Questões de Concurso
Sobre versificação - poemas de forma fixa em literatura
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Texto 8
VISÃO DA MORTE
Olhos voltados para mim e abertos
Os braços brancos, os nervosos braços,
Vens d'espaços estranhos, dos espaços
Infinitos, intérminos, desertos...
Do teu perfil os tímidos, incertos
Traços indefinidos, vagos traços
Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
Outra luz de que os céus ficam cobertos.
Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
Uma outra luz de lívidos martírios,
De agonias, de mágoa funerária...
E causas febre e horror, frio, delírios,
Ó Noiva do Sepulcro, solitária,
Branca e sinistra no clarão dos círios!
SOUSA, João da Cruz e. Broquéis. In: Cruz e Sousa Simbolista. Jaraguá do Sul: Avenida, 2008, p.73.
Analise as afirmativas abaixo, a respeito do Texto 8, de seu autor, contexto de produção e gênero literário, e assinale a alternativa que contém apenas as corretas.
I. Cruz e Sousa, o Cisne Negro, foi um poeta simbolista reconhecido em Desterro, cidade em que publicou seus livros de versos, e um dos pioneiros no poema em prosa, gênero no qual escreveu Missal.
II. O eu lírico se dirige à Morte, tratada em segunda pessoa, personificada como “Noiva do Sepulcro” e qualificada como “branca e sinistra”, uma alusão cromática típica da obra do poeta.
III. A aliteração do fonema /s/ contribui para criar o clima sombrio e esfumaçado no qual o eu lírico tem a sua visão da morte, que lhe causa febre e horror, frio e delírios.
IV. Cruz e Sousa constrói um soneto à moda camoniana, em versos decassílabos, com rimas intercaladas nos quartetos e cruzadas nos tercetos.
V. Na cena descrita no soneto, resultante de uma alucinação do eu lírico moribundo, os olhos e os braços da morte cobrem o céu de uma luz mortuária, de martírios e de mágoas.
( ) Escandindo os seis primeiros versos do poema de Álvares de Azevedo, segunda geração romântica da poesia brasileira, verifica-se que eles são decassílabos. ( ) As estrofes não têm regularidade quanto ao número de versos: a primeira tem vinte versos, a segunda dez, e a última treze versos. ( ) Não há esquema de rimas no poema, os versos são brancos. ( ) No início do poema, o eu lírico descreve seu estado físico, ele tem o rosto pálido, os olhos lânguidos e sente o corpo tremer. ( ) O eu lírico não está apaixonado, ele mente para conseguir uma mulher maliciosa e impura. ( ) A sensualidade da mulher, expressa em alguns versos do poema, sugere um amor platônico, espiritual e imaterial.
“Canto do Piaga” – Gonçalves Dias.
Não sabeis o que o monstro procura?
Não sabeis a que vem, o que quer?
Vem matar vossos bravos guerreiros,
Vem roubar-vos a filha, a mulher!
Fragmento extraído de Norma Goldstein, “Versos, sons, ritmos”. 13ª edição. São Paulo, 2001, pág. 28-29.
Neste fragmento de “Canto do Piaga” todos os versos obedecem ao mesmo esquema rítmico. Neste caso temos versos de:
As questões 1 e 2 baseiam-se no poema abaixo:
Célula
A alma é um absoluto fora-da-lei
assaltante contumaz do corpo
com pé-de-caba-fantasmático
que entra-e-sai, a alma é ah!
instantâneo em qualquer disfarce:
aparência de água, ar
insinuação de mercúrio
cara enluvada por meia de náilon
capuz sem furos, avessa e celofane
sombra que a luz seca, vice-versa.
Armando Freitas Filho
A respeito do poema acima, é correto afirmar que: