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Questões de Concurso Comentadas sobre advérbios em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 2.794 questões

Q4014662 Português
Revolução da inteligência artificial: uso na saúde traz novas possibilidades

        Com o desenvolvimento das tecnologias que utilizam Inteligência Artificial (IA), criou‑se a ideia de que elas são capazes de resolver qualquer problema, entretanto há desafios e limitações. Na área da saúde, a ferramenta contribui com atendimentos e diagnósticos mais rápidos e precisos, reduzindo custos e melhorando a experiência de pacientes e de profissionais.

        O seu uso na promoção da saúde pode ser definido como toda e qualquer inovação tecnológica por meio de métodos e dispositivos que serão utilizados em todos os segmentos de cuidados com o paciente, desde tratar doenças a melhorar a reabilitação do indivíduo ou da comunidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é uma grande promessa para melhorar a prestação de serviços de saúde em todo o mundo, que pode ser utilizada para melhorar a velocidade e a precisão do diagnóstico e da triagem de doenças, auxiliar no atendimento clínico e fortalecer a pesquisa em saúde, bem como o desenvolvimento de medicamentos. Ainda de acordo com a OMS, a IA também pode apoiar diversas ações de saúde pública, como vigilância de doenças e gestão de sistemas.

        De acordo com a Dra. Rosália Morais Torres, médica, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Centro de Tecnologia em Saúde (CETES) da Faculdade de Medicina da UFMG, a IA pode desempenhar um papel crucial no enfrentamento dos desafios das doenças tropicais, que prevalecem em regiões com recursos e infraestrutura limitados. Dentre as muitas maneiras pelas quais a IA pode contribuir nessa área, ela cita a possibilidade de detecção precoce de surtos de doenças tropicais mediante a utilização de algoritmos que podem analisar grandes conjuntos de dados de pacientes, associando‑os a fatores ambientais. “Isso pode ajudar as autoridades de saúde a tomar medidas para evitar a propagação de doenças”, completa.

Internet:<bvsms.saude.gov.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


A expressão “Ainda de acordo com a OMS” funciona como elemento coesivo que, por meio do advérbio “ainda”, indica que a informação seguinte é uma adição ao que já foi mencionado pela mesma fonte, garantindo a progressão temática do texto.

Alternativas
Q4014654 Português
Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano, entre 2026 e 2028

        O Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano, até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados constam na publicação “Estimativa 2026– 2028: incidência de câncer no Brasil”, do Inca, divulgada em 4 de fevereiro de 2026 (Dia Mundial do Câncer).

        As previsões confirmam que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando‑se das doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

        Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente.

Entre as mulheres, em ordem de incidência, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

        O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente em razão de sua alta incidência e baixa letalidade.

            A publicação destaca ainda cânceres com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o do colo do útero e o colorretal, que seguem entre os mais incidentes no país. As estimativas mostram também diferenças regionais importantes, relacionadas a fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e ao acesso desigual aos serviços de saúde.

           Elaborada e divulgada pela Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca a cada três anos, a estimativa tem o objetivo de apoiar o planejamento e a vigilância em saúde no curto prazo, com horizonte de até cinco anos, e concentra‑se nos tumores de maior magnitude epidemiológica e relevância na saúde pública.

Internet:<agenciagov.ebc.com.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


Em “os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente”, o advérbio “respectivamente” e a expressão “em ordem de incidência”, utilizada no parágrafo seguinte, exercem a mesma função de indicar que os elementos enumerados seguem uma sequência ordenada.

Alternativas
Q4008747 Português
TEXTO 01


Romã pode ajudar o coração? O que a ciência já sabe sobre a ‘fruta da sorte’


    Pesquisas sugerem que os polifenóis da romã podem reduzir inflamação, pressão e LDL oxidado, mas especialistas alertam: apesar do potencial, faltam grandes estudos em humanos para confirmar impacto real no risco de infarto e AVC. Associada a rituais de prosperidade no fim do ano, a romã ganhou nos últimos anos um novo tipo de fama: a de possível aliada da saúde cardiovascular. Mas até que ponto essa reputação se sustenta fora da tradição e dentro da ciência? A resposta é mais complexa — e mais interessante — do que a ideia de que “faz bem” ou “não faz”. A romã reúne compostos que chamam atenção de pesquisadores pela capacidade de reduzir processos inflamatórios e oxidativos no organismo, dois mecanismos centrais na formação da aterosclerose, doença que leva ao entupimento das artérias. Mas, ao mesmo tempo, faltam estudos de grande porte em humanos capazes de medir seu impacto real sobre infartos, AVCs e mortalidade. Ou seja: há potencial, mas ainda não há consenso.

    Por que a romã entrou no radar da cardiologia. O ponto de partida está na composição única da fruta. A nutróloga Andrea Pereira, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, explica que a romã é especialmente rica em polifenóis — antioxidantes potentes que, em laboratório e em modelos animais, reduzem inflamação, estresse oxidativo e até a formação de placas de gordura nos vasos. (...)” O que existe é promissor, mas insuficiente para criar recomendações formais. (...)”

    “Daqui para frente, o que falta são grandes estudos prospectivos, com milhares de pessoas acompanhadas por anos, para responder à pergunta mais importante: Esses efeitos intermediários realmente se traduzem em menos infartos, AVCs e mortes?”, explica Naufel. Até lá, a fruta segue como coadjuvante, não como intervenção terapêutica.(...)

    Vale apostar na romã para o coração? No fim, a resposta é equilibrada — e talvez menos mágica do que a tradição sugere. Tudo o que a ciência já observou aponta que a romã tem, sim, potencial cardiovascular. Mas esse potencial é coadjuvante, não curativo. Não substitui remédios, não controla o colesterol sozinha e não impede infartos.


Disponivel em:https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/16/ roma-pode-ajudar-o-coracao-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-fruta- -da-sorte.ghtml.Acesso em: 20.dez.2025.
Considere o trecho: “Até lá a fruta segue como coadjuvante...” Marque a alternativa que apresenta a classe gramatical dos vocábulos aí presentes:
Alternativas
Q3952876 Português
Telescópios mais potentes estão sendo construídos para olhar mais longe e com mais detalhes. (5º parágrafo)
Na frase acima, a palavra “mais” é empregada três vezes, possuindo diferentes classificações gramaticais, que são, respectivamente: 
Alternativas
Q3945738 Português
Na língua portuguesa, os advérbios são palavras e expressões usadas para modificar o sentido dos verbos nas orações. Entretanto, advérbios também podem ter a função de marcadores discursivos, conduzindo a interpretação de um enunciado pelo interlocutor. Em qual das alternativas a seguir a palavra “agora” funciona como um marcador discursivo?
Alternativas
Q3928431 Português
Eis a minha escola do coração: Mocidade! – A Expressão em destaque é uma locução denotativa que exprime ideia de:
Alternativas
Q3924033 Português
Novo fungo zumbi é descoberto na Mata Atlântica do Rio de Janeiro


Cientistas identificaram uma nova espécie de fungo durante uma expedição científica realizada em uma reserva florestal de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. O organismo recebeu o nome de Purpureocillium atlanticum, em referência à coloração arroxeada de suas estruturas e ao bioma da Mata Atlântica, onde foi encontrado.

A descoberta ganhou destaque internacional ao ser incluída entre as descrições mais relevantes de novas espécies vegetais e fúngicas do ano. O fungo apresenta um comportamento altamente especializado: ele infecta aranhas de alçapão, artrópodes que vivem no solo e constroem armadilhas subterrâneas para capturar presas.

O termo fungo zumbi é usado para descrever organismos capazes de invadir o corpo de seus hospedeiros e controlar processos vitais até a morte. No caso do Purpureocillium atlanticum, os pesquisadores localizaram no chão da floresta uma estrutura visível do fungo, chamada corpo de frutificação, responsável pela liberação dos esporos. Ao escavar o local, verificaram que o organismo havia se desenvolvido a partir de uma aranha já morta.

Os esporos do fungo penetram o exoesqueleto do hospedeiro e alcançam a hemolinfa, onde passam a se reproduzir rapidamente. Durante esse processo, o fungo libera substâncias que neutralizam o sistema de defesa da aranha, levando-a à morte e permitindo a completa colonização do corpo.

Espécies semelhantes já haviam sido registradas em outros países, mas análises genéticas mais detalhadas mostraram que elas não pertenciam a uma única espécie, como se pensava anteriormente. O que existia, na verdade, era um conjunto de espécies distintas, reunidas sob uma mesma classificação. A nova espécie brasileira faz parte desse grupo, agora reconhecido como um complexo mais diverso do que se imaginava.

A identificação só foi possível graças ao uso de tecnologias portáteis de sequenciamento genético, que permitem analisar o material ainda fresco no próprio local da coleta, aumentando a precisão dos estudos.

A descoberta reforça o quanto ainda se conhece pouco sobre o universo dos fungos. Estimativas indicam que existam milhões de espécies no planeta, das quais apenas uma pequena parcela foi descrita. Conhecer essa diversidade é estratégico, especialmente pelo potencial desses organismos na produção de substâncias de interesse médico.

Segundo os pesquisadores, muitos fungos precisam competir com bactérias e outros microrganismos para sobreviver, o que os leva a produzir compostos com possível ação antibiótica. Em um cenário de mudanças climáticas e desafios sanitários, compreender melhor esse grupo pode abrir caminhos para soluções mais sustentáveis e inovadoras.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq5y62ln2q1o.adaptado.
A nova espécie brasileira faz parte desse grupo, agora reconhecido como um complexo "mais" "diverso" do que se imaginava.
Morfologicamente, os termos destacados, nesta frase, são, respectivamente:
Alternativas
Q3871757 Português

Texto para a questão.






CARINI, Márcia. Vida em conjunto. In: Revista Pesquisa Fapesp, ed. 358, nov./2025 (com adaptações). 


No texto, o vocábulo “então” (linha 35) transmite noção de  
Alternativas
Q3863620 Português
Assinale a alternativa que contém uma análise correta da classificação gramatical, entre parênteses, dos termos em destaque nas frases.
Alternativas
Q4232149 Português

O momento vazio


    Então tudo ficou vazio. Não, não é isto, era mesmo muito mais grave ainda: tudo era vazio; apenas o que aconteceu foi que a dolorosa, a insuportável consciência disso ficou tão nítida que paralisou o homem. Nenhum sentido em seu trabalho nem em sua vida; nenhum sentido nos louvores nem nas censuras. A máscara que os outros lhe haviam posto, ou que lentamente, ao sabor das circunstâncias, ele se tinha composto para os outros, lhe pareceu de repente uma coisa tão falsa, tão vã; mas quando quis saber qual era sua verdadeira face, qual era sua própria verdade, não encontrou mais nada.

    Compreendeu que aquela máscara era, ou ficara sendo, sua única verdade, embora ela própria fosse falsa; se a sua própria vida era uma contrafação, a máscara era legítima. Vivera antes talvez com uma noção vaga, quase inconsciente, de que havia em si mesmo duas pessoas - uma era aquela de uso diário, a outra era a autêntica. Foi naquele instante que teve a intuição de que a autêntica não existia, ou existia tão misturada com a outra que não era mais possível separar: perdera-se, gastara-se em antigas lutas, em antigas paixões, no longo hábito de viver.

    Um homem se recolhe, está só, em um quarto fechado, diante do espelho. Então acende todas as luzes e se olha bem ao espelho. Então procura retirar a máscara. E descobre que ela já aderiu ao seu rosto, que ela é seu próprio rosto - descobre que não há máscara, ou que não há rosto verdadeiro. O tecido é todo um, tudo se trança na mesma trama, o que foi vindo de fora, e o que foi vindo de dentro. Então ele apaga as luzes e procura pensar, procura sentir alguma coisa de si mesmo, um motivo para viver ou para morrer; e sente o grande vazio.

    “Sem chorar nem rir; nem rir nem chorar”, como em um esquecido brinquedo infantil. Poderia ir até a vitrola, pôr um disco; a música tem um poder mecânico sobre a alma, um poder ao mesmo tempo profundo e leviano. Mas ficou parado, como um ferido que se sente incômodo e insone em seu leito, mas procura não mover o corpo para evitar sentir uma dor; como alguém que procura se instalar no próprio desconforto e no próprio tédio. Ficou parado, humildemente parado.

    Foi então que o telefone bateu.


BRAGA, R. O momento vazio. In: DIDIER, C. (Org.) Os moços cantam & outras crônicas sobre a música. Rio de Janeiro, Autêntica Editora, 2016, p. 140-141. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15004/omomento-vazio>.

Em “Ficou parado, humildemente parado”, a palavra “humildemente” denota uma circunstância de:
Alternativas
Q4227113 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Fiu-fiu


(Luis Fernando Veríssimo)


Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha?


Lançaram agora um celular à prova d’água, que você pode usar no chuveiro. Ou em qualquer outro lugar embaixo d’água. No mar, por exemplo.


— Bem, não me espere para o jantar...


— Onde você está?


— Sabe a nossa pesca submarina?


— O que houve?


— Pensei que fosse uma garoupa e era um tubarão. E ele está vindo na minha direção.


— Você ainda está embaixo d’água?!


— Estou.


— E o seu arpão?


— O tubarão engoliu!


— Ligue para a Guarda Costeira!


São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares, e agora nem as piscinas estão seguras.


Os celulares são práticos e se tornaram indispensáveis, eu sei, mas empobreceram a vida social. Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha? Ou um casal em outra mesa, os dois mergulhados nos respectivos celulares sem nem se olharem, o que dirá se falarem — a não ser que estejam trocando mensagens silenciosas entre si, o que é ainda mais triste? 


Os celulares podem ser perigosos de várias maneiras, mesmo que não derretam o cérebro, como se andou espalhando há algum tempo. Imagino uma velhinha que ganhou um celular dos netos sem que estes se dessem ao trabalho de explicar seu funcionamento para a vovó. Não contaram, por exemplo, que o celular dado assobia quando recebe uma mensagem. É um assovio humano, um nítido fiu-fiu avisando que alguém ligou, e que pode soar a qualquer hora do dia ou da noite. E imagino a vovó, que mora sozinha, dormindo e, de repente, acordando com o assovio. Um fiu-fiu no meio da noite! A vovó, se não morrer imediatamente do coração, pode ficar apavorada. Quem está lá? Um ladrão ou um fantasma assoviador? E o assovio tem algo de galante. A vovó pode muito bem sair da cama, sem saber se está acordada ou sonhando, e caminhar na direção do fiu-fiu sedutor, como se tivessem vindo buscá-la. Alguém pensou nas vovós solitárias quando inventou o assovio?


O fato é que não há mais refúgio. Nem castelos antismartphones com um fosso em volta. Eles agora podem atravessar o fosso. 


Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/fiu-fiu-13464128

No trecho “São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares.”, a palavra mais é
Alternativas
Q4175146 Português
Chão de Giz

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas amiúde

Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe
Uma camisa de força ou de Vênus

Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão
Na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de boy, that's over, baby
Freud explica

Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular

No mais, estou indo embora
No mais, estou indo embora
No mais, estou indo embora
No mais

Fonte: https://www.letras.mus.br/ze-ramalho/49364/
A canção “Chão de Giz”, de Zé Ramalho, apresenta uma linguagem poética marcada por recursos morfossintáticos que reforçam o tom emocional, a subjetividade e o caráter reflexivo do eu lírico. É possível observar a presença de diferentes estruturas morfossintáticas que contribuem para a musicalidade e o sentido da letra. Baseando-se nesses aspectos, analise as afirmativas a seguir:

I. A palavra “solidão” é acentuada por ser oxítona terminada em “ão”.

II. A palavra “amiúde” é acentuada por ser proparoxítona e funciona como advérbio de tempo.

III. Em “Espalho coisas sobre um chão de giz”, o sujeito é oculto, e o termo “coisas” é objeto direto.

IV.Em “Há meros devaneios tolos, a me torturar”, a vírgula tem função expressiva, e não sintática.

V. O termo “recortadas”, em “Fotografias recortadas...”, é um particípio com valor adjetivo, qualificando o substantivo “fotografias”.

VI. Em “No mais, estou indo embora”, o verbo “estou” deve estar no plural para concordar com o termo “mais”.

VII. A ausência de conjunções em versos como “Agora pego um caminhão / Na lona vou a nocaute outra vez” revela um recurso de justaposição, típico do estilo poético.

VIII. A repetição de “No mais, estou indo embora” ao final da canção funciona como recurso sintático e rítmico de ênfase, substituindo sinais de pontuação conclusivos.


Pode-se afirmar que há apenas:
Alternativas
Q4175139 Português
Chão de Giz

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas amiúde

Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe
Uma camisa de força ou de Vênus

Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão
Na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de boy, that's over, baby
Freud explica

Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular

No mais, estou indo embora
No mais, estou indo embora
No mais, estou indo embora
No mais

Fonte: https://www.letras.mus.br/ze-ramalho/49364/
Na canção “Chão de Giz”, a palavra “amiúde” é pouco usada na linguagem cotidiana, mas seu sentido é fundamental para compreender o verso. O termo “amiúde” significa:
Alternativas
Q4107847 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1

Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo

[...]

Por Sérgio Rodrigues 


    Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?


    Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?


    O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?


    Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?


    O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?


    Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.

No excerto “Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação.”, qual palavra exerce a função de advérbio? 
Alternativas
Q4100789 Português
Arte Digital: saiba como tudo começou

Saiba como a tecnologia revolucionou o mundo da arte e quem foram os principais responsáveis.

Por Paulo Varella


   A arte digital é um movimento artístico que encapsula uma obra ou prática artística que usa qualquer forma de tecnologia digital como parte de seu processo de criação ou apresentação. Sendo um método de arte muito acessível, nunca se criaram tantas possibilidades no mundo da arte como a arte digital.

   À medida que a era digital (também conhecida como a era da informação) marcou sua presença no mundo entre 1950 e 1970, era apenas uma questão de tempo até que os artistas entendessem suas tecnologias progressivas para sua própria produção criativa.

   Como acontece com todos os novos meios, os artistas começaram a exercer essas novas e valentes inovações da sociedade, incluindo a televisão, a introdução do computador pessoal, a acessibilidade do software de audiovisual e, eventualmente, a internet, em suas próprias obras.

   Embora a arte digital não seja reconhecida como um movimento distinto, por si só, à medida que a tecnologia continua a crescer rapidamente na sociedade contemporânea, continuaremos a vê-la se desenvolver e a passar por constantes mudanças, solidificando-se como uma possível alternativa aos meios tradicionais de criação de arte.
[...]

   Em 1967, foi formado um coletivo originado pelos engenheiros Billy Klüver e Fred Waldhauer e pelos artistas Robert Rauschenberg e Robert Whitman. Esse grupo foi nomeado como EAT (Experimentos em Arte e Tecnologia) e sua missão era promover a colaboração entre a arte e o crescente mundo da tecnologia.

   O resultado dessa criação foi uma série de instalações e desempenhos que incorporavam sistemas eletrônicos inovadores, incluindo circuitos elétricos, projeção de vídeo e projeção de som sem fio. Ainda que muitos desses sistemas não fossem estritamente “digitais” devido à relativa primitividade da tecnologia envolvida, o EAT lançou as bases para um tipo de arte que abraçou e explorou o progresso tecnológico.

   Inaugurando as “regras” do que conhecemos como arte conceitual, arte de desempenho, música de barulho experimental, teatro das eras de Dada, Fluxus e os “acontecimentos” da década de 1960 na era digital revolucionária, os experimentos desse grupo representaram um casamento inovador entre artistas e tecnologias nunca vistas anteriormente.
[...]

   À proporção que a tecnologia se tornou mais enraizada na existência cotidiana, a novidade do “digital” na arte desapareceu. Hoje, não se vê muito trabalho conceitual, vídeo, internet, mídia social e arte multimídia utilizando ferramentas digitais e mídia sem alinhamento específico com o movimento de arte digital. As obras nesse domínio, geralmente, são agora consideradas sob o termo mais abrangente “new media art”.

   A tecnologia continua a avançar à velocidade da corrente, compelida pela imaginação do homem contemporâneo. Por exemplo, embora muitos artistas, ao longo do tempo, tenham feito arte inspirada no cosmos, alguns artistas hoje estão explorando espaço e outras dimensões por meio do uso de software astronômico digital de alta tecnologia. [...]


Adaptado de: https://arteref.com/movimentos/arte-digital/.
Acesso em: 19 nov. 2024.
Em relação à função das expressões ou termos destacados, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4097678 Português

O cuidado com a saúde mental na atualidade

Por FMUSP

O século XXI, junto a tantas novidades em diversos setores da sociedade, trouxe também um aumento significativo das doenças mentais – a depressão, por exemplo, é considerada o mal desse período. No Brasil, durante o primeiro ano da pandemia da covid-19, os casos de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25%. Dessa forma, a saúde mental se tornou tema corriqueiro na vida dos brasileiros. Se antes ela não estava entre as preocupações, hoje tem um protagonismo e é mais discutida abertamente. Em quatro anos, houve um aumento de 2,7 vezes na quantidade de pessoas que a consideram uma inquietude.

[...]

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental não é só a ausência de doenças, mas, sim, o perfeito equilíbrio entre saúde física, mental, social e espiritual. Além de estar bem fisicamente, a pessoa precisa ter boas relações sociais e se entender como ser humano, por meio do autoconhecimento. Sendo assim, o fundamento da saúde mental se encontra em seus três pilares: o lado espiritual, físico e mental. Nesse sentido, há uma diferença entre ela e a saúde emocional, que está relacionada com o desequilíbrio momentâneo: “Você pode ser uma pessoa que não tem transtorno psiquiátrico, no entanto não está bem emocionalmente. Por exemplo, está em um processo de separação e está muito mexido e, com isso, não tem mecanismos internos para lidar no campo das emoções diante de um conflito. E aí adoece mentalmente naquele momento”, pontua o Coordenador da Pós-Graduação Multiprofissional em Saúde Mental e Psiquiatria do HCFMUSP, Dr. José Gilberto Prates, especialista em saúde mental e doutor em ciências da saúde.

[...]

Para que a saúde mental esteja sempre em dia, é preciso se conhecer e estabelecer alguns hábitos, como se alimentar bem, dormir o suficiente e ter relações sociais e afetivas de maneira saudável. Para os profissionais da saúde, que estiveram na linha de frente da covid-19 e tiveram de lidar com situações delicadas ao longo desse tempo, o cuidado é redobrado. Segundo o Dr. José Gilberto, a negligência com a saúde mental sempre existiu nessa classe, já que muitos trabalham em mais de dois ou três hospitais, o que prejudica os afazeres da vida pessoal, como praticar esportes, ler um livro e aproveitar a família. “Como cuidamos de outras pessoas, é necessário entender que precisamos cuidar da gente também. Tudo o que ajuda na qualidade de vida, ajuda na saúde mental”, afirma.

[...]

Hodiernamente, a sociedade passa por um período de vulnerabilidade no campo das emoções e no seu tempo de equilíbrio. Para que esse cenário comece a mudar, é importante que as pessoas comecem a adquirir hábitos saudáveis para uma melhor qualidade de vida. Com a quantidade de trabalho e uma vida mais frenética, não há autocuidado, nem atenção com o que está acontecendo ao redor, inclusive com a família. Resgatar a espiritualidade, até mesmo no campo religioso, faz com que a saúde mental fique protegida: “Quando eu vejo um jovem entrando em uma escola e praticando violência contra todo mundo… Eu acho que ele está muito freneticamente adoecido, e ninguém viu. Onde estamos falhando?”, pergunta Dr. José Gilberto.

