Questões de Concurso
Sobre conjunções: relação de causa e consequência em português
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Afonso Romano de Sant’Anna
Conheço muitas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos, aliás estão ficando cítricos sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos.
E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário: aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto, a gente pensa: o que querem? __________ essa bílis ao telefone e nos bares? __________ esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo público que se pensa humor?
Isto está errado. Errado, não _________ esteja simplesmente errado, mas __________ tais pessoas vivem numa infelicidade abstrata. E, ademais, dever-se-ia envelhecer maciamente. Nunca aos solavancos. Nunca aos trancos e barrancos. Nunca como alguém caindo num abismo e se agarrando nos galhos e pedras, olhando em pânico para o buraco enquanto despenca. Jamais, também, como quem está se afogando, se asfixiando ou morrendo numa câmara de gás.
Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum − quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.
Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, nem da ruga do tempo, e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo e mesmo lugar -- o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos sábios permitida.
Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, ____________ velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.
O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E, no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma faca nova.
Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem de modo diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria a suave solução: a gente devia ir se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.
Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: “Penso que podia viver com os animais que são plácidos e bastam-se a si mesmos”. Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece.
Leia as seguintes frases, extraídas do texto:
I- Maior até do que mereciam. Portanto, a gente pensa: o que querem? II- E, no entanto, ela continua afiadíssima, As conjunções destacadas podem ser substituídas, sem prejuízo de sentido, correta e respectivamente, por:
“Segundo a rádio, no segundo dia do Enem foi realizado em menos de um segundo um balanço geral para apurar os candidatos faltosos.”
Aponte a alternativa que contém a classe gramatical das palavras destacadas na ordem que se apresentam.
Não é sobre ter Todas as pessoas do mundo pra si É sobre saber que em algum lugar Alguém zela por ti É sobre cantar e poder escutar Mais do que a própria voz É sobre dançar na chuva de vida Que cai sobre nós
É saber se sentir infinito Num universo tão vasto e bonito É saber sonhar E, então, fazer valer a pena cada verso Daquele poema sobre acreditar
Não é sobre chegar no topo do mundo E saber que venceu É sobre escalar e sentir Que o caminho te fortaleceu É sobre ser abrigo E também ter morada em outros corações E assim ter amigos contigo Em todas as situações
A gente não pode ter tudo Qual seria a graça do mundo se fosse assim? Por isso, eu prefiro sorrisos E os presentes que a vida trouxe Pra perto de mim
Não é sobre tudo que o seu dinheiro É capaz de comprar E sim sobre cada momento Sorriso a se compartilhar Também não é sobre correr Contra o tempo pra ter sempre mais , Porque quando menos se espera A vida já ficou pra trás
Segura teu filho no colo Sorria e abrace teus pais Enquanto estão aqui Que a vida é trem-bala, parceiro E a gente é só passageiro prestes a partir
Texto extraído e adaptado de: https://www.vagalume.com.br/ana-vilela/trem-bala.html.17/05/2017.
Leia os excertos a seguir:
“É sobre dançar na chuva de vida / Que cai sobre nós” “Segura teu filho no colo / Sorria e abrace teus pais / enquanto estão aqui” “Que a vida é trem-bala, parceiro / E a gente é só passageiro prestes a partir”
“É sobre escalar e sentir / Que o caminho te fortaleceu” “É sobre dançar na chuva de vida / Que cai sobre nós” “Sorria e abrace teus pais / Enquanto estão aqui / Que a vida é trem-bala, parceiro” Considerando as diferentes funções dos elementos “que” nos excertos apresentados, é correto afirmar que eles são, respectivamente:
Saúde pública em foco
“Saneamento básico ainda é desafio para muitas escolas do país; ausência da rede de água
e esgoto nas unidades e comunidades pode influenciar matrículas e desempenho.”
Alceu Luís Castilho e Fábio de Castro.
No Brasil, 12 mil escolas não têm esgoto sanitário, segundo o Censo Escolar de 2009. Isso corresponde a quase 8% das unidades e a cerca de 20 milhões de crianças. Além disso, em quase 20 mil escolas a água consumida pelos alunos não é filtrada e 800 não têm abastecimento de água. A maior parte do déficit de esgoto está na rede municipal, onde há mais de 10 mil unidades nessa situação – 6 mil delas no Nordeste.
O Maranhão concentra, sozinho, metade das escolas nordestinas sem esgoto: do total de 10.569 escolas de ensino fundamental naquele estado, somente 70% têm acesso à rede de esgoto. Embora não possamos estabelecer relações diretas entre esses dados, o estado também apresenta desempenho abaixo da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb): nota 3,9 nos primeiros anos do ensino fundamental e 3,6 nos anos finais – número ainda superior à média nordestina, 3,8 e 3,4, respectivamente, mas inferior ao restante do país, que é 4,6 e 4,0. O resultado da falta de saneamento, porém, pode ser ainda pior. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, além do menor rendimento escolar, estudantes de regiões sem saneamento matriculam-se menos nas escolas, ou seja, não chegam a participar dessas avaliações de desempenho.
As escolas do Acre e do Amazonas também têm índices muito ruins, mas sua população é bem menor que a do Maranhão. Os melhores índices estão nos estados do Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde quase todos os estabelecimentos de ensino fundamental possuem rede de esgoto. A falta de acesso a água filtrada é uma característica principalmente de estados da região Sul. Pelos dados do Censo Escolar, a pior situação é a do Rio Grande do Sul: apenas 28% das escolas de ensino fundamental têm água filtrada, em um universo de 6.782 unidades.
Faltam investimentos em prevenção, apesar de ser conhecida a proporção entre os custos de saneamento e o dinheiro gasto em hospitais e tratamentos: para cada dólar investido em saneamento básico, outros cinco são economizados em despesas hospitalares, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A professora Anne Jardim Botelho, da Universidade Federal do Sergipe, pesquisou o impacto das parasitoses na atividade cognitiva e explica que, nas áreas endêmicas, não adianta dar remédio, porque há constante reinfecção.
O diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, Anthony Wong, lembra que o saneamento básico é fundamental para que substâncias químicas contaminantes não tenham acesso ao meio ambiente. Ou seja: a coleta de esgoto adequada não só melhora a saúde da população, mas pode nos poupar de um problema ecológico de proporções imensas. “Com informação adequada, a própria população poderia diminuir muito o problema.”
(Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/0/saude-publica-em-foco-244652-1.asp.)
Quando o patriarca José Arcadio Buendía morre, uma chuva de pétalas amarelas cai sobre Macondo.
Foi com as flores e a delicadeza do realismo fantástico de Gabriel García Márquez que a Colômbia disse adeus à Chapecoense. Em uma espécie de catarse coletiva que emocionou o mundo, 45 mil pessoas reunidas para chorar uma tragédia que não era sua formaram muito mais que um estádio lotado. A homenagem às vítimas da última quarta, na casa do Atlético Nacional, exibiu um país solidário, que soube dar seu melhor durante os piores dos dias.
Macondo, a cidade criada por García Márquez no clássico “Cem anos de solidão”, não é Medellín, embora ambas estejam cercadas por montanhas. Só que a descrição de uma Colômbia fictícia, que mistura sofrimento e alegria, e onde coisas mágicas podem acontecer, combina muito mais com a realidade do que a dureza de “plata o plomo” que a história de Pablo Escobar pode oferecer.
A Colômbia da cultura pop e do imaginário coletivo nem sempre é a alegria incontida de Shakira. Por vezes, ela é a lembrança da violência na voz de uma personagem de Sofia Vergara. Ou a dureza da morte de Andrés Escobar por um gol contra em uma Copa do Mundo. Narcos, nos últimos anos, recolocou o país, e Medellín em especial, em uma espiral de negatividade, relembrando a histórica relação da região com o narcotráfico.
Não foi esse país triste e sofrido que abraçou as dores pelos 71 mortos de uma das maiores tragédias da história do esporte mundial. Medellín, desde a última terça, é só cuidado e carinho. Camisas nas ruas, fitas verdes nas lapelas e recados carinhosos na parede de hotéis e lojas, todos relembrando a tragédia, dão o tom de solidariedade que tocou até quem nunca pisou na cidade antes.
A cerimônia da última quarta mostrou uma multidão de branco, cantando e chorando um time distante, até então quase desconhecido. Um Atlético Nacional, que em 1989 foi acusado de ganhar sua primeira Libertadores comprando juízes com dinheiro do narcotráfico, abriu mão de um título pelo rival que se foi. Uma população mobilizando mais de 200 pessoas em um espaço de horas, de forma voluntária, para dar conforto e cuidado aos familiares que quisessem dar seu último adeus aos entes queridos.
Quando os discursos no estádio Atanásio Girardot se encerraram, um helicóptero de resgate sobrevoou a multidão. Com as luzes apagadas, o veículo que foi usado nas buscas pelos corpos atirou pétalas roxas, vermelhas e brancas ao ar. Como no realismo fantástico de García Márquez, a tragédia por vezes é um rito de passagem marcado pela mágica. Mas quem duvidaria da verossimilhança de umachuva de flores na semana em que um avião de sonhos caiu do céu?
O sofrimento não desaparece. A Colômbia de Escobar se faz lembrar, com favelas, pobreza e violência. Só que não é assim que ela é apresentada a quem, por função ou opção, decide conhecê-la. “Aqui é um lugar perigoso. O perigo é você querer ficar”, “apresenta” o taxista.
“As estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra”. O que a Colômbia e García Márquez ensinam, no entanto, é que beleza e bondade podem se sobrepor à dor nos momentos mais difíceis.
(PEREIRA, F. e FRANCE SCHINI, G. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/12/02/a-colombia-que-emociona-na-tragedia-nao-e-de-escobar-e-de-garcia-marquez.htm.)
De acordo com o contexto, assinale a alternativa que substitui corretamente a expressão “no entanto”.
Quando o patriarca José Arcadio Buendía morre, uma chuva de pétalas amarelas cai sobre Macondo.
Foi com as flores e a delicadeza do realismo fantástico de Gabriel García Márquez que a Colômbia disse adeus à Chapecoense. Em uma espécie de catarse coletiva que emocionou o mundo, 45 mil pessoas reunidas para chorar uma tragédia que não era sua formaram muito mais que um estádio lotado. A homenagem às vítimas da última quarta, na casa do Atlético Nacional, exibiu um país solidário, que soube dar seu melhor durante os piores dos dias.
Macondo, a cidade criada por García Márquez no clássico “Cem anos de solidão”, não é Medellín, embora ambas estejam cercadas por montanhas. Só que a descrição de uma Colômbia fictícia, que mistura sofrimento e alegria, e onde coisas mágicas podem acontecer, combina muito mais com a realidade do que a dureza de “plata o plomo” que a história de Pablo Escobar pode oferecer.
A Colômbia da cultura pop e do imaginário coletivo nem sempre é a alegria incontida de Shakira. Por vezes, ela é a lembrança da violência na voz de uma personagem de Sofia Vergara. Ou a dureza da morte de Andrés Escobar por um gol contra em uma Copa do Mundo. Narcos, nos últimos anos, recolocou o país, e Medellín em especial, em uma espiral de negatividade, relembrando a histórica relação da região com o narcotráfico.
Não foi esse país triste e sofrido que abraçou as dores pelos 71 mortos de uma das maiores tragédias da história do esporte mundial. Medellín, desde a última terça, é só cuidado e carinho. Camisas nas ruas, fitas verdes nas lapelas e recados carinhosos na parede de hotéis e lojas, todos relembrando a tragédia, dão o tom de solidariedade que tocou até quem nunca pisou na cidade antes.
A cerimônia da última quarta mostrou uma multidão de branco, cantando e chorando um time distante, até então quase desconhecido. Um Atlético Nacional, que em 1989 foi acusado de ganhar sua primeira Libertadores comprando juízes com dinheiro do narcotráfico, abriu mão de um título pelo rival que se foi. Uma população mobilizando mais de 200 pessoas em um espaço de horas, de forma voluntária, para dar conforto e cuidado aos familiares que quisessem dar seu último adeus aos entes queridos.
Quando os discursos no estádio Atanásio Girardot se encerraram, um helicóptero de resgate sobrevoou a multidão. Com as luzes apagadas, o veículo que foi usado nas buscas pelos corpos atirou pétalas roxas, vermelhas e brancas ao ar. Como no realismo fantástico de García Márquez, a tragédia por vezes é um rito de passagem marcado pela mágica. Mas quem duvidaria da verossimilhança de umachuva de flores na semana em que um avião de sonhos caiu do céu?
O sofrimento não desaparece. A Colômbia de Escobar se faz lembrar, com favelas, pobreza e violência. Só que não é assim que ela é apresentada a quem, por função ou opção, decide conhecê-la. “Aqui é um lugar perigoso. O perigo é você querer ficar”, “apresenta” o taxista.
