Questões de Concurso Comentadas sobre denotação e conotação em português

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Q3264898 Português
Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)
Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

        Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole. 

        E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focar numa-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024) 
No texto, o autor apresenta uma série de expressões da atualidade que estão relacionadas a:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2024 - UNESP - Enfermeiro |
Q3255604 Português
Leia a crônica para responder à questão.

Minhas janelas

    Em geral as pessoas possuíram automóveis e se recordam de todos eles. Eu possuí janelas e ajuntei para a lembrança um sortido patrimônio de paisagens. Minha primeira providência em casa nova é instalar meus instrumentos de trabalho ao lado duma janela: mesa, máquina de escrever, dicionários, paciência. Além de pequenos objetos familiares: um globo de lata, uma galinha de barro e três cachimbos que há muitos anos esperam aparecer em mim o homem tranquilo e experiente que fuma cachimbo. A janela também faz parte do equipamento profissional do escritor. Sem janelas, a literatura seria irremediavelmente hermética, feita de incompreensíveis pedaços de vida, lágrimas e risos loucos. 
    Tive muitas janelas, e nenhuma delas mais generosa e plena do que esta de que me despeço na manhã de hoje. Amanhã cedo mudarei de casa, de janela, e até de alma, pois o meu modo de ver e viver já não será o mesmo fatalmente.
    Quando menino, nunca olhei pela janela, mas fazia parte da paisagem de um quintal com os mamoeiros bicados pelos passarinhos, as galinhas neuróticas em assembleia permanente, o canto intermitente do tanque. Criança do meu tempo, do tempo das casas, só chegava à janela em dia de chuva, amassando o nariz contra a vidraça para ver o mistério espetacular das águas desatadas e as poças onde os moleques pobres e livres podiam brincar com euforia.
    Portanto, só à medida que ganhamos corpo e tempo, vamos aprendendo a conhecer a importância das janelas. Morei em vários lugares e vi muitas coisas. Vi as luminárias inquietantes dos transatlânticos; as traineiras* indo e vindo; um afogado dando à praia ao amanhecer; operários equilibrando-se em andaimes incríveis; o féretro passando; a moça saindo para as núpcias; a mãe voltando com o filho da maternidade; o bêbado matinal; o mendigo irrompendo pela rua... Vi através de minhas janelas todas as formas inumeráveis da vida, e a noite que chegava para engolfar o mundo em escuridão.
    Nos últimos anos, encontrei Ipanema e só tenho trocado de moradia no mesmo bairro. Não quero mais ir, quero ficar; não quero mais procurar, quero conhecer o que já encontrei; para quem sou, as alegrias e tristezas que já tenho estão de bom tamanho.
    Vou perder dentro de poucas horas esta magnífica janela, incomparavelmente a melhor peça deste apartamento. Peço, pois, um minuto de silêncio em derradeira homenagem aos telhados de limo lá embaixo, às minhas gaivotas, aos meus barcos; dou adeus para o meu mar noturno e adeus para este mar cheio de luz.

(Paulo Mendes Campos. Instituto Moreira Salles – Portal da Crônica Brasileira. https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7120/minhas-janelas Crônica publicada em 09.07.1960. Texto adaptado)

*Traineira: pequena embarcação de pesca.
Entre os recursos de linguagem que o cronista utiliza, é correto afirmar que ele humaniza determinados objetos, a exemplo de ______________; e que emprega termos ou expressões que enfatizam atributos positivos dos objetos, a exemplo de _______________.
Assinale a alternativa cujos trechos da crônica completam, correta e respectivamente, o texto apresentado.
Alternativas
Q3255440 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Comida é dinheiro vivo

Mineiro não joga comida fora. Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio. É um ser feito de esperança. Mesmo que tenha apenas duas colheradas de um alimento, faz questão de guardar. Só se livra das migalhas, e com o coração apertado.

Geladeira de mineiro não é geladeira, mas um purgatório. Haverá a convivência de potes transparentes de diferentes dias, esperando o arremate final. Comida é dinheiro em Minas Gerais. É dinheiro vivo.

O zelo já começa com a fiscalização da refeição. Todos cuidam de todos, com um canto da mirada atenta às reações dos demais comensais.

Mãe e pai não admitem que o filho não limpe o seu prato. Mas limpar de verdade, a ponto de facilitar a vida para quem lavar as vasilhas. É uma ofensa se servir à toa. Cria-se na criança, desde cedo, uma consciência do tamanho do apetite. Não se brinca com a fome. Se esnobar uma vez pode faltar depois.

Existe o compromisso social no ato de repetir, não devendo jamais acrescentar algo que não conseguirá terminar. Aqui não se come com os olhos, mas a partir do senso de responsabilidade.

Em caso de viagem da família, o extra não vai para o lixo − a lixeira mal conhece os resíduos orgânicos. Prepara-se uma marmita ao porteiro do prédio ou ao porteiro do prédio vizinho ou a algum segurança do bairro. O povo de casa não se aquietará até encontrar alguém para levar a comidinha. Se acha que quando cai comida no chão, da boca ou do garfo, é sinal de parente passando necessidade, pense na gravidade do ato intencional de colocar fora? Será uma maldição de penúria para três gerações de sua árvore genealógica.

Nos restaurantes, a superstição mantém a escrita. A diferença é que, comendo na rua, o mineiro prefere que falte boia do que sobre. Nem é avareza, é desconfiança de que a porção para um dará para dois. Mineiro acha que o garçom está mentindo ou exagerando quando avisa que a porção é para só uma pessoa. Decide pagar para ver, e acaba tendo que completar. Nunca deixa à mesa porque sempre tem um pedido feito atrasado. Aliás, a porção para uma pessoa é, na verdade, para uma pessoa e meia.

Para se vingar da matemática injusta dos estabelecimentos, carregará tudo o que permanecer sobre a mesa, é capaz de reivindicar o embrulho de uma folha de alface, de uma azeitona, de quatro palitos de batata frita, porém não deixa nada de nada para contar a história. Apesar do gosto extravagante do pacote, como desculpa, alegará que é para o cachorro.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/comida-e-dinheiro-vivo-1.2223796 
O texto "Comida é dinheiro vivo", de Fabrício Carpinejar, apresenta uma visão cultural sobre os hábitos alimentares mineiros, utilizando-se de recursos discursivos e linguísticos. Considerando a análise do texto, escolha a alternativa que interpreta corretamente o uso dos elementos linguísticos e culturais apresentados pelo autor.
Alternativas
Q3255292 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A primeira cidade dos EUA com maioria árabe Dearborn se tornou a primeira cidade de maioria árabe dos Estados Unidos em 2023. Com cento e dez mil habitantes, ela abriga o Museu Nacional Árabe-Americano e a maior mesquita da América do Norte.

A cidade é governada por um dos poucos prefeitos árabes e muçulmanos dos Estados Unidos. Dearborn também foi a primeira cidade americana a transformar o fim do jejum do Ramadã em feriado oficial para os funcionários municipais e é um dos poucos lugares do país onde uma mesquita foi autorizada a transmitir a chamada para a prece islâmica pelos seus alto-falantes.

Por tudo isso, Dearborn oferece aos visitantes uma oportunidade tentadora de viajar ao Oriente Médio sem sair dos Estados Unidos, explorando como os árabes-americanos formaram a cidade e o país.

Segundo o curador do Museu Histórico de Dearborn, Jack Tate, a cidade era pouco mais que um terreno rural escassamente povoado até o início do século 20.

Mas tudo mudou nos anos 1920, quando o fabricante de carros e futuro magnata dos negócios Henry Ford transferiu a sede da sua companhia − a Ford − para Dearborn. 

"Naquela época, era uma comunidade pequena e monótona", explica Tate. "E, quando abriu a fábrica, pessoas vieram de todas as partes dos Estados Unidos, de todo o mundo, para trabalhar para a Ford. Foi o grande início da migração do Oriente Médio para cá."

Quando Ford criou seus famosos automóveis Modelo T, em 1908, ele precisava de pessoas para construí-los.

Ondas de trabalhadores de lugares que hoje pertencem ao Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e aos Territórios Palestinos logo começaram a chegar à região de Detroit, em busca de novos empregos e altos salários.

No início dos anos 1920, a maior parte dos trabalhadores da linha de montagem do Modelo T da Ford era de origem árabe. E, quando Henry Ford mudou a fábrica para Dearborn, muitos dos seus funcionários o seguiram.

A mudança transformou o pacato vilarejo na sede da maior instalação industrial do mundo. E, mais do que isso, ela possibilitou que Dearborn passasse a abrigar a maior concentração de árabes-americanos dos Estados Unidos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckr5d1k70ero.adaptado.
"Ondas de trabalhadores" de lugares que hoje pertencem ao Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e aos Territórios Palestinos logo começaram a chegar à região.
A expressão destacada no texto encontra-se em sentido:
Alternativas
Q3255253 Português
Leia a crônica para responder à questão.

Minhas janelas

    Em geral as pessoas possuíram automóveis e se recordam de todos eles. Eu possuí janelas e ajuntei para a lembrança um sortido patrimônio de paisagens. Minha primeira providência em casa nova é instalar meus instrumentos de trabalho ao lado duma janela: mesa, máquina de escrever, dicionários, paciência. Além de pequenos objetos familiares: um globo de lata, uma galinha de barro e três cachimbos que há muitos anos esperam aparecer em mim o homem tranquilo e experiente que fuma cachimbo. A janela também faz parte do equipamento profissional do escritor. Sem janelas, a literatura seria irremediavelmente hermética, feita de incompreensíveis pedaços de vida, lágrimas e risos loucos.
    Tive muitas janelas, e nenhuma delas mais generosa e plena do que esta de que me despeço na manhã de hoje. Amanhã cedo mudarei de casa, de janela, e até de alma, pois o meu modo de ver e viver já não será o mesmo fatalmente.
    Quando menino, nunca olhei pela janela, mas fazia parte da paisagem de um quintal com os mamoeiros bicados pelos passarinhos, as galinhas neuróticas em assembleia permanente, o canto intermitente do tanque. Criança do meu tempo, do tempo das casas, só chegava à janela em dia de chuva, amassando o nariz contra a vidraça para ver o mistério espetacular das águas desatadas e as poças onde os moleques pobres e livres podiam brincar com euforia.
Portanto, só à medida que ganhamos corpo e tempo, vamos aprendendo a conhecer a importância das janelas. Morei em vários lugares e vi muitas coisas. Vi as luminárias inquietantes dos transatlânticos; as traineiras* indo e vindo; um afogado dando à praia ao amanhecer; operários equilibrando-se em andaimes incríveis; o féretro passando; a moça saindo para as núpcias; a mãe voltando com o filho da maternidade; o bêbado matinal; o mendigo irrompendo pela rua... Vi através de minhas janelas todas as formas inumeráveis da vida, e a noite que chegava para engolfar o mundo em escuridão.
    Nos últimos anos, encontrei Ipanema e só tenho trocado de moradia no mesmo bairro. Não quero mais ir, quero ficar; não quero mais procurar, quero conhecer o que já encontrei; para quem sou, as alegrias e tristezas que já tenho estão de bom tamanho.
    Vou perder dentro de poucas horas esta magnífica janela, incomparavelmente a melhor peça deste apartamento. Peço, pois, um minuto de silêncio em derradeira homenagem aos telhados de limo lá embaixo, às minhas gaivotas, aos meus barcos; dou adeus para o meu mar noturno e adeus para este mar cheio de luz.

(Paulo Mendes Campos. Instituto Moreira Salles – Portal da Crônica Brasileira. https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7120/minhas-janelas Crônica publicada em 09.07.1960. Texto adaptado)

*Traineira: pequena embarcação de pesca.
Considere as passagens do texto.

•  ... onde os moleques pobres e livres podiam brincar com euforia. (3º parágrafo)
•  ... o mendigo irrompendo pela rua... (4º parágrafo)
•  ... e a noite que chegava para engolfar o mundo em escuridão. (4º parágrafo)

Analisando o contexto em que se encontram, é correto afirmar que os termos destacados significam, respectivamente:
Alternativas
Q3255113 Português
Leia a crônica para responder à questão.

Minhas janelas

    Em geral as pessoas possuíram automóveis e se recordam de todos eles. Eu possuí janelas e ajuntei para a lembrança um sortido patrimônio de paisagens. Minha primeira providência em casa nova é instalar meus instrumentos de trabalho ao lado duma janela: mesa, máquina de escrever, dicionários, paciência. Além de pequenos objetos familiares: um globo de lata, uma galinha de barro e três cachimbos que há muitos anos esperam aparecer em mim o homem tranquilo e experiente que fuma cachimbo. A janela também faz parte do equipamento profissional do escritor. Sem janelas, a literatura seria irremediavelmente hermética, feita de incompreensíveis pedaços de vida, lágrimas e risos loucos. 
    Tive muitas janelas, e nenhuma delas mais generosa e plena do que esta de que me despeço na manhã de hoje. Amanhã cedo mudarei de casa, de janela, e até de alma, pois o meu modo de ver e viver já não será o mesmo fatalmente.
    Quando menino, nunca olhei pela janela, mas fazia parte da paisagem de um quintal com os mamoeiros bicados pelos passarinhos, as galinhas neuróticas em assembleia permanente, o canto intermitente do tanque. Criança do meu tempo, do tempo das casas, só chegava à janela em dia de chuva, amassando o nariz contra a vidraça para ver o mistério espetacular das águas desatadas e as poças onde os moleques pobres e livres podiam brincar com euforia.
    Portanto, só à medida que ganhamos corpo e tempo, vamos aprendendo a conhecer a importância das janelas. Morei em vários lugares e vi muitas coisas. Vi as luminárias inquietantes dos transatlânticos; as traineiras* indo e vindo; um afogado dando à praia ao amanhecer; operários equilibrando-se em andaimes incríveis; o féretro passando; a moça saindo para as núpcias; a mãe voltando com o filho da maternidade; o bêbado matinal; o mendigo irrompendo pela rua... Vi através de minhas janelas todas as formas inumeráveis da vida, e a noite que chegava para engolfar o mundo em escuridão.
    Nos últimos anos, encontrei Ipanema e só tenho trocado de moradia no mesmo bairro. Não quero mais ir, quero ficar; não quero mais procurar, quero conhecer o que já encontrei; para quem sou, as alegrias e tristezas que já tenho estão de bom tamanho.
    Vou perder dentro de poucas horas esta magnífica janela, incomparavelmente a melhor peça deste apartamento. Peço, pois, um minuto de silêncio em derradeira homenagem aos telhados de limo lá embaixo, às minhas gaivotas, aos meus barcos; dou adeus para o meu mar noturno e adeus para este mar cheio de luz.

(Paulo Mendes Campos. Instituto Moreira Salles – Portal da Crônica Brasileira. https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7120/minhas-janelas Crônica publicada em 09.07.1960. Texto adaptado)

*Traineira: pequena embarcação de pesca.
Considere as passagens do texto.

•  ... onde os moleques pobres e livres podiam brincar com euforia. (3° parágrafo)
•  ... o mendigo irrompendo pela rua... (4° parágrafo)
•  ... e a noite que chegava para engolfar o mundo em escuridão. (4° parágrafo)

Analisando o contexto em que se encontram, é correto afirmar que os termos destacados significam, respectivamente:
Alternativas
Q3254594 Português

Leia a tirinha. 


Imagem associada para resolução da questão


Fonte: https://www.traca.com.br/site/pg.diario.php?page=13 5



De acordo com o sentido da tirinha:



I. o alimento tem um sentido literal, que é de comida, e outro, figurado, de leitura.


II. a fome, na tirinha, é figurada, uma vez que não é por comida, mas por leitura.


III. assim como há alimentos mais leves e frugais, há leituras mais pesadas.


IV. o ambiente hospitalar, a linguagem empregada nas falas e o papel social de médico e paciente constroem uma analogia para o mundo da leitura.



Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3254150 Português
Leia a tirinha.

Q2.png (354×114)

BROWNE, Dik. O melhor de Hagar, o Horrível. Vol.1. Porto Alegre: L&PM, 2009.

A tirinha explora a classificação da palavra "amor". Qual palavra, a seguir, se enquadra nas mesmas características?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2024 - TJ-SP - Oficial de Justiça |
Q3253546 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cuidado com o livro

     Sabem do que tenho mais saudades? Do livro aberto. Sim, isso mesmo, tenho saudade de ver um livro escancarado na mão de um leitor. Já não me lembro da última vez que vi um livro a ser devorado em público. Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história, é hoje praticamente figura de museu, alimento da nostalgia de poetas, romancistas e cronistas, para se empanturrarem até arrotarem os seus desvarios e estórias, que por vaidade ou capricho masoquista se dão ao trabalho de publicar em livros, que ficarão para sempre calados.
    Nutrimos pelos livros o mesmo que sentimos por certos cães: medo. As casas comerciais, cada vez mais escassas, que carregam na fachada a palavra “Livraria”, são encaradas com o mesmo respeitinho que nutrimos por aquelas habitações onde nos portões se lê “Cuidado com o cão”. As nossas bibliotecas estão para nós como os canis municipais: nunca pomos lá os pés. Ninguém quer ver, ninguém está para se comover com aquela quantidade de livros abandonados, engaiolados nas prateleiras numa agonia sem fim.
    Quando kandengues*, nossos pais, para incutir sentido de responsabilidade, nos davam de presente livros, e com eles as mesmas recomendações que forneciam quando nos ofereciam o nosso primeiro cachorrinho: “Cuida bem dele, leva-o a passear, é o teu melhor amigo”. Nós, na emoção inicial, brincávamos com eles envoltos naquela alegria infantil.

*crianças

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas], 2023. Adaptado)
Considere as passagens:

•  Já não me lembro da última vez que vi um livro a ser devorado em público. (1º parágrafo)
•  ... é hoje praticamente figura de museu... (1º parágrafo)
•  As casas comerciais, cada vez mais escassas, que carregam na fachada a palavra “Livraria” são encaradas com o mesmo respeitinho que nutrimos por aquelas habitações... (2º parágrafo)
•  ... brincávamos com eles envoltos naquela alegria infantil. (1º parágrafo)

Em relação às expressões destacadas, é correto afirmar que exprimem, correta e respectivamente, ideias relacionadas aos sentidos de:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2024 - TJ-SP - Oficial de Justiça |
Q3253542 Português
Leia o texto para responder à questão.

O verdadeiro sentido da vida

    Na estúpida corrida para bater recordes de acumulação de riquezas, o verdadeiro sentido da vida tende a ficar para trás. Continua gozando de maior respeito um homem rico do que um sábio. O primeiro é mais visível, possui acessórios caros; impõe-se pela capacidade de comprar soluções; o segundo, por evitar comprá-las, pois não gera problemas. Um mede seu êxito pelo tamanho da inveja que suscita; o outro, pela arte de insuflar satisfação, pois ele compreendeu que não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem.
    O novo milênio deverá promover o resgate da sabedoria entre os seres humanos e, portanto, a capacidade de viver de forma harmoniosa em relação tanto aos semelhantes quanto à natureza. Sinais dessa mudança se notam pela preocupação ainda tímida, mas já evidente, da “responsabilidade social”, algo humano e ambientalmente correto que começa a ser compreendido como fator fundamental e indissociável das atividades econômicas.
    Embora o lucro continue a ser condição básica, pois sem ele nenhuma empresa consegue permanecer em atividade, surge com vigor nas grandes corporações, e até nas pequenas empresas, a necessidade da ação correta, aquela que distribui não apenas dividendos, mas ajudas ao desenvolvimento humano.
    O desempenho de uma empresa passou a ser avaliado, com intensidade crescente nos meios mais atentos, por um conjunto de valores não apenas econômicos e não necessariamente materiais. Hoje, e ainda mais no futuro, a importância e as perspectivas de longevidade da empresa se atrelam ao respeito de interesses difusos e à superação de sofrimentos humanos.
    Mais vale uma empresa com um lucro modesto, mas com papel definido de utilidade social, do que uma empresa com um monumental lucro sem méritos sociais. A primeira terá vida mais fácil que a outra, gozando de simpatia, de apoio, de gratidão – valores imateriais que conspiram hoje, e conspirarão ainda mais no futuro, para o sucesso.
    Quem compreender isso é um afortunado que distribuirá meios para uma vida melhor.

(Vittorio Medioli. Em: https://www.otempo.com.br/opiniao, 28.09.2024. Adaptado)
Há termo(s) empregado(s) em sentido figurado em: 
Alternativas
Q3246731 Português
Leia o texto para responder à questão.


Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras


    Desde que surgiram nas primeiras civilizações, arte e cultura sempre se mostraram propícias à manipulação. Prova disso veio na forma da censura, criando um longo histórico de poderes dominantes se apropriando desses dois campos. Quando países como a Itália anunciam, em 2021, o fim da censura a filmes dentro de seu território, essa discussão ganha novos capítulos.

    A professora Maria Cristina Castilho Costa, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conta que o processo de censura na sociedade não é novo: “A censura não é de jeito nenhum um recurso só usado em ditaduras. Ela sempre existiu na sociedade, desde que surgiu a cultura, porque a cultura é uma ordem, um sistema hegemônico, e as pessoas nem sempre se identificam com essa cultura hegemônica. Então, cria-se um conflito entre o que os cidadãos pensam e o que pensa a cultura hegemônica”.

    No caso do Brasil, a censura ao cinema se instaurou logo quando a sétima arte se consagrava como meio de comunicação, no início do século 20. Enquanto isso, segmentos da sociedade organizam-se em torno da preocupação com o poder de influência que ela poderia ter sobre os espectadores.

(André Derviche, “Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras”. Em: https://jornal.usp.br/atualidades, 06.05.2021. Adaptado) 
Há termo(s) empregado(s) em sentido figurado na passagem:
Alternativas
Q3244910 Português

Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II


    Porto Alegre está submersa. A maior parte do meu bairro, mergulhada em água de cor marrom avermelhada. Sexta-feira, 3 de maio, fazemos compras como se nos preparássemos para uma guerra: estocamos água, comida, lanternas, pilhas. Permaneceremos. No sábado, quando acordamos, a rua estava coberta de água. Chegam notícias alarmantes de outras áreas da cidade. Acaba a luz elétrica. Mas, imagine, o nosso prédio tem gerador. “Mas” − conjetura-se – “não haverá energia para as bombas abastecerem as caixas d’água”. Acaba o fornecimento municipal de água, não há água a ser bombeada, resta racionar a água que ainda temos na caixa d’água do prédio. No domingo, silenciosa e persistente, a água avança. Sobe. Se impõe, indiferente ao fato de que a chuva tenha parado e é um belo dia de sol. Impassível, como as águas que a tudo domina, assisto pelas janelas aquela cena. Estamos no décimo-primeiro andar, a água não chegará aqui. Imagine! Este é um prédio seguro, com todos os recursos, capaz de gerar sua própria energia, escadas pressurizadas, portaria virtual. Um luxo… Olho para baixo, um rapaz passa remando em uma canoa improvisada. Helicópteros, como ruidosos besouros metálicos, cortam os céus. Um caminhão do Exército oferece ajuda aos que querem deixar suas casas. Não é conosco. Isso não pode estar acontecendo. Um cheiro meio nauseabundo exala do rio marrom que passou a existir onde antes havia uma rua ladeada por amoreiras. Estaria eu culpando a água insalubre pela náusea que a ansiedade instaurara em meu corpo? Constata-se: a água continua a subir. Novo recorde para o nível do Guaíba, 5 metros e 33 centímetros. Mas a água não cai dos céus, a chuva dera uma trégua, a água surge dos bueiros aos borbotões acompanhada de ratos e baratas. Fala-se de cobras e lagartos. Jacarés? Contam que um jacaré passeia, digo, nada, pelo bairro. Não pode ser verdade. Segunda-feira, o gerador − que refrigerava nossa comida, recarregava nossos celulares e mantinha acesa alguma esperança de que resistiríamos e que a calamidade passaria longe de nossas confortáveis vidas – pifou pela sobrecarga.


    Incrédulos e anestesiados pegamos alguns pertences, documentos e computadores e conseguimos ainda sair do prédio com água até os joelhos e embarcarmos em nossa caminhonete, felizmente, alta. O assombro era imenso e a sensação era a de que não fazíamos parte daquele cenário, estávamos em outro lugar, apartados daquela realidade.


(Ondina Fachel Leal. 25.05.2024.

Disponível em: https://www.matinaljornalismo.com.br/.Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta trecho do 1º parágrafo em que há emprego de sentido figurado.
Alternativas
Q3233555 Português
Eu, Etiqueta



Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

(ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa:
Publicações Europa-América, 1989.)
No poema "Eu, Etiqueta", o eu lírico apresenta uma visão crítica sobre o consumismo moderno. Qual trecho melhor exemplifica essa crítica à substituição da identidade individual por uma identidade de consumo?
Alternativas
Q3233073 Português

[Tempos muito novos]

 

O melhor conselho que eu poderia dar a um jovem de quinze anos enfiado numa escola desatualizada em algum lugar do mundo de hoje é: não confie demais nos adultos. A maioria deles tem boas intenções, mas eles não compreendem o mundo. No passado, era relativamente seguro apostar em seguir os adultos, porque eles conheciam as coisas bastante bem, e o mundo se transformava lentamente. Mas o século XXI será diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado das mudanças, você nunca terá certeza se aquilo que os adultos estão lhe dizendo é fruto de uma sabedoria atemporal ou de um preconceito ultrapassado.

 

A tecnologia não é uma coisa ruim, mas é uma aposta arriscada. Ela pode ajudá-lo muito, mas se ela exercer demasia poder em sua vida, você pode acabar como um refém. Se você souber o que deseja na vida, ela pode ajudá-lo  a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar por você seus objetivos e assumir o controle de sua vida. E, à medida que a tecnologia adquire uma melhor compreensão dos humanos, você poderia se ver servindo a ela cada vez mais, em vez de ela servir à você. Você já viu esses zumbis que vagueiam pelas ruas com o rosto grudado em seus smartphones? Você acha que eles estão controlando a tecnologia ou é a tecnologia que os está controlando?

 

Neste exato momento, os algoritmos estão observando você. Estão observando aonde você vai, o que compra, com quem se encontra. Logo vão monitorar todos seus passos, todas as suas respirações, todas as batidas de seu coração. Estão se baseando em Big Data e no aprendizado da máquina para conhecer você cada vez melhor. Se você quiser manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro de sua vida, terá de correr mais rápido que os algoritmos. Para correr tão rápido, não leve muita  bagagem consigo. Deixe para trás suas ilusões. Elas são pesadas demais.

 

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo. Companhia das Leiras, 2018, p. 3285-220)

Considerando o contexto, ocorre o emprego de linguagem figurada neste segmento:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2024 - UNESP - Motorista |
Q3232533 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cuidado!

    Se você viu o título desta coluna e imaginou ler um alerta importante, acertou... mas só pela metade. Existe algo que merece, sem dúvida, nossa atenção especial. Estou falando de cuidado, a gentileza com as pessoas, a responsabilidade assumida com alguém ou o carinho e a atenção de fazer o melhor que podemos fazer.
    No meu trabalho, equilibrar arrojo com cautela em relação às informações é essencial para prover conteúdo e análises bem fundamentados, úteis, atualizados e práticos. Esse zelo com o que faço é mais do que uma mera questão de profissionalismo. É respeito com quem dedica tempo e atenção para consumir o conteúdo que produzo. O cuidado que coloco em cada palestra, em cada post em minhas redes sociais é percebido e valorizado. E isso se reflete na confiança que as pessoas depositam em mim. O maior valor do cuidado é interno, não externo. Ou seja, quem cuida do que faz cuida, acima de tudo, de si próprio. Fazer com cuidado traz um sentimento de missão cumprida, de fazer a sua parte.
    Empresas que abraçam os princípios – cuidado com o meio ambiente, com a sociedade e com as próprias empresas – não só contribuem para um mundo melhor, mas também inspiram mais confiança e admiração de clientes. Vivemos um paradoxo interessante: enquanto os valores nas empresas se consolidam, vemos uma nova geração entrando no mercado de trabalho com uma esperança quase cega na tecnologia, especialmente na inteligência artificial. Muitos jovens imaginam que, como a inteligência artificial poderá fazer “tudo”, eles não precisam se dedicar com o mesmo empenho a realizar e aprender tarefas que ficarão obsoletas.
    Ledo engano. A inteligência artificial veio para ficar e mudar nossa forma de viver e trabalhar, mas o cuidado, o capricho e a dedicação são exatamente os elementos humanos que não serão substituídos por máquinas. São a atenção aos detalhes, a responsabilidade e a gentileza que fazem toda a diferença tanto na vida profissional quanto na pessoal. O que não vai mudar, independentemente de qualquer revolução tecnológica, o que nunca perde o valor é o cuidado. Portanto, cuidado com o cuidado.

(Ricardo Amorim, O Estado de S.Paulo, 24 de julho de 2024. Adaptado)
Há palavra ou expressão empregada em sentido figurado na alternativa:
Alternativas
Q3225734 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que se observa emprego de vocábulo em sentido figurado.
Alternativas
Q3223574 Português
   2024 caminha para entrar para a história como um ponto de virada do cinema nacional. Se, em 1990, o termo retomada entrou em cena para marcar a produção de longas que conquistaram sucesso de crítica e público, a atual sequência positiva é marcada pelos números de bilheteria. Até o dia 11 de setembro 2024, os filmes nacionais levaram 7,4 milhões de pessoas aos cinemas, com renda de R$ 142 milhões, marcando os melhores números desde 2020.

   Os dados, disponíveis no Painel Indicadores do Mercado de Exibição da Agência Nacional do Cinema (Ancine), indicam uma verdadeira retomada de público e renda. Mesmo antes do fim do ano, os dados são animadores. Ao todo, já foram exibidos 212 títulos nacionais nos cinemas. O número tende a crescer, com as estreias de Passagrana e de Silvio. Até dezembro, novas produções estão previstas – para comparação, em 2023, chegaram às telonas 281 produções brasileiras.

   Em termos de renda, 2024 já é o melhor ano desde a eclosão da pandemia de covid-19. Parte do aumento dos números pode ser explicada por filmes que atraíram uma multidão aos cinemas. Os Farofeiros 2 (1,878 milhão), Minha Irmã e Eu (1,816 milhão) e Nosso Lar 2 – Os Mensageiros (1,611 milhão) lideram a bilheteria de produções brasileiras.

   O desempenho dos filmes chama atenção já que, desde 2019, nenhuma produção nacional havia conseguido superar a marca de mais de 1 milhão de espectadores nos cinemas. Se, de um lado, as produções parecem ter atraído mais público, houve também a retomada da Lei de Cotas de Telas – que tinha perdido vigência em setembro de 2021. A legislação, que dispõe sobre o número mínimo de filmes brasileiros que devem ser exibidos nos cinemas, voltou a entrar em vigor no último mês de julho.

   Além do desempenho de público, o cinema nacional, em 2024, também tem tido reconhecimento internacional. Ainda Estou Aqui, novo longa de Walter Salles, sem previsão de lançamento, tem chamado atenção da crítica estrangeira. O filme, que faturou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, virou a principal aposta brasileira para voltar à disputa de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar – o que não ocorre desde 1999, com Central do Brasil, também de Walter Salles.


(Gabriel Lima. https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema. 22.09.2024. Adaptado) 
Em relação ao emprego de sentido próprio ou figurado das palavras, é correto afirmar que, no trecho do
Alternativas
Q3222758 Português
       2024 caminha para entrar para a história como um ponto de virada do cinema nacional. Se, em 1990, o termo retomada entrou em cena para marcar a produção de longas que conquistaram sucesso de crítica e público, a atual sequência positiva é marcada pelos números de bilheteria. Até o dia 11 de setembro 2024, os filmes nacionais levaram 7,4 milhões de pessoas aos cinemas, com renda de R$ 142 milhões, marcando os melhores números desde 2020.

      Os dados, disponíveis no Painel Indicadores do Mercado de Exibição da Agência Nacional do Cinema (Ancine), indicam uma verdadeira retomada de público e renda. Mesmo antes do fim do ano, os dados são animadores. Ao todo, já foram exibidos 212 títulos nacionais nos cinemas. O número tende a crescer, com as estreias de Passagrana e de Silvio. Até dezembro, novas produções estão previstas – para comparação, em 2023, chegaram às telonas 281 produções brasileiras.

     Em termos de renda, 2024 já é o melhor ano desde a eclosão da pandemia de covid-19. Parte do aumento dos números pode ser explicada por filmes que atraíram uma multidão aos cinemas. Os Farofeiros 2 (1,878 milhão), Minha Irmã e Eu (1,816 milhão) e Nosso Lar 2 – Os Mensageiros (1,611 milhão) lideram a bilheteria de produções brasileiras.

      O desempenho dos filmes chama atenção já que, desde 2019, nenhuma produção nacional havia conseguido superar a marca de mais de 1 milhão de espectadores nos cinemas. Se, de um lado, as produções parecem ter atraído mais público, houve também a retomada da Lei de Cotas de Telas – que tinha perdido vigência em setembro de 2021. A legislação, que dispõe sobre o número mínimo de filmes brasileiros que devem ser exibidos nos cinemas, voltou a entrar em vigor no último mês de julho.

      Além do desempenho de público, o cinema nacional, em 2024, também tem tido reconhecimento internacional. Ainda Estou Aqui, novo longa de Walter Salles, sem previsão de lançamento, tem chamado atenção da crítica estrangeira. O filme, que faturou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, virou a principal aposta brasileira para voltar à disputa de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar – o que não ocorre desde 1999, com Central do Brasil, também de Walter Salles. 


(Gabriel Lima. https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema.
22.09.2024. Adaptado)
Em relação ao emprego de sentido próprio ou figurado das palavras, é correto afirmar que, no trecho do
Alternativas
Q3200659 Português

Escorrendo


Aos 5 anos de idade o mundo é esmagadoramente mais forte do que a gente. (Aos 30 também, mas aprendemos umas manhas que, se não anulam a desproporção, ao menos disfarçam nossa pequenez.)

A ignorância não é uma bênção, é uma condenação: compreender a origem dos nossos incômodos faz uma grande diferença. Mas como, com tão poucas palavras ao nosso dispor? Palavras são ferramentas que usamos para desmontar o mundo e remontá-lo dentro da nossa cabeça. Sem as ferramentas precisas, ficamos a espanar parafusos com pontas de facas, a destruir porcas com alicates.

Com 2 anos, meu nariz escorria sem parar na sala de aula. Eu não sabia assoar, nem sequer sabia que existia isto: assoar. Apenas enxugava o que descia na manga do uniforme, conformado, até ficar com o nariz assado.

Lembro-me bem da sensação da meia sendo comida pela galocha enquanto eu andava. A cada passo, ela ia se engorovinhando mais e mais na frente do pé, faltando no calcanhar, e eu aceitava o infortúnio como se fosse uma praga rogada pelos deuses, uma sina. Não passava pela minha cabeça trocar de meia, desistir da galocha, pedir ajuda aos adultos: a vida era assim, não havia o que fazer.

Numas férias, meu pai apareceu antes do combinado para pegar minha irmã e eu na casa dos meus avós. Durante 400 quilômetros, falou que existiam pessoas boas e pessoas más, que aconteciam coisas que a gente não conseguia entender, que mesmo as pessoas más podiam fazer coisas boas e as pessoas boas, coisas más. Já quase chegando a São Paulo, contou que nosso vizinho, de 6 anos, tinha levado um tiro. Naquela noite, enquanto as crianças da rua brincavam – mais quietas do que o habitual, sob um véu inominável –, um dos garotos disse: “Bem feito! Ele é muito chato”.

Hoje, penso que pode ter sido sua maneira de lidar com uma realidade esmagadoramente mais forte do que ele. Meu vizinho, felizmente, sobreviveu. Nossa ingenuidade é que não: ficou ali, estirada entre amendoeiras e paralelepípedos, sendo iluminada pela lâmpada intermitente de mercúrio, depois que todas as crianças voltaram para suas casas.



Fonte: Crônica de Antônio Prata. Escorrendo. Disponível em: https://novaescola.org.br/arquivo/vem-que-eu-teconto/pdf/escorrendo.pdf



Há, no texto, termos utilizados em um sentido claramente conotativo, figurado, também chamado de sentido metafórico ou simbólico. Qual termo não possui esse sentido?
Alternativas
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Q3189891 Português
A sentença a seguir em que ocorre verbo que denota sentido figurado é:
Alternativas
Respostas
141: D
142: D
143: B
144: B
145: B
146: B
147: B
148: E
149: C
150: E
151: B
152: E
153: B
154: A
155: B
156: D
157: E
158: E
159: D
160: D