Questões de Concurso Sobre adjetivos em português

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Q2255307 Português
Felicidade clandestina

        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
       Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
       Mas que talento tinha para crueldade. Ela era toda pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia...
        Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou- -me que possuía “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
        No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.         

(LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos. São Paulo, 1996. Adaptado.)
Relacione as colunas, de acordo com a classe gramatical dos vocábulos.
1. Sadismo. 2. Nenhuma. 3. Imperdoavelmente. 4. Sardenta. 5. Mas.
( ) Adjetivo. ( ) Substantivo. ( ) Pronome. ( ) Conjunção. ( ) Advérbio.
A sequência está correta em
Alternativas
Q2255303 Português
Felicidade clandestina

        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
       Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
       Mas que talento tinha para crueldade. Ela era toda pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia...
        Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou- -me que possuía “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
        No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.         

(LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos. São Paulo, 1996. Adaptado.)
Levando em consideração que o adjetivo se flexiona em gênero, número e grau, caracteriza ou particulariza o substantivo, com quem mantém relação direta, assinale a afirmativa transcrita do texto que NÃO apresenta tal classe gramatical:
Alternativas
Q2212647 Português
Leia o texto e a charge para responder à questão.

Texto

        Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas asas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos.

(Franz Kafka, A metamorfose, 1977)



Charge


(André Dahmer, “Não há nada acontecendo”. Folha de S.Paulo, 13.07.2022)
Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, é correto afirmar que, na charge, o termo
Alternativas
Q2211169 Português

A questão tem como base o outdoor a seguir.




(BONIN, R. Revista Veja, Editora Abril. Disponível em: https:veja.abril.com.br/coluna/radar/empresa-deoutdoors-entra-na-campanha-contra-o-virus-fique-emcasa. Acesso em: 24 jan. 2022)

Sobre o texto do outdoor, pode-se afirmar que:
I. O conteúdo veiculado estimula a desunião, como comprova o uso do adjetivo separados.
II. Há um processo de antropomorfização, isto é, o outdoor adquire características humanas, assume-se como eu e se dirige ao público.
III. O advérbio de lugar aqui remete para o substantivo rua.
IV. Não há relação entre o falante, o outdoor, e o advérbio aqui.

Dentre essas afirmativas, estão corretas somente: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IDIB Órgão: GOINFRA Prova: IDIB - 2022 - GOINFRA - Gestor de Engenharia |
Q2209120 Português
TEXTO I

