Questões de Concurso
Comentadas sobre coesão e coerência em português
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Texto para responder à questão.
Meu amigo Brasílio
No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.
- Fica para ja n ta r- ele convidou.
Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.
- Ixi, não tenho talheres.
- Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família.
- Vendi pela internet. Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão.
Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.
- Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.
Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?
Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.
Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Flistoricamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?
Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.
Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.
(Denis Russo Burgierman. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>, acesso em 18/01/2015.)
Meu amigo Brasílio
No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.
- Fica para jantar - ele convidou.
Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.
- Ixi, não tenho talheres.
- Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família. - Vendi pela internet.
Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão. Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.
- Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.
Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?
Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.
Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Historicamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?
Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.
Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.
(Denis Russo Burgierman. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>,
Meu amigo Brasílio
No sábado, fui visitar meu velho amigo Brasílio. Ele me recebeu no portão, animado, com um uisquinho na mão, me convidou para entrar, abriu uma champanhe francesa, me deu uma taça, acendeu um charuto cubano. Disse que as coisas estavam indo bem para ele, que os negócios tinham engrenado, que ele finalmente tinha descoberto o segredo para viver na fartura.
- Fica para jantar - ele convidou.
Feliz com a felicidade do meu amigo querido, aceitei. Ele foi buscar um prato na cozinha, mas, ao abrir a gaveta, parou, constrangido.
- Ixi, não tenho talheres.
- Como não tem talheres, Brasa? - perguntei. Eu tinha cansado de fazer boquinha na casa do Brasílio e sempre usávamos uns talheres lindos, de prata, herança de família. - Vendi pela internet.
Foi assim que comprei este charuto - disse, distraído, enquanto a cinza caía no chão. Foi aí que notei as paredes vazias e esburacadas. Os quadros tinham sumido. E os fios de eletricidade haviam sido arrancados.
- Descobri que dá para viver muito bem apenas catando as coisas de valor da família e colocando para vender. Isso que é vida.
Claro que o Brasílio não existe e que a história aí em cima é fictícia - ninguém faria um absurdo desses, vender o patrimônio para torrar em desfrute. Ou faria?
Em grande medida, o modelo econômico deste nosso país é baseado numa lógica bem parecida com a do meu querido e fictício amigo. Bem mais que a metade da economia brasileira é sustentada pela mera extração de recursos naturais, de maneira não sustentável. Arrancamos a floresta, passamos nos cobres e aí torramos a grana - e ficamos sem floresta. É o mesmo que vender a prataria da família e gastar em uísque e charutos.
Muito da prosperidade recente do país foi abastecida por indústrias de alto impacto, que fazem dinheiro a curto prazo, mas nos deixam mais pobres depois. Historicamente este país confundiu gerar riqueza com atacar o patrimônio, surrupiando-o de nossos descendentes. Não precisa ser assim. Há países como a Suécia. Lá, boa parte da economia é baseada na exploração sustentável da floresta. Se a gelada e infértil Suécia conseguiu um dos maiores padrões de vida do mundo explorando floresta, por que um país tão fértil, com uma floresta incomensuravelmente mais rica, como é o caso do Brasil, não poderia fazer o mesmo?
Porque a floresta equatorial brasileira não é simples e previsível como a floresta temperada sueca. Lá, cresce basicamente uma única espécie de árvore, que permite uma exploração industrial da madeira pelas indústrias de papel, móveis e navios. A floresta brasileira é muito mais rica do que a sueca, mas é também muito mais complexa. E lidar com complexidade é muito mais difícil. Em vez de fazer um produto só, há que se aprender a fazer centenas, milhares. Em vez de uma matéria-prima só, há quase infinitas.
Muito difícil. Melhor derrubar tudo e vender a lenha. Melhor alargar tudo para gerar energia. Melhor passar o trator e fazer monocultura de soja ou gado. E aí ficar sem talheres para o almoço.
(Denis Russo Burgierman. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/>,
Texto para responder á questão.
Um chá maluco
Em frente à casa havia uma mesa posta sob uma árvore, e a Lebre de Março e o Chapeleiro estavam tomando chá; entre eles estava sentado um Caxinguelê, que dormia a sono solto [...]
Era uma mesa grande, mas os três estavam espremidos numa ponta. “Não há lugar! Não há lugar!”, gritaram ao ver Alice se aproximando. “Há lugar de sobra!”, disse Alice indignada, e sentou-se numa grande poltrona à cabeceira.
[...]
“Não foi muito polido de sua parte sentar-se sem ser convidada”, retrucou a Lebre de Março.
“Não sabia que mesa era sua”, declarou Alice, “está posta para muito mais do que três pessoas.”
“Seu cabelo está precisando de um corte”, disse o Chapeleiro. Fazia algum tempo que olhava para Alice com muita curiosidade e essas foram suas primeiras palavras.
“Devia aprender a não fazer comentários pessoais”, disse Alice com alguma severidade; “é muito indelicado.”
O Chapeleiro arregalou os olhos ao ouvir isso, mas disse apenas: “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”
“Oba, vou me divertir um pouco agora!”, pensou Alice. “Que bom que tenham começado a propor adivinhações”. E acrescentou em voz alta: “acho que posso matar esta”.
“Está sugerindo que pode achara resposta?”, perguntou a Lebre de Março.
“Exatamente isso”, declarou Alice.
“Então deveria dizer o que pensa”, a Lebre de Março continuou.
“Eu digo”, Alice respondeu apressadamente; “pelo menos... pelo menos eu penso o que digo... é a mesma coisa, não?”
“Nem de longe a mesma coisa!”, disse o Chapeleiro. “Seria como dizer que ‘vejo o que como’ é a mesma coisa que ‘como o que vejo’!”
“Ou o mesmo que dizer”, acrescentou a Lebre de Março, “que ‘aprecio o que tenho’ é a mesma coisa que ‘tenho o que aprecio’!”
“Ou o mesmo que dizer”, acrescentou o Caxinguelê, que parecia estar falando dormindo, “que ‘respiro quando durmo’ é a mesma coisa que ‘durmo quando respiro’!”
“É a mesma coisa no seu caso”, disse o Chapeleiro, e nesse ponto a conversa arrefeceu e o grupo ficou sentado em silêncio por um minuto, enquanto Alice refletia sobre tudo de que conseguia se lembrar sobre corvos e escrivaninhas, o que não era muito.
O Chapeleiro foi o primeiro a quebrar o silêncio. “Que dia do mês é hoje?”, disse, voltando-se para Alice. [...]
Alice pensou um pouco e disse: “Dia quatro.”
“Dois dias de atraso!”, suspirou o Chapeleiro. “Eu lhe disse que manteiga não ia fazer bem para o maquinismo”, acrescentou, olhando furioso para a Lebre de Março.
“Era manteiga da melhor qualidade” , respondeu humildemente a Lebre de Março.
“Sim, mas deve ter entrado um pouco de farelo”, o Chapeleiro rosnou. “Você não devia ter usado a faca de pão.”
A Lebre de Março pegou o relógio e contemplou-o melancolicamente . Depois mergulhou-o na sua xícara de chá, e fitou-o de novo. Mas não conseguiu encontrar nada melhor para dizer que seu primeiro comentário: “Era manteiga da melhor qualidade.” [...]
CARROL, Lewis. Alice no país das maravilhas.
Trad. Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2002. p. 67-9
“Exatamente ISSO”, declarou Alice. (§10)
O uso da forma destacada do demonstrativo se justifica porque:
Considere o seguinte texto:
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, votou por descriminalizar ______ a maconha, _____ não outras drogas, considerando que, se o STF decidir por descriminalizar tudo, haverá o risco de a sociedade reagir ______ decisão. O ministro esclareceu que não se trata de um posicionamento conservador, mas motivado pelo desejo de produzir um avanço consistente ________ tema.
(Adaptado de UOL, setembro/2015)
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem.
( ) O auge dessa busca pelo individualismo e egocentrismo é a tendência dos jovens de se autofotografarem. ( ) Essa tendência fez com que as redes sociais se tornassem selvas onde todos querem chamar atenção, atrair seguidores e ter suas frases repassadas de pessoas por pessoas, tornando-se, não conhecida, mas pelo menos citada no mundo todo. ( ) O Facebook, Twitter e Orkut são armas poderosas nas mãos de pessoas que querem cada vez mais fortalecer sua imagem como indivíduo, se destacar na multidão e mostrar para o mundo seus gostos, suas ideias e até o que estariam pensando no momento.
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta dos parênteses, de cima para baixo.
Nessa frase, “ela” se refere a:
O Conselho de Consumidores da Copel Distribuição S.A. tem por função: Examinar questões ligadas ao ________ de energia elétrica, tarifas e adequação dos serviços prestados ao consumidor final. Cabe ainda ao conselho apresentar sugestões para o aprimoramento das relações da Copel com seus consumidores e com a ________ em geral.
(Do site da Copel, acessado em setembro de 2015)
A ______ é feita de ______ que, por sua vez, podem ser _____ (ou _____) ou apresentar _____. Neste último caso, poderão ser classificados quanto a sua posição do acento _____ (agudo, grave ou ______) e quanto aos segmentos rimantes (_____ e toante).
Acerca das relações entre as ideias que constituem o 1º parágrafo e do emprego das expressões coesivas destacadas no período “Alguns deles chegaram a participar, de um lado ou do outro, da luta dos colonos portugueses ali estabelecidos contra as tentativas de invasão francesa.”, é possível concluir que
“O longa “Avatar” foi um dos primeiros filmes 3D com apelo também para adultos.”
Na sentença acima, a expressão “com apelo” poderia ser adequadamente substituída por outras expressões sem perder o sentido original. Assinale abaixo a única alternativa que NÃO poderia ser utilizada a fim de fazer a devida substituição.
Tinha sido assim a vida inteira: o marido sentia vergonha de ter gerado apenas um descendente. Ainda por cima uma filha. A menina se tornara incumbência de sua mãe.
Noite e dia, ela sozinha se ocupava. Ganido de cachorro, gemido de filha? Tudo sendo igual, sem motivo para perturbação do pai. Só ela se levantava, atravessando a noite com cadência de estrela. Pelos escuros corredores, seus passos se cuidavam para não despertar nem marido nem a filha já readormecida. Agora, regressando da escola, a mãe parecia ainda noturna. [...]
Chegada à casa, segredou ao pai. Os dois ruminaram o pânico: anteviam Alminha metida em namoriscos. Mas que namoro, se nem rapaz se lhe via? Ou seria motivo pior?
Nem ousaram mencionar a palavra. Mas droga era o receio mais escondido. Decidiram nada dizer, adiar conversa. Urgia apanhar Alminha em flagrante. O pai logo invocou parecenças hereditárias com a mãe. Aquilo era doença de mulherido. Antes tivessem tido rapazes. [...] – Essa miúda não sabe a quantas desanda. E ordenou que fossem vasculhados a pasta e os manuais escolares. [...]
A mãe abriu, espreitou as linhas e leu,em voz de se ouvir: – “Hoje lhe vi. Gosto de espreitar seu corpo, assim branco, no meio de tanto sujo deste mundo.” Um branco? A miúda andava metida com um branco.O pai, então, se disparatou. Como é? Não lhe chega a raça? Quer andar por aí, usufrutífera, em trânsitos de pele? – Não quero cá dissos, rematou. E pegou ele no caderno com fúria de tudo rasgar. Mas logo devolveu o objeto do crime.– Leia você que meus olhos já estão todos a tremer, meu coração está num feixe nervoso. Antes de ler, a mãe olhou demoradamente o caderno. Havia uma disfarçada ternura em seus olhos? Passou a mão como se afagasse o papel.
Aquilo não era um diário, que ela não tinha fôlego para tanta rotina.[...]
Eram magras palavras, só engordando nas entrelinhas. Na página, já roída pelos dedos, a senhora leu, a lágrima resvalando na voz: – “Hoje vi-o a nadar e me apeteceu atirar-me para a água,me banhar nua com ele”. Nua? Viu, mulher, como isso vem da sua parte? Porque você a mim nunca me viu nu, nem muito menos a banhar-me em companhias. Isso é mania de mulherido. –Adiante, mais adiante! – ordenou. Queria que ela continuasse lendo, mas não queria ouvir mais. Abanava a cabeça, pesaroso.
Nua? Na água? A moça andava por aí, rapazeandose com este e aquele? – Nunca pensei ser tristemunha de tanta vergonha. Antes de lhe descer mais pensamento, o pai já tomara decisão: expulsá-la de casa. E que nem conversa. Não valeu o pranto, não valeu nada nem ninguém. – E sai já hoje, que amanhã pode nem haver dia. A moça se foi, quase se extinguindo da história. Não fosse a mãe, inconsolada, se ter votado a seguir o encalço de Alminha.
Mas nem rasto nem cheiro. Onde refazia seu existir? Ter-se-ia internada na casa do tal amante, o segredado branco? Até que, certa vez, a mãe descobre a moça, tênue, na bruma do jardim público. Se cortinando entre os arbustos, a senhora a seguiu. [...]
