Questões de Concurso
Comentadas sobre concordância verbal, concordância nominal em português
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Em relação às concordâncias verbal e nominal, analisar os itens abaixo:
I. A jovem agradeceu ao pretendente: “Muito obrigado pelas rosas!”.
II. Faziam cinco anos que meu time não saia campeão.
III. Aquela mulher parecia meio cansada.
Está(ão) CORRETO(S):
Tanto em “Deve existir soluções melhores” quanto em “Deve haver alternativas”, há desvio de concordância verbal, uma vez que os verbos deveriam concordar com seu sujeito: “Devem existir” e “Devem haver”.
A sentença “Possui-se alguma informação” poderia ser modificada para “Possui-se algumas informações”, sem prejuízo à correção morfossintática da frase.
No trecho “transmite-se, nos diversos meios de comunicação, as mais variadas informações sobre o tema”, há um desvio de concordância verbal, uma vez que o sujeito está posposto e separado do verbo por um termo acessório.
Na sentença “Se se fizer uma análise do problema, ver-se-ão causas diversas e interconectadas”, foram respeitadas todas as normas gramaticais de concordância, colocação pronominal e ortografia.
A frase “foi desenvolvido diversos aplicativos de compartilhamento de ideias e de mídias – as redes sociais” está de acordo com as normas de concordância da gramática padrão.
Texto para o item.

Internet: <www.prodi.ifes.edu.br> (com adaptações).
No que se refere à estrutura linguística e ao vocabulário do texto, julgue o item.
Na linha 25, caso se substituísse a forma verbal “ocorre”
pela flexão no plural ocorrem, manter-se-ia a correção
gramatical do texto, de forma que seria realizada a
concordância com “pelas PICS”.
Leia a tirinha abaixo, de Calvin e Haroldo, para responder à questão.



“O IDMS é uma ferramenta por meio da qual se busca quantificar o grau de desenvolvimento econômico municipal, considerando indicadores socioculturais, econômicos, ambientais e de política institucional, que medem o quão sustentável e flexível é o crescimento do município que o aplica.”
Assinale a alternativa correta sobre a frase.


Disponível em: https://estudio.folha.uol.com.br/unico.
Acesso em: 20 out. 2022. Adaptado.


Disponível em: https://estudio.folha.uol.com.br/unico.
Acesso em: 20 out. 2022. Adaptado.
Ainda com relação a aspectos linguísticos do texto 8A2-I, julgue o item subsequente.
Em “permanece em silêncio ou se oculta” (último período do
terceiro parágrafo), a flexão dos verbos no singular decorre
da concordância dessas formas verbais com “um mediador”
(terceiro período do terceiro parágrafo), termo que exerce a
função de sujeito.
Estaria mantida a correção gramatical do texto caso as formas verbais empregadas nos segmentos “20% dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia” (último período do segundo parágrafo) e “21% se interessam pela profissão” (primeiro período do quarto parágrafo) estivessem flexionadas no singular — está e interessa, respectivamente —, dada a possibilidade de concordância do verbo com a expressão por cento, representada graficamente por “%”.
O primeiro beijo
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme. – Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
– Sim, já beijei antes uma mulher.
– Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer. O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar- lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros. E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca. E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente, engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo. A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava. E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos. Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando. O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava… o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos. De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos. Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água. E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra. Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida… Olhou a estátua nua. Ele a havia beijado. Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido. Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil. Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele… Ele se tornara homem.

