Questões de Concurso Sobre acentuação gráfica: proparoxítonas, paroxítonas, oxítonas e hiatos em português

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Q2480002 Português
Qual a sílaba tônica (mais forte) da palavra “insegurança” (l. 09)?
Alternativas
Q2479001 Português
Indique a alternativa que apresenta a palavra corretamente acentuada:
Alternativas
Q2478000 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma paroxítona terminada em ditongo crescente, seguido ou não de “s”.
Alternativas
Q2477996 Português

                                                            A incrível descoberta de Marie Tharp

                                                                                                                                                Por Eder Molina

(Disponível em: www.chc.org.br/artigo/a-incrivel-descoberta-de-marie-tharp/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Levando-se em conta a posição da sílaba tônica, a palavra “ultrassom”, presente no texto, é um(a): 
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Q2477766 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

Ler, escrever e fazer conta de cabeça

A professora gostava de vestido branco, como anjos de maio. Carregava sempre um lenço dentro do livro de chamada ou preso no cinto, para limpar as mãos, depois de escrever no quadro-negro. Paninho bordado com flores, pássaros, borboletas. Ela passava o exercício e, de mesa em mesa, ia corrigindo. Um cheiro de limpeza coloria o ar quando ela passava. Sua letra, como era bem desenhada, amarradinha uma na outra! Ninguém tinha maior paciência, melhor sabedoria, mais encanto. E todos gostavam de aprender primeiro, para fazê-la feliz. Eu, como já sabia ler um pouco, fingia não saber e aprendia outra vez. Na hora da chamada, o silêncio ficava mais vazio e o coração quase parado, esperando a vez de responder “presente”. Cada um se levantava, em ordem alfabética e, com voz alta, clara, vaidosa, marcava sua presença e recebia uma bolinha azul na frente do nome. Ela chamava o nome por completo, com o pedaço da mãe e o pedaço do pai. Queria ter mais nome, pra ela chamar por mais tempo.

(Queirós, Bartolomeu Campos de, Ler, escrever e fazer conta de cabeça.)
A palavra “paciência” é acentuada pela mesma razão que:
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Q2476290 Português

Leia o texto e responda a questão.


O trecho a seguir foi retirado da obra “Dom Casmurro”, um clássico de Machado de Assis e um dos principais romances da literatura brasileira. O narrador é Bentinho, o advogado Bento Santiago, que desconfia da relação entre sua esposa Capitu e seu amigo Escobar. O trecho trata da despedida deste último, casado com a personagem Sancha.


OLHOS DE RESSACA 


    Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.

   As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã. 


ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.


Das palavras acentuadas no texto, assinale a alternativa em que ambas as palavras possuem a mesma tonicidade de “carícias”.
Alternativas
Q2475611 Português


Texto para a questão


                             Dor profunda de um término de amizade ainda é negligenciada 


 


(Isabella Astrauskas. https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2024/03/dor-profunda-de-um-termino-deamizade-ainda-e-negligenciada.shtml. 30.mar.2024)


Assinale a alternativa em que a palavra indicada tenha sido acentuada seguindo regra distinta da das demais.
Alternativas
Q2474657 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 02




Disponível em: https://br.pinterest.com/. Acesso em: 10 mar. 2024. Adaptado.


Tendo em vista a acentuação gráfica, as palavras cujas grafias já se modificaram, o que comprova que o anúncio é de um tempo passado, são
Alternativas
Q2474294 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01



Filosofia de padaria e o tempo das coisas


[...] Você já fez um pão? Posso dizer que sou padeiro amador. A panificação me ensinou que pra comer croissant ou panettone, tenho que dedicar 24 horas para produzi-los, e pra comer minha massa de pizza, 48 horas. Mas, no mundo do encurtamento das distâncias, você pode comê-los daqui a 10 minutinhos, sem sujar as mãos.

Ou seja, ao panificar, aprendi que pães são feitos de tempo. E o valor das coisas é medido pela quantidade de tempo que dedicamos a elas. Com toda atenção e paciência de que precisam. É por isso que filhos são preciosos, carreiras longevas são inestimáveis e relações duradouras não têm preço. Porque exigem nossa dedicação constante e duradoura. Porque é preciso regar, nutrir, suster e cuidar [...].


Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/. Acesso em: 16 fev. 2024. Adaptado.

Em “[...] e relações duradouras não têm preço.”, a forma verbal “têm” foi acentuada porque:  
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Q2473841 Português
Sobre acentuação gráfica, conforme descreve Cegalla, analise as assertivas a seguir:

I. Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados na vogal tônica: com acento agudo se a vogal tônica for i, u ou a, e, o abertos e com acento circunflexo se a vogal tônica for fechada ou nasal.
II. Todos os vocábulos paroxítonos terminados em -ens devem ser acentuados.
III. Os vocábulos oxítonos terminados em i(s), u(s) são acentuados quando precedidos de vogal átona com a qual formam hiato.

Quais estão corretas? 
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Q2473533 Português
As luas de Saturno

    O planeta Saturno se destaca no Sistema Solar por seu tamanho — é o segundo maior, de acordo com a Nasa (a agência de pesquisa e exploração espacial dos Estados Unidos) — e, claro, por seus belíssimos anéis que fazem dele um corpo celeste único e tão admirado. Só que o sexto planeta desde o Sol também chama atenção por possuir em sua órbita diversas luas com características bem variadas, de grandes a pequenas.
    Desde junho de 2023, a Nasa afirma que Saturno possui 146 luas. Por conta disso, é considerado atualmente o planeta com o maior número de luas do que qualquer outro do Sistema Solar. A maior lua de Saturno se chama Titan (e também é a primeira a ser descoberta, em 1655, pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens). Ela é tão grande que tem o tamanho aproximado do planeta Mercúrio, conforme a Nasa. A Titan é a única lua do Sistema Solar conhecida por ter nuvens, uma atmosfera densa e lagos líquidos.
    O diâmetro de seu corpo sólido é de 5.150 km — o que a torna, depois da lua Ganimedes de Júpiter, a segunda maior lua do Sistema Solar. Seu interior é formado por uma mistura de materiais rochosos (silicatos) e gelos. O último provavelmente é gelo de água misturado com amônia e metano congelados. Além disso, sua superfície é coberta por uma espessa névoa vermelho-amarronzada, permanecendo em grande parte um mistério até a missão de exploração do sistema saturniano pela Cassini-Huygens, realizada em conjunto por Nasa, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana). As observações da CassiniHuygens mostraram que a lua Titan tem uma topografia de superfície complexa esculpida por precipitação, líquidos fluidos, vento, impactos e uma possível atividade vulcânica e tectônica — muitos dos mesmos processos que moldaram a superfície da Terra.
     A menor lua de Saturno é a Enceladus, que é realmente pequena, não sendo maior do que uma arena esportiva. Já a lua localizada mais próxima de Saturno é a lua Pan. O ano de 2023 mudou o status das luas de Saturno, já que foram descobertas mais 62 luas na órbita do planeta. Elas foram descobertas por uma equipe liderada por Edward Ashton, um pós-doutorando de Taiwan, que usou uma técnica chamada "shift and stack" (deslocamento e empilhamento) para encontrar luas menores ao redor de Saturno. A pesquisa contou com uma equipe internacional de astrônomos de diversos países. Eles anunciaram em maio de 2023 a descoberta de 62 luas na órbita do planeta gigante — uma descoberta reconhecida pela Nasa e demais órgãos internacionais de estudos espaciais.

National Geographic. Adaptado.
Em relação à acentuação das palavras do texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) A palavra “anéis” (1º parágrafo) está incorreta, pois não deveria ter a presença de acento agudo.
( ) A palavra “líquidos” (3º parágrafo) está acentuada corretamente.
( ) A palavra “fluidos” (3º parágrafo) está incorreta, pois deveria ser acentuada na letra “i”.
( ) A palavra “tectônica” (3º parágrafo) é acentuada obrigatoriamente, pois é uma paroxítona.
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Q2473506 Português
A respeito da acentuação gráfica, qual alternativa preenche as lacunas CORRETAMENTE?
Fui tomar _______ da manhã e fiz um ______ com ________ de __________.
Alternativas
Q2473402 Português

Leia o Texto 2 para responder a questão.

Texto 2


Campo pequeno


Olhava para o mundo
Cheio de cores e carros
Cheio de prédios e pedras
Cheio de pessoas e passos
E tudo o que via
Era um vazio
Profundo e silencioso
Triste
Imenso
E sem propósito
Simplesmente
Porque ele havia dito
Que já não haveria mais nós
E sem nós
Para ela
- sangrando e confusa
– Já não havia mais nada.

MANUS, Ruth. Desfeita, Refeita. 1 ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2022.
O vocábulo “propósito” é acentuado em decorrência de ser uma
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Q2473245 Português
       Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: “Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!”.
       Aí, então, derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficarei muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
       Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu... Sabe por que? Porque ser seu amigo já é um pedaço dele!
(Recanto das Letras. Vinicius de Moraes.)
“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor.” (1º§) A mesma regra de acentuação que equivale para “você” vale também para:
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Q2472196 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Assistir mais de uma vez a um conteúdo de que gostamos pode ser um grande alívio em situações de estresse e ansiedade, dizem os especialistas. Só que buscar sempre o mesmo local de conforto para superar momentos difíceis pode ser um sinal de alerta. "Esse comportamento traz conforto por conta de vários aspectos psicológicos e emocionais, pois ativa uma área do cérebro responsável pela sensação de bem-estar e segurança", explica a neuropsicóloga Tammy Marchiori, formada em neurociência por Harvard.
Essa região cerebral tem nome: circuito límbico. "Ele é predisposto a responder de forma positiva aos estímulos que já nos fizeram bem, por isso sentimos essa sensação de bem-estar", explica o neurologista Samir Magalhães, médico neurofisiologista clínico do Hospital Universitário Walter Cantídio, no Ceará.

Disponível em:
<https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/02/28/seus-filmespreferidos-podem-ajudar-a-melhorar-sua-ansiedade-entenda.htm>. Acesso
em: 29 fev. 2024. [Adaptado].

A acentuação gráfica da palavra ‘conteúdo’ indica a presença de


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Q2471463 Português
Texto 1 - SOBRE AMAR E OUVIR
Rubem Alves

        Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito... A arte de amar e a arte de ouvir estão intimamente ligadas. Não é possível amar uma pessoa que não sabe ouvir. Os falantes que julgam que por sua fala bonita serão amados são uns tolos. Estão condenados à solidão.
        Quem só fala e não sabe ouvir é um chato... O ato de falar é um ato masculino. Fala é falus: algo que sai, se alonga e procura um orifício onde entrar, o ouvido... Já o ato de ouvir é feminino: o ouvido é um vazio que se permite ser penetrado.
        Não me entenda mal. Não disse que fala é coisa de homem e ouvir é coisa de mulher. Todos nós somos masculinos e femininos ao mesmo tempo. Xerazade, quando contava as estórias das 1001 noites para o sultão, estava carinhosamente penetrando os vazios femininos do machão. E foi dessa escuta feminina do sultão que surgiu o amor. Não há amor que resista ao falatório.

Disponível em https://www.pensador.com/cronicas_curtas/ acesso em 17 de mar. De 2024.
Todas as palavras, quanto à sílaba tônica, são oxítonas em: 
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Q2470493 Português
RUTH GUIMARÃES: CENTENÁRIO DE UMA PIONEIRA

Joaquim Maria Botelho

        “Mulher, negra, pobre e caipira – eis as minhas credenciais”, disse Ruth Guimarães num discurso na Bienal Nestlé de Literatura, em 1983. Ruth tinha plena consciência de sua condição humana e de sua vocação para a literatura quando, jovenzinha de 26 anos, lançou Água funda (1946), romance que causou frisson na crítica literária da época e se tornou um marco da literatura regionalista.
        Ao lado de Antonio Candido – que publicou crítica elogiosa no jornal Correio Paulistano –, Érico Veríssimo foi um dos primeiros a comentarem a obra muito favoravelmente, num texto que a própria Editora Livraria do Globo passou a usar nas propagandas do livro de Ruth: “Há muito que não leio prosa brasileira tão rica de contactos com a terra e com a vida, tão fresca, tão natural e tão gostosa”. O romancista gaúcho tinha sido gerente do departamento editorial da Livraria do Globo e várias vezes se encontrou com a escritora em suas visitas à sucursal de São Paulo, dirigida por Edgard Cavalheiro. Ficaram amigos, mas seguiram caminhos diferentes e ficaram muito tempo sem se ver.
        Ruth passou a infância na fazenda Campestre, que o pai administrava, local hoje pertencente ao município de Pedralva, no sul de Minas Gerais. Ali, conviveu com as famílias de peões e colonos, e recolheu muitas histórias. Com a avó, aprendeu as tradições dos índios e dos negros. Já em São Paulo, decidiu recontar essas histórias, segura de que tinha em mãos o tesouro da tradição oral do povo que amava. Jovem atrevida, reuniu os racontos de assombração, duendes e pequenos demônios como o saci, a mula sem cabeça e o lobisomem, e foi procurar Mário de Andrade.
        O mestre a recebeu, elogiou, corrigiu e orientou-a nas técnicas de pesquisa folclórica, entre 1942 e 1944. Mário de Andrade não viu o livro pronto porque morreu em 1945 e a obra saiu depois de Água funda, em 1950, com o título de Os filhos do medo. Ampla pesquisa folclórica sobre o diabo e todas as manifestações demoníacas no imaginário do homem do Vale do Paraíba, a publicação lhe valeu um verbete na Enciclópédie Française de la Pléiade, publicada pela editora Gallimard, fazendo de Ruth Guimarães a única escritora latinoamericana a receber essa distinção.
        O autor é jornalista, escritor e mestre em literatura e crítica literária pela PUC-SP.
 Adaptado do site:
https://revistacult.uol.com.br/home/cult-301-ruth-guimaraes/ , acesso em 22 de março de 2024.
Todas as palavras são acentuadas pela mesma regra de acentuação em: 
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Q2470425 Português
CLARICE LISPECTOR: A TEIA SUTIL DE UMA POÉTICA FEMINISTA

Rita Terezinha Schmidt
(03 de janeiro de 2024)


        Assim como Clarice sempre resistiu a qualquer tentativa de enquadramento e manifestava publicamente sua falta de interesse em produzir “literatura” – termo ao qual atribuía o peso de uma instituição, um fardo que nunca cogitou carregar porque se considerava uma amadora, e não uma “profissional” –, também nunca mencionou o termo “feminista”, seja na sua vida pública, seja na sua produção ficcional. Talvez porque na época circulava o clichê de que feministas eram mulheres mal-amadas e desejavam se igualar aos homens, noções distorcidas e disseminadas por segmentos conservadores que não admitiam a agenda da luta por direitos, foco das reivindicações dos movimentos de mulheres que começaram a ganhar vulto a partir da década de 1950.
        Nesse período e nas décadas seguintes, o impacto da obra O segundo sexo (1949), de Simone de Beauvoir, foi explosivo, particularmente pela afirmação de que a mulher “feminina”, nos termos do binarismo de gênero na cultura patriarcal, é caracterizada pela passividade e que é nessa condição que ela se torna um ser para o outro, uma alteridade institucionalizada.
        Com vivências em países europeus e nos Estados Unidos, Clarice certamente tomou conhecimento das passeatas de mulheres que ganhavam, na época, ampla cobertura nos jornais e em noticiários na televisão. Também foi leitora de escritoras inglesas como Emily Brontë, Katherine Mansfield e Virginia Woolf, que abordaram questões relativas à condição feminina, definida como “o problema que não tem nome” por Betty Friedan, em seu A mística feminina (1963). Woolf, além de inovadora na prosa de ficção, em Um teto todo seu (1929) foi pioneira na denúncia da opressão econômica, intelectual e criativa das mulheres: ao tentar fazer uma pesquisa sobre o tema mulher e ficção na biblioteca de Oxbridge (nome fictício para as duas mais tradicionais universidades da Inglaterra, Cambridge e Oxford), teve sua entrada barrada por não estar acompanhada de um homem nem levar uma carta de apresentação. Ao retornar devidamente acompanhada, levantou informações que referendaram o que observara de forma empírica, isto é, que a tradição literária era pautada, exclusivamente, na genealogia pais/filhos.
        Em tempos de questionamentos e de transformações sociais, não surpreende que na singularidade composicional de suas obras Clarice articulasse um feminismo latente de outra genealogia, a de mãe/filhas, presente nos alinhamentos entre narradora, autora implícita e personagens femininas, tramados em diferentes graus de cumplicidade. Trata-se de uma teia na qual a relação da narradora com suas personagens conflui em fios de discurso/fios de pensamento que deslizam de uma obra a outra, produzindo ressonâncias e superposições na construção de elos intersubjetivos. Se o fio, no mito de Ariadne, é símbolo de salvação de um enredamento mortal, na obra de Clarice seu arquétipo tece um imaginário que fecunda subjetividades/identificações declinadas pelo pertencimento feminino e que entrelaçam vida e ficção numa economia de afetos que não deixa de evocar o lema feminista de nossa época, “o pessoal é político”.
        Talvez nenhuma outra escritora brasileira, ao longo de sua obra, tenha sido capaz de captar e sustentar com perspicácia e constância a problemática de personagens femininas, circunscritas por injunções de uma estrutura patriarcal que contamina o espaço familiar. Suas trajetórias oscilam em movimentos de resistência, de submissão e de transgressão, num aprendizado doloroso de autoconsciência e de percepção do mundo à sua volta. Isso não significa dizer que Clarice reduzia a literatura ao compromisso verossímil de um realismo ingênuo, mas, sim, que seu viés feminista estava presente na construção das experiências vividas por suas personagens e produzia, de forma subjacente, uma crítica social pertinente a seu tempo e lugar.
        A pergunta “quem sou eu?”, implícita ou explícita, que percorre os fios de sua teia ganha expressão em Joana, Ana, Lucrécia, Laura, Virgínia, G. H., Ângela, personagens que figuram a condição da mulher brasileira de classe média dos anos 1940 a 1960 – condição essa que transcende limites geográficos e temporais. Em diferentes graus de sensibilidade quanto à realidade, todas essas personagens passam por sensações de vazio e de impotência, um desconforto com um cotidiano regulado por rituais domésticos e padrões preestabelecidos que dão um falso equilíbrio às suas existências e distorcem as percepções de si próprias e da vida. Por isso, em momentos de devaneios, vertigens ou revelações, todas são assaltadas por certo mal-estar, um desejo confuso, pela falta de algo que não sabem definir o que é, mas que sentem ser necessário descobrir. Esse momento é o das horas perigosas, quando algo reprimido emerge à superfície para romper a normalidade das aparências e desestabilizar, mesmo que momentaneamente, a estrutura engessada de suas vidas. [...]
        As obras de Clarice são declinadas no feminino sob um viés feminista, não somente pelo protagonismo de suas personagens mulheres e pelos laços de cumplicidade entre elas e a narradora, mas pelo agenciamento da escritora que intervém, de forma eloquente, no sistema de representação da cultura patriarcal. Não por acaso, o último fio de sua teia culmina no caudal de Água viva, pura imersão na energia originária de um feminino cósmico que vem “das trevas de um passado remoto”. Assim, tecida por muitos fios, a poética feminista de Clarice inscreve seu posicionamento social e político no contexto da cultura de seu tempo e projeta uma ética da diferença, inscrita no potencial criativo e subversivo das mulheres, que se reinventam para poder se imaginar outras, e umas com as outras, na literatura e na vida. 

Texto publicado originalmente na Cult 264, de dezembro de 2020.
A autora do texto é doutora em literatura, professora titular de literatura e convidada do Programa de PósGraduação em Letras da UFRGS. Adaptado de https://revistacult.uol.com.br/home/cult-301-claricelispector/ , acesso em 21 de mar de 2024.

As palavras são acentuadas por serem proparoxítonas em:
Alternativas
Q2470366 Português
Altura dos prédios pode ter menos impacto no sombreamento do que se imagina







(Claudio Bernardes. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiobernardes/2024/03/osedificios-altos-e-as-sombras-na-cidade.shtml. 29.mar.2024)
Assinale a alternativa em que a palavra indicada tenha sido acentuada seguindo regra distinta da das demais.
Alternativas
Q2470228 Português
Em relação à acentuação gráfica, analise as assertivas abaixo:
I. A palavra “sau-dá-vel” está separada corretamente e é considerada uma paroxítona.
II. A palavra “automático” é acentuada conforme a regra das paroxítonas.
III. A acentuação conforme a regra dos hiatos pode ser aplicada em palavras como “a-cen-tú-ar”.

Quais estão corretas?
Alternativas
Respostas
1461: D
1462: C
1463: A
1464: E
1465: C
1466: C
1467: E
1468: D
1469: B
1470: D
1471: B
1472: D
1473: C
1474: B
1475: A
1476: C
1477: D
1478: C
1479: A
1480: A