Questões de Concurso Sobre literatura
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Considerando o fragmento de texto precedente e as disposições da BNCC do ensino fundamental para a disciplina de língua portuguesa, julgue o item a seguir, a respeito do Realismo e do Naturalismo na literatura brasileira.
O cientificismo e o determinismo são duas das características
mais importantes do Naturalismo, escola literária entre cujos
expoentes, no Brasil, inclui-se a obra O Cortiço, de Aluísio
Azevedo.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
Tanto o Modernismo quanto o Tropicalismo aderiram, em seus
respectivos contextos históricos, às políticas de Estado para a
cultura e para o desenvolvimento nacional de seu tempo, como
mostram os versos apresentados da canção Tropicália.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
O nacionalismo, com o qual o Tropicalismo assumiu uma nova
e conflituosa relação, surgiu pela primeira vez como tema na
literatura brasileira a partir do final do século XIX, com a
leitura crítica que Machado de Assis fez da sociedade
brasileira em obras como Memórias póstumas de Brás
Cubas.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
A observação do crítico Roberto Schwarz sobre o sotaque
nordestino em canções em inglês destaca um tipo de relação
entre culturas locais e estrangeiras já enunciada por Oswald de
Andrade no Manifesto Antropófago.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
O aproveitamento que os tropicalistas fizeram de culturas
estrangeiras na sua própria produção distancia-os dos
modernistas que promoveram a Semana de Arte Moderna
em 1922.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
O Tropicalismo, com representantes como Caetano Veloso,
Gilberto Gil e Torquato Neto, foi um movimento estético
iniciado após o ápice do Modernismo, com o qual guarda
relações estéticas.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
O Uraguai e Caramuru são poemas épicos, gênero literário
caracterizado pela métrica rígida e por uma narrativa
organizada em episódios.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
A literatura indianista brasileira, que tematiza o indígena, suas
práticas e mitologias, é parte importante da literatura brasileira,
desde sua formação até a contemporaneidade, ao passo que as
literaturas indígenas do Brasil, tanto orais quanto escritas, têm
suas origens no reconhecimento político dos povos indígