Questões de Concurso
Comentadas sobre coesão e coerência em português
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Texto 01
Nem toda zona de conforto é ruim
Sobre a organização morfossintática do trecho acima, analise as afirmativas a seguir.
I. O pronome demonstrativo “isso” foi usado como um elemento de coesão e remete a uma afirmação que está posposta a ele. II. A conjunção “Porque” poderia ser sido substituída por “entretanto”, sem que houvesse alteração semântica no trecho. III. A posição proclítica do pronome “me” é obrigatória segundo a norma, uma vez que o advérbio “sempre” é uma palavra atrativa. IV. O sinal indicativo de crase usado na palavra “àquele” se justifica pela fusão de a (preposição) com o “a” (artigo feminino). V. O ponto final depois de “demais” poderia ser substituído por vírgula, e a palavra “Porque” teria sua letra inicial minúscula.
Estão CORRETAS as afirmativas
Leia o texto para responder a questão.
A vastidão de conteúdos da internet pode encolher ou aumentar de acordo com a língua com que o usuário escolhe navegar. É o que mostra um relatório inédito da desigualdade linguística da internet no mundo: para usar as 39 plataformas analisadas, que incluem Wikipedia, YouTube e Facebook, 90% dos africanos e asiáticos dependem de uma segunda língua.
Segundo o relatório, mais de três quartos dos internautas navegam em apenas dez idiomas. São 25,9% os que o fazem em inglês e 19,4% os que escolhem alguma língua da família do chinês, como o mandarim. O terceiro grupo do ranking, o de falantes de espanhol, cai mais de dez pontos percentuais, concentrando apenas 7,9% dos internautas. São 3,7% os que usam português na internet, o que coloca o grupo na sexta posição.
O conteúdo oferecido na internet segue uma lógica parecida – as línguas coloniais europeias são as predominantes. A Wikipedia, espécie de enciclopédia on-line e colaborativa, está disponível em mais de 300 línguas, mas, em apenas 20 delas, a plataforma comporta mais de 1 milhão de artigos. As que sustentam mais de 100 mil são apenas 70.
“Informações sobre lugares na Europa e na América do Norte são altamente detalhadas, enquanto várias outras regiões do mundo são relativamente sub-representadas, especialmente locais da África, parte da Ásia e outras regiões do Sul Global”, diz trecho do relatório.
Essa desigualdade pode levar à paradoxal situação de um usuário ter que mudar a língua usada na pesquisa para saber mais sobre o próprio país.
“Apesar dos esforços para examinar a cobertura do zulu e do xhosa, línguas faladas na África do Sul, e do guarani, no Paraguai, essas línguas praticamente não estão representadas no Google Maps, a despeito de serem faladas por milhões”, conclui o relatório.
Na contramão do observado no estudo, segundo o relatório, a tecnologia poderia ajudar a preservar idiomas que correm risco de extinção, situação de 40% das 7000 línguas atuais.
(Daniela Arcanjo. Línguas minoritárias enfrentam apagão na internet.
www1.folha.uol.com.br, 23.02.2022. Adaptado)
Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.
De repente, 60!
[...]
São necessários informação e preparo para o amadurecimento, o que inclui planejamento financeiro, fortalecimentos físico e mental, além de nutrir uma vida social que faça bem à alma. A jornada do envelhecimento será diferente para cada um de nós e, quanto mais cedo nos dermos conta de que nossas escolhas diárias são determinantes nesse processo, mais ativos seremos ao logo de nossas vidas. Caso você queira assumir as rédeas de seu projeto de envelhecimento, trago aqui dois aspectos fundamentais para depois refletirmos juntos.
Deseje envelhecer. Agradeça a cada ano novo que chega. Comemore a sua idade. Afinal, se você está envelhecendo, é sinal de que tudo está indo bem. Não queira aparentar outra idade que não a sua – em sua melhor forma. Simone de Beauvoir nos anos 1970 já dizia: “Não reconhecemos a velhice em nós, nem sequer paramos para observá-la, somente a vemos nos outros, mesmo que estes possuam a mesma idade que nós.” Vire o jogo: seja o melhor exemplo da sua idade e inspire outras pessoas a chegarem lá, como você chegou.
Preserve sua autonomia e sua independência até o fim da vida. De forma superficial, esses dois conceitos podem ser bastante parecidos, porém, ao envelhecer, veremos o quanto eles são complementares. Autonomia é ter o seu desejo preservado; já a independência é a capacidade física e cognitiva de executá-lo. Autonomia é, por exemplo, querer envelhecer em sua própria casa; independência é poder morar sozinho, realizando suas atividades diárias sem precisar de ajuda.
Quem tem consciência de que aos 50 anos pode estar apenas na metade de sua vida poderá se planejar para não apenas viver mais, mas também viver melhor. Não existe uma fórmula pronta para o envelhecimento consciente e ativo; é preciso que cada um construa o seu projeto personalizado.
(POMI, Candice. Disponível em: @beyond.age. Acesso em: 18/07/20. Adaptado.)
( ) Inútil paisagem. → Refere-se às prateleiras com variedade grande de biscoitos que os jovens se proíbem de consumir.
( ) Então, agora é proibido comer, é proibido não ter músculos, é proibido ser feio, é proibido envelhecer. → Refere-se aos tipos de elementos que hoje caracterizam o padrão de beleza.
( ) Qualquer mocinha que não viva à base de alface e água → Refere-se às jovens cuja dieta alimentícia é drástica.
( ) não tem aquele aspecto de campo de concentração → Refere-se a quem se encontra bem alimentada e alegre.
Assinale a sequência correta.
Texto CG-1A1
Em 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro. Apesar de serem necessárias mais ações de popularização do dia, a criação da data representa um importante passo em direção à promoção da participação igualitária das mulheres na ciência. Em todo o mundo, de acordo com dados da ONU, as mulheres representam 33,3% de todos os pesquisadores, porém apenas 12% dos membros das academias de ciências nacionais são mulheres, e, entre os graduados em engenharia, elas representam 28%.
A área da saúde segue em outra direção, especialmente entre profissionais dos cuidados básicos. Nessa área, as mulheres representam 70% do total e, apesar das dificuldades de se dedicarem à pesquisa, elas lideraram o ranking dos cientistas que buscaram resposta à pandemia, sendo este o diferencial que queremos valorar e divulgar, inclusive buscando compreender quais são essas dificuldades.
Em âmbito nacional, um estudo do IBGE apresentou essas dificuldades imputadas às mulheres e evidencia que elas perpassam todas as esferas da vida. O indicador “nível de ocupação” apontou que, em 2019, entre as entrevistadas mulheres com quinze anos de idade ou mais, 54,5% ocupavam postos de trabalho no país, ao passo que, entre o grupo de homens com a mesma faixa etária, 73,7% tinham ocupação. Quando associamos esse indicador ao da maternidade, entre as pessoas de 25 a 49 anos com filhos de até três anos de idade, o nível de ocupação dos homens é superior ao das mulheres em 34,6%. Com relação a gênero e etnia, as mulheres pretas ou pardas com crianças de até três anos de idade no domicílio apresentaram os menores níveis de ocupação — menos de 50% em 2019 —, ao passo que, entre as mulheres brancas, a proporção foi de 62,6%.
Outro indicador relevante que se coloca como um desafio para que mais mulheres se projetem na ciência é a representação na política. Ainda no que se refere aos dados do IBGE, o Brasil, em 2019, era o país da América do Sul com a menor proporção de mulheres em mandato parlamentar na Câmara dos Deputados, ocupando a 142.ª posição de um ranking com dados para 190 países. Considerando-se que as mulheres são a maioria da população no país, 51,8% do total, a pouca representação na política, sem dúvida, leva à negligência no encaminhamento das pautas femininas.
Adicionalmente, se considerarmos a ausência de políticas mais expressivas para a primeira infância e para o apoio ao ingresso e à permanência de mulheres mães no ensino superior e na pós-graduação, ou, ainda, o desmonte das políticas de bolsas de pesquisa e das agências de fomento, é válido afirmar que há urgência em promover a inserção das mulheres na política e em posições de liderança nos setores público e privado, sobretudo se o país quiser aumentar a presença das mulheres na ciência.
Nesse cenário, há duas direções a seguir. Primeiramente, é preciso desmistificar a ciência. Nós, mulheres, temos capacidade para estar em todas as áreas e ocupar todos os espaços, como as cientistas da área da saúde evidenciaram durante a pandemia. Depois, é urgente ampliar a representação nos espaços políticos de poder.
Roberta Kelly França e Thaís Cavalcante Martins.
Elas na universidade: os desafios sociais e políticos. Internet:
