Questões de Concurso Comentadas sobre encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato em português

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Q1717536 Português

NÃO: JÁ NÃO FALO DE TI. (Cecília Meireles).


Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.

Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,

de palavras adormecidas, em altas prateleiras,

até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,

que um dia, pode ser, parece tão terrível.


A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.

Resplandecem os azulejos e tudo quanto posso ver.

O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário

cismar. Talvez se as pálpebras pudessem

inventar outros sonhos, não de vida...


Ah! rompem-se na noite ardentes violas,

pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.

Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,

nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...

Não só de amor a noite transborda mas de terríveis

crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.


Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,

e os homens da lei sonolentos movem letras

sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...

Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?

Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos

da álgebra e da geometria.

As palavras do texto (saudade, prateleira, dia) são respectivamente:
Alternativas
Q1715619 Português
Trágico acidente de leitura. (Mário Quintana).

Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho. Nem lia: deslizava. Quando de súbito a terrível palavra apareceu, apareceu e ficou plantada ali diante de mim, focando-me: ABSCÔNDITO. Que momento passei!... O momento de imobilidade e apreensão de quando o fotógrafo se posta atrás da máquina, envolvidos os dois no mesmo pano preto, como um duplo monstro misterioso e corcunda... O terrível silêncio do condenado ante o pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na portaria e o capitão vai gritar: Fogo!
Assinale a alternativa onde todas as palavras tiradas do texto contêm exemplos de hiato
Alternativas
Q1713750 Português

Considere o seguinte texto para responder à próxima questão.



Ou isto ou aquilo: (Cecília Meireles).


Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranquilo.


Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Em se tratando de encontros vocálicos, as palavras do texto (dinheiro, guardo, inteiro) são:
Alternativas
Q1710224 Português
Mar Português. (Fernando Pessoa).


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar,
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Em se tratando de encontros vocálicos, nas palavras do texto (teu, vão, Deus, céu), assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1708690 Português
Quanto á pronúncia dos verbos, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta: ( ) Os verbos terminados em -echar, -egar, -ejar, -elhar e -exar conservam o e tônico fechado em todas as pessoas, com exceção de flechar, mechar e invejar. ( ) Nos verbos que trazem ditongo, a vogal, sempre fechada, e a semivogal devem ser muito bem pronunciadas. Exceções: aboiar, apoiar e boiar. ( ) Os verbos que trazem hiato possuem as formas rizotônicas sem acento, na segunda vogal do hiato. ( ) Os verbos cujos radicais terminam em encontro consonantal têm, nas formas rizotônicas, o acento na vogal imediatamente anterior ao encontro consonantal. ( ) Todo verbo que tenha um substantivo proparoxítono correspondente começa a ser conjugado numa forma paroxítona.
Alternativas
Q1707200 Português
Assinale a alternativa que representa corretamente um par de palavras compostas exclusivamente por ditongos crescentes:
Alternativas
Q1707115 Português
Observe as sentenças:
I - Art. 22. São modalidades de licitação: I - concorrência; II - tomada de preços; III - convite; IV - concurso; V - leilão.
II - Art. 1.333. A convenção que constitui o condomínio edilício deve ser subscrita pelos titulares de, no mínimo, dois terços das frações ideais e torna-se, desde logo, obrigatória para os titulares de direito sobre as unidades, ou para quantos sobre elas tenham posse ou detenção.
Com relação as palavras em destaque, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2020 Banca: IBADE Órgão: SEE-AC Prova: IBADE - 2020 - SEE-AC - Professor Brailista P2 |
Q1706708 Português
Texto 1 - Evasão escolar
Uma pesquisa recente do Banco Mundial revelou que 52% dos jovens brasileiros entre 19 a 25 anos largaram os estudos, não se dedicam minimamente à escola ou estão com a formação atrasada. O dado é alarmante.
A mesma pesquisa ainda nos revela outras informações, como o fato de que, atualmente, 43% da população no Brasil acima dos 25 anos não completaram o Ensino Médio. 
Contrariando o senso comum de que a maior causa da evasão escolar é os jovens deixarem as salas de aula para trabalharem, o abandono da escola começa com faltas esporádicas, devido à falta de interesse do aluno. Mesmo entre a juventude que continua nas salas de aula – contando adolescentes e jovens acima dos 18 anos -, constata-se que 62% não estudam no ano adequado a sua idade.
A partir dos dados acima, é necessário fazer um levantamento das principais causas da evasão escolar a fim de entender a raiz desse problema, portanto destacam-se: Distância - principalmente entre os alunos da educação infantil e do começo do ensino fundamental, a distância entre a residência e a escola pode ser um fator determinante para a ausência do aluno das salas de aula. A oferta de transporte escolar por parte de órgãos públicos poderia ser uma solução viável para esse problema.

• Desinteresse - mais presente entre alunos do final do ensino fundamental ou do ensino médio, o desinteresse é a principal causa da evasão escolar. Criticado por educadores, o atual sistema de ensino é considerado ultrapassado. Profissionais do ramo acreditam que o tradicional “aluno em carteiras enfileiradas e um professor na frente da sala” não funciona mais como outrora, sendo cada vez mais necessária uma mudança.
 Situação econômica desfavorável - relacionada às duas causas citadas, faz-se necessário mais um contribuinte para pagar as contas de casa – acarretando, então, no abandono da escola pelo jovem e a consequente inserção precoce no mercado de trabalho.

Essa causa é uma das mais comuns para a evasão escolar. Não conseguindo conciliar os estudos com as atividades laborais, o jovem prefere trabalhar com o que der desde cedo para conseguir sua autonomia financeira – mesmo que com um baixo salário.
A não conclusão dos estudos, no entanto, faz com que esse jovem seja classificado com uma baixa qualificação perante outros concorrentes formados. 

(Fonte: texto adaptado de https://escolaweb.com.br/artigos/conheca-as-principaiscausas-da-evasao-escolar/, acesso em fevereiro de 2020.) 
Após leitura do trecho “o jovem prefere trabalhar com o que der desde cedo para conseguir sua autonomia financeira – mesmo que com um baixo salário.”, marque a alternativa que descreve a acentuação da palavra destacada:
Alternativas
Q1705595 Português
VELHINHA. (Florbela Espanca).

Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
“Já ela é velha! Como o tempo passa!...”

Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até o fim!

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...

E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...
Quanto a encontros vocálicos, as palavras do poema (mais, fio, esvoaçava) são:
Alternativas
Q1697812 Português

Sobre acentuação gráfica, marque (C) correto ou (I) incorreto e assinale a alternativa devida.


( ) Mesmo formando sílabas sozinho, -i leva acento gráfico se a sílaba seguinte for iniciada por nh.

( ) Mesmo formando sílabas sozinho, -u não leva acento gráfico se estiver precedido de ditongo em palavras paroxítonas.

( ) Ter e vir e seus compostos na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo, recebem acento.

( ) Recebe acento pôde (no tempo passado), para se distinguir de pode (tempo presente).

( ) Recebe acento pôr (verbo), para se distinguir de por (preposição).

( ) É facultativo o emprego do acento circunflexo no substantivo fôrma para se distinguir de forma, substantivo, e de forma, 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo formar

Alternativas
Q1697789 Português

VELHO TEMA. (Vicente de Carvalho).


Só a leve esperança, em toda a vida,

Disfarça a pena de viver, mais nada;

Nem é mais a existência, resumida,

Que uma grande esperança malograda.


O eterno sonho da alma desterrada

Sonho que a traz ansiosa e embevecida,

É uma hora feliz, sempre adiada

E que não chega nunca em toda a vida.


Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa que sonhamos

Toda arreada de dourados pomos,


Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos

E nunca a pomos onde nós estamos. 

Em se tratando de encontros vocálicos, nas palavras do texto (ansiosa, adiada, arreada), assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1693266 Português
Sobre encontros vocálicos, dígrafo, número de sílabas e tonicidade, marque (C) correto ou (I) incorreto e assinale a alternativa verdadeira.
( ) Hiato: é o encontro de dois fonemas vocálicos na mesma sílaba.
( ) Ditongo: é o encontro de dois fonemas vocálicos, cada um em uma sílaba.
( ) Tritongo: é o encontro de três fonemas vocálicos na mesma sílaba.
( ) Dígrafo: conjunto de duas letras que representa um único fonema.
( ) Classificação das palavras, quanto ao número de sílabas: monossílaba (seis), dissílaba (andei), trissílaba (esperto), polissílaba (esperteza).
( ) Classificação da palavra, quanto à silaba tônica: oxítona (urubu), paroxítona (cafezinho), proparoxítona (catastrófico).
Alternativas
Q1692048 Português


Alexei Bueno. Uma história da poesia brasileira. Rio de Janeiro:

Germakoff Casa Editorial, 2007, p. 409 (com adaptações).

Cada uma das opções a seguir apresenta uma palavra constante do texto 25A1-I. Assinale a opção que apresenta palavra cuja sílaba tônica contém ditongo decrescente.
Alternativas
Q1691591 Português

Leia o texto e responda a próxima questão.


O LABIRINTO DOS MANUAIS. (Livro do escritor russo Liev Tolstói).


Há alguns meses troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções!

Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio!

Quem me salvou foi um motorista de táxi.

— Manual só confunde – disse didaticamente. – Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!

Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” – um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?

Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-onda ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!

Eu sei que para a garotada que está aí, tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo! 

As palavras do texto (entusiasmado, folheando, duas, campainha) são:
Alternativas
Q1689210 Português
Ninguém venha me dar vida. (Cecília Meireles).

Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar.

Já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.
Quanto a encontros vocálicos, as palavras do poema (ainda, naufragar, deixando) são:
Alternativas
Q1683679 Português
    A questão da liberdade em tempos de pandemia É claro para todos nós que as medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades de saúde (Organização Mundial de Saúde, Ministério e Secretarias de Saúde) de todo o mundo e efetivadas pelos mandatários brasileiros estão gerando um grande e acalorado debate , em vias até de serem realizadas manifestações públicas contrarias, como também em alguns casos , o uso de forças de segurança como forma de tentar manter a ordem pública.

Mas, então o que está por detrás dessa insatisfação? Se levarmos em conta o nosso cotidiano está marcado por ações como , acompanhar, ouvir, interpretar e repassar informações sobre a Covid 19, em muitos casos com o intuito de compreendermos o fenômeno e manter a saúde pessoal e coletiva, o que perpassa na compreensão geral da quantidade de infectados, casos subnotificados, isolamento social e a letalidade da doença.

De todo modo, informações não faltam e se formos separar em grupos as explicações tanto a favor e contra seriam assim divididas: A favor – respeito as normas sanitárias, ficar em casa preservando a vida, colaborando para a diminuição da infecção (pensar no próximo) principalmente nos idosos e nas pessoas do grupo de risco. Contra – não respeitam as normas sanitárias, descrentes das políticas de controle da Covid 19, acreditam no isolamento vertical isolamento somente para os idosos e pessoas do grupo de risco, ou seja, não refletem sobre a transmissão das crianças e dos jovens aos idosos.[...]

Disponível;/meuartigo.brasilescola.uol.com.br/atualidades 
“com o intuito de compreendermos o fenômeno e manter a saúde pessoal e coletiva,” as palavras sublinhadas podem ser classificadas de acordo com a sequência em:
Alternativas
Q1678693 Português
Leia o poema para responder às próximas três questões.

POEMA DE SETE FACES. (Carlos Drummond de Andrade).

Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
Não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
Se sabias que eu não era Deus
Se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
Mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
Mas essa lua
Mas esse conhaque
Botam a gente comovido como o diabo.
Assinale a alternativa, onde todas as palavras tiradas do poema, contêm exemplos de hiato.
Alternativas
Q1507297 Português

Cultura clonada e mestiçagem

    Levantar hoje a questão da cultura é colocar-se em uma encruzilhada para a qual convergem, embora também se oponham, o avanço da globalização e a persistência das identidades nacionais. Mas a cultura não pode mais, presentemente, construir-se sem uma tensão constitutiva, existencial e vital entre o universal, o regional, o nacional e o comunitário.

     Apesar de as culturas se manterem arraigadas em seus contextos nacionais, torna-se cada vez mais difícil acreditar que os conceitos tradicionais de identidade, povo ou nação sejam "intocáveis". De fato, jamais nossas sociedades conheceram ruptura tão generalizada com tradições centenárias. Devemos, porém, indagar se as evoluções contemporâneas, em geral apresentadas como possíveis ameaças a essas tradições, inclusive a do Estado-nação, não constituiriam terrenos férteis para a cultura, ou seja, favoráveis à coexistência das diversidades. Um duplo obstáculo seria então evitado: a coesão domesticada e a uniformização artificial.

      O primeiro obstáculo advém da fundamentação do modelo hegemônico de identificação em uma cultura única, total, dominante, integrativa. Esta era percebida como algo estático e definitivo. Era brandida como uma arma, cujos efeitos só hoje avaliamos: neste século, vimos as culturas mais sofisticadas curvarem-se à barbárie; levamos muito tempo até perceber que o racismo prospera quando faz da cultura algo absoluto. Conceber a cultura como um modo de exclusão conduz inevitavelmente à exclusão da cultura. Por isso, o tema da identidade cultural, que nos acompanha desde as primeiras globalizações, é coisa do passado.

        Mas a cultura não deve emancipar-se da identidade nacional deixando-se dominar pela globalização e pela privatização. As identidades pós-nacionais que estão surgindo ainda não demonstraram sua capacidade de resistir à desigualdade, à injustiça, à exclusão e à violência. Subordinar a cultura a critérios elaborados nos laboratórios da ideologia dominante, que fazem a apologia das especulações na bolsa, dos avatares da oferta e da demanda, das armadilhas da funcionalidade e da urgência, equivale a privá-la de seu indispensável oxigênio social, a substituir a tensão criativa pelo estresse do mercado. Neste sentido, dois grandes perigos nos ameaçam. O primeiro é a tendência atual a considerar a cultura um produto supérfluo, quando, na realidade, ela poderia representar para as sociedades da informação o que o conhecimento científico representou para as sociedades industriais. Frequentemente se esquece que reparar a fratura social exige que se pague a fatura cultural: o investimento cultural é também um investimento social.

     O segundo perigo é o "integrismo eletrônico". Das fábricas e dos supermercados culturais emana uma cultura na qual o tecnológico tem tanta primazia que se pode considerá-la desumanizada.

     Mas como "tecnologizar" a cultura reduzindo-a a um conjunto de clones culturais e pretender que ela continue a ser cultura? A cultura clonada é um produto abortado, porque, ao deixar de estabelecer vínculos, deixa de ser cultura. O vínculo é seu signo característico, sua senha de identidade. E esse vínculo é mestiçagem - portanto o oposto da clonagem. A clonagem é cópia; e a mestiçagem, ao contrário, cria um ser diferente, embora também conserve a identidade de suas origens. Em todas as partes onde se produziu, a mestiçagem manteve as filiações e forjou uma nova solidariedade que pode servir de antídoto à exclusão.

         Parafraseando Malraux, eu diria que o terceiro milênio será mestiço, ou não será.


PORTELLA, Eduardo. Texto apresentado na série Conferências do Século XXI, realizada em 1999, e publicado em O

Correio da Unesco, jun., 2000

Analise os itens abaixo e assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q1405838 Português

As boazinhas que me perdoem


    Qual o elogio que uma mulher adora receber? Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns 700: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais. Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara. Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número. Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa. Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta. Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela é um avião no mundo dos negócios. Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom gosto musical. Agora quer ver o mundo cair? Diga que ela é muito boazinha.

