Questões de Concurso
Comentadas sobre advérbios em português
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Medos e fobias compõem uma lista breve e universal. Cobras e aranhas sempre amedrontam. São o que mais comumente provoca medo e asco em estudantes universitários cujas fobias foram estudadas; isso tem sido assim por muito tempo em nossa história evolutiva. Donald Hebb constatou que chimpanzés nascidos em cativeiro gritam aterrorizados quando veem uma cobra pela primeira vez. Mesmo nas culturas que veneram as serpentes, as pessoas as tratam com muita cautela.
Os outros medos comuns são de altura, tempestades, grandes carnívoros, escuridão, sangue, estranhos, confinamento, águas profundas, escrutínio social e deixar a casa sozinha. A linha comum é óbvia: essas são as situações que punham em perigo nossos ancestrais. Aranhas e cobras frequentemente são venenosas, em especial na África, e a maioria dos outros medos representa perigos evidentes para a saúde de um coletor de alimentos ou, no caso do escrutínio social, para o status. O medo é a emoção que motivava nossos ancestrais a lidar com os perigos que tendiam a encontrar.
O medo provavelmente consiste em várias emoções. Fobias de coisas físicas, de escrutínio social e de deixar a casa sozinha reagem a diferentes tipos de drogas, o que é um indício de que são computadas por circuitos cerebrais distintos. O psiquiatra Isaac Marks demonstrou que as pessoas reagem de modos diferentes a diferentes estímulos atemorizantes, sendo cada reação apropriada ao perigo. Um animal desencadeia o ímpeto de fugir, mas um precipício faz a pessoa ficar petrificada. Ameaças sociais conduzem à timidez e a gestos de apaziguamento. Há pessoas que realmente desmaiam ao ver sangue, pois sua pressão sanguínea cai, presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue.
A melhor evidência de que medos são adaptações, e não apenas erros do sistema nervoso, é que os animais que evoluíram em ilhas sem predadores perdem o medo e se tornam presas fáceis para qualquer invasor. Os medos dos atuais habitantes das cidades protegem-nos de perigos que não existem mais e deixam de nos proteger dos perigos do mundo que nos cerca. Deveríamos ter medo de armas de fogo, de dirigir em alta velocidade, de andar de carro sem cinto de segurança, de fluido de isqueiro e do secador de cabelo perto da banheira, e não de cobras e aranhas. Os responsáveis pela segurança pública tentam incutir o medo no coração dos cidadãos usando todos os recursos, das estatísticas às fotografias chocantes, geralmente em vão. Os pais gritam e castigam os filhos para impedi-los de brincar com fósforos ou de correr atrás da bola na rua, mas, quando se perguntou a estudantes de séries iniciais em Chicago o que eles mais temiam, as crianças citaram leões, tigres e cobras — perigos improváveis naquela cidade.
Steven Pinker. O cheiro do medo. In: Como a mente funciona.
Laura Motta (Trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini − e os fiz contar mentiras sobre mim
Talvez você já tenha ouvido que chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT e Gemini, às vezes inventam informações. Isso é preocupante. Mas existe um problema menos conhecido e potencialmente mais grave: a facilidade com que essas ferramentas são levadas a repetir conteúdos falsos, com efeitos sobre a busca por informação confiável e até sobre a segurança das pessoas.
Um número crescente de usuários descobriu um método simples para fazer sistemas de IA dizerem quase qualquer coisa. Essa estratégia interfere no que algumas das principais inteligências artificiais do mundo dizem sobre temas delicados, como saúde, finanças pessoais e reputação. Informações enviesadas influenciam decisões importantes, como escolhas de consumo, posicionamentos políticos e questões médicas.
Para demonstrar esse risco, um repórter realizou um experimento incomum: conseguiu fazer o ChatGPT, o Gemini e recursos de busca com IA do Google afirmarem que ele seria extraordinariamente habilidoso em comer cachorros-quentes. A experiência mostrou que alterar o que essas ferramentas dizem a outras pessoas é tão simples quanto publicar um único texto aparentemente informativo na internet.
O método explora fragilidades dos sistemas usados pelos chatbots. Especialistas alertam que as empresas de IA avançam mais rápido do que sua capacidade de controlar a precisão das respostas, o que amplia os riscos. As empresas afirmam utilizar mecanismos para reduzir manipulações e manter resultados confiáveis, mas o problema ainda está longe de ser totalmente resolvido. Entre as possíveis consequências estão golpes, destruição de reputações e até situações que provoquem danos às pessoas.
Quando alguém conversa com um chatbot, parte da resposta vem do material usado no treinamento do modelo. Em outros casos, porém, a ferramenta consulta a internet para complementar a informação. É nesse momento que ela se torna mais vulnerável a conteúdos manipulados.
Foi justamente essa brecha que permitiu o experimento. O repórter escreveu, em seu próprio site, um artigo afirmando que havia um ranking dos melhores jornalistas de tecnologia em competições de cachorro-quente. Ele inventou um campeonato inexistente e colocou a si mesmo em primeiro lugar. Em menos de um dia, os principais chatbots já reproduziam a história absurda como se fosse verdadeira.
Ao perguntar quem seriam os melhores jornalistas de tecnologia em comer cachorros-quentes, as ferramentas passaram a repetir o conteúdo publicado. Em alguns casos, os sistemas sugeriam que aquilo poderia ser uma piada. Então, o autor alterou o texto para afirmar que não se tratava de sátira, e por algum tempo as IAs passaram a tratar o conteúdo com mais seriedade.
O problema, porém, não se limita a experiências curiosas. Pessoas usam esse mesmo mecanismo para influenciar respostas de IA sobre temas muito mais sensíveis. Muitas vezes, os sistemas indicam caminhos (links) para a fonte, mas raramente deixam claro que a informação pode vir de um único texto ou de uma fonte interessada no assunto.
Especialistas afirmam que qualquer pessoa pode produzir esse efeito com relativa facilidade, bastando publicar um conteúdo aparentemente confiável. Há décadas, mecanismos de busca enfrentam tentativas de manipulação, mas vários analistas consideram que a nova fase da IA reabriu espaço para práticas que lembram os primeiros tempos do spam na internet.
A situação se agrava porque os usuários tendem a confiar mais na resposta sintetizada pela IA do que nos resultados tradicionais de busca. Antes, era preciso acessar um site e avaliar seu conteúdo. Agora, a informação aparece diretamente na resposta da ferramenta, com tom de autoridade. Mesmo quando há indicação de fonte, as pessoas se mostram menos propensas a verificar o material original.
Chatbots funcionam relativamente bem em temas de conhecimento consolidado. O risco aumenta quando o assunto envolve controvérsia, atualização constante ou consequências práticas importantes. Por isso, essas ferramentas não devem ser tratadas como fonte suficiente para orientações médicas, jurídicas ou decisões que afetem diretamente a vida das pessoas.
Diante disso, é importante buscar informações complementares e observar se a IA apresenta fontes confiáveis. É essencial lembrar que essas ferramentas apresentam mentiras com o mesmo tom de segurança com que apresentam fatos. Se antes os mecanismos de busca obrigavam o usuário a avaliar as informações por conta própria, agora a IA faz isso em seu lugar. Por isso, não se deve abandonar o pensamento crítico.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy4w88ew21jo.adaptado.
"Talvez" você já tenha ouvido que chatbots de inteligência artificial, "como" ChatGPT e Gemini, "às vezes" inventam informações.
Em relação à classificação gramatical dos termos destacados no período, assinale a alternativa CORRETA.
Na frase acima, a palavra “mais” é empregada três vezes, possuindo diferentes classificações gramaticais, que são, respectivamente:
Morfologicamente, os termos destacados, nesta frase, são, respectivamente:
• Estigma por mulheres asiáticas que pedem divórcio
(https://www.terra.com.br/noticias, 31.08.2025. Adaptado.)
• Quando, a energia elétrica caiu em praticamente toda a Península Ibérica, em Madri, era meio-dia e . O que se seguiu a partir daí foi o que se espera em situações como essa: caos.
(https://www.nexojornal.com.br, 30.04.2025. Adaptado.)
• NASA trouxe para Terra gramas de um tipo de asteroide que “pode ter acelerado o surgimento da vida”
(https://expresso.pt/sociedade/ciencia, 27.09.2023. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Textos de
referência para responder à questão proposta.
Texto 01
Por que é hora
de democratizar a CNH no Brasil?
Renan Filho
Ministro dos
Transportes
A proposta do Ministério dos Transportes para ampliar
o acesso à Carteira Nacional de Habilitação parte de uma realidade alarmante:
20 milhões de brasileiros dirigem sem a CNH. O dado da pesquisa Perfil do
Condutor Brasileiro, do Instituto Nexus, revela o que se tornou evidente: o
atual modelo de formação de condutores é caro, burocrático e excludente.
[...]
A percepção geral é de que o serviço não entrega o que
cobra: 66% acham o valor injustificável, e 69% defendem reformas para reduzir
custos e burocracia. Para 60% da população, tornar a autoescola opcional, como
já ocorre em muitos países, é o caminho certo. Os efeitos do modelo atual
comprometem diretamente a segurança no trânsito. Motos já representam 42% da
frota nacional, chegando a 60% no Maranhão, onde mais de 70% dos proprietários
de motos não têm habilitação: são mais de 1 milhão de pessoas apenas neste
estado!
[...]
A modernização proposta não compromete a segurança no
trânsito. Ao contrário, busca aprimorá-la por meio da inclusão e formalização
dos condutores. Hoje, é por meio das provas teóricas e práticas aplicadas pelos
Detrans que se avalia a aptidão dos candidatos à CNH. Esse modelo de avaliação
continuará. O que muda é a forma como o cidadão poderá se preparar de forma
teórica e prática: nas autoescolas, por meio de ensino a distância ou com
plataforma digital disponibilizada pela Senatran e instrutores independentes
devidamente preparados e credenciados pelos Detrans.
[...]
Democratizar a CNH é enfrentar uma exclusão estrutural
com responsabilidade. É reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e salvar
vidas nas ruas e estradas do país.
Disponível
em:
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/08/porque-e-hora-de-democratizar-a-cnh-no-brasil.shtmlAceso
em: 23 ago. 2025. Com adaptações
Texto 02
Demagogia ao volante
Ministro quer
acabar com obrigatoriedade de treinamento prévio para tirar habilitação
O Ministério dos Transportes pretende acabar com a
obrigatoriedade de aulas de condução nas chamadas autoescolas para quem deseja
obter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) das categorias A (motocicletas) e
B (veículos de passeio). O objetivo seria “democratizar” o acesso à carteira de
motorista, segundo informou o ministro Renan Filho.
Em princípio, é sempre bem-vinda qualquer medida
tendente a eliminar intermediários compulsórios nas relações sociais mais
corriqueiras. O cartorialismo é uma das faces mais antigas e renitentes do
nosso atraso.
[...]
A alegação de que países como Inglaterra e Japão
dispensaram esse treinamento prévio para conceder habilitação não serve como
argumento. [...]
A diferença, óbvia, é que o Brasil tem fiscalização frouxa, incapaz de
tirar das ruas os motoristas inabilitados ou despreparados. É lícito imaginar
que sem a obrigatoriedade de treinamento profissional prévio, por pior que
seja, haverá ainda mais acidentes.
De fato, há toda uma indústria montada em torno da
emissão de licença para dirigir, o que encarece o processo e, não raro, resulta
em corrupção. Mas nada disso muda o fato de que é preciso exigir dos candidatos
a motorista ou motociclista que tenham preparo mínimo, com conhecimento das
regras de trânsito e de manejo do veículo, para serem habilitados.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/demagogia-aovolante/Acesso em: 24 ago. 2025. Com adaptações.
“O dado da pesquisa Perfil do Condutor Brasileiro, do Instituto Nexus, revela o que se tornou evidente:”
Nessa frase, as palavras “o” e “que” são, respectivamente,
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No período “Os fisioterapeutas não restauram somente funções corporais, mas também devolvem esperança e autoestima aos pacientes, demonstrando que a cura verdadeira acontece quando corpo e mente trabalham harmoniosa e diariamente em direção à recuperação completa.”, os termos “harmoniosa” e “diariamente” funcionam como advérbios de modo, mesmo que o sufixo “mente” tenha sido suprimido do primeiro termo.
I- Em “é contagiante a alegria” (1 º parágrafo), o termo sublinhado é o predicativo do sujeito.
II- Em “as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera... quanto o solstício de verão” (2 º parágrafo), a preposição “para” tem o sentido de finalidade.
III- Em “com um sotaque próprio” (2 º parágrafo), a palavra em destaque foi usada com sentido conotativo.
IV- As palavras “até” e “mês” são acentuadas pela mesma regra.
Quais são as corretas:
A respeito de advérbios, analisar os itens.
I. Na frase “Hoje, não quero mais saber de briga”, o termo sublinhado é um advérbio de tempo.
II. Na frase “Nem pense que vou aceitar isso”, o termo sublinhado é um advérbio de negação.
III. Na frase “Márcia estava bebendo demais”, o termo sublinhado é um advérbio de modo.
IV. Na frase “Provavelmente, ela não queria te magoar”, o termo sublinhado é um advérbio de dúvida.
Está CORRETO o que se afirma: