Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q3808569 Português
Entendida como um princípio de interpretabilidade, diz respeito ao modo como os elementos expressos na superfície textual e aqueles que se encontram implicitados vêm a permitir às pessoas envolvidas com o texto, quem produz e quem lê, a construção de um sentido, devido à atuação de uma série de fatores de ordem cognitiva, sociocultural, situacional, interacional, entre outros. 
A respeito da definição apresentada no excerto, ela se refere a: 
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Q3800565 Português
No estudo dos mecanismos argumentativos presentes nos textos dissertativos, há um tipo de raciocínio que se organiza a partir de duas premissas que, ao serem postas, conduzem obrigatoriamente a uma conclusão. Essa forma de encadeamento lógico, muito utilizada para demonstrar relações entre ideias e garantir a validade do argumento, é frequentemente explorada em análises de coerência e progressão textual. O recurso argumentativo descrito é denominado:
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Q3794348 Português
Procuram-se jumentos! 

    Quando Dom Pedro I deu o brado retumbante, ele estava montado em um jumento. Quase dois milênios antes, Jesus Cristo também teria montado em um para entrar em Jerusalém pela primeira vez. Napoleão, expedicionários da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e até o fictício Sancho Pança dependiam do animal.

    Os bichos que chamamos de jumento (e de jegue ou de asno) são o Equus africanus asinus, uma subespécie de Equus africanus domesticada há 7 mil anos. São primos distantes da zebra e dos cavalos – até 2 milhões de anos atrás, todos compartilhavam um mesmo ancestral.

    Os jumentos viraram pets antes mesmo dos cavalos, cuja domesticação ocorreu há pouco menos de 5 mil anos. E fazia todo sentido: embora menores, os jumentos são mais resistentes.

     Do lado de cá do Atlântico, eles vieram com os europeus durante a colonização. Logo se tornaram o principal meio de transporte dos tropeiros, carregando mercadorias entre o litoral e as missões de expansão para o interior do País. [...]

      Existe uma caça aos jumentos em curso. Um mercado bilionário promove o abate em busca da sua pele. Muitos acabam traficados por uma pechincha e são mortos sem nenhum tipo de cuidado com higiene ou bem-estar animal.

Fonte: Revista Superinteressante. Adaptado
“Do lado de cá do Atlântico, eles vieram com os europeus durante a colonização.” (4º parágrafo). O elemento sublinhado estabelece coesão por: 
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Q3794168 Português
Procuram-se jumentos! 

    Quando Dom Pedro I deu o brado retumbante, ele estava montado em um jumento. Quase dois milênios antes, Jesus Cristo também teria montado em um para entrar em Jerusalém pela primeira vez. Napoleão, expedicionários da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e até o fictício Sancho Pança dependiam do animal.

    Os bichos que chamamos de jumento (e de jegue ou de asno) são o Equus africanus asinus, uma subespécie de Equus africanus domesticada há 7 mil anos. São primos distantes da zebra e dos cavalos – até 2 milhões de anos atrás, todos compartilhavam um mesmo ancestral.

    Os jumentos viraram pets antes mesmo dos cavalos, cuja domesticação ocorreu há pouco menos de 5 mil anos. E fazia todo sentido: embora menores, os jumentos são mais resistentes.

     Do lado de cá do Atlântico, eles vieram com os europeus durante a colonização. Logo se tornaram o principal meio de transporte dos tropeiros, carregando mercadorias entre o litoral e as missões de expansão para o interior do País. [...]

      Existe uma caça aos jumentos em curso. Um mercado bilionário promove o abate em busca da sua pele. Muitos acabam traficados por uma pechincha e são mortos sem nenhum tipo de cuidado com higiene ou bem-estar animal.

Fonte: Revista Superinteressante. Adaptado.
“Do lado de cá do Atlântico, eles vieram com os europeus durante a colonização.” (4º parágrafo). O elemento sublinhado estabelece coesão por: 
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Q3792683 Português

Entenda as diferenças entre alergia e intolerância alimentar



    Mesmo tendo sintomas parecidos, a intolerância alimentar e a alergia alimentar são problemas diferentes, com causas e tratamentos distintos. Ambas têm efeitos negativos na rotina das pessoas, que precisam retirar certos alimentos de suas dietas.


    A intolerância alimentar é caracterizada pela má digestão de determinados alimentos. A pessoa com intolerância alimentar absorve parcialmente esses nutrientes, que passam a fermentar, ocasionando sintomas como inchaço abdominal, flatulência e cólicas, podendo ainda causar diarreia. A severidade das manifestações depende de cada pessoa. Apesar de ser incômoda para os pacientes, pode ser controlada por simples ajustes na dieta.


    Na alergia alimentar, ocorre reação do organismo logo após a exposição ao alimento causador da alergia. Essa reação pode envolver a pele (urticária, inchaço, coceira) e o aparelho gastrintestinal (diarreia, dor abdominal, vômitos), assim como manifestações mais graves, como respiratórias (anafilaxia).



Fonte: Ministério da Saúde. Adaptado.

As palavras sublinhadas abaixo retomam, respectivamente: 

As crianças brincavam nas ruas depois que terminavam suas tarefas. Todas gostavam de pular corda, menos Catarina e Raquel. Elas gostavam de bonecas.
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Q3783814 Português
A coesão textual é um dos fatores responsáveis pela textualidade, garantindo a ligação entre os elementos de um texto. No que tange aos mecanismos de coesão referencial, analise as afirmativas a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)A coesão anafórica ocorre quando um termo (pronome, advérbio) retoma um elemento já mencionado anteriormente no texto, como em: "João comprou um carro novo; ele é azul".
(__)A coesão catafórica se manifesta quando um termo remete a um elemento que ainda será enunciado no texto, estabelecendo uma antecipação, como em: "Só desejo isto: que todos sejam aprovados".
(__)No enunciado "O problema é este: falta de recursos para a educação", o pronome "este" funciona como um elemento de coesão referencial catafórica, antecipando a informação que o especifica.
(__)Em "Maria conversou com o diretor. Depois, foi falar com o mesmo", o termo "o mesmo" constitui um mecanismo de coesão por elipse, pois omite o nome da pessoa.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
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Q3776066 Português

Saúde do homem: Romper tabus e educar desde cedo salva vidas.


Todos os anos, em outubro, o mundo se veste de rosa. Campanhas, eventos, alertas e informações sobre prevenção do câncer de mama dominam as manchetes. Celebridades, profissionais de saúde e redes sociais reforçam a mensagem: "cuidar da saúde é vital". Mas quando o assunto é saúde masculina, o cenário muda drasticamente. Homens também adoecem.


Homens também têm câncer de próstata, doenças cardiovasculares, diabetes, depressão e ansiedade. Porém, ao contrário da saúde feminina, poucas campanhas destacam a prevenção masculina. Poucos profissionais são chamados para orientar, e a mídia raramente reforça a importância de exames periódicos. Resultado: silêncio, invisibilidade e negligência.


A negligência não se limita à saúde mental embora o preconceito sobre vulnerabilidade emocional já seja devastador, mas se estende à saúde física. Muitos homens ignoram sintomas, adiam consultas е confundem cuidado com fraqueza. A sociedade reforça a ideia de que "homem não reclama" ou "homem forte não precisa de médico". E quando se fala em exame de próstata, a situação se agrava: muitos homens viram alvo de piadas, até entre amigos. Enquanto mulheres fazem exames preventivos e ninguém as zomba, homens são ridicularizados por cuidar de si. É nesse ponto que o preconceito começa e ele mata.


Romper esse tabu não é apenas necessário: é urgente. Campanhas como o Novembro Azul existem, mas muitas vezes não têm a mesma força, abrangência e presença que o Outubro Rosa. O câncer de próstata e outras doenças que atingem homens também matam muitas vezes por falta de prevenção.


Precisamos de campanhas consistentes, informação clara sobre sinais de alerta, exames periódicos e os benefícios do cuidado precoсе.


Mais do que tratar doenças, é fundamental educar desde cedo. Assim como ensinamos meninas a cuidar do corpo, a fazer exames preventivos e a valorizar a saúde, precisamos ensinar os meninos a procurar médicos, a prestar atenção aos sinais do corpo e a não ter vergonha de falar sobre saúde.


Romper o tabu deve começar na infância, integrando a educação à cultura familiar e escolar, reforçando que cuidado não é fraqueza, é responsabilidade.


Mostrar que a masculinidade não se perde ao buscar ajuda médica, ao fazer exames de rotina ou ao falar sobre saúde mental é essencial. O cuidado com a saúde deve ser visto como um ato de força, consciência e amor-próprio. A diferença entre a saúde do homem e da mulher não está no corpo, mas na cultura que molda comportamentos. E essa cultura pode e deve ser transformada.


Cuidar da saúde masculina é responsabilidade de todos: sociedade, mídia, empresas, instituições de saúde e cada indivíduo. Campanhas como o Novembro Azul precisam ganhar a mesma relevância que o Outubro Rosa, abordando prevenção, autocuidado, educação desde cedo e respeito porque piadas e preconceito não salvam vidas. Romper tabus salva vidas e transforma a sociedade. 



(Autora: Bruna Gayoso)

O pronome "ele" remete, no contexto frasal, "É nesse ponto que o preconceito começa e ele mata", a:
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Q3770623 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Os elementos coesivos chamados de referenciais podem se referir a outros que já foram citados no texto (anafóricos) ou que serão citados (catafóricos).

Partindo dessas relações coesivas, verifique qual alternativa abaixo (assinalada no texto) se refere a algo que vai ser dito no texto.
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Q3768236 Português
Considerando as estratégias de referenciação, assinale a opção que apresenta a correta descrição. 
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Q3768235 Português
Nos trechos retirados de Neves (2006), há um caso de encapsulamento anafórico em
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Q3751703 Português
No âmbito dos estudos gramaticais aplicados ao ensino da língua e da produção textual, observa-se que os desdobramentos da gramática normativa em fonologia, morfologia, sintaxe e semântica dialogam, de forma interdependente, com os mecanismos de textualidade. Considerando essa articulação, assinale a alternativa que apresenta uma afirmativa correta e compatível com uma abordagem linguístico-textual consistente com a tradição normativa e com a análise da coesão e da coerência:
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Q3745997 Português
Para que um texto apresente plena inteligibilidade, com suas partes articuladas de forma adequada, é imprescindível que os elementos linguísticos sejam corretamente empregados. Caso a conexão entre as partes do texto não seja estabelecida de maneira adequada, o sentido lógico e a coerência poderão ser comprometidos.
Com base nisso, marque com (V) as afirmativas verdadeiras ou com (F) as falsas.

(__)Coesão e coerência são elementos distintos, porém essenciais na produção de textos. É possível que um texto seja coeso e, ao mesmo tempo, incoerente.
(__)A coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; coerência é o sentido lógico, o nexo.
(__)Na coesão lexical são utilizados recursos coesivos que possibilitam a manutenção do assunto sem repetir palavras.
(__)Na frase 'Rastejamos que nem serpentes', o uso da expressão 'que nem' marca o uso coloquial, que deve ser evitado na linguagem formal.
(__)Na coesão por elipse é feita a omissão de elementos já mencionados no texto, desde que facilmente identificáveis, como no exemplo: 'Minha irmã está no mercado. Foi comprar arroz e feijão.'

A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é: 
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Q3742446 Português
Assinale a opção em que o verbo fazer tem função coesiva, retomando algo anteriormente enunciado.
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Q3733037 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é. E difícil é explicar a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. Fernando Pessoa"


Nota: Trecho do poema "Poemas Inconjuntos" em Poemas de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa).


https://www.pensador.com/mensagens_de_reflexao/



No trecho "E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me basta", o pronome "isso" exerce papel essencial para o sentido do texto. Sobre o uso desse termo, é correto afirmar que:

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Q3731887 Português

Texto para a questão.



RAIZ DA INTOLERÂNCIA


    Ninguém representa maior ameaça à liberdade do outro do que quem se considera dono da verdade. E a lógica que conduz da certeza inquestionável ao linchamento do discordante é simples: “se eu estou com a verdade e ele discorda de mim é que ele está com a mentira, e não se pode deixar que a mentira prospere”. Logo, calar o mentiroso (ou o traidor da verdade) é um bem que se faz à pátria ou à humanidade ou a Deus ou ao partido.


    Existem verdades de diferentes pesos e, conforme o peso, mais grave ou menos grave será o erro praticado pelo discordante. Por exemplo, se minha verdade consiste em afirmar que o futebol-arte é melhor que o futebol-força, o máximo que pode resultar disso serão algumas tiradas irônicas mas, se estou convencido de que minha seita é a única que incorpora a verdade do Cristo Salvador, aí o discordante está do lado do Diabo, a encarnação do Mal. (…)


    Já escrevi aqui, mais de uma vez, que quem aceita a complexidade do real – do mundo, da vida – não pode ser sectário, não pode ser radical em suas convicções. Noutras palavras, só é sectário quem simplifica as coisas, ignora que todo problema contém diversos lados e contradições. Lidar com essa complexidade é, indubitavelmente, difícil e desconfortável; muito mais cômodo é afirmar: “aquele sujeito é um imbecil” — em lugar de tentar entender as suas razões. Isto se vê a todo momento, especialmente nas discussões políticas. É a tática de desqualificação do outro. Em lugar de responder a seus argumentos, afirmo que ele é safado, desonesto, mau-caráter.


    Veja bem, quando digo que se deve ser tolerante e que não existem verdades absolutas, não estou pregando o abandono das convicções firmes e das atitudes éticas. Umas e outras devem ser fruto do conhecimento e da reflexão, os quais nos conduzirão inevitavelmente a reconhecer que a realidade excede nossa capacidade de abrangê-la integralmente. O conhecimento e a reflexão nos conduzem à modéstia e à tolerância. Quando perguntaram a Marx qual a virtude intelectual que mais admirava, ele respondeu: a dúvida.


Raiz da intolerância. Ferreira Gullar. Melhores Crônicas. Adaptado.

“Quando perguntaram a Marx qual a virtude intelectual1 que mais admirava, ele respondeu: a dúvida2.”


No contexto discursivo apresentado, a relação coesiva, respectivamente, entre os trechos 1 e 2, no período evidenciado, é do tipo:

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Q3731881 Português

Texto para a questão.



RAIZ DA INTOLERÂNCIA


    Ninguém representa maior ameaça à liberdade do outro do que quem se considera dono da verdade. E a lógica que conduz da certeza inquestionável ao linchamento do discordante é simples: “se eu estou com a verdade e ele discorda de mim é que ele está com a mentira, e não se pode deixar que a mentira prospere”. Logo, calar o mentiroso (ou o traidor da verdade) é um bem que se faz à pátria ou à humanidade ou a Deus ou ao partido.


    Existem verdades de diferentes pesos e, conforme o peso, mais grave ou menos grave será o erro praticado pelo discordante. Por exemplo, se minha verdade consiste em afirmar que o futebol-arte é melhor que o futebol-força, o máximo que pode resultar disso serão algumas tiradas irônicas mas, se estou convencido de que minha seita é a única que incorpora a verdade do Cristo Salvador, aí o discordante está do lado do Diabo, a encarnação do Mal. (…)


    Já escrevi aqui, mais de uma vez, que quem aceita a complexidade do real – do mundo, da vida – não pode ser sectário, não pode ser radical em suas convicções. Noutras palavras, só é sectário quem simplifica as coisas, ignora que todo problema contém diversos lados e contradições. Lidar com essa complexidade é, indubitavelmente, difícil e desconfortável; muito mais cômodo é afirmar: “aquele sujeito é um imbecil” — em lugar de tentar entender as suas razões. Isto se vê a todo momento, especialmente nas discussões políticas. É a tática de desqualificação do outro. Em lugar de responder a seus argumentos, afirmo que ele é safado, desonesto, mau-caráter.


    Veja bem, quando digo que se deve ser tolerante e que não existem verdades absolutas, não estou pregando o abandono das convicções firmes e das atitudes éticas. Umas e outras devem ser fruto do conhecimento e da reflexão, os quais nos conduzirão inevitavelmente a reconhecer que a realidade excede nossa capacidade de abrangê-la integralmente. O conhecimento e a reflexão nos conduzem à modéstia e à tolerância. Quando perguntaram a Marx qual a virtude intelectual que mais admirava, ele respondeu: a dúvida.


Raiz da intolerância. Ferreira Gullar. Melhores Crônicas. Adaptado.

Conforme a intencionalidade discursiva defendida no texto em evidência, a raiz da ignorância está relacionada intrinsecamente a uma ideia reducionista sobre ideologias contrárias. Assim sendo, à manutenção dessa temática, por meio dos termos ressaltados nos trechos I e II, dá-se o nome de:


I. “[...] calar o mentiroso (ou o traidor da verdade)”.


II. “Em lugar de responder a seus argumentos, afirmo que ele é safado, desonesto, mau-caráter.

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Q3731622 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é. E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo.Fernando Pessoa"


Nota: Trecho do poema "Poemas Inconjuntos" in Poemas de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa).



https://www.pensador.com/mensagens_de_reflexao/

No trecho "E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me basta", o pronome "isso" exerce papel essencial para o sentido do texto. Sobre o uso desse termo, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3706132 Português

Texto para o item.


Autobiografia sem fatos 



    A maioria dos homens vive com espontaneidade uma vida fictícia e alheia. “A maioria da gente é outra gente”, disse Oscar Wilde, e disse bem. Uns gastam a vida na busca de qualquer coisa que não querem; outros empregam-se na busca do que querem e lhes não serve; outros, ainda, se perdem.



    Mas a maioria é feliz e goza a vida sem isso valer. Em geral, o homem chora pouco, e, quando se queixa, é a sua literatura. O pessimismo tem pouca viabilidade como fórmula democrática. Os que choram o mal do mundo são isolados — e se choram, é pelo próprio mal. Um Leopardi, um Antero não têm amado ou amante? O universo é um mal. Um Vigny é mal ou pouco amado? O mundo é um cárcere. Um Chateaubriand sonha mais que o possível? A vida humana é tédio. Um Jó é coberto de bolhas? A terra está coberta de bolhas. Pisam os calos do triste? Ai dos pés dos sóis e das estrelas.



    Alheia a isto, e chorando só o preciso e no menos tempo que pode — quando lhe morre o filho que esquecerá pelos anos fora, salvo nos aniversários; quando perde dinheiro, e chora enquanto não arranja outro, ou se não adapta ao estado de perda —, a humanidade continua digerindo e amando. A vitalidade recupera e reanima. Os mortos ficam enterrados. As perdas ficam perdidas.



    Quando vejo um gato ao sol lembra-me sempre do homem ao sol.



Fernando Pessoa. Livro do Desassossego. São Paulo: Companhia de Bolso, 2023 (com adaptações).

O pronome “Os”, no trecho “Os que choram o mal do mundo são isolados — e se choram, é pelo próprio mal.” (quarto período do segundo parágrafo) retomam o termo “homens”, em “A maioria dos homens vive com espontaneidade uma vida fictícia e alheia.” (primeiro período do primeiro parágrafo).
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Q3700460 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir: 


Variação e mudança


Sírio Possenti


A maioria absoluta dos brasileiros ̶ talvez não só os brasileiros ̶ alfabetizados ou letrados tem uma ideia completamente equivocada do que seja uma língua. Para eles, língua é a que a escola ensina, ou o que está nos manuais do tipo "não erre mais". O resto é erro. Todos consideram que as variantes são erros.


Ocorre que o que a escola ensina também é mais ou menos variado. E depende muito também do desempenho linguístico dos professores. Como eles são membros da sociedade, são afetados pelas mudanças que a língua sofre com o correr do tempo, de forma que seu "português" é, de alguma forma, o português de seu tempo. O que não é necessariamente ruim.


Isto quer dizer que o português que os professores falam e mesmo o que escrevem não é necessariamente o português dos livros adotados nas escolas. O que vale para professores de português vale também para os das outras disciplinas, claro. E vale também para os jornalistas e para as personalidades que eles entrevistam, tenham elas a formação que tiverem (em geral, são especialistas em alguma coisa, sempre especialistas). É só ouvir os debates ou os programas de entrevistas para verificar isso.


Dou dois exemplos banais. Duvido que haja 10% de professores ou falantes letrados que profiram o dito futuro (aplicarei minha poupança em ações da empresa X). Todos dizem "vou aplicar". Outro exemplo? Quase ninguém diz "nós". Diz-se "a gente". Como pouco se diz "tu", exceto em algumas regiões, a conjugação verbal do futuro é


Eu vou aplicar


Você vai aplicar


Ele/ela vai aplicar


A gente vai aplicar


Vocês vão aplicar


Eles/elas vão aplicar.


Ou não é? Quem não fala assim que atire a primeira pedra. Não vou dizer (!!) que todos falam sempre assim porque sei que uma língua sempre apresenta variação. Alguns entrevistados, ou jornalistas, dirão (!!), talvez, de vez em quando, no meio da conversa, "falaremos disso na próxima entrevista", claro, sendo mais formais. Em compensação, alguns também dirão "vamo falá disso na próxima veiz", sendo bem mais informais. E ninguém nota que falou errado durante a entrevista. Por quê? Porque ninguém fala errado mesmo! Isso não é erro. Esse é o português falado culto do Brasil hoje. É um fato. Só isso.


