Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q1757544 Português

Com base na leitura do texto abaixo, exposto em Carta Capital, (05/02/20), responda à questão.


Golpistas impunes


Brigar contra os ladrões e vigaristas da internet é como enxugar gelo

    

       As informações que chegam pela internet trazem o melhor e o pior dos mundos.

    É desnecessário falar da revolução que a rede trouxe ao universo da cultura, da ciência e da tecnologia. Com poucos toques no teclado consigo ver as coleções do Louvre e do Metropolitan, acessar os avanços do tratamento do câncer, [....]

     Em contrapartida, no esgoto da rede corre tudo o que não presta: exploração sexual de crianças, pornografia que afronta a dignidade feminina, calúnias que destroem reputações e desequilibram processos eleitorais, além de um mundo de mentiras, besteiras e cretinices antes ouvidas apenas por meia dúzia de desocupados, nos botequins. A internet, de fato, deu voz aos imbecis. E aos estelionatários, também. Ladrões que clonam cartões de crédito, roubam senhas de contas bancárias e promovem vendas fictícias, lesam um número incalculável de incautos.

    No meu caso particular, caí na mira de falsários que anunciam, em meu nome, produtos “revolucionários” que apregoam realizar curas milagrosas. Invariavelmente, os anúncios trazem minha fotografia montada ao lado do remédio à venda. [...]

    É evidente que, por razões éticas, nunca fiz nem farei propaganda de qualquer remédio ou medicamento. Pouco tem adiantado deixar uma luz piscando o tempo todo no topo da página principal do meu site, com os dizeres: “O Dr. Drauzio não faz propaganda de remédio. Não compre”. O golpe maior é que anuncia cápsulas para dores nas juntas, que os estelionatários afirmam repor o colágeno desgastado nas cartilagens com o passar dos anos. [...]

    Como denunciamos a farsa no próprio programa, os falsários mudaram o nome do produto, e continuam veiculando o anúncio impunemente.

     Os amigos me perguntam por que não processo essa gente. Eu gostaria de vê-los na cadeia, são ladrões, mas não há como. Porque a autoria vem de perfis falsos e sites ancorados no exterior.

     Quando consigo que o Facebook tire do ar (tarefa que não é fácil), no dia seguinte é publicado outro perfil tão falso quanto o anterior. É enxugar gelo.

Analise as afirmações a seguir, a respeito da construção de determinadas estruturas oracionais que formam o texto.


I- Na oração: “A internet, de fato, deu voz aos imbecis”, o uso da expressão “de fato” imprime à frase um tom de certeza, evidenciando a atitude do sujeito-autor em relação ao seu dizer.

II- Na oração: “E aos estelionatários, também”, houve a elipse do verbo “dar”, seja porque este apareceu no contexto anterior, seja devido à presença do advérbio “também”, que permite a recuperação da informação.

III- A informação que aparece em parêntese, estando intercalada, no último parágrafo é uma estratégia usada para inserir uma avaliação/ressalva do sujeito-autor; por meio dela, o autor atribui toda responsabilidade dos golpes ao facebook.

IV- Em: “Pouco tem adiantado deixar uma luz piscando o tempo todo no topo da página principal do meu site, com os dizeres:”, seria possível substituir a forma verbal “tem adiantado” por “adiantou” sem que acarretasse prejuízo quanto à informação ou à intenção comunicativa.


É CORRETO o que se afirma em

Alternativas
Q1757535 Português

No texto abaixo, identificamos variados recursos de coesão referencial e sequencial. Leia-o com atenção e responda à questão:


O LUXO NÃO É LIXO 

    

    Uma batalha contra o desperdício das grifes de luxo está sendo travada na França. Combatê-lo é decisão sensata, uma vez que a produção fashion tem significativo impacto ambiental no planeta: é responsável por aproximadamente 8% das emissões de gases de efeito estufa no planeta. Ganhá-la não é, no entanto, tarefa fácil, porque esse setor movimenta bilhões de euros anualmente e é o segundo mais lucrativo do país. Influente, essa indústria produz objetos desejados em todo o mundo e modifica-la, portanto, significa incomodar muita gente, e de peso. Apesar das dificuldades, um nome se destaca nessa guerra: Brune Poirson, de 37 anos. Oficialmente chefe de uma Secretaria do Estado dentro do Ministério da Ecologia, a francesa já é chamada de “ministra da moda”, não pelo bom gosto ao se vestir, mas principalmente porque resolveu enfrentar esse setor gigante.

    Desde que assumiu o cargo, há três anos, Brune vem elaborando medidas para isso, como o texto da “lei de desperdício zero”, que visa implantar uma economia circular. A ideia é proibir que produtos não vendidos sejam incinerados, como ocorre hoje no país. Os números são exorbitantes: anualmente as marcas destroem 650 milhões de euros em artigos de luxo que sobram nos estoques, prática usada para evitar que eles se desvalorizem e assim garantir sua exclusividade, principal característica que lhes confere valor alto de venda. Mas a proposta da secretária vai além: prevê eliminar a utilização de plásticos descartáveis depois de 2021 e microplásticos em cosméticos, e obrigar que máquinas de lavar industriais usem filtros. (Isto É- 05/02/2020)

Avalie as afirmações a seguir quanto ao emprego dos elementos de sequenciação, responsáveis por estabelecer relações semânticas entre as ideias, e assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso.


( ) Em: “Combatê-lo é decisão sensata, uma vez que a produção fashion tem significativo impacto ambiental no planeta”, depreende-se da combinação das orações uma relação de consequência.

( ) Em: “[...] a francesa já é chamada de “ministra da moda”, não pelo bom gosto ao se vestir, mas principalmente porque resolveu enfrentar esse setor gigante”, tem-se a indicação de duas razões para a atribuição do título à ministra, dando-se destaque à segunda.

( ) Em: “Desde que assumiu o cargo, há três anos, Brune vem elaborando medidas para isso, como o texto da 'lei de desperdício zero'”, que deduz-se uma relação de condição entre as orações.

( ) Em: “[...] Mas a proposta da secretária vai além: prevê eliminar a utilização de plásticos descartáveis depois de 2021 e [...],” a informação introduzida pelo MAS ao mesmo tempo nega a limitação da proposta e introduz uma ressalva, estabelecendo um nexo retrospectivo e prospectivo.


A sequência CORRETA de preenchimento é:

Alternativas
Q1757534 Português

No texto abaixo, identificamos variados recursos de coesão referencial e sequencial. Leia-o com atenção e responda à questão:


O LUXO NÃO É LIXO 

    

    Uma batalha contra o desperdício das grifes de luxo está sendo travada na França. Combatê-lo é decisão sensata, uma vez que a produção fashion tem significativo impacto ambiental no planeta: é responsável por aproximadamente 8% das emissões de gases de efeito estufa no planeta. Ganhá-la não é, no entanto, tarefa fácil, porque esse setor movimenta bilhões de euros anualmente e é o segundo mais lucrativo do país. Influente, essa indústria produz objetos desejados em todo o mundo e modifica-la, portanto, significa incomodar muita gente, e de peso. Apesar das dificuldades, um nome se destaca nessa guerra: Brune Poirson, de 37 anos. Oficialmente chefe de uma Secretaria do Estado dentro do Ministério da Ecologia, a francesa já é chamada de “ministra da moda”, não pelo bom gosto ao se vestir, mas principalmente porque resolveu enfrentar esse setor gigante.

    Desde que assumiu o cargo, há três anos, Brune vem elaborando medidas para isso, como o texto da “lei de desperdício zero”, que visa implantar uma economia circular. A ideia é proibir que produtos não vendidos sejam incinerados, como ocorre hoje no país. Os números são exorbitantes: anualmente as marcas destroem 650 milhões de euros em artigos de luxo que sobram nos estoques, prática usada para evitar que eles se desvalorizem e assim garantir sua exclusividade, principal característica que lhes confere valor alto de venda. Mas a proposta da secretária vai além: prevê eliminar a utilização de plásticos descartáveis depois de 2021 e microplásticos em cosméticos, e obrigar que máquinas de lavar industriais usem filtros. (Isto É- 05/02/2020)

Analise as proposições com relação ao emprego das formas referenciais e avalie a sua veracidade.


I- Os pronomes oblíquos “O” e “A”, presentes em: “combatê-lo é decisão sensata” (L.1) e “ganhá-la não é, no entanto, tarefa fácil” (L.3), retomam os conteúdos “desperdício das grifes de luxo” e “batalha contra o desperdício”.

II- As expressões “esse setor” (L.3) e “nessa guerra” (L.5) recuperam respectivamente os seguintes conteúdos: “mercado de grife de luxo” e “luta contra o desperdício”.

III- Em: “prática usada para evitar que eles se desvalorizem”, (L.12) o referente do pronome pessoal “ELES” é “estoques”.

IV- Em: “característica que lhes confere valor alto de venda”, (L.12) e (L.13) o referente do pronome oblíquo “LHES” é “números exorbitantes”.


É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q1755246 Português
Borderline: o transtorno que faz pessoas irem
do "céu ao inferno" em horas
Tatiana Pronin
Uma alegria contagiante pode se transformar em tristeza profunda em um piscar de olhos porque alguém "pisou na bola". O amor intenso vira ódio profundo, porque a atitude foi interpretada como traição; o sentimento sai de controle e se traduz em gritos, palavrões e até socos. E, então, bate uma culpa enorme e o medo de ser abandonado, como sempre. Dá vontade de se cortar, de beber e até de morrer, porque a dor, o vazio e a raiva de si mesmo são insuportáveis. As emoções e comportamentos exaltados podem dar uma ideia do que vive alguém com transtorno de personalidade borderline (ou "limítrofe").
 Reconhecido como um dos transtornos mais lesivos, leva a episódios de automutilação, abuso de substâncias e agressões físicas. Além disso, cerca de 10% dos pacientes cometem suicídio. Além da montanha-russa emocional e da dificuldade em controlar os impulsos, o borderline tende a enxergar a si mesmo e aos outros na base do "tudo ou nada", o que torna as relações familiares, amorosas, de amizade e até mesmo a com o médico ou terapeuta extremamente desgastantes.
Muitos comportamentos do "border" (apelido usado pelos especialistas) lembram os de um jovem rebelde sem tolerância à frustração. Mas, enquanto um adolescente problemático pode melhorar com o tempo ou depois de uma boa terapia, o adulto com o transtorno parece alguém cujo lado afetivo não amadurece nunca.
Ainda que seja inteligente, talentoso e brilhante no que faz, reage como uma criança ao se relacionar com os outros e com as próprias emoções — o que os psicanalistas chamam de "ego imaturo". Em muitos casos, o transtorno fica camuflado entre outros, como o bipolar, a depressão e o uso abusivo de álcool, remédios e drogas ilícitas.
De forma resumida, um transtorno de personalidade pode ser descrito como um jeito de ser, de sentir, se perceber e se relacionar com os outros que foge do padrão considerado "normal" ou saudável. Ou seja, causa sofrimento para a própria pessoa e/ou para os outros. Enquadrar um indivíduo em uma categoria não é fácil — cada pessoa é um universo, com características próprias. [...]
O diagnóstico é bem mais frequente entre as mulheres, mas estudos sugerem que a incidência seja igual em ambos os sexos. O que acontece é que elas tendem a pedir mais socorro, enquanto os homens são mais propensos a se meter em encrencas, ir para a cadeira ou até morrer mais precocemente por causa de comportamentos de risco. Quase sempre o transtorno é identificado em adultos jovens e os sintomas tendem a se tornar atenuados com o passar da idade.
Transtornos de personalidade são diferentes de transtornos mentais (como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, psicose etc.), embora seja difícil para leigos e desafiante até para especialistas fazer essa distinção, já que sobreposições ou comorbidades (existência de duas ou mais condições ao mesmo tempo) são muito frequentes. Não é raro que o borderline desenvolva transtorno bipolar, depressão, transtornos alimentares (em especial a bulimia), estresse pós-traumático, déficit de atenção/hiperatividade e transtorno por abuso de substâncias, entre outros. [...]
O paciente borderline sofre os períodos de instabilidade mais intensos no início da vida adulta. Há situações de crise, ou maior descontrole, que podem até resultar em internações porque o paciente coloca sua própria vida ou a dos outros em risco. Por volta dos 40 ou 50 anos, a maioria dos "borders" melhora bastante, probabilidade que aumenta se o paciente se engaja no tratamento. [...]
 A personalidade envolve não só aspectos herdados, mas também aprendidos, por isso a melhora é possível, ainda que seja difícil de acreditar no início. Se a psicoterapia é importante para ajudar o bipolar a identificar uma virada e evitar perdas, no transtorno de personalidade ela é o carro-chefe do tratamento. [...]
Medicamentos ajudam a aliviar os sintomas depressivos, a agressividade e o perfeccionismo exagerado, e são ainda mais importantes quando existe um transtorno mental associado. Os fármacos mais utilizados são os antidepressivos (flluoxetina, escitalopram, venlafaxina etc.), os estabilizadores de humor (lítio, lamotrigina, ácido valproico etc.), os antipsicóticos (olanzapina, risperidona, quietiapina etc.) e, em situações pontuais, sedativos ou remédios para dormir (clonazepan, diazepan, alprazolan etc.). Esses últimos costumam ser até solicitados pelos pacientes, mas devem ser evitados ao máximo, porque podem afrouxar o controle dos impulsos, assim como o álcool, além de causarem dependência. [...]
Disponível em:
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/04/16/borderlinea-doenca-que-faz-10-dos-diagnosticados-cometerem-suicidio.htm. Acesso em: 04 jan. 2021. 
Ainda em relação ao trecho “Esses últimos costumam ser até solicitados pelos pacientes, mas devem ser evitados ao máximo, porque podem afrouxar o controle dos impulsos, assim como o álcool, além de causarem dependência.”, os verbos destacados retomam a expressão “Esses últimos” e fazem referência a ela por meio de
Alternativas
Q1755105 Português
Segundo Fiorin, argumentos são razões contra determinada tese ou a favor dela, com vistas a persuadir o outro de que ela é justa ou injusta, moral ou imoral, benéfica ou prejudicial, etc.

Sobre coesão e coerência textual, afirma-se que:
I. Para Fiorin, a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto chama-se coesão textual, a qual é manifestada por elementos formais, que assinalam o vínculo entre os componentes do texto. Para o autor, há dois tipos de mecanismos de coesão: a retomada de termos, expressões ou frases já ditos ou sua antecipação; e o encadeamento de segmentos do texto.
II. Para Koch, os recursos de coesão textual são elementos da língua que têm por função precípua estabelecer relações textuais.
III. Para Halliday e Hasan, a coesão ocorre sempre quando a interpretação de algum elemento no discurso é independente da de outro. Não ocorre relação de pressuposição entre os termos no que tange à decodificação da relação de significação.
IV. A coerência, para Koch, está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é o que faz com o texto tenha sentido para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o sentido do texto.
Quais estão corretas?
Alternativas
Q1754222 Português

TEXTO 01

O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

DE REPENTE TUDO FICOU TÃO SIMPLES, MAS TÃO ASSUSTADOR!

(1o§) De repente, tudo vai ficando tão simples que assusta. Vamos perdendo algumas necessidades, antes fundamentais, e que hoje chegam a ser insignificantes.

(2o§) De repente, tudo se torna surpreendente diante da simplicidade! Simplicidade assustadoras! Vamos reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e as pessoas que valem a pena. Tudo tão inócuo na excessiva simplicidade! Tão excessivamente sem sentido!

(3o§) As opiniões dos outros são unicamente dos outros e, mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. Tudo tão inesperado, tão de repente! Tão inusitado!

(4o§) De repente, tão repentinamente, vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada... e isso não faz a menor falta.

(5o§) De repente, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só isto mesmo!

(Mário Quintana) - (Adaptado) 

(Mário Quintana) - (Adaptado)

Sobre o teor discursivo, analise as proposições com (V) verdadeiro ou (F) falso.

(__)O advérbio: "tão" pode ser substituído por "assaz" sem alterar o sentido semântico contextual e a conjunção: "mas" tem o mesmo sentido contextual de: "porém".

(__)A repetição da expressão: "De repente" comprova o uso de anáfora.

(__)As palavras: "coração", "não", "tão" usam o til apenas para comprovar sua tonicidade oxítona.

(__)A oração: "Vamos perdendo algumas necessidades, antes fundamentais, ..." está escrita com sujeito elíptico ou desinencial; objeto direto e vírgula intercalando informação adicional.

(__)A oração: "As opiniões dos outros são unicamente dos outros" está escrita com os termos essenciais (sujeito e predicado) dispostos na ordem direta.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima:

Alternativas
Q1753948 Português
Texto CB1A1-I
    Não estamos opondo máquinas a ecologia, como se as máquinas fossem aquelas coisas que só servem para violentar a Mãe Natureza e violar a harmonia entre o ser humano e a natureza ― uma imagem atribuída à tecnologia desde o fim do século XVIII. Também não estamos seguindo a hipótese de Gaia de que a Terra é um único superorganismo ou uma coletividade de organismos. Em vez disso, gostaria de propor uma reflexão sobre a ecologia das máquinas. Para dar início a essa ecologia das máquinas, precisamos primeiro voltar ao conceito de ecologia. Seu fundamento está na diversidade, já que é apenas com biodiversidade (ou multiespécies que incluam todas as formas de organismos, até mesmo bactérias) que os sistemas ecológicos podem ser conceitualizados. A fim de discutir uma ecologia de máquinas, precisaremos de uma noção diferente e em paralelo com a de biodiversidade ― uma noção a que chamamos tecnodiversidade. A biodiversidade é o correlato da tecnodiversidade, uma vez que sem esta só testemunharemos o desaparecimento de espécies diante de uma racionalidade homogênea. Tomemos como exemplo os pesticidas, que são feitos para matar certa espécie de insetos independentemente de sua localização geográfica, precisamente porque são baseados em análises químicas e biológicas. Sabemos, no entanto, que o uso de um mesmo pesticida pode levar a diversas consequências desastrosas em biomas diferentes. Antes da invenção dessas substâncias, empregavam-se diferentes técnicas para combater os insetos que ameaçavam as colheitas dos produtos agrícolas ― recursos naturais encontrados na região, por exemplo. Ou seja, havia uma tecnodiversidade antes do emprego de pesticidas como solução universal. Os pesticidas aparentam ser mais eficientes a curto prazo, mas hoje é fato bastante consolidado que estávamos o tempo todo olhando para os nossos pés quando pensávamos em um futuro longínquo. Podemos dizer que a tecnodiversidade é, em essência, uma questão de localidade. Localidade não significa necessariamente etnocentrismo ou nacionalismo, mas é aquilo que nos força a repensar o processo de modernização e de globalização e que nos permite refletir sobre a possibilidade de reposicionar as tecnologias modernas.
Yuk Hui. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020, p. 122-123 (com adaptações).

Ainda com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item. 
A forma pronominal “Seu”, na oração “Seu fundamento está na diversidade” (quinto período), tem como referente o termo “ecologia das máquinas”, apresentado no período imediatamente anterior.
Alternativas
Q1753947 Português
Texto CB1A1-I
    Não estamos opondo máquinas a ecologia, como se as máquinas fossem aquelas coisas que só servem para violentar a Mãe Natureza e violar a harmonia entre o ser humano e a natureza ― uma imagem atribuída à tecnologia desde o fim do século XVIII. Também não estamos seguindo a hipótese de Gaia de que a Terra é um único superorganismo ou uma coletividade de organismos. Em vez disso, gostaria de propor uma reflexão sobre a ecologia das máquinas. Para dar início a essa ecologia das máquinas, precisamos primeiro voltar ao conceito de ecologia. Seu fundamento está na diversidade, já que é apenas com biodiversidade (ou multiespécies que incluam todas as formas de organismos, até mesmo bactérias) que os sistemas ecológicos podem ser conceitualizados. A fim de discutir uma ecologia de máquinas, precisaremos de uma noção diferente e em paralelo com a de biodiversidade ― uma noção a que chamamos tecnodiversidade. A biodiversidade é o correlato da tecnodiversidade, uma vez que sem esta só testemunharemos o desaparecimento de espécies diante de uma racionalidade homogênea. Tomemos como exemplo os pesticidas, que são feitos para matar certa espécie de insetos independentemente de sua localização geográfica, precisamente porque são baseados em análises químicas e biológicas. Sabemos, no entanto, que o uso de um mesmo pesticida pode levar a diversas consequências desastrosas em biomas diferentes. Antes da invenção dessas substâncias, empregavam-se diferentes técnicas para combater os insetos que ameaçavam as colheitas dos produtos agrícolas ― recursos naturais encontrados na região, por exemplo. Ou seja, havia uma tecnodiversidade antes do emprego de pesticidas como solução universal. Os pesticidas aparentam ser mais eficientes a curto prazo, mas hoje é fato bastante consolidado que estávamos o tempo todo olhando para os nossos pés quando pensávamos em um futuro longínquo. Podemos dizer que a tecnodiversidade é, em essência, uma questão de localidade. Localidade não significa necessariamente etnocentrismo ou nacionalismo, mas é aquilo que nos força a repensar o processo de modernização e de globalização e que nos permite refletir sobre a possibilidade de reposicionar as tecnologias modernas.
Yuk Hui. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020, p. 122-123 (com adaptações).

Ainda com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item. 
No trecho “é apenas com biodiversidade (ou multiespécies que incluam todas as formas de organismos, até mesmo bactérias) que os sistemas ecológicos podem ser conceitualizados”, a oração “que incluam todas as formas de organismos” restringe o sentido do termo “multiespécies”, enquanto todo o segmento entre parênteses especifica a ideia de “biodiversidade” veiculada no texto.
Alternativas
Q1753246 Português

TEXTO 01

O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

COMUNICAÇÃO: AFINAL, PARA QUE SERVE ISSO?

(1o§) A comunicação e a educação estão intimamente ligadas. A comunicação é a forma de expressar o que se quer dizer, com um determinado conhecimento, para alguém que quer compreender a mensagem a ser dita. Já a educação, por meio de um processo de formação, torna o indivíduo apto a organizar as ideias e, a partir daí, comunicar-se de forma eficiente.

(2o§) Nós só vamos nos comunicar bem se organizarmos nossas ideias de forma clara e direta, com um aprendizado que nos dê conhecimento sobre o que queremos expressar, utilizando uma linguagem adequada. No caso específico da radiodifusão comunitária, o papel do rádio e a defesa do direito à transmissão por radiofrequência têm uma importância central para o avanço das identidades populares.

(3o§) Este veículo sempre teve o potencial para cumprir este papel, sendo por diversas vezes instrumentalizado por governos. E mesmo sob estes controles, o que se verificou foi a manifestação da cultura popular, ainda que emaranhada com o chamado populismo.

(4o§) São protagonistas da comunicação social aqueles que exercem o direito de se comunicar. Partindo da lógica da relação emissor-receptor, observamos que os comunicadores comunitários ocupam o papel de encurtar a distância no processo comunicacional.

(5o§) Esta capacidade atua em todas as esferas da vida. A rádio e a produção integrada de audiovisual de baixo custo potencializam os empreendimentos econômicos da região sob cobertura da emissora comunitária. Muitas vezes, uma iniciativa de economia dentro da mais plena informalidade, mas com muitos frequentadores de uma região metropolitana periférica, ganha legitimação quando anunciada em uma rádio comunitária. hha.pddf) ebresearch.files.wordpress.com/2009/07/cartilha.pdf)

http://webresearch.files.wordpress.com/2009/07/cartilha.pdf

Analise as assertivas com (V) verdadeiro ou (F) falso.

(__)O primeiro período do (1o§) é simples, o sujeito é composto e o predicado é nominal.

(__)No (1o§), há um termo que faz relação de sentido com: "interiormente", "intrinsecamente".

(__)No (2o§), dentre seus termos constitutivos, identificamos: sujeito simples representado por pronome pessoal do caso reto; uso de próclise; antônimo de "mal"; elementos coesivo conjuntivo com ideia condicional; verbo conjugado no presente do modo subjuntivo.

(__)Na numeração crescente do trecho do (2o§): "E mesmo sob1 estes controles, o que se verificou2 foi a manifestação da cultura popular, ainda que3 emaranhada com o chamado populismo". Comprovamos palavra e expressões coesivas conjuntivas.

(__)Na expressão "torna o indivíduo apto a organizar", a preposição é imposta pela regência nominal.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima:

Alternativas
Q1752543 Português

Observe o seguinte período e responda à questão:

Todo mundo acha que se vira bem no Inglês, mas na vida real não é bem assim.

Assinale a alternativa verdadeira quanto ao período exposto.

Alternativas
Q1751413 Português

Texto 2A1-I


    Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.

     Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.

     Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.

Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro,

Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).

Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.


No sétimo período do primeiro parágrafo, a forma “lhe” desempenha a função de complemento indireto da forma verbal “mostrasse” e funciona como elemento de coesão ao retomar o personagem da narrativa.

Alternativas
Q1751411 Português

Texto 2A1-I


    Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.

     Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.

     Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.

Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro,

Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.


Os vocábulos “Claro” e “arejado” (ao final do primeiro parágrafo) fazem referência a “navio”, vocábulo que os antecede no período anterior.

Alternativas
Q1751410 Português

Texto 2A1-I


    Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.

     Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.

     Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.

Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro,

Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.


O termo “ali” (quinto período do segundo parágrafo) refere-se a “aquela casa” (primeiro período do texto).

Alternativas
Q1750348 Português
Texto CB1A1-I

   Desde que o almirante Pedro Álvares Cabral oficialmente descobriu a Terra de Santa Cruz, em abril de 1500, o primeiro português a estabelecer uma marca na história mineral do Brasil foi Martim Afonso de Souza. Depois de fundar a pequena vila de São Vicente, no litoral de São Paulo, a primeira base estabelecida na América portuguesa, no ano de 1531, ele tentou descobrir ouro, prata e pedras preciosas antes de sua partida para Lisboa. Esse plano visava confirmar notícias trazidas por quatro homens de sua comitiva sobre a existência de minas abundantes em ouro e prata na região do Rio Paraguai. Sob essa orientação, três expedições foram realizadas, todas em 1531: nas montanhas ao longo da costa do Rio de Janeiro, ao sul do estado de São Paulo e no Rio da Prata, mais ao sul.
   No entanto, as primeiras iniciativas para descoberta de metais e pedras preciosas em terras brasileiras falharam, devido às dificuldades daquela época. Apesar disso, o desejo de descobrir riquezas minerais se manteve entre os habitantes da nova colônia, estimulados pela corte portuguesa, que oferecia promessas de honra e reconhecimento para aqueles que encontrassem tais riquezas.
   Durante todo o século XVI, os portugueses usaram recursos financeiros, trabalho, soldados, artesãos de todos os tipos (cortadores, mineiros, construtores e até mesmo engenheiros estrangeiros) nos trabalhos de pesquisa das expedições, sob a supervisão dos governadores. Mas, infelizmente, o que foi encontrado não estava à altura do que foi despendido. Mesmo os mais positivos resultados tiveram pouco significado econômico, tanto em termos de quantidade quanto de teor dos metais. Os depósitos eram, além de pobres, localizados em lugares remotos. Concluindo, quase candidamente, que as descobertas naquele século eram desapontadoras, o governador-geral Diogo de Meneses Sequeira escreveu uma carta ao rei, afirmando que “sua Alteza precisa acreditar que as atuais minas do Brasil são compostas por açúcar e pau-brasil, muito lucrativos e com os quais o Tesouro e sua Alteza não precisam gastar um simples centavo”.

Iran F. Machado e Silvia F. de M. Figueirôa. 500 anos de mineração no Brasil: breve histórico. Parte I. In: Brasil Mineral. São Paulo, n.º 186, p. 44-47, ago./2000 (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.
A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso o trecho “o que foi encontrado não estava à altura do que foi despendido” (terceiro parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: o que se encontrou não estava à altura do que se despendeu.
Alternativas
Q1750346 Português
Texto CB1A1-I

   Desde que o almirante Pedro Álvares Cabral oficialmente descobriu a Terra de Santa Cruz, em abril de 1500, o primeiro português a estabelecer uma marca na história mineral do Brasil foi Martim Afonso de Souza. Depois de fundar a pequena vila de São Vicente, no litoral de São Paulo, a primeira base estabelecida na América portuguesa, no ano de 1531, ele tentou descobrir ouro, prata e pedras preciosas antes de sua partida para Lisboa. Esse plano visava confirmar notícias trazidas por quatro homens de sua comitiva sobre a existência de minas abundantes em ouro e prata na região do Rio Paraguai. Sob essa orientação, três expedições foram realizadas, todas em 1531: nas montanhas ao longo da costa do Rio de Janeiro, ao sul do estado de São Paulo e no Rio da Prata, mais ao sul.
   No entanto, as primeiras iniciativas para descoberta de metais e pedras preciosas em terras brasileiras falharam, devido às dificuldades daquela época. Apesar disso, o desejo de descobrir riquezas minerais se manteve entre os habitantes da nova colônia, estimulados pela corte portuguesa, que oferecia promessas de honra e reconhecimento para aqueles que encontrassem tais riquezas.
   Durante todo o século XVI, os portugueses usaram recursos financeiros, trabalho, soldados, artesãos de todos os tipos (cortadores, mineiros, construtores e até mesmo engenheiros estrangeiros) nos trabalhos de pesquisa das expedições, sob a supervisão dos governadores. Mas, infelizmente, o que foi encontrado não estava à altura do que foi despendido. Mesmo os mais positivos resultados tiveram pouco significado econômico, tanto em termos de quantidade quanto de teor dos metais. Os depósitos eram, além de pobres, localizados em lugares remotos. Concluindo, quase candidamente, que as descobertas naquele século eram desapontadoras, o governador-geral Diogo de Meneses Sequeira escreveu uma carta ao rei, afirmando que “sua Alteza precisa acreditar que as atuais minas do Brasil são compostas por açúcar e pau-brasil, muito lucrativos e com os quais o Tesouro e sua Alteza não precisam gastar um simples centavo”.

Iran F. Machado e Silvia F. de M. Figueirôa. 500 anos de mineração no Brasil: breve histórico. Parte I. In: Brasil Mineral. São Paulo, n.º 186, p. 44-47, ago./2000 (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.
No trecho “oferecia promessas de honra e reconhecimento para aqueles que encontrassem tais riquezas” (segundo parágrafo), o termo “aqueles” poderia ser substituído por quem, sem prejuízo da correção gramatical do texto.
Alternativas
Q1749645 Português
Para responder a questão, leia o fragmento do texto abaixo do romance A Metamorfose, de Franz Kafka.

    Aqueles foram bons tempos, mas que não se repetiram – ao menos, não com a mesma intensidade –, embora, de toda forma, Gregor ganhasse o suficiente para arcar sozinho com as necessidades domésticas. À medida que tudo isso foi se tornando costumeiro, a surpresa e a alegria inicial arrefeceram e, assim, Gregor entregava o dinheiro com prazer espontâneo e a família, de bom grado, recebia. Apenas a irmã permanecia mais próxima e afetuosa e, como ela, ao contrário de Gregor, era amante da música e sabia tocar violino com muita graça, ele tinha planos de enviá-la para o Conservatório no ano seguinte, sem importar-se com os gastos extras que isso acarretaria. Em conversas com a irmã, nos curtos períodos em que ficava sem viajar, sempre mencionava o projeto (que ela considerava lindo, mas impossível de se concretizar), enquanto os pais demonstravam não aprovar nem um pouco a ideia. Contudo, Gregor pensava muito seriamente nisso e pretendia anunciá-lo solenemente na noite de Natal. 

    Todos esses pensamentos, agora inúteis, fervilhavam em sua cabeça, enquanto ele escutava as conversas, colado à porta. De vez em quando o cansaço obrigava-o a desligar-se, apoiando pesadamente a cabeça na porta, mas logo recuperava a prontidão, pois sabia que qualquer ruído era ouvido na sala e fazia com que todos se calassem. “Novamente aprontando alguma coisa”, dizia o pai instantes depois, certamente olhando para a porta. Passado algum tempo, eles continuavam a trocar palavras entre si. 

    Na conversa sobre as finanças da família, o pai redundava nas explicações – seja porque há tempos não se ocupava disso, seja porque a mãe tinha dificuldades para entender –, e Gregor, com satisfação, tomou conhecimento de que, a despeito da desgraça que haviam sofrido, restava-lhes algum capital, que, se não era muito, ao menos tinha crescido nos últimos anos por conta dos rendimentos de juros acumulados. Além disso, o dinheiro que Gregor entregava (retinha apenas uma pequeníssima parte) não era gasto integralmente, e pouco a pouco ampliava o montante economizado. De onde estava, ele aprovou, com a cabeça, o procedimento, contente com a inesperada provisão feita pelo pai. Era verdade que aquele dinheiro poderia ter paulatinamente saldado a dívida que o pai tinha com seu patrão, livrando-o daquele constrangimento. Não obstante, ele julgou que pai havia procedido corretamente.

(KAFKA, Franz. A Metamorfose. Trad. Lourival Holt Albuquerque. São Paulo: Abril, 2010, p.40-41)
Na frase “Contudo, Gregor pensava muito seriamente nisso e pretendia anunciá-lo solenemente na noite de Natal” (1º§), ocorrem dois pronomes. Sobre eles, é correto afirmar que:
Alternativas
Ano: 2021 Banca: FGV Órgão: IMBEL Prova: FGV - 2021 - IMBEL - Cargos de Nível Médio |
Q1749381 Português

Há um erro de construção na frase a seguir.


“Nenhum bem pode fundamentar-se na força, mesmo que a força fosse divina.”


Assinale a opção que o indica.

Alternativas
Ano: 2021 Banca: FGV Órgão: IMBEL Prova: FGV - 2021 - IMBEL - Cargos de Nível Fundamental |
Q1749349 Português
Obs.: Esta prova foi formulada com base em pequenos cartazes encontrados no nosso dia a dia, com destaque da sua interpretação e compreensão. 

Prezados clientes: em função da greve dos caminhoneiros,

é possível que haja indisponibilidade de alguns produtos.


Esse cartaz, colocado à porta de um supermercado, ficaria mais bem escrito do seguinte modo:

Alternativas
Q1749250 Português
Em homenagem ao cartunista argentino Quino, leia as tirinhas da Mafalda abaixo e responda à questão.

Imagem associada para resolução da questão

Fonte:http://www.universodosleitores.com/2018/10/

                   mafalda-em-10-tirinhas-realistas-e.html


Sobre a tirinha acima, analise as seguintes afirmativas:


I- Considerando a relação entre texto verbal e as imagens presentes na tirinha, percebermos que, na frase “Olha, este é o mundo, está vendo?”, o pronome demonstrativo “este” faz referência a algo que está fora deste texto, mas que pode ser identificado na imagem;

II- No segundo quadrinho, o pronome “este” não é determinante do núcleo do sujeito, na oração “este mundo é bonito”;

III- No terceiro quadrinho, houve, propositalmente, considerando o contexto da interação, a omissão do termo “mundo” na frase “o original é um desastre”;

IV- Sendo uma personagem sempre preocupada com a humanidade e com a paz mundial, sempre se rebelando com o estado do atual mundo, na tirinha acima, Mafalda de monstra, mais uma vez, sua inquietação com a verdadeira face deste mundo em que vive.


Após análise das afirmativas acima, é correto afirmar que:

Alternativas
Q1748465 Português


Andreas Jahn e Wibke Larink. Aula de anatomia. In: Revista
Mente&Cérebro, edição especial Neurociência 2, n.o 50, jun./jul. de 2015 (com adaptações)

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.

O termo “então” (linha 17) remete à “Renascença” (linha 16).

Alternativas
Respostas
3141: D
3142: A
3143: C
3144: A
3145: D
3146: D
3147: E
3148: C
3149: A
3150: C
3151: C
3152: E
3153: E
3154: C
3155: E
3156: C
3157: A
3158: D
3159: B
3160: C