Questões de Concurso Comentadas sobre denotação e conotação em português

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Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: FHEMIG Provas: FGV - 2023 - FHEMIG - Analista de Gestão e Assistência à Saúde (AGAS) - Bacharel em Direito | FGV - 2023 - FHEMIG - Analista de Gestão e Assistência à Saúde (AGAS) - Administrador-Gestor Público-Gestor de Serviços de Saúde-Gestor Hospitalar | FGV - 2023 - FHEMIG - Assistente Social | FGV - 2023 - FHEMIG - Biomédico | FGV - 2023 - FHEMIG - Cirurgião Bucomaxilofacial | FGV - 2023 - FHEMIG - Cirurgião Dentista | FGV - 2023 - FHEMIG - Contador | FGV - 2023 - FHEMIG - Engenheiro Clínico | FGV - 2023 - FHEMIG - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2023 - FHEMIG - Epidemiologista | FGV - 2023 - FHEMIG - Farmacêutico | FGV - 2023 - FHEMIG - Farmacêutico Oncologista | FGV - 2023 - FHEMIG - Farmacêutico Hospitalar | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Anestesiologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Fisioterapeuta | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cardiologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Fisioterapeuta Respiratório | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Cardiovascular | FGV - 2023 - FHEMIG - Fonoaudiólogo | FGV - 2023 - FHEMIG - Nutricionista | FGV - 2023 - FHEMIG - Psicólogo Clínico | FGV - 2023 - FHEMIG - Terapeuta Ocupacional | FGV - 2023 - FHEMIG - Enfermeiro - 30 horas | FGV - 2023 - FHEMIG - Enfermeiro de Terapia Intensiva | FGV - 2023 - FHEMIG - Enfermeiro Neonatologista | FGV - 2023 - FHEMIG - Enfermeiro Obstetra | FGV - 2023 - FHEMIG - Enfermeiro Oncologista | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia de Mão | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Geral | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Plástica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Torácica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Cirurgia Vascular | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Clínica Médica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Coloproctologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Dermatologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Endocrinologia e Metabologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Gastroenterologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Genética Médica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Ginecologia e Obstetrícia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Hematologia e Hemoterapia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Infectologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Infectologia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Mastologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Medicina de emergência | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Medicina Fetal | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Medicina Intensiva | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Medicina Intensiva Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Neurologia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Nutrologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Oftalmologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Oncologia Clínica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Ortopedia e traumatologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Otorrinolaringologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Pediatria | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Pneumologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Pneumologia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Nefrologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Psiquiatria | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Psiquiatria da Infância e Adolescência | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Radiologia e Diagnóstico por Imagem | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Reumatologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Reumatologia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Toxicologia Médica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Urologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Nefrologia Pediátrica | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Neonatologia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Neurocirurgia | FGV - 2023 - FHEMIG - Médico - Neurologia |
Q2265594 Português
Assinale a opção em que o termo sublinhado mostra emprego normal, sem a intenção de expressividade.
Alternativas
Q2264320 Português
Férias da família


     Assim que as crianças entram no carro, ele sente-se em férias. Corre para a frente da televisão, tira os sapatos, embola as meias e atira no meio do tapete. Não há maior sensação de liberdade para um homem do que espalhar roupas pela casa sem o risco de ouvir reclamações. Comer e deixar os pratos empilhados é outra delícia. Todas as conquistas femininas dos últimos anos, que levaram o sexo masculino a dividir as tarefas da casa, vão por água abaixo. A invenção mais perfeita para um senhor em férias é o micro-ondas. Em poucos minutos, qualquer gororoba já começa a soltar fumaça.
     Nesse instante, ele pensa: Como é boa a vida de solteiro! E é invadido por uma nostalgia imensa do tempo em que não era casado, não tinha filhos e tantas responsabilidades. O dinheiro era, principalmente, para se divertir.
     Pressente que, de descanso, a esposa não tem nada. Na praia, passa os dias às voltas com as crianças, tratando das refeições, das roupas, das queimaduras e dos momentos em que os filhos estão entediados e querem arrancar um a orelha do outro.
     Mesmo assim, ele se acha um tanto injustiçado e resolve que tem o direito de aproveitar. Pede à empregada que faça bife à milanesa com arroz e batatas fritas para o jantar. É seu grito de liberdade. A esposa nunca faz nada à milanesa. Vive de regime e as frituras estão interditadas. Ele adora.
     À noite, lembra-se do bife à milanesa. Bota no micro. Retira uma sola de sapato com batatas molengas. Vai para a cama com o estômago reclamando.
     Dali a dois dias, vai fazer café, e o pó acabou. Não há uma camisa de colarinho sequer. No caminho do trabalho, deixa todas na lavanderia. Chega atrasado. Ao voltar, o apartamento está com cheiro de úmido por causa das chuvas. As meias sujas brotam do tapete como cogumelos. Faz uma maleta às pressas e, no dia seguinte, sai mais cedo do expediente para se refugiar na praia.
     De noite, ambos caem exaustos na cama. Ouve de longe o barulhinho das crianças cochichando no quarto. Respira fundo e descobre: mal passou uma semana e já está morrendo de saudade da boa vida de casado!

(Walcyr Carrasco. Veja SP, 30.01.2002. Adaptado) 
Para criar um relato divertido, o cronista se utiliza do exagero e de termos em sentido conotativo. Esses dois recursos estão exemplificados no trecho:
Alternativas
Q2261138 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os ventos

O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa naquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto.
A princípio, ouviu apenas um chiado, um ruído ondular, como se a ventania tivesse penetrado no aparelho. Depois, um silêncio. Repôs o fone no gancho, dando de ombros, os olhos novamente fixos nas páginas que a chamavam. Mas, assim que recomeçou a ler, o telefone tocou novamente. Atendeu. O ruído, outra vez. Desligou, já irritada. Pensou em tirar o fone do gancho, mas resistiu. Não gostava de fazer isso. Voltou à leitura, já um pouco desconcentrada. Leu e releu o mesmo parágrafo três vezes, na certeza de que o telefone voltaria a tocar. E tocou mesmo. Mas, dessa vez, havia uma voz. De homem.
- Siroco, Zonta, Norte. Você sabe o que é isso?
- O quê??
- Siroco, Zonta, Norte. Você já ouviu falar deles? – insistiu a voz. Falava num sussurro.
Ela franziu a testa, olhando o fone. Só faltava isso. Um maluco passando trote.
- Olha aqui, meu amigo...
- São nomes de ventos.
Ela largou o livro no colo. Estranho. Tinha a impressão de já ter ouvido aquela voz.
- Como? – perguntou.
- Siroco, Zonta, Norte. São nomes de ventos.
Um maluco, só podia ser um maluco. Ia desligar, quando ele recomeçou:
- Alguns ventos vêm do deserto, outros do oceano, mas em sua trajetória eles varrem montanhas, despejando chuvas, e tornam-se muito secos, cheios de eletricidade. Saiu isso outro dia no jornal.
A mulher olhou para a janela. Lá fora, a copa da amendoeira dançava, enlouquecida. E o vento começava a gemer nas frestas, como se quisesse entrar.
- Quando chegam às cidades, esses ventos elétricos provocam alterações no sistema nervoso das pessoas – disse a voz. – E sabe o que acontece?
Ela continuou muda.
- As pessoas enlouquecem.
Instintivamente, a mulher levantou-se e caminhou em direção à janela, que estalava com os primeiros pingos de chuva. Olhando por entre a copa fechada da amendoeira, viu a sombra de alguém na calçada. Um homem, com uma capa escura. E, no mesmo instante, ouviu a voz ao telefone dizer:
- É por isso que eu estou aqui.
Há palavra empregada em sentido figurado no seguinte trecho do texto:
Alternativas
Q2259063 Português
Leia o texto para responder à questão.

Felicidade Instantânea

        Transbordam nas prateleiras das livrarias os manuais de autoajuda. Como ser mais feliz, como ter sucesso, como pensar positivo, como conquistar um amor, como ter mais qualidade de vida. Vendem feito picolé na praia. Eu só me pergunto uma coisa: adianta?
        Se o leitor, depois de ler um destes livros, ficar mesmo mais feliz, mais bem-sucedido, mais amado e mais rico, então me curvo. Mas desconfio que o único bem verdadeiro que estes livros fazem é o de dar ao leitor a impressão de que ele está reagindo diante da própria frustração. Se alguém acha que a sua vida, em certo aspecto, não anda legal, o fato de deslocar-se até uma livraria, comprar um destes livros e lê-lo até o fim já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo. Tenho certeza de que isso ajuda mais que as palavras de ordem contidas nestas publicações, tipo “reinvente sua relação”, “pense se precisa mesmo comprar uma nova torradeira” ou “seja flexível”. Se fosse fácil assim, a psicanálise seria extinguida.
        A princípio, todo mundo sabe que deve beber muita água, praticar exercícios, ter autoestima, não se exigir demais, etc. Só que, para isso deixar de ser uma intenção e se tornar um hábito, a descoberta tem que se dar de dentro para fora, vagarosamente. É preciso mergulhar um pouco mais fundo em busca das próprias necessidades, e este é um aprendizado que se dá através do pensar e do sentir, duas coisas que raríssimos livros de autoajuda estimulam.
        Autoajuda, de verdade, são todos os outros livros: romances clássicos, policiais, biografias, ficção científica, crônicas do cotidiano, enfim, tudo que convida à reflexão, tudo que diverte e intriga, faz rir e chorar, tudo que nos auxilia no autorreconhecimento e nos justifica como seres humanos.
(Marta Medeiros, Non-stop: crônicas do cotidiano.)
Assinale a alternativa em que há palavra(s) empregada(s) em sentido figurado.
Alternativas
Q2258636 Português
O PIB do Tocantins alcançou o valor de R$ 43,6 bilhões de reais em 2020 e apresenta crescimento acumulado de 118%

O resultado do PIB do Tocantins em 2020 alcançou o valor de R$43,6 bilhões de reais, divulgou o IBGE, em parceria com a Secretaria de Planejamento e Orçamento do Estado do Tocantins (Seplan). O Estado do Tocantins apresenta crescimento acumulado de 118% no PIB, levando em consideração a série histórica de 2002 a 2020, o que representa uma taxa de crescimento médio de 4,4% ao ano.
Na série histórica de 2002-2020, o PIB do Brasil apresentou, em volume, crescimento médio de 2,0% ao ano (a.a.). Mato Grosso registrou o maior crescimento entre as 27 Unidades da Federação, com variação média de 4,7% a.a., seguido pelo Tocantins, com variação de 4,4% a.a. Em relação ao crescimento acumulado no volume do PIB, o Rio de Janeiro apresentou o pior resultado entre os estados, já que cresceu, desde 2002, apenas 21,6%; o 2° pior resultado é do Rio Grande do Sul, com 24,3%; os demais Estados brasileiros registraram crescimento acima de 30%. Nesse sentido registra-se que o Mato Grosso cresceu 130% e o Tocantins cresceu 118%.
Para o desempenho do Mato Grosso e do Tocantins, foi relevante o crescimento em volume da Agropecuária, e para o Estado do Tocantins também contribuíram as atividades de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação e Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas. […]
A Agropecuária de Tocantins cresceu 1,4% em 2020, em relação ao ano anterior, desempenho que se vinculou sobretudo à atividade agrícola. O incremento dessa atividade foi impulsionado especialmente pelo cultivo da soja e de outros cereais, como milho e algodão herbáceo, este último com menor representatividade na agricultura do Estado, mas com aumento expressivo na produção. Também registraram crescimento positivo as atividades pecuárias. Em contrapartida, a silvicultura, que é uma atividade sazonal e extrativista, apresentou um crescimento de 278,2%, impulsionada pela extração em tora de eucalipto.
A Indústria do Estado de Tocantins registrou variação em volume de -1,3%. Este desempenho ocorreu principalmente pela queda em volume de 6,0% na atividade de construção e de 6,5% nas indústrias de transformação. A variação negativa da construção deveu-se à retração nos segmentos de serviços especializados para construção civil, também fortemente impactados pela pandemia da Covid-19. A queda em volume na produção das indústrias de transformação ocorreu principalmente nos setores de alimentos, de produtos químicos orgânicos e inorgânicos. Registraram crescimento positivo as atividades de eletricidade e água (6,3%) e a atividade extrativista mineral (1,1%).

FREGONESI, Patrícia. Disponível em: https://www.to.gov.br/seplan/ noticias/o-pib-do-tocantins-alcancou-o-valor-de-r-436-bilhoes-dereais-em-2020-e-apresenta-crescimento-acumulado-de-118/ 69a1onjdrykz. Acesso em: 27 de jun 2023. Fragmento adaptado. publicado: 17 de nov 2022.
Assinale a alternativa em que todos os termos sublinhados apresentam sentido conotativo.
Alternativas
Q2258589 Português
O fim da civilização do automóvel?

        Quem, em um futuro próximo, precisará ter carro próprio? A pergunta parece soar um tanto sem sentido hoje, mas o radar da mudança do setor automobilístico não para de pulsar. O que ele está anunciando?
        Foi-se o tempo em que fazer a autoescola e conquistar a CNH era o sonho dos jovens recém-saídos da adolescência. Hoje, essa geração parece dar muito mais valor para smartphones, tablets e viagens ao exterior. A posse de um carro está lá na quarta, quinta colocação no ranking dos sonhos de consumo.
        Aplicativos de carona compartilhada, Uber e meios de transporte ecológicos e politicamente corretos, como a bicicleta, são hoje produtos substitutos do velho e bom automóvel, essa é a verdade. Os dados corroboram esses fatos: de 2014 a 2018, a emissão de CNH caiu 32% em todo o País, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Ainda, a idade média dos novos condutores aumentou significativamente, chegando em 2014 a 27 anos.
        Mais dados: a consultoria Box 1824 ouviu 3 mil jovens entre 18 e 24 anos em 146 cidades brasileiras em junho de 2018. Resultado: apenas 3% deles apontou o carro como prioridade de compra. Nos Estados Unidos, pesquisa da Rockefeller Foundation com jovens na mesma faixa etária relatou que 75% dos entrevistados gostariam de viver em um lugar em que não precisassem ter carro.
        Outra pesquisa, realizada em 2015 no Reino Unido pela empresa Prophet, mostrou um dado arrebatador: 65% das pessoas entre 18 e 34 anos preferem um smartphone de última geração a um automóvel novo.
        A importância do carro é cada vez menor para as novas gerações, isso é fato, e tecnologias potenciais como a do carro autônomo ajudam a reforçar essa nova visão. Carros sem motorista, conectados ao celular, poderão, em um amanhã muito próximo, apanhar os passageiros em determinado local, deixando-os no destino e ficando livres para os próximos usuários.
         Para que ter carro em um mundo assim? Por que pagar IPVA, seguro, combustível e estacionamento e ainda correr o risco de ter o veículo multado, amassado ou roubado? O modelo de negócio da indústria automobilística mudou: de fabricantes de carros, as montadoras terão de se transformar em provedoras de mobilidade, caso contrário, correm sério risco de ficar pelo caminho. Google, Amazon e Apple são gigantes que já estão de olho no promissor mercado de carros autônomos, e estima-se que em 2030 eles representarão 15% da frota mundial.
        A Era 4.0 está quebrando paradigmas na poderosa indústria automobilística e a transformará radicalmente nos próximos anos, seja pelo uso de novas tecnologias, que viabilizarão a utilização em larga escala de carros autônomos, seja pela mudança de comportamento dos consumidores, cada vez mais seduzidos pela conveniência de aplicativos como Uber, menos presos à posse e mais afeitos ao uso de carros compartilhados.

(Fonte: Empresas Proativas 4.0 — adaptado.)
Dependendo do uso que fazemos das palavras, elas são tomadas no sentido denotativo, ou seja, literal, ou no sentido conotativo, isto é, figurado. Sobre essa distinção, analisar os itens abaixo, levando-se em conta seu funcionamento no texto:
I. Em “[...] mas o radar da mudança do setor automobilístico não para de pulsar” (1º parágrafo), as palavras “radar” e “pulsar” são consideradas denotativamente, visto que expressam a captação de pulsações por antenas, fenômeno muito comum envolvendo automóveis.
II. No fragmento “Por que pagar IPVA, seguro, combustível e estacionamento e ainda correr o risco de ter o veículo multado, amassado ou roubado?” (7º parágrafo), os termos sublinhados são empregados pelo autor no sentido conotativo, uma vez que não expressam uma realidade, mas uma condição hipotética.
III. No excerto “[...] caso contrário, correm sério risco de ficar pelo caminho”, a expressão sublinhada é utilizada de maneira conotativa, indicando algo como “terem sua atuação comprometida”.

Está(ão) CORRETO(S):
Alternativas
Q2258240 Português
Leia o texto para responder à questão.


        Ter um celular é essencial para atividades da vida diária: fazer ligações, checar mensagens, tirar fotos ou fazer compras não seria tão simples sem ele. Dá-los para crianças, no entanto, ainda é um dilema. Não há consenso quanto ao uso dos aparelhos na infância.
        Diferentes escolas e redes de ensino têm regras para o uso de celular. Na rede estadual de São Paulo, por exemplo, o aparelho era proibido nas instituições de ensino até 2017, quando uma nova lei o permitiu nas salas de aula para finalidades pedagógicas.
        Países europeus como França, Holanda e Itália adotaram, nos anos recentes, medidas que proibiram o uso de celular em sala de aula. Segundo os governos, as regras têm o objetivo de reduzir as distrações e melhorar a concentração e a aprendizagem dos estudantes.
        Na Holanda, os dispositivos só vão ser permitidos se forem especificamente necessários, como em aulas de habilidades digitais, por motivos médicos ou para pessoas com deficiência.
        Na cidade de Greystones, na Irlanda, tomou-se uma medida ainda mais radical. Um pacto firmado entre pais de oito escolas do distrito proíbe o uso de smartphones por crianças e adolescentes até que eles cheguem ao ensino médio. A proibição vale para todos os espaços, mesmo dentro de casa, de modo a deixá-la mais coerente. “Se todo mundo faz isso, você não se sente excluído”, disse a mãe Laura Bourne a um jornal britânico.
        O caso da Irlanda chamou a atenção para a colaboração entre escolas e famílias. Para Jhonatan Almada, diretor do Centro de Inovação para a Excelência das Políticas Públicas, os pais devem participar das decisões sobre o uso de aparelhos em salas de aula. “A principal forma de abordar o tema com eles é apresentar o conhecimento científico e mostrar exemplos de países que adotaram tais regras, caso proponham modelos mais restritivos”, disse.
        As escolas também devem considerar as famílias quanto ao uso do celular se decidirem liberá-los. “O uso em sala de aula reforça a necessidade de ter um dispositivo como celular ou tablet, o que pode bater de frente com o combinado entre os membros da família que prefere que suas crianças não tenham esses dispositivos ou que os usem em momentos específicos”, disse Bernardo Bueno, professor e pesquisador.
        Além de participar das decisões das escolas, Aline Restano, psicóloga, disse que é importante que as famílias encarem o uso do celular de forma crítica também dentro de casa. “Quando tiverem um bebê, os pais vão seguir usando o celular durante as refeições? Vão continuar usando o celular à noite? Vão interromper a conversa para olhar o celular constantemente?”, questiona.

(Mariana Vick. Como as escolas podem lidar com crianças no celular. www.nexojornal.com.br.10.07.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se observa emprego de linguagem em sentido figurado.
Alternativas
Q2254891 Português

Leia os textos II e III e responda a questão.






A metáfora, classicamente entendida como um instrumento retórico voltado para adicionar à linguagem ordinária uma reinterpretação a partir de expressões literais, em uma concepção mais moderna, passa a ser considerada também como uma maneira de experienciar o mundo, evidenciando o papel da imaginação na formulação de conceitos sobre o mundo, de modo a abolir a diferença entre linguagem literal e figurativa. Nessa perspectiva, o Texto II 
Alternativas
Q2254844 Português
O grande mistério