Numa certa ocasião, fui entrevistado por uma emissora de TV (eu no estúdio e um folclorista em outra cidade). Argumentava que a linguagem popular não tinha nada de errado, era só diferente, e era enfrentado pela apresentadora que "defendia nossa língua". Para dobrá-la, só me restou um recurso: ficar atento ao que ela dizia e citar os "erros" que ela ia cometendo, segundo os próprios critérios dela. Ficou meio sem jeito, e eu tive que insistir que ela falava corretamente... o português real (e que aquele que ela defendia não existe mais, pelo menos na fala).


O que muita gente não entende ̶ ou não quer entender, porque significaria perder uma boa teta! ̶ é que a variação tem tudo a ver com a mudança. Todos acham normal que aquila tenha derivado para águia, que asinus tenha derivado para asno (tem muita coisa mudada aí, mas o básico é que a palavra latina proparoxítona se torna paroxítona), mas acham ridículas formas como fosfro (para fósforo), corgo (para córrego), xicra e chacra (para xícara e chácara), embora a regra antiga que explica a mudança e a atual que explica a variação sejam a rigor a mesma (os falantes seguem regras, não erram!!!), sem contar que dizem, numa boa, sem se dar conta do que fazem, xicrinha e chacrinha. Quá!


Variação tem tudo a ver com mudança. Mas, se entendêssemos isso, muita gente perderia uma grana preta!! 


Fonte: http://www.cataphora.com.br/2010/03/variacao-e-mudanca-sirio-possenti_8437.html (Acesso em: 25 set. 2024).

Leia este excerto:



“Denomina-se referenciação as diversas formas de introdução, no texto, de novas entidades ou referentes. Quando tais referentes são retomados mais adiante ou servem de base para introdução de novos referentes, tem-se o que se denomina progressão referencial”.



Fonte: KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2013, p. 123.



Atentando-se para a retomada do referente, assinale o único trecho em que a palavra ou expressão sublinhada NÃO FUNCIONA anaforicamente:

Alternativas
Q3698920 Português
Texto 2

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Não traiam o Machado.


Rio de Janeiro - Mais uma vez Machado de Assis no vestibular. Dois capítulos de “Dom Casmurro”, na prova de Português aí em São Paulo. Ao menos assim Machado vai sendo conhecido, ou imposto, entre a meninada. Se entendi bem as questões propostas e as resoluções que saíram no “Fovest 92”, a prova não apenas opta pela versão do ciúme, como nela insiste de maneira tão enfática que nem admite sombra de controvérsia.

A hipótese aí encampada, de que Capitu não traiu Bentinho, um Bentinho paranoicamente ciumento qual Otelo, está fundamentada em “O enigma de Capitu”. Apareceu de fato no ensaio de interpretação de Eugênio Gomes, publicado em 1967. Muitas vozes discordaram da hipótese gratuita e absurda, que terá sido levantada como simples quebra-cabeça, um joguinho enigmático para descansar o espírito numa hora de folga e tédio.

Quem fica tiririca, e com toda razão, com essa história mal contada, e tão mal contada que desmente o próprio Machado, é o Dalton Trevisan, machadiano de mão cheia e olho agudíssimo. Pois nessa prova do vestibular, o drama do Bentinho se apresenta como “centrado no ciúme doentio e na suposta traição de sua esposa”. Suposta? De onde os senhores professores tiraram este despropósito e o passam aos imberbes e indefesos vestibulandos? “Dom Casmurro” saiu em 1900. Machado morreu em 1908. Nenhum crítico nesses oito anos jamais ousou negar o adultério de Capitu.

Leiam a carta do Graça Aranha, amigo pessoal do Machado: “Casada, teve por amante o maior amigo do marido”. Voltem ao artigo do Medeiros e Albuquerque. Dar o Bentinho como “o nosso Otelo” é pura fantasia. Bestialógico mesmo. Um disparate indigno de pisar no vestíbulo da universidade. Refinadíssimo escritor, mestre do subentendido, virtuose da meia palavra, do “understatement”, Machado jamais desabaria numa grosseira cena de alcova, como num flagrante policial de adultério. (…)

Machado merece respeito!


Otto Lara Resende - Folha de S. Paulo, - 08/01/1992 – texto editado
Em relação à coesão textual, examine as palavras destacadas nas construções abaixo retiradas do Texto 2 e identifique quais remetem à ideia antecedente:

1. A hipótese encampada…
2.…com essa história mal contada…
3.…nessa prova do vestibular…

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Respostas
41: B
42: D
43: C
44: C
45: C
46: B
47: D
48: A
49: C
50: B
51: C
52: A
53: C
54: E
55: D
56: B
57: A
58: C
59: B
60: E