Questões de Concurso Comentadas sobre crase em português

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Q2632437 Português

Ruído de passos

Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.

Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.

Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.

Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:

– Quando é que passa?

– Passa o quê, minha senhora?

– A coisa. – Que coisa?

– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.

– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.

– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!

– Não importa, minha senhora. É até morrer.

– Mas isso é o inferno!

– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?

– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.

– Não há remédio, minha senhora.

– E se eu pagasse?

– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.

– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?

– É, disse o médico. Pode ser um remédio.

Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.

Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.

A morte.

Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Levando-se em consideração os conhecimentos referentes ao emprego do acento grave indicativo de crase, assinale a alternativa abaixo em que, se houvesse o acréscimo de tal acento no termo destacado, manter-se-ia a correção gramatical:

Alternativas
Q2627480 Português

Brasil tinha quase 1,5 milhão de pessoas trabalhando por aplicativo em 2022, mostra

IBGE

01 O Brasil tinha quase 1,5 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos digitais

02 em 2022, a maioria delas motoristas e entregadores. Esses profissionais conseguiram uma renda

03 mensal maior que a média dos demais ocupados no setor privado, mas, para isso, cumpriram

04 jornadas consideravelmente mais extensas. A categoria obteve uma remuneração menor por

05 hora trabalhada.

06 Enquanto a renda média por hora trabalhada dos profissionais que atuavam por aplicativo

07 ou plataforma digital era de R$ 13,3, a renda média dos demais ocupados no setor privado foi

08 de R$ 14,6 por hora, 9,8% superior. Os dados são do módulo Teletrabalho e trabalho por meio

09 de plataformas digitais 2022, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad

10 Contínua), divulgado hoje, quarta-feira (25/10/2023), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e

11 Estatística (IBGE).

12 Os trabalhadores por aplicativo, que o IBGE chama na pesquisa de “trabalhadores

13 plataformizados”, _____ uma renda média mensal real de R$ 2.645, com uma jornada semanal

14 média de 46,0 horas. Já os demais trabalhadores do setor privado tinham uma renda média

15 mensal real de R$ 2.510, mas com uma jornada média de 39,5 horas semanais. O resultado

16 mostra que .... jornada de trabalho semanal dos plataformizados foi 16,5% maior que a dos

17 demais trabalhadores do setor privado. “Os trabalhadores plataformizados tinham, em média,

18 uma jornada de trabalho habitual 6,5 horas mais extensa que a dos demais ocupados”, observou

19 o IBGE.

20 A categoria também se revelou fortemente marcada pela informalidade e pela ausência

21 de qualquer proteção social. Apenas 35,7% dos trabalhadores por aplicativo contribuíam para

22 instituto de previdência, ante uma fatia de 61,3% de contribuintes entre os demais ocupados no

23 setor privado. O resultado significa que 64,3% das pessoas que trabalhavam por meio de

24 aplicativos de serviços não estavam asseguradas por instituto de previdência oficial. Sete em

25 cada dez trabalhadores por aplicativo (70,1%) trabalhavam na informalidade, nem tinham

26 carteira assinada nem possuíam CNPJ. Entre os demais trabalhadores do setor privado, .... fatia

27 de informais era mais baixa, 43,7%.

28 “De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), se de um lado, as

29 plataformas digitais de trabalho _____ oferecido oportunidades de geração de renda para muitos

30 trabalhadores e permitido que empresas alcancem novos mercados e reduzam custos, por outro,

31 elas também representam um importante desafio, especialmente no que se refere .... condições

32 de trabalho. Entre os desafios que envolvem os trabalhadores plataformizados, a OIT cita o

33 acesso a direitos trabalhistas e seguridade social, a capacidade de geração de uma renda

34 adequada e a extensão das jornadas de trabalho. As plataformas digitais de trabalho, ainda que

35 possam se apresentar apenas como intermediárias entre clientes e fornecedores individuais

36 (trabalhadores plataformizados e outras empresas), com frequência _____ um importante

37 controle sobre a organização e a alocação do trabalho e sobre a remuneração dos trabalhadores",

38 frisou o IBGE.

(Disponível em: https://exame.com/brasil/brasil-tinha-quase-15-milhao-de-pessoas-trabalhando-por-aplicativo-em-2022-mostra-ibge/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas 16, 26 e 31.

Alternativas
Q2627065 Português

Por que escrevo?

Por Martha Medeiros

01 Escrevo para dar exclusividade ___ solidão que vive em mim. Para não parecer tão

02 esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a

03 minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos.

04 Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre ___ vida dos outros —

05 escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não

06 aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo

07 porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha

08 — e mal.

09 Escrevo porque a literatura é uma arte discreta. Escrevo porque não existe horário para

10 começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para

11 descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o

12 ônus).

13 Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em

14 trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo,

15 mesmo que eu esteja.

16 Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem.

17 Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.

18 Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem

19 fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa

20 com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza.

21 Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que

22 ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a

23 dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser

24 malvada, traidora, desaforada, matar e morrer — e acordar ilesa na segunda-feira.

25 Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor

26 em royalties — é uma compensação justa. Escrevo porque escrever ativa ___ esperança. A

27 esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer

28 alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém

29 vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio.

30 Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei

31 sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece

32 desconhecido em mim.

33 Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais

34 escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso

35 a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 01, 04 e 26.

Alternativas
Q2626916 Português

Registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:


(__)Em "O aluno só queria QUE a professora explicasse novamente o conteúdo", a palavra QUE, no contexto em que foi empregada, é classificada como conjunção coordenada sindética explicativa.

(__)Na frase: "Será que ela está chateada comigo PORQUE eu não fui ao aniversário dela?", o PORQUE foi corretamente empregado.

(__)O acento grave foi utilizado na expressão destacada em "A situação foi relativa às professoras defensoras da pedagogia crítica", uma vez que a palavra "relativa" rege a preposição A, a qual se funde com o artigo feminino A.

(__)O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de preposição ou palavra atrativa. Exemplos: É preciso achar um caminho de não o machucar / É preciso achar um caminho de não machucá-lo.


A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Q2626796 Português

Ambientes tóxicos: o papel do líder


Por Fernando Mantovani


01 É impossível sentir-se feliz todos os dias do ano, mas a sensação de bem-estar precisa

02 predominar em relação aos dias ruins. Não é necessário ser especialista para saber que, quando

03 o desânimo e o pessimismo tomam conta da rotina, abrimos portas para transtornos como

04 depressão, insônia, ansiedade, entre outros.

05 Quem não passou por isso certamente conhece alguém próximo que já passou. Isso

06 porque as questões de saúde mental nunca estiveram tão di__eminadas em nossa sociedade, e

07 boa parte desse cenário está relacionado ao estresse no trabalho.

08 A terceira edição do estudo Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de

09 Trabalho, realizado pela The School of Life, em parceria com a Robert Half, ajuda .... clarear essa

10 questão. Ouvimos 774 profissionais empregados, de diferentes regiões do Brasil, com 25 anos

11 de idade ou mais e formação superior completa, sendo 387 líderes e 387 liderados. A pesquisa

12 revela que 42,86% dos liderados entrevistados, quase metade da amostra, consideram o

13 ambiente de trabalho tóxico como o principal fator para pedir demissão. Ou seja, mais do que

14 salário, benefícios ou perspectivas de a__ensão, sentir-se mal com o nível de pressão, os

15 conflitos ou prazos é o que realmente pesa contra um emprego atualmente.

16 Outras razões citadas pelos participantes foram: falta de reconhecimento (percepção de

17 13,43% dos entrevistados), imposição de trabalho 100% presencial (13,14%), ausência de plano

18 de carreira (8,86%) e pouco protagonismo (3,71%). É interessante observar a significativa

19 distância entre o primeiro e segundo motivos: quase 30 pontos percentuais.

20 Sair da empresa é uma medida extrema, mas, antes disso, surgem outras dificuldades.

21 De acordo com o estudo, nos últimos 12 meses, 44% dos líderes e 45% dos liderados afirmaram

22 que deixaram de produzir ou se manter engajados em algum momento por estar

23 emocionalmente abalados. A baixa performance foi indicada por 37,19% dos líderes como a

24 maior motivação para demissão.

25 Esse quadro mostra como se tornou importante zelar pelo bem-estar e qualidade de vida

26 dos times, tanto pela empatia ao próximo quanto pelos resultados dos negócios. E nesse ponto

27 surge mais um obstáculo identificado pela pesquisa: 61% dos liderados e 65% dos líderes

28 acreditam que os gestores das empresas em que atuam não estão capacitados para acolher

29 quem está com a saúde mental em __eque.

30 Um alento é saber que 19% dos gestores que indicaram essa falta de preparo disseram

31 que, em suas empresas, essa capacitação deve ser iniciada até o fim de 2024. Lideranças

32 sensíveis .... temperatura emocional do escritório não só podem ajudar as equipes como também

33 evitar gatilhos que levam uma empresa .... se tornar tóxica. Relações desequilibradas, metas

34 irreais ou regras excessivamente rígidas são alguns deles, entre tantos outros.

(Disponível em: https://exame.com/colunistas/sua-carreira-sua-gestao/ambientes-toxicos-o-papel-do-lider/ –texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas 09, 32 e 33.

Alternativas
Q2626097 Português

A crase não deve ser empregada entre palavras repetidas. Nas orações em que aparecem palavras repetidas ligadas pelo "a", não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é admitido. Contudo, essa regra não se aplica em:

Alternativas
Q2625115 Português

Analise o excerto a seguir:

Nos anos finais do século XX e nos iniciais do século XXI, os estudos do letramento e ___ contribuições das concepções bakhtinianas para o tratamento das questões de ensino de língua ofereceram novas perspectivas para as discussões em torno da escrita produzida em contexto escolar. ___ consideração dos aspectos ideológicos inerentes ___ práticas sociais que envolvem a produção; o desenvolvimento dos estudos sobre a heterogeneidade das relações oral/escrito; e ___ discussões a respeito das possibilidades oferecidas pelos recursos digitais produziram novas possibilidades para as considerações sobre o ensino de escrita na escola. O distanciamento produzido pela textualidade eletrônica, em relação ___ ordem dos discursos constituída na cultura impressa, ao apontar para riscos de rupturas nessa ordem, possibilitou, em consequência, a consideração de aspectos da produção linguística não tematizados anteriormente ___ possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais (de Pietri, 2010).

Assinale a alternativa que correta e respectivamente preenche as lacunas no excerto:

Alternativas
Q2557217 Português
Assinale a alternativa cujo acento grave indicador de crase foi indevidamente empregado.
Alternativas
Q2550767 Português
Sobre o uso correto da crase, analise as frases abaixo:

I. Eu fui à farmácia.
II. Confiei àquela moça meu lugar na fila.
III. Observei tudo à distância de 100 metros.
IV. Elas ficaram cara à cara.


Há erro no uso da crase em:
Alternativas
Q2550693 Português
A Lei Geral de Proteção de Dados e o Mercado

      Com o boom da internet e a globalização, a captação de dados dos clientes, em formulários na web, nas redes sociais, em compras on-line, em aplicativos dos mais variados, entre outros canais, se intensificou. A mudança da forma de se relacionar socialmente gerou também impactos econômicos. As empresas tiveram que aprender a manejar o volume de dados pessoais que crescia velozmente. Aos poucos, operar isso virou, também, algo usual.
      Atualmente, houve um amadurecimento de consumidores e clientes que, com razão, exigem mais cuidado com seus dados pessoais e proteção dos mesmos. A sanção da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é reflexo desse novo momento. Ela entrou em vigor no Brasil em setembro de 2020. Apesar de ser considerada muito burocrática, a Lei proporciona mais segurança tanto para o usuário quanto para o negócio. Com ela, todo tipo de organização que captura dados do usuário precisa ter um fluxo seguro para adequação e utilização dessas informações. Após a sanção da Lei, esses dados só podem ser coletados com a autorização do usuário, e somente podem ser processados com o seu consentimento.
      Importante ressaltar que a LGPD prevê a construção de um cenário de segurança jurídica, com padronização de normas e procedimentos, para que o empresariado se beneficie com igualdade de condições para competir. Afinal, em meio à economia digital e às novas tecnologias, perpetuar desequilíbrios entre os níveis de proteção, nas diferentes esferas (federal, estadual e municipal) e setores do mercado, só causaria mais concorrência desleal e mais obstáculos ao desenvolvimento econômico do país.
      Desde o dia 1º de agosto de 2021, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) passou a ter autorização para aplicação das penalidades da LGPD, em todas as empresas que descumprirem qualquer um dos normativos da Lei. A multa prevista pela LGPD é de 2% do faturamento global anual da empresa, com teto de até R$ 50 milhões (multa máxima) aplicada para violações mais graves. Além das multas, há a possibilidade de outras penalidades. Porém, para pequenos negócios, há tratamento diferenciado na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Fruto de parceria do Sebrae e outras entidades, uma Resolução foi publicada com o objetivo de facilitar a adaptação e adequação de agentes de tratamento de pequeno porte às normas da LGPD.
       Dentre as determinações estão: dispensa da obrigação de nomear um DPO-Encarregado de Tratamento de Dados Pessoais; flexibilização com base no risco e escala do tratamento; flexibilização do atendimento às requisições dos titulares por meio eletrônico ou impresso; dispensa da obrigação de eliminar, anonimizar ou bloquear dados excessivos; dobro do prazo com relação a outros agentes de tratamento; flexibilização do relatório de impacto como forma simplificada; disponibilização de guias e orientações para auxiliar na adequação; outras resoluções específicas serão disponibilizadas para facilitar o tratamento de dados pessoais.
      Apesar dessa flexibilização, você que é representante comercial precisa entender a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Ela gera impactos nos negócios, na hora de tratar dados de seus clientes e funcionários, e no momento de fazer a portabilidade de dados.
      Estar ligado nos preceitos da nova lei significa manter a confiança dos seus clientes e de toda a cadeia comercial.

(Marcos Antônio de Oliveira Silva, diretor-tesoureiro do Core-PB. Confere. Conselho Federal dos Representantes Comerciais. Revista.)
“Afinal, em meio à economia digital e às novas tecnologias, perpetuar desequilíbrios entre os níveis de proteção, nas diferentes esferas (federal, estadual e municipal) e setores do mercado, só causaria mais concorrência desleal e mais obstáculos ao desenvolvimento econômico do país.” (3º§) Pode-se afirmar quanto ao trecho destacado anteriormente que:
Alternativas
Q2547447 Português
Texto 1 - Machado de Assis: vida e obra - Nasce o menino Joaquim Maria

Foi no dia 21 de junho de 1839 que nasceu o menino Joaquim Maria Machado de Assis, no morro do Livramento, na cidade do Rio de Janeiro.
Do alto desse morro, tinha-se uma bela vista da baía de Guanabara, que encantava todos aqueles que chegavam à cidade. Mas os pais do garoto Joaquim Maria não tinham muito tempo para apreciar a paisagem: com uma vida difícil, eles precisavam trabalhar bastante. 
Sua mãe chamava-se Maria Leopoldina Machado de Assis. Ela era uma imigrante portuguesa, natural do arquipélago dos Açores, e tinha vindo para o Brasil ainda menina. O pai era um pintor de casas carioca chamado Francisco José de Assis. O bisavô de Joaquim Maria tinha sido escravo liberto, mas o avô e o pai eram homens livres.
O menino cresceu num lar onde os pais eram alfabetizados, o que não era muito comum naquela época. E foi com eles, provavelmente, que aprendeu a ler e a escrever e recebeu estímulo para continuar a estudar por conta própria, pois até hoje não há registro de que ele tenha frequentado regularmente alguma escola. A família morava numa casa modesta na chácara do Livramento e era protegida pela dona da propriedade, uma senhora rica chamada Maria José de Mendonça Barroso, que foi madrinha de Joaquim Maria. 
Em 1840, nasceu sua irmã, a menina Maria, que, no entanto, morreu após cinco anos, em 1845, vítima de sarampo – que, na época, matava muita gente no Brasil, adultos e crianças. Nesse mesmo ano, aliás, sua madrinha Maria José também contraiu a doença e faleceu.
(Baseado na obra Dom Casmurro, São Paulo, 2015)

Baseado no texto, responda a questão.
Analise a frase: “que encantava todos aqueles que chegavam à cidade.”, do texto 1 e assinale a alternativa com a explicação correta para o emprego da crase: 
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Q2545777 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes.” (6º§) Sobre o uso do acento grave indicador de crase no trecho anterior, é correto afirmar que:
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Q2545268 Português
Texto 3 

A Inteligência Artificial, que você vai ver por aí sendo citada apenas como IA (ou AI, de artificial intelligence), é um avanço tecnológico que permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana — indo além da programação de ordens específicas para tomar decisões de forma autônoma, baseadas em padrões de enormes bancos de dados. (wikipedia, acesso em 07/08/23)
Analise o excerto quanto aos vários aspectos textuais, inclusive linguísticos a fim de poder responder a esta questão.

I. A função de linguagem predominante é a metalinguística, uma vez que há uma definição do termo, explicando o que é e o que possibilita.
II. O acento indicativo de crase se encontra colocado corretamente, apresentando emprego de regência nominal.
III. Elementos com valor semântico de circunstância de lugar e de finalidade estão presentes, inclusive mediante uma oração.

A única afirmação correta se encontra na alternativa
Alternativas
Q2533082 Português
Leia atentamente o trecho a seguir:

"Naquela tarde de domingo, Maria dirigiu-se à livraria da esquina e pediu ao vendedor que preparasse um presente para sua amiga. Ela queria um livro que fosse adequado à idade e aos interesses dela. O vendedor, com um sorriso amigável, recomendou alguns títulos que poderiam agradar a amiga de Maria."

Com base no trecho acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2530610 Português
Coisas & Pessoas

       Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina.
       Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
        – Pois é! Não vê que eu sou o sereno.
       E eis que, por um milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei que se tratasse do silêncio noturno em pessoa. Coisas do sono? Além disso, o vulto, aquele penumbroso e todo em linhas descendentes, ajudava a ilusão. Mas por que desculpar-me? Quase imediatamente compreendi que o “sereno” era um vigia noturno, uma espécie de anjo da guarda crioulo e municipal.
      Por que desculpar-me, se os poetas criaram os deuses e semideuses para personificar as coisas, visíveis e invisíveis... E o sereno da Fronteira deve andar mesmo de chapéu desabado, bigode, pala e de pé no chão... sim, ele estava mesmo de pés descalços, de certo para não nos perturbar o sono mais ou menos inocente.

(QUINTANA, Mário. As cem melhores crônicas brasileiras. Em: 29/09/2023.)
No trecho [...] um vulto junto à minha cama, [...] (2º§) foi empregado o acento grave, denominado crase. Quanto ao uso correto deste acento, podemos afirmar que:
Alternativas
Q2465158 Português
Em uma realidade cada vez mais complexa e desafiadora, é natural que os governos venham aderindo  ____________  transformações digitais e tecnológicas na formulação e implementação de suas políticas e entregas aos cidadãos. Assim, atuam como catalisadores de inovações direcionadas ____________ geração de mais valor público.

(Pedro Cavalcante, Nem tudo são flores no mundo da Inteligência Artificial. https://www.estadao.com.br/politica, 07.08.2013. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Alternativas
Q2462528 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles



        A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

       Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

       Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

       Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

        Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

       Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

         O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica. 

        Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

           Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

            Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

          Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...




