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Questões de Concurso Comentadas sobre crase em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 6.701 questões

Q4019933 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
A amígdala está relacionada "às respostas" "a ameaças", enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. Em relação ao emprego do acento indicativo de crase nos trechos destacados, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4018187 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os países mais felizes do mundo em 2026 — e o que eles estão fazendo de certo para isso

Os países nórdicos dominam há muito tempo o Relatório Mundial da Felicidade. Mas 2026 trouxe uma surpresa.
Pela primeira vez em 14 anos de publicação, um país latino-americano chegou ao top 5. A Costa Rica manteve sua ascensão anual e pulou do 23° lugar, em 2023, para a quarta posição este ano.
O ranking é elaborado anualmente pelo Instituto Gallup, pelo Centro de Pesquisa sobre Bem-Estar da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Ele se baseia na avaliação média das condições de vida pelos próprios moradores de 140 países nos últimos três anos, ao lado de fatores como o PIB de cada país, serviços sociais, expectativa de vida, percepção de liberdade, generosidade e corrupção.
Pelo segundo ano consecutivo, nenhum dos principais países de fala inglesa chegou ao top 10. A Austrália veio em 15°, os Estados Unidos em 23°, o Canadá em 25° e o Reino Unido, em 29°.

Finlândia

A Finlândia ocupou o primeiro lugar em nove dos últimos 10 anos.

O país tem alta avaliação para serviços sociais e baixa percepção da corrupção. E os moradores costumam mencionar sua rede de assistência social (que inclui educação e assistência médica), que cria uma sensação de segurança e bem-estar.
"Adoro o fato de que a Finlândia é um país seguro e posso confiar nas pessoas comuns por aqui", afirma Olli Salo, um dos fundadores da empresa Skimle, com sede na capital, Helsinque.

"As crianças vão a pé para a escola a partir dos sete anos de idade, você não se sente ameaçado quando volta andando para casa e pode confiar que, se alguém fizer uma promessa, irá cumpri-la."
Os impostos do país são altos, mas os seus moradores observam uma clara compensação.
Solo compara com pagar uma assinatura por um software premium. Pode custar mais, mas a qualidade é melhor.
"A maioria das coisas que realmente importam na vida, como saúde, educação e transporte, são serviços públicos", explica ele. "Por que não gastar um pouco e ter tudo isso com melhor qualidade?"
Ele também observa que os locais de trabalho finlandeses são mais colaborativos do que em outras partes do mundo, com menos hierarquia e menos "teatro corporativo".
Para o atual prefeito de Helsinque, Daniel Sazonov, a felicidade também vem da proximidade com a natureza.
"Conseguir sair de casa e, em poucos minutos, chegar ao mar, a um parque ou a uma floresta para andar à noite é algo especial", descreve ele.
Os visitantes devem começar conhecendo a cultura da sauna finlandesa. Com cerca de três milhões de saunas para uma população de apenas 5,5 milhões de pessoas, as opções são muitas.
"Sugiro experimentar as diferentes saunas de Helsinque e talvez até um mergulho no frio mar Báltico", recomenda Sazonov.
Já a Biblioteca Central Oodi de Helsinque, aberta em 2018, é uma construção moderna surpreendente e um popular ponto de encontro para os moradores locais e os visitantes.
Além da capital, Salo sugere ir para o norte no inverno, alugar uma cabine e esperar a Aurora Boreal. Mas ele aconselha não seguir um itinerário corrido.
"Nunca entendi por que as pessoas reservam quatro atividades por dia e correm dos passeios de trenó para ver a Aurora Boreal", conta Salo. "Não é assim que os finlandeses fazem."

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce358vy1el1o -fragmento-adaptado
"Conseguir sair de casa e, em poucos minutos, chegar ao mar, a um parque ou a uma floresta para andar à noite é algo especial, descreve ele."
O uso da crase segue diversas regras de aplicação. Na expressão 'à noite', ocorre a crase por se tratar de uma locução adverbial feminina.
Com base nas regras de emprego da crase, analise a ocorrência ou a ausência da crase nas frases apresentadas a seguir:
I. Refiro-me àquele livro.
II. Fiz referência a Vossa Excelência.
III. Faremos uma excursão à Bahia e à Brasília.
IV. O bom filho volta à casa dos pais todos os dias.
V. Antes de sair, a mãe pediu ao filho: Obedeça a Maria.
Após analisar as frases quanto ao uso da crase, identifique a alternativa que apresenta as ocorrências CORRETAS.
Alternativas
Q4018048 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade do médico da família

