Questões de Concurso
Comentadas sobre coesão e coerência em português
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Numa época em que tantos parecem ter tanta certeza sobre tudo, vale a pena pensar no prestígio que a dúvida já teve. Nos diálogos de Platão, seu amigo Sócrates pulveriza a certeza absoluta de seus contendores abalando-a por meio de sucessivas perguntas, que os acabam convencendo da fragilidade de suas convicções. Séculos mais tarde, o filósofo Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro passo.
Lendo os jornais e revistas de hoje, assistindo na TV a entrevistas de personalidades, o que não falta são especialistas infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, na economia, nas artes. Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de todos os problemas. A hesitação, a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados como incompetência, passividade, absenteísmo. É como se a velocidade tecnológica, que dá o ritmo aos nossos novos hábitos, também ditasse a urgência de constituirmos nossas certezas.
A dúvida corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências e buscar a verdade funda daquilo que não aparece. Julgar um fato pelo que dele diz um jornal, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos é submeter-se à força de valores já estabelecidos, que deixamos de investigar. A dúvida supõe a necessidade que tem a consciência de se afastar dos julgamentos já produzidos, permitindo-se, assim, o tempo necessário para o exame mais detido da matéria a ser analisada. A dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque mais refletidas e devidamente questionadas.
(Cássio da Silveira, inédito)
Uma redação alternativa para o segmento acima, em que se mantêm a correção e a lógica, encontra-se em:
Sem prejuízo da correção e do sentido, o elemento sublinhado acima pode ser substituído por:
Não havia força que pudesse contê-la. (3º parágrafo)
Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. (1º parágrafo)
Nas frases acima, os pronomes sublinhados referem-se respectivamente a:
Memorando n° 200-2015/CRO-SP São Paulo, 18 de junho de 2015.
Ao Senhor Chefe da Divisão de Apoio Administrativo
Assunto: Recebimento de Materiais de Escritório
Informamos que, nos últimos dias, __________ erros de digitação que ___________a compra dos materiais de escritório. Foram feitas as correções e esses materiais estarão disponíveis para retirada _______ partir das 10h00 do dia 22.06.2015.
Atenciosamente
Yamada Araújo
Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
( ) Este parece ser um problema para um país que, a partir de 1992, quer-se dentro de um mundo globalizado.
( ) Um dos pontos dominantes é o grande número de resenhas de livros “clássicos" traduzidos pela primeira vez no Brasil.
( ) É verdade que o número de editoras citadas no Mais! é maior, mas o espaço é regionalizado, com a hegemonia dos lançamentos das editoras do eixo Rio-São Paulo.
( ) Aqui há o rebaixamento de um procedimento modernista: sabemos que o intelectual modernista pode ser pensado como um tradutor, como um pedagogo, e o que acontece agora é que o suplemento retoma esse procedimento, porém “deslumbrado".
( ) O Mais! parece oferecer uma compensação para este “atraso', traduzindo e publicando grande quantidade de textos de autores estrangeiros de renome na cena intelectual, como Darton, Kurz, Bloom, Derrida e, ao mesmo tempo, oferecendo regularmente espaço para as traduções literárias dos Irmãos Campos.
(Adaptado de Valdir Prigol, Leituras do presente: narrativas
de comemoração no Mais! da Folha de São Paulo, p. 31)
A sequência correta da ordem dos fragmentos de texto é
( ) No plano geográfico, é notória a unidade da América Latina como fruto de sua continuidade continental.
( ) Ainda hoje, nós, latino-americanos, vivemos como se fôssemos um arquipélago de ilhas que se comunicam por mar e pelo ar e que com mais frequência se voltam para fora, para os grandes centros econômicos mundiais, do que para dentro.
( ) Efetivamente, a unidade geográfica jamais funcionou aqui como fator de unificação porque as distintas implantações coloniais das quais nasceram as sociedades latino-americanas coexistiram sem conviver, ao longo dos séculos. Cada uma delas se relacionava diretamente com a metrópole colonial.
( ) Toda a vastidão continental se rompe em nacionalidades singulares.
( ) A essa base física, porém, não corresponde uma estrutura sociopolítica unificada, nem mesmo uma coexistência ativa e interaturante.
(Adaptação de Darcy Ribeiro, América Latina: a pátria grande, p. 3)
A sequência correta é:
Nem muros, nem cercas, nem mares. Muito menos passaportes: quando uma pessoa decide abandonar seu próprio país para tentar uma vida melhor em outro lugar, nenhuma dessas barreiras é suficiente para dissuadi-la. As fronteiras europeias nunca estiveram tão fechadas e, ao mesmo tempo, nunca tantos imigrantes ilegais entraram no continente. Um estudo da Frontex, agência europeia de vigilância das fronteiras, aponta que, entre julho e setembro de 2014, cerca de 110 mil pessoas chegaram à Europa clandestinamente por terra e sobretudo por mar. Este número é quase três vezes maior do que o pico da Primavera Árabe, em 2011.
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Até então, a maior catástrofe do tipo havia sido o naufrágio próximo à ilha de Lampedusa, que fez 366 vítimas fatais em 2013. Na época houve uma grande mobilização para o caso, chamando a atenção para a realidade dos imigrantes clandestinos. Logo após o ocorrido, a marinha italiana lançou uma operação humanitária e militar batizada Mare Nostrum, que tinha como objetivo socorrer pessoas à deriva.
(Adaptação da reportagem “Por um porto seguro", de Amanda
Lourenço (revista Caros amigos, ano XIX, nº 220, julho 2015)
( ) Desde então, Bruna nunca mais deixou de usar o Avonex, nome comercial da betainterferona 1, medicamento de alto custo fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
( ) Com esclerose múltipla, a publicitária Bruna Rocha Silveira foi aprovada para doutorado em educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
( ) A ponto de desistir do curso, passou a experimentar uma medicação.
( ) A doença forçava-a a andar com uma bengala e provocava tremores nas mãos, o que dificultava a locomoção e a impedia de fazer anotações em aula.
( ) Então, os tremores desapareceram e ela pôde passar a andar sem a bengala.
(Adaptado da reportagem “Luta para tratar a esclerose múltipla", de Warner
Bento Filho (Correio Braziliense de 1° de agosto de 2015)
A sequência correta obtida é
( ) A palavra “filosofia" deriva dos termos gregos filos (amante, amigo) e sofia (sabedoria, saber). A junção desses dois termos é atribuída, tradicionalmente a Pitágoras.
( ) Neste sentido, o filósofo seria apenas um amigo ou amante do saber e a filosofia significaria o amor à sabedoria.
( ) Seguindo a linha de seu mestre Sócrates, que reconhecia nada saber, parecia-lhe que a ninguém era possível apossar-se da verdade.
( ) Atribui-se também a origem dessa composição a Platão, que teria questionado a ideia de posse do saber, comum aos pensadores do seu tempo.
( ) Diz-se que Pitágoras, ao ser perguntado pelo príncipe Leonte sobre a origem de sua sabedoria, teria respondido que era apenas um filósofo, assumindo assim a posição não de um sábio, mas de alguém que buscava a sabedoria.
(Adaptado de Filosofi a, de Cleides Antonio Cabral, p. 11)
A sequência correta obtida é
Na estrutura textual, o vocábulo “esta" (
11) e a expressão “aqueles valores" (
11) fazem referência, respectivamente, ao termo “norma" (
10) e à expressão “valores absolutos" (
9).