“As estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra”. O que a Colômbia e García Márquez ensinam, no entanto, é que beleza e bondade podem se sobrepor à dor nos momentos mais difíceis.
(PEREIRA, F. e FRANCE SCHINI, G. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/12/02/a-colombia-que-emociona-na-tragedia-nao-e-de-escobar-e-de-garcia-marquez.htm.)
A palavra sublinhada introduz uma ideia de:
Setenta anos, por que não?
Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida. Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguinha, então viver é de certa forma uma desgraceira que acaba na morte. Desse ponto de vista, a vida passa a ser uma doença crônica de prognóstico sombrio. Nessa festa sem graça, quem fica animado? Quem não se amargura?
O tempo me intriga, como tantas coisas, desde quando eu tinha uns 5 anos. Quando esta coluna for publicada, mais ou menos por aqueles dias, estarei fazendo 70. Primeiro, há meses, pensei numa grande festa, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos bem pequenos. Mas pensei, bem, 70 vale a pena! Aos poucos fui percebendo que hoje em dia fazer 70 anos é uma banalidade. Vou reunir filhos e pouquíssimos amigos e fazer aquela festona nos 80. Ou 90.
Pois se minhas avós eram damas idosas aos 50, sempre de livro na mão lendo na poltrona junto à janela, com vestidos discretíssimos, pretos de florzinha branca (ou, em horas mais festivas, minúsculas flores ou bolinhas coloridas), hoje aos 70 estamos fazendo projetos, viajando (pode ser simplesmente à cidade vizinha para visitar uma amiga), indo ao teatro e ao cinema, indo a restaurante (pode ser o de quilo, ali na esquina), eventualmente namorando ou casando de novo. Ou dando risada à toa com os netos, e fazendo uma excursão com os filhos. Tudo isso sem esquecer a universidade, ou aprender a ler, ou visitar pela primeira vez uma galeria de arte, ou comer sorvete na calçada batendo papo com alguma nova amiga.
Outro dia minha neta de quase 10 anos me disse: “Você é a pessoa mais divertida que conheço, é a única avó do mundo que sai para comprar mamão e volta com um buldogue”. Era verdade. Se sou tão divertida não sei, mas gosto que me vejam não como a chata que se queixa, reclama e cobra, mas como aquela que de verdade vai comprar a fruta de que o marido mais gosta, anda com vontade de ter de novo um cachorro e entra na loja quase ao lado do mercado. Por um acaso singular, pois não são cachorros muito comuns, ali há um filhotinho de buldogue inglês que voltou comigo para casa em lugar da fruta. Foi batizada de Emily e virou mais uma alegria.
E por que não? Por que a passagem do tempo deveria nos tornar mais rígidas, mais chatas, mais queixosas, mais intolerantes, espantalhos dos afetos e da alegria? “Why be normal?”, dizia o adesivo que amigos meus mandaram fazer há muitos anos para colocarmos em nossos carros só pela diversão, pois no fundo não queria dizer nada além disso: em nossas vidas atribuladas, cheias de compromissos, trabalho, pouco dinheiro, cada um com seus ônus e bônus, a gente podia cometer essa transgressão tão inocente e engraçada, de ter aquele adesivo no carro.
Não precisamos ser tão incrivelmente sérios, cobrar tanto de nós, dos outros e da vida, críticos o tempo todo, vendo só o lado mais feio do mundo. Das pessoas. Da própria família. Dos amigos. Se formos os eternos acusadores, acabaremos com um gosto amargo na boca: o amargor de nossas próprias palavras e sentimentos. Se não soubermos rir, se tivermos desaprendido como dar uma boa risada, ficaremos com a cara hirta das máscaras das cirurgias exageradas, dos remendos e intervenções para manter ou recuperar a “beleza”. A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa.
O projeto pode ser comprar um vaso de flor e botar na janela ou na mesa, para contemplarmos beleza. Pode ser o telefonema para o velho amigo enfermo. Pode ser a reconciliação com o filho que nos magoou, ou com o pai que relegamos, quando não nos podia mais sustentar. O afeto pode incluir uma pequena buldogue chamada Emily, para alegrar ainda mais a casa, as pessoas, sobretudo as crianças, que estão sempre por aqui, o maior presente de uma vida de apenas 70 anos.
(Lya Luft. Disponível em: http://www.udemo.org.br/Leituras_242.htm. Acesso em: 27/06/2016. Adaptado.)