    Há dias já que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia um soufflé de camarão para o jantar. Daí...
      Mas comeu-se o camarão, que inclusive foi elogiado pelas visitas, jogaram as sobras na lata do lixo e — coisa estranha — no dia seguinte a sala cheirava pior.
    Talvez alguém não gostasse de camarão e, por cerimônia, embora isso não se use, jogasse a sua porção debaixo da mesa. Ventilada a hipótese, os empregados espiaram e encontraram apenas um pedaço de pão e uma boneca de perna quebrada, que Giselinha esquecera ali. E como ambos os achados eram inodoros, o mistério persistiu.
    Os patrões chamaram a arrumadeira às falas. Que era um absurdo, que não podia continuar, que isso, que aquilo. Tachada de desleixada, a arrumadeira caprichou na limpeza. Varreu tudo, espanou, esfregou e... nada. Vinte e quatro horas depois, a coisa continuava. Se modificação houver, fora para um cheiro mais ativo.
    À noite, quando o dono da casa chegou, passou uma espinafração geral e, vítima da leitura dos jornais, que folheara na lotação, chegou até a citar a Constituição na defesa de seus interesses. 
    — Se eu pago empregadas para lavar, passar, limpar, cozinhar, arrumar e ama-secar, tenho o direito de exigir alguma coisa. Não pretendo que a sala de visitas seja um jasmineiro, mas feder também não. Ou sai o cheiro ou saem os empregados.
    Reunida na cozinha, a criadagem confabulava. Os debates eram apaixonados, mas num ponto todos concordavam: ninguém tinha culpa. A sala estava um brinco; dava até gosto ver. Mas ver, somente, porque o cheiro era de morte.
    Então alguém propôs encerar. Quem sabe uma passada de cera no assoalho não iria melhorar a situação?
    — Isso mesmo — aprovou a maioria, satisfeita por ter encontrado uma fórmula capaz de combater o mal que ameaçava seu salário. 
    Pela manhã, ainda ninguém se levantara, e já a copeira e o chofer enceravam sofregamente, a quatro mãos. Quando os patrões desceram para o café, o assoalho brilhava. O cheiro da cera predominava, mas o misterioso odor, que há dias intrigava a todos, persistia, a uma respirada mais forte.
    Apenas uma questão de tempo. Com o passar das horas, o cheiro da cera — como era normal — diminuía, enquanto o outro, o misterioso — estranhamente, aumentava. Pouco a pouco reinaria novamente, para desespero geral de empregados e empregadores.
    A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude: desceu do alto do seu grã-finismo com as armas de que dispunha, e com tal espírito de sacrifício que resolveu gastar os seus perfumes. Quando ela anunciou que derramaria perfume francês no tapete, a arrumadeira comentou com a copeira:
    — Madame apelou para a ignorância.
    E salpicada que foi, a sala recendeu. A sorte estava lançada. Madame esbanjou suas essências com uma altivez digna de uma rainha a caminho do cadafalso. Seria o prestígio e a experiência de Carven, Patou, Fath, Schiaparelli, Balenciaga, Piguet e outros menores, contra a ignóbil catinga.
    Na hora do jantar a alegria era geral. Não restavam dúvidas de que o cheiro enjoativo daquele coquetel de perfumes era impróprio para uma sala de visitas, mas ninguém poderia deixar de concordar que aquele era preferível ao outro, finalmente vencido.
    Mas eis que o patrão, a horas mortas, acordou com sede. Levantou-se cauteloso, para não acordar ninguém, e desceu as escadas, rumo à geladeira. Ia ainda a meio caminho quando sentiu que o exército de perfumistas franceses fora derrotado. O barulho que fez daria para acordar um quarteirão, quanto mais os da casa, os pobres moradores daquela casa, despertados violentamente, e que precisavam perguntar nada para perceberem o que se passava. Bastou respirar.
    Hoje pela manhã, finalmente, após buscas desesperadas, uma das empregadas localizou o cheiro. Estava dentro de uma jarra, uma bela jarra, orgulho da família, pois tratava-se de peça raríssima, da dinastia Ming.
    Apertada pelo interrogatório paterno Giselinha confessou- -se culpada e, na inocência dos seus três anos, prometeu não fazer mais.
    Não fazer mais na jarra, é lógico.
    
    (PONTE PRETA, Stanislaw. O grande mistério. In: Rosamundo e os outros. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963. P. 76.)
Assinale a afirmativa que contém um exemplo de linguagem conotativa.
Alternativas
Q2254178 Português
Eu sei, mas não devia

    Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

    A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, àmedida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

    A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café́correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

    A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. 

    A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

    A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

    A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

    A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

    A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

    A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Crônica nº 157, Jornal do Brasil. Revista de Domingo. Em: 24/09/1972.) 

A autora utiliza-se de uma linguagem figurada na construção das ideias do texto; assinale-a.
Alternativas
Q2253716 Português

Analise os quadrinhos a seguir e assinale a alternativa que contenha a opção incorreta.


Imagem associada para resolução da questão


INFANTE, Guilherme. O capirotinho: 5 anos. [s.l.],Editora: [s.n.], 2020, P.111.


Analise os quadrinhos a seguir e assinale a alternativa que contenha a opção incorreta.

Alternativas
Q2253422 Português
Leia o texto para responder à questão.

        Para conseguir lidar com o luto pela perda precoce da mãe, aos 10 anos, o japonês Takeo Sawada (1917-2004) começou a pintar. Ganhou um kit de desenho do pai, na cidade de Yuki, a 100 quilômetros de Tóquio. Participou de duas exposições e, aos 12 anos, conquistou o Prêmio Imperial do governador da província de Ibaraki. Contudo, com a promessa de uma vida melhor, decidiu emigrar para o Brasil, então com 16 anos de idade, e seguir os passos dos familiares que se estabeleceram em Rancharia, no oeste paulista.
        Sem conhecer a língua portuguesa e os costumes do país, teve ajuda de um tio comerciante e trabalhou em plantações de café e algodão. Sua sensibilidade artística foi aguçada pelos elementos da natureza, e uma árvore frondosa de flores vermelhas foi a que mais chamou sua atenção: o flamboyant. Sawada gostava de admirá-la, pintá-la e fotografá-la pela cidade, num convite à contemplação.
        Na década de 1970, fundou um curso de artes visuais para crianças. Ao longo de três décadas, cerca de 4 mil alunos — incluindo adultos — tiveram aulas com o sensei [mestre ou professor], que se tornou referência em arte-educação. “Frequentei as aulas de Sawada em 1987, aos 25 anos. Lembro-me de sua voz tranquila, dos óculos pendurados por um cordão e de muitos pincéis e lápis no bolso da camisa”, recorda-se a artista visual Carmo Malacrida, uma das curadoras da exposição “À Sombra do Flamboyant: Takeo Sawada”, em cartaz no Sesc Registro.
        As aulas do artista incluíam desde passeios ao ar livre a exercícios de técnicas de desenho e pintura no ateliê. Em entrevista a um canal de televisão, o próprio artista definiu sua atuação: “Ensinar criança não é para criar artista, é para formar uma boa pessoa, uma pessoa de paz, de boa índole, que possa se dedicar ao Brasil, à sociedade”. Inspirada pelo mestre, Carmo dá aulas de artes para crianças há 22 anos, e diz que aprendeu com ele a ver o mundo de forma poética. “Ele nos preparava para a vida, queria que criássemos livremente. Dizia para não termos medo do vazio do papel, que na folha grande há muito espaço para desenhar e pintar”, conta.

(Luna D’Alama. Da cerejeira ao flamboyant. Revista E, maio de 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa que contém expressão empregada em sentido figurado. 
Alternativas
Q2250716 Português
Leia o texto para responder à questão.

Como conciliar a rotina num século em que o tempo se tornou privilégio?

        Publicada em 1865, a obra Aventuras de Alice no País das Maravilhas, uma das mais importantes da literatura mundial, foi fruto da imaginação e das indagações sobre a relatividade temporal do escritor e matemático Lewis Carroll (1832- 1898). O personagem Coelho Branco pode simbolizar, por meio de sua obsessão pelo tempo, a angústia causada pela brevidade da experiência humana.
        Afinal, na época em que a história foi escrita, os dias passaram a ser contados pelos ponteiros do relógio, e não mais pelo nascer e pôr do sol. Foi a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, que a vida foi compartimentada em horas, minutos e segundos, entre “tempo de trabalho” e “tempo livre”. Assim como Alice, a humanidade caiu na toca do Coelho Branco e começou a correr atrás do tempo.
         Desde então, a sociedade sonha com a dilatação das 24 horas do dia para conciliar o rendimento no trabalho com momentos de lazer com família e amigos, fazer atividade física, ler um livro ou simplesmente ficar de pernas para o ar. Num século em que gerenciar o tempo se tornou privilégio, a consequência dessa aceleração vem provocando quadros de ansiedade, depressão e outros sofrimentos psíquicos. De acordo com o mais recente mapeamento global de transtornos mentais, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui a população mais ansiosa do mundo.
         “Precisamos ter em mente que questões de saúde mental estão estreitamente relacionadas aos modos de vida, ao quadro cultural do país e como está organizada a vida social. Então, eu colocaria a questão do tempo na perspectiva desse arranjo social, político e econômico neoliberal, que leva a uma mobilização integral da nossa vida para o trabalho”, aponta o professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Ricardo Rodrigues Teixeira, que coordena a diretoria de Saúde Mental e Bem-Estar Social da pró-reitoria de Inclusão e Pertencimento da instituição.
        Autor do livro Sem tempo para nada, o cientista social Luís Mauro Sá Martino endossa esse diagnóstico. “Como sociedade, podemos nos perguntar o quanto esse ritmo acelerado está nos fazendo bem, sobretudo a longo prazo. Você pode tentar levar uma vida adequada à sua saúde e bem-estar, porém como fazer isso se tudo ao seu lado está em um ritmo rápido e contínuo?”, dispara.

(LLEDÓ, Maria Júlia. Como conciliar a rotina num século em que o tempo se tornou privilégio?. Revista E (Sesc Edições). 01.05.2023. Adaptado)
No contexto de leitura, está empregada em sentido figurado a palavra destacada em:
Alternativas
Q2250668 Português
Leia o texto para responder à questão.

        A memória dos que envelhecem (e que transmitem aos filhos, aos sobrinhos, aos netos, a lembrança dos pequenos fatos que tecem a vida de cada indivíduo e do grupo com que ele estabelece contatos, correlações, aproximações, antagonismos, afeições, repulsas e ódios) é o elemento básico na construção da tradição familiar. Esse folclore jorra e vai vivendo do contato do moço com o velho — porque só este sabe que existiu em determinada ocasião o indivíduo cujo conhecimento pessoal não valia nada, mas cuja evocação é uma esmagadora oportunidade poética. Só o velho sabe daquele vizinho de sua avó, há muita coisa mineral dos cemitérios, sem lembrança nos outros e sem rastro na terra — mas que ele pode suscitar de repente (como o mágico que abre a caixa dos mistérios) na cor dos bigodes, no corte do paletó, na morrinha do fumo, no ranger das botinas de elástico, no andar, no pigarro, no jeito — para o menino que está escutando e vai prolongar por mais cinquenta, mais sessenta anos a lembrança que lhe chega, não como coisa morta, mas viva qual flor olorosa e colorida, límpida e nítida e flagrante como um fato presente.
         E com o evocado vem o mistério das associações trazendo a rua, as casas antigas, outros jardins, outros homens, fatos pretéritos, toda a camada da vida de que o vizinho era parte inseparável e que também renasce quando ele revive — porque um e outro são condições recíprocas. Costumes de avô, responsos de avó, receitas de comida, crenças, canções, superstições familiares duram e são passadas adiante nas palestras de depois do jantar; nas das tardes de calor, nas varandas que escurecem; nas dos dias de batizado, de casamento, de velório.

(Pedro Nava. Baú de Ossos. São Paulo: Cia das Letras, 2012)
Há palavra ou expressão empregada em sentido figurado no trecho: 
Alternativas
Q2244412 Português
Inteligência Artificial proporciona segurança na aplicação de provas online

Nos últimos anos, diversas atividades passaram a ser realizadas remotamente. No meio educacional, não foi diferente. De aulas à aplicação de provas, o ambiente virtual na aprendizagem se tornou uma realidade. Com isso, a adoção de novas tecnologias como a inteligência artificial já é uma realidade na educação. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o uso deste tipo de solução será um aliado fundamental para enfrentar os desafios e o cumprimento das metas do setor da Agenda 2030. Isso porque não só promove inovadoras práticas de ensino e metodologias de aprendizagem mais eficazes, como também garante a segurança, evitando qualquer tipo de fraude durante o processo de aplicação de exames à distância.

No Brasil, por exemplo, a Iaris, startup especializada em aplicações deste tipo de tecnologia, disponibiliza a solução EasyProctor para o mercado, uma ferramenta que combina dados analisados via inteligência artificial com análise humana para o monitoramento de provas online com segurança. A tecnologia já acompanhou de perto dezenas de milhões de horas/aula e exames, o que gerou mais de três milhões de alertas de possibilidade de fraudes.

Para garantir a segurança na aplicação remota de provas, a solução emite alertas de verificação biométrica, troca de uma ou mais faces, desvio e giro de cabeça, ruídos e até mesmo transcrição de áudio, além de possuir recursos de integração com sistemas de geração de exames, como Moodle e Canvas, através de APIs simples de serem implementadas. A plataforma ainda realiza o bloqueio automático de funções do sistema operacional de computadores como Alternar usuários, menu Iniciar, barra de ferramentas, comando Ctrl, Alt e Del, entre outros. A troca por outros navegadores e sistemas de pesquisa, compartilhamento de telas e recursos de recortar, colar e copiar também serão bloqueados.

Além disso, após a finalização do exame, são gerados dados e relatórios, com interface gráfica para visualização dos alertas emitidos durante a aplicação de cada exame. Também é possível o acesso a áudio e vídeo captados durante a prova.

"As soluções educacionais buscam entregar conteúdo que pode ser acessado em qualquer lugar que o aluno ou o candidato esteja, seguindo o mundo dinâmico em que vivemos. O EasyProctor possibilita que um exame possa ser aplicado com a segurança adequada para cada tipo de aplicação, certificando que o aluno realizou o aproveitamento daquele conteúdo que lhe foi entregue. De forma fácil, segura e flexível, a solução se adequa ao cenário econômico da educação, com baixo custo de investimento para assegurar a execução de provas e exames", diz Fábio Falcão, CEO da Iaris.

https://exame.com/bussola/i-a-pode-proporcionar-seguranca-na -aplicacao-de-provas-online/. Adaptado. . 
Textos podem apresentar, em sua maioria, um tipo específico de frases que lhe conferem um aspecto de sentido próprio ou variado.
No texto base, predomina o sentido:
Alternativas
Q2232529 Português
Analise a frase a seguir.

"Quando uma porta se fecha, outra se abre. Mas muitas vezes nós ficamos olhando tanto tempo, tristes, para a porta fechada que nem notamos que se abriu outra para nós."
Graham Bell. Com essa frase em linguagem figurada, o autor pretende
Alternativas
Q2231498 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Por que Nova York está ‘esvaziando’?

        Uma casa com quintal e espaço para montar um escritório já era um sonho de Giovanna Almeida antes de o mundo ouvir falar de um tal de coronavírus pela primeira vez. Ela morava no Brooklyn quando teve de se isolar em casa durante o pico da pandemia.
        Na época em que ainda frequentava o escritório, ela gastava uma hora no trajeto entre a casa e o trabalho. Hoje, ela e o marido moram em Nova Jersey, estado vizinho a Nova York, onde o bebê de 11 meses logo vai poder correr à vontade no gramado, nos fundos da casa que eles compraram recentemente. Giovanna é um exemplo de uma tendência que transformou Nova York num dos estados que mais perderam moradores nos últimos dois anos.
        O professor da Universidade Columbia, Stijn Van Nieuwerburgh, acha que as autoridades precisam tomar providências urgentes para evitar que a cidade entre em um ciclo vicioso com menos arrecadação, população cada vez menor, empresas se mudando e os serviços cada vez mais precários.
        Basta dar uma caminhada pela rua 57, entre a Quinta e a Sexta avenidas, para entender o que está acontecendo. Com o aumento do trabalho remoto, essa área, que tinha um dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade, tem agora várias lojas fechadas e prédios de escritório completamente vazios, com anúncios de “aluga-se”.
        Uma das propostas da prefeitura da cidade é converter esses escritórios em residências. O professor Nieuwerburgh afirma que a ideia é boa e barata. Basta mudar a lei do zoneamento. “Você pode manter a loja no primeiro andar e converter todos os escritórios nos outros andares porque vai gerar demanda para o comércio.”
        “Nenhuma cidade pode viver só dos profissionais de finanças, tecnologia e de advogados”, afirma. Para voltar a ser uma cidade vibrante, será necessário manter, também, artistas, funcionários de hotéis e de restaurantes e quem trabalha no entretenimento.
        O risco é ver Nova York repetir o que já enfrentou nos anos 1970 e o que Detroit ainda não conseguiu superar. Por isso, Nieuwerburgh aconselha: quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento e converter prédios comerciais em residências, mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer, garantindo a manutenção dos serviços de transporte, educação e segurança.
(Heloisa Villela. BBC News Brasil. 28 dezembro 2022)
No texto, está empregada em sentido figurado a palavra destacada em:
Alternativas
Q2229618 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Portugueses e brasileiros

