Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q4099440 Português
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares, estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés


Disponível em: https://www.letras.mus.br/cartola/44901/. Acesso em: 27 mai.
2026. (Adaptado).

A expressão “Presta atenção”, destacada no texto, é um exemplo de coesão recorrencial que tem por função 
Alternativas
Q4099437 Português
Eu acreditei na geração Z


   A geração Z me enganou. No momento que a gente achava bonito ticar item da agenda, sobreviver 12 horas de trabalho à base de café, eles vieram de mansinho mostrando que qualidade de vida era o verdadeiro sucesso. Que mais chic que ser chefe era ser CEO da própria vida.
    A geração Z me atropelou com palavras como “gatilho”, “tóxico”, “red flags”, “abusivo” e se recusou a transformar burnout em plano de carreira. Eu olhava pra eles e pensava: finalmente uma geração que entendeu que não adianta ter plano de saúde se o próprio trabalho adoece a gente. Minha geração glamorizou a mulher de terno e sapato alto tomando um café na rua correndo pra chegar na apresentação da escola do filho. Fiz um filme sobre isso. Alice do “De pernas pro ar” era uma workaholic que trabalhava escondida do marido e vivia culpada por não dar conta de tudo. E no meio disso tudo ela descobria o orgasmo. O burnout era a grande piada do filme e o prazer era a caixa de Pandora. O maior sucesso da minha carreira falava justamente da glamorização da mulher bem-sucedida e exausta. E eu achava lindo, identificação total.
   Eu sou a favor de priorizar a saúde mental, reconheço a importância do ócio, da terapia, da qualidade de vida. Mas eu queria entender: em que momento um prazo mudado virou opressão e qualquer frustração ganhou nome de um transtorno novo no TikTok? Minha geração teve chefe tóxico raiz.
    Eu queria lembrar que vocês só podem peitar o chefe hoje em dia porque alguém passou anos sofrendo sem rede social pra denunciar. Nós somos a primeira geração a ter que entender de engajamento, likes e postagens depois dos 40. Fomos nós que choramos em silêncio no banheiro do escritório pra vocês trabalharem de casa hoje em dia.
     Talvez o problema não seja a geração Z em si. Mas o mundo virtual e isolado que eles cresceram. Gente que sabe se expressar por mensagem, mas trava ao vivo. Que sabe dar nomes aos sentimentos, mas não sabe lidar com eles. Nem todo problema vira trauma, nem todo casamento é careta, nem todo mundo que trabalha muito é infeliz.
     Torço pra que a próxima letra do alfabeto seja um meio-termo entre ser a Mulher Maravilha e agir como um alecrim dourado. A geração Z me ensinou muito, mas, às vezes, tenho vontade de dizer: meu anjo, você não está sendo perseguido. Você só recebeu um prazo. Bem-vindo à vida adulta.



Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/ingrid-guimaraes/coluna /2026/04/eu-acreditei-na-geracao-z.ghtml?giftId=a9ffbdf317b2dab&utm _source=Email&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilharmateria. Acesso em: 26 mai. 2026. (Adaptado).
O uso do conectivo de coesão, mas, em: “A geração Z me ensinou muito, mas, às vezes, tenho vontade de dizer: meu anjo, você não está sendo perseguido”, introduz 
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Q4099373 Português
Ciclo da Água

        A água no planeta é encontrada nos estados sólido, líquido e gasoso, distribuída em diferentes reservatórios. A água no estado sólido ocorre nas geleiras; na forma gasosa, como vapor, está na atmosfera, em nuvens. Acima da superfície do solo, a água no estado líquido corre em rios, lagos e oceanos. Abaixo da superfície, a água é armazenada nos poros e outras aberturas existentes nas rochas. Além disso, os seres vivos — animais e plantas — também reservam água. No corpo de um adulto, cerca de 60% da massa corporal total é água, podendo variar de 45 a 75%, dependendo da idade e do sexo.

        Estes reservatórios de água estão em permanente intercâmbio, e a energia solar é o principal motor desta circulação. Assim, uma molécula de água que forma uma nuvem pode cair na forma de chuva, infiltrar-se no solo, ser captada por um poço e estar dentro de você um tempo depois. Este movimento da água entre diferentes reservatórios é o que chamamos de ciclo da água.

        Existem diversos processos que controlam esta circulação, como a precipitação da água contida nas nuvens na forma de chuva, granizo e orvalho, ou mesmo como neve nas regiões frias ou com elevada altitude. Outro processo é o escoamento superficial, no qual a água que precipita como chuva ou provém do degelo da neve e de geleiras escoa no terreno em direção às porções mais baixas, como rios e lagos, em fluxo contínuo até encontrar o oceano.

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Adaptado.
As palavras sublinhadas abaixo retomam, respectivamente:
As praias estão sempre lotadas nessas épocas de fim e início de ano. Elas se enchem de banhistas loucos por descanso e paz. Afinal, eles passam o ano inteiro trabalhando.
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Q4099074 Português
      A inteligência artificial (IA), com sua natureza disruptiva, vem alterando significativamente o mercado de trabalho e, consequentemente, as atividades profissionais dos seres humanos, não somente porque entrega ferramentas extremamente úteis, mas porque gera possibilidade de criação de segmentos de atuação e novas carreiras. [...]

      Há cinco, dez anos atrás, muitas carreiras não existiam. Por isso, apesar de não sabermos exatamente quantas profissões ainda surgirão ao longo deste século, mas compreendendo que esse é um movimento irreversível, devemos avaliar tendências e nos preparar para abraçar as mudanças sempre, todos os dias. Um dos exemplos mais recentes ocorreu durante a pandemia da Covid-19, com a revolução da relação entre empresas e seus funcionários, por meio da implantação das modalidades remotas e híbridas de trabalho, o que só foi possível devido à existência de ferramentas tecnológicas avançadas e à capacidade do ser humano de encontrar soluções para o que, muitas vezes, parece insolúvel.

    Carreira bem-sucedida e sustentável é aquela em que a pessoa tem consciência de que tudo pode mudar o tempo todo e tem proatividade para se manter atualizada e capacitada para as novas demandas e formas de trabalho. A IA pode ser uma ótima parceira para o aumento da eficiência e da qualidade do trabalho das pessoas. Como toda parceria implica em benefícios e desafios, temas como segurança, ética, privacidade e humanização das relações de trabalho devem ser abordados de maneira séria e responsável por cada um individualmente e por todos, como sociedade.

As recomendações são as mesmas, tanto para quem está ingressando no mercado de trabalho pela primeira vez, quanto para quem já tem anos de experiência: profissionais que não utilizam a IA são, cada vez mais, considerados operacionais e substituíveis. Profissionais que utilizam a IA tendem a ser considerados estratégicos para o negócio e, portanto, mais valorizados. [...] 


Disponível em: https://portal.fgv.br/artigos/inteligencia-artificial-pode-auxiliarcarreira-e-formas-trabalho. Acesso em: 8 mai. 2026. (Adaptado).

Sobre a inteligência artificial (IA), assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4098249 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Inteligência artificial e a pesquisa escolar

Sete em cada dez estudantes brasileiros do ensino médio usuários da internet utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT e o Gemini, para realizar pesquisas escolares. Apesar disso, apenas 32% desses estudantes receberam alguma orientação nas escolas sobre como utilizar de forma segura e responsável essa tecnologia. As informações fazem parte da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). A pesquisa também apontou que quase a totalidade das escolas brasileiras (96% do total) possui acesso à internet, com crescimento especialmente nas instituições municipais e nas escolas rurais. No entanto, embora a conectividade tenha crescido, as desigualdades no acesso permanecem: nas escolas estaduais, 67% dos alunos utilizam a internet para atividades solicitadas pelos professores, enquanto na rede municipal a proporção é de apenas 27%. Além disso, nos últimos anos, caiu o número de professores que participaram de formação voltada ao uso de tecnologia digital — de 65% em 2021 para 54% em 2024.

AGÊNCIA BRASIL. Sete em cada 10 alunos do ensino médio usam IA generativa em pesquisas. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-09/sete-em-cad a-10-alunos-do-ensino-medio-usam-ia-generativa-em-pesquisas. Acesso em: 13 abr. 2026. (Fragmento).
Com base no texto sobre o uso da inteligência artificial na pesquisa escolar, analise as afirmativas a seguir:
I.O texto articula expansão tecnológica e permanência de desigualdades, indicando que o avanço da conectividade escolar não eliminou diferenças no uso pedagógico da internet entre as redes públicas.
II.Ao informar que apenas 32% dos estudantes receberam orientação escolar sobre o uso seguro da IA, o texto sugere um descompasso entre a difusão prática da tecnologia e a mediação formativa oferecida pelas instituições.
III.A redução do percentual de docentes com formação voltada ao uso de tecnologia digital permite inferir que a consolidação de práticas pedagógicas mediadas por recursos digitais enfrenta entraves que não se resumem à infraestrutura.
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4098049 Português

Leia o trecho a seguir e assinale a alternativa que o conclui corretamente:



O Programa Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes, previu a criação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes, cujo processo de construção tem demandado um intenso diálogo e articulação com os atores e parceiros governamentais e da sociedade civil, _____________.

Alternativas
Q4095929 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Para reconquistar passageiros, transporte público por ônibus precisa se modernizar.


O transporte público por ônibus no Brasil, vem perdendo passageiros a cada ano, realidade que se intensificou no período da pandemia de covid-19. Apenas para ter uma ideia, desde 2019 o segmento de ônibus urbano registrou queda de quase 25% na demanda, com perda de 8 milhões de deslocamentos de pessoas por dia, de acordo com o Anuário 2022-2023, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).


A corrida para a recuperação de passageiros encontra diversos desafios, como mudanças nos hábitos pós-crise sanitária, concorrência com aplicativos de mobilidade e insatisfação com os serviços oferecidos pelo transporte público de maneira geral, em especial com o preço da passagem. "A recuperação desse setor passa, obrigatoriamente, por oferecer aos consumidores informações e facilidades para que tenham controle dos seus deslocamentos", diz Sergio Avelleda, sócio-fundador da Urucuia Inteligência em Mobilidade Urbana.


Ele explica que, embora, hoje, pareça normal, o nível de informação proporcionado pelo transporte individual por aplicativo elevou o padrão dos deslocamentos de maneira geral. "As pessoas se acostumaram com a previsibilidade: sabem a hora em que o transporte vai chegar, o tempo de percurso, quanto vão pagar, a rota e, inclusive, já pagam direto pelo aplicativo. E a população quer ter isso, também, no transporte público", afirma Avelleda.


Oferecer melhor controle do tempo, facilidades no pagamento e um serviço de qualidade passa pela modernização do transporte por ônibus, um movimento que já começou. Um exemplo é a adoção do Cartão TOP, desde novembro de 2021, na região metropolitana de São Paulo, quando a ferramenta passou a conectar passageiros que utilizam ônibus intermunicipais e transporte sobre trilhos na cidade, com desconto na integração.


Atualmente, já são mais de 370 milhões de bilhetes QR Codes vendidos e 2,4 milhões de cadastros no aplicativo, o que representa, de acordo com a empresa responsável, 30% do transporte da capital paulista.


Trata-se de um sistema de bilhetagem eletrônica usado para pagamento das viagens mediante a compra de bilhetes QR Code, com o mesmo cartão válido no Metrô, CPTM e ônibus da EMTU, mas que pode ir muito além.



https://mobilidade.estadao.com.br/mobilidade-para-que/para-reconquist ar-passageiros-transporte-por-onibus-precisa-se-modernizar/ 

Com base no texto que trata da necessidade de modernização do transporte público por ônibus no Brasil para recuperar passageiros, julgue as afirmativas a seguir:
I.Há uma mudança no comportamento das pessoas, que passaram a preferir serviços mais práticos e previsíveis, como os aplicativos de mobilidade.
II.A principal expectativa dos passageiros hoje não é apenas preço baixo, mas também informação, controle e previsibilidade.
III.O avanço de soluções como o Cartão TOP indica que a digitalização já começou, mas ainda não está totalmente consolidada.
IV.Caso o transporte público não acelere sua modernização, é possível inferir que as desigualdades de mobilidade urbana podem se ampliar, já que apenas quem pode pagar por aplicativos tende a ter acesso a um serviço mais rápido, previsível e confortável.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições corretas. 
Alternativas
Q4095928 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Para reconquistar passageiros, transporte público por ônibus precisa se modernizar.


O transporte público por ônibus no Brasil, vem perdendo passageiros a cada ano, realidade que se intensificou no período da pandemia de covid-19. Apenas para ter uma ideia, desde 2019 o segmento de ônibus urbano registrou queda de quase 25% na demanda, com perda de 8 milhões de deslocamentos de pessoas por dia, de acordo com o Anuário 2022-2023, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).


A corrida para a recuperação de passageiros encontra diversos desafios, como mudanças nos hábitos pós-crise sanitária, concorrência com aplicativos de mobilidade e insatisfação com os serviços oferecidos pelo transporte público de maneira geral, em especial com o preço da passagem. "A recuperação desse setor passa, obrigatoriamente, por oferecer aos consumidores informações e facilidades para que tenham controle dos seus deslocamentos", diz Sergio Avelleda, sócio-fundador da Urucuia Inteligência em Mobilidade Urbana.


Ele explica que, embora, hoje, pareça normal, o nível de informação proporcionado pelo transporte individual por aplicativo elevou o padrão dos deslocamentos de maneira geral. "As pessoas se acostumaram com a previsibilidade: sabem a hora em que o transporte vai chegar, o tempo de percurso, quanto vão pagar, a rota e, inclusive, já pagam direto pelo aplicativo. E a população quer ter isso, também, no transporte público", afirma Avelleda.


Oferecer melhor controle do tempo, facilidades no pagamento e um serviço de qualidade passa pela modernização do transporte por ônibus, um movimento que já começou. Um exemplo é a adoção do Cartão TOP, desde novembro de 2021, na região metropolitana de São Paulo, quando a ferramenta passou a conectar passageiros que utilizam ônibus intermunicipais e transporte sobre trilhos na cidade, com desconto na integração.


Atualmente, já são mais de 370 milhões de bilhetes QR Codes vendidos e 2,4 milhões de cadastros no aplicativo, o que representa, de acordo com a empresa responsável, 30% do transporte da capital paulista.


Trata-se de um sistema de bilhetagem eletrônica usado para pagamento das viagens mediante a compra de bilhetes QR Code, com o mesmo cartão válido no Metrô, CPTM e ônibus da EMTU, mas que pode ir muito além.



https://mobilidade.estadao.com.br/mobilidade-para-que/para-reconquist ar-passageiros-transporte-por-onibus-precisa-se-modernizar/ 

"Ele explica que, embora, hoje, pareça normal, o nível de informação proporcionado pelo transporte individual por aplicativo elevou o padrão dos deslocamentos de maneira geral." Analise as reescritas a seguir e assinale aquela que não mantém a coerência e coesão textual.
Alternativas
Q4094879 Português
Trecho de reportagem para responder à questão.

    Carta Educação: Há como mensurar o início das fake news? Vivemos uma ascensão das notícias falsas?

    Pollyana Ferrari: As fake news sempre existiram. No meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga. Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, bem como a Guerra dos Mundos, de Orson Welles. Não estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016. O que temos de considerar é a questão da escala. O que mudou é a questão da escala. Com as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos, todo mundo ganhou voz, temos produção de conteúdo via celulares, blogs, influenciadores digitais. E, veja, eu não sou contra esse movimento, é positivo termos outras vozes para além da grande mídia. A questão é que nos grandes veículos há etapas de apuração de informação, um mínimo de checagem, independentemente da linha editorial que sigam. Não estou falando de viés político, mas de etapas de apuração. Com a pulverização, isso se perde. E, sim, estamos em um momento de ascensão das fake news, o que é muito preocupante.

    CE: Qual a relação entre fake news e pós-verdade?

    PF: A pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais, desejos que não têm lastro com o real. Vejo que às vezes as pessoas até têm dimensão de que determinada informação é falsa, mas como isso vai ao encontro do seu desejo, elas compartilham.

    CE: Como isso ganha força e pode ser prejudicial no contexto digital da internet e das redes socias?

     PF: Vamos imaginar duas situações. Um jovem, adaptado à presença nessas plataformas e que acredita mais nos seus amigos e na sua “timeline” do que nos veículos e até em seu professor. Agora, o idoso que, por sua vez, não está acostumado com a presença digital e que vinha de uma relação com a informação em que se preservava uma checagem mínima. Isso parece inofensivo, mas, quando consideramos que só no Facebook há dois bilhões de pessoas, é preocupante. Isso sem contar os aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, um dos mais utilizados pelos brasileiros e um dos disseminadores de fake news em potencial. O que estou querendo dizer é que, geralmente, o dedo é mais rápido que o cérebro, se compartilha muita coisa sem checar informação, sem questionar de onde vem a foto, o vídeo. É preciso ter senso crítico e questionar o que se recebe.

(FERRARI, Pollyana. Entrevista cedida a Ana Luiza Basilio. Carta Capital, São Paulo, 17/04/2018.)
Considerando a resposta dada pela entrevistada às perguntas “Há como mensurar o início das fake news? Vivemos uma ascensão das notícias falsas?” (4º§), pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4094816 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Custo para universalizar água e esgoto nos municípios brasileiros pode variar de R$ 301 a R$ 394 por pessoa


    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identificou custos operacionais para universalizar os serviços de água e esgoto a partir da experiência dos 367 municípios brasileiros mais eficientes em custos e mais efetivos na prestação do serviço. A ideia é que os valores possam servir de referência na estruturação de contratos de concessão para processos competitivos de seleção de fornecedores, uma exigência do Novo Marco do Saneamento (Lei Federal nº 14.026/2020) para municípios que queiram apoio financeiro do governo federal, mas também em programas de universalização baseados em prestação direta.


    “As estimativas de investimentos e custos são essenciais para se auferir em quanto os usuários e contribuintes serão onerados para universalizar os serviços. Neste trabalho, indicamos benchmarks de custos operacionais que possam ser úteis aos gestores, que irão escolher aqueles mais alinhados à realidade do município”, explicou o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Fabiano Pompermayer, que assina o estudo.


    Para a análise, feita a partir da técnica chamada de Envoltória de Dados, foram considerados dados disponíveis no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o nível de cobertura e o de eficiência técnica dos prestadores. Apesar da maior concentração de municípios se situar em estados mais desenvolvidos nos estados de São Paulo e Paraná, há municípios das cinco regiões do país nos grupos de benchmarks.


    Para municípios de até 10 mil habitantes, os valores de referência obtidos foram de R$ 313,05 e R$ 331,23 ao ano por pessoa atendida, a depender dos critérios considerados. Naqueles de 10 a 50 mil habitantes, foram de R$ 300,89 e R$ 328,16. Já nas cidades de 50 a 250 mil habitantes, os custos operacionais foram de R$ 313,92 e R$ 332,47 ao ano por pessoa atendida enquanto nas que têm mais de 250 mil habitantes foram de R$ 386,21 e R$ 393,93 anuais, por pessoa.


    O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) traçou a meta de 99% de domicílios brasileiros com abastecimento de água e 92% com coleta e destinação adequada de esgoto em 2033. Os valores ainda são distantes da realidade do país, que tinha, em 2022, 95,6% das residências abastecidas com água por rede coletora de esgoto ou fossa séptica, de acordo com os índices apurados pelo próprio Plansab.


    A baixa qualidade dos serviços também gera externalidades ambientais preocupantes. Conforme o SNIS, em 2022, 37,8% da água potável disponibilizada foi perdida na distribuição e apenas 52,2% do esgoto coletado foi tratado adequadamente.


Fonte: https://www.ipea.gov.brlportal/categorias/45-todas-

as-noticias/noticias/16109-custo-para-universalizar-agua-e-esgoto-

nos-municipios-mais-eficientes-do-pais-varia-de-r-301-a-r-394-por-

pessoa (adaptado)

No terceiro parágrafo, lê-se: Apesar da maior concentração de municípios que atendiam aos critérios estabelecidos nos estados de São Paulo e Paraná, há municípios das cinco regiões do país nos grupos de benchmarks. Diante disso, a expressão sublinhada estabelece uma relação CORRETA de:
Alternativas
Q4094755 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 

CIRCULAR INTERNA N.º 03/2025

À: Equipe de Assistência Técnica e Gestão

Assunto: Procedimentos de Gestão Documental e Controle de Prazos Administrativos

Em atenção às recomendações do Relatório de Auditoria Interna n.º 12/2024, que identificou fragilidades nos processos de registro, tramitação e arquivamento de documentos administrativos, esta Coordenação determina a adoção dos seguintes procedimentos:

1. Todo documento recebido deverá ser registrado no Sistema de Gestão Documental (SGD) no prazo máximo de vinte e quatro horas a contar do recebimento, sob pena de responsabilização administrativa do servidor responsável pelo setor.

2. Os prazos de tramitação de processos deverão ser monitorados semanalmente, com emissão de relatório consolidado encaminhado à chefia imediata toda sexta-feira até as dezessete horas.

3. O arquivamento de documentos físicos e digitais deverá observar os critérios estabelecidos no Manual de Gestão Documental vigente, disponível no portal interno da instituição.

Solicita-se que os servidores desta Equipe tomem ciência das presentes determinações e confirmem o recebimento por meio do Sistema de Comunicação Interna (SCI) até o prazo de cinco dias úteis a contar da data de publicação desta circular.

Coordenação de Gestão Administrativa

Divisão de Controle e Monitoramento
A circular apresenta uma informação explícita sobre a origem das determinações que veicula. Essa informação, combinada com a leitura do conjunto do documento, permite inferir uma informação implícita sobre a situação anterior à publicação da circular. Assinale a alternativa que identifica corretamente tanto a informação explícita quanto a implícita.
Alternativas
Q4094750 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Governança pública, transparência e o papel do assistente técnico nas organizações estatais

A gestão pública contemporânea opera sob a tensão permanente entre dois imperativos aparentemente contraditórios: a eficiência, que exige racionalização de processos, redução de custos e maximização de resultados; e a legitimidade democrática, que demanda transparência, participação e responsividade perante os cidadãos. Resolver essa tensão não é tarefa de natureza meramente técnica — ela implica escolhas políticas e éticas que atravessam todos os níveis da burocracia estatal, inclusive os cargos de suporte técnico e assistência à gestão.

Nesse contexto, o assistente técnico de gestão ocupa uma posição estratégica, ainda que frequentemente invisibilizada nos organogramas institucionais. É ele quem organiza fluxos documentais, monitora prazos, consolida informações e produz os insumos que alimentam a tomada de decisão dos gestores. A qualidade dessas operações tem impacto direto sobre a capacidade institucional de responder às demandas sociais com tempestividade e precisão. Uma informação incorretamente registrada, um prazo descumprido por ausência de controle ou um documento mal elaborado podem comprometer processos administrativos de consequências amplas e, por vezes, irreversíveis.

A incorporação dos princípios de governança pública — transparência, integridade, prestação de contas e melhoria contínua — à rotina dos cargos técnicos de suporte não representa mera formalidade burocrática. Representa, antes, o reconhecimento de que a qualidade da gestão pública se constrói também nas operações cotidianas que, pela sua aparente invisibilidade, carregam o risco de serem tratadas como tarefas automáticas, destituídas de valor estratégico e de responsabilidade ética.
No terceiro parágrafo, o texto afirma que a incorporação dos princípios de governança à rotina dos cargos técnicos "não representa mera formalidade burocrática. Representa, antes, o reconhecimento de que a qualidade da gestão pública se constrói também nas operações cotidianas". Nesse contexto, pode-se afirmar que o operador argumentativo "antes", tem valor:
Alternativas
Q4094748 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Governança pública, transparência e o papel do assistente técnico nas organizações estatais

A gestão pública contemporânea opera sob a tensão permanente entre dois imperativos aparentemente contraditórios: a eficiência, que exige racionalização de processos, redução de custos e maximização de resultados; e a legitimidade democrática, que demanda transparência, participação e responsividade perante os cidadãos. Resolver essa tensão não é tarefa de natureza meramente técnica — ela implica escolhas políticas e éticas que atravessam todos os níveis da burocracia estatal, inclusive os cargos de suporte técnico e assistência à gestão.

Nesse contexto, o assistente técnico de gestão ocupa uma posição estratégica, ainda que frequentemente invisibilizada nos organogramas institucionais. É ele quem organiza fluxos documentais, monitora prazos, consolida informações e produz os insumos que alimentam a tomada de decisão dos gestores. A qualidade dessas operações tem impacto direto sobre a capacidade institucional de responder às demandas sociais com tempestividade e precisão. Uma informação incorretamente registrada, um prazo descumprido por ausência de controle ou um documento mal elaborado podem comprometer processos administrativos de consequências amplas e, por vezes, irreversíveis.

A incorporação dos princípios de governança pública — transparência, integridade, prestação de contas e melhoria contínua — à rotina dos cargos técnicos de suporte não representa mera formalidade burocrática. Representa, antes, o reconhecimento de que a qualidade da gestão pública se constrói também nas operações cotidianas que, pela sua aparente invisibilidade, carregam o risco de serem tratadas como tarefas automáticas, destituídas de valor estratégico e de responsabilidade ética.
O texto apresenta uma informação implícita sobre a percepção institucional do cargo de assistente técnico de gestão, que sustenta parte da argumentação desenvolvida no segundo e no terceiro parágrafos. Essa informação implícita pode ser assim enunciada: 
Alternativas
Q4094746 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Governança pública, transparência e o papel do assistente técnico nas organizações estatais

A gestão pública contemporânea opera sob a tensão permanente entre dois imperativos aparentemente contraditórios: a eficiência, que exige racionalização de processos, redução de custos e maximização de resultados; e a legitimidade democrática, que demanda transparência, participação e responsividade perante os cidadãos. Resolver essa tensão não é tarefa de natureza meramente técnica — ela implica escolhas políticas e éticas que atravessam todos os níveis da burocracia estatal, inclusive os cargos de suporte técnico e assistência à gestão.

Nesse contexto, o assistente técnico de gestão ocupa uma posição estratégica, ainda que frequentemente invisibilizada nos organogramas institucionais. É ele quem organiza fluxos documentais, monitora prazos, consolida informações e produz os insumos que alimentam a tomada de decisão dos gestores. A qualidade dessas operações tem impacto direto sobre a capacidade institucional de responder às demandas sociais com tempestividade e precisão. Uma informação incorretamente registrada, um prazo descumprido por ausência de controle ou um documento mal elaborado podem comprometer processos administrativos de consequências amplas e, por vezes, irreversíveis.

A incorporação dos princípios de governança pública — transparência, integridade, prestação de contas e melhoria contínua — à rotina dos cargos técnicos de suporte não representa mera formalidade burocrática. Representa, antes, o reconhecimento de que a qualidade da gestão pública se constrói também nas operações cotidianas que, pela sua aparente invisibilidade, carregam o risco de serem tratadas como tarefas automáticas, destituídas de valor estratégico e de responsabilidade ética.
O texto desenvolve uma argumentação que articula dois planos distintos: a descrição de uma tensão estrutural na gestão pública e a localização do cargo de assistente técnico dentro dessa tensão. Considerando a relação entre esses dois planos, assinale a afirmação que descreve a estratégia argumentativa do texto.
Alternativas
Q4094693 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



A equidade de gênero e o combate à fome no Brasil


    Entre 2022 e 2023, a insegurança alimentar e nutricional (lAN) diminuiu 85% no País. Essa é uma das conclusões do relatório O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo 2024. O resultado foi celebrado por representantes do Poder Público e da sociedade civil interessada no tema, sobretudo se se considera que em 2023 a IAN nas formas grave e moderada afetou mais de 2,3 bilhões de seres humanos.