Disponível em: https://www.culturagenial.com. Acesso em: 28 ago.
2023.
“levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa” (3º parágrafo)
Com relação ao uso do acento grave indicativo da crase, assinale a opção em DESACORDO com a norma-padrão. 
Alternativas
Q2462478 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles



        A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

       Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

       Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

       Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

        Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

       Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

         O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica. 

        Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

           Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

            Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

          Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...




Disponível em: https://www.culturagenial.com. Acesso em: 28 ago.
2023.
O fim do mundo - Cecília Meireles



        A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

       Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

       Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

       Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

        Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

       Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

         O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica. 

        Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

           Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

            Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

          Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...




Disponível em: https://www.culturagenial.com. Acesso em: 28 ago.
2023.

“levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa” (3º parágrafo)
Com relação ao uso do acento grave indicativo da crase, assinale a opção em DESACORDO com a norma-padrão.
Alternativas
Q2437785 Português

Texto 02 (Questões de 15 a 23)


Livros, livros, livros


A velha estante que eu tinha na sala foi embora, substituída por uma outra, mais simples, mas que abriga o dobro de livros da antecessora. O processo da troca me faz pensar muito na nossa relação com os livros. Pois ainda que ler em papel continue sendo uma experiência muito mais completa do que ler em formato digital, e presentear e receber livros continue sendo uma felicidade, guardá-los em casa não é mais tão necessário quanto era antes dos tempos da nuvem.

Guardamos livros por vários motivos: ou porque têm dedicatórias, ou porque gostamos particularmente deles, ou porque nos lembram momentos específicos das nossas vidas. Alguns, todavia, guardamos apenas para garantir o acesso ao seu conteúdo caso tenhamos necessidade disso no futuro; mas, podendo encontrá-los tão rapidamente on-line, fica cada vez mais fácil passá-los adiante.

Nossa relação com os livros está mudando muito rápido, sob todos os aspectos. Quando os primeiros CD-ROMs (lembram deles?) com enciclopédias foram lançados, não botei muita fé na sua universalização. Entendi imediatamente o seu potencial e o que representavam em termos de difusão cultural, mas continuei apegada à minha Britannica e aos dicionários de papel, que me permitiam encontrar, ao acaso, muitas palavras e verbetes interessantes.

Livros de referência e o formato digital foram, sem dúvida, feitos uns para os outros, mas o mesmo não se pode dizer de todos os livros, indistintamente. Quando os primeiros leitores de e-books chegaram ao mercado, muitas matérias foram escritas decretando o fim dos livros em papel. A substituição da velha tecnologia pela nova seria apenas uma questão de tempo, pensava-se, então. Mas o tempo, ele mesmo, tem provado que nada é tão simples: no ano passado, as vendas de livros impressos cresceram mais do que as vendas de e-books.

Na verdade, nota-se menos uma guerra entre os dois formatos do que um convívio bastante pacífico. Quem gosta de ler compra impressos e e-books indistintamente. Muitas vezes, o mesmo título acaba sendo comprado duas vezes pelo mesmo leitor, em papel para ficar em casa, em formato eletrônico para poder ser levado pata cá e para lá. Cheguei à conclusão de que continuo gostando mais dos meus livrinhos em papel, mas também adoro o meu Kindle, cada vez mais bem recheado.


(RÓNAI, Cora. “Livros, livros, livros". In: Jornal O Globo. Terça-feira 8.9.2015, p. 11. Texto adaptado)

Na sentença “[...] mas continuei apegada à minha Britannica [...]" (3º§), o emprego do acento grave é facultativo. Assinale a opção em que o acento indicativo de crase também pode ser retirado sem incorrer em erro gramatical.

Alternativas
Q2437521 Português

Considerando-se a presença ou a ausência do acento indicativo de crase, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


(_) Vou à Roma.

(_) Ele enviou o presente a um amigo.

(_) Ela voltou à casa da sua família.

Alternativas
Respostas
2661: E
2662: A
2663: A
2664: D
2665: D
2666: A
2667: D
2668: D
2669: A
2670: B
2671: C
2672: C
2673: B
2674: A
2675: D
2676: B
2677: C
2678: C
2679: A
2680: B