Esperança

    Já se haviam passado cinquenta horas que Guillaumet desaparecera numa travessia dos Andes, durante o inverno. Voltando do fundo da Patagônia, fui ao encontro do piloto Deley, em Mendoza. E nós dois, durante cinco dias, esquadrinhamos aquela confusão de montanhas, sem descobrir coisa alguma. Nossos dois aparelhos não bastavam. Parecia-nos que cem esquadrilhas, navegando cem anos, não acabariam de explorar aquele enorme maciço cujos picos se erguiam até sete mil metros. Havíamos perdido toda a esperança. Quando eu e Deley descemos em Santiago, os oficiais chilenos nos aconselharam a suspender as buscas.
    "É inverno. Esse companheiro de vocês se sobreviveu à queda, não sobreviveu a noite. A noite, lá em cima, quando passa sobre o homem, transforma-o em gelo." E quando eu novamente me infiltrava entre os muros e os pilares gigantescos dos Andes já sentia que não estava mais procurando Guillaumet: velava o seu corpo, em silêncio, numa catedral de neve.
     Afinal, depois de sete dias, quando eu almoçava, no intervalo de dois voos, num restaurante de Mendoza, um homem empurrou a porta e gritou... oh, apenas isto:
     — Guillaumet... vivo!
     E todos os desconhecidos que ali estavam se abraçaram.
    Dez minutos mais tarde eu partia com dois mecânicos, Lefebvre e Abri. Quarenta minutos depois, descia ao longo de uma estrada, tendo reconhecido, não sei como, o carro que o conduzia para não sei onde, nos lados de São Rafael. Foi um belo encontro: choramos todos e esmagamos você em nossos abraços, vivo, ressuscitado, autor de seu próprio milagre. Foi então que você exprimiu, na sua primeira frase inteligível, um admirável orgulho da espécie: "O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, era capaz de fazer... Pensava: Minha mulher... se ela crê que estou vivo, ela crê que estou andando. Os companheiros creem que estou andando. Serei um covarde se não continuar andando. E andava. Procurei não pensar, porque sofria demais, minha situação era desesperada demais. Para ter a coragem de andar.”
    Só o desconhecido espanta os homens. Mas para quem o enfrenta, ele cessa de ser o desconhecido. Sobretudo se é olhado com essa gravidade lúcida. A coragem de Guillaumet é, antes de tudo, um efeito de sua probidade. Sua verdadeira qualidade não é essa. Sua grandeza é a de sentir-se responsável. Responsável por si, pelo seu avião, pelos companheiros que o esperam. Ele tem nas mãos a tristeza ou a alegria desses companheiros. Responsável pelo que se constrói de novo, lá, entre os vivos, construção de que ele deve participar. Responsável um pouco pelo destino dos homens, na medida de seu trabalho.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de, 1900-1944 Terra dos homens/ Antoine de Saint-Exupéry; tradução Rubem Braga. — 1ª Ed. especial. — Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. P. 29-30  
Leia os trechos a seguir:
  I. “Nossos dois aparelhos não bastavam.” (1º§)  II. “... choramos todos e esmagamos você...” (6º§) III. “...na sua primeira frase inteligível ...” (6º§) IV. “Ele tem nas mãos a tristeza ...” (7º§)
De acordo com a classe gramatical, É correto o que se afirmaa alternativa que representa a sequência correta dos termos sublinhados.  
Alternativas
Q2176008 Português
    Uma breve história da expectativa de vida
Em um século, a expectativa de vida no Brasil saltou de 33
para 77 anos. E o aumento na longevidade deixa claro qual é o próximo desafio da medicina: vencer as enfermidades mentais
associadas à idade avançada.

Por Alexandre Versignassi

    No início do século 20, quando a expectativa de vida era de 47 anos nos países industrializados e de 33 no nosso, o que mais matava eram as doenças infecciosas: pneumonia, tuberculose, gastroenterite. A pandemia, ao tirar 5,5 milhões de vidas nos últimos dois anos, trouxe as infecções de volta aos holofotes. O caminho natural, porém, é a ciência vencer essa luta novamente, como fez antes.
    O desenvolvimento de vacinas e antibióticos, além de condições mais humanas de saneamento básico, foi baixando a bola das doenças infecciosas ao longo do século passado. E em 1960 a expectativa de vida tinha saltado para 52 anos por aqui (e 69 anos nos países ricos). Foi aí que as doenças cardiovasculares e os vários tipos de câncer passaram a ser os grandes desafios de longo prazo da medicina. Mas essa é outra guerra que está sendo vencida. Nos EUA, que mantêm dados históricos precisos, o número de mortes por doenças cardiovasculares caiu de 800 para cada 100 mil habitantes na década de 1960 para 200 hoje. Um tombo de 75%.
    As batalhas contra o câncer são mais complexas, mas não faltam vitórias. Uma das principais é o sucesso das imunoterapias no combate ao melanoma (o mais agressivo dos cânceres de pele). Desde o boom na criação de novos medicamentos, a mortalidade por melanoma passou a cair 5% ao ano. Tudo isso levou a mais avanços na expectativa de vida. Hoje ela está próxima dos 80 anos, seja no Brasil, seja nos países do topo da pirâmide. Por aqui, sempre vale lembrar, boa parte disso se deve a um fato central: sermos o único país com mais de 200 milhões de habitantes a contar com um sistema universal de assistência médica gratuita, o SUS.
    E hoje há 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais no país. Uma vitória. Mas o aumento na longevidade traz outro desafio para a medicina: as enfermidades mentais que surgem nas fases mais avançadas da vida – principalmente o Alzheimer, que atinge 1,2 milhão de brasileiros. A FDA (Anvisa dos EUA) aprovou em junho de 2021 aquele que seria o primeiro remédio capaz de reverter o Alzheimer: o aducanumab. Seu trunfo é “limpar” as placas de proteína beta-amiloide no cérebro. O acúmulo delas ao longo dos anos seria, de acordo com a hipótese mais aceita, a causa do Alzheimer. E o aducanumab consegue mesmo exterminar essas placas. O problema: isso se mostrou ineficaz. Os doentes tratados seguiram doentes, o que só aumenta a aura de mistério em torno da doença.
     [...]

Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/alexandre-versignassi/uma-brevehistoria-da-expectativa-de-vida/
Analise: “Uma breve história da expectativa de vida” e assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q2175810 Português
TEXTO 01 

Brasileiros planejam mudar nome em cartório após lei que dispensou autorização judicial

Nova regra permite alteração para maiores de 18 anos sem necessidade de justificativa; em SP, serviço custa cerca de R$ 166
Bruno Lucca

Maria Gomes de Souza, 57, nasceu na região do Cariri, interior do Ceará, e na infância não sabia seu verdadeiro nome. Chamada de Maria Vaneide desde o nascimento, a mulher só descobriu que seu até então segundo nome não pertencia a ela quando começou a frequentar a escola.

Ao registrá-la, seu pai esquecera de incluir o Vaneide, que ele mesmo havia escolhido. Além disso, Inácio - "em um ato de rebeldia ou arbitrariedade", diz Maria - escolheu não dar à filha o sobrenome da família, Freire. Os familiares de Maria Vaneide nunca deixaram de chamá-la pelo nome perdido.

Hoje moradora de Osasco, na Grande São Paulo, ela nunca tentou incluir a alcunha em seus documentos, apesar do desejo. Para ela, o processo seria longo e cansativo. Até o mês passado, uma decisão judicial era necessária para realizar a alteração.

Aprovada no fim de junho, a lei federal 14.382, conhecida como Lei de Registros Públicos, permite que qualquer cidadão maior de 18 anos modifique seu nome diretamente em cartório de registro civil. Salvo em casos de suspeita de fraude, falsidade e má-fé - análise que deve ser feita pelo oficial de registro-, os solicitantes não têm a necessidade de explicar sua motivação.

Anteriormente, a lei permitia a alteração somente no primeiro ano da maioridade, isto é, entre 18 e 19 anos. Além disso, o pedido deveria ser analisado judicialmente e com a apresentação de um motivo considerado suficiente para alteração. Dessa forma, o processo poderia ser longo e desencorajador para interessados, como Maria.

[...]

Quanto a sobrenomes, a nova lei permite a inclusão e exclusão - esta em caso de sobrenome de cônjuge ou ex-cônjuge-, que também podem ser feitas diretamente em cartório. É possível adotar o sobrenome dos pais, do cônjuge, dos avós, padrastos ou madrastas.

O estudante João Vitor Nogueira da Silva,21, morador de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, ficou animado com a facilitação. Ele pretende incorporar o sobrenome da mãe, a cabeleireira Nilde de Oliveira.

Antes Nilde da Silva - em razão do casamento com o pai de João, Antônio Nogueira da Silva -, ela se divorciou em 2018 e desistiu do sobrenome adquirido.

[...]

A alteração de nome pode ser feita apenas uma vez e não há limite para a de sobrenome. Os valores, segundo a Arpen-SP, são tabelados por estado. Em São Paulo, paga-se em torno de R$166.

Para realizar a mudança, o interessado deve comparecer a um cartório de registro civil com seus documentos pessoais (RG e CPF). Após a alteração, o cartório deve notificar os órgãos expedidores dos documentos de identidade e do passaporte, bem como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Caso o solicitante queira desistir da mudança, deverá entrar com uma ação.

A lei 14.382 também permite a mudança de nome de recém-nascidos em até 15 dias após o registro, quando houver consenso entre os pais. Se não, o caso deve ser encaminhado à Justiça.


Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/07/brasileiros-planejam-mudar-nom
e-em-cartorio-apos-lei-que-dispensou-autorizacao-judicial.shtml>. Acesso em: 20
jul 2022. (Adaptado)
Assinale a alternativa que corresponde à classe de palavras dos termos destacados no trecho a seguir, considerando o contexto de uso: "O estudante João Vitor Nogueira da Silva, 21, morador de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, ficou animado com a facilitação. Ele pretende incorporar o sobrenome da mãe, a cabeleireira Nilde de Oliveira".
Alternativas
Q2175258 Português

TEXTO 1


Mudança

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.


Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.


Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.


- Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.


Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.


- Anda, excomungado.


O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário - e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.


RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 71 ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. (Fragmento)

Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. No contexto de uso do trecho retirado do texto, os termos destacados (infelizes, famintos) são, morfologicamente, classificados como: 
Alternativas
Q2170639 Português
Ossos de neandertal reforçam ideia de que espécie enterrava seus mortos

A descoberta mostra um complexo ritual fúnebre, e contraria a antiga ideia de que nossos ancestrais extintos eram burros e primitivos.

Por Bruno Carbinatto

A prática de enterrar mortos é inerentemente humana. Nenhuma outra espécie conhecida pratica esse costume - apesar de algumas possuírem comportamentos equivalentes a um velório. Mas talvez nem sempre tenha sido assim. Alguns pesquisadores acreditam que os neandertais, um tipo de hominídeo ancestral já extinto, também realizavam enterros. E, agora, novos restos de um neandertal, encontrados em 2019, parecem fortalecer essa ideia.

É a primeira vez em 10 anos em que uma ossada de neandertal é encontrada - e o primeiro achado do século em que o esqueleto está articulado, ou seja, os ossos ainda estão nas suas posições originais. Eles foram escavados na Caverna de Shanidar, que fica na região do Curdistão no Iraque, e consistem em um tronco, um crânio amassado e ossos de uma mão esquerda. Técnicas de datação iniciais apontam que o indivíduo, cujo sexo ainda não foi definido, viveu há cerca de 70 mil anos e morreu como um adulto de meia-idade, ou talvez até mais velho. Os resultados foram publicados na revista Antiquity.

Algumas pistas indicam que o corpo foi enterrado propositalmente: havia uma pedra triangular perto do crânio, que poderia ter sido um apoio de cabeça ou um marcador do local da cova; sua mão estava colocada debaixo da cabeça, como se fosse um travesseiro, e os sedimentos que cobriam seu corpo tinham características a aparência diferentes dos que estavam embaixo dele.

Não é a primeira vez que uma descoberta indica que os neandertais provavelmente enterravam seus mortos. Na verdade, as pesquisas que moldaram essa ideia aconteceram exatamente no mesmo local décadas atrás. Nos anos 1950 e 1960, o arqueólogo Ralph Solecki realizou uma série de escavações na Caverna de Shanidar e encontrou dez ossadas de homens, mulheres e crianças neandertais.

Na época, Solecki afirmou que havia várias informações na caverna que podiam mudar a forma que pensávamos sobre os costumes dos nossos extintos parentes. Primeiro: quatro corpos encontrados pareciam ter sido enterrados juntos e propositalmente próximos, como se houvesse algum tipo de padrão ou organização - características típicas de um ritual fúnebre. Segundo, os restos de um dos homens neandertais indicavam que, em vida, ele havia sobrevivido à várias lesões, era surdo e parcialmente cego. Mesmo assim, ele havia vivido até a vida adulta - provavelmente com a ajuda de outros neandertais, um sinal de compaixão e cooperação.

Mas talvez a descoberta mais polêmica foi a de indícios de pólen ao redor do corpo de um deles. Segundo a equipe de Solecki, isso indicava que flores haviam sido colocadas junto com o corpo na hora do enterro - um comportamento muito parecido com o de humanos modernos.

Um estudo posterior, no entanto, sugeriu que a presença de pólen na região poderia ser fruto de contaminação de animais que levaram as flores para lá. O mistério ainda permanece.

As ideias de Solecki causaram bastante polêmica na época em que foram publicadas. Isso porque, por muito tempo, neandertais foram considerados por cientistas como inferior aos humanos, mais burros e primitivos - "sub-humanos". Argumentar que a espécie possuía rituais de luto complexos e relações sofisticadas ia contra essa ideia dominante. Hoje em dia, a ciência já trabalha com a hipótese de neandertais sendo tão inteligentes quantos os Homo sapiens.

Desde as descobertas de Solecki, a caverna se tornou um sítio icônico para a arqueologia. Mas passaram-se décadas até que ela fosse estudada novamente. Em 2011, o governo curdo da região convidou arqueólogos britânicos para escavar o local. A pesquisa iria começar em 2014, mas foi adiada por conta da ação do grupo terrorista ISIS na região. Em 2016, os pesquisadores Graeme Barker e Emma Pomeroy, da Universidade de Cambridge, finalmente começaram as novas escavações. A equipe não procurava por mais restos mortais - eles só pensavam em estudar os sedimentos da caverna. Mas, nos três anos de escavação, os restos do Shanizar-Z, como foi apelidado o neandertal, apareceram de surpresa.

Os restos estavam abaixo do nível em que os neandertais do século 20 foram encontrados, mas os pesquisadores não conseguiram determinar ainda se eles tinham alguma relação ou estavam separados pelo tempo, possivelmente até por séculos. Agora, a equipe pretende fazer análises extras em laboratório, incluindo exames de DNA, para responder essa e outras dúvidas sobre o Shanizar-Z.

Não se sabe se os neandertais desenvolveram o hábito de enterrar mortos por si só ou se aprenderam com os humanos, que já realizam essa prática há, pelo menos, 100 mil anos, segundo algumas estimativas. A segunda opção é uma boa possibilidade, porque sabemos que Homo sapiens e Homo neanderthalensis já ocuparam os mesmos locais e até procriaram entre si.
"Na época, Solecki afirmou que havia várias informações na caverna que podiam mudar a forma que pensávamos sobre os costumes dos nossos extintos parentes." As palavras destacadas são, respectivamente:
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Q2144486 Português

TEXTO II 

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“Não temos mais tempo” é o recado de Txai Paiter

Suruí na abertura da COP-26


Jovem indígena foi a única brasileira a discursar no

palco principal da Conferência do Clima nesta

segunda-feira (01).


1 de novembro de 2021 Giselli Cavalcanti


Txai Paiter Suruí foi a única indígena e única brasileira a discursar nesta segunda-feira (01) no palco principal do World Leaders Summit, na Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow, no Reino Unido. A jovem, de 24 anos, é ativista do povo Paiter Suruí e integrante da delegação de jovens do Engajamundo, organização que estará presente com 13 jovens nesta Conferência.

Durante seu discurso, Txai Suruí teve como plateia líderes globais como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, o presidente dos EUA, Joe Biden, e o embaixador brasileiro Paulino Franco de Carvalho Neto, integrante da delegação oficial do Brasil. Txai aproveitou esta audiência de alto nível para reforçar a necessidade urgente de compromissos concretos e ambiciosos. “Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora”, disse a jovem.

A luta pela justiça climática também esteve fortemente presente no discurso de Txai, que trouxe a necessidade não apenas de que a agenda climática inclua a pauta indígena, mas, principalmente, que os povos indígenas possam estar presentes e efetivamente participando dos espaços de tomada de decisão. “Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar nos centros das decisões que acontecem aqui”, afirma. No Brasil, quarto país que mais mata ambientalistas no mundo, Txai lembrou ainda de Ari Uru-Eu-Wau-Wau, seu amigo de infância e guardião, que aos 32 anos foi assassinado por proteger a floresta – em um caso que hoje, mais de um ano depois, segue sem respostas. 

“A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo”. No maior espaço internacional sobre a crise climática, que tem o potencial de influenciar os rumos da história da humanidade neste grande desafio, Txai Suruí reforça que para as juventudes e os povos indígenas a ação climática não é um plano para o futuro – construir um mundo mais justo no enfrentamento à crise climática é um projeto do presente.

Disponível em: https://oeco.org.br/colunas/nao-temos-mais-tempo-e-o-recado-de-txai-paiter-surui-na-abertura-da-cop-26/. Acesso em: 23 abr. 2022 (adaptado).
Giselle Cavalcanti, em algumas passagens de seu texto, apresenta juízo de valor em relação aos fatos apresentados. As marcas de opinião, geralmente, são marcadas pelo uso de adjetivos e advérbios.
Observam-se marcas de opinião da autora do artigo no seguinte trecho: 
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Q2135062 Português

TEXTO 1 


MANIFESTO DA ÁRVORE

Jurandir Ferreira

     No fim de setembro as árvores ganham mais a atenção da gente e se tornam o assunto do mês, pois entra a primavera em cena e dificilmente se pensaria em uma primavera bem montada e bem aparelhada a não ser com dose certa de árvores. Pode-se pedir à mais capacitada imaginação um quadro de primavera no Himalaia ou no Saara, mas não se terá nada que preste. Esses lugares não dão primavera. Não são lugares dionisíacos onde se encontre o sorriso dos deuses aberto em folhagem, são lugares que não conhecem o milagre subterrâneo chamado raiz, nem o milagre aéreo chamado clorofila. Se todos amam, desejam e dão graças à primavera, que é a mais bela página da história natural, devem ter na maior conta e respeito as árvores, que são as heroínas e dão continuidade, substância e sentido a essa história.

     Falar em tais coisas seria de uma arquibocejante e esplendorosa chatice não fora o fato de estarmos trabalhando, no tronco de cada árvore cortada, para espicharmos sobre o mundo os Saaras e os Himalaias. E trabalhamos nisso desimpedidos, irresponsáveis, alegrões e até mesmo pensando fazer um serviço benemérito: Devia existir nos estatutos jurídicos um capítulo que tratasse especificamente dos crimes contra o mundo vegetal, das violências e agressões árvore corno agressões e violências indiretas à pessoa humana. Como não existe esse código civil ou esse código penal da árvore e ela por si mesma não trata de defender-se, imaginei sugerir a fundação de uma Sociedade Protetora da Arvore. Não se vai a ponto de considerar às árvores como os bois e os macacos sagrados da Índia, seres tabus e intocáveis. Está claro também que não se chega à ingenuidade de colocar na árvore a solução de todas as crises ambientais no mundo de hoje. Entretanto a resposta é óbvia quando o Terceiro informe ao Clube de Roma para uma Nova Ordem Internacional pergunta "de que modo o desflorestamento maciço causado pela necessidade de lenha, pelo excesso de pastagens, pela organização e pela exploração comercial da madeira irá afetar o nosso ambiente terrestre e finalmente a atmosfera e o clima de nosso planeta?". É necessário definir quando e como se estabelece o direito de violar a integridade delas.

     Proteger a árvore é proteger o homem. Este é um enunciado que deveria ser lido na camiseta dos jovens, no vidro dos automóveis e na bandeira nacional de todos os países. Ao inventar um sítio onde nossos dois avós viveriam uma vida perfeita, veio Deus com o Éden, que era cheio de árvores. Lembrete arcaico, mas em relação ao comportamento humano a palavra bíblica ainda alerta e ainda acerta. E, sem apelar para nenhuma outra sabedoria senão aquela ensinada pelo que acontece diante dos nossos olhos a cada hora, apressemo-nos em lutar pela árvore. A árvore é a mais perfeita obra de arte da natureza e o mais prodigioso aparelho vivo, depois do homem. Sem árvore não haverá água e sem H2O não existe vida.

     Uma cronista escreveu há alguns dias que um seu amigo falava num projeto de clube da árvore e o que o amigo falava era exatamente isso que ar está como o "Manifesto da Arvore", pronto a reunir-se a outros esforços no mesmo sentido. O problema da árvore não é um problema de aldeia, desta ou daquela aldeia, mas um problema do mundo, um problema implicado na sobrevivência e salvação da espécie. Fora ele de aldeia e não diria eu uma palavra, porque os problemas de aldeia já têm um grupo de sábios aldeões que deles cuidam com exclusividade e incomparável competência.

Fonte: FERREIRA, Jurandir. Da quieta substância dos dias. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 1991. (Texto adaptado)

Assinale a opção em que a troca de posição de um dos termos sublinhados implica mudança de classe gramatical. 
Alternativas
Q2120396 Português
Quanto à flexão de grau do adjetivo, relacione a coluna I com a coluna II e marque a alternativa correta.
COLUNA I.
A- Grau comparativo de igualdade. B- Grau comparativo de superioridade. C- Grau comparativo de inferioridade. D- Grau superlativo absoluto sintético. E- Grau superlativo absoluto analítico.
COLUNA II.
1- Aquele aluno é mais desatento do que nervoso. 2- Este é um piloto velocíssimo. 3- Este é um piloto muito veloz. 4- Aquele aluno é menos desatento do que nervoso. 5- Aquele aluno é tão desatento quanto nervoso.
Alternativas
Q2119153 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto II a seguir para responder à questão.


TEXTO II




Disponível em: l1nq.com/4fhVA. Acesso em: 21 out. 2022. 

No texto II, a palavra “incrível” é utilizada no primeiro quadrinho e no último. Apesar de ser o mesmo vocábulo, possuem funções diferentes.
Assinale a alternativa que apresenta a classificação morfológica dessa palavra nos dois quadrinhos, respectivamente.
Alternativas
Q2119121 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


O que a Geração Z quer do trabalho? E por que saber isso é decisivo para o Brasil


Há uma equação a ser respondida urgentemente no Brasil. O que a Geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, quer do trabalho? Apesar de o recorte geracional trazer de uma criança de 10 anos a um jovem adulto de 25, o tema será melhor afinado se ficarmos entre 16 e 25 anos. Inclui aqueles que saem do Ensino Médio até os que concluíram a universidade e entraram no mercado de trabalho. Em resumo: o que costumamos chamar de força produtiva, a próxima geração a ocupar os espaços profissionais e a construir os índices de riqueza e crescimento do país. No Brasil, representam 15% da população, cerca de 31 milhões de pessoas.

Conhecer profundamente esse contingente será decisivo num momento em que as transformações tecnológicas aceleram, em especial com avanços massivos em três grandes áreas: o 5G, a computação em nuvem e as soluções de Inteligência Artificial. Empregos e carreiras desaparecerão ou estarão sob soluções computacionais e robóticas. Por outro lado, novas habilidades comportamentais serão exigidas nas vagas ocupadas pelas pessoas.

Por isso, será decisivo estudar, conhecer e enxergar as expectativas dessa geração. Só com esse tipo de informação, poderemos debater políticas educacionais e profissionais que prevejam gargalos e escassez no médio prazo. Nos Estados Unidos, a National Society of High School Scholars realiza, sistematicamente, uma pesquisa para compreender jovens nessa faixa etária. No levantamento deste ano, 11,4 mil estudantes opinaram - 72% concluem o Ensino Médio entre este ano e os próximos dois. Os resultados levam a um perfil que, em termos produtivos, traz ingredientes que não eram decisivos para gerações anteriores. São respostas que valem ouro a empresas de ponta, porque são cruciais na atração e, especialmente, na manutenção de talentos.

De acordo com os autores da pesquisa, pode-se dizer que a Geração Z traz quatro pilares que aparecem o tempo inteiro nas respostas: desejo de equidade para todos, interesse crescente pelas áreas de saúde e carreiras de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, afeição pela aprendizagem e a ansiedade para viver um mundo pós-Covid. A questão da equidade, um clássico problema brasileiro, alastrou-se também pelos Estados Unidos, em especial após a crise imobiliária de 2008. Mais de um quinto (22%) disseram que as próprias experiências com desigualdade influenciaram na escolha da carreira, afirma o documento.

Para enfrentar o problema, eles acreditam que o papel de responsabilidade social e forma de impactar o mundo positivamente está nas áreas de direitos humanos, justiça social, saúde e inovação tecnológica. Curiosamente, a tecnologia será essencial nos campos do direito e da saúde. E, aqui, está a maior pista para empresas e recrutadores: trata-se de uma geração que chega ao mercado esperando mais que sucesso, oportunidades e desafios. Eles querem, também, flexibilidade de jornada, ambientes acolhedores e, especialmente, uma causa e um propósito. 


(Disponível em: O que a Geração Z quer do trabalho? E por que saber isso é decisivo para o Brasil (msn.com). Adaptado.)

