Questões de Concurso Comentadas sobre advérbios em português

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Q2426669 Português

“Doença do Chapeleiro Maluco”: conheça a condição que inspirou o personagem

Os sintomas envolvem ansiedade, apatia e mudanças de personalidade. Curiosamente, a doença afetava principalmente fabricantes de chapéus do século 18 e 19. Entenda por quê.

A expressão “louco como um chapeleiro” (em inglês, mad as a hatter) já existia bem antes de Lewis Carroll inventar o personagem Chapeleiro Maluco no livro Alice no País das Maravilhas. O ditado começa a surgir na Inglaterra na década de 1820, quarenta anos antes da publicação do romance que consagrou Carroll. O que o autor fez, então, foi personificá-lo no homem que convida Alice para tomar chá.

Mas de onde veio a associação entre loucura e fabricantes de chapéus? Uma hipótese diz que a palavra hatter não significava “chapeleiro”, mas seria uma derivação do verbo to hatter, que pode ser entendido como “perturbar”. Outras teorias buscam a etimologia da palavra em diferentes idiomas e expressões antigas. No entanto, é bem possível que o ditado faça referência aos chapeleiros ingleses do século 18 e 19 – que, não raro, apresentavam comportamentos estranhos.

Na Época, esses fabricantes utilizavam nitrato de mercúrio para juntar e tratar os pelos de animais que iriam no chapéu. Nesse processo, a pelagem era extraída de animais pequenos (principalmente coelhos) e agrupada para formar uma espécie de feltro. Uma substância laranja que continha nitrato de mercúrio era usada para deixar o produto mais macio. Depois, esse feltro era mergulhado em água quente e secado. A técnica ficou conhecida como carroting (derivado de “cenoura”), graças à cor do composto. Geralmente trabalhando em locais fechados, os fabricantes inalavam o vapor de mercúrio liberado no processo. E, com o tempo, o metal se acumulava no corpo dos chapeleiros.

Intoxicação por mercúrio

O uso do nitrato de mercúrio na indústria de chapéus começou na França do século 17, e depois foi adotado pelos ingleses. Mesmo que os riscos de contaminação por mercúrio já·fossem conhecidos, os fabricantes atuavam sem equipamentos de proteção. Não raro os chapeleiros apresentavam tremores, timidez, irritabilidade, fala arrastada, depressão, alucinações e mudanças comportamentais. Hoje sabemos que esses são sintomas de eretismo, síndrome neurológica causada pela intoxicação por mercúrio. Pela associação com os fabricantes de chapéus, a condição ficou conhecida como “doença do chapeleiro maluco”. [...]

Inspiração de Carroll

[...] Os primeiros diagnósticos de intoxicação por mercúrio em fabricantes de chapéus surgiram em 1860 – mesma década em que Alice no País das Maravilhas foi publicado. No entanto, não sabemos se o autor teve contato com essas informações. É possÌvel que Carroll até tenha conhecido um chapeleiro com sintomas de intoxicação, mas pesquisadores concordam que o personagem literário, em si, foi inspirado em um vendedor de móveis excêntrico chamado Theophilus Carter. [...] Ele tinha ideias e invenções bizarras, tal qual o personagem fictício. Num misto de inspirações e coincidências, nasceu o chapeleiro mais famoso da literatura.

“Doença do Chapeleiro Maluco”: conheça a condição que inspirou o personagem (adaptado). Revista Superinteressante. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/doenca-do-chapeleiro-maluco-conheca-a-condicao-que-inspirou-o-personagem>

Considere a seguinte sentença, retirada do texto: “Curiosamente, a doença afetava principalmente fabricantes de chapéus do século 18 e 19.” Em relação às categorias gramaticais, as palavras “curiosamente”, “fabricantes”, “de” e “e” são, respectivamente:

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Q2426530 Português

BIU DOIDO


Biu Doido era o doido oficial de São José do Egito. O grande sonho de Biu Doido era ter um relógio. Terminou conseguindo um, velho e quebrado. Era, mais, uma casca de relógio, do que um relógio mesmo. Os desocupados da rua

divertiam-se perguntando-lhe as horas e ouvindo, em troca da pergunta, uma enfiada de desaforos e pornografias.

Um dia, chegou um delegado novo em São José. Fardado de tenente, foi aconselhado a perguntar as horas a Biu Doido. Perguntou. Biu Doido olhou-o de cima a baixo e, vendo-o fardado, conteve-se a custo e disse:

— Eu só não lhe dou uma resposta, porque sei que o senhor é novato, aqui. Todo mundo, em São José do Egito, sabe que meu relógio não trabalha.

— Não trabalha?—espantou-se o tenente. E comentou:

— Então, não adianta!

Biu Doido, sereno, apresentou a contrapartida vantajosa do seu relógio:

— Não adianta, mas também não atrasa!


Ariano Suassuna em A Pensão de Dona Berta e Outras Histórias para Jovens.


Qual é a classe gramatical da palavra "mais" na frase "Era, mais, uma casca de relógio"?

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Q2426131 Português

Assinale a alternativa em que todos os advérbios exprimem o sentido de tempo.

Alternativas
Q2392156 Português

Julgue o item a seguir.


Ao utilizar uma sequência de advérbios terminados em “- mente”, é possível manter a terminação apenas no último, com os anteriores na forma base do adjetivo: “Cumprimentava a todos, elegante, simpático e humildemente”.

Alternativas
Q2392144 Português

Julgue o item a seguir.


Das sentenças “Era o caminho CERTO”, “Falou CERTO” e “Em um CERTO momento, adormeceu”, somente uma apresenta o termo destacado com letras maiúsculas funcionando como advérbio. 

Alternativas
Q2392131 Português

Julgue o item a seguir.


Em “Alguns mudam POUCO para continuar mandando MUITO”, os termos destacados com letras maiúsculas cumprem função de adjetivo e advérbio, respectivamente.

Alternativas
Q2392111 Português

Julgue o item a seguir.


Em “Hoje, calmamente, ele abriu a porta e deixou-se estar ali”, há três advérbios.

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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão |
Q2386231 Português
            Além de estar na lista de suspeitos de terem mandado matar Daniel, Irene verá seu nome envolvido no assassinato de Nice na novela Terra e Paixão. A vilã, entretanto, ameaçará Marino e prometerá expor todos os podres do delegado caso ele ______ investigue. Depois de descartar a participação de Tadeu e Anely no crime, o policial analisará melhor as relações da falsa missionária. Ele______  a mulher de Antônio o subornou para ________ de fora das investigações do sequestro de Agatha. “É, foi ela. A Irene mandou matar a Agatha e agora matou a Nice… Eu preciso falar com ela”, concluirá o agente.


(https://noticiasdatv.uol.com.br, 30.09.2023. Adaptado)
A expressão destacada exprime circunstância de modo em relação ao verbo em: 
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Q2378491 Português


Ricardo Grandi Bianco. Internet: politize.com.br (com adaptações).

Julgue o item, em relação às ideias do texto. 


Os vocábulos “bem” (linha 6) e “pouco” (linha 8) classificam-se gramaticalmente como advérbios e expressam circunstância de intensidade.

Alternativas
Q2352712 Português
Instrução: Leia o texto as seguir e responda à questão.

Alunos espertos

Dizem que o fato narrado abaixo é real e aconteceu em um curso de Engenharia da USJT (Universidade São Judas Tadeu), tornando-se logo uma das “lendas” da faculdade…
Na véspera de uma prova, quatro alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar. Faltaram à prova e resolveram dar um “jeitinho”: voltaram à USJT na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda.
Então dirigiram-se ao professor:
– Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por conta disso tudo nos atrasamos, mas gostaríamos de fazer a prova.
O professor, sempre compreensivo:
– Claro, vocês podem fazer a prova hoje à tarde, após o almoço.
E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e racharam de tanto estudar, na medida do possível. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova.
Primeira pergunta, valendo 1 ponto:
“Escreva sobre a ‘Lei de Ohm’.”
Os quatro ficaram contentes, pois haviam visto algo sobre o assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se dar bem.
Segunda pergunta, valendo 9 pontos:
“Qual pneu furou?”
(Autor desconhecido. Disponível em: www.refletirpararefletir.com.br/textos de humor. Acesso em: 20/01/23.)
O uso do advérbio é muito importante na escrita, pois que sua função é modificar o sentido de outra palavra (verbo, adjetivo, advérbio) e mesmo de uma frase. Assinale a alternativa em que todas as palavras funcionam como advérbio no texto. (Na contagem das linhas do texto, ignore o título.)
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Q2352709 Português
Instrução: Leia o texto a seguir e responda à questão.

Não se meta

        A mulher está na cozinha fritando um ovo quando o marido chega e começa a gritar:
    – CUIDADO!!! CUIDADO!!! JOGA MAIS ÓLEO!!! JOGA MAIS ÓLEO!!! VAI GRUDAR NO FUNDO! CUIDADO!!! VIRA, VIRA, ANDA!!! O SAL!!! NÃO ESQUECE O SAL!!!
       A mulher, irritada com os berros, pergunta: Por que você está fazendo isto?!? Você acha que eu não sei fritar um ovo???
       E o marido responde:
       – Isto é só para você ter uma ideia do que eu sinto quando dirijo e você está do meu lado…
(Autor desconhecido. Disponível em: www.refletirpararefletir.com.br/textos de humor. Acesso em: 22/08/23.)
Tome o trecho: – Isto é só para você ter uma ideia do que eu sinto quando dirijo e você está do meu lado… Sobre aspectos linguísticos desse trecho, assinale a afirmativa INCORRETA.
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Q2351732 Português
Instrução: Leia o texto e responda à questão.

Quando Deus aparece pra você?

Pra mim, ele aparece sempre através da música. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aparece nos livros, em parágrafos que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece – muito! – quando estou em frente ao mar.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando um amigo me liga de algum lugar distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso e no abraço espontâneo de alguém querido. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
Quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo.
(MEDEIROS, Martha. Disponível em: www.pensador.com/cronicas. Acesso em: 06/09/23.)
Sobre os recursos linguísticos na última frase do texto, analise as afirmativas.


I.    A primeira oração é iniciada por uma conjunção que indica tempo.
II.   Os pronomes o e ele são elementos coesivos anafóricos e retomam o mesmo significado.
III.  A palavra mesmo está empregada com sentido de próprio, aproximado, equivalente.
IV. O advérbio sugere ideia de lugar e pode ser substituído por ali.


Estão corretas as afirmativas
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Q2349815 Português
Gal, Gracinha, Tropical, Fatal  
O canto de Gal esteve por toda parte desde os anos 60,
escutá-la nos faz acreditar no que é lindo

Pedro Duarte

      Imensa, Gal nos deixa muito. Nelson Motta chamou a atenção para como, já no começo de sua trajetória, havia a voz de veludo e a voz de cristal, com afinação impressionante, mas também a voz de labaredas. No disco de estreia, Domingo, de 1967, junto com Caetano, a voz de veludo vinha da Bossa Nova. “João bateu em mim como um destino”, ela dizia. Na participação no Tropicalismo, como em “Mamãe coragem”, era a voz cristalina, lírica. E depois aparece a voz de labaredas em “Divino maravilhoso”. Era novembro de 1968, em um festival da canção televisionado. Gal subiu ao palco, e a garota tímida que era não subiu junto. Os arranjos de Gil, a extravagância na roupa e um cabelo black power ressaltavam os agudos e berros. Ruído na música. Expansiva, desafiadora e dionisíaca, Gal se impôs ao público dividido entre aplausos e vaias. Ela conta que aprendeu a defender o que fazia, olhando direto e firme para quem a atacava. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”, canta o refrão que pede atenção: tudo é divino e maravilhoso, tudo é perigoso. Gracinha, Maria das Graças, como foi conhecida no início, mudava. Seu nome agora seria Gal. Ela devorou antropofagicamente o rock e Janis Joplin. Depois que Caetano e Gil foram presos e exilados, Gal ficou no Brasil e se tornou uma representante dessa geração.


Disponível em:<https://www.quatrocincoum.com.br/br/artigos/musica/gal-
gracinha-tropical-fatal>. Acesso em: 14 nov. 2023. 
A resenha crítica, um gênero textual que tem por função não só levar informação ao leitor, mas conduzi-lo a uma reflexão sobre a obra que se quer analisar, explora determinadas classes de palavras que funcionam como modalizadores do gênero. O texto destacado explora
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Q2349701 Português
Instrução: Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.


Ano novo


“Feliz ano novo”, ele ouvira isso uma vida inteira. Entre estradas sinuosas e quedas abruptas, sempre tentava se renovar. Rastejava solitário e deixava seus restos por onde passava. E felicidade mesmo, esta andava rara. Desde criança, as velhas felicitações de “feliz ano novo” sempre lhe trouxeram mau agouro. Reprovações no colégio, surras de colegas e bicicletas roubadas – a lista era longa.
Mesmo depois de adulto, nada mudara. Por exemplo, em certo ano, uma semana depois de ouvir a felicitação, fora abandonado pela noiva. Um mês depois, perdera o emprego.
Após tantos infortúnios, costumava dizer que só sorrira verdadeiramente quando era um bebê e sua mãe lhe fazia carinhosas cócegas.
Por isso, no início de cada novo ano, ele fugia das pessoas. Temia ouvir o “feliz ano novo”, a maldita frase que carregava mau agouro e previsões de tragédias.
No entanto, no último ano, não pode evitar a ex-noiva em um encontro casual. A mesma, com ódio e mágoas aflorando pela pele, lançou-lhe uma praga:
– Espero que sofra. Irônica, ainda arrematou: – Infeliz ano novo!
Naquele ano, ele encontrou o grande amor de sua vida, teve uma linda filha, foi promovido e sorriu verdadeiramente, como não fazia desde que recebia cócegas de sua mãe enquanto ainda era um pequeno bebê.

(MARTINZ, J. Disponível em: http://corrosiva.com.br/cronicas/anonovo. Acesso em: 26/08/23.)
Tome a oração: Desde criança, as velhas felicitações de “feliz ano novo” sempre lhe trouxeram mau agouro. A palavra mau não raras vezes é confundida com mal, principalmente na escrita. Em relação a essa palavra na oração dada, assinale a afirmativa correta.
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Q2348375 Português
   Maria Salomea Skłodowska (1867-1934), mais conhecida como Marie Curie, foi uma física e química polonesa naturalizada francesa que marcou um ponto de virada na ciência graças ao seu trabalho sobre radioatividade.
   Em 1895, a cientista se casou com Pierre Curie, físico e químico francês. Juntos, o casal realizou pesquisas de importância mundial. 
   Motivada pela descoberta de Antoine Henri Becquerel, que demonstrou que os sais de urânio emitiam raios de natureza desconhecida sem a necessidade de serem expostos à luz, Marie Curie constatou que os compostos formados pelo elemento tório também emitiam raios espontaneamente. Esse fenômeno foi chamado de radioatividade.
  “Como a radioatividade gerada por algumas amostras era mais forte do que o esperado, Marie e Pierre suspeitaram que havia outra substância radioativa mais poderosa do que o urânio e o tório”, diz a Comissão Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica do Chile (Conict).
   Depois disso, em 1898, os dois cientistas anunciaram publicamente que haviam descoberto o polônio, um elemento químico que batizaram com o nome da terra natal de Marie. Meses depois, eles relataram uma nova descoberta: o elemento rádio.
     A física recebeu seu doutorado em ciências em junho de 1903 e, graças à descoberta dos elementos radioativos, recebeu o Prêmio Nobel de Física ao lado do marido. Marie Curie tornou-se, assim, a primeira mulher na história a receber esse reconhecimento mundial.
    Após a morte de Pierre Curie em 1906, ela se dedicou com toda a sua energia a completar, por conta própria, o trabalho científico que ambos haviam desenvolvido até então. Em 1911, ela recebeu o segundo Nobel de Química por sua pesquisa sobre o rádio. Assim, Marie Curie tornou-se a primeira pessoa a ganhar o prêmio em dois campos diferentes.
    Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a física dedicou-se a desenvolver o uso da radiografia com a ajuda de sua filha, Irène. Em 1918, ela fundou o Radium Institute, que viria a se tornar um centro universal de física e química nuclear. 
    Além disso, relata a ONU Mulheres (entidade das Nações Unidas para o empoderamento das mulheres), Marie Curie inventou unidades móveis de raios-x que ajudaram mais de um milhão de soldados feridos durante a Primeira Guerra Mundial.
     A cientista polonesa morreu em 1934, aos 66 anos, de uma doença relacionada à exposição à radiação. 
    De acordo com a ONU Mulheres, as contribuições de Curie sobre a radioatividade lançaram as bases da ciência nuclear moderna, desde os raios-x até a radioterapia para o tratamento do câncer. Suas descobertas continuam a salvar vidas até hoje.

(Fonte: National Geographic Brasil — adaptado.)
No trecho: “Marie Curie constatou que os compostos formados pelo elemento tório também emitiam raios espontaneamente.” (3º parágrafo), a palavra sublinhada poderia ser substituída, sem prejuízo ao contexto, por:
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Q2346093 Português
Nos versos do poema: “Eu não tinha este rosto de hoje,/ Assim calmo, assim triste, assim magro,/ Nem estes olhos tão vazios,/ Nem o lábio amargo”, as palavras destacadas podem ser classificadas, respectivamente, como:
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Q2344633 Português
TEXTO I


EU SEI, MAS NÃO DEVIA


         Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

        A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

        A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. [...]

         A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar sempre a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


(COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. 2 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. P. 9-10. Fragmento.)
Considere o fragmento: “A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado”. Marque a alternativa que apresenta as classes gramaticais dos vocábulos dessa frase, nesse contexto, respectivamente: 
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Q2343977 Português
Assinale a alternativa em que há apenas advérbios.
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Q2343825 Português
A metamorfose


Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror… Preciso acabar com essas baratas…” Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?… Tinha educação?…. Referências?... Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira. Difícil era ser gente… Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecemse, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado… Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica. Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi : “Meu Deus!… A casa foi dedetizada há dois dias!…”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. Kafka não significa nada para as baratas…


Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort e outras histórias. 7ª Ed. L&pm: Porto Alegre, 1985.
Considere o seguinte excerto: “Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença.” Em relação à classe gramatical, as palavras “entre”, “baratas”, “ou” e “não” são, respectivamente:
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Q2341002 Português
Texto CB1A1


          O crescimento sustentável em longo prazo constitui um desafio crucial para as economias mundiais, especialmente para países em desenvolvimento como o Brasil. Pesquisas recentes nessa área têm enfatizado a importância de aumentar a produtividade de maneira sustentável e de identificar os fatores que influenciam esse crescimento. Especialistas apontam que a produtividade agregada pode ser prejudicada pela má alocação de recursos causada por fatores internos e sistêmicos. Entre esses fatores está a estrutura tributária, com suas consequências para a alocação produtiva eficiente.

         Tributos desempenham um papel vital no financiamento de governos e na distribuição de riqueza, contribuindo para o crescimento econômico. Para ser eficaz e justo, um sistema tributário requer equidade, simplicidade, elasticidade, conformidade de baixo custo e eficiência econômica.

              No cenário brasileiro, é frequente o debate acerca da adequação da carga tributária ao perfil socioeconômico do país, especialmente em relação à sua estrutura produtiva. Recentemente, a complexidade do sistema tributário também ganhou destaque devido aos seus efeitos potencialmente prejudiciais. Embora os impostos sejam vitais para financiar serviços públicos e investimentos cruciais para o desenvolvimento do país, eles também podem produzir efeitos negativos ao gerar distorções nas decisões econômicas, causando perdas de eficiência. Por isso, é imprescindível analisar os impactos da carga tributária na estrutura produtiva.


João Maria de Oliveira. Propostas de reforma tributária e seus impactos: uma avaliação comparativa. Carta de Conjuntura n.º 60 Nota de Conjuntura 1 — 3.° trimestre de 2023. Internet: <ipea.gov.br>  (com adaptações).

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o seguinte item.



No primeiro período do segundo parágrafo, o vocábulo “vital” classifica-se como advérbio e expressa, em relação ao termo “papel”, circunstância de modo, denotando a primordial importância desempenhada pelos tributos.

Alternativas
Respostas
621: A
622: A
623: C
624: E
625: C
626: E
627: C
628: B
629: E
630: B
631: C
632: C
633: B
634: D
635: C
636: B
637: A
638: C
639: C
640: E