Questões de Concurso
Sobre adjetivos em português
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Briga de casal
Ana teve uma discussão com o marido e se trancou no quarto, chateadíssima. Encostou-se na cama, fechou os olhos e começou a respirar fundo para se acalmar, porque o que sentia naquela hora era vontade de avançar nele. Mas o cansaço falou mais alto que a raiva. Um trabalho estressante, filhos dando preocupações, pais idosos para cuidar. A exaustão cobrou seu preço e Ana adormeceu.
Quando acordou, ela lembrou-se que tinha discutido com o marido, lembrou-se da raiva que sentiu quando se fechou no quarto, mas... qual era mesmo o motivo da briga? Ana foi tomada por um esquecimento total, irremediável. Por nada deste mundo conseguia se lembrar. O esgotamento que vem enfrentando parece ter comprometido profundamente a memória dela. Ela se esquece de tudo e, naquele momento, o motivo da briga havia sumido completamente de sua cabeça.
Ana saiu do quarto devagar, foi até a cozinha, preparou um chá e voltou para o quarto. Daí a pouco, Douglas, o marido, entrou, já era hora de dormir, e perguntou: “Tá mais calma?”. Ela sacudiu a cabeça, dizendo: “Você não é fácil...” e voltou a ler um livro em silêncio até adormecer. Na manhã seguinte, cada um saiu correndo para o trabalho, à noite eles se encontraram como se na véspera nada houvesse acontecido e até hoje Ana não tem a menor ideia do que a fez brigar com o marido.
A maioria das brigas de casais é provocada por razões absolutamente tolas, risíveis, motivos que merecem ser esquecidos. Se as pessoas fizessem as contas de quanto tempo já perderam nessas discussões desnecessárias, o resultado seria assustador. É muito desperdício de vida. São tardes jogadas pela janela, sábados que não voltam mais, noites que poderiam ser dedicadas a um bom filme, manhãs de verão que poderiam ter se desdobrado em dias de absoluta leveza, em vez de produzir amargura, ressentimento, mau humor e fazer as pessoas consumirem mais um comprimido para dor de cabeça ou dor de estômago.
(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)
Considerando a função sintática do adjetivo, assinale a alternativa cujo conteúdo justifica corretamente o emprego do adjetivo sublinhado na seguinte frase: Foi atacado na floresta por um animal grande e cabeludo.
Marque a opção em que a locução adjetiva não corresponde ao adjetivo.
Com relação à flexão dos adjetivos sublinhados, analisar os itens abaixo:
I. Essas atividades são muito fácis.
II. Eles são um bando de bobalhões.
TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 A 10
O que acontece com o corpo humano durante uma greve de fome?
Essa forma radical de manifestação pode causar problemas nos rins, fígado e coração e até levar à morte
A greve de fome como forma de protesto é usada há séculos pelo mundo. É um tipo de manifestação arriscado, já que as consequências possíveis para o organismo de quem suspende a alimentação são várias e incluem a morte.
Lício Velloso, professor do Departamento de Clínica Médica da Unicamp, explica que existem três tipos de greve de fome: a absoluta, em que a pessoa não consome nem alimentos, nem água; a total, em que a pessoa não se alimenta, mas consome água; e a parcial, quando a pessoa não come alimentos, mas consome água e suplementos de sais minerais e vitaminas.
Problemas de saúde anteriores e idade influenciam em como o organismo vai reagir ao jejum prolongado. Por exemplo, quem já sofre de problemas renais e os mais velhos terão mais complicações.
Na greve de fome absoluta, a mais radical de todas, a pessoa começa a ter problemas sérios entre 25 e 30 dias, causados pela falta de alimentos, de líquidos e de reposição de sais minerais. “O indivíduo começa a ter problemas renais graves e desequilíbrio na quantidade de sais minerais no sangue”, diz Velloso. Com a grande desidratação, a quantidade de sódio e potássio no sangue diminui muito, causando arritmia do coração e falência dos rins. “O risco de morrer por volta do 40 dia é muito grande”, afirma o médico.
Já os manifestantes que aderem à greve de fome parcial, recebendo água e sais minerais, não vão sofrer desidratação e nem desequilíbrio de sais minerais. “Esses vão mais longe. Eles vão começar a ter problemas mais sérios por volta de 40 ou 50 dias. Eles terão que usar muito da reserva de músculo e de tecido adiposo para produzir energia. Assim, o fígado começa a ser muito danificado”, explica Velloso.
Enquanto os grevistas absolutos sentem os primeiros danos nos rins e no coração, após 25 dias, aqueles que fazem greve de fome parcial sofrerão primeiro complicações no fígado, após 40 ou 50 dias. Ao usar a gordura do corpo para produzir energia, o fígado produz agentes que são tóxicos para ele mesmo e acaba sendo danificado. Quem não está tomando líquidos não chega a esse ponto, porque as chances de morrer antes por problemas renais ou cardíacos são grandes.
A recuperação após uma greve de fome exige cuidados e acompanhamento médico. “É importante que a fase de recuperação seja feita com assistência médica, para que seja provida para o paciente a quantidade certa de líquidos, de sais minerais e vitaminas para que ele não corra o risco de ter uma intoxicação hídrica”, alerta Velloso.
O médico explica os riscos de tomar muito líquido com o coração fragilizado pode levar a hiper-hidratação e falência cardíaca. “O coração não vai estar forte o suficiente para bombear todo o sangue novo, que será gerado com a ingestão de muito líquido. A pessoa pode ter uma falência cardíaca e até morrer”.
Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-acontece-com-o-corpo-humano-durante-uma-greve-de-fome-5s6e4q22c4mi9q65roy5me8s1
Em “Enquanto os grevistas absolutos sentem os primeiros danos”, a palavra destacada pode ser interpretada morfologicamente como duas classes diferentes, sendo elas:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Mais nutrientes e mais sabor
Caroline Sarmento
01 ____ Hoje em dia muitas pessoas não fazem ideia de como é o gosto verdadeiro das frutas que
02 apreciam e isso ocorre porque agrotóxicos e outros produtos químicos afetam o sabor dos
03 alimentos Aliás, não só o sabor: o mal que o consumo de agrotóxicos pode causar à saúde é
04 tão intenso que a Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de produtos livres de
05 substâncias químicas para diminuir o índice de doenças alimentares, que alcançam 70% das
06 pessoas no mundo.
07 ____ Dentre as doenças que podem ser provocadas, as mais comuns são as inflamações de
08 estômago, diarreia, alergia e intoxicação alimentar, diabetes, depressão, insuficiência cardíaca,
09 câncer, infertilidade e até Alzheimer e Parkinson.
10 ____ Entretanto, mesmo com todo o risco que existe em consumir alimentos cheios de
11 agrotóxicos, segundo estudos, 42% dos brasileiros nunca consumiram produtos orgânicos. Dessa
12 forma, a produção e consumo de orgânicos torna-se muito necessária, já que o solo é cultivado
13 com adubos naturais, respeitando o meio ambiente e gerando alimentos muito mais nutritivos
14 para a saúde de quem os consome.
(Fonte: http://www.maisequilibrio.com.br/saude/beneficios-dos-produtos-organicos-para-saude-4911.html - adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta um adjetivo.
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Mais nutrientes e mais sabor
Caroline Sarmento
01 ____ Hoje em dia muitas pessoas não fazem ideia de como é o gosto verdadeiro das frutas que
02 apreciam e isso ocorre porque agrotóxicos e outros produtos químicos afetam o sabor dos
03 alimentos Aliás, não só o sabor: o mal que o consumo de agrotóxicos pode causar à saúde é
04 tão intenso que a Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de produtos livres de
05 substâncias químicas para diminuir o índice de doenças alimentares, que alcançam 70% das
06 pessoas no mundo.
07 ____ Dentre as doenças que podem ser provocadas, as mais comuns são as inflamações de
08 estômago, diarreia, alergia e intoxicação alimentar, diabetes, depressão, insuficiência cardíaca,
09 câncer, infertilidade e até Alzheimer e Parkinson.
10 ____ Entretanto, mesmo com todo o risco que existe em consumir alimentos cheios de
11 agrotóxicos, segundo estudos, 42% dos brasileiros nunca consumiram produtos orgânicos. Dessa
12 forma, a produção e consumo de orgânicos torna-se muito necessária, já que o solo é cultivado
13 com adubos naturais, respeitando o meio ambiente e gerando alimentos muito mais nutritivos
14 para a saúde de quem os consome.
(Fonte: http://www.maisequilibrio.com.br/saude/beneficios-dos-produtos-organicos-para-saude-4911.html - adaptado)
Assinale a alternativa que contém um adjetivo de sentido antônimo à “intenso” (l. 04).
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A sabedoria dos patos
- Certa vez estava ouvindo um programa de rádio em que achei muito interessante a
- abordagem motivacional e metafísica que o professor e terapeuta Marcello Cotrim levantou para
- elucidar que os patos têm uma sabedoria maravilhosa a nos transmitir. Ele fez um comparativo
- entre os arquétipos da águia e do pato. A águia é um animal lindíssimo, tem força, tem
- resistência, tem longevidade, tem uma visão de longo alcance, voa acima das nuvens. Além
- disso, existe uma famosíssima lenda da renovação da águia, segundo a qual, quando chega à
- metade do seu tempo de vida, ela passa por um processo doloroso de renovação das penas, das
- unhas e do bico. Ela vai para as mais altas montanhas e fica lá, solitária, batendo o bico nas
- pedras até ele cair, depois espera pacientemente que nasça um novo. Em seguida, ela arranca as
- penas e unhas e se prepara para um novo ciclo de vida.
- Essa lenda da renovação da águia é vista por nós como o processo de sofrer para crescer,
- sofrer para se renovar, viver a solidão para conseguir se superar, etc. Se observarmos bem, o
- arquétipo da águia é como o de um mártir, alguém que sofre, mas que se torna maior do que as
- outras pessoas, se torna indelével. No mundo em que vivemos, quase todos querem se tornar
- inesquescíveis, porque isso soa bonito, dá uma sensação imensa de ser importante, de ser
- insubstituível. Porém, o risco está em querer ser águia o tempo inteiro. Isso é muito
- desgastante, é você se esforçar para ser sempre o melhor em tudo e alcançar patamares
- incomparáveis. A grande verdade é que ninguém consegue ser o melhor em tudo, e o barato da
- vida é exatamente esse, porque dessa forma podemos nos unir com outras pessoas, podemos
- pedir ajuda e fazer parcerias interessantes.
- Essa ideia coletiva que se tem das águias reforça um perfil mais egoísta e autossuficiente,
- como se não precisássemos uns dos outros. É nessa hora que entra a figura do pato. Ele é meio
- desengonçado na forma de andar, sabe nadar, mas não é exímio nadador, também consegue
- voar, mas não alcança grandes alturas, não sabe fazer voos rasantes, etc. Perceba! Ele consegue
- transitar pela terra, pela água e pelo ar. Que animal além dele consegue fazer isso? Em outras
- palavras, o pato é multitarefas. Tem talentos diversos, mas está longe de ser um especialista em
- suas capacidades. Olhar para esse animal e pegar esse modelo para a nossa vida é incrível,
- porque a vida não nos exige que sejamos os melhores em tudo e o tempo todo. Somos nós que
- nos autoimpomos esse padrão que, por vezes, chega até a nos adoecer.
- No mundo hipermoderno que vivemos hoje, o ideal é que desenvolvamos nossos potenciais
- diversos, sem querermos ser os melhores em tudo. Vale ressaltar que existem águias em todas
- as áreas da vida e em todas as profissões, mas não adianta ficar se comparando, porque na
- comparação nos menosprezamos e deixamos de fazer algo bom, que poderia ajudar a nós
- mesmos e aos outros. Por exemplo, eu escrevo bem, mas sei que não sou o melhor na arte da
- escrita. Não sou um Machado de Assis, porém, se eu não escrevesse, seria menos feliz e
- realizado do que sou e deixaria de levar conhecimentos e consciência para centenas de pessoas.
- Gosto de jogar basquete, mas estou longe, absolutamente longe de ser um Michael Jordan ou
- Lebron James. Se me comparasse com esses gladiadores do basquete nem pisaria numa quadra,
- deixaria de me exercitar e de me divertir com esse lindo esporte.
- Poderia citar mais exemplos, mas com esses acho que já deu para você entender! O resumo
- de tudo é isso. Faça! Não queira se comparar com as águias. Sempre existirão águias em todas
- as áreas, mas entre ser uma águia, perita em apenas uma coisa, e ser um pato, que se esforça
- para desenvolver diversos talentos, sem autoexigência, é preferível ser como um pato! Sem
- contar que os patos vivem em bandos, eles muito facilmente se organizam em equipe e não tem
- o pato-alfa, que lidera a todos, não! Imitando o arquétipo do pato podemos até ser amigos
- melhores, sem querermos ser o chefe, o comandante.
Texto adaptado especialmente para esta prova.
Disponível em: https://www.contioutra.com/a-sabedoria-dos-patos/.
Da mesma forma que o superlativo absoluto do adjetivo “lindo” é “lindíssimo” (l. 04), o superlativo absoluto do adjetivo “geral”, de acordo com a Norma Culta da Língua Portuguesa, é:
Considere atentamente o poema a seguir, escrito por Machado de Assis, para responder às próximas questões.
“Bailando no ar, gemia inquieto vagalume: ‘
Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!’
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
‘Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela’
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
‘Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume’!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
‘Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume’?”
Analise as alternativas a seguir e assinale a que indica SOMENTE adjetivos presentes no poema.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Recuse o canudo
Andressa Missio
- Apesar de ser tão pequeno e aparentemente inofensivo
o pedacinho de plástico que
- usamos para tomar um refrigerante ou uma água de coco tem levantado uma grande discussão
- nas redes sociais. Ambientalistas e empresas ecologicamente responsáveis defendem que o uso
- de canudos é desastroso para o meio ambiente. O descarte irregular polui rios e oceanos e
- contribui para a triste previsão que o Fórum Econômico Mundial faz: se seguirmos nesse ritmo,
- em pouco mais de 30 anos o mar terá mais plástico do que peixes.
- Entre as campanhas nas redes sociais, está a que diz “Recuse o canudo: 1 minuto para
- produzir, 30 minutos de uso, 20 anos para decompor.” Os posts têm sido cada vez mais curtidos,
- compartilhados e o grito pelo fim do canudo nas redes sociais é grande e já chegou aos
- governos.
- No exterior, alguns estados americanos, União Europeia e Reino Unido estudam leis para
- impedir o uso. Já no Brasil, cidades como Rio de Janeiro e Porto Alegre já proibiram, por lei, o
- consumo e também aprovaram multa aos comerciantes que forem flagrados com canudos nos
- estabelecimentos.
- Enquanto a alternativa para outros produtos de plástico é a reciclagem, o canudo é
- muito pequeno e acaba dispensado por catadores e usinas. Por isso, além de incentivar o uso do
- copo sem canudo, restaurantes e lojas também apelam para canudos biodegradáveis,
- comestíveis ou não descartáveis, como os de bambu, vidro ou aço inox.
Fonte: http://www.folhavitoria.com.br/geral/blogs/premio-ecologia/2018/06/recuse-o-canudo-campanhapara- abolir-uso-ganha-as-redes-e-alcanca-governos-e-empresas/ – adaptado
Assinale a alternativa que apresenta um adjetivo, um substantivo e um artigo, nesta ordem.
As questões de 01 a 03 dizem respeito ao texto abaixo. Leia-o atentamente antes de respondê-las.
No trecho “[...] e quem aproveitou a folga para visitar o Zoo, teve uma programação especial.” (linha 16), o termo destacado exerce a função de:
Leia o texto, para responder às questões de números 14 a 18.
A coluna de hoje tem uma particularidade. Escrevi para quem não lê jornal, gente com menos de 20 anos que se informa pela internet.
Há anos repito que a indústria do fumo é a mais criminosa da história do capitalismo ocidental.
Inconformada com a diminuição das vendas, desenvolveu uma estratégia demoníaca para assegurar seus lucros imorais: o assim chamado cigarro eletrônico, na verdade mero dispositivo para administrar nicotina.
O objetivo é arregimentar multidões de crianças e adolescentes, dando-lhes a ilusão de que consomem um produto que não faz mal à saúde.
Olha o que aconteceu com os americanos. Mais de 25% dos estudantes com menos de 15 anos fumam eletrônicos, vendidos em cerca de 20 mil lojas, que rendem anualmente aos criminosos U$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 11 bi), arrecadados às custas de uma legião de 10 milhões de dependentes.
Até a semana passada, apenas nos Estados Unidos, o dispositivo apregoado como inofensivo havia causado 530 internações e oito mortes por insuficiência respiratória aguda.
No Brasil, a venda dessa invenção diabólica está proibida, mas cada vez mais adolescentes fumam dispositivos contrabandeados ou vendidos pela internet. Muitos têm 11 ou 12 anos de idade. São meninas e meninos ingênuos, que perderão a liberdade de viver longe da nicotina.
Não caia nessa. Ser jovem, inexperiente, tudo bem. Trouxa, não.
(Drauzio Varella, Criminosos impunes. Folha de S. Paulo, 30.09.2019. Adaptado)
A alternativa em que o emprego de adjetivo exprime ênfase do autor em relação ao assunto de que trata é:
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 12.
Fogo de palha ou surto de hashtag?
Num mundo em que nem os números, ou nem sequer os satélites, são confiáveis, ai de nós que queremos formar uma ideia sobre acontecimentos importantes, ainda que apenas modestamente parecida com a realidade. A Amazônia está pegando fogo inteirinha, como aparece naqueles mapas em que os focos são colocados em tamanho perceptível aos olhos, mas evidentemente não compatível com o da vida real? Os incêndios aumentaram 1 quatrilhão por cento? A culpa é de Fulano? Para facilitar um pouco a vida dos obcecados que têm mania de fazer perguntas e não esperar respostas fáceis, alguns filtros podem ser aplicados, em várias situações, na tentativa de distinguir fatos e suas infinitas interpretações.
Fator hashtag. Está bombando nas redes sociais e não é um gatinho adorável? Desconfie, desconfie muito. É bom ter um canal para expressar sentimentos e opiniões. #metoo, #timesup ou #prayforamazonia são exatamente isso. Servem, dessa forma, para avaliar humores emocionais, não como um prognóstico infalível. Outra pequena dica: gente que nunca rezou por nada e de repente se prostra diante do divino por causa da floresta é como certos candidatos que vão à missa e até comungam em véspera de eleição.
Fator fofura. Apresentadores ou influenciadores se emocionam e ficam com a voz embargada? Estão tratando de Greta Thunberg, a adolescente sueca em que tantos adultos querem acreditar, ou de macaquinhos indianos chamuscados e transportados por pensamento mágico para a floresta brasileira. Os ultrassensíveis, programados, como todos os humanos, para se comover com filhotes de mamíferos, moram bem longe dela. De perto, independentemente de sua importância e de seus prodígios, as florestas sempre foram fonte de temor. Ah, sim, se aparecer alguém usando cocar, a coisa está perdida. Índios não usam cocar no dia a dia, exceto para efeitos midiáticos.
Fator uma semana. Passaram-se sete dias e o acontecimento, sem ter mudado em sua essência, sumiu do mapa. Depois do pico do fogo de palha, existe uma tendência a falar mais francamente. Registrem-se as manifestações a favor do “intervencionismo ambiental”. Escreveu um valente professor americano, Lawrence Douglas, comparando-o ao intervencionismo humanitário: “A comunidade internacional precisa assumir a responsabilidade – não, em primeira instância, aplicando a força militar, mas através de sanções comerciais e boicotes econômicos”. Por incrível coincidência, 46 deputados e dezessete ONGs da França propuseram sanções contra a soja e a carne importadas do Brasil. Não é só aqui que tem bancada ruralista.
(Vilma Gryzinski, Veja, 11.09.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o adjetivo destacado expressa a ideia de intensidade.
No que se refere aos adjetivos pátrios, assinale a alternativa INCORRETA:
Qual das alternativas abaixo contém a variação correta de grau do adjetivo.
“A moça é extremamente organizada.”
Na frase acima, exerce o papel de adjetivo:
Por um pé de feijão
Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (a nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr do sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.
Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.
Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?
E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinquenta, outros falavam em oitenta.
No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem negra, subindo do chão para o céu... Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.
Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.
Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.
– Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar,
despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.
E disse mais:
– Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: o velho está certo.
Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.
(Antônio Torres. Os cem melhores contos brasileiros do século. Adaptado.)
Sabe-se que o adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se adequa diretamente ao lado de um substantivo. Considerando a afirmação, assinale a afirmativa transcrita do texto que evidencia um adjetivo.
NÃO estão corretos, na língua padrão, todos os superlativos sintéticos da alternativa
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- O mercado de trabalho mudou e ele se impõe ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante
- mutação. A crise, a recessão, o fechamento de postos de trabalho, a queda de contratações via CLT, a globalização, o aumento
- do empreendedorismo (muitos por necessidade), tudo isso se apresenta em um momento de transição em que é fundamental
- para o trabalhador buscar um novo modelo de carreira que o prepare para o futuro, que já bate à porta. Exceto áreas
- específicas, esqueça o tempo de ser especialista em uma única área da sua formação. Esse tempo acabou. Hoje, o profissional
- disputado pelas organizações é o que consegue ser multitarefa em um mercado em frequente mudança. Se ainda não enxergou
- que o cenário é outro, é melhor abrir os olhos.
- Amir El-Kouba, professor de gestão de pessoas em MBAs da Fundação Getúlio Vargas/Faculdade IBS e consultor
- empresarial, afirma que se tem algo de positivo em toda essa crise é que “foi feita uma releitura do mundo do trabalho por
- parte do profissional à revelia da nossa legislação trabalhista. Formaram-se MEIs (microempreendedor individual),
- profissionais se associando a outros profissionais para prestar serviço, contratos temporários, consultores, técnicos
- associados, enfim, uma nova reconfiguração”.
- [...]
- Qual é o de modelo de profissional que as empresas querem com a nova reconfiguração do mercado de trabalho
- durante e após a crise? Muitos especialistas dizem que nada será como antes. A globalização, há décadas, o avanço da
- tecnologia e a recessão se impõem para mudar o status quo. Do caos que vivemos e pelo qual passamos no Brasil (e o mundo
- também, desde a crise de 2008) nasce uma nova força de trabalho. Para Rúbria Coutinho, consultora em recursos humanos e
- desenvolvimento organizacional, após o período mais crítico, muitas organizações retomarão as contratações. Aliás, já há
- sinais de estabilização em boa parte delas em segmentos específicos. “No entanto, muitos profissionais que buscam
- oportunidade de recolocação estão passando por repetidas frustrações – há um grande número de profissionais competentes
- à disposição para proporcionalmente poucas ofertas de vagas. Assim, estão se movimentando para criar ou participar de
- espaços produtivos e alternativos porque precisam e querem trabalhar”, diz.
- [...]
- A verdade é que nunca é fácil para quem está no olho do furacão, que vive a transição. Dúvidas e inseguranças atingem
- tanto o profissional experiente quanto os jovens, que absorvem melhor as mudanças. “As novas gerações não sonham com o
- modelo de trabalho tradicional com estabilidade, benefícios, longas jornadas, ascensão de carreira dentro de uma única
- empresa, com as referências de sucesso profissional que tínhamos até então.” Para a consultora, o que vemos hoje é que boa
- parte dos jovens não esperam chegar ao final do curso para iniciar um projeto. São, de modo geral, superconectados, com
- bons conhecimentos em tecnologia, capacidade e repertório para lidar com novas soluções e até mesmo desenvolver soluções,
- produtos e serviços inovadores no mercado. “Tendem a ser mais flexíveis e dinâmicos, lidam com a instabilidade de forma
- mais natural e podem migrar de uma carreira para outra ao longo da vida em busca de experiências, novos desafios e pelo
- prazer. Percebo que são cada vez mais guiados por uma causa própria e não temem empreender.”
- Porém, lembra a especialista, o empreendedorismo requer muito mais que o desejo ou o que chamamos de aptidão.
- [...]
- Como será o mercado de trabalho do futuro? Não é matemática exata, mas já é possível prever novas demandas
- profissionais e qual rumo elas tomam, ainda que as transformações sejam inúmeras, distintas e ocorram em velocidade
- assustadora. “Não há uma resposta, só o futuro dirá, mas a dinâmica do mercado muda rápido e há profissões que podem não
- existir daqui a um tempo. Assim, a formação passa a ser um adendo da carreira profissional. É o engenheiro que abre um
- carrinho de brigadeiro ou muda para a área de finanças. O certo é que o redirecionamento já ocorre (e será cada vez mais
- comum) com frequência”, analisa Bruno da Matta Machado, sócio-diretor e headhunter da Upside Group.
- O Brasil é apontado como um dos países mais empreendedores do mundo, ainda que tenha muitos problemas e
- barreiras quanto à consolidação das milhares de iniciativas de novas empresas. Por outro lado, o empreendedor corporativo
- é um perfil cada vez mais procurado pelos gestores. “É o profissional bem-visto, o perfil desejado. No entanto, muitos
- profissionais acham que não se encaixam porque pensam que para empreender precisam abrir uma empresa. Mas ele pode
- ser um empreendedor dentro da empresa. Esse será o colaborador que traz como características a criatividade, é proativo,
- corre riscos, enfrenta o escuro, busca coisas novas e, por tudo isso, acaba sendo um curinga”, explica o headhunter.
- [...]
- “A tecnologia tem modificado drasticamente o mercado de trabalho. Segundo relatório publicado pelo Fórum
- Econômico Mundial, a economia mundial sentirá os efeitos da chamada “Quarta Revolução Industrial”, que promete ser
- muito mais rápida, abrangente e impactante que as anteriores. São muitas as novidades: computação em nuvem, internet das
- coisas, big data, robótica, impressão em 3D... O Fórum projeta que, até 2020, essas tecnologias vão eliminar 5,1 milhões de
- vagas em 15 países e regiões que respondem por dois terços da força mundial de trabalho, incluindo o Brasil.
- O mercado de trabalho atual exige características comportamentais para que os profissionais se adaptem à nova
- realidade: conhecimento do negócio, flexibilidade, saber trabalhar em equipe. Também é necessário ter uma visão geral de
- tudo que o cerca. Além disso, é fundamental estar inteirado da tecnologia. Todas essas mudanças devem ser absorvidas por
- todos que almejam obter sucesso no novo cenário. Bem-vindo, não mais à era de mudança, mas à mudança de era, talvez
- Darwin já soubesse de tudo isso lá atrás, quando disse que as espécies vivas que sobrevivem não são as mais fortes nem as
- mais inteligentes; são aquelas que conseguem se adaptar e se ajustar às contínuas demandas e desafios do meio ambiente.”
FONTE: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/04/26
A expressão adjetiva com ideia de tempo