Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Observe a tirinha a seguir e julgue os itens:

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#10/2/2021 . Acesso em: 20/04/2021
I. A preposição “de” (em “falando de política”) tem o valor semântico nocional (em específico, de assunto).
II. No último quadrinho, em relação às regras ortográficas atuais com o Novo Acordo Ortográfico, há um desvio.
III. O termo “uma coisa estranha” – objeto direto na oração em que figura – desempenha papel catafórico em relação ao termo “enjôo”, que aparece no segundo quadrinho.
Está(ão) CORRETA(s) a(s) afirmativa(s):
Ioga para tod@s
Muitos brasileiros descobriram a prática milenar
na quarentena. Ao equilibrar corpo e mente, ela melhora
a imunidade, algo bem-vindo agora e lá adiante
Por Paula Desgualdo
Em uma manhã fria de segunda-feira em São Paulo, a sala de aula virtual do professor Marcos Rojo, cofundador do Instituto de Ensino e Pesquisa em Yoga, estava cheia. Se fosse presencialmente, nas mesmas condições, ele calcula que talvez contasse com um terço do número de alunos, que ainda não estão saindo de casa para praticar. Nos últimos meses, Rojo tem reunido semanalmente cinco turmas de 80 estudantes, entre eles alguns que haviam se mudado para outros países.
“Nunca havíamos chegado à metade disso na academia”, conta. No início da pandemia de Covid-19 no Brasil, em março de 2020, ele não acreditava que seria possível garantir um nível de qualidade nos encontros diante da tela. Como muitos instrutores, no entanto, acabou se adaptando e já não pretende mais largar a modalidade remota, que permite alcançar um número maior de praticantes. “Acredito que existem prós e contras. Pode ser mais desafiador para quem está na própria casa manter a concentração com cachorro, criança e às vezes até televisão ligada”, analisa o professor.
Os tempos de confinamento parecem não só ter ampliado a rede de conexões de quem já estava familiarizado com o universo da ioga mas fez crescer o interesse de muitos brasileiros à procura de mais saúde física e mental, impactados tanto pela impossibilidade de manter uma rotina de atividade física como pela carga de ansiedade desse período. Dados do Google Trends mostram que, depois da segunda quinzena de março, houve um aumento médio de 25 pontos, em uma escala de 0 a 100, nas buscas relacionadas a ioga. Já a procura por “ioga online” no site foi 25 vezes maior no primeiro semestre deste ano do que no mesmo período de 2019.
Para Márcia Micheli, professora de hatha ioga há 21 anos, os números não surpreendem. “Ioga é uma porta de entrada para o encontro de você com você mesmo, e a pandemia mexeu com isso de uma maneira muito forte. As pessoas estão buscando recursos para lidar com o novo, com o medo, com as dificuldades em seus relacionamentos”, avalia. Na ioga, corpo, mente e espírito não estão separados e se refletem mutuamente. Entende-se, assim, que um estado de bem-estar não envolve só o aspecto físico nem exclusivamente o emocional.
O propósito original das posturas é garantir um fluxo de energia em camadas mais sutis da nossa fisiologia. “Buscar a saúde física por meio da ioga é uma coisa muito boa. Ela pode oferecer isso, mas também pode dar muito mais, abrindo o indivíduo para outras dimensões do seu ser”, defende a professora Micheli.
[...]
Disponível em: https://saude.abril.com.br/fitness/ioga-para-tods/
Sob o feitiço dos livros
Nietzsche estava certo: “De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo — ler um livro é simplesmente algo depravado”. É o que sinto ao andar pelas manhãs pelos maravilhosos caminhos da fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Procuro esquecer-me de tudo que li nos livros. É preciso que a cabeça esteja vazia de pensamentos para que os olhos possam ver. Aprendi isso lendo Alberto Caeiro, especialista inigualável na difícil arte de ver. Dizia ele que “pensar é estar doente dos olhos”.
Mas meus esforços são frustrados. As coisas que vejo são como o beijo do príncipe: elas vão acordando os poemas que aprendi de cor e que agora estão adormecidos na minha memória. Assim, ao não pensar da visão, une-se o não-pensar da poesia. E penso que o meu mundo seria muito pobre se em mim não estivessem os livros que li e amei. Pois, se não sabem, somente as coisas amadas são guardadas na memória poética, lugar da beleza.
“Aquilo que a memória amou fica eterno”, tal como o disse a Adélia Prado, amiga querida. Os livros que amo não me deixam. Caminham comigo. Há os livros que moram na cabeça e vão se desgastando com o tempo. Esses, eu deixo em casa. Mas há os livros que moram no corpo. Esses são eternamente jovens. Como no amor, uma vez não chega. De novo, de novo, de novo...
Um amigo me telefonou. Tinha uma casa em Cabo Frio. Convidou-me. Gostei. Mas meu sorriso entortou quando disse: “Vão também cinco adolescentes...”. Adolescentes podem ser uma alegria. Mas podem ser também uma perturbação para o espírito. Assim, resolvi tomar minhas providências. Comprei uma arma de amansar adolescentes. Um livro. Uma versão condensada da “Odisseia”, de Homero, as fantásticas viagens de Ulisses de volta à casa, por mares traiçoeiros...
Primeiro dia: praia; almoço; sono. Lá pelas cinco, os dorminhocos acordaram, sem ter o que fazer. E antes que tivessem ideias próprias eu tomei a iniciativa. Com voz autoritária, dirigi-me a eles, ainda sob o efeito do torpor: “Ei, vocês... Venham cá na sala. Quero lhes mostrar uma coisa”. Não consultei as bases. Teria sido terrível. Uma decisão democrática das bases optaria por ligar a televisão. Claro. Como poderiam decidir por uma coisa que ignoravam? Peguei o livro e comecei a leitura. Ao espanto inicial seguiu-se silêncio e atenção. Vi, pelos seus olhos, que já estavam sob o domínio do encantamento. Daí para frente foi uma coisa só. Não me deixavam. Por onde quer que eu fosse, lá vinham eles com a “Odisseia” na mão, pedindo que eu lesse mais. Nem na praia me deram descanso.
Essa experiência me fez pensar que deve haver algo errado na afirmação que sempre se repete de que os adolescentes não gostam da leitura. Sei que, como regra, não gostam de ler. O que não é a mesma coisa que não gostar da leitura. Lembro-me da escola primária que frequentei. Havia uma aula de leitura. Era a aula que mais amávamos. A professora lia para que nós ouvíssemos. Leu todo o Monteiro Lobato. E leu aqueles livros que se liam naqueles tempos: “Heidi”, “Poliana”, “A Ilha do Tesouro”.
Quando a aula terminava, era a tristeza. Mas o bom mesmo é que não havia provas ou avaliações. Era prazer puro. E estava certo. Porque esse é o objetivo da literatura: prazer. O que os exames vestibulares tentam fazer é transformar a literatura em informações que podem ser armazenadas na cabeça. Mas o lugar da literatura não é a cabeça: é o coração. A literatura é feita com as palavras que desejam morar no corpo. Somente assim ela provoca as transformações alquímicas que deseja realizar. Se não concordam, que leiam João Guimarães Rosa, que dizia que literatura é feitiçaria que se faz com o sangue do coração humano.
(ALVES, Rubem. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/
folha/sinapse/ult1063u727.shtml.)
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. O destaque ao
longo do texto estão citados na questão.

Analise as assertivas a seguir sobre a lacuna pontilhada na linha 19:
I. A lacuna poderia ser preenchida por “a”, formando um adjunto adverbial de tempo.
II. Poder-se-ia preencher a lacuna por “há”, formando um adjunto adverbial que indica tempo transcorrido.
III. O pontilhado poderia ser preenchido tanto por “há” quanto por “haviam”, tendo em vista que a concordância com expressões de tempo é facultativa.
Quais estão corretas?

( ) Na linha 04, a vírgula separa orações com sujeitos distintos. ( ) Na linha 07, a dupla vírgula separa um adjunto adverbial intercalado. ( ) Na linha 11, a vírgula separa um adjunto adverbial deslocado.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

I. Há, no trecho, a presença de voz passiva. II. A expressão “muitas mulheres” pode ser considerada o agente da passiva, pois indica quem executou a ação expressa no trecho. III. A expressão “com muita luta” indica o modo como a ação de conquistar foi efetuada.
Quais estão corretas?
Todos os alunos, que tiraram nota máxima, ficaram muito felizes.
Com relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
As vírgulas empregadas, respectivamente, depois dos
vocábulos “liberal” (linha 29) e “enquadram” (linha 30)
isolam segmento explicativo da expressão “profissional
liberal” (linha 29).
Com relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
Na linha 27, o vocábulo “ônus” funciona, sintaticamente,
como núcleo do complemento do verbo “recair”.

Epidemia homicida
Os últimos números de violência contra a mulher
deixam claro que a sociedade brasileira sofre de uma séria
enfermidade. Há algo muito errado acontecendo com os
homens, e atos sexistas, em que eles se impõem pela força,
estão sendo cometidos em proporções alarmantes. Uma
epidemia de agressões e de assassinatos passionais acomete
o país. Dados do Mapa da Desigualdade Social 2019
divulgados terça-feira 5, pela Rede Nossa São Paulo, uma
ONG que acolhe vítimas, mostram que os casos de
feminicídio na capital paulista aumentaram 167% no ano
passado. [...]
“A maior parte dos casos de feminicídio ocorre depois
da ruptura de um relacionamento, quando a mulher termina
uma relação abusiva. Os homens não aceitam a nova
situação e matam”, diz a psicóloga Vanessa Molina, porta-
-voz da Associação Fala Mulher, que oferece assistência e
proteção para vítimas de violência doméstica e atendeu oito
mil mulheres em 2018. “Os abusos começam antes da
violência física, com manifestações de ciúmes, xingamentos
e com o afastamento da mulher de familiares e amigos. É
como se o homem achasse que a mulher pertence a ele, que
não se conforma com a perda do controle sobre sua
‘posse’”. Para Vanessa há uma necessidade urgente de
mudar a cultura machista que está por trás dos crimes de
ódio, que acontecem em famílias de todas as classes sociais
e, frequentemente, são cometidos dentro de casa, no lugar
em que a mulher deveria se sentir mais segura. [...]
Apesar do endurecimento das leis que penalizam esse
tipo de violência, a epidemia de crimes passionais não
arrefece. A Lei Maria da Penha, que estabelece cinco formas
de agressão machista (física, psicológica, moral, patrimonial
e sexual) e a Lei do Feminicídio, que caracterizou o homicídio
de gênero, deram proteção legal para as mulheres,
aumentaram o rigor da pena para agressores e assassinos,
mas não inibiram os atos extremos.
Na semana passada, em mais uma demonstração de
que a sociedade tenta reagir à doença social, o Senado
aprovou em primeiro e segundo turno Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) que modifica o inciso 42 do artigo 5º da
Constituição e torna inafiançável e imprescritível o crime de
feminicídio. A PEC segue agora para a Câmara e tornará a
cadeia inevitável para os assassinos de mulheres. O que se
vê, porém, é que o feminicida, na maioria dos casos, não
está preocupado com as consequências de seu ato. Age
enlouquecidamente e acha que está com a razão. O ódio e o
desejo de vingança são maiores do que o medo da pena. Ele
mata a mulher no meio da rua ou em lugares públicos e
depois foge ou se suicida. No fim de semana, quando as
famílias se reúnem, há uma incidência maior desses crimes.
[...]
É preciso reeducar a sociedade, é um processo
evolutivo, afirma Larissa Schmillevitch, gerente do Mapa do
Acolhimento, ONG que cuida de mulheres ameaçadas e
agredidas. “Outra questão é achar que a violência contra a
mulher é algo privado em que ninguém se mete. A sociedade
precisa entender que se trata de algo público, que pode ser
evitado.” O Mapa do Acolhimento é uma rede de solidariedade coordenada pela ONG Nossas, um laboratório de
ativismo feminista. Para Larissa, o aumento das denúncias
tem relação direta com o crescimento da violência, e
também com o fato das mulheres terem mais acesso às
informações e estarem menos caladas e conseguindo identificar com clareza as situações abusivas de seu relacionamento. Isso permite que se tomem medidas para impedir
atitudes violentas de maridos e namorados transtornados.
A medida principal que as ativistas dos direitos da
mulher defendem para conter a onda de feminicídios é a
prevenção. Segundo ela, esse crime pode ser inibido com
uma atuação assistencial no início do ciclo da violência,
quando começam os abusos. Mas mulheres que denunciam
seus algozes precocemente se expõem a um risco maior e
necessitam de proteção. “A lei é muito boa, mas precisa ser
aplicada de forma adequada”, afirma Larissa. “A gente
enfrenta problemas nas delegacias da mulher por falta de
profissionais qualificados e percebe um sucateamento nos
serviços públicos de atendimento”.
(VILARDAGA, Vicente; OLIVEIRA, Caroline. Epidemia homicida. Texto adaptado. Disponível em: https://istoe.com.br/epidemia-homicida/. Acesso em: 20/01/2020.)

A CANETA TINTEIRO
Íamos pra escola carregando na mala o mata-borrão.
Mata o quê?
Mata-borrão. Era um pedaço de papel bem poroso que a gente usava pra limpar a tinta que vazava da caneta tinteiro.
Caneta que vazava? Como assim?
É, vazava, soltava tinta. A gente tinha que carregar também, além da caneta, um potinho de vidro cheio de tinta preta ou azul, para encher a carga da caneta. Era uma trabalheira danada!
E mesmo com todo cuidado a caneta vazava, estragava o estojo de couro, comprado a duras penas, sujava a blusa, deixava aquela mancha envergonhada no branco imaculado da blusa do uniforme.
Estojo de couro, uniforme! Puxa, vó, que irado! Mas por que você não comprava uma BIC? Ia simplificar sua vida.
Ia, se ela existisse, como tudo mais que existe hoje e a gente nem sequer imaginava!
Fonte:
http://viveragora.com.br/cronicas-rapidas/