Sírio Possenti

Estamos acostumados a pensar que as diferenças entre o português do Brasil (PB) e o de Portugal (o europeu, PE) são lexicais e relativas ao gerúndio. Onde dizemos “fila” eles dizem “bicha”, onde dizemos “camiseta” eles dizem “camisola” (Cristiano Ronaldo joga com a 7) e muitos outros casos.
O dicionário contrastivo Luso-Brasileiro de Mauro Villar que dorme na minha biblioteca tem 320 páginas. É verdade, no entanto, que às vezes falta-lhe critério, como vejo abrindo-o ao acaso e encontrando “ginecómano”, significando “ginecômano” – ou seja, trata-se apenas de uma diferença de pronúncia. O volume poderia ser menor, provavelmente.
Aprendemos também que, onde empregamos gerúndios, eles empregam infinitivos (“jogando” x “a jogar”). E veio daí também uma ojeriza total aos gerúndios todos, em época recente, ______ pensaram alguns que, se os portugueses não os empregam, devemos fazer o mesmo – e com todos!
Mas isso é quase folclore. Estudos mais sofisticados de história e da variação nas duas ‘variedades’ de português mostram que os fenômenos não são tão simples. Há quem defenda que o PB é uma continuação do PE, já que todas as variantes que se encontram aqui se encontram também lá. Mas nem todos pensam assim, e postulam que há uma ruptura entre as duas variedades (línguas?), decorrente do contato aqui havido com línguas africanas. Tudo depende um pouco dos dados postos em relevo.
Quem anda uns dias pela terrinha sabe que há muitas diferenças de pronúncia pouco tematizadas (______ os lugares comuns se repetem), algumas das quais não serviriam como fundamento para quem desejasse que o português de Portugal fosse nosso modelo (...).

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/coluna/portugueses-e-brasileiros/. Adaptado.
Assinale a alternativa que apresenta um excerto do texto cujo emprego tem sentido figurado.
Alternativas
Q2228063 Português
Texto CG1A1-I

           O Estado moderno exerce um papel importante na moldagem da distribuição de renda e do bem-estar entre seus cidadãos, moderando as desigualdades geradas pela economia de mercado. Ele busca esses objetivos por intermédio de várias políticas públicas, como o estabelecimento do arcabouço legal do ambiente de negócios, a regulação da concorrência econômica, a provisão de bens e serviços públicos, a promoção de transferências monetárias às famílias de baixa renda e a arrecadação dos tributos necessários a seu financiamento.
      Entre as principais funções do Estado, sob a ótica das finanças públicas, está a função redistributiva. Essa função está basicamente associada a ajustamentos no perfil da distribuição de renda, uma vez que as alocações de mercado podem levar a uma situação de desigualdade não apoiada pelos anseios gerais da população. Nesse caso, o equilíbrio de mercado pode passar a gerar conflitos e a interferir no funcionamento da própria sociedade.
       Um importante instrumento à disposição do Estado para exercer sua função distributiva é, naturalmente, o sistema tributário. Por meio dele, o governo pode ajustar a renda dos cidadãos, taxando mais algumas rendas e menos outras, de forma a atingir uma distribuição final mais equitativa. Um sistema tributário progressivo é aquele no qual os impostos aumentam mais que proporcionalmente com o aumento da renda dos contribuintes. O sistema regressivo ocorre quando o pagamento dos impostos aumenta menos que proporcionalmente com a renda dos contribuintes e proporcional (ou neutro) quando os impostos aumentam proporcionalmente com a renda.
             O sistema de impostos progressivo tende a reduzir a desigualdade de renda entre os cidadãos. No contexto do sistema tributário de qualquer país, o tributo que melhor possibilita a aplicação do princípio da progressividade é o imposto de renda da pessoa física (IRPF). O IRPF brasileiro apresenta elevada progressividade em termos de desvio da proporcionalidade e moderada capacidade redistributiva, em função da baixa representatividade da arrecadação frente à renda bruta total do país. A progressividade do tributo brasileiro advém essencialmente da estrutura de alíquotas, sendo que a estrutura das deduções do rendimento bruto é proporcional e, portanto, neutra em termos de progressividade.

Internet: <https://www.scielo.br/>(com adaptações).

Considerando os sentidos do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.


Considerada a perspectiva argumentativa do autor, é correto afirmar que o termo “equilíbrio” (terceiro período do segundo parágrafo) é empregado no texto com conotação negativa. 


Alternativas
Q2226009 Português
Na estruturação da redação empresarial, para que seja considerado o sentido real das palavras, qual tipo de linguagem deve ser utilizado?
Alternativas
Respostas
441: B
442: E
443: A
444: A
445: D
446: C
447: A
448: C
449: B
450: D
451: A
452: A
453: A
454: A
455: C
456: B
457: E
458: B
459: C
460: A