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Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 9.116 questões

Q3148956 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão,


A fila do mineiro



Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.


O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.


Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.


De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.


A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.


Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.


Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.


 É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.


É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.


Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.


Fabrício Carpinejar


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-fila-do-mineiro

Com base no texto "A fila do mineiro", de Fabrício Carpinejar, analise a construção textual em termos de coesão e coerência e responda à seguinte questão:

Qual das alternativas abaixo melhor exemplifica o uso de um recurso coesivo que contribui para a coerência do texto?
Alternativas
Q3148434 Português
    Retardei o passo. A tarde estava brilhante, mas o calor era o do inferno, os transeuntes a desfilarem pela fornalha com uma expressão de condenados, os rostos lustrosos, o olhar pesado. Um homem de terno branco esbarrou em mim. Caiu-lhe a pasta. Resmungou enquanto se inclinava para apanhá-la. A culpa fora minha e por isso pensei em voltar-me para pedir-lhe desculpas, mas prossegui preguiçosamente pela rua afora. Para que desculpas? Fazia calor e era cansativo ser amável num calor assim. A vontade queria o ócio. O corpo queria nudez. Voltei a cara para o céu ardente. Havia poucas nuvens, mas a tempestade já conspirava no ar. Melhor escolher um outro dia, não? Afinal, tio Samuel não me esperava mesmo, talvez fosse até aborrecê-lo com a minha presença, os loucos estranham às vezes a invasão nos seus mundos.


Lygia Fagundes Telles. Verão no Aquário. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 100 (com adaptações). 
Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item subsecutivo. 

A forma pronominal “lhe”, em “Caiu-lhe a pasta” (quarto período), refere-se ao termo “homem” (terceiro período). 
Alternativas
Q3148419 Português
    O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.

    Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.


Leoné Astride Barzotto. Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá. In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.). Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas. Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações). 

Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item seguinte.  



A correção gramatical e a coerência das ideias do último período do texto seriam mantidas se o trecho “passando a ser” fosse substituído por tornando-se

Alternativas
Q3148418 Português
    A principal pesquisa internacional sobre educação, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que, no período de 2012 a 2022, houve um aumento acentuado no nível de ansiedade em relação à matemática entre os alunos da grande maioria dos 81 países avaliados, especialmente no Brasil.

     Na média dos países da OCDE e parceiros, 65% dos estudantes têm ansiedade em relação às suas notas em matemática e cerca de 40% dos estudantes se sentem nervosos, tensos ou desamparados ao resolverem problemas matemáticos. No Brasil, esses índices são ainda mais altos: 79,5% e 62,3%, respectivamente. 

    Na maioria dos países houve um aumento nesses índices de ansiedade em relação à matemática em comparação com 2012. Coreia do Sul, Singapura e Tailândia foram os únicos países onde os índices de ansiedade caíram entre 2012 e 2022.

     Segundo a OCDE, esses resultados são preocupantes. “Isso pode impactar não apenas desempenho, mas sua prontidão para o aprendizado ao longo da vida”, diz o relatório.

     A cada edição, o PISA escolhe um tema para fazer um aprofundamento — em 2022, o estudo se dedicou a entender como os alunos lidam com estratégias de aprendizado e quais suas posturas em relação à vida.


Letícia Mori. A epidemia de ansiedade com matemática no Brasil e no mundo revelada por estudo da OCDE. Internet: (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.



Entende-se, pelos sentidos do texto, que o vocábulo ‘sua’ (segundo período do quarto parágrafo) remete a estudantes.

Alternativas
Q3148410 Português
    Recordou-se do que lhe sucedera anos atrás, antes da seca, longe. Num dia de apuro recorrera ao porco magro que não queria engordar no chiqueiro e estava reservado às despesas do Natal: matara-o antes do tempo e fora vendê-lo na cidade. Mas o cobrador da prefeitura chegara com o recibo e atrapalhara-o. Fabiano fingira-se desentendido: não compreendia nada, era bruto. Como o outro lhe explicasse que, para vender o porco, devia pagar imposto, tentara convencê-lo de que ali não havia porco, havia quartos de porco, pedaços de carne. O agente se aborrecera, insultara-o, e Fabiano se encolhera. Bem, bem, Deus o livrasse de história com o governo. Julgava que podia dispor de seus troços. Não entendia de imposto. — Um bruto, está percebendo? Supunha que o cevado era dele. Agora se a prefeitura tinha uma parte, estava acabado. Pois ia voltar para casa e comer a carne. Podia comer a carne? Podia ou não podia? O funcionário batera o pé agastado e Fabiano se desculpara, o chapéu de couro na mão, o espinhaço curvo: — Quem foi que disse que eu ia brigar? O melhor é a gente acabar com isso. Despedira-se, metera a carne no saco e fora vendê-la noutra rua, escondido. Mas, atracado pelo cobrador, gemera no imposto e na multa. Daquele dia em diante não criara mais porcos. Era perigoso criá-los.


Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 1977, p. 100-101.

A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o seguinte item.



São distintos os referentes das formas pronominais “lhe” (primeiro período) e “o” (segundo período).

Alternativas
Q3148406 Português
    No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo familiar — a esfera, por excelência, dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração — está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.


Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 146.  
Em relação às propriedades linguísticas e semânticas do texto precedente, julgue o item seguinte.

Sem prejuízo da correção gramatical, das relações de coesão e dos sentidos do texto, a forma verbal “encontram” (segundo período) poderia ser flexionada na terceira pessoa do singular — encontra.  
Alternativas
Q3148402 Português
    Seja qual for o caminho que nos faça regressar ao princípio, sempre chegaremos à mesma conclusão: que o pacto social estabelece entre os cidadãos uma tal igualdade que todos ficam obrigados às mesmas condições e todos devem gozar dos mesmos direitos. E assim, pela natureza do pacto, todo ato de soberania, isto é, todo autêntico ato de uma vontade geral, obriga ou favorece igualmente todos os cidadãos; de tal modo que o soberano apenas conhece a nação e não distingue ninguém entre aqueles que a compõem. O que é isto, senão um ato de soberania? Não é um acordo entre o superior e o inferior, mas um pacto entre o todo e cada um dos seus membros: pacto legítimo, pois tem por base o contrato social; equitativo, por ser comum a todos; útil, porque só pode ter como finalidade o bem geral; e sólido, uma vez que tem por garantia a força pública e o poder supremo.


Jean-Jacques Rousseau. O contrato social. Tradução de Mário Franco de Sousa. Oeiras, Portugal: Editorial Presença, 2010, p. 46 (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referentes a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.



No segundo período, o emprego dos elementos coesivos “E assim”, “isto é”, “de tal modo que” forma uma sequência textual que se conclui com a noção de que, para o soberano, todos são iguais no conjunto da nação. 

Alternativas
Q3147827 Português
        Nas últimas semanas, comecei a estranhar a incidência de palavras como sofrência, refrescância e picância no vocabulário das pessoas. Referiam-se respectivamente a sofrimento, refresco e picante. Não que estivessem erradas.
         O fato é que palavras antes nunca usadas estão entrando no nosso dia a dia como se não pudéssemos mais passar sem elas. Quem terá sido o primeiro a falar esta ou aquela? Como elas se propagaram? Ninguém estranhou ao ouvi-las? Ou fez de conta que sabia do que se tratava? Eis algumas: bichectomia, cleptocracia, criptoassalto, despolarização, ecocídio, economocrata, hipergamia, hipomania, homoeomorfo, jogoteca, labioplastia, ludopatia, microagulhamento, microfocagem, nepobaby, ninfoplastia, pornotortura, probiótico, reflexologia, reformômetro, subótimo, supramáximo, tiktokização, tocofobia...
         Colhi todas essas palavras nos jornais dos últimos 30 dias, em textos que não se deram ao trabalho de defini-las. Note bem, todas são plausíveis, têm formação perfeita, e basta conhecer seus componentes para captar seu significado. Mas que são esdrúxulas, são.
         Confesso que boiei em algumas palavras e, ao ir ao dicionário, me surpreendi. Aliás, é o que lhe acontecerá se você for buscar o significado de, digamos, bichectomia, homoeomorfo ou ninfoplastia. Mas quero ver se algum deles nos dirá a definição de aruspicatório, carboxiterapia, criolipólise, fotoblastia, incretinomimético, mastócito, melasmítico, microbiota, lipocavitação, orofacial, picossegundo, tecarterapia e tranexâmico.

Ruy Castro. Bichectomia, homoeomorfo e ninfoplastia.
Internet: <folha.uol.com.br>  (com adaptações). FimDoTexto

De acordo com as ideias veiculadas no texto precedente e considerando suas características linguístico-discursivas, julgue o item a seguir.


Tanto em “ouvi-las” (quarto período do segundo parágrafo) quanto em “defini-las” (primeiro período do terceiro parágrafo), a forma pronominal “las” retoma, sintaticamente, o mesmo referente. 

Alternativas
Q3147791 Português
        Na Escola Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, a professora Débora Corrêa ensina poesia para turmas de 4.º ano do ensino fundamental desde 2002. O projeto Poesia também se aprende tem por objetivo permitir que as crianças brinquem com as palavras e percebam as diferenças entre ritmos e sonoridades, cantar e recitar, falar e recitar. Após cinco anos de trabalho, ela diz que a garotada aprende a reconhecer, compreender e dar significado às palavras. “Sem falar que o vocabulário enriquece, pois todos aprendem novas expressões no contexto em que elas devem ser usadas”, afirma. “A poesia estimula o raciocínio ao brincar com as palavras. E os menores, que ainda têm dificuldade para se expressar, aproveitam muito essas oportunidades de troca, até porque os textos sempre representam situações reais”, explica.

Internet:<novaescola.org.br>  (com adaptações)

Considerando aspectos linguísticos do texto anterior e a leitura nos anos iniciais do ensino fundamental, julgue o próximo item. 


No texto, o emprego da expressão “a garotada” (terceiro período) caracteriza um recurso de coesão lexical.

Alternativas
Q3147685 Português
        Cléber de Souza, empresário e ex-garçom, acordou mais cedo que de costume. Cumpriu sua rotina matinal, se vestiu e partiu para uma das raras lojas que ainda revelam fotografias em Jaraguá do Sul (SC), onde mora. Pagou por uma única foto, tirada 21 anos atrás. Nela, aparece de camisa branca e gravataborboleta ao lado de um sorridente senhor de barbas brancas, que vestia uma camisa rosa estampada com coqueiros. Era Francis Ford Coppola. O cineasta americano visitou Curitiba em 2003, ano da foto. Em uma estada de três semanas, passou cinco vezes no restaurante italiano onde Souza trabalhava. Foi tietado pelos funcionários e até criou uma pizza personalizada, feita em massa grossa com muçarela, molho de tomate fresco, azeite e manjericão. O sabor é servido até hoje, com seu nome.

         Coppola circulava pela capital do Paraná, naquele ano, em busca de inspirações para o filme que vinha tentando produzir desde a década de 1980: Megalópolis. A película acaba de ser lançada e por isso o diretor resolveu retornar à cidade, que o atraiu anos atrás graças a seus dotes urbanísticos. Desta vez, permaneceu por apenas um dia. Souza, ansioso por reencontrar o antigo freguês na estreita janela de 24 horas, pegou a fotografia e percorreu, na tarde de 31 de outubro de 2024, os 160 quilômetros que conectam Jaraguá do Sul a Curitiba.

Plínio Lopes. O poderoso busão. In: Revista Piauí.
Internet:<piaui.folha.uol.com.br>  (com adaptações).

Julgue o item a seguir, com relação aos sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado.


Um dos recursos utilizados para a manutenção da progressão textual é a coesão referencial, que, no texto em apreço, é caracterizada pela substituição dos nomes completos dos dois personagens principais por diversos referentes.

Alternativas
Q3146662 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


O emprego reiterado do vocábulo “luz” ao longo do texto contribui para a construção da coesão textual, dando ênfase ao assunto principal do texto. 

Alternativas
Q3146658 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


Nos seis primeiros períodos do texto, a coesão textual é promovida pelo emprego de estruturas paralelas, com a apresentação de questionamentos seguidos de uma mesma oração como resposta.

Alternativas
Q3146654 Português
Como se deve ler um livro?

        Quero enfatizar, antes de tudo, o ponto de interrogação no fim do meu título. Ainda que eu pudesse responder à pergunta, a resposta só se aplicaria a mim, não a você. De fato, o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não aceitar conselho algum, seguir os próprios instintos, usar o próprio bom senso e tirar suas próprias conclusões. Se estamos de acordo quanto a isso, sinto-me então em condições de apresentar algumas ideias e lhe fazer sugestões, pois assim você não permitirá que elas restrinjam a característica mais importante que um leitor pode ter: sua independência. Afinal, que leis se podem formular sobre livros? A Batalha de Waterloo foi, sem dúvida, travada em certo dia; mas será Hamlet uma peça melhor do que Rei Lear? Ninguém o pode dizer; cada um deve decidir por si mesmo essa questão. Admitir autoridades em nossas bibliotecas, por mais embecadas e empelicadas que estejam, e deixar que elas nos digam como ler, o que ler e que valor atribuir ao que lemos é destruir o espírito de liberdade que dá alento a esses santuários. Em qualquer outra parte, podemos ser limitados por convenções e leis — mas lá não temos nenhuma.

Virginia Woolf. O valor do riso e outros ensaios
Tradução: Leonardo Fróes. São Paulo: Cosac Naify, 2014 (com adaptações)

No que se refere às ideias veiculadas no texto precedente, bem como às relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o próximo item.


No último período do texto, observa-se o emprego da elipse como estratégia de coesão referencial. 

Alternativas
Q3146651 Português
Como se deve ler um livro?

        Quero enfatizar, antes de tudo, o ponto de interrogação no fim do meu título. Ainda que eu pudesse responder à pergunta, a resposta só se aplicaria a mim, não a você. De fato, o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não aceitar conselho algum, seguir os próprios instintos, usar o próprio bom senso e tirar suas próprias conclusões. Se estamos de acordo quanto a isso, sinto-me então em condições de apresentar algumas ideias e lhe fazer sugestões, pois assim você não permitirá que elas restrinjam a característica mais importante que um leitor pode ter: sua independência. Afinal, que leis se podem formular sobre livros? A Batalha de Waterloo foi, sem dúvida, travada em certo dia; mas será Hamlet uma peça melhor do que Rei Lear? Ninguém o pode dizer; cada um deve decidir por si mesmo essa questão. Admitir autoridades em nossas bibliotecas, por mais embecadas e empelicadas que estejam, e deixar que elas nos digam como ler, o que ler e que valor atribuir ao que lemos é destruir o espírito de liberdade que dá alento a esses santuários. Em qualquer outra parte, podemos ser limitados por convenções e leis — mas lá não temos nenhuma.

Virginia Woolf. O valor do riso e outros ensaios
Tradução: Leonardo Fróes. São Paulo: Cosac Naify, 2014 (com adaptações)

No que se refere às ideias veiculadas no texto precedente, bem como às relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o próximo item.


A afirmação de que “o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não aceitar conselho algum” (terceiro período) constitui uma ideia contraditória que compromete a consistência do texto e, consequentemente, sua coerência. 

Alternativas
Q3146633 Português
        O repórter conta antes do memorialista, e o torna inútil. Sabemos hoje de cada literato o que ele come e bebe, o clube esportivo a que se consagrou, o número de seus sapatos e de suas camisas, se é supersticioso, se ajuda a mulher em casa, se fila cigarros ou os compra, se tem medo de morrer e se ronca. O escritor deixa-se fotografar de pijama, brincando com os netos ou soltando pandorga na praia.

       É visível que tais circunstâncias não deixam margem à sobrevivência dos gêneros clássicos da biografia, da autobiografia, do diário íntimo e das memórias. A fórmula jornalística superou a calma atitude do homem que sacava da pena de pato para confiar ao papel de boa fibra um segredo da juventude a ser revelado aos pósteros.

        Essa contínua e imediata exposição do presente retira ao homem uma de suas dimensões essenciais, que é o passado. Inibe-o de recordar, porque ele já não acumula no esquecimento, para depois reviver. Sua vida vai desfilando ao alcance e à mercê de seus olhos e dos alheios, e, se está enfastiado de se assistir viver em todo o impudor dessa publicidade, só lhe resta apertar um botão e desfigurar essa espécie de aparelho supersônico em que, como num filme falado, nossa vida moderna se desenrola.

         E, mais do que nenhum outro ser, o escritor precisaria de retraimento que o reconduzisse à intimidade consigo mesmo e às raízes da vida, que lhe cabe pesquisar e interpretar. Sua pessoa devia ser objeto de clausura perfeita, só interrompida pelos surtos naturais de sua avidez de comunicação, ou pelas atividades peculiares ao ofício.

         Nem se chame a isto de solidão orgulhosa ou inumana, prejudicial às fontes da criação. O melhor ou o único, porque específico, do escritor é o que ele escreve; o mais se dilui nas condições comuns a todo cidadão. Já é tempo de o escritor voltar a seu ofício.

Carlos Drummond de Andrade. Memórias.
In: A manhã; suplemento letras e artes, 15/3/1953.
Internet:<memoria.bn.gov.br>  (com adaptações).

Considerando o texto apresentado, julgue o item a seguir.


