Questões de Concurso
Sobre encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato em português
Foram encontradas 934 questões
Texto I
Como lidar com colegas desagradáveis no ambiente de trabalho (por João Xavier)
Veja o que fazer para sobreviver à influência dos colegas desagradáveis sem prejudicar seu desenvolvimento
Colegas de trabalho desagradáveis não são raridade. Aprendemos desde cedo a lidar com quem nos desagrada. Isso porque toda família, toda escola, todo condomínio (ou turma da rua) tem aquele coleguinha que extrapola nas piadinhas, é “grudento”, desanimado ou inconveniente.
A primeira estratégia que desenvolvemos é a de fugir da pessoa, evitando compartilhar do mesmo espaço físico. Essa tática parece estar ligada ao nosso instinto de sobrevivência, pois é natural ao ser humano evitar aquilo que causa desconforto – reagimos de maneira automática quando sentimos frio, calor, medo ou nojo.
Essa técnica funciona bem, mas o problema é que em ambientes profissionais nem sempre é possível evitar o contato, principalmente quando há relações de troca, cooperação ou subordinação com pessoas chatas.
Como se trata de uma estratégia primitiva, será que podemos desenvolver algo mais eficiente para lidar com essa situação?
Sugestões de como lidar com essas pessoas no ambiente de trabalho:
1. Saiba o que incomoda
Primeiramente faça uma análise profunda sobre o que mais o(a) incomoda em determinada pessoa. Como disse Freud: “Aquilo que te incomoda nos outros tem muito a dizer sobre você”. É provável encontrar pontos de simetria, o que poderá contribuir com o seu autoconhecimento, conhecimento do colega e consequente melhoria da relação.
2. Não compartilhe defeitos
Feita a análise, por favor: não compartilhe os defeitos encontrados naquela pessoa nem com ela e nem com outros colegas. Guarde para si todas as imperfeições e compartilhe apenas aquilo que contém potencial de melhoria. A técnica do reforço positivo é muito mais eficiente do que a crítica – acredite!
3. Não forneça muita informação sobre você
Uma versão mais elaborada do “fugir da pessoa” é o que chamo de não dar ousadia. A principal diferença entre elas é que não dar ousadia significa não fornecer informações que possam aumentar o contato com a pessoa, como pontos em comum, assuntos para conversas, informações pessoais. A ideia é manter as transações apenas no que tange as relações profissionais. E por falar em relações profissionais, ser profissional em suas relações significa: ser educado, respeitoso, cooperativo e facilitador.
4. Preserve seu (bom) humor
Por fim, não se deixar abalar com a situação. Só existe uma pessoa capaz de alterar seu humor: você! No final das contas é você quem decide como vai lidar internamente com os acontecimentos do seu dia a dia. Como disse Dalai Lama: “não deixe que o comportamento dos outros tire a sua paz”.
Importante: lembre-se de que ninguém é chato porque quer. O chato, normalmente, não sabe que é chato e por isso é digno de compaixão. Posso ser eu, pode ser você ou seu irmão Então, depende de nós encontrarmos meios de transformar as relações conflituosas em cooperativas e amistosas.
(Texto adaptado especificamente para este concurso. O texto base está disponível em https://profissoes.vagas.com.br/4-passos-paralidar-com-colegas-de-trabalho-desagradaveis/ sob o título: 4 passos para lidar com colegas de trabalho desagradáveis, de João Xavier)
I. A palavra “você”: “vo- cê” é dissílaba e oxítona terminada em “e”.
II. A palavra “família”: “fa-mí-lia” é trissílaba e paroxítona terminada em ditongo crescente.
III. A palavra “físico”: “fí-si-co” é polissílaba e paroxítona terminada em ‘o’, portanto, recebe acentuação gráfica.
Estão corretas as afirmativas:
I. As palavras “amanhecido” e “expatriado” são formadas por derivação parassintética.
II. A palavra “companhia” contém um encontro consonantal e um dígrafo.
III. “Padaria” é uma palavra que contém um ditongo aberto.
Quais estão corretas?
Transtorno de compulsão alimentar

(https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/compulsaoalimentar.htm)
Fernando Sabino, 100 anos: memórias de um escritor brasileiro em Londres

Durante visita à Universidade de Oxford, Fernando Sabino foi convidado por dois professores para um drinque. No bar, um deles dirigiu-se ao garçom — espantou-se o escritor — como quem se dirige a um ministro.
"Rogo-lhe a fineza de servir-nos dois uísques com gelo", pediu.
Dali a pouco, o garçom trouxe as bebidas.
"Oh, sinto muitíssimo!", adiantou-se o professor.
"Realmente, senhor: peço-lhe perdão, só trouxe dois. Sinto muito!", desculpou-se o garçom.
"Absolutamente! Eu é que peço perdão: por um lastimável equívoco, só pedi dois. A culpa foi minha!", retrucou o docente.
De um lado, o garçom tornou a pedir desculpas. Do outro, o professor voltou a protestar. E, no meio da intensa troca de mesuras e gentilezas, Sabino esperava, indócil, para tomar seu uísque.
"Não seria o caso de pedirmos mais um?", sugeriu, timidamente.
Mais alguns pedidos de desculpas depois, a bebida foi finalmente servida.
"Há momentos que a extrema delicadeza do inglês até me faz desconfiar que estão de brincadeira comigo", admitiu numa das crônicas de Livro aberto (2001), antologia que ele próprio apelidou de "obra póstuma em vida".
Fernando Tavares Sabino, que completaria 100 anos no dia 12 de outubro, morou em Londres de 1964 a 1966. Foi convidado pelo ministro das Relações Exteriores do Governo João Goulart, João Augusto de Araújo Castro, para assumir o posto de adido cultural da embaixada do Brasil na capital inglesa.
Encontrar um lugar para morar foi o primeiro desafio enfrentado por Fernando Sabino em Londres. Em apenas quatro meses, visitou 58 imóveis, entre casas e apartamentos. De uns, até gostou, mas algumas das exigências dos proprietários, como não ter crianças, inviabilizava a locação. Sabino teve sete filhos: Eliana, Leonora, Pedro, Virgínia, Verônica, Bernardo e Marina.
De outros imóveis, porém, não gostou nem um pouco. Ou eram longe demais, ou não tinham banheiro.
Houve um, em Maida Vale, que Sabino adorou: bom tamanho, boa localização, bom preço. Mas outro pretendente, para azar do escritor, levou a melhor. "Amaldiçoei o felizardo, sem saber tratar-se de uma respeitável senhora que admiro de longa data: Marlene Dietrich", relatou na crônica Onde Morar.
Noutra crônica, Sabino conta a história de uma brasileira que, sem conhecer a cidade ou dominar o idioma, se distraiu olhando as vitrines das lojas e perdeu o marido de vista. Sem dinheiro para voltar ao hotel, caiu no choro. Logo, alguns ingleses se aproximaram, solícitos. "Perdi meu marido", choramingava ela. E achou por bem traduzir: "I lost my husband!". Um homem tirou o chapéu, comovido. "Sinto muito, minha senhora: meus pêsames!".
Assim que chegou a Londres, Sabino foi advertido por colegas brasileiros: cuidado, eles levam tudo ao pé da letra! "Diga a um deles, por delicadeza, que apareça em sua casa qualquer hora dessas, para ver só: ele aparece", explicou.
Eliana, a primogênita, confirma: "Se ele dissesse a um inglês: 'Venha jantar lá em casa um dia desses', o inglês retrucaria sem pestanejar: 'Quando?'. E ele se via obrigado a marcar um dia e ter que avisar a esposa de que dois dias depois um inglês praticamente desconhecido viria para o jantar".
"Fora isso, só mais um problema de adaptação o afligia: a mão inversa do trânsito inglês", prossegue a filha do escritor. "Ele tentava facilitar sua direção repetindo baixinho: 'dirigir na contramão, dirigir na contramão'"...
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgrpye6744xo. Adaptado.
De um lado, o garçom tornou a pedir desculpas. Do outro, o professor voltou a protestar. E, no meio da intensa troca de mesuras e gentilezas, Sabino esperava, indócil, para tomar seu uísque.
Assinale a opção que contenha, pelo menos, dois encontros vocálicos.
Assinale a opção que contenha apenas encontros vocálicos.
O consumo dos remédios por períodos prolongados sem orientação de um profissional da saúde está relacionado a desequilíbrios no sistema digestivo.
(Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ c895r3l188do. Adaptado)
Assinale a opção correta quanto à acentuação gráfica.
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. Põe-se acento agudo no ‘i’ e no ‘u’ tônicos que não formam ditongo com a vogal anterior.
II. Aboliram-se os acentos diferenciais em alguns homógrafos, outros ficaram facultativos e alguns permanecem obrigatórios, é o caso da palavra saía, para diferenciar de saia.
III. Acentuam-se, em regra, o ‘i’ e o ‘u’ tônicos em hiato com vogal ou ditongo anterior, formando sílaba sozinhos ou com ‘s’.
Quais estão corretas?

(https://www.google.com.br).
Alce.
O alce é um animal mamífero que pertence à família dos cervídeos, sendo a maior espécie dela. Esse animal é
encontrado em regiões frias do Hemisfério Norte.
O alce (Alces alces) é um animal mamífero que se destaca por ser a maior espécie da família Cervidae. Apresenta pernas longas e finas, corpo maciço, cabeça grande, pescoço grosso, cauda pequena e orelhas longas, assim como seu focinho. Os machos têm grandes chifres, usados para lutar pela fêmea durante o período reprodutivo. A gestação dura, em média, 231 dias, e as fêmeas dão à luz, geralmente, um único filhote. Alces são animais herbívoros que e alimentam de galhos, caules, folhas e brotos. Ocorrem em regiões frias do Hemisfério Norte.
O alce se caracteriza como o maior cervídeo vivente, apresentando cerca de 2,3 m de altura e comprimento de 3 m. Os machos diferenciam-se das fêmeas por serem mais pesados. Enquanto eles podem pesar até 600 kg, elas atingem até 400 kg.
Os alces apresentam pernas longas e finas, um corpo maciço e uma cauda curta. Seu pescoço é curto e grosso, e sua cabeça é grande. Apresentam orelhas longas, assim como seu focinho, o qual é caído. Sob o pescoço deles, há uma aba de pele cheia de pelos, o sino. Essa aba de pele pode ou não estar presente nas fêmeas. Machos têm grandes chifres, que pesam até 35 kg. Eles crescem durante a primavera e caem no inverno. A pelagem do animal é normalmente escura, com pelos pretos a marrons ou marrons acinzentados. As pernas têm coloração mais clara. Os pelos dos alces são essenciais para a manutenção da temperatura, ajudando-os a se protegerem do frio.
Dentre os cervídeos, os alces são os menos sociais, sendo solitários. Comunicam-se por meio de vocalizações, odores e postura corporal. São bons nadadores e, apesar da aparência desajeitada, são capazes de correr até 56 km/h. São mais ativos durante o nascer e o pôr do Sol. Geralmente, os alces não vivem mais que 16 anos. São seus predadores os lobos, ursos e pumas. Coiotes e tigres também podem se alimentar deles.
Alces utilizam seus chifres na luta para se acasalarem.
Dois sistemas de acasalamento ocorrem entre os alces. Nos que vivem na Tundra do Alasca, observa-se a formação de haréns, com um macho dominante reunindo várias fêmeas. Esse macho defende as fêmeas de outros machos que queiram se acasalar com elas. Machos que apresentam tamanho similar ao do macho dominante podem desafiá-lo.
Durante as lutas pelas fêmeas, os machos tentam chifrar um ao outro. Essas feridas, geralmente, não são graves, entretanto, podem ocorrer perfurações e até mesmo lesões nas costelas. Além da formação de haréns, há os indivíduos que fazem ligações de pares transitórias. Nesse caso, os machos defendem apenas uma fêmea.
A gestação do alce dura 231 dias. Apesar de gêmeos serem comuns, em geral, há o nascimento de apenas um
filhote. Algumas horas após o nascimento, os filhotes começam a mamar. A ingestão de outros alimentos é
observada dias depois. Durante os primeiros cinco meses, os alces ganham muita massa, aumentando cerca
de 10 vezes a sua massa de nascimento. Ao nascerem, esses animais pesam cerca de 16 kg. O vínculo entre a
mãe e seu filhote permanece até cerca de um ano. (https://brasilescola.uol.com.br/animais/alce.htm).
'Empresas já leem nossas mentes e vão saber ainda mais com neurotecnologia', diz pesquisadora
Alguns anos atrás, a ideia de "ameaça à privacidade de pensamento" estava mais para 1984, de George Orwell, e para o terreno da ficção científica distópica. Para Nita Farahany, professora da Universidade Duke (EUA) que se especializou em pesquisar as consequências das novas tecnologias e suas implicações éticas, essa ameaça já é presente hoje e deve ser levada a sério.
A iraniana-americana lançou neste ano o livro The Battle for your Brain: Defending the Right to Think Freely in the Age of Neurotechnology ("A Batalha pelo seu Cérebro: Defendendo o Direito de Pensar Livremente na Era da Neurotecnologia", em tradução livre, sem edição brasileira). Mas como é possível ler o nosso cérebro? Bem, de fato ainda não existe — como na ficção — uma supermáquina que entra na cabeça de uma pessoa e entrega uma lista completa de ideias e conceitos. Na verdade, explica Farahany, as defesas da nossa privacidade de pensamento começaram a ser derrubadas sem a necessidade de examinar diretamente o cérebro. Isso foi possível com a vasta quantidade de dados pessoais compartilhada em redes sociais e outros apps, que é analisada por algoritmos e depois monetizada.
Hoje as companhias de tecnologia detêm informações importantes sobre nós: quem são nossos amigos, qual conteúdo gera emoção (e, importante, que tipo de emoção), as preferências políticas, em quais produtos clicamos, por onde circulamos ao longo do dia e algumas das transações financeiras. "Tudo isso está sendo usado por empresas para criar perfis muito precisos sobre quem somos e assim entender nossas preferências e nossos desejos", diz Farahany em entrevista à BBC News Brasil. "É importante as pessoas entenderem que elas já estão em um mundo onde mentes são lidas."
Outra fronteira do nosso funcionamento interno começa a ser explorada com a popularização de smartwatches (relógios inteligentes), que reúnem dados sobre batimento cardíaco, níveis de estresse, qualidade do sono e muito mais. Mas o avanço da neurotecnologia, com equipamentos em contato direto com a cabeça, leva tudo isso a um novo patamar, com mais dados e mais precisão. Ela explica que sensores cerebrais são justamente parecidos com sensores de frequência cardíaca encontrados nos smartwatches ou em anéis que medem a temperatura do corpo quando captam a atividade elétrica no cérebro. "E toda vez que você pensa, ou toda vez que sente algo, os neurônios disparam em seu cérebro, emitindo pequenas descargas elétricas. Padrões característicos podem ser usados para tirar conclusões", afirma. "Por exemplo, se você vê uma propaganda e sente alegria ou estresse ou raiva, tédio, envolvimento... todas essas reações podem ser captadas por meio da atividade elétrica em seu cérebro e decodificadas com a inteligência artificial mais avançada." Ou seja, esses sinais cerebrais transmitem o que sentimos, observamos, imaginamos ou pensamos. Farahany afirma que as pessoas precisam compreender e aceitar que o cérebro "não é inteiramente delas".
Essa situação leva a própria filosofia a questionar o conceito de livre arbítrio, ou seja, o poder de um indivíduo de optar por suas ações. "Imagine que você se proponha no começo da semana a não passar mais de uma hora por dia nas redes sociais. Aí você descobre no final que você gastou quatro horas por dia. O que aconteceu?", pondera a professora de Direito e Filosofia na Duke. "Se existem algoritmos projetados para te capturar quando você quer se desconectar, se existem notificações quando você fica muito tempo fora do celular, se você quer assistir a só um episódio da série e o próximo começa automaticamente, você usou seu livre arbítrio? São ferramentas e técnicas projetadas para prejudicar aquilo com que você se comprometeu."
Farahany, ao contrário do que se possa pensar, é uma grande entusiasta dos avanços da neurotecnologia. Ela enumera ao longo de The Battle for Your Brain uma longa lista de contextos em que o monitoramento cerebral poderia melhorar a humanidade e salvar vidas. "O que eu proponho é um equilíbrio. É tanto uma forma de as pessoas enxergarem os aspectos positivos da tecnologia, mas também de estarem protegidas contra os riscos mais significativos", diz. "Para chegar lá, é necessário mudar a forma como pensamos a nossa relação com a tecnologia. A tecnologia raramente é o problema. Quase sempre é o mau uso."
"Não se trata de encampar posições absolutas do tipo 'tudo isso é ruim' ou 'tudo isso é ótimo', mas tentar definir quais são as funcionalidades dessa tecnologia para o bem comum e quais são os riscos de uso indevido." (...)
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c88jmpl902lo (Adaptado).
Analise os vocábulos abaixo, retirados do texto, e assinale a alternativa em que NÃO há encontro vocálico classificado como ditongo:
Manuelzão e Miguilim
João Guimarães Rosa
(...)
Campo Geral
Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-doFrango-d'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: ― "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..." Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado. E foi descobriu, por si, que, umedecendo as ventas com um tico de cuspe, aquela aflição um pouco aliviava. Daí, pedia ao tio Terêz que molhasse para ele o lenço; e tio Terêz, quando davam com um riacho, um minadouro ou um poço de grota, sem se apear do cavalo abaixava o copo de chifre, na ponta de uma correntinha, e subia um punhado d'água. Mas quase sempre eram secos os caminhos, nas chapadas, então tio Terêz tinha uma cabacinha que vinha cheia, essa dava para quatro sedes; uma cabacinha entrelaçada com cipós, que era tão formosa. — "É para beber, Miguilim..." — tio Terêz dizia, caçoando. Mas Miguilim ria também e preferia não beber a sua parte, deixava-a para empapar o lenço e refrescar o nariz, na hora do arrocho. Gostava do tio Terêz, irmão de seu pai.
(...)
João Guimarães Rosa MANUELZÃO E MIGUILIM (Corpo de baile) Editora Nova Fronteira, 11ª edição, 2001 Capa: Victor Burton Ilustrações: Poty ISBN 978- 85-209-1177-8 Digitalização: SCS
Fonte: https://elivros.love/livro/baixar-livro-manuelzao-e-miguilim-joao-guimaraes-rosa-em-epub-pdf-mobi-ou-ler-online
Levando em conta os aspectos gramaticais e linguísticos presentes no texto Manuelzão e Miguilim (fragmento), assinale a única alternativa incorreta.
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.
O tocante agradecimento de Faustão à família de seu
doador do coração
Quatro dias depois de passar por seu aguardado transplante de coração, o apresentador Faustão deu as caras no perfil do Instagram “Família Fausto Silva” — criado para promover a causa da doação de órgãos — para agradecer publicamente aos parentes de Fábio Cordeiro, jogador de futebol morto aos 35 anos, dono do membro transplantado. Se dirigindo diretamente ao pai do doador, ele afirma que sua “grandiosidade incrível” e “generosidade absurda” são o motivo de estar vivo agora e afirma ser “eternamente grato a José Pereira da Silva, um homem simples. ”
Ainda falando para a família de Fábio, Faustão completou: “Fico emocionado porque ele me deu a chance de viver de novo. Quero agradecer ao Érisson, irmão do Fábio, e à Jaqueline, a viúva. Tenho que agradecer às pessoas das mais humildes, que, na hora que precisei, me deram um coração novo”. Fora dos tubos, o apresentador se diz já “completamente recuperado” e nega qualquer dor, reforçando: “Para que todo mundo tenha a certeza do que é a espera por um transplante, de 200 e poucos, 60 esperaram menos de um mês. Eu dei sorte também nessa fila”. Ele também promete que, logo, ainda agradecerá seus benfeitores pessoalmente, repetindo sua gratidão eterna.
Internado desde 5 de agosto, Faustão enfrentava um quadro de insuficiência cardíaca, passando por diálise e medicamentos voltados ao bombeamento do coração — esses fatores, junto a seus 73 anos de idade, o colocaram em posição prioritária na fila de transplantes do SUS. Sobre a eficácia da operação, ele ainda disse: “Não acreditava que isso fosse acontecer. Para mim foi uma tremenda surpresa. Vou agradecer sempre a José Pereira da Silva — a única coisa que prometo é honrar a memória do seu filho fazendo só coisas boas”.
https://veja.abril.com.br, 31.08. 2023
“Tenho que agradecer às pessoas das mais humildes, que, na hora que precisei, me deram um coração novo”.
Sobre as palavras destacadas, é CORRETO afirmar que em:
Ninguém mais elege o “pra sempre” como meta
Por Martha Medeiros
- Nunca imaginei que um dia subiria ao palco do Theatro São Pedro, mas aconteceu – é
- a literatura cumprindo a promessa de me levar aonde nunca estive. Mesmo não sendo atriz,
- “contracenei” com o psicanalista Christian Dunker durante a gravação comemorativa dos 20 anos
- do programa Café Filosófico, onde debatemos, diante de numerosa plateia, um tema que a todos
- interessa: o amor.
- Durante a nossa troca de reflexões, condenei ___ antiga cultura dos contos de fada, que
- apresentava o amor como salvação da vida de son...as princesas. Uma vez despertadas por um
- beijo, elas se acomodavam a um enigmático “pra sempre” que antecipava o ponto final de suas
- histórias, como se, a partir dali, nada de mais interessante pudesse acontecer. Este romantismo
- nunca foi aliado do amor: colocou na cabeça das mulheres que, se elas não cumprissem a missão
- de formar um par, de pouco valeriam.
- Hoje, personagens guerreiras e ativistas substituíram as princesas como modelos de
- heroínas, e ninguém mais elege o “pra sempre” como meta – o que tem que durar é o entusiasmo
- em realizar os próprios desejos, que mudam com o tempo. Não é o fim do amor, e sim um
- recomeço menos idealizado. O amor sem o dramalhão incluído. O amor como recompensa por
- diminuirmos a ansiedade e buscarmos autoconhecimento e autoestima, que é o que faz o amor
- se aproximar. Sem rufar de tambores.
- A meu ver, a melhor frase da noite não foi minha nem de Dunker, mas a do publicitário e
- poeta Marcelo Pires, que durante uma pergunta dirigida a nós sobre a razão deste sentimento
- ser tão superlativo, conjecturou: “___ vezes, parece que o amor atrapalha o amar”. Exato. Se
- nossa solidão tivesse o mesmo prestígio que namoros e casamentos, não cederíamos ___
- cobrança de “ter que” amar alguém, as relações seriam mais espontâneas.
- Se o amor romântico descesse do pedestal em que foi colocado e circulasse no meio da
- multidão, não seria tão divinizado. O amor ainda é visto como coisa de Deus e o sexo como coisa
- do Diabo. Só que é do sexo o encargo de manter a continuidade da espécie, então o amor tornou-
- se um álibi providencial para que o processo pareça sublime, em vez de ob...eno. O amor como
- elevação dos hábitos mundanos.
- Bonito, mas prefiro o amor rés do chão, mais maduro e livre. A simples alegria de estar
- junto, a dispensa do grude, a paciência com as diferenças do outro, planos imediatos em vez de
- aposta na eternidade, o apoio necessário, a amizade erótica prevalecendo sobre os desatinos.
- Algum sofrimento surge, mas os momentos difíceis não precisam ser glorificados como sacrifícios
- inerentes ao amor. Zero tolerância para a violência, bom humor, mesa farta e, se for
- impre...indível alguma coisa grandiosa que inspire um poema épico, que seja o rótulo do vinho.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa na qual há uma palavra com um hiato acentuado.
Assinalar a alternativa que apresenta um tritongo:


