Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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crescimento. Sem concorrência não há inovação, e
sem inovação não há crescimento sustentado. O Brasil
acordou na questão da concorrência. Agora é preciso
05 dotá-la de recursos adequados e implementá-la de
acordo com as especificidades do país. Na defesa
da concorrência, como de resto em várias áreas da
política pública, é preciso copiar um clichê do mundo
corporativo multinacional: manter a visão global sem
10 perder o enfoque local.
Assinale a alteração proposta para o texto que resulta em incoerência da argumentação ou incorreção gramatical. Desconsidere os necessários ajustes nas letras maiúsculas e minúsculas.
( ) Segundo sua análise, uma classe burguesa controlava os mecanismos sociais no Brasil, como acontecia em quase todos os países do ocidente.
( ) Florestan Fernandes tomou para si a tarefa de romper com a tradição de pseudoneutralidade das ciências humanas e reconstruir uma análise do Brasil abertamente comprometida com a mudança social.
( ) No entanto – por causa de fatores históricos como a escravidão tardia, a herança colonial e a dependência em relação ao capital externo – , a burguesia brasileira era mais resistente às mudanças sociais do que as classes dominantes dos países desenvolvidos.
( ) Para Florestan, não havia tal cultura no Brasil por dois motivos: ela estimularia as massas populares a participar politicamente e ao mesmo tempo tiraria das classes dominantes a prerrogativa de fazer tudo o que quisessem sem precisar dar satisfação ao conjunto da população.
( ) O Brasil, dizia o sociólogo, era atrasado também em relação ao que ele chamava de cultura cívica, ou seja, um compromisso em torno do mínimo interesse comum.
Antenas, computadores e vontade política. Três fatores
que podem facilitar o acesso às modernas tecnologias
de informação, à internet e ajudar a reduzir a nossa
enorme dívida social. Podem, com certeza, encurtar a
05 distância entre os que têm e os que não têm acesso
à rede mundial de computadores e às modernas
tecnologias. A grande massa do povo encontra-se à
margem das informações disponíveis e contatos com o
mundo global.
fatores determinantes para a criação e absorção de
empregos. Há uma profunda transformação em curso
nas comunicações, potencializando a revolução
05 da cidadania e a redução da injustiça social. A
continuidade dessas transformações reside menos
em novas e radicais inovações tecnológicas e muito
mais na universalização de seus benefícios para as
camadas de baixa renda e para o grande universo de
10 pequenas e médias empresas deste país, maiores
geradoras de empregos.
Julgue como falsas (F) ou verdadeiras (V) as seguintes afirmações a respeito do emprego das estruturas lingüísticas no texto.
( ) Preserva-se a correção gramatical ao substituir “às novas tecnologias”(l.1) por a novas tecnologias, usando o termo de maneira indeterminada, sem artigo.
( ) Mantém-se a coerência textual e a correção gramatical também ao empregar “uma profunda transformação”(l.3) generalizadamente no plural: profundas transformações.
( ) O valor do gerúndio em “potencializando”(l.4) corresponde ao de uma subordinada adjetiva: que potencializa.
( ) Por se tratar de advérbio que confere ênfase, “muito” (l.7) pode ser suprimido do texto sem prejudicar a estrutura sintática.
A seqüência obtida é:
A relação de causa e efeito expressa em “Ou para automóveis, pois eles matam milhares de pessoas por ano no Brasil” (l.8-9) poderia, preservadas a correção gramatical e a coerência textual, ser reescrita da seguinte forma: Ou mesmo para veículos que matam, por ano, milhões de brasileiros.
A literatura política moderna de? ne o Estado como um conjunto de indivíduos que têm(1) a mesma origem étnica(2), cultural e histórica (povo) e que se estabeleceu em um determinado espaço físico (território) no qual(3) elegeu um governo civil soberano. Nessa de?nição teórica está conjugado(4) os principais elementos da sociedade política organizada denominada de Estado: o povo, o território e o governo soberano. Soberania signi?ca a capacidade que tem o Estado de editar a lei e impor ao povo o seu cumprimento (soberania interna) e ainda fazer-se(5) respeitar no concerto externo das comunidades internacionais (soberania externa)
O governo Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-61) __1__mudado a ?sionomia do Brasil. A acumulação industrial do Programa de Metas prosseguiu liderada pela industrialização pesada, __2__concentração crescente no espaço paulista, o que provocou vários con? itos entre as burguesias cafeeira e industrial __3__da política de câmbio múltiplo, que prejudicava a primeira e bene?ciava a segunda. O Rio de Janeiro, por sua vez, continuou __4__ centro intelectual do projeto nacional-desenvolvimentista. Os efeitos multiplicadores do Programa de Metas na economia brasileira foram imensos (Jaguaribe, 2003). A atuação dos Grupos de Executivos e do BNDE, as encomendas da Petrobrás à indústria naval e ao setor de bens de capital, a siderurgia, a mineração e a metalurgia em Minas Gerais, os desdobramentos regionais dos projetos da Vale do Rio Doce, a construção de estradas foram centrais ___5___classe industrial brasileira
A concepção moderna de Estado tem raízes no pensamento ético de Kant e de Hegel e o apresenta como uma realização da idéia moral, para o primeiro, ou como a substância ética consciente de si mesma, para o segundo. Para esses pensadores, o Estado seria o apogeu do desenvolvimento moral, substituiria a família, e com o direito produzido, racional, imparcial e justo, substituiria a consciência ética dos indivíduos, que, embora reti? cadora da ação humana, se revelaria, na prática, inviável, por ser incoercível.
Herdeiro de uma experiência extremamente rica, mas esgotada pelo autoritarismo, o socialismo dos nossos tempos já não pode utilizar os referenciais do passado e ainda não tem referenciais estratégicos para encaminhar seu futuro. Está condenado a sobreviver politicamente por meio de projetos e programas de administração “humanizada” do capitalismo global, o que lhe infunde permanentes crises de identidade e traumáticas experiências de poder conforme a maior ou menor solidez ideológica dos partidos que o representam.

Com referência ao texto acima, julgue os itens a seguir.
O segredo da acumulação primitiva neoliberal
Numa coluna publicada na Folha de São Paulo, o jornalista Elio Gaspari evocava o drama recente de um navio de crianças escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler o texto – que era inspirado , o navio tornava-se uma metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva, mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva de mão-de-obra para migrações desesperadas.
Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo móvel e desesperado: “os cidadãos descartáveis”. “Massas de homens e mulheres são arrancados de seus meios de subsistência e jogados no mercado de trabalho como proletários livres, desprotegidos e sem direitos.” São palavras de Marx, quando ele descreve a “acumulação primitiva”, ou seja, o processo que, no século XVI, criou as condições necessárias ao surgimento do capitalismo.
Para que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver
Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não deveria ter acabado? Ao que parece, o século XX pediu uma espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos descartáveis globais para um capitalismo enfim global.
Simples continuação ou repetição? Talvez haja uma diferença – pequena, mas substancial – entre as massas do século XVI e os migrantes da globalização: as primeiras foram arrancadas de seus meios de subsistência, os segundos são expropriados de seu lugar pela violência da fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em troca um devaneio. O protótipo poderia ser o prospecto que, um século atrás, seduzia os emigrantes europeus: sonhos de posse, de bem-estar e de ascensão social.
As condições para que o capitalismo invente sua versão neoliberal são subjetivas. A expropriação que torna essa passagem possível é psicológica: necessita que sejamos arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, mas de nossa comunidade restrita, familiar e social, para sermos lançados numa procura infinita de status (e, hipoteticamente, de bem-estar) definido pelo acesso a bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos querer ardentemente ser algo além do que somos.
Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a “acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar visões, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde o prospecto do emigrante, a oferta vem se aprimorando. A partir dos anos 60, a televisão forneceu os sonhos para que o campo não só
devesse, mas quisesse, ir para a cidade.
O requisito para que a máquina neoliberal funcione é mais refinado do que a venda dos mesmos sabonetes ou filmes para todos. Trata-se de alimentar um sonho infinito de perfectibilidade
e, portanto, uma insatisfação radical. Não é pouca coisa: é necessário promover e vender objetos e serviços por eles serem indispensáveis para alcançarmos nossos ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, ao mesmo tempo, é preciso que toda satisfação conclusiva permaneça impossível.
Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa não é lhe vender mais uma roupa, uma cortina ou uma lipoaspiração; é alimentar nele sonhos de elegância perfeita, casa perfeita e corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa inadequação e garantem, assim, que ele seja parte inalterável, definidora, da personalidade contemporânea.
Melhor deixar como está. No entanto, a coisa não fica bem. Do meu pequeno observatório psicanalítico, parece que o permanente sentimento de inadequação faz do sujeito neoliberal
uma espécie de sonhador descartável, que corre atrás da miragem de sua felicidade como um trem descontrolado, sem condutor, acelerando progressivamente por inércia – até que os
trilhos não agüentem mais.
(Contardo Calligaris, Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2002)