Quando eu era criança, havia um médico para tudo e para todos, que minha mãe chamava quando eu tinha febre ou quando meu pai sentiu as primeiras dores na vesícula. Era o clínico geral, que ainda existe e funciona. Mas, hoje em dia, vivo numa teia de especialidades. A medicina avançou de forma extraordinária. Hoje existe um especialista para cada pedaço do corpo humano. O coração tem um. O rim, outro. O pulmão, outro. O sono, a tireoide, a pele, o intestino, o humor, a memória, a dor de cabeça. Cada médico mergulha profundamente no seu território. E isso, sem dúvida, salvou vidas. Quanto mais conhecimento, mais precisão. Quanto mais precisão, mais chances de cura. Mas, em algum ponto do caminho, algo se perdeu.
Antigamente existia uma figura quase mítica: o médico da família. Ele conhecia todos da casa. Sabia quem era alérgico, quem tinha pressão alta, quem era dramático, quem exagerava nos sintomas e quem só procurava ajuda quando já estava quase batendo as botas. Ele conhecia a história inteira. Não apenas o órgão.
Hoje o paciente virou um quebra-cabeças distribuído em vários consultórios. Você vai ao cardiologista, que pede exames do coração. Ao endocrinologista, que pede exames hormonais. Ou ao gastroenterologista, que investiga o estômago. O neurologista quer uma ressonância.
O ortopedista pede outra coisa. Cada especialista faz seu trabalho com competência. Mas raramente conversam entre si. E o paciente vira uma espécie de coordenador involuntário da própria saúde. Sai de um consultório com uma receita. Vai a outro e recebe mais um remédio. Depois outro. E mais outro. Em pouco tempo, a mesa de cabeceira parece uma pequena farmácia. O curioso é que, às vezes, um medicamento anula o outro. Ou pior: os dois não deveriam ser tomados juntos.
Quem tem de perceber isso? O paciente, que não estudou medicina? Muitas vezes, o médico pergunta: "Você toma alguma coisa?". A resposta vem meio vaga: Acho que sim...". São nomes difíceis, horários diferentes, recomendações complexas. E então surge uma nostalgia inesperada: a saudade daquele médico antigo que sentava, escutava, olhava o paciente inteiro e dizia: "Vamos organizar isso". Ele não sabia tudo, claro. Mas sabia algo fundamental: como juntar as peças.
Hoje a medicina sabe cada vez mais sobre cada parte do corpo. E isso é admirável, embora muitas vezes o paciente seja atirado que nem uma bola de pingue-pongue de um especialista para outro. Talvez esteja faltando alguém que olhe para o todo. Porque o ser humano não é uma coleção de órgãos independentes. Muito menos, um conjunto de sintomas.
É uma vida. E, no meio de tantos especialistas brilhantes, talvez o verdadeiro luxo do futuro seja justamente aquele profissional capaz de fazer algo que parece simples, mas é raríssimo: olhar o paciente inteiro.

https://veja.abril.com.br/coluna/walcyr-carrasco/saudade-do-medico-dafamilia/
"Você vai ao cardiologista, que pede exames do coração." Levando em conta o uso da crase, analise as afirmativas referentes ao trecho acima, bem como a outras situações de emprego desse recurso:
I. O verbo 'ir' exige a preposição 'a'; portanto, se o termo 'cardiologista' fosse substituído por 'a cardiologista', ocorreria crase, já que 'cardiologista' admite o uso do artigo feminino.
II. Embora o verbo 'vir' exija preposição 'a', nem sempre ocorrerá crase, como na frase 'Irei a Campinas na próxima semana'.
III. Diante de termo de valor indefinido, não se verifica o emprego da crase, como em 'Falou a uma pessoa'. Entretanto, quando 'uma' assume valor numeral, indicando hora determinada, ocorre a crase, como em 'Irei vê-la à uma da tarde'.
IV. O emprego da crase é facultativo diante de nomes próprios femininos, como em: 'Refiro-me a Eva' ou 'Refiro-me à Eva', ambas formas corretas.
Após análise, assinale apenas a alternativa que apresentas as proposições CORRETAS: 
Alternativas
Q4017240 Português
Em relação ao emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 01, 07 e 14. 
Alternativas
Q4015119 Português
TEXTO DE APOIO

Governo lança Plano Clima com meta de reduzir emissões até 2035

O governo federal lançou em Brasília o Plano Clima, documento que orienta Estado e sociedade para enfrentarem a crise climática. Amplamente debatido, o plano descreve ações de mitigação e adaptação para o Brasil ser uma economia de baixo carbono, sustentável do ponto de vista socioambiental. A meta principal é reduzir entre 59% e 67% as emissões de dióxido de carbono até 2035, sendo esses percentuais relativos aos níveis de 2005. Essa contenção será o caminho para que, até 2050, não haja mais emissões líquidas de gases de efeito estufa no Brasil. A elaboração do plano, iniciada em 2023, envolveu a participação de 24 mil pessoas e resultou em cerca de 5 mil propostas, sintetizadas pelo Comitê Interministerial sobre Mudança Climática (CIM), que é formado por 25 pastas ministeriais.

Segundo a ministra Marina Silva, o Plano Clima é a principal estratégia para o enfrentamento aos graves problemas da mudança do clima que já assolam o país, referindo-se a desastres recentes na Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Amazônia. Para viabilizar tais metas, o plano contará com financiamento do Eco Invest Brasil, focado em investimentos privados, além de recursos de cooperação global da plataforma BIP e verbas do Fundo Clima, operado pelo BNDES. Para o corrente ano, o Fundo Clima disporá de mais de R$ 33 bilhões, sendo a maior parte (R$ 27,5 bilhões) em recursos reembolsáveis.

O ministro Rui Costa avaliou que a iniciativa posiciona o Brasil na liderança global da agenda ambiental, funcionando como um chamado à ação para estados, municípios e setor privado. Complementarmente, a ministra Luciana Santos assinalou que o plano consolida a ciência como base para o enfrentamento à crise, permitindo que o país não esteja apenas reagindo aos desastres, mas antecipando soluções estratégicas para o futuro sustentável da nação.

(Fonte:https://www.adufg.org.br/noticias/34-agenciabrasil/12534-governo-lanca-plano-clima-com-meta-dereduzir-emissoes-ate-2035. ADAPTADO; Acessado em: 17/03/2026). 
A respeito do uso do sinal indicativo de crase, analise as sentenças abaixo:
I. O diretor da empresa caminhou com serenidade até a sala de reuniões para iniciar a assembleia.
II. A secretária executiva entregou todos os relatórios pendentes a sua supervisora imediata.
III. O palestrante dedicou a última hora do evento a Maria, reconhecendo seu empenho no projeto.
IV. O acesso a informações sigilosas foi restrito aos membros da diretoria durante o processo de auditoria.

De acordo com as regras de regência e o emprego do sinal indicativo de crase, o uso da crase é facultativo apenas em: 
Alternativas
Q4014653 Português
Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano, entre 2026 e 2028

        O Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano, até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados constam na publicação “Estimativa 2026– 2028: incidência de câncer no Brasil”, do Inca, divulgada em 4 de fevereiro de 2026 (Dia Mundial do Câncer).

        As previsões confirmam que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando‑se das doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

        Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente.

Entre as mulheres, em ordem de incidência, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

        O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente em razão de sua alta incidência e baixa letalidade.

            A publicação destaca ainda cânceres com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o do colo do útero e o colorretal, que seguem entre os mais incidentes no país. As estimativas mostram também diferenças regionais importantes, relacionadas a fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e ao acesso desigual aos serviços de saúde.

           Elaborada e divulgada pela Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca a cada três anos, a estimativa tem o objetivo de apoiar o planejamento e a vigilância em saúde no curto prazo, com horizonte de até cinco anos, e concentra‑se nos tumores de maior magnitude epidemiológica e relevância na saúde pública.

Internet:<agenciagov.ebc.com.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No trecho “acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno”, caso a palavra “prevenção” fosse substituída por ações preventivas, o acento grave seria mantido, formando à ações preventivas.

Alternativas
Q4014337 Português
Marque a alternativa cujas palavras completam, CORRETAMENTE, na ordem de cima para baixo, as lacunas dos períodos abaixo.

I. O policial chegou e ___________ vítima, levando-a ao hospital.
II. A mulher disse que o companheiro foi muito ___________ naquele dia.
III. Os vizinhos afirmaram que o homem sempre foi ___________.
IV. A vítima conseguiu pedir ajuda, ao perceber que o perigo era____________.
V. Pela__________ do agressor informada pela vítima, não seria difícil encontrá-lo. 
Alternativas
Q4013525 Português
TEXTO 6


"O certo é, quando a senescência apropriou-se de mim, Marina entrou na minha vida. Até então, eu sempre ligava a palavra Marina à surrada canção de Dorival Caymmi, aquela que, no final das noitadas, os bêbados insistem em cantar com voz pastosa: "Marina, morena, você se pintou..."


SANTOS, Cineas. E de repente Marina ...In: Cambalhotaspraninguém. Teresina: Oficina da Palavra, 2017, p. 52
No trecho "Até então, eu sempre ligava a palavra Marina à surrada canção de Dorival Caymmi", a expressão "à surrada canção” apresenta um caso de:
Alternativas
Q4013436 Português
Notícias do Subsolo

    Tudo que passa pela Terra deixa vestígios. O tempo e os fenômenos naturais apagam a maioria, é verdade – mas, em condições propícias, ossadas, pegadas e artefatos podem durar milhões de anos. É sobre esses rastros que cientistas dedicados a decifrar o passado se debruçam. O foco dos paleontólogos são os fósseis de todo tipo de ser vivo – eles trabalham com uma janela de tempo extensa, desde o surgimento da vida na Terra, há quase 4 bilhões de anos.

    Os arqueólogos, por sua vez, concentram-se em vestígios humanos – que, mesmo quando têm centenas de milhares de anos, ainda são relativamente recentes levando em conta a idade do nosso planeta.

Cuidado: frágil (79 d.C.)

    Quando o Vesúvio entrou em erupção, a destruição ocorreu em etapas. No início, uma chuva de detritos vulcânicos soterrou casas, depois, uma nuvem de cinzas e gases extremamente quentes em alta velocidade avançou pelas cidades vizinhas.

    O calor matou as pessoas quase instantaneamente, mas passou rápido demais para destruir os corpos por completo. A súbita contração dos músculos deixou as vítimas rígidas – e seus corpos, cobertos por cinzas, tiveram a forma preservada mesmo após a decomposição.

    Uma das vítimas foi um homem de cerca de 20 anos que foi exposto a temperaturas de pelo menos 510 °C e resfriado imediatamente. O processo teve um efeito que nunca havia sido observado: um pedaço de seu cérebro se transformou em vidro. A descoberta impressiona porque é a primeira vez que pesquisadores observam matéria orgânica se transformar em vidro dessa forma. O crânio ajudou a proteger o órgão durante esse processo extremo – e o vidro preservou até estruturas microscópicas do cérebro, como os neurônios.


Revista Superinteressante – janeiro de 2026 (trecho adaptado)
No trecho “... um homem de cerca de 20 anos que foi exposto a temperaturas de pelo menos 510 °C e resfriado imediatamente”, a ausência do sinal indicativo de crase em “exposto a temperaturas” justifica-se pelo uso do termo “temperaturas” em sentido genérico, sem a presença do artigo definido feminino. Com base nas normas de regência e no uso da crase, marque a opção em que o sinal indicativo de crase foi empregado em plena conformidade com a norma culta.
Alternativas
Q4012737 Português

A onda dos peptídeos para beleza: por que pessoas estão injetando "drogas milagrosas" que não são para consumo humano 


Katie retira cuidadosamente uma seringa da embalagem, perfura o topo de uma pequena ampola com líquido azul e puxa o êmbolo. Em seguida, injeta a agulha na parte superior das nádegas e, diante da câmera, faz sinal positivo com o polegar.


Há semanas, ela aplica em si mesma um peptídeo de cobre chamado GHK e afirma perceber melhora significativa na pele. Segundo relata, as marcas de estiramento surgidas após o nascimento de seus dois filhos quase desapareceram. O detalhe inquietante é que o frasco traz a inscrição "apenas para fins de pesquisa", indicando que a substância não é indicada para consumo humano.