    Entretanto, esse desempenho deve ser comemorado com ressalvas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6% das famílias residentes no País conviveram com algum grau de IAN em 2023; e, dentre estas, 59,4% eram chefiadas por mulheres e 40,6%, por homens - uma diferença de 18,8%. A situação é preocupante, pois naquele ano 51,7% dos domicílios eram liderados por mulheres e 48,3%, por homens uma diferença de 3,4%. Os números demonstram que, assim como em outros países, no Brasil ainda predomina a falta de equidade.


    Uma das principais causas do problema são os óbices a políticas de inclusão das mulheres relacionadas ao acesso a trabalho e a renda, condicionantes do consumo regular de alimentos. A despeito disso, nas últimas décadas o Estado brasileiro tem concebido e implantado políticas públicas que, centradas na inclusão das mulheres, se tornaram referência internacional no combate à IAN. No caso do Programa Bolsa Família, por exemplo, os benefícios são concedidos prioritariamente à mulher; e, quando possível, ela deve ser indicada como responsável pela unidade familiar no ato do cadastramento, além de ser titular de conta bancária especial para receber os benefícios financeiros do programa.


    Outra política pública fundamental é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentiva a compra de alimentos diretamente da agricultura familiar, com atenção especial a produtos cultivados por mulheres. Isso e reforçado pela Lei no 14.660/2023, a qual estabelece que grupos formais e informais de mulheres da agricultura familiar devem ter prioridade na aquisição de alimentos para a merenda escolar.


    Por sua vez, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural inclui ações específicas para mulheres rurais, oferece capacitação e apoio técnico, estimula as mulheres a adotarem práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, com o intuito de aumentar a produção de alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional de suas famílias.


    Técnicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) argumentam que a indicação de uma mulher como responsável familiar no ato da inscrição ou da atualização de registros no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) estimula a autonomia financeira feminina, em especial a partir do momento em que sua família passa a ser alvo de programas executados pelo MDS com base nesse registro público.


    Segundo uma pesquisa da Fundação João Pinheiro realizada em 2012, famílias lideradas por mulheres ganhavam em média 16% menos que as chefiadas por homens; apesar disso, constatou-se que as mulheres dão prioridade aos gastos coletivos e à qualidade das condições estruturais do domicílio - os dispêndios per capita com saúde e nutrição giraram em torno de 107,21 reais contra 90,27 reais nos domicílios chefiados por eles.


    Relativamente à escolha alimentar, autores sustentam que as mulheres geralmente têm maior conhecimento nutricional que os homens. Por sua vez, pesquisas nacionais que utilizam marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável demonstram que os homens têm maior propensão ao consumo de sal, refrigerantes e carnes gordurosas, ao passo que as mulheres tendem a ingerir mais frutas, hortaliças, leites e derivados.


    Estas são algumas das evidências de que políticas públicas que concedem benefícios financeiros a mulheres melhoram as condições de SAN de suas famílias.



Adaptado de: GARNEIRO, C. B.; TROMBKA, I.; PINTO, H. T. V. S.

Equidade e inclusão feminina: a atuação do Congresso Nacional

no contexto das políticas nacionais e internacionais de combate à

fome. Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 63,

n.249,2026.

Considerando a organização das ideias, os recursos argumentativos e os sentidos construídos ao longo do texto, analise as partes que seguem:
(1a parte): O parágrafo final exerce função expositiva, sem retomar ou fortalecer o posicionamento defendido no texto.
(2a parte): A estrutura textual organiza-se a partir da apresentação de um problema social, seguida da exposição de causas, exemplos de políticas públicas e evidências que sustentam a argumentação.
(3a parte): A redução da insegurança alimentar no Brasil é apresentada, no texto, como um avanço relevante, mas insuficiente para eliminar desigualdades estruturais entre homens e mulheres.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4094689 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



A equidade de gênero e o combate à fome no Brasil


    Entre 2022 e 2023, a insegurança alimentar e nutricional (lAN) diminuiu 85% no País. Essa é uma das conclusões do relatório O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo 2024. O resultado foi celebrado por representantes do Poder Público e da sociedade civil interessada no tema, sobretudo se se considera que em 2023 a IAN nas formas grave e moderada afetou mais de 2,3 bilhões de seres humanos.


    Entretanto, esse desempenho deve ser comemorado com ressalvas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6% das famílias residentes no País conviveram com algum grau de IAN em 2023; e, dentre estas, 59,4% eram chefiadas por mulheres e 40,6%, por homens - uma diferença de 18,8%. A situação é preocupante, pois naquele ano 51,7% dos domicílios eram liderados por mulheres e 48,3%, por homens uma diferença de 3,4%. Os números demonstram que, assim como em outros países, no Brasil ainda predomina a falta de equidade.


    Uma das principais causas do problema são os óbices a políticas de inclusão das mulheres relacionadas ao acesso a trabalho e a renda, condicionantes do consumo regular de alimentos. A despeito disso, nas últimas décadas o Estado brasileiro tem concebido e implantado políticas públicas que, centradas na inclusão das mulheres, se tornaram referência internacional no combate à IAN. No caso do Programa Bolsa Família, por exemplo, os benefícios são concedidos prioritariamente à mulher; e, quando possível, ela deve ser indicada como responsável pela unidade familiar no ato do cadastramento, além de ser titular de conta bancária especial para receber os benefícios financeiros do programa.


    Outra política pública fundamental é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentiva a compra de alimentos diretamente da agricultura familiar, com atenção especial a produtos cultivados por mulheres. Isso e reforçado pela Lei no 14.660/2023, a qual estabelece que grupos formais e informais de mulheres da agricultura familiar devem ter prioridade na aquisição de alimentos para a merenda escolar.


    Por sua vez, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural inclui ações específicas para mulheres rurais, oferece capacitação e apoio técnico, estimula as mulheres a adotarem práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, com o intuito de aumentar a produção de alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional de suas famílias.


    Técnicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) argumentam que a indicação de uma mulher como responsável familiar no ato da inscrição ou da atualização de registros no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) estimula a autonomia financeira feminina, em especial a partir do momento em que sua família passa a ser alvo de programas executados pelo MDS com base nesse registro público.


    Segundo uma pesquisa da Fundação João Pinheiro realizada em 2012, famílias lideradas por mulheres ganhavam em média 16% menos que as chefiadas por homens; apesar disso, constatou-se que as mulheres dão prioridade aos gastos coletivos e à qualidade das condições estruturais do domicílio - os dispêndios per capita com saúde e nutrição giraram em torno de 107,21 reais contra 90,27 reais nos domicílios chefiados por eles.


    Relativamente à escolha alimentar, autores sustentam que as mulheres geralmente têm maior conhecimento nutricional que os homens. Por sua vez, pesquisas nacionais que utilizam marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável demonstram que os homens têm maior propensão ao consumo de sal, refrigerantes e carnes gordurosas, ao passo que as mulheres tendem a ingerir mais frutas, hortaliças, leites e derivados.


    Estas são algumas das evidências de que políticas públicas que concedem benefícios financeiros a mulheres melhoram as condições de SAN de suas famílias.



Adaptado de: GARNEIRO, C. B.; TROMBKA, I.; PINTO, H. T. V. S.

Equidade e inclusão feminina: a atuação do Congresso Nacional

no contexto das políticas nacionais e internacionais de combate à

fome. Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 63,

n.249,2026.

No trecho O resultado foi celebrado por representantes do Poder Público e da sociedade civil interessada no tema, sobretudo se se considera que em 2O23 a IAN nas formas grave e moderada afetou mais de 2,3 bilhões de seres humanos, o vocábulo sublinhado atua como um operador argumentativo. A função semântica do termo sobretudo nesse contexto é:
Alternativas
Q4094688 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



A equidade de gênero e o combate à fome no Brasil


    Entre 2022 e 2023, a insegurança alimentar e nutricional (lAN) diminuiu 85% no País. Essa é uma das conclusões do relatório O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo 2024. O resultado foi celebrado por representantes do Poder Público e da sociedade civil interessada no tema, sobretudo se se considera que em 2023 a IAN nas formas grave e moderada afetou mais de 2,3 bilhões de seres humanos.


    Entretanto, esse desempenho deve ser comemorado com ressalvas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6% das famílias residentes no País conviveram com algum grau de IAN em 2023; e, dentre estas, 59,4% eram chefiadas por mulheres e 40,6%, por homens - uma diferença de 18,8%. A situação é preocupante, pois naquele ano 51,7% dos domicílios eram liderados por mulheres e 48,3%, por homens uma diferença de 3,4%. Os números demonstram que, assim como em outros países, no Brasil ainda predomina a falta de equidade.


    Uma das principais causas do problema são os óbices a políticas de inclusão das mulheres relacionadas ao acesso a trabalho e a renda, condicionantes do consumo regular de alimentos. A despeito disso, nas últimas décadas o Estado brasileiro tem concebido e implantado políticas públicas que, centradas na inclusão das mulheres, se tornaram referência internacional no combate à IAN. No caso do Programa Bolsa Família, por exemplo, os benefícios são concedidos prioritariamente à mulher; e, quando possível, ela deve ser indicada como responsável pela unidade familiar no ato do cadastramento, além de ser titular de conta bancária especial para receber os benefícios financeiros do programa.


    Outra política pública fundamental é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentiva a compra de alimentos diretamente da agricultura familiar, com atenção especial a produtos cultivados por mulheres. Isso e reforçado pela Lei no 14.660/2023, a qual estabelece que grupos formais e informais de mulheres da agricultura familiar devem ter prioridade na aquisição de alimentos para a merenda escolar.


    Por sua vez, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural inclui ações específicas para mulheres rurais, oferece capacitação e apoio técnico, estimula as mulheres a adotarem práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, com o intuito de aumentar a produção de alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional de suas famílias.


    Técnicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) argumentam que a indicação de uma mulher como responsável familiar no ato da inscrição ou da atualização de registros no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) estimula a autonomia financeira feminina, em especial a partir do momento em que sua família passa a ser alvo de programas executados pelo MDS com base nesse registro público.


    Segundo uma pesquisa da Fundação João Pinheiro realizada em 2012, famílias lideradas por mulheres ganhavam em média 16% menos que as chefiadas por homens; apesar disso, constatou-se que as mulheres dão prioridade aos gastos coletivos e à qualidade das condições estruturais do domicílio - os dispêndios per capita com saúde e nutrição giraram em torno de 107,21 reais contra 90,27 reais nos domicílios chefiados por eles.


    Relativamente à escolha alimentar, autores sustentam que as mulheres geralmente têm maior conhecimento nutricional que os homens. Por sua vez, pesquisas nacionais que utilizam marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável demonstram que os homens têm maior propensão ao consumo de sal, refrigerantes e carnes gordurosas, ao passo que as mulheres tendem a ingerir mais frutas, hortaliças, leites e derivados.


    Estas são algumas das evidências de que políticas públicas que concedem benefícios financeiros a mulheres melhoram as condições de SAN de suas famílias.



Adaptado de: GARNEIRO, C. B.; TROMBKA, I.; PINTO, H. T. V. S.

Equidade e inclusão feminina: a atuação do Congresso Nacional

no contexto das políticas nacionais e internacionais de combate à

fome. Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 63,

n.249,2026.

Considerando as informações e os argumentos apresentados no texto acerca da relação entre equidade de gênero, políticas públicas e segurança alimentar no Brasil, analise as partes que seguem:
(1a parte): O maior consumo de frutas e hortaliças pelas mulheres está associado ao fato de elas geralmente deterem maior conhecimento nutricional que os homens.
(2a parte): A prioridade conferida às mulheres no Programa Bolsa Família busca fortalecer sua autonomia econômica e ampliar a proteção alimentar da família.
(3a parte):O texto sustenta que a redução da insegurança alimentar entre 2022 e 2023 permitiu considerar o problema plenamente solucionado no Brasil.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4094687 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



A equidade de gênero e o combate à fome no Brasil


    Entre 2022 e 2023, a insegurança alimentar e nutricional (lAN) diminuiu 85% no País. Essa é uma das conclusões do relatório O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo 2024. O resultado foi celebrado por representantes do Poder Público e da sociedade civil interessada no tema, sobretudo se se considera que em 2023 a IAN nas formas grave e moderada afetou mais de 2,3 bilhões de seres humanos.


    Entretanto, esse desempenho deve ser comemorado com ressalvas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6% das famílias residentes no País conviveram com algum grau de IAN em 2023; e, dentre estas, 59,4% eram chefiadas por mulheres e 40,6%, por homens - uma diferença de 18,8%. A situação é preocupante, pois naquele ano 51,7% dos domicílios eram liderados por mulheres e 48,3%, por homens uma diferença de 3,4%. Os números demonstram que, assim como em outros países, no Brasil ainda predomina a falta de equidade.


    Uma das principais causas do problema são os óbices a políticas de inclusão das mulheres relacionadas ao acesso a trabalho e a renda, condicionantes do consumo regular de alimentos. A despeito disso, nas últimas décadas o Estado brasileiro tem concebido e implantado políticas públicas que, centradas na inclusão das mulheres, se tornaram referência internacional no combate à IAN. No caso do Programa Bolsa Família, por exemplo, os benefícios são concedidos prioritariamente à mulher; e, quando possível, ela deve ser indicada como responsável pela unidade familiar no ato do cadastramento, além de ser titular de conta bancária especial para receber os benefícios financeiros do programa.


    Outra política pública fundamental é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentiva a compra de alimentos diretamente da agricultura familiar, com atenção especial a produtos cultivados por mulheres. Isso e reforçado pela Lei no 14.660/2023, a qual estabelece que grupos formais e informais de mulheres da agricultura familiar devem ter prioridade na aquisição de alimentos para a merenda escolar.


    Por sua vez, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural inclui ações específicas para mulheres rurais, oferece capacitação e apoio técnico, estimula as mulheres a adotarem práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, com o intuito de aumentar a produção de alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional de suas famílias.


    Técnicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) argumentam que a indicação de uma mulher como responsável familiar no ato da inscrição ou da atualização de registros no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) estimula a autonomia financeira feminina, em especial a partir do momento em que sua família passa a ser alvo de programas executados pelo MDS com base nesse registro público.


    Segundo uma pesquisa da Fundação João Pinheiro realizada em 2012, famílias lideradas por mulheres ganhavam em média 16% menos que as chefiadas por homens; apesar disso, constatou-se que as mulheres dão prioridade aos gastos coletivos e à qualidade das condições estruturais do domicílio - os dispêndios per capita com saúde e nutrição giraram em torno de 107,21 reais contra 90,27 reais nos domicílios chefiados por eles.


    Relativamente à escolha alimentar, autores sustentam que as mulheres geralmente têm maior conhecimento nutricional que os homens. Por sua vez, pesquisas nacionais que utilizam marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável demonstram que os homens têm maior propensão ao consumo de sal, refrigerantes e carnes gordurosas, ao passo que as mulheres tendem a ingerir mais frutas, hortaliças, leites e derivados.


    Estas são algumas das evidências de que políticas públicas que concedem benefícios financeiros a mulheres melhoram as condições de SAN de suas famílias.



Adaptado de: GARNEIRO, C. B.; TROMBKA, I.; PINTO, H. T. V. S.

Equidade e inclusão feminina: a atuação do Congresso Nacional

no contexto das políticas nacionais e internacionais de combate à

fome. Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 63,

n.249,2026.

Segundo o texto, uma das razões pelas quais políticas públicas direcionadas às mulheres podem produzir impactos positivos sobre a segurança alimentar e nutricional das famílias é que.
Alternativas
Q4093967 Português
ÁGUA: 27 TESES SUBVERSIVAS


Mercantilização avança e multiplica as crises hídricas. Há alternativa: tratar abastecimento como direito universal e converter as fontes em Bens Comuns Globais. Eis um possível caminho. O artigo é de Riccardo Petrella, cientista político e economista italiano com doutorado em ciências políticas e sociais da Universidade de Florença (Itália), publicado por Outras Palavras, 24-03-2018. A tradução é de Inês Castilho.


Segue o texto.


Tese 1. A água é um elemento natural indispensável e insubstituível para todas as formas de vida, todas as espécies vivas (seres humanos, espécies microbianas, vegetais e animais). A água é a própria vida. Enquanto tal ela deve ser salvaguardada e protegida. A vida tem em si um valor absoluto. Ela vale porque ela é. Isso significa que quando se entra no domínio dos direitos não se deve apenas falar do direito humano à água, mas também do direito da própria água à vida, à sua regeneração, sua integridade, seu bom estado ecológico. Fonte de vida, a água é também, não nos esqueçamos, fonte de doenças, de calamidades e de cada vez mais antrópica.

Tese 2. Nenhuma forma de vida pode manter-se sem água. A vida sobre a Terra começou pela água, no meio aquático e só depois fora dele. No plano humano, o recurso à água não é uma questão de escolha ou de preferência em função de necessidades individuais diversas ou modos de vida coletiva, mas uma necessidade vital a ser satisfeita, na igualdade e responsabilidade. A água não é e nem pode ser considerada uma mercadoria, um "recurso"/coisa que se vende ou se compra, apropriável a título privado (quer seja de natureza privada ou pública ou mista). Todo Estado ou organização política internacional intergovernamental que reconheça ou trate a água (e os serviços hídricos) como uma mercadoria apropriável posiciona-se fora do campo do respeito à água como vida e do Estado de direitos. O direito de propriedade privada e pública existe mas estimamos que, no caso da água para a vida, ninguém, nem mesmo o Estado, pode considerar-se proprietário. É necessário sobretudo falar de responsabilidade e de garantia. [...]

Tese 3. Todos os seres humanos e todas as outras espécies vivas têm direito à água na quantidade e qualidade suficientes para a vida. Da mesma forma, para além de qualquer abordagem antropocêntrica e tecnoprodutivista, a água também tem seus direitos à vida, ao seu bom estado ecológico. Daí a importância fundamental de uma política da água a serviço da salvaguarda, do cuidado e da defesa da vida e do direito à vida que vá além das concepções funcionalistas instrumentais da água a serviço da vida e do bem-estar dos seres humanos. Exemplo: o tratamento/descontaminação das águas usadas é essencial no quadro de um manejo sustentável das diferentes fases do ciclo longo da água. Significa não somente para permitir aos outros humanos recaptar a água "boa" regenerada para suas necessidades, mas também permitir a regeneração da água e da vida dos ecossistemas enquanto tais. Assim, é preciso que os investimentos coletivos no tratamento/saneamento da água sejam públicos e, no caso de capitais privados estarem associados, é preciso impedir que as prioridades de investimento nos diferentes setores de tratamento e reciclagem sejam definidos em função dos rendimentos financeiros dos capitais e do princípio "o poluidor paga". Nesse caso, a tendência "natural", em obediência ao princípio da rentabilidade, seria favorecer o tratamento e a reciclagem dos usos mais poluentes da água, o que é incompatível com o princípio da vida.

Tese 4. O princípio "o poluidor paga", imposto e aplicado à água a partir do fim dos anos 1980 deve ser revisto. A experiência demonstra que é ineficaz, inadequado e mistificador. A maioria das poluições e contaminações das águas das últimas décadas fragiliza as estruturas microbianas dos seres vivos, em nível dos indivíduos (inclusive seres humanos), das espécies e dos ecossistemas. Os danos consequentes são em sua maioria irreversíveis, irreparáveis ou demandam longos períodos de tratamento e de custos consideráveis. Nesse caso, impor um pagamento ao poluidor para reparar um dano "existencial" irreparável faz pouco sentido. A opção mais sábia e coerente é simplesmente a proibição de usos poluentes e contaminações irreparáveis. [...]

Tese 8. Cabe aos Estados, assumir a responsabilidade coletiva − em nome do povo, dos povos − da garantia do direito à água potável e ao saneamento, assegurando a cobertura do conjunto de custos monetários (e não monetários) ligados à realização adequada do direito, segundo o princípio da gratuidade. No contexto da economia pública dos direitos humanos, a gratuidade não significa ausência de custos a serem cobertos, mas fica a cargo da comunidade através de tributação geral progressiva e redistributiva. É o caso dos custos, também consideráveis, do direito à segurança. As despesas militares estão a cargo do Estado. Predominante desde os anos 80, esse princípio foi gradual, mas sistematicamente substituído pelo princípio do financiamento da água pelo preço pago pelo consumidor, como qualquer outro bem ou serviço mercantil, industrial, privado. [...]


(Disponível em:
https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/577376-agua-27-teses-su
bversivas. Acesso em: 04 mai. 2026. Adaptado.
Leia o excerto a seguir:

"Assim, é preciso que os investimentos coletivos no tratamento/saneamento da água sejam públicos e, no caso de capitais privados estarem associados, é preciso impedir que as prioridades de investimento nos diferentes setores de tratamento e reciclagem sejam definidos em função dos rendimentos financeiros dos capitais e do princípio 'o poluidor paga'. Nesse caso, a tendência 'natural', em obediência ao princípio da rentabilidade, seria favorecer o tratamento e a reciclagem dos usos mais poluentes da água, o que é incompatível com o princípio da vida.
No excerto, o autor usou o pronome demonstrativo "esse", em destaque, para estabelecer a articulação das ideias, ou seja, através do pronome, retoma-se alguma ideia anterior e introduz-se uma nova, complementando a reflexão. Assim, os pronomes demonstrativos têm forte relação com a coesão textual. Analise o excerto e a articulação da ideias e assinale a alternativa que apresenta corretamente o referente do pronome demonstrativo "esse": 
Alternativas
Q4093966 Português
ÁGUA: 27 TESES SUBVERSIVAS


Mercantilização avança e multiplica as crises hídricas. Há alternativa: tratar abastecimento como direito universal e converter as fontes em Bens Comuns Globais. Eis um possível caminho. O artigo é de Riccardo Petrella, cientista político e economista italiano com doutorado em ciências políticas e sociais da Universidade de Florença (Itália), publicado por Outras Palavras, 24-03-2018. A tradução é de Inês Castilho.


Segue o texto.


Tese 1. A água é um elemento natural indispensável e insubstituível para todas as formas de vida, todas as espécies vivas (seres humanos, espécies microbianas, vegetais e animais). A água é a própria vida. Enquanto tal ela deve ser salvaguardada e protegida. A vida tem em si um valor absoluto. Ela vale porque ela é. Isso significa que quando se entra no domínio dos direitos não se deve apenas falar do direito humano à água, mas também do direito da própria água à vida, à sua regeneração, sua integridade, seu bom estado ecológico. Fonte de vida, a água é também, não nos esqueçamos, fonte de doenças, de calamidades e de cada vez mais antrópica.

Tese 2. Nenhuma forma de vida pode manter-se sem água. A vida sobre a Terra começou pela água, no meio aquático e só depois fora dele. No plano humano, o recurso à água não é uma questão de escolha ou de preferência em função de necessidades individuais diversas ou modos de vida coletiva, mas uma necessidade vital a ser satisfeita, na igualdade e responsabilidade. A água não é e nem pode ser considerada uma mercadoria, um "recurso"/coisa que se vende ou se compra, apropriável a título privado (quer seja de natureza privada ou pública ou mista). Todo Estado ou organização política internacional intergovernamental que reconheça ou trate a água (e os serviços hídricos) como uma mercadoria apropriável posiciona-se fora do campo do respeito à água como vida e do Estado de direitos. O direito de propriedade privada e pública existe mas estimamos que, no caso da água para a vida, ninguém, nem mesmo o Estado, pode considerar-se proprietário. É necessário sobretudo falar de responsabilidade e de garantia. [...]

Tese 3. Todos os seres humanos e todas as outras espécies vivas têm direito à água na quantidade e qualidade suficientes para a vida. Da mesma forma, para além de qualquer abordagem antropocêntrica e tecnoprodutivista, a água também tem seus direitos à vida, ao seu bom estado ecológico. Daí a importância fundamental de uma política da água a serviço da salvaguarda, do cuidado e da defesa da vida e do direito à vida que vá além das concepções funcionalistas instrumentais da água a serviço da vida e do bem-estar dos seres humanos. Exemplo: o tratamento/descontaminação das águas usadas é essencial no quadro de um manejo sustentável das diferentes fases do ciclo longo da água. Significa não somente para permitir aos outros humanos recaptar a água "boa" regenerada para suas necessidades, mas também permitir a regeneração da água e da vida dos ecossistemas enquanto tais. Assim, é preciso que os investimentos coletivos no tratamento/saneamento da água sejam públicos e, no caso de capitais privados estarem associados, é preciso impedir que as prioridades de investimento nos diferentes setores de tratamento e reciclagem sejam definidos em função dos rendimentos financeiros dos capitais e do princípio "o poluidor paga". Nesse caso, a tendência "natural", em obediência ao princípio da rentabilidade, seria favorecer o tratamento e a reciclagem dos usos mais poluentes da água, o que é incompatível com o princípio da vida.

Tese 4. O princípio "o poluidor paga", imposto e aplicado à água a partir do fim dos anos 1980 deve ser revisto. A experiência demonstra que é ineficaz, inadequado e mistificador. A maioria das poluições e contaminações das águas das últimas décadas fragiliza as estruturas microbianas dos seres vivos, em nível dos indivíduos (inclusive seres humanos), das espécies e dos ecossistemas. Os danos consequentes são em sua maioria irreversíveis, irreparáveis ou demandam longos períodos de tratamento e de custos consideráveis. Nesse caso, impor um pagamento ao poluidor para reparar um dano "existencial" irreparável faz pouco sentido. A opção mais sábia e coerente é simplesmente a proibição de usos poluentes e contaminações irreparáveis. [...]

Tese 8. Cabe aos Estados, assumir a responsabilidade coletiva − em nome do povo, dos povos − da garantia do direito à água potável e ao saneamento, assegurando a cobertura do conjunto de custos monetários (e não monetários) ligados à realização adequada do direito, segundo o princípio da gratuidade. No contexto da economia pública dos direitos humanos, a gratuidade não significa ausência de custos a serem cobertos, mas fica a cargo da comunidade através de tributação geral progressiva e redistributiva. É o caso dos custos, também consideráveis, do direito à segurança. As despesas militares estão a cargo do Estado. Predominante desde os anos 80, esse princípio foi gradual, mas sistematicamente substituído pelo princípio do financiamento da água pelo preço pago pelo consumidor, como qualquer outro bem ou serviço mercantil, industrial, privado. [...]


(Disponível em:
https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/577376-agua-27-teses-su
bversivas. Acesso em: 04 mai. 2026. Adaptado.
Analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Ao ler o primeiro parágrafo do texto (em itálico), fica claro para o(a) leitor(a) que se trata de um texto à parte, produzido com o intuito de situá-lo a respeito do que se trata o artigo publicado na sequência. Assim, ele apresenta uma síntese do tema, a partir de como ele foi abordado no artigo, seguido de dados como autor, tradutora, local e data de publicação do original.
(__)O fato de o autor do texto "Água: 27 teses" ser cientista político e economista italiano, tendo desenvolvido sua pesquisa em ciências políticas e sociais na Itália, invalida as teses para o contexto de outras nações, uma vez que cada país tem sua realidade de disponibilidade, manejo, tratamento e políticas a respeito água.
(__)Na Tese 1, o autor defende que a água também tem direito à vida e que não basta discutir o direito humano à água. Isto é, a água é tratada pelo autor como um ser vivo, que precisa ser salvaguardado e protegido, indo além de um olhar funcionalista e instrumental a respeito da água. Esse aspecto é retomado na Tese 3, defendendo a importância fundamental de uma política da água a serviço da salvaguarda, do cuidado e da defesa da vida e do direito à vida.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Respostas
301: C
302: C
303: C
304: C
305: C
306: D
307: B
308: D
309: B
310: D
311: B
312: D
313: B
314: B
315: B
316: B
317: C
318: D
319: A
320: E