A linha de coerência argumentativa do texto, seguida em todos os seus parágrafos, pode ser resumida na afirmação de que repórteres contribuem para a reclusão do escritor.

Alternativas
Q3146419 Português
        Retardei o passo. A tarde estava brilhante, mas o calor era o do inferno, os transeuntes a desfilarem pela fornalha com uma expressão de condenados, os rostos lustrosos, o olhar pesado. Um homem de terno branco esbarrou em mim. Caiu-lhe a pasta. Resmungou enquanto se inclinava para apanhá-la. A culpa fora minha e por isso pensei em voltar-me para pedir-lhe desculpas, mas prossegui preguiçosamente pela rua afora. Para que desculpas? Fazia calor e era cansativo ser amável num calor assim. A vontade queria o ócio. O corpo queria nudez. Voltei a cara para o céu ardente. Havia poucas nuvens, mas a tempestade já conspirava no ar. Melhor escolher um outro dia, não? Afinal, tio Samuel não me esperava mesmo, talvez fosse até aborrecê-lo com a minha presença, os loucos estranham às vezes a invasão nos seus mundos.

Lygia Fagundes Telles. Verão no Aquário. Rio de Janeiro:
Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 100 (com adaptações).  

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item subsecutivo.


Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias veiculadas no texto caso a vírgula empregada após a palavra “presença” (último período) fosse substituída por travessão. 

Alternativas
Q3145837 Português
    A inteligência artificial (IA) é um tópico frequente de discussão desde o aumento da popularidade de ferramentas como o ChatGPT. Uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) abrangendo diferentes países avaliou que, no Brasil, 41% dos empregos têm alta exposição à IA. Esse critério do estudo — exposição de empregos à IA — engloba tanto trabalhos que vão se beneficiar da tecnologia como aqueles que estarão ameaçados por ela no futuro.
     Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim no mercado de trabalho, o relatório do FMI criou outra categoria: a complementaridade. Empregos com alta complementaridade são aqueles que se beneficiarão com a IA, mas não serão extintos por ela. Por exemplo, profissionais como administradores ou advogados terão grandes ganhos de produtividade com a IA. Suas atividades não estarão ameaçadas, pois a execução delas sempre dependerá de um grande componente humano. Já os empregos de baixa complementaridade são os mais ameaçados pela IA, uma vez que podem ser totalmente substituídos pelas novas tecnologias, dada a pouca necessidade de um componente humano. É o caso de operadores de telemarketing.
     É nesse ponto que a IA pode fazer crescer a desigualdade social. Conforme o FMI, trabalhadores com mais educação e mais jovens têm melhores condições de encontrar empregos de alta complementaridade (beneficiados pela IA); os com menos escolaridade e mais velhos estarão mais sujeitos a empregos de baixa complementaridade (ameaçados pela IA).
     Segundo o FMI, para aproveitar plenamente o potencial da IA, cada país deve estabelecer suas prioridades de acordo com seu nível atual de desenvolvimento. As economias de mercado emergentes avançadas e mais desenvolvidas devem investir na inovação e integração da IA ao mesmo tempo em que promovem quadros regulamentares adequados para otimizar os benefícios do aumento de sua utilização. Para as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento menos preparadas, a criação de infraestruturas e a construção de uma força de trabalho digitalmente qualificada são fundamentais. Para todas as economias, as redes de segurança social e a reciclagem dos trabalhadores ameaçados pela IA são cruciais para garantir a inclusão.

Internet: <bbc.com> (com adaptações).  
A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.

No último período do primeiro parágrafo, a substituição dos travessões por parênteses preservaria tanto a coesão textual quanto a correção gramatical do texto.
Alternativas
Q3142888 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Você é um número



    Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque a partir do instante em que você nasce classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento – tudo é número. 


    Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras, tem o número da cadeira. 

    É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber das coisas. Ou aulas de física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral. 


    Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.


    Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número no recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando a gente morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também. 


    Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que no Alto Sertão de Pernambuco uma mulher estava com o filho doente, desidratado, foi ao posto de saúde. E recebeu a ficha de número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.


    Se há uma guerra, nós somos classificados por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica. 


    Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si-mesmo é apenas o si-mesmo. 


    E Deus não é número.


    Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando com um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem? 


LISPECTOR, C. Você é um número. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, 1984, p. 572-573. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12336/vocee-um-numero>. 

Em “Se tem propriedade, também”, a palavra “também” atua como um recurso de coesão:
Alternativas
Q3699822 Português
Assinale a alternativa que NÃO apresenta um recurso coesivo lexical. 
Alternativas
Q3545725 Português

Por que e como utilizar narrativas indigenas na alfabetização?


Abordagem diversifica os tipos de textos trabalhados, permite resgatar as contribuições dos povos originários e amplia o repertório e a visão de mundo das crianças  


Qual língua se fala no Brasil? Se “português” é a única resposta que vem à sua mente é porque o processo de colonização e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indígenas faladas no país. Elas são 274, segundo dados de 2010 do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas línguas, inclusive no âmbito escolar. E esperariam ainda mais dez anos para, em 1998, o Ministério da Educação (MEC) aprovar o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI). Esse documento estabeleceu as diretrizes para o ensino e a aprendizagem da Educação indigena de forma a preservar e valorizar sua diversidade cultural e linguística. 


O referencial assegurou a chamada alfabetização intercultural, isto é, o direito das pessoas indígenas de se alfabetizarem tanto em sua língua materna como em língua portuguesa em seu processo de escolarização. O objetivo é o de fortalecer as préticas socioculturais de cada comunidade, recuperar suas memorias histéricas e reafirmar suas identidades. 


“A lingua indígena escrita não deixa de ser fruto de um processo colonial porque a gente sabe que a transmissão de conhecimento dos povos indígenas sempre foi oral”, aponta Cristine Takud, da etnia Maxacali, professora da Aldeia Guarani Rio Silveira, em Boraceia (SP). “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”  


Panorama da alfabetização indígena 


Josélia Gomes Neves, uma das responsáveis pela criação do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir), explica que, no estado, a maioria das comunidades faz uso das suas línguas maternas no convívio familiar e social e tem o primeiro contato com a língua portuguesa praticamente na escola. “Então, geralmente, no 1° ano, a maior parte das atividades acontece na língua materna e, a partir do 2° ano, entra o bilinguismo pedagógico”, diz ela, que também lidera o Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA) da Unir.  


A professora detalha como acontece o processo de formação de professores na região onde atua, na Terra Indígena Rio Negro  Ocaia (RO). “O curso trabalha na perspectiva da pedagogia da alterndncia cultural. Os estudantes indígenas vão para a Unir e têm dois meses de aulas intensivas e, em outro período, é feito seu acompanhamento nas aldeias. Há uma aldeia polo que recebe esses alunos para estudos e desenvolvimento de atividades práticas.”


Desafios para preservar a língua materna 


Formado por esse curso, o professor Ihvkuhj Gavião, do povo Ikolen e residente do município de Ji-Paraná (RO), atua desde 2014 na alfabetização de crianças. Ele acredita que preservar a língua materna indígena está diretamente vinculado a preservar o universo cultural que ela nomeia. “Para manter nossa cultura, precisamos ensinar nossa língua a nossos alunos. E quando vamos ensiná-la, tentamos envolver a realidade deles, nossas tradições e costumes, dentro da concepção de Paulo Freire de ler o mundo que nos rodeia”, conta. 


Mas os desafios não são poucos, a começar pela própria escassez de profissionais. “Não há professores com a formação necessária em quantidade suficiente para atender as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental, por exemplo. Então, nessa etapa, são basicamente professores não indígenas, falantes exclusivamente do português”, comenta Josélia.  


Outra questão são os livros didáticos escritos sob a lógica do modelo eurocéntrico. Apesar da Lei nº 11.645 de 2008, que tornou obrigatório o estudo da histéria e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas do país, os conteúdos ainda trazem estereótipos de uma concepção única do que é ser indígena ou adaptações incoerentes. “Um dos materiais que os professores recebem do MEC é uma coleção que foi pensada para a Educação no campo. Ela é totalmente em língua portuguesa e, embora tenha alguma preocupação com o campo, não é na perspectiva da floresta ou dos indígenas”, relata Josélia. 


© Adaptado. Thais Paiva, Revista Nova Escola, 29/04/2024. ihttps://novaescola.org.br/conteudo/21860/narrativas-povosindigenas-alfabetizacaog, 

Analise a coesão e coerência no trecho: “o processo de colonização e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indigenas faladas no pais.” Como os elementos coesivos contribuem para a unidade temática do texto? 
Alternativas
Respostas
801: C
802: C
803: C
804: C
805: C
806: E
807: C
808: E
809: C
810: C
811: C
812: C
813: C
814: E
815: E
816: C
817: C
818: C
819: A
820: A