Katie integra um grupo crescente de pessoas que se filmam nas redes sociais, utilizando peptídeos não aprovados. Apesar do alerta no rótulo, acredita agir com prudência e afirma ter pesquisado bastante antes de iniciar o uso, começando com doses reduzidas para observar possíveis reações.


Ela declara ainda que o produto aumentou a espessura de seu cabelo e melhorou a textura da pele. O GHK é um peptídeo produzido naturalmente pelo organismo e utilizado em cremes tópicos para reduzir linhas finas. Contudo, não é considerado seguro para injeção devido à escassez de estudos científicos e ao risco de desencadear reações imunológicas potencialmente graves.


Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos, isto é, pequenas proteínas que o corpo humano produz. Funcionam como mensageiros celulares, orientando diversas atividades orgânicas. Desempenham papéis importantes na saúde da pele, no sistema imunológico e na regulação hormonal. 


Há mais de um século, certos peptídeos são empregados no tratamento de doenças. A insulina, por exemplo, permite que pessoas com diabetes controlem os níveis de açúcar no sangue. Recentemente, medicamentos que imitam o hormônio associado à sensação de saciedade passaram por testes rigorosos e foram aprovados por agências reguladoras, como as autoridades sanitárias do Reino Unido e do Brasil.


O sucesso desses medicamentos contribuiu para o surgimento de um mercado paralelo de outros peptídeos não regulamentados. Embora sua compra ou posse não sejam ilegais, eles não são aprovados para uso humano e não se submetem aos controles de qualidade exigidos para produtos farmacêuticos.


Especialistas afirmam que se formou um cenário favorável à expansão dessas substâncias. O uso disseminado de medicamentos injetáveis regulamentados reduziu a resistência psicológica à autoinfeção. Assim, algumas pessoas supõem, de maneira equivocada, que todos os peptídeos seriam igualmente seguros.


Nas redes sociais, multiplicam-se anúncios e vídeos de influenciadores aplicando em si mesmos diferentes combinações vendidas apenas para pesquisa. Certos compostos são divulgados como promotores de ganho muscular e recuperação acelerada; outros prometem reduzir inflamações e melhorar a saúde metabólica. Muitos desses produtos têm origem sintética e foram testados apenas em estudos preliminares com animais.


Pesquisadores alertam que, ao utilizarem tais substâncias, os indivíduos assumem o papel de experimentadores de si próprios. Há registros de efeitos adversos como tontura, diarreia, irritações e inchaço. Além da ausência de estudos robustos em humanos, análises indicam que parte dos produtos disponíveis contém endotoxinas bacterianas capazes de provocar febre, dores, exaustão e, em casos extremos, choque séptico.


Um jovem decidiu recorrer a um conjunto de peptídeos para tratar uma lesão nas costas adquirida na academia. Após algumas semanas de uso, relatou melhora expressiva e redução quase total das dores. Antes disso, havia consultado médico e realizado fisioterapia, sem obter o resultado esperado. Reconhece, porém, que a prática parece extrema e admite que há riscos envolvidos.


Para alguns especialistas, esse comportamento representa uma aposta biológica. Caso a chamada cultura da "cobaia" se amplie, poderá surgir um problema de saúde pública marcado por condições crônicas associadas a substâncias ainda pouco compreendidas pelo sistema médico.


Enquanto milhões de publicações sobre o tema circulam nas redes, cresce também o número de clínicas que oferecem terapia com peptídeos não regulamentados. Profissionais que defendem essa abordagem sustentam que vivemos um momento promissor para tais substâncias e apontam dificuldades financeiras e ausência de patentes como fatores que desestimulam a realização de testes clínicos extensos.

Como muitos desses compostos são semelhantes a moléculas produzidas naturalmente pelo corpo, torna-se difícil registrá-los como propriedade exclusiva, o que reduz o interesse de grandes empresas em investir no processo de aprovação formal. Em clínicas que oferecem tais terapias, a utilização ocorre sob supervisão médica; ainda assim, a inexistência de diretrizes oficiais faz com que o aprendizado se dê principalmente por troca de experiências entre profissionais.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgvrl695vlo.adaptado.

Recentemente, medicamentos que imitam o hormônio associado "à" sensação de saciedade passaram por testes rigorosos e foram aprovados por agências reguladoras, como as autoridades sanitárias do Reino Unido e do Brasil.

Assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego do acento indicativo de crase no termo destacado.

Alternativas
Q4012722 Português

ECA Digital, para proteção on-line de crianças e adolescentes, entra em vigor


Crianças e adolescentes ganham a partir dessa terça-feira (17) uma importante ferramenta de proteção com a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (também chamado de ECA Digital).


Marco para a defesa dos menores de 18 anos no ambiente virtual, o ECA Digital obriga as empresas de tecnologia da informação a remover imediatamente conteúdos relacionados a abuso ou exploração infantil com notificação às autoridades, além da adoção de ferramentas de controle parental e verificação de idade dos usuários. Estão nesse rol as publicações relacionadas a incitação à violência física, conteúdo pornográfico, uso de drogas, automutilação e suicídio e venda de jogos de azar, entre outros.


Sancionada em 2025, a lei, que teve origem no PL 2.628/2022, é uma resposta à crescente "adultização" de menores de 18 anos em plataformas on-line.


Para coibir casos de violações graves contra menores de 18 anos no ambiente virtual, as empresas tiveram seis meses de adaptação às normas. Essas companhias de tecnologia devem adotar medidas como remoção de conteúdos. Se identificados conteúdos relacionados a abuso sexual, sequestro, aliciamento ou exploração, além de remover, as empresas terão de notificar imediatamente as autoridades competentes, tanto no Brasil, como internacionalmente.


As contas de crianças e adolescentes de até 16 anos terão de ser vinculadas a um responsável. Caberá às empresas fornecer ferramentas de supervisão parental acessíveis e de fácil uso. Isso possibilitará aos responsáveis bloquear, por exemplo, a comunicação com adultos não autorizados, limitar recursos que incentivem o uso excessivo, controlar sistemas de recomendação e restringir o compartilhamento da geolocalização.


Também terão de promover a verificação de idade para o acesso a conteúdo inadequado a idade de até 18 anos. Esse controle exige que sejam adotados "mecanismos confiáveis de verificação de idade a cada acesso", ou seja, não basta a autodeclaração.


Além disso, o texto proíbe caixas de recompensas (loot boxes) em jogos eletrônicos. Essas caixas são itens virtuais que podem provocar comportamento compulsivos, segundo especialistas.


Será instituída ainda uma autoridade administrativa autônoma de proteção dos direitos de crianças e de adolescentes no ambiente digital. Caberá a essa entidade verificar a aplicação da lei em todo o país, assim como editar regulamentos e procedimentos para a execução da norma.


Vários pontos da lei ainda dependem de regulamentação para surtir efeito prático. O Poder Executivo terá, por exemplo, de regulamentar os requisitos mínimos de transparência, segurança e compartilhamento de informações de forma automática para os mecanismos de aferição de idade e de supervisão parental adotados pelos sistemas operacionais e pelas lojas de aplicativos.


Além do que já está previsto no Código Penal, o ECA Digital também estabelece punições aos infratores. Caso a norma seja descumprida, as empresas ficarão sujeitas a advertência, pagamento de multas, suspensão temporária e até proibição do exercício das atividades.


As empresas podem ser multadas em até 10% de seu faturamento. Não havendo faturamento, a multa pode variar de R$ 10 a R$ 1 mil por usuário cadastrado no provedor punido, como limite máximo de R$ 50 milhões. No caso de empresa estrangeira, a filial ou o escritório no Brasil responde solidariamente.


Na aprovação da matéria pelo Plenário do Senado, em agosto de 2025, Alessandro salientou que o problema do ambiente digital é global e precisa do envolvimento de toda a sociedade.


— A sociedade civil se mobilizou, as equipes técnicas se envolveram. Estamos igualando parcialmente a atividade de algumas das empresas mais poderosas do capitalismo. Esta é a primeira lei das Américas sobre o tema. É fruto de um trabalho coletivo — afirmou em Plenário.


A maioria dos senadores apoiou a proposta, mas outros apontaram preocupação com a regulação das redes sociais.


Contrário ao projeto, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) disse que esse pode ser o começo de uma regulação mais dura das plataformas.


— Depois que abrir essa porteira, o controle das redes sociais não se fecha mais. O maior controle, na minha opinião, é dos pais. Isso o Estado nunca vai suplantar. Eu não acredito que o Estado deva substituir o controle parental. O melhor seria que isso fosse autorregulado — criticou.


Alessandro afirmou que a proposta busca, na verdade, resgatar o poder de pais e mães de acompanhar e controlar a vida digital dos filhos.


— A partir da sanção da lei, as empresas serão obrigadas a organizar seus produtos e serviços de forma mais segura e adequada ao público infantil e adolescente — disse.


O projeto foi apresentado em 2022. Após análise no Senado, a Câmara aprovou um substituto (texto alternativo). A matéria retornou ao crivo dos senadores em agosto de 2025, quando foi aprovada em Plenário. O tema ganhou destaque em 2025 com as denúncias apresentadas pelo influenciador digital Felipe Bressanin, conhecido como Felca, que revelou casos de exploração e abuso de crianças e adolescentes no mundo virtual.


Fonte: Agência Senado 

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/03/17/eca-digital-p ara-protecao-on-line-de-criancas-e-adolescentes-entra-em-vigor fragmento 

"Para coibir casos de violações graves contra menores de 18 anos no ambiente virtual, as empresas tiveram seis meses de adaptação às normas."


No contexto, o sinal indicativo de crase em 'às normas' está corretamente empregado, em razão da regência do substantivo 'adaptação', que exige a preposição 'a', combinada com o artigo definido feminino plural 'as'. Agora, analise os enunciados a seguir, considerando o emprego ou não da crase.


I. Os senadores não obedeceram a Maria, chefe do Senado.

II. Esse celular pertence a minha mãe, disse o adolescente.

III. O adolescente disse ao pai que chegaria em casa até às 20h.

IV. O jovem disse que adquiriu o imóvel com recursos próprios e que o pagou à prestação, e não à vista.


Identifique a alternativa CORRETA, que apresenta as frases em conformidade com a norma-padrão, considerando o uso da crase.

Alternativas
Q4012208 Português
Na revisão de um texto argumentativo, o professor observou construções que envolvem regência e sinal indicativo de crase. Assinale a afirmação CORRETA. 
Alternativas
Q4011747 Português
Assinale a única alternativa em que o uso do acento grave indicativo de crase está equivocado:
Alternativas
Q4011746 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto:


O general dirigiu-se ___ sua barraca em Atenas e pôs-se ___ falar ___ todas as autoridades presentes.

Alternativas
Q4011360 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

Batendo o barro da roupa, passada à lama.

O uso do acento grave justifica-se pela regência do termo anterior: O particípio "passada", ao indicar que algo foi submetido ou exposto a um estado ou substância, exige a preposição "a".
Presença do artigo A: A palavra lama" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a". Dadas as opções a seguir marque a que não recebe acento grave.
Alternativas
Q4009608 Português

Texto CG1A1

        Comparações são de grande valor, uma vez que remetem uma relação desconhecida a uma conhecida. Também as comparações mais detalhadas, que evoluem para parábolas ou alegorias, são apenas a referência de alguma relação à sua apresentação mais simples, explícita e palpável.

        No fundo, toda formação de conceitos se baseia em comparações, já que seu ponto de partida é a compreensão da semelhança e o abandono da dessemelhança nas coisas. Além disso, em última instância, todo entendimento propriamente dito consiste numa compreensão de relações, mas cada relação será compreendida de maneira mais clara e mais pura quando for reconhecida em casos muito diversificados e entre coisas inteiramente heterogêneas. Assim, enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual, portanto apenas intuitivo. Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie, portanto um conhecimento mais profundo e mais perfeito.

        Justamente porque as comparações são uma alavanca tão poderosa para o conhecimento, a formulação de comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas dá mostras de um entendimento profundo.


Arthur Schopenhauer. A arte de escrever. Tradução: Pedro Süssekind. 

Porto Alegre: L&PM, 2009 (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, relativos a propostas de alteração no texto CG1A1. 


No trecho "são apenas a referência de alguma relação à sua apresentação mais simples" (primeiro parágrafo), o sinal indicativo de crase empregado em "à sua apresentação" poderia ser suprimido, sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto. 

Alternativas
Q4008490 Português
Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas; geógrafo explica fenômeno
Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II.
O estado do Piauí contabilizou o segundo tremor de terra em um intervalo de 48 horas. O registro mais recente ocorreu na noite de terça-feira (3), no município de Bocaina, com magnitude de 2,1. O primeiro abalo foi detectado em Castelo do Piauí, no domingo (1º), com intensidade de 1,5 na escala sismológica.
Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II. Segundo o geógrafo Rafael Marques, os casos são considerados de baixa intensidade e não resultaram em danos materiais.
O especialista afirma que os tremores podem ser causados por fatores de acomodação de terreno, devido à presença de falhas geológicas na região e ao planejamento estrutural das bacias do riacho Riachão e do Rio Guaribas.
Marques observa que a região é suscetível a esses pequenos tremores, que se diferenciam de terremotos por não comprometerem a saúde pública ou a estrutura das comunidades. De acordo com técnicos, abalos nessa magnitude geralmente passam despercebidos pela população e não oferecem riscos às edificações.
O diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, explica que esses movimentos são microajustes nas placas tectônicas, processos naturais e comuns no subsolo terrestre.
O climatologista ressalta que a instalação de sistemas de monitoramento em solo piauiense agora permite detectar ocorrências que antes passavam despercebidas. A Defesa Civil informou que monitora a área continuamente em parceria com o LabSis-UFRN e reforça que não há qualquer risco para os moradores da região. 
Disponível em: https://portalclubenews.com/2026/02/04/ piaui-registra-segundo-tremor-de-terra-em-48-horasgeografo-explica-fenomeno/ Acesso em: 04 fev 2026.

Com base na leitura e na análise dos recursos linguísticos do texto, que pertence à esfera jornalística, julgue as proposições, assinalando, em seguida, a alternativa correta: 
I. A palavra “que”, nas duas ocorrências em destaque no texto, classificam-se como pronome relativo e, além de ligar as ideias de forma mais eficiente, evita repetições desnecessárias.
II. No trecho “Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas”, o verbo está flexionado no presente do indicativo, algo comum em manchetes de notícias. O emprego desse tempo e modo proporciona títulos impactantes que conferem atualidade imediata ao fato, simulando que o evento está acontecendo no exato momento da leitura.
III. A locução conjuntiva “De acordo com” (l.26- 27) pode ser substituída por outra de valor conformativo, sem prejuízo de sentido.
IV. Em “devido à” (l.20) e “riscos às” (l.29), o acento grave, indicativo de crase, foi utilizado pela mesma regra fundamental, pois ambos são casos de preposição "a" + artigo definido feminino exigido pelo substantivo que o sucede.
Alternativas
Q4000434 Português

Leia manchetes publicadas no jornal O Estado de S. Paulo e assinale a alternativa que, em conformidade com a norma- -padrão do emprego do sinal indicativo de crase, completa, respectivamente, as lacunas.


•  Uso da pimenta passa _________ ser visto como aliado contra a padronização do gosto.

•  As pimentas do gênero Capsicum foram domesticadas nas Américas e, _____________ partir do Brasil, levadas pelos portugueses para outros continentes.

•  Leilão de veículos – É amanhã! 02/02 ________ 9h30.

•  Agentes federais matam ___________ tiros enfermeiro em Minneapolis.

•  Júri testou as marcas ____________ venda em supermercados e escolheu as melhores.

Alternativas
Q3999155 Português
Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
Alternativas
Q3998327 Português
Leia o texto a seguir, analisando os possíveis casos de crase (os acentos foram propositalmente omitidos).
    Ela assistia a filmes clássicos com frequência, mas jamais voltaria aqueles que lhe causavam angústia. Durante uma palestra, referiu-se a obra de Clarice Lispector com admiração, embora tenha evitado compará-la a outras autoras contemporâneas. Entregou um presente a cada criança, sem saber que deveria ter falado aquela professora antes. Prometeu dedicar-se a literatura nacional, mesmo sabendo que não teria tempo a escrever com calma, como desejava.  
    Com relação ao uso da crase, assinale a alternativa que apresenta a quantidade correta de acentos graves que devem ser utilizados no texto.
Alternativas
Respostas
261: C
262: E
263: D
264: A
265: C
266: E
267: A
268: A
269: C
270: C
271: A
272: B
273: B
274: D
275: B
276: C
277: E
278: E
279: A
280: A