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Questões de Concurso Comentadas sobre análise sintática em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 6.373 questões

Q2899681 Português

INSTRUÇÕES: As questões de 21 a 30 dizem respeito ao conteúdo do TEXTO 1.

Leia-o atentamente antes de respondê-las.


TEXTO 1


Para ler no consultório


Esta é para você. É, você mesmo, que está nessa sala de espera, e mexeu no cesto de revistas velhas ali do ladinho esquerdo do sofá. Você foi lá, catou uma revista bem do fundo, e abriu logo nesta página - que coincidência: justamente a que foi escrita para você.

Você não sabe a confusão que deu quando esta crônica foi publicada. Choveram e-mails indignados. Como pode alguém desperdiçar a última página de uma revista de atualidades para se dirigir a pessoas que só lerão o texto quando esta for uma revista de desatualidades?

Posso ser sincero? Essas pessoas não entendem xongas de sala de espera. Da ansiedade de quem está na iminência de uma obturação. Ou a ponto de um checkup. Ou ainda à beira de uma consulta de rotina. Nesse momento, a única notícia nova que queremos ouvir é "Pode entrar, é a sua vez". Enquanto isso não acontece, tratamos de buscar apoio em quem está na sala há muito mais tempo do que nós: as revistas do cesto.

Por mais que se tente, entretanto, é muito difícil manter a concentração na leitura, quando um olho está no relógio e o outro não desgruda da porta. Às vezes, por azar, os assuntos não ajudam, e você se sente na sala de espera errada. Quantas vezes você não está no consultório do dentista e a revista manda você para o consultório do cirurgião plástico? Não, não, não: não dá para pensar em lipo quando você está envolvido da cabeça aos pés num tratamento de canal.

Leitura de consultório é diferente de leitura de salão de beleza. No cabeleireiro as revistas precisam ter muitas figurinhas, para funcionar como material didático ("Eu quero o meu ASSIM") e de discussão ("Você não acha isso PAVOROSO?").

Já no consultório é o oposto: quanto mais letrinhas, melhor. As revistas da sala de espera servem para você dar a impressão de que está absorto em alguma coisa que não o relógio ou a porta, de modo a erguer uma barreira protetora que impeça o paciente que acabou de chegar - aquele ali! - de alugar seu ouvido para contar toda a sua vida pregressa e seus problemas de saúde, nos mínimos detalhes.

(Como é que eu sei que você não é desses que chegam a uma sala de espera e imediatamente passam a contar seus problemas de saúde nos mínimos detalhes? Ora, porque você foi até o cesto do lado esquerdo do sofá catar esta revista bem lá no fundo.).

Infelizmente, nem todas as pessoas têm essa sua sorte de abrir uma revista na sala de espera e deparar com uma crônica antiga escrita especialmente para elas. Houve muitos casos em que os pacientes leram esta coluna quando a revista ainda era nova. Alguns ficaram um pouco confusos, sem entender como uma revista velha poderia ter previsto tantas coisas que estão acontecendo agora. Outros se deram conta de que esta página só teria toda a graça dali a uns meses, e pela primeira vez na vida se lamentaram por encontrar uma revista nova no consultório.

O quê? A moça da recepção falou "Pode entrar, é a sua vez?". Desculpe, eu estava tão distraído no nosso papo que nem ouvi. Posso pedir um favor antes de você entrar? Coloque esta revista de novo no cesto. Lá no fundo. Isto ainda poderá ser útil para outras pessoas.


RICARDO FREIRE, Ricardo. Para ler no consultório. 20 fev.2009. Para ler no consultório.

Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT43562-15230,00.html>Acesso em: 08 maio 2013.

Leia os trechos a seguir.


I. Choveram e-mails indignados.

II. Ou a ponto de um checkup.

III. [...] e o outro (olho) não desgruda da porta.

É CORRETO afirmar que

Alternativas
Q2892400 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questões de 18 a 20.

TEXTO:

E se Obama fosse africano?

Os africanos se rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em

claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou

discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me

atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um

5 caminho de dignificação de África.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos – as pessoas simples e

os trabalhadores anônimos – festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não

creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para essa

festa.

10Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais

bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas

africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com

esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

COUTO, Mia. E se Obama fosse africano?: e outras intervenções - Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 197- 202. Adaptado.

A partícula “se”, no título do texto, sugere

Alternativas
Q2892378 Português

TEXTO:

Protestos, desejos e compreensão de si

Para muitas pessoas, não é fácil entender as manifestações coletivas em nome de causas e

direitos sociais que vêm acontecendo em âmbito global e que, recentemente, surpreendendo a muitos,

surgiram também no Brasil. O desconhecimento a respeito da história social e política, bem como

sobre o significado profundo das lutas, sublevações e insurreições mundiais e nacionais contribui para

5 a perplexidade quanto à situação presente. Não se conhece o passado, não se entende

o presente e, além de tudo, não é possível prever o futuro quanto a mudanças sociais concretas em termos de

direitos, cidadania, reforma política ou direção de políticas públicas. Se, por um lado, o que pensamos

do futuro pertence à especulação e à fantasia, por outro, é o efeito direto do que não somos capazes

de imaginar, daquilo que se dá em bases inconscientes, do que é da ordem imponderável do desejo. O

10 desejo de que um mundo melhor possa nos amparar é o novo sentimento que surge como um terceiro

elemento no instante em que a alternativa estava entre o apático fim das utopias e a ideia de que todas

as utopias já tinham sido realizadas.

Certo, no entanto, é que uma mudança de autocompreensão coletiva está em cena no Brasil

atual. E esse talvez seja o aspecto mais decisivo no contexto dos acontecimentos, a experiência

15 subjetiva que está sendo vivida quando muitos acreditavam no fim do sujeito ético e político, aniquilado

pelos diversos mecanismos de dessubjetivação que vão da economia à tecnologia. A impressão

generalizada era que as pessoas estavam vendidas ao sistema econômico, tinham cancelado qualquer

desejo político, eram servas do consumismo e da publicidade e, portanto, já não pertenciam a si

mesmas. Não tinham subjetividade, a instância da decisão, da liberdade que se elabora e forma na

20 intimidade de cada um e em sua relação com o outro.

No contexto, surpreende que a internet – que aparece, muitas vezes, como a máquina

devoradora de subjetividades – se torne um mecanismo democrático, uma instância de trocas

intersubjetivas, que faz irromper liberdades individuais na formação da expressão comum tal como a

da multidão nas ruas. O fato de a internet, como meio tecnológico, ter sido a ameaça de aniquilação da

25 subjetividade e, de repente, ter ajudado a forjar outras subjetividades, mostra apenas que o ser

humano permanece humano, na liberdade de recriar seu sentido, seu modo de viver e usar

instrumentos, como a própria internet, a seu favor.

A queixa geral que ouvíamos como um sussurro social poderia ter continuado seu zunido

gasto, mas tornou-se ativismo político dos brasileiros. O que de fato está acontecendo entre nós? É

30 algo que podemos nos perguntar. Mais do que curiosidade, o que está em cena é um abalo sísmico no

processo de nossa autocompreensão comum. Isso quer dizer que nunca mais nos veremos do mesmo

modo porque, devido aos eventos políticos e sociais, já não somos os mesmos.

TIBURI, Márcia. Protestos, desejos e compreensão de si. Revista Mente e Corpo. Disponível em: < http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/protestos_desejos_e_compreensao_de_si.html>. Acesso em: 14 ago. 2013. Adaptado.

Quanto à regência dos nomes e verbos que estruturam o texto, analise as proposições, identificando o que estiver correto.


I- A locução verbal “vêm [...] surpreendendo” (linha 2) apresenta a mesma regência da forma verbal “pertence” (linha 8).

II- O adjetivo “capazes” (linha 8) apresenta a mesma regência do adjetivo “decisivo” (linha 14).

III- O verbo “irromper” (linha 23) pode ser substituído por proceder, no sentido de realizar, dar início, sem mudança de regência.


Está correto apenas o que se afirma em

Alternativas
Q2892376 Português

TEXTO:

Protestos, desejos e compreensão de si

Para muitas pessoas, não é fácil entender as manifestações coletivas em nome de causas e

direitos sociais que vêm acontecendo em âmbito global e que, recentemente, surpreendendo a muitos,

surgiram também no Brasil. O desconhecimento a respeito da história social e política, bem como

sobre o significado profundo das lutas, sublevações e insurreições mundiais e nacionais contribui para

5 a perplexidade quanto à situação presente. Não se conhece o passado, não se entende

o presente e, além de tudo, não é possível prever o futuro quanto a mudanças sociais concretas em termos de

direitos, cidadania, reforma política ou direção de políticas públicas. Se, por um lado, o que pensamos

do futuro pertence à especulação e à fantasia, por outro, é o efeito direto do que não somos capazes

de imaginar, daquilo que se dá em bases inconscientes, do que é da ordem imponderável do desejo. O

10 desejo de que um mundo melhor possa nos amparar é o novo sentimento que surge como um terceiro

elemento no instante em que a alternativa estava entre o apático fim das utopias e a ideia de que todas

as utopias já tinham sido realizadas.

Certo, no entanto, é que uma mudança de autocompreensão coletiva está em cena no Brasil

atual. E esse talvez seja o aspecto mais decisivo no contexto dos acontecimentos, a experiência

15 subjetiva que está sendo vivida quando muitos acreditavam no fim do sujeito ético e político, aniquilado

pelos diversos mecanismos de dessubjetivação que vão da economia à tecnologia. A impressão

generalizada era que as pessoas estavam vendidas ao sistema econômico, tinham cancelado qualquer

desejo político, eram servas do consumismo e da publicidade e, portanto, já não pertenciam a si

mesmas. Não tinham subjetividade, a instância da decisão, da liberdade que se elabora e forma na

20 intimidade de cada um e em sua relação com o outro.

No contexto, surpreende que a internet – que aparece, muitas vezes, como a máquina

devoradora de subjetividades – se torne um mecanismo democrático, uma instância de trocas

intersubjetivas, que faz irromper liberdades individuais na formação da expressão comum tal como a

da multidão nas ruas. O fato de a internet, como meio tecnológico, ter sido a ameaça de aniquilação da

25 subjetividade e, de repente, ter ajudado a forjar outras subjetividades, mostra apenas que o ser

humano permanece humano, na liberdade de recriar seu sentido, seu modo de viver e usar

instrumentos, como a própria internet, a seu favor.

A queixa geral que ouvíamos como um sussurro social poderia ter continuado seu zunido

gasto, mas tornou-se ativismo político dos brasileiros. O que de fato está acontecendo entre nós? É

30 algo que podemos nos perguntar. Mais do que curiosidade, o que está em cena é um abalo sísmico no

processo de nossa autocompreensão comum. Isso quer dizer que nunca mais nos veremos do mesmo

modo porque, devido aos eventos políticos e sociais, já não somos os mesmos.

TIBURI, Márcia. Protestos, desejos e compreensão de si. Revista Mente e Corpo. Disponível em: < http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/protestos_desejos_e_compreensao_de_si.html>. Acesso em: 14 ago. 2013. Adaptado.

Sobre os aspectos que garantem a progressão textual, a única alternativa correta é

Alternativas
Q2854983 Português

“Matilde procurava convencer o chefe, mas não entendi o que dizia em seu ouvido”. A palavra em destaque classifica-se gramaticalmente como:

Alternativas
Q2854978 Português

Para que todos interessados participem, o prazo das inscrições do concurso foi prorrogado”. A oração em destaque exprime uma circunstância de:

Alternativas
Q2801693 Português

Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2779434 Português

O Lixo

(Luís Fernando Veríssimo)

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...

- Bom dia.

- A senhora é do 610.

- E o senhor do 612

- É.

- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é...

- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...

- O meu quê?

- O seu lixo.

- Ah...

- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...

- Na verdade sou só eu.

- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.

- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...

- Entendo.

- A senhora também...

- Me chame de você.

- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...

- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...

- A senhora... Você não tem família?

- Tenho, mas não aqui. - No Espírito Santo.

- Como é que você sabe?

- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.

- É. Mamãe escreve todas as semanas.

- Ela é professora?

- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?

- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.

- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.

- Pois é...

- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.

- É.

- Más notícias?

- Meu pai. Morreu.

- Sinto muito.

- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.

- Foi por isso que você recomeçou a fumar?

- Como é que você sabe?

- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.

- É verdade. Mas consegui parar outra vez.

- Eu, graças a Deus, nunca fumei.

- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...

- Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.

- Você brigou com o namorado, certo?

- Isso você também descobriu no lixo?

- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel. - É, chorei bastante, mas já passou.

- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...

- É que eu estou com um pouco de coriza.

- Ah.

- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.

- Namorada?

- Não.

- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.

- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.

- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte. - Você já está analisando o meu lixo!

- Não posso negar que o seu lixo me interessou.

- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.

- Não! Você viu meus poemas?

- Vi e gostei muito.

- Mas são muito ruins!

- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.

- Se eu soubesse que você ia ler...

- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?

- Acho que não. Lixo é domínio público.

- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?

- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...

- Ontem, no seu lixo...

- O quê?

- Me enganei, ou eram cascas de camarão?

- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.

- Eu adoro camarão.

- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...

- Jantar juntos? - É.

- Não quero dar trabalho.

- Trabalho nenhum.

- Vai sujar a sua cozinha?

- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.

- No seu lixo ou no meu?

“... Achei que era letra de professora...”

A expressão sublinhada exerce igual função sintática do termo destacado em:

Alternativas
Q2779417 Português

O Homem Nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!

Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.

Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.

Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.

“... Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão...”

A oração sublinhada exerce igual função sintática do termo sublinhado em:

Alternativas
Q2759262 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


  Interesse de jovem surgiu ao seguir caso de um primo 
''Desde pequeno ele tem acompanhamento e vi o progresso dele em relação à comunicação" 

          A estudante do oitavo semestre, Fernanda Hiramatso, de 21 anos, conta que faz estágio na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa. "O quarto ano é todo dedicado ao estágio supervisionado." 

          Ela diz que o estágio abrange todas as áreas de fonoaudiologia. "Começo a semana trabalhando na clínica infantil, no dia seguinte atendo adultos, depois bebês e pacientes que necessitam de prótese auditiva, na quinta-feira trabalho na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda, com a qual a Santa Casa mantém parceria. Termino a semana realizando exames de audição." 

          Fernanda conta que passou a se interessar pelo curso depois de constatar a evolução de um primo, que é especial. "Desde pequeno ele tem acompanhamento fonoaudiológico, e vi o progresso dele em relação à comunicação e à interação social. Assim, fui me interessando pela profissão." Segundo ela, a fonoaudiologia melhora a qualidade de vida das pessoas. "Tenho muito orgulho da profissão que escolhi." 

         Quando concluir a graduação, Fernanda afirma que quer se especializar na área que mais gosta. "Vou fazer especialização em audiologia clínica e conciliar os estudos com um trabalho na área de audição, em alguma clínica." Isso significa mais dois anos de estudos. ''Depois poderei trabalhar diagnosticando diversas alterações auditivas." 

         CV: Ela tem 21 anos e está no oitavo semestre da faculdade de fonoaudiologia. A estudante faz estágio supervisionado na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa e também atende na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda. Depois de formada quer fazer especialização em audiologia clínica. A aluna diz ter muito orgulho da profissão, porque ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

(Disponível em www.estadao.com.br)

No trecho ''Quando concluir a graduação, Fernanda afirma que quer se especializar na área que mais gosta'', é correto afirmar que:

Alternativas
Q2759258 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


  Interesse de jovem surgiu ao seguir caso de um primo 
''Desde pequeno ele tem acompanhamento e vi o progresso dele em relação à comunicação" 

          A estudante do oitavo semestre, Fernanda Hiramatso, de 21 anos, conta que faz estágio na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa. "O quarto ano é todo dedicado ao estágio supervisionado." 

          Ela diz que o estágio abrange todas as áreas de fonoaudiologia. "Começo a semana trabalhando na clínica infantil, no dia seguinte atendo adultos, depois bebês e pacientes que necessitam de prótese auditiva, na quinta-feira trabalho na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda, com a qual a Santa Casa mantém parceria. Termino a semana realizando exames de audição." 

          Fernanda conta que passou a se interessar pelo curso depois de constatar a evolução de um primo, que é especial. "Desde pequeno ele tem acompanhamento fonoaudiológico, e vi o progresso dele em relação à comunicação e à interação social. Assim, fui me interessando pela profissão." Segundo ela, a fonoaudiologia melhora a qualidade de vida das pessoas. "Tenho muito orgulho da profissão que escolhi." 

         Quando concluir a graduação, Fernanda afirma que quer se especializar na área que mais gosta. "Vou fazer especialização em audiologia clínica e conciliar os estudos com um trabalho na área de audição, em alguma clínica." Isso significa mais dois anos de estudos. ''Depois poderei trabalhar diagnosticando diversas alterações auditivas." 

         CV: Ela tem 21 anos e está no oitavo semestre da faculdade de fonoaudiologia. A estudante faz estágio supervisionado na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa e também atende na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda. Depois de formada quer fazer especialização em audiologia clínica. A aluna diz ter muito orgulho da profissão, porque ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

(Disponível em www.estadao.com.br)

Sobre a palavra ''que'' em ''pacientes que necessitam de prótese auditiva'', considere as afirmações. ,


I. E um pronome relativo. II. Poderia ser substituído por ''os quais''. III. Introduz uma oração coordenada. IV. Refere-se a ''pacientes''. ,
E correto o que se afirma em:

Alternativas
Q2759256 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


  Interesse de jovem surgiu ao seguir caso de um primo 
''Desde pequeno ele tem acompanhamento e vi o progresso dele em relação à comunicação" 

          A estudante do oitavo semestre, Fernanda Hiramatso, de 21 anos, conta que faz estágio na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa. "O quarto ano é todo dedicado ao estágio supervisionado." 

          Ela diz que o estágio abrange todas as áreas de fonoaudiologia. "Começo a semana trabalhando na clínica infantil, no dia seguinte atendo adultos, depois bebês e pacientes que necessitam de prótese auditiva, na quinta-feira trabalho na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda, com a qual a Santa Casa mantém parceria. Termino a semana realizando exames de audição." 

          Fernanda conta que passou a se interessar pelo curso depois de constatar a evolução de um primo, que é especial. "Desde pequeno ele tem acompanhamento fonoaudiológico, e vi o progresso dele em relação à comunicação e à interação social. Assim, fui me interessando pela profissão." Segundo ela, a fonoaudiologia melhora a qualidade de vida das pessoas. "Tenho muito orgulho da profissão que escolhi." 

         Quando concluir a graduação, Fernanda afirma que quer se especializar na área que mais gosta. "Vou fazer especialização em audiologia clínica e conciliar os estudos com um trabalho na área de audição, em alguma clínica." Isso significa mais dois anos de estudos. ''Depois poderei trabalhar diagnosticando diversas alterações auditivas." 

         CV: Ela tem 21 anos e está no oitavo semestre da faculdade de fonoaudiologia. A estudante faz estágio supervisionado na Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa e também atende na Unidade Básica de Saúde da Barra Funda. Depois de formada quer fazer especialização em audiologia clínica. A aluna diz ter muito orgulho da profissão, porque ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

(Disponível em www.estadao.com.br)

Leia o trecho abaixo, extraído do texto:


Ela diz que o estágio abrange todas as áreas de fonoaudioloqia.
A oração em destaque exerce a mesma função sintática do termo destacado em:

Alternativas
Q2747734 Português

Conforme o emprego de regência nominal e verbal adequadas, indique a alternativa que completa corretamente a lacuna do seguinte período: “Naquele momento, éramos .......... assistindo ........ rapaz atropelado”

Alternativas
Q1856730 Português
Texto

Alternativa

    Envelhecer é chato, mas consolemo‐nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir. Há dúvidas, claro. Muitos acreditam que com a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá. Enquanto isso vamos envelhecendo com a dignidade possível, sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.
    Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos, ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado. Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia corrupção? Havia, sim, não havia era investigação pra valer. Havia prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência passando de general para general sem consulta popular, repressão criminosa à divergência, uma política econômica subserviente a um “milagre” econômico enganador. Quem viveu naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre o “pensamento militar”, que decidia nossas vidas.
    Ao contrário da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. E, para garantir‐se que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa.
    Sequer pensar que a alternativa seria preferível – como tem gente pensando – equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso aí, prefira a vida – e o voto.

(Adaptado. Veríssimo, O Globo, 30/6/2013)
Assinale a alternativa que indica o segmento que não mostra nenhuma ideia comparativa.
Alternativas
Q1638696 Português
Em relação ao emprego vocabular no parágrafo a seguir, selecione a alternativa INCORRETA.
“A atual Constituição estabelece que a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, deve ser exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.” Fonte: <http://portal2.tcy.gov.br/portal/page/portal/TCU/planejamento_gestao/planejamento2011/index.htmal>.
Alternativas
Q1638695 Português
Com relação à sentença a seguir, é CORRETO afirmar:
“Diante desse cenário, são essenciais a construção, a compreensão e a comunicação de estratégias corporativas que assegurem resultados capazes de atender às expectativas do Estado, do Congresso Nacional e da sociedade em relação à atuação e ao papel conferido, ao longo da história, ao Tribunal de Contas da União.” Fonte: <http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/planejamento_gestao/planejamento2011/index.html>.
Alternativas
Q1637710 Português
INSTRUÇÃO: Leia com atenção o Texto para responder a questão. 

TEXTO

“Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos em decorrência de nossa experiência profissional muitas vezes faz com que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o significado das siglas e abreviações e os conceitos específicos que não possam ser dispensados.” (Manual de Redação Oficial da Presidência da República. p. 14)
Analise o emprego das vírgulas no trecho: “Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o significado das siglas e abreviações e os conceitos específicos que não possam ser dispensados.”.
É CORRETO afirmar que
Alternativas
Q1636258 Português

Leia o Texto para responder a questão.


Texto 

O novo ativista digital


    O paulista Renan Fernandes, de 22 anos, é um observador atento da conjuntura política e social do país. Participa das discussões no centro acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde cursa o 5° ano. Ele dá aulas voluntariamente no cursinho pré-vestibular para estudantes carentes que funciona na faculdade. No dia 13 de junho, quando 5 mil manifestantes protestavam nas ruas do centro de São Paulo, ele era um deles. “Sou usuário do transporte público e queria ajudar a lutar por uma tarifa mais justa”, afirma Fernandes. Ele diz ter sido atingido por uma bala de borracha disparada pelos policiais, afirma que viu uma amiga ser ferida pelos projéteis e outra queimar as mãos, depois de ser atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo. Revoltado, organizou um abaixo-assinado na internet para protestar contra a ação violenta da polícia. Em menos de uma hora, o texto ganhou quase 1.000 assinaturas. Hoje, está com quase 6 mil. Se chegar à marca dos 7.500, Fernandes promete entregar o documento ao governador do Estado, Geraldo Alckmin. Fernandes diz que, mesmo que os policiais não sejam punidos, o importante é protestar. “Quero espalhar informação e conscientizar as pessoas”, afirma.

    Os milhares de manifestantes que ganharam as ruas do Brasil nas últimas semanas são parecidos com Fernandes. São jovens que descobriram na internet uma ferramenta poderosa para lançar e organizar protestos: contra a má qualidade dos serviços públicos, contra a corrupção, contra a violência da polícia e, sobretudo, contra tudo o que eles consideram abaixo de suas elevadas expectativas em relação à situação econômica e social do Brasil.

     Os jovens se tornaram mais exigentes por dois motivos. Primeiro, porque aumentou o nível de escolaridade. Eles estão mais instruídos. Segundo dados do INEP, o Instituto de Pesquisas do Ministério da Educação, entre os jovens de 18 e 24 anos, aqueles que cursavam o nível superior passaram de 15%, em 2002, para 29,9%, em 2011. O segundo motivo é a crise econômica. O crescimento brasileiro, que chegou a ser de 7% ao ano, caiu para menos de 1% no ano passado, arrastando com ele a possibilidade de melhoria rápida no padrão de vida dos brasileiros, sobretudo os mais jovens. O país não conseguiu cumprir a expectativa de realização pessoal criada entre os jovens urbanos.

    Há dois anos, na Espanha, o movimento Indignados promoveu uma série de protestos contra as altas taxas de desemprego no país – e aproveitou para pedir o fim da corrupção e melhorias na educação, saúde, cultura. Reivindicações muito parecidas com as do movimento americano Occupy Wall Street. “As multidões têm hoje instrumentos para se organizar e se reunir quase instantaneamente, pelas redes sociais como o Twitter e o Facebook”, afirma o sociólogo espanhol Manuel Castells, “O novo espaço público, formado pela interseção do universo virtual com o local, gerou um contrapoder: pela primeira vez na história, as forças de mudança reúnem força e condições de encurralar o poder."

    A força contestadora da juventude – no Brasil, na Turquia, nos Estados Unidos, na Espanha – é historicamente a força motriz de um processo de saudável renovação social. “Os jovens estão em busca de independência e esbarram nos limites da família, das instituições, da sociedade. É natural que tentem derrubá-los”, diz a educadora Ana Karina Brenner, pesquisadora do Observatório Jovem do Rio de Janeiro, da Universidade Federal Fluminense. No Brasil, organizaram-se clandestinamente e marcharam para derrubar a ditadura militar. Nos anos 1980, num mundo marcado pela competição entre capitalismo e socialismo, os sonhos da juventude se tornaram mais materialistas. Os jovens queriam exercer suas competências e ascender economicamente. Nos Estados Unidos, ficaram conhecidos como yuppies. No Brasil, queriam o direito de votar para presidente e mobilizaram a sociedade numa das maiores campanhas já realizadas no país, as Diretas Já.

    De lá para cá, o país tem vivido um longo ciclo de normalização política e econômica, que coincidiu com o surgimento da internet. A rede chegou para mudar radicalmente a forma como vivemos e nos relacionamos. A geração surgida dessas novas circunstâncias parece acreditar ser possível lutar pelo bem comum sem abrir mão de suas ambições individuais. “Por ter crescido num ambiente de estabilidade política e econômica, esse jovem está imbuído de um espírito público de melhorias”, afirma Drica Guzzi, coordenadora de projetos da Escola do Futuro da USP.

    Alfabetizados num mundo regido pela rapidez da internet, conectados globalmente, esses jovens mudaram a forma de fazer política e de engajar-se em causas sociais. Disseminam, pelo Twitter, dicas de como se portar numa passeata. “Eles têm ferramentas para se colocar como protagonistas e provocar microrrevoluções. Associadas, elas causam grandes mudanças.”

     “Eles são regidos por uma nova maneira de pensar e agir, influenciada pela tecnologia”, afirma o publicitário Rony Rodrigues, presidente da Box 1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de consumo e comportamento jovem.

    A facilidade para disseminar campanhas pelas redes sociais também é motivo de preocupação. Em meio a tantas informações e apelos, será que os jovens conseguem se aprofundar nas discussões? O perigo é acabar encampando causas sem entender os reais interesses por trás do movimento.

    Ainda é cedo para saber se esse vazio do engajamento digital prevalecerá. Um dos levantamentos mais extensos já feitos sobre o assunto sugere perspectivas otimistas. A equipe liderada pelo educador americano Joseph Kahne analisou a participação virtual e real de 3 mil jovens americanos entre 15 e 25 anos. Os resultados sugerem que, entre aqueles que participavam de alguma atividade política ou social nas redes sociais, 96% também tomavam parte em formas tradicionais de engajamento, vinculadas a instituições. “O ativismo digital é uma maneira complementar de trabalhar por mudanças”, diz Kahne.

(Marcela Buscato e Fillipe Mauro, com Júlia Korte, Luís Antônio Giron e Mariana Tessitore. Época. 31/07/2013. Adaptado)

“[...] Sou usuário do transporte público e queria ajudar a lutar por uma tarifa mais justa”. Neste excerto, a forma verbal da segunda oração expressa um caso típico de omissão do sujeito. Isso significa que:
Alternativas
Q1636254 Português

Leia o Texto para responder a questão.


Texto 

O novo ativista digital


    O paulista Renan Fernandes, de 22 anos, é um observador atento da conjuntura política e social do país. Participa das discussões no centro acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde cursa o 5° ano. Ele dá aulas voluntariamente no cursinho pré-vestibular para estudantes carentes que funciona na faculdade. No dia 13 de junho, quando 5 mil manifestantes protestavam nas ruas do centro de São Paulo, ele era um deles. “Sou usuário do transporte público e queria ajudar a lutar por uma tarifa mais justa”, afirma Fernandes. Ele diz ter sido atingido por uma bala de borracha disparada pelos policiais, afirma que viu uma amiga ser ferida pelos projéteis e outra queimar as mãos, depois de ser atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo. Revoltado, organizou um abaixo-assinado na internet para protestar contra a ação violenta da polícia. Em menos de uma hora, o texto ganhou quase 1.000 assinaturas. Hoje, está com quase 6 mil. Se chegar à marca dos 7.500, Fernandes promete entregar o documento ao governador do Estado, Geraldo Alckmin. Fernandes diz que, mesmo que os policiais não sejam punidos, o importante é protestar. “Quero espalhar informação e conscientizar as pessoas”, afirma.

    Os milhares de manifestantes que ganharam as ruas do Brasil nas últimas semanas são parecidos com Fernandes. São jovens que descobriram na internet uma ferramenta poderosa para lançar e organizar protestos: contra a má qualidade dos serviços públicos, contra a corrupção, contra a violência da polícia e, sobretudo, contra tudo o que eles consideram abaixo de suas elevadas expectativas em relação à situação econômica e social do Brasil.

     Os jovens se tornaram mais exigentes por dois motivos. Primeiro, porque aumentou o nível de escolaridade. Eles estão mais instruídos. Segundo dados do INEP, o Instituto de Pesquisas do Ministério da Educação, entre os jovens de 18 e 24 anos, aqueles que cursavam o nível superior passaram de 15%, em 2002, para 29,9%, em 2011. O segundo motivo é a crise econômica. O crescimento brasileiro, que chegou a ser de 7% ao ano, caiu para menos de 1% no ano passado, arrastando com ele a possibilidade de melhoria rápida no padrão de vida dos brasileiros, sobretudo os mais jovens. O país não conseguiu cumprir a expectativa de realização pessoal criada entre os jovens urbanos.

    Há dois anos, na Espanha, o movimento Indignados promoveu uma série de protestos contra as altas taxas de desemprego no país – e aproveitou para pedir o fim da corrupção e melhorias na educação, saúde, cultura. Reivindicações muito parecidas com as do movimento americano Occupy Wall Street. “As multidões têm hoje instrumentos para se organizar e se reunir quase instantaneamente, pelas redes sociais como o Twitter e o Facebook”, afirma o sociólogo espanhol Manuel Castells, “O novo espaço público, formado pela interseção do universo virtual com o local, gerou um contrapoder: pela primeira vez na história, as forças de mudança reúnem força e condições de encurralar o poder."

    A força contestadora da juventude – no Brasil, na Turquia, nos Estados Unidos, na Espanha – é historicamente a força motriz de um processo de saudável renovação social. “Os jovens estão em busca de independência e esbarram nos limites da família, das instituições, da sociedade. É natural que tentem derrubá-los”, diz a educadora Ana Karina Brenner, pesquisadora do Observatório Jovem do Rio de Janeiro, da Universidade Federal Fluminense. No Brasil, organizaram-se clandestinamente e marcharam para derrubar a ditadura militar. Nos anos 1980, num mundo marcado pela competição entre capitalismo e socialismo, os sonhos da juventude se tornaram mais materialistas. Os jovens queriam exercer suas competências e ascender economicamente. Nos Estados Unidos, ficaram conhecidos como yuppies. No Brasil, queriam o direito de votar para presidente e mobilizaram a sociedade numa das maiores campanhas já realizadas no país, as Diretas Já.

    De lá para cá, o país tem vivido um longo ciclo de normalização política e econômica, que coincidiu com o surgimento da internet. A rede chegou para mudar radicalmente a forma como vivemos e nos relacionamos. A geração surgida dessas novas circunstâncias parece acreditar ser possível lutar pelo bem comum sem abrir mão de suas ambições individuais. “Por ter crescido num ambiente de estabilidade política e econômica, esse jovem está imbuído de um espírito público de melhorias”, afirma Drica Guzzi, coordenadora de projetos da Escola do Futuro da USP.

    Alfabetizados num mundo regido pela rapidez da internet, conectados globalmente, esses jovens mudaram a forma de fazer política e de engajar-se em causas sociais. Disseminam, pelo Twitter, dicas de como se portar numa passeata. “Eles têm ferramentas para se colocar como protagonistas e provocar microrrevoluções. Associadas, elas causam grandes mudanças.”

     “Eles são regidos por uma nova maneira de pensar e agir, influenciada pela tecnologia”, afirma o publicitário Rony Rodrigues, presidente da Box 1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de consumo e comportamento jovem.

    A facilidade para disseminar campanhas pelas redes sociais também é motivo de preocupação. Em meio a tantas informações e apelos, será que os jovens conseguem se aprofundar nas discussões? O perigo é acabar encampando causas sem entender os reais interesses por trás do movimento.

    Ainda é cedo para saber se esse vazio do engajamento digital prevalecerá. Um dos levantamentos mais extensos já feitos sobre o assunto sugere perspectivas otimistas. A equipe liderada pelo educador americano Joseph Kahne analisou a participação virtual e real de 3 mil jovens americanos entre 15 e 25 anos. Os resultados sugerem que, entre aqueles que participavam de alguma atividade política ou social nas redes sociais, 96% também tomavam parte em formas tradicionais de engajamento, vinculadas a instituições. “O ativismo digital é uma maneira complementar de trabalhar por mudanças”, diz Kahne.

(Marcela Buscato e Fillipe Mauro, com Júlia Korte, Luís Antônio Giron e Mariana Tessitore. Época. 31/07/2013. Adaptado)

“Eles são regidos por uma nova maneira de pensar e agir, influenciada pela tecnologia.” Neste enunciado, a palavra (ou expressão) que concorda com o verbo [ser] é o:
Alternativas
Q1635949 Português

TEXTO

PURO PRECONCEITO

Folha de São Paulo

    É razoável que as pessoas tenham medo de assaltos. Eles se tornaram rotina nos centros urbanos e, por vezes, têm consequências fatais. Faz todo o sentido, portanto, acautelar-se, evitar algumas regiões em certos horários e, até, evitar pessoas que pareçam suspeitas.

     E quem inspira desconfi ança é, no imaginário geral, mulato ou negro. Se falar com sotaque nordestino, torna-se duplamente suspeito. Pesquisa feita em São Paulo, contudo, mostra que essas pessoas não têm base na realidade. Não passa de preconceito na acepção literal do termo. Dados obtidos de 2.901 processos de crimes contra o patrimônio público (roubo e furto) entre 1991 e 1999 revelam que o ladrão típico de São Paulo é branco (57% dos crimes) e paulista (62%).

     Os negros, de acordo com a pesquisa, respondem apenas por 12% das ocorrências. Baianos e pernambucanos, juntos, por 14%. O estudo é estatisticamente signifi cativo. Os 2.901 processos correspondem a 5% do total do período. É claro que algum racista empedernido poderia levantar objeções metodológicas contra o estudo. Mas, por mais frágil que fosse a pesquisa, ela já serviria para mostrar que o vínculo entre mulatos, negros, nordestinos e assaltantes não passa de uma manifestação de racismo, do qual, aliás, o brasileiro gosta de declarar-se isento.

     A democracia racial brasileira é, antes e acima de tudo, um mito. Como qualquer outro povo do planeta, o brasileiro muitas vezes se revela racista e preconceituoso. Tem, é claro, a vantagem de não se engalfi nhar em explosões violentas de ódio e intolerância. Essas vantagens, contudo, têm o efeito indesejável de esconder o preconceito, varrendo-o para debaixo do tapete da cordialidade. Como já observou Albert Einstein: “Época triste é a nossa em que é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo”.

Nas alternativas abaixo, aquela que não realiza uma nominalização de uma oração é:
Alternativas
Respostas
5661: B
5662: C
5663: A
5664: B
5665: D
5666: D
5667: B
5668: C
5669: C
5670: A
5671: D
5672: C
5673: D
5674: C
5675: D
5676: B
5677: C
5678: D
5679: B
5680: E