“Minha visão é que todas as meninas recebam educação. Não apenas isso, mas também dignidade e respeito próprio”, diz.
A conjunção destacada confere ao trecho ideia de:
As mortes violentas entre os jovens
As mortes de jovens por causas violentas no Brasil, na contramão do que se passa nos
países desenvolvidos, superam as causadas por acidentes automobilísticos e suicídio.
O assassinato brutal de um garoto de 18 anos agora em setembro dentro do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, voltou a chamar a atenção para a principal causa de morte de homens jovens no Brasil de hoje: a violência.
Marlon Roldão Soares foi assassinado por dois jovens, que descarregaram ao menos 15 tiros na vítima. Ele se despedia de um amigo que iria viajar. O pai de Soares estava com ele. Dezenas de pessoas estavam no saguão do aeroporto no momento do crime. Até a quarta-feira, dia 21, não estava clara a causa do assassinato, que pelo padrão lembra uma execução. O jovem não tinha antecedentes criminais e não parecia ter relação com o tráfico. No entanto, o bairro em que residia, Vila Jardim, na Zona Norte da capital gaúcha, sofre com a disputa de duas facções criminosas rivais.
Esse conflito parece ter conexão com o ataque. Em um primeiro momento, a polícia trabalhava com a hipótese de um crime passional. O namoro de Soares com uma jovem de outra parte do bairro poderia ter gerado reação do grupo que “domina” a outra área. Outra possibilidade é o garoto ter sido morto por engano. O alvo seria o amigo que embarcava no aeroporto e que teria “desertado” de uma quadrilha de traficantes. O que aconteceu excepcionalmente dentro do saguão de um aeroporto é realidade cotidiana em áreas espalhadas pelo país, territórios com “donos” que não toleram a presença das autoridades. Criam verdadeiros bolsões em que a lei parece não ter vez.
Há uma banalização da violência entre os mais novos. A cena dos garotos saindo do aeroporto, rosto limpo, dando tiros para o alto, pegando “carona” em um carro que os aguardava, sem se preocupar se estavam sendo gravados, revela um desprezo com as autoridades
. As mortes de jovens por causas violentas no Brasil, na contramão do que se passa nos países desenvolvidos, superam as causadas por acidentes automobilísticos e suicídio. É o retrato de uma guerra urbana, que provoca a morte de dezenas de jovens, principalmente garotos, todo dia. As vítimas são majoritariamente pobres, negros e habitantes de periferias.
A sensação de impunidade, a impulsividade típica dessa fase da vida, a busca pela sensação de poder, a escola pouco atraente, o mercado de trabalho retraído, os empregos mal remunerados, o dinheiro “fácil” gerado pelo crime, o uso de álcool e drogas, a ausência de projeto de vida, a desestruturação familiar, história de prisões e agressões envolvendo os pais deixam uma grande parcela da população jovem mais vulnerável às promessas e à sedução do tráfico e do uso da violência. É um ciclo complexo, difícil de quebrar. Mas, sem enfrentar suas causas econômicas e sociais, continuaremos a apenas ficar chocados, dia após dia.
(BOUER, Jairo. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/10/mortes-violentas-entre-os-jovens.html.Acesso em: 18/10/2016.)
As mortes violentas entre os jovens
As mortes de jovens por causas violentas no Brasil, na contramão do que se passa nos
países desenvolvidos, superam as causadas por acidentes automobilísticos e suicídio.
O assassinato brutal de um garoto de 18 anos agora em setembro dentro do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, voltou a chamar a atenção para a principal causa de morte de homens jovens no Brasil de hoje: a violência.
Marlon Roldão Soares foi assassinado por dois jovens, que descarregaram ao menos 15 tiros na vítima. Ele se despedia de um amigo que iria viajar. O pai de Soares estava com ele. Dezenas de pessoas estavam no saguão do aeroporto no momento do crime. Até a quarta-feira, dia 21, não estava clara a causa do assassinato, que pelo padrão lembra uma execução. O jovem não tinha antecedentes criminais e não parecia ter relação com o tráfico. No entanto, o bairro em que residia, Vila Jardim, na Zona Norte da capital gaúcha, sofre com a disputa de duas facções criminosas rivais.
Esse conflito parece ter conexão com o ataque. Em um primeiro momento, a polícia trabalhava com a hipótese de um crime passional. O namoro de Soares com uma jovem de outra parte do bairro poderia ter gerado reação do grupo que “domina” a outra área. Outra possibilidade é o garoto ter sido morto por engano. O alvo seria o amigo que embarcava no aeroporto e que teria “desertado” de uma quadrilha de traficantes. O que aconteceu excepcionalmente dentro do saguão de um aeroporto é realidade cotidiana em áreas espalhadas pelo país, territórios com “donos” que não toleram a presença das autoridades. Criam verdadeiros bolsões em que a lei parece não ter vez.
Há uma banalização da violência entre os mais novos. A cena dos garotos saindo do aeroporto, rosto limpo, dando tiros para o alto, pegando “carona” em um carro que os aguardava, sem se preocupar se estavam sendo gravados, revela um desprezo com as autoridades
. As mortes de jovens por causas violentas no Brasil, na contramão do que se passa nos países desenvolvidos, superam as causadas por acidentes automobilísticos e suicídio. É o retrato de uma guerra urbana, que provoca a morte de dezenas de jovens, principalmente garotos, todo dia. As vítimas são majoritariamente pobres, negros e habitantes de periferias.
A sensação de impunidade, a impulsividade típica dessa fase da vida, a busca pela sensação de poder, a escola pouco atraente, o mercado de trabalho retraído, os empregos mal remunerados, o dinheiro “fácil” gerado pelo crime, o uso de álcool e drogas, a ausência de projeto de vida, a desestruturação familiar, história de prisões e agressões envolvendo os pais deixam uma grande parcela da população jovem mais vulnerável às promessas e à sedução do tráfico e do uso da violência. É um ciclo complexo, difícil de quebrar. Mas, sem enfrentar suas causas econômicas e sociais, continuaremos a apenas ficar chocados, dia após dia.
(BOUER, Jairo. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/10/mortes-violentas-entre-os-jovens.html.Acesso em: 18/10/2016.)
“No entanto, o bairro em que residia, Vila Jardim, na Zona Norte da capital gaúcha, sofre com a disputa de duas facções criminosas rivais.” (2º§). A expressão sublinhada, além de introduzir o período, expressa a ideia de:
O termo destacado indica uma:
Quantas vezes o cérebro precisa ser exposto a uma palavra para aprendê-la?
Em um estudo conduzido em 1965, os especialistas em educação e psicologia David Ausubel e Mohamed Youssef foram categóricos em dizer que um estudante precisaria ser exposto a uma palavra 17 vezes antes de aprendê-la e passar a usá-la.
Outras pesquisas apontam para uma média que varia entre 15 e 20 vezes.
Mas Catherine Snow, professora de educação na prestigiada Universidade Harvard, nos EUA, pondera que existem diferentes condições de aprendizado e, às vezes, basta ouvir a palavra uma única vez para aprendê-la.
“Você pode apontar para algo e dizer a palavra. Com isso, as crianças podem aprender, se lembrar dela e passar a usá-la a partir desse momento. Mas há muitas palavras cujo significado não dá para personificar em um objeto ou imagem”, observa a especialista.
Snow diz ainda que há muitos aspectos sobre as palavras para se aprender. “Não apenas as pronúncias ou o que significam, mas também o contexto adequado para usá-las.”
Assim, explica a professora, algumas exigem mais repetições que outras. Ela afirma que a estimativa de 15 a 20 vezes serve como uma média entre o aprendizado de palavras mais fáceis e mais difíceis – ou seja, aquelas com significado simples e as mais complexas.
Aprender idioma estrangeiro
No caso do aprendizado de uma segunda língua, avalia Catherine Snow, espera-se que os estudantes aprendam uma média de 200 palavras por semana. “Mas não podemos assegurar que eles vão se lembrar dessas palavras”, salienta.
A estratégia usada por muitos professores é ensinar essas 200 palavras e garantir que os alunos estejam expostos a elas cinco vezes em um dia, quatro no próximo e três vezes nos dois seguintes.
“E uma ou duas vezes na semana seguinte. Dessa forma, são muitas as possibilidades de que o aluno escute ou leia essas palavras. Assim, é possível assegurar a consolidação da memória”, observa a especialista, referindo-se ao processo de transformação das lembranças de curto prazo em longo prazo.
Aprendizado varia com idade?
A professora de Harvard diz que o ensino de idiomas estrangeiros é uma das poucas formas que permite medir a frequência que uma palavra é exposta. “Com crianças pequenas, não sabemos com que frequência usamos uma palavra antes que tenham aprendido”, justifica.