O que costumamos chamar de força produtiva, a próxima geração a ocupar os espaços profissionais e a construir os índices de riqueza e crescimento do país.
Assinale a opção que contenha o número de artigo e de adjetivo, respectivamente. 
Alternativas
Q2118739 Português
Leia o texto para responder a questão.

Contágio econômico

             Algumas semanas depois do surgimento do coronavírus, o impacto na economia mundial já se mostra mais forte que o inicialmente estimado. Com novos casos a aparecerem fora da China, a hipótese de que o surto pudesse ser rapidamente controlado vai dando lugar a cenários mais sombrios.
        Até a semana passada, as atenções se voltavam para o esforço rigoroso das autoridades chinesas em conter a epidemia. O relaxamento de restrições à movimentação de pessoas trouxe a esperança de que o PIB do emergente asiático começasse a se recuperar a partir de março, com efeito modesto sobre o restante do mundo.
        Entretanto o quadro mudou com a disseminação da infecção para outras regiões – inclusive com a confirmação do primeiro caso no Brasil. Agora, avalia-se que o contágio econômico pode se estender pelo segundo trimestre, com danos mais graves para o fluxo de mercadorias e a renda global.
        Um combate eficaz aos impactos recessivos no Brasil se mostra difícil. Cortes de juros – que já se encontram em nível baixo – e mais gastos públicos não necessariamente produzirão resultados em curto prazo.
        É cedo para uma projeção precisa, mas parece claro que a economia mundial crescerá menos neste ano – e já não é descabido considerar o risco de recessão. Nas últimas semanas, as projeções de crescimento já ameaçavam cair abaixo de 2%.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 28.02.2020. Adaptado)
No texto, o adjetivo destacado que atribui uma carga de sentido negativo ao substantivo que acompanha é: 
Alternativas
Q2110899 Português
O termo que qualifica o substantivo na expressão “sorte geral” (4º parágrafo) tem sentido oposto ao termo que qualifica o substantivo em:  
Alternativas
Q2105359 Português
"Il faut cultiver notre jardin." (Voltaire)



Adaptado de GONÇALVES, Carolina de Almeida. In https://administradores.com.br/artigos/como-est%C3%A1-o-cultivo-do-seujardim; acesso em 28/01/2022.
Em “a frase fica muito clara” (l. 03), a forma adjetival em destaque está flexionada no grau:
Alternativas
Q2102059 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

O poder da doçura

O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras.

Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos ele foi tomando volume e se tornando um rio maior.

O viajante continuou a segui-lo. Bem mais adiante, o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras num espetáculo de águas cantantes.

A música das águas atraiu mais o viajante que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta. A natureza criara com paciência caprichosas formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.

De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913: "Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

Assim também acontece na vida. Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas.

E existem as pessoas suaves que sabem dosar a energia e tudo conseguem. São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante. Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões para a tomada de decisões, elas já se encontram a postos, agindo. E conseguem modificar muitas coisas.

(...)

https://www.contandohistorias.com.br/html/contandohistorias.html - Adaptado
No trecho: "Ele a foi adentrando, admirando sempre MAIS as pedras gastas pelo tempo", a palavra MAIS pertence a seguinte classe gramatical:
Alternativas
Q2096009 Português
Os projetos de energia renováveis e a instalação de novas centrais nucleares driblam a crise energética.
Na frase mencionada, existem:
Alternativas
Q2088464 Português

Aquilo por que vivi


    Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso instável, por sobre profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

    Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual a nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime.

    Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

    Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta a terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a constituir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria de ser a vida humana. Anseio por aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.

    Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.

(Bertrand Russel. Autobiografia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. Adaptado.)

Levando em consideração que o adjetivo é a classe de palavras que modifica o substantivo, atribuindo-lhe características mais precisas, NÃO se refere a tal classe gramatical: 
Alternativas
Respostas
1861: A
1862: A
1863: B
1864: C
1865: E
1866: C
1867: A
1868: B
1869: A
1870: C
1871: B
1872: B
1873: D
1874: A
1875: A
1876: C
1877: C
1878: B
1879: B
1880: A