas
Q3188025 Português

Leia o poema a seguir para responder à questão.


Os ombros suportam o mundo



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.


Carlos Drummond de Andrade

Considere os versos a seguir, retirados do poema:

I. E o coração está seco.
II. E nada espera de teus amigos.
III. Ficaste sozinho, a luz apagou-se.

Há expressão de sentido figurado apenas em:
Alternativas
Q3185342 Português
Assinale a alternativa que contenha a figura de linguagem denominada antonomásia: 
Alternativas
Q3178162 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bater perna


Mineiro que é mineiro quando sai de casa quer resolver o mundaréu de convites que estava devendo.


Ele demora para largar o aconchego de seu lar, mas, quando decide, não quer perder a viagem. Pretende aproveitar o máximo do tempo para dar conta da blitz afetuosa e quitar a lista de intenções do ano passado.


Não é mais um passeio, e sim uma romaria. Se perigar, é capaz de visitar cinco pessoas no sábado, com um tiquinho de café num, um tiquinho de broa no outro, jamais recusando provar os petiscos.


Confunde-se com um trem: várias estações a descer até o fim dos trilhos. Não é à toa que suspira "trem" para qualquer "treco".


Mineiro é supersticioso. Não aceita abrir a boca em vão.


Pressinto a correria da esposa no momento em que confessa que a família vem reclamando que anda sumida e que, se continuar sem dar notícias, pensará que ela morreu. Aliás, mineiro apenas aceita notícias pessoalmente, caso contrário não acredita.


Conversar por telefone ameniza a saudade, ajuda um pouco a entender o problema, porém não substitui a presença em carne e osso. Aqui é São Tomé com Phd: só tocando para crer.


Minha esposa quando fala que vai visitar uma tia é uma parcela da verdade: pretende visitar todas as suas tias. É a tia Norma. É a tia Geni. É tia Therezinha. É tia Naná. Será o dia das tias. O dia exclusivo da tiarada.


Não pode deixar nenhuma de fora, para não ser injusta. Pois se uma fica sabendo, o risco da desilusão é iminente. Uma tia pode se sentir preterida e não atender mais as ligações. Mineiro quando se chateia simplesmente não atende mais as ligações. Finge-se de surdo. O silêncio é a sua terrível vingança: desaparece de repente para gerar preocupação, obrigando quem fez a desfeita a ir a sua casa e bater à porta.


A culpa em Minas está diretamente ligada ao amor. Você se vê culpado até por aquilo que não aconteceu.


Força-se a alegria com medo da tragédia.


Ela parte de manhãzinha e somente voltará à noite. Para não render o assunto comigo, avisa que será rapidinho. Leia-se rapidinho em cada uma das trocentas paradas. Já estarei dormindo, certamente, em seu regresso. Nem me preocupo mais como antes. 


Às vezes acredito que está em permanente campanha eleitoral, tentando desesperadamente não perder os votos que possuía.


Assim como há a data reservada para as tias, ainda tem o dia dos primos, dos tios, dos tios-avós, dos amigos, dos colegas de trabalho. A sorte que é filha única e sobrou um dia para mim, senão teria ainda o dia dos irmãos.


Nunca vi ninguém cuidar tanto da família como o mineiro. Não suporta o adeus, muito menos tolera o tchau. É inté! (traduzindo: volte logo, sem desculpas).


Disponível em Acesso em 25 nov 2024

No texto, o autor utiliza várias figuras de linguagem para tornar a narrativa mais expressiva e reforçar características culturais do mineiro. No trecho "Confunde-se com um trem: várias estações a descer até o fim dos trilhos", assinale a alternativa que identifica corretamente a figura de linguagem predominante e sua função no contexto.
Alternativas
Q3176744 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não é preciso procurar muito para encontrar algum conflito que coloca duas ou mais pessoas - ou grupos - em posições ideológicas opostas, especialmente quando o tema é política. Porém, há alguns anos, esse debate no Brasil e no mundo tem se tornado cada vez mais intenso e menos amigável. Com certeza, algum leitor que está aqui nessa matéria cortou contato com familiares ou deixou de tocar no assunto para não inflamar ainda mais o ambiente. Mas quando foi que a política começou a ficar tão dividida, a ponto de a que vivemos hoje ser considerada uma guerra ideológica?


Luiz Felipe Gonçalves de Carvalho, sociólogo, filósofo e escritor, acredita que é da natureza da política que ela seja mesmo dividida e acolha o dissenso. "Como diria o filósofo francês Jacques Rancière, caso contrário, não seria política, e sim polícia", argumenta. O problema, segundo ele, surge quando a polarização não consegue ser moderada como deveria e acaba fortalecendo os extremismos. "Isso acontece, em geral, em épocas de incertezas sociais extremas, como guerras, revoluções e crise de fome", exemplifica.


Revista Mente Afiada − Ano 2, Nº 17 − agosto de 2024 (adaptado)

No trecho "Com certeza, algum leitor que está aqui nessa matéria cortou contato com familiares ou deixou de tocar no assunto para não inflamar ainda mais o ambiente. Mas quando foi que a política começou a ficar tão dividida, a ponto de a que vivemos hoje ser considerada uma guerra ideológica?", a única opção que contém uma palavra empregada em sentido figurado é
Alternativas
Q3174019 Português

Leia o texto para responder à questão.


Aliança de delinquentes


    Após a visita do ditador Kim Jong-un à Rússia em 2023, Vladimir Putin retribuiu a gentileza e viajou, pela primeira vez em 24 anos, à Coreia do Norte. Os frutos imediatos são mais munição para Moscou em troca de um arremedo de legitimidade para o tirano mais isolado do mundo. Há mais coisas no escambo. Os dois anunciaram uma “parceria estratégica ampla”, cujos detalhes são desconhecidos. Mas, apesar das declarações de Putin sobre os laços históricos dos dois países e das juras de Kim por um “relacionamento inquebrantável de companheiros de armas”, a profundidade dessa parceria tem limites, e China e Coreia do Sul não deixarão de enfatizá-los.

    Uma das poucas coisas que Pyongyang* tem em abundância são granadas e mísseis a granel para municiar a guerra de atrito da Rússia na Ucrânia. Moscou expandiu as exportações de combustíveis e alimentos à Coreia do Norte, que ademais serve a Putin como laboratório para testar mecanismos para burlar sanções e sabotar instituições multilaterais. O risco maior e mais opaco é a transferência de tecnologias militares russas ligadas a satélites, submarinos, foguetes hipersônicos e, sobretudo, arsenais nucleares.

    À China interessa o prolongamento da guerra na Europa, mas não sua escalada; interessa a sustentação do regime de Kim, mas não seu empoderamento; interessa o confronto com o Ocidente, mas não a percepção de que ela compõe um “bloco” ou “eixo” com Rússia e Coreia do Norte.

    Nem por isso o Ocidente pode negligenciar a necessidade de fortalecer parcerias no Pacífico e explorar as dissensões entre os “amigos” autocratas. Os dois parecem cada vez mais desesperados, isolados e acuados. Mas tudo isso os torna mais, não menos perigosos.


(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 20.06.2024. Adaptado)


*Capital da Coreia do Norte

Está empregado em sentido figurado o termo destacado em:
Alternativas
Q3174009 Português
Para responder à questão, considere a obra “Brincando com a linguagem: fluência e compreensão de leitura: linguagem escrita dos 7 aos 10 anos para educadores e pais” (Mousinho et al., 2019).
Analise a seguinte frase: “Diante do perigo, meu amigo foi um leão”. Esse é um exemplo de: 
Alternativas
Q3174008 Português
Para responder à questão, considere a obra “Brincando com a linguagem: fluência e compreensão de leitura: linguagem escrita dos 7 aos 10 anos para educadores e pais” (Mousinho et al., 2019).
Analise a seguinte frase: “Estou lendo Monteiro Lobato”. Esse é um exemplo de:
Alternativas
Respostas
461: D
462: B
463: D
464: A
465: C
466: A
467: D
468: D
469: E
470: B
471: A
472: A
473: B
474: E
475: B
476: C
477: D
478: C
479: B
480: C