Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q3155456 Português

Texto CB1A1 


        O renomado linguista e filósofo Noam Chomsky e outros dois especialistas em linguística, Ian Roberts e Jeffrey Watumull, escreveram um artigo para o jornal The New York Times, em março de 2023, compartilhando sua visão sobre os avanços que vêm ocorrendo no campo da inteligência artificial (IA). 


        Para os intelectuais, os avanços “supostamente revolucionários” apresentados pelos desenvolvedores da IA são motivo “tanto para otimismo como para preocupação”. 


        No primeiro caso, porque as ferramentas de IA podem ser úteis para resolver certas problemáticas, ao passo que, no segundo, “tememos que a variedade mais popular e em voga da inteligência artificial (aprendizado automático) degrade nossa ciência e deprecie nossa ética ao incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea da linguagem e do conhecimento”.


        Embora os linguistas reconheçam que as IA são eficazes na tarefa de armazenar imensas quantidades de informação, que não necessariamente são verídicas, elas não possuem uma “inteligência” como a das pessoas. “Por mais úteis que esses programas possam ser em alguns campos específicos (como na programação de computadores, por exemplo, ou na sugestão de rimas para versos rápidos), sabemos, pela ciência da língua e pela filosofia do conhecimento, que diferem profundamente do modo como os seres humanos raciocinam e utilizam a linguagem”, alertaram. “Essas diferenças impõem limitações significativas ao que podem fazer, que pode ser codificado com falhas inerradicáveis”.


        Nesse sentido, os autores detalharam que, diferentemente de mecanismos de aplicativos como o ChatGPT, que operam com base na coleta de inúmeros dados, a mente humana pode funcionar com pequenas quantidades de informação, por meio das quais “não busca inferir correlações abruptas entre pontos (...), mas, sim, criar explicações”.


        Nessa linha, manifestam que esses aplicativos não são realmente “inteligentes”, pois carecem de capacidade crítica. Embora possam descrever e prever “o que é”, “o que foi” e “o que será”, não são capazes de explicar “o que não é” e “o que não poderia ser”.


Internet: <ihu.unisinos.br> (com adaptações).

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CB1A1. 


A correção e a coerência do texto seriam mantidas caso a forma verbal “compartilhando” (primeiro parágrafo) fosse substituída por a fim de compartilharem. 

Alternativas
Q3154497 Português
Assinale a frase em que termo sublinhado não mantém coesão com um termo anterior.
Alternativas
Q3153983 Português

As marcas mais visíveis da textualidade são a coesão, a coerência e a intertextualidade.
Entre as frases a seguir, assinale aquela que não mostra coerência.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FACET Concursos Órgão: Prefeitura de Pedro Velho - RN Provas: FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Advogado | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Agente de Controle Interno | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Agente de Fiscalização Ambiental | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Agente de Fiscalização de Obras e Posturas | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Agente de Fiscalização Sanitária - Nutrição | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Arquiteto | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Agente de Fiscalização Sanitária - Medicina Veterinária | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Assistente Social | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Auditor de Tributos Municipal | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Bioquímico | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Fisioterapia | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Biomédico | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Contador | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Fonoaudiólogo | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Cirurgião Dentista - UBS | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Médico Clínico Geral - PSF | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Médico Veterinário | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Educador Físico | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Enfermeiro - PSF | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Nutricionista | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Enfermeiro - Plantonista | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Engenheiro Civil | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Psicólogo | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Farmacêutico | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Engenheiro Agrônomo | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Psicopedagogo | FACET Concursos - 2025 - Prefeitura de Pedro Velho - RN - Terapeuta Ocupacional |
Q3153234 Português
Qual dos seguintes elementos contribui para a coerência textual? 
Alternativas
Q3151218 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Carlos Chagas: há 90 anos morria o único cientista a descrever completamente uma doença


Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas foi a primeira e até hoje única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa.

Ele, com suas pesquisas, detalhou o patógeno, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia da tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas — em sua homenagem.

Nesse processo de pesquisa, ele descobriu o protozoário causador da patologia e o batizou de Trypanosoma cruzi — em alusão laudatória ao seu amigo, o também médico Oswaldo Cruz.

"Ao longo de sua vida, tornou-se membro de prestigiadas instituições médicas e científicas de vários países, especialmente no campo da medicina tropical, e foi agraciado com importantes prêmios e honrarias."

Mas o não recebimento do Nobel, para o qual foi indicado em 1913 e 1921, ainda é visto por muitos como uma injustiça histórica. "Acho que foi uma fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil. Porque ele tinha chance de conseguir, mas uma série de conflitos internos, invejas e algumas coisas nesse sentido fez com que seu nome não fosse o escolhido", comenta à BBC News Brasil a historiadora Rita de Cássia Marques, professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"Ele tinha chances de ganhar porque é muito difícil fazer o que ele fez: a identificação de uma doença em todo o seu ciclo, desde o animal até o seu desenvolvimento. Isso é muito raro e uma coisa muito importante", completa Marques.

"A descoberta dele foi única e mereceria um prêmio Nobel, obviamente", diz à BBC News Brasil a historiadora Ana Nemi, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ela atribui ao contexto hierárquico consolidado entre o norte global e o sul global o fato de ele jamais ter sido laureado com o prêmio.

"Na época eram outros termos, eram países modernos versus países atrasados. O fato é que existe essa hierarquia de produção de saberes e conhecimentos e é muito difícil quebrar esta barreira sendo pesquisadores do sul global", analisa.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yp9re49m8o.adaptado.
"Acho que foi uma fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil. Porque ele tinha chance de conseguir, mas uma série de conflitos internos, invejas e algumas coisas nesse sentido fez com que seu nome não fosse o escolhido", comenta à BBC News Brasil a historiadora Rita de Cássia Marques, professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Considerando a construção textual e a relação entre as ideias, qual das alternativas a seguir expressa corretamente a coerência e coesão presentes no trecho sobre a ausência do reconhecimento de Carlos Chagas com o Nobel?
Alternativas
Q3151153 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Monte Fuji: vista emblemática da montanha será bloqueada para afastar turistas



Uma das vistas mais fotografadas do Japão será bloqueada pelas autoridades locais para afastar turistas com mau comportamento.


A cena em questão mostra uma loja de conveniência em primeiro plano, com o Monte Fuji erguendo-se atrás.


Uma grande tela preta será erguida para obscurecer a vista do marco mais emblemático do Japão.


Os moradores acusam principalmente turistas estrangeiros de jogarem lixo e estacionarem ilegalmente enquanto procuram a foto perfeita no local.


Os governantes afirmaram que os moradores da cidade na região de Yamanashi estavam irritados com o comportamento dos visitantes, com alguns turistas até subindo nos telhados para tirar a foto perfeita.


Antes de tomar a medida drástica da tela, as autoridades colocaram sinais de trânsito. Repetidos avisos dos guardas de segurança também foram ignorados.


O responsável disse que a rede estava sendo instalada para proteger um consultório dentário próximo, sofrendo com os visitantes que estacionavam nos seus espaços sem autorização e subiam no telhado do edifício para conseguir a melhor imagem.


O Japão desfruta atualmente de uma explosão turística após a pandemia de covid-19 e um esforço do governo para atrair mais visitantes estrangeiros. Pela primeira vez, em março, o número de turistas da nação insular ultrapassou os três milhões.


No entanto, o aumento causou alguns problemas. Em uma situação semelhante, em Quioto, em 2019, as autoridades locais passaram a distribuir folhetos e lanternas de papel em uma tentativa de lembrar aos turistas como se comportar no bairro histórico de Gion.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c97zxw018v4o.adaptado.

Uma grande tela preta será erguida para obscurecer a vista do marco mais emblemático do Japão. Os moradores acusam principalmente turistas estrangeiros de jogarem lixo e estacionarem ilegalmente enquanto procuram a foto perfeita no local.

Em relação à instalação da tela mencionada no texto, qual das alternativas representa o motivo principal para tal medida, preservando coerência e coesão textual?
Alternativas
Q3151114 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Divórcios reduzem a desigualdade em relação às crianças na Suécia



Mães solteiras são um dos grupos mais vulneráveis nas sociedades ao redor do mundo. Na Suécia, no entanto, o número de mulheres arcando sozinhas com as responsabilidades de cuidado diminuiu quase pela metade ao longo das últimas duas décadas.


O que causou essa mudança? Seria uma exceção à tendência global de aumento de separações e divórcios?


Não, o número de dissoluções de uniões na Suécia ainda está entre os mais altos do mundo. O que se observa é uma mudança nas separações.


A Suécia não apenas lidera em termos de taxas de divórcio, mas também é líder mundial quando se trata de dividir a guarda das crianças igualmente. Quase metade das crianças com pais separados agora dividem seu tempo idêntico entre os dois lares.


Em novo estudo, publicado na revista Social Forces, os pesquisadores queriam descobrir em qual medida essa mudança notável nos arranjos de vida alterou a divisão de trabalho de cuidado entre os ex-cônjuges.


Eles partiram da hipótese de que o efeito de tais dissoluções de união leva a uma maior igualdade de gênero do que quando as crianças viviam apenas com suas mães.


Ultimamente, a guarda meio a meio requer que os pais assumam integralmente a responsabilidade pelo cuidado da criança metade do tempo — algo que poucos pais em parceria fazem. Portanto, isso impulsiona os pais a uma divisão mais igualitária do trabalho de cuidado com as crianças.


Como medida de trabalho de cuidado, examinou-se uma das desigualdades mais persistentes entre mulheres e homens nos países de alta renda hoje: tirar licença do trabalho remunerado para cuidar de uma criança.


Dados de registros administrativos foram usados para cobrir toda a população da Suécia — com medidas de licença tanto da mãe quanto do pai de cada criança antes e após o divórcio.


Os resultados mostram que, na Suécia, o divórcio levou a um aumento na participação dos pais nos dias de folga do trabalho para cuidado.


Concluiu-se que, enquanto os divórcios nas últimas décadas haviam atrasado a revolução de gênero na Suécia — com as mães tradicionalmente assumindo toda a responsabilidade — agora, têm efeito contrário.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nglpl2gjwo.adaptado. 

Os resultados mostram que, na Suécia, o divórcio levou a um aumento na participação dos pais nos dias de folga do trabalho para cuidado. Concluiu-se que, enquanto os divórcios nas últimas décadas haviam atrasado a revolução de gênero na Suécia — com as mães tradicionalmente assumindo toda a responsabilidade — agora, têm efeito contrário.

Com base no texto, qual das alternativas abaixo melhor preserva a coesão e a coerência das ideias apresentadas?
Alternativas
Q3148956 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão,


A fila do mineiro



Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.


O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.


Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.


De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.


A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.


Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.


Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.


 É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.


É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.


Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.


Fabrício Carpinejar


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-fila-do-mineiro

Com base no texto "A fila do mineiro", de Fabrício Carpinejar, analise a construção textual em termos de coesão e coerência e responda à seguinte questão:

Qual das alternativas abaixo melhor exemplifica o uso de um recurso coesivo que contribui para a coerência do texto?
Alternativas
Q3148434 Português
    Retardei o passo. A tarde estava brilhante, mas o calor era o do inferno, os transeuntes a desfilarem pela fornalha com uma expressão de condenados, os rostos lustrosos, o olhar pesado. Um homem de terno branco esbarrou em mim. Caiu-lhe a pasta. Resmungou enquanto se inclinava para apanhá-la. A culpa fora minha e por isso pensei em voltar-me para pedir-lhe desculpas, mas prossegui preguiçosamente pela rua afora. Para que desculpas? Fazia calor e era cansativo ser amável num calor assim. A vontade queria o ócio. O corpo queria nudez. Voltei a cara para o céu ardente. Havia poucas nuvens, mas a tempestade já conspirava no ar. Melhor escolher um outro dia, não? Afinal, tio Samuel não me esperava mesmo, talvez fosse até aborrecê-lo com a minha presença, os loucos estranham às vezes a invasão nos seus mundos.


Lygia Fagundes Telles. Verão no Aquário. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 100 (com adaptações). 
Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item subsecutivo. 

A forma pronominal “lhe”, em “Caiu-lhe a pasta” (quarto período), refere-se ao termo “homem” (terceiro período). 
Alternativas
Q3148419 Português
    O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.

    Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.


Leoné Astride Barzotto. Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá. In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.). Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas. Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações). 

Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item seguinte.  



A correção gramatical e a coerência das ideias do último período do texto seriam mantidas se o trecho “passando a ser” fosse substituído por tornando-se. 

Alternativas
Q3148418 Português
    A principal pesquisa internacional sobre educação, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que, no período de 2012 a 2022, houve um aumento acentuado no nível de ansiedade em relação à matemática entre os alunos da grande maioria dos 81 países avaliados, especialmente no Brasil.

     Na média dos países da OCDE e parceiros, 65% dos estudantes têm ansiedade em relação às suas notas em matemática e cerca de 40% dos estudantes se sentem nervosos, tensos ou desamparados ao resolverem problemas matemáticos. No Brasil, esses índices são ainda mais altos: 79,5% e 62,3%, respectivamente. 

    Na maioria dos países houve um aumento nesses índices de ansiedade em relação à matemática em comparação com 2012. Coreia do Sul, Singapura e Tailândia foram os únicos países onde os índices de ansiedade caíram entre 2012 e 2022.

     Segundo a OCDE, esses resultados são preocupantes. “Isso pode impactar não apenas desempenho, mas sua prontidão para o aprendizado ao longo da vida”, diz o relatório.

     A cada edição, o PISA escolhe um tema para fazer um aprofundamento — em 2022, o estudo se dedicou a entender como os alunos lidam com estratégias de aprendizado e quais suas posturas em relação à vida.


Letícia Mori. A epidemia de ansiedade com matemática no Brasil e no mundo revelada por estudo da OCDE. Internet: (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.



Entende-se, pelos sentidos do texto, que o vocábulo ‘sua’ (segundo período do quarto parágrafo) remete a estudantes.

Alternativas
Q3148410 Português
    Recordou-se do que lhe sucedera anos atrás, antes da seca, longe. Num dia de apuro recorrera ao porco magro que não queria engordar no chiqueiro e estava reservado às despesas do Natal: matara-o antes do tempo e fora vendê-lo na cidade. Mas o cobrador da prefeitura chegara com o recibo e atrapalhara-o. Fabiano fingira-se desentendido: não compreendia nada, era bruto. Como o outro lhe explicasse que, para vender o porco, devia pagar imposto, tentara convencê-lo de que ali não havia porco, havia quartos de porco, pedaços de carne. O agente se aborrecera, insultara-o, e Fabiano se encolhera. Bem, bem, Deus o livrasse de história com o governo. Julgava que podia dispor de seus troços. Não entendia de imposto. — Um bruto, está percebendo? Supunha que o cevado era dele. Agora se a prefeitura tinha uma parte, estava acabado. Pois ia voltar para casa e comer a carne. Podia comer a carne? Podia ou não podia? O funcionário batera o pé agastado e Fabiano se desculpara, o chapéu de couro na mão, o espinhaço curvo: — Quem foi que disse que eu ia brigar? O melhor é a gente acabar com isso. Despedira-se, metera a carne no saco e fora vendê-la noutra rua, escondido. Mas, atracado pelo cobrador, gemera no imposto e na multa. Daquele dia em diante não criara mais porcos. Era perigoso criá-los.


Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 1977, p. 100-101.

A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o seguinte item.



São distintos os referentes das formas pronominais “lhe” (primeiro período) e “o” (segundo período).

Alternativas
Q3148406 Português
    No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo familiar — a esfera, por excelência, dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração — está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.


Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 146.  
Em relação às propriedades linguísticas e semânticas do texto precedente, julgue o item seguinte.