    Descreva uma mulher boazinha. Voz fina, roupas pastéis, calçados rente ao chão. Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos sobrinhos nos finais de semana. Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor. Nunca teve um chilique. Nunca colocou os pés num show de rock. É queridinha. Pequeninha. Educadinha. Enfim, uma mulher boazinha.

    Fomos boazinhas por séculos. Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas. Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos. A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho. Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa. Quietinhas, mas inquietas.

    Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas. Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes, estrelas, profissionais. Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen. Ser chamada de patricinha é ofensa mortal. Quem gosta de diminutivos, definha.

    Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos.

    Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As “inhas” não moram mais aqui. Foram para o espaço, sozinhas.


MEDEIROS, Martha. Liberdade Crônica. Porto Alegre: L&PM, 2014.


Analise os itens abaixo e assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q1320616 Português

Esta startup compra roupas usadas e devolve para as fabricantes revendê-las

Britânica Stuffstr desenvolveu um negócio que tem como objetivo finalizar o ciclo de uso das vestimentas. Adidas já é uma das parceiras

    Pelo menos uma vez por ano, algumas pessoas fazem aquela limpeza no guarda roupas e pensam no que fazer com peças que não servem mais ou que já não combinam com o novo estilo de vida. A partir daí, as roupas são direcionadas para doação ou para revenda em sites ou brechós. Muitas, ainda, acabam sendo descartadas, mesmo com condições de uso. Enquanto isso, a fabricante não tem ideia de qual fim tiveram as peças produzidas.

    De olho nessa oportunidade, a startup britânica Stuffstr resolveu aprimorar o trabalho de recolhimento e repasse de roupas de segunda mão. Eles coletam e armazenam dados dos produtos por até cinco anos. Os clientes então podem pesquisar para descobrir quanto a empresa pagará para comprar o item de volta.

    A startup coleta o item do consumidor e leva para o local de triagem, que analisa se a peça ainda tem condições de uso. As que têm são direcionadas de volta às empresas; já as que têm perda total vão para reciclagem. A Stuffstr, então, envia essas informações de volta às marcas, com base nas condições das roupas devolvidas.

    As marcas podem usar essas informações para planejar o desenvolvimento futuro de produtos, visando melhor durabilidade, e ajustar os preços que oferecem aos consumidores pelos itens usados.

    Com isso, a startup argumenta que os consumidores ganham um dinheiro extra, o desperdício é reduzido e as marcas obtêm dados e informações valiosas sobre as peças e os clientes. As primeiras parcerias da Stuffstr foram com as empresas John Lewis e Adidas. Ao entrar no site das marcas, o cliente se depara com a possibilidade de vender peças usadas para a startup.

     À Forbes, o co-fundador da Stuffstr, John Atcheson disse que a startup está “em uma posição única para poder oferecer aos consumidores um nível sem precedentes de transparência sobre o que acontece com o material – onde é revendido e por quanto – e até o que acontece se não puder ser revendido e for direcionado para a reciclagem. 70% de tudo o que estamos comprando vai para aterros, mesmo que ainda seja utilizável”, diz. De acordo com ele, a ideia é fechar o ciclo de uso das peças e reduzir o descarte desnecessário.


Disponível em: <https://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Moda/noticia/2020/01/esta-startup-compra-roupasusadas-e-devolve-para-fabricantes-revende-las.html>. Acesso em: 29 jan. 2020

Qual alternativa apresenta palavras com dígrafo, hiato e ditongo, nessa mesma ordem?
Alternativas
Respostas
261: A
262: A
263: A
264: C
265: A
266: C
267: C
268: B
269: B
270: D
271: A
272: D
273: C
274: A
275: C
276: A
277: A
278: A
279: B
280: E