(COUTO, Mia.Lisboa: Caminho, 2001. p. 133-136. Na berma de nenhuma estrada e outros contos.)
No trecho “Tinha sido assim a vida inteira: o marido sentia vergonha de ter gerado apenas um descendente. Ainda por cima uma filha.”, o elemento que antecipa algo que será enunciado, assumindo, no contexto, valor catafórico é:
Quando o STF vier a julgar a ação de inconstitucionalidade
movida pela Associação Nacional dos Editores de Livros contra
o artigo do Código Civil que prevê a autorização para biografias
comercializadas, os juizes estarão, mais uma vez, diante do
dilema da Justiça, dos dois pratos da balança e qual deles
fazer pesar mais com sua força. A liberdade de expressão de
um lado e o direito à privacidade do outro, e cada juiz, ainda
uma vez, diante do ato de decidir pela garantia de ambos
estabelecida na Carta Magna.
Ora, se preferirem dar ganho de causa à Adin dos
editores, fortemente apoiada pelos meios de comunicação
(TVs em especial), estarão contrariando os que, do outro lado,
clamam pela garantia do seu direito à privacidade. Se a estes
contemplarem com seu voto, estarão contrariando os primeiros,
os grandes interessados em que vidas pessoais sejam
livremente retratadas, transformadas em ativos comerciais de
grande valor para a montagem do espetáculo midiático que
está, hoje em dia, para muito além do interesse público na
circulação da informação, o jornalismo.
Independentemente do que venha a decidir o STF em
relação à questão, nós da associação Procure Saber, no âmbito
do nosso pequeno foro e em que pesem as tantas dúvidas
e posições entre nós, resolvemos exercer o nosso direito
democrático de associação, de opinião e de manifestação,
levando a público o nosso propósito de defender o direito à
privacidade como elo importante da cadeia da cidadania
soberana, chamando a atenção de toda a sociedade para
a necessidade de amplo e profundo debate em torno desse
tema, da delicada situação em que se encontra esse prato
da balança do direito civil em nosso tempo, a privacidade, o
que ela significa, o que ainda é possível fazer para que ela
tenha sentido, para que os que ainda nela creem e confiam
possam encontrar nas regras, nas normas e nas leis alguma
garantia. O debate afinal toma corpo, podendo contribuir para
posicionamentos mais conscientes, mais maduros e mais
equilibrados sobre que tipo de vida queremos e podemos viver,
se os indivíduos nos confins de suas vidas privadas ainda
devem ser levados em conta, ainda reconhecidos e respeitados
em seus direitos ou se já não importam mais.
Temos tido sempre justificado apreço pelos que, ao longo
da História, se mostram capazes de compreender os dilemas
e contradições da vida em sociedade e que, apesar da dor
e do sofrimento dessa condição trágica, estão dispostos a
reconhecer de que lado estão. Como disse Francisco Bosco
referindo-se ao dilema entre o interesse público e o privado,
em seu escrito neste jornal, semana passada, é o princípio da
soberania decisória sobre a vida privada que deve prevalecer.
É a mesma, nossa opinião.
(Gilberto Gil, O Globo, 15/10/2013)
Leia o trecho a seguir e, sobre ele, responda à questão:
“Se a estes contemplarem com seu voto, estarão
contrariando os primeiros, os grandes interessados em que
vidas pessoais sejam livremente retratadas, transformadas
em ativos comerciais de grande valor para a montagem
do espetáculo mediático que está, hoje em dia, para muito
além do interesse público na circulação da informação, o
jornalismo. ” (2°§) "
Respectivamente, a alternativa cujos referentes das palavras em destaque estão corretamente indicados é:
M. Said Ali. Prólogo da Lexeologia do português histórico, 1.ª ed. 1921. In: Gramática histórica da língua portuguesa. 8.ª ed. rev. e atual. por Mário Eduardo Viaro. São Paulo: Companhia Melhoramentos; Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 2001, p. 17-8 (com adaptações)
Julgue (C ou E) o item a seguir, a respeito de elementos coesivos e do vocabulário do texto de M. Said Ali.
As formas verbais “sucumbe” (linha 25) e “desterrando” (linha 42), que poderiam ser corretamente substituídas, respectivamente, por não resiste e livrando-se de, foram assim empregadas no texto: a primeira, em sentido denotativo, e a segunda, em sentido conotativo.