Para ela, a partir dos 15 anos estudantes são mais eficientes em aprender. Já podem fazer isso sozinhos e usar referências bibliográficas para reforçar os conhecimentos. “Então, creio que os mais jovens provavelmente precisam de mais exposição.”
Questionada sobre qual a quantidade de vezes que um cérebro precisa estar exposto para aprender um idioma, Snow admite que, apesar de possível, são poucas as chances de se aprender uma palavra já na primeira exposição.
“Também é mais difícil ensinar palavras sem as relacionar entre si”, observa.
Estratégia para aprender mais rápido
Snow explica qual a estratégia que usa com seus alunos.
Primeiro, ela mostra uma foto relacionada a um tema que interesse os estudantes e os faz a pensar sobre as palavras das quais realmente precisam para falar sobre esse tópico.
Em seguida, ela apresenta leituras e cria oportunidades que eles escrevam as palavras relacionadas ao tema. Assim, diz a professora, elas vão se repetir muitas vezes.
Snow assinala ser muito importante praticar a forma oral e escrita das palavras, pois isso ajuda a formar a chamada representação léxica de alta qualidade, que inclui ortografia, semântica e fonética detalhada.
“Há palavras que conhecemos, apesar de não termos certeza de como as soletramos ou são pronunciadas. Ainda assim, podemos entendê-las quando as lemos. Essas palavras são frágeis no nosso vocabulário”, observa a professora. A solução, diz ela, é fazer com que os alunos entendam como usá-las – assim fica mais fácil de elas serem lembradas.
(Analía Llorente – Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-42139658.)
Analise as afirmativas a seguir, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
( ) Em “Mas Catherine Snow [...] pondera que existem diferentes condições de aprendizado e, às vezes, basta ouvir a palavra uma única vez para aprendê-la.” (3º§), a conjunção destacada indica a oposição entre o conteúdo do parágrafo que introduz e os anteriores.
( ) Em “Com isso, as crianças podem aprender, se lembrar dela e passar a usá-la a partir desse momento.” (4º§), a expressão sublinhada marca que a informação que introduz é uma explicação de uma ideia anteriormente veiculada.
( ) Em “Ela afirma que a estimativa de 15 a 20 vezes serve como uma média entre o aprendizado de palavras mais fáceis e mais difíceis – ou seja, aquelas com significado simples e as mais complexas.” (6º§), a locução destacada explica uma ideia apresentada previamente.
( ) Em “Não apenas as pronúncias ou o que significam, mas também o contexto adequado para usá-las.” (5º§), a locução salientada tem valor adversativo, opondo duas informações.
A sequência está correta em
A ciência ainda é terra de homens. Conheça
7 brasileiras que estão mudando isso
Em meio à crise da ciência no Brasil, sete pesquisadoras receberam, na última terça-feira, o Prêmio Para Mulheres na Ciência, criado em 1998 para estimular a presença de mulheres em áreas da pesquisa em que elas foram, historicamente, preteridas.
O dia de entrega do Prêmio, 24 de outubro, coincidiu com a divulgação do novo Relatório de Monitoramento Global da Educação 2017-2018 da Unesco – uma das promotoras do prêmio, junto à L’Oréal e à Academia Brasileira de Ciências. E o que o relatório mostra é exatamente o que as laureadas deste ano experimentam no dia a dia da pesquisa científica: no mundo todo, os índices de mulheres na universidade está aumentando.
Já há mais mulheres do que homens fazendo curso superior. O problema é que cursos chamados STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) – as áreas que o Para Mulheres na Ciência premia anualmente – têm uma falta notória de mulheres.
Exceções começaram a aparecer: Albânia, Algéria e Tunísia formam mais mulheres em ciências exatas e biológicas do que homens. Mas a maioria dos países mostra o contrário. No Chile, em Gana e na Suíça, menos de ¼ das salas de aula desses cursos é composta por mulheres.
Dentro das carreiras de pesquisa, essa disparidade tende a aumentar conforme cresce a importância do cargo. “A parcela de mulheres em papéis de liderança diminui na medida em que os níveis [educacionais] aumentam”, aponta o relatório. Mesmo antes da carreira acadêmica, na própria educação básica, essa é a tendência nos cargos de gestão. A educação infantil e o ensino fundamental, no mundo todo, são repletos de professoras mulheres, mas elas são minoria como educadores de ensino médio e nos cargos de direção escolar.
É exatamente essa questão que experimentaram as vencedoras do prêmio. “Não vejo diferença na quantidade de mulheres que atuam na área, o que eu vejo é a diferença no andamento da carreira”, diz Pamela Carpes, neurocientista que se dedica a avaliar nos mamíferos as consequências cerebrais do abandono parental na infância. “A ascensão a cargos de prestígio, presidências de sociedade, é diferente. Sou membro da Sociedade Brasileira de Fisiologia, que existe há anos. Estamos, neste ano, apenas na segunda mulher presidindo – mesmo que haja mais mulheres [como membros] do que homens.”
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Neste cenário já complicado, se acrescenta a dificuldade crescente de fazer ciência no Brasil, para pesquisadores de todos os gêneros. Os cortes federais no orçamento voltado à ciência e à tecnologia renderam, inclusive, uma carta de protesto assinada por 23 vencedores do prêmio Nobel diretamente ao presidente Michel Temer. A situação nas universidades é parecida.
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Entra aí o Para Mulheres na Ciência, que garante um financiamento de pesquisa de R$ 50 mil para cada premiada. “Mistura a exposição de um prêmio com um recurso de edital de agência que permite que os trabalhos sigam”, pontua Rafaela.
Essa visibilidade extra das cientistas ajuda, aliás, a explicar ao público que tipo de projetos de ciência de ponta estão sendo desenvolvidos no Brasil – que também é algo que adoramos fazer aqui na SUPER. “Acaba nos aproximando muito mais da sociedade”, conclui Gabriela Nestal, premiada por um projeto que estuda a resistência genética aos tratamentos quimioterápicos de câncer de mama – visa, basicamente, entender por que algumas pessoas simplesmente não respondem ao tratamento.
A sétima pesquisadora premiada no Rio de Janeiro, durante a inauguração do Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal no Brasil, é Diana Sasaki, matemática da UERJ especializada em estudos de grafos. Eles são usados para resolver dilemas complicadíssimos de análise combinatória – mas têm exemplos muito claros na vida real, como a necessidade de diferentes aviões de rotas diversas aterrissarem no mesmo local sem que tenham problemas de encontro. Essa área de conhecimento, portanto, usa simulações matemáticas para ajudar a modelar (e resolver) problemas de conflito.
As sete laureadas desse ano se juntam às 82 brasileiras já apoiadas pelo prêmio – que tem também uma versão internacional, o For Women in Science, que premia anualmente cinco das pesquisadoras mais bem-sucedidas do mundo em suas áreas. Duas das laureadas, Ada Yonath e Elizabeth Blackburn, acabaram por ganhar, eventualmente, o Nobel.
Lucia Mendonça Previato, brasileira premiada pelo For Women in Science internacional em 2004, estava na premiação representando a Academia Brasileira de Ciências. Para ela, “comemorações como essa resultam em festa, mas principalmente em esperança”. Esperança de um futuro com mais líderes mulheres na ciência e uma realidade mais promissora para a valorização dos cientistas no Brasil.
LEONARDI, Ana Carolina. SuperInteressante.
Disponível em: <https://goo.gl/gezso9>.
Acesso em: 30 out. 2017 [Fragmento adaptado].
Releia o trecho a seguir.
“Essa área de conhecimento, portanto, usa simulações matemáticas para ajudar a modelar (e resolver) problemas de conflito.”
A palavra destacada confere ao trecho uma ideia de:
[...] Homens cujo estado de espírito difere drasticamente da média dos demais existem desde as épocas mais remotas – assim como tratamentos para curá-los. No entanto, por séculos, acreditava-se que a loucura era causada pela vontade dos deuses sendo, portanto, parte do destino de alguns. Fosse para punir ou até mesmo para recompensar – o Alcorão conta como Maomé achava veneráveis os loucos, já que tinham sido abençoados com loucura por Alá, que lhes tirava o juízo para que não pecassem – fato é que a loucura estava associada com a ideia de destino e participava da vida social assim como outras formas de percepção da realidade. “A definição de loucura em termos de ‘doença’ é uma operação recente na história da civilização ocidental”, escreveu João Frayze-Pereira, no livro O que é a loucura. [...]
Disponível em:<https://super.abril.com.br/saude/louco-eu/> . Acesso em: 18 out. 2017.
A conjunção em destaque já que estabelece o sentido de