É preciso se perguntar para onde a vida está caminhando e o que você está fazendo com ela. Algumas perguntas que o especialista sugere são: “Eu tenho conversado com meus amigos?”, “Eu dou atenção o suficiente?”, “Eu falo com minha família?”. O contato das relações é importante para que haja essa manutenção, de forma que você e o outro possam ser percebidos: “A professora de enfermagem Maria Júlia Paes da Silva tem um texto, que diz: ‘comunicação tem remédio’. Eu conversei com ela recentemente e falei: ‘professora, eu acho que comunicação é o remédio’”, finaliza.

[...]

Adaptado de: https://hcxfmusp.org.br/portal/online/saude-mental/. Acesso em: 19 nov. 2024.

Assinale a alternativa em que a frase “Eu acho que ele está muito freneticamente adoecido [...]” foi reescrita sem prejuízos a seu sentido original.
Alternativas
Q4097671 Português

O cuidado com a saúde mental na atualidade

Por FMUSP

O século XXI, junto a tantas novidades em diversos setores da sociedade, trouxe também um aumento significativo das doenças mentais – a depressão, por exemplo, é considerada o mal desse período. No Brasil, durante o primeiro ano da pandemia da covid-19, os casos de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25%. Dessa forma, a saúde mental se tornou tema corriqueiro na vida dos brasileiros. Se antes ela não estava entre as preocupações, hoje tem um protagonismo e é mais discutida abertamente. Em quatro anos, houve um aumento de 2,7 vezes na quantidade de pessoas que a consideram uma inquietude.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental não é só a ausência de doenças, mas, sim, o perfeito equilíbrio entre saúde física, mental, social e espiritual. Além de estar bem fisicamente, a pessoa precisa ter boas relações sociais e se entender como ser humano, por meio do autoconhecimento. Sendo assim, o fundamento da saúde mental se encontra em seus três pilares: o lado espiritual, físico e mental. Nesse sentido, há uma diferença entre ela e a saúde emocional, que está relacionada com o desequilíbrio momentâneo: “Você pode ser uma pessoa que não tem transtorno psiquiátrico, no entanto não está bem emocionalmente. Por exemplo, está em um processo de separação e está muito mexido e, com isso, não tem mecanismos internos para lidar no campo das emoções diante de um conflito. E aí adoece mentalmente naquele momento”, pontua o Coordenador da Pós-Graduação Multiprofissional em Saúde Mental e Psiquiatria do HCFMUSP, Dr. José Gilberto Prates, especialista em saúde mental e doutor em ciências da saúde.

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Para que a saúde mental esteja sempre em dia, é preciso se conhecer e estabelecer alguns hábitos, como se alimentar bem, dormir o suficiente e ter relações sociais e afetivas de maneira saudável. Para os profissionais da saúde, que estiveram na linha de frente da covid-19 e tiveram de lidar com situações delicadas ao longo desse tempo, o cuidado é redobrado. Segundo o Dr. José Gilberto, a negligência com a saúde mental sempre existiu nessa classe, já que muitos trabalham em mais de dois ou três hospitais, o que prejudica os afazeres da vida pessoal, como praticar esportes, ler um livro e aproveitar a família. “Como cuidamos de outras pessoas, é necessário entender que precisamos cuidar da gente também. Tudo o que ajuda na qualidade de vida, ajuda na saúde mental”, afirma.

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Hodiernamente, a sociedade passa por um período de vulnerabilidade no campo das emoções e no seu tempo de equilíbrio. Para que esse cenário comece a mudar, é importante que as pessoas comecem a adquirir hábitos saudáveis para uma melhor qualidade de vida. Com a quantidade de trabalho e uma vida mais frenética, não há autocuidado, nem atenção com o que está acontecendo ao redor, inclusive com a família. Resgatar a espiritualidade, até mesmo no campo religioso, faz com que a saúde mental fique protegida: “Quando eu vejo um jovem entrando em uma escola e praticando violência contra todo mundo… Eu acho que ele está muito freneticamente adoecido, e ninguém viu. Onde estamos falhando?”, pergunta Dr. José Gilberto.

É preciso se perguntar para onde a vida está caminhando e o que você está fazendo com ela. Algumas perguntas que o especialista sugere são: “Eu tenho conversado com meus amigos?”, “Eu dou atenção o suficiente?”, “Eu falo com minha família?”. O contato das relações é importante para que haja essa manutenção, de forma que você e o outro possam ser percebidos: “A professora de enfermagem Maria Júlia Paes da Silva tem um texto, que diz: ‘comunicação tem remédio’. Eu conversei com ela recentemente e falei: ‘professora, eu acho que comunicação é o remédio’”, finaliza.

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Adaptado de: https://hcxfmusp.org.br/portal/online/saude-mental/. Acesso em: 19 nov. 2024.

Em relação à função dos termos destacados, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4097549 Português
Analise as palavras destacadas e assinale a alternativa que contém um advérbio:
Alternativas
Q4095335 Português
Analise as palavras destacadas e assinale a alternativa que contém um advérbio
Alternativas
Ano: 2025 Banca: CONSULPAM Órgão: Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE Provas: CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicólogo | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicólogo - CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - Plantonista Noturno | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - SAD | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - CAPS Geral | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - CAPS Álcool e Drogas | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - NACA | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ginecologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ortopedista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Assistente Social | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Fisioterapeuta | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário (Geral) | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Bucomaxilofacial | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Assistente Social CAPS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - CD - Radiologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário - Cirurgião | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Biomédico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário - Anestesista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Auditor | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Auditor - Regulação | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - UBS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Atendimento Noturno e Final de Semana | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Endodontista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Educador Físico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Enfermeiro | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Enfermeiro CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Farmacêutico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Orientador Ambiental (Educador Ambiental) | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Pedagogo - CRAS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicopedagogo NACA/CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Analista de Sistemas | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Engenheiro Civil | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Engenheiro Eletricista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Terapeuta Ocupacional | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Pediatra | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Neurologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ultrassonografista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Nutricionista |
Q4090578 Português
TEXTO


COMO DRONES SE TORNARAM UMA AMEAÇA ÀS COMUNIDADES RURAIS


  Os agricultores familiares de Limoeiro do Norte, no Ceará, preparavam-se para mais uma feira agroecológica mensal quando foram surpreendidos pela notícia de que o governador Elmano de Freitas (PT) havia prometido autorizar, até o fim de 2024, o uso de drones agrícolas para pulverização no estado.

   O anúncio reacendeu um medo já inexistente na cidade, palco histórico da luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos no Brasil. Treze dias depois, a medida foi concretizada e o Ceará deixou de ser o único estado brasileiro a impedir totalmente essa modalidade de uso de pesticidas. “A história de veneno na nossa região já ultrapassa os limites. Vivemos numa situação delicada, o progresso chegando, o agronegócio dominando e a gente acuado”, lamenta Lucas Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares de Limoeiro.

   A reviravolta cearense não aconteceu por acaso. Os drones têm sido cada vez mais utilizados para pulverização de agrotóxicos no Brasil, vendidos como uma alternativa mais precisa e tecnológica aos aviões. Em dois anos, a quantidade de drones registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para fins de pulverização aumentou em mais de dez vezes, saltando de 674 para 7.312 entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.

   Antes, os registros se concentravam em 18 estados, agora já há presença de drones agrícolas cadastrados em 26 unidades da federação. O Ceará, que não tinha nenhum, já tem quatro cadastros. Além dele, passaram a figurar registros no Acre, Amazonas, Paraíba, Piauí, Roraima, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Já localidades onde há forte presença do agronegócio sofreram os aumentos mais expressivos. O Maranhão viu saltar os cadastros de um para 104, enquanto o Mato Grosso do Sul teve um aumento de dois para 103 drones.

   O avanço dos drones agrícolas no Brasil vem acompanhado da criação de normativas. Em 2021, a portaria 298/21 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu regras para os operadores e equipamentos. Para manejá-los, é preciso cadastrar os drones na Anac e realizar um curso, chamado de CAAR. Além disso, não é permitida a aplicação aérea de agrotóxicos em áreas situadas a menos de vinte metros de povoações. Em estados como o Ceará e Maranhão, entretanto, a realidade é outra, denunciam movimentos sociais. Os drones se transformaram em uma ameaça.

  Um levantamento divulgado pela ONG Repórter Brasil no início deste mês mostra que 228 comunidades em 35 municípios do Maranhão denunciaram contaminação por pesticidas até outubro de 2024. Dessas, em 94% dos casos a pulverização foi feita por drones. “O problema dos drones no Maranhão se relaciona com a expansão do agronegócio [...] Há uma demanda excessiva pelo uso de agrotóxicos”, explica o advogado Diogo Cabral, da Federação dos Trabalhadores Rurais do Maranhão (Fetaema), uma das entidades que fez o levantamento.

  Segundo Cabral, os drones começaram a ser vistos na paisagem nos últimos quatro anos e estão relacionados à contaminação dos rios e nascentes, ao adoecimento agudo da população, que têm apresentado problemas de pele, enjoos e dificuldades respiratórias, e à perda de produção agroecológica. Alguns agricultores denunciam que os equipamentos têm sido utilizados a menos de 20 metros das residências e plantações. “Eles geralmente colocam muito cedo pela manhã ou no fim do dia. Sem contar que as famílias não têm mais privacidade. [...]

  De acordo com a Fetaema, todas as denúncias recebidas afirmam que os drones estão pulverizando diretamente o plantio das comunidades. Em São Mateus, a cerca de 200 quilômetros de São Luís, moradores de territórios quilombolas têm perdido a plantação de milho, abóbora e feijão por causa das pulverizações. “Está sem controle, e só quem perde somos nós, os pequenos”, reclama um representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de São Mateus.

   As ações são consideradas pelas entidades que defendem os agricultores como tentativas de expulsão das comunidades tradicionais. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que a contaminação por agrotóxicos nas comunidades rurais aumentou quase dez vezes no primeiro semestre de 2024. Na maioria dos casos de conflitos de terra registrados pela entidade, foi relatado uso de drones. “Eles fazem parte de um conjunto de ameaças. É uma tecnologia usada em conjunto a seguranças armados, que vigiam os caminhos, a movimentação no território”, explica Lenora Rodrigues, da coordenação da CPT Maranhão.

 “Os drones entraram como mais uma ferramenta para ajudar no processo de inviabilização da vida tradicional dessas comunidades”, afirma Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O modelo de drone agrícola mais utilizado no país é o Agras T40, da empresa DJI, que representa 34,5% de todos os equipamentos cadastrados na Anac. De acordo com o site da fabricante, o drone pode carregar até 40 quilos de carga útil de pulverização e espalhar 1,5 tonelada de fertilizante por hora.

   Em seu último relatório anual, a DJI afirma que a indústria global de drones agrícolas está em expansão e destaca o Brasil, ao lado dos Estados Unidos e da China, como país que está na vanguarda da regulamentação desses equipamentos. No Brasil, há uma tendência em tornar os processos de registro mais fáceis. Em outubro de 2024, o Mapa anunciou uma consulta pública para desburocratizar cadastros de operadores e entidades de ensino. Em 2023, a Anac já havia simplificado as regras para cadastro dos drones agrícolas.

   “Para os pilotos de drone, as exigências são muito menores do que para os pilotos de avião, em termos de técnica e conhecimento para fazer essa atividade. Basta fazer um pequeno curso”, questiona Tygel. Na internet, é possível encontrar cursos totalmente online que prometem aulas do básico ao avançado por valores entre R$ 1 mil e R$ 4,5 mil.

   Cerca de 70% dos drones cadastrados em janeiro de 2023 para pulverização estavam em nomes de empresas. Esse percentual diminuiu para 48% em dois anos, ou seja, agora a maioria dos drones usados para pulverizar no país estão em nome de pessoas físicas. “A pessoa pode ter um certificado oficial do ministério sem nunca ter visto um drone”, afirma o deputado estadual Renato Roseno (PSOL-CE), um dos autores da lei que proibiu a pulverização aérea no Ceará em 2019.

    No começo de 2024, representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Timbiras (STTR), no Maranhão, chegaram a ser procurados por representantes de empresas interessadas em ofertar cursos semelhantes. Em Açailândia, a própria prefeitura da cidade chegou a oferecer, em 2023, um curso de pilotagem de drone. “Muitos jovens têm procurado [esses cursos] porque dizem que é uma forma de ganhar dinheiro, que está em alta. Mas [as empresas] não socializam o que tem sido a questão do drone para a nossa vida, para o meio ambiente”, reclama uma agricultora local.

  De acordo com Cabral, as lojas de drones também passaram a ser vistas com mais frequência em pequenos e médios municípios onde há presença do agronegócio nos últimos dois anos. Apesar do crescimento do setor, entidades como Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Fiocruz e a Cáritas, já se posicionaram contra a pulverização por drones.

  A Fiocruz e a Abrasco alegam que, apesar do discurso que posiciona os drones como menos contaminantes e mais precisos que aviões, faltam estudos para provar isso. “Os estudos sobre o impacto do uso de drones para a aplicação de agrotóxicos na saúde e no ambiente ainda não conseguiram acompanhar a velocidade do mercado”, diz uma nota técnica conjunta publicada em dezembro.

   A pulverização aérea é proibida na União Europeia desde 2009 e concentra críticas sobretudo pela deriva – quando a aplicação não atinge o local adequado e acerta alvos circunvizinhos. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que, mesmo com ventos ideais, apenas 32% dos agrotóxicos pulverizados por via aérea ficam retidos nas plantas.

   Para o pesquisador Fernando Carneiro, da Fiocruz Ceará e do grupo temático de Saúde e Ambiente da Abrasco, o avanço dos drones na agricultura está ligado à redução de custos das operações. Segundo o especialista, trocar a pulverização manual pelo drone impede que um trabalhador contaminado acione a Justiça por danos, bem como reduz o valor investido na logística de operação de aviões.

   Os parâmetros estabelecidos para a aplicação dos agrotóxicos e a capacidade dos governos de fiscalizar o cumprimento dessas regras também são alvo de críticas. “Pode-se estabelecer uma distância segura para aplicar o que chamamos de veneno? Não se pode ter controle do vento, da altura, do ângulo dos jatos”, afirma a advogada e coordenadora de projetos da ONG Esplar, Magnólia Said.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/comodrones-se-tornaram-uma-ameaça-às-comunidadesrurais/a-71512506>. Adaptado. Acesso em: 14 de
setembro de 2025.
No trecho “é possível encontrar cursos totalmente online que prometem aulas do básico ao avançado”, o termo destacado deve ser classificado como: 
Alternativas
Respostas
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