Sem prejuízo da correção gramatical, das relações de coesão e dos sentidos do texto, a forma verbal “encontram” (segundo período) poderia ser flexionada na terceira pessoa do singular — encontra.  
Alternativas
Q3148402 Português
    Seja qual for o caminho que nos faça regressar ao princípio, sempre chegaremos à mesma conclusão: que o pacto social estabelece entre os cidadãos uma tal igualdade que todos ficam obrigados às mesmas condições e todos devem gozar dos mesmos direitos. E assim, pela natureza do pacto, todo ato de soberania, isto é, todo autêntico ato de uma vontade geral, obriga ou favorece igualmente todos os cidadãos; de tal modo que o soberano apenas conhece a nação e não distingue ninguém entre aqueles que a compõem. O que é isto, senão um ato de soberania? Não é um acordo entre o superior e o inferior, mas um pacto entre o todo e cada um dos seus membros: pacto legítimo, pois tem por base o contrato social; equitativo, por ser comum a todos; útil, porque só pode ter como finalidade o bem geral; e sólido, uma vez que tem por garantia a força pública e o poder supremo.


Jean-Jacques Rousseau. O contrato social. Tradução de Mário Franco de Sousa. Oeiras, Portugal: Editorial Presença, 2010, p. 46 (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referentes a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.



No segundo período, o emprego dos elementos coesivos “E assim”, “isto é”, “de tal modo que” forma uma sequência textual que se conclui com a noção de que, para o soberano, todos são iguais no conjunto da nação. 

Alternativas
Q3147827 Português
        Nas últimas semanas, comecei a estranhar a incidência de palavras como sofrência, refrescância e picância no vocabulário das pessoas. Referiam-se respectivamente a sofrimento, refresco e picante. Não que estivessem erradas.
         O fato é que palavras antes nunca usadas estão entrando no nosso dia a dia como se não pudéssemos mais passar sem elas. Quem terá sido o primeiro a falar esta ou aquela? Como elas se propagaram? Ninguém estranhou ao ouvi-las? Ou fez de conta que sabia do que se tratava? Eis algumas: bichectomia, cleptocracia, criptoassalto, despolarização, ecocídio, economocrata, hipergamia, hipomania, homoeomorfo, jogoteca, labioplastia, ludopatia, microagulhamento, microfocagem, nepobaby, ninfoplastia, pornotortura, probiótico, reflexologia, reformômetro, subótimo, supramáximo, tiktokização, tocofobia...
         Colhi todas essas palavras nos jornais dos últimos 30 dias, em textos que não se deram ao trabalho de defini-las. Note bem, todas são plausíveis, têm formação perfeita, e basta conhecer seus componentes para captar seu significado. Mas que são esdrúxulas, são.
         Confesso que boiei em algumas palavras e, ao ir ao dicionário, me surpreendi. Aliás, é o que lhe acontecerá se você for buscar o significado de, digamos, bichectomia, homoeomorfo ou ninfoplastia. Mas quero ver se algum deles nos dirá a definição de aruspicatório, carboxiterapia, criolipólise, fotoblastia, incretinomimético, mastócito, melasmítico, microbiota, lipocavitação, orofacial, picossegundo, tecarterapia e tranexâmico.

Ruy Castro. Bichectomia, homoeomorfo e ninfoplastia.
Internet: <folha.uol.com.br>  (com adaptações). FimDoTexto

De acordo com as ideias veiculadas no texto precedente e considerando suas características linguístico-discursivas, julgue o item a seguir.


Tanto em “ouvi-las” (quarto período do segundo parágrafo) quanto em “defini-las” (primeiro período do terceiro parágrafo), a forma pronominal “las” retoma, sintaticamente, o mesmo referente. 

Alternativas
Q3147791 Português
        Na Escola Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, a professora Débora Corrêa ensina poesia para turmas de 4.º ano do ensino fundamental desde 2002. O projeto Poesia também se aprende tem por objetivo permitir que as crianças brinquem com as palavras e percebam as diferenças entre ritmos e sonoridades, cantar e recitar, falar e recitar. Após cinco anos de trabalho, ela diz que a garotada aprende a reconhecer, compreender e dar significado às palavras. “Sem falar que o vocabulário enriquece, pois todos aprendem novas expressões no contexto em que elas devem ser usadas”, afirma. “A poesia estimula o raciocínio ao brincar com as palavras. E os menores, que ainda têm dificuldade para se expressar, aproveitam muito essas oportunidades de troca, até porque os textos sempre representam situações reais”, explica.

Internet:<novaescola.org.br>  (com adaptações)

Considerando aspectos linguísticos do texto anterior e a leitura nos anos iniciais do ensino fundamental, julgue o próximo item. 


No texto, o emprego da expressão “a garotada” (terceiro período) caracteriza um recurso de coesão lexical.

Alternativas
Q3147685 Português
        Cléber de Souza, empresário e ex-garçom, acordou mais cedo que de costume. Cumpriu sua rotina matinal, se vestiu e partiu para uma das raras lojas que ainda revelam fotografias em Jaraguá do Sul (SC), onde mora. Pagou por uma única foto, tirada 21 anos atrás. Nela, aparece de camisa branca e gravataborboleta ao lado de um sorridente senhor de barbas brancas, que vestia uma camisa rosa estampada com coqueiros. Era Francis Ford Coppola. O cineasta americano visitou Curitiba em 2003, ano da foto. Em uma estada de três semanas, passou cinco vezes no restaurante italiano onde Souza trabalhava. Foi tietado pelos funcionários e até criou uma pizza personalizada, feita em massa grossa com muçarela, molho de tomate fresco, azeite e manjericão. O sabor é servido até hoje, com seu nome.

         Coppola circulava pela capital do Paraná, naquele ano, em busca de inspirações para o filme que vinha tentando produzir desde a década de 1980: Megalópolis. A película acaba de ser lançada e por isso o diretor resolveu retornar à cidade, que o atraiu anos atrás graças a seus dotes urbanísticos. Desta vez, permaneceu por apenas um dia. Souza, ansioso por reencontrar o antigo freguês na estreita janela de 24 horas, pegou a fotografia e percorreu, na tarde de 31 de outubro de 2024, os 160 quilômetros que conectam Jaraguá do Sul a Curitiba.

Plínio Lopes. O poderoso busão. In: Revista Piauí.
Internet:<piaui.folha.uol.com.br>  (com adaptações).

Julgue o item a seguir, com relação aos sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado.


Um dos recursos utilizados para a manutenção da progressão textual é a coesão referencial, que, no texto em apreço, é caracterizada pela substituição dos nomes completos dos dois personagens principais por diversos referentes.

Alternativas
Q3146662 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


O emprego reiterado do vocábulo “luz” ao longo do texto contribui para a construção da coesão textual, dando ênfase ao assunto principal do texto. 

Alternativas
Q3146658 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


Nos seis primeiros períodos do texto, a coesão textual é promovida pelo emprego de estruturas paralelas, com a apresentação de questionamentos seguidos de uma mesma oração como resposta.

Alternativas
Q3146654 Português
Como se deve ler um livro?

        Quero enfatizar, antes de tudo, o ponto de interrogação no fim do meu título. Ainda que eu pudesse responder à pergunta, a resposta só se aplicaria a mim, não a você. De fato, o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não aceitar conselho algum, seguir os próprios instintos, usar o próprio bom senso e tirar suas próprias conclusões. Se estamos de acordo quanto a isso, sinto-me então em condições de apresentar algumas ideias e lhe fazer sugestões, pois assim você não permitirá que elas restrinjam a característica mais importante que um leitor pode ter: sua independência. Afinal, que leis se podem formular sobre livros? A Batalha de Waterloo foi, sem dúvida, travada em certo dia; mas será Hamlet uma peça melhor do que Rei Lear? Ninguém o pode dizer; cada um deve decidir por si mesmo essa questão. Admitir autoridades em nossas bibliotecas, por mais embecadas e empelicadas que estejam, e deixar que elas nos digam como ler, o que ler e que valor atribuir ao que lemos é destruir o espírito de liberdade que dá alento a esses santuários. Em qualquer outra parte, podemos ser limitados por convenções e leis — mas lá não temos nenhuma.

Virginia Woolf. O valor do riso e outros ensaios. 
Tradução: Leonardo Fróes. São Paulo: Cosac Naify, 2014 (com adaptações)

No que se refere às ideias veiculadas no texto precedente, bem como às relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o próximo item.


No último período do texto, observa-se o emprego da elipse como estratégia de coesão referencial. 

Alternativas
Respostas
741: C
742: C
743: E
744: D
745: A
746: A
747: B
748: C
749: C
750: C
751: C
752: C
753: E
754: C
755: E
756: C
757: C
758: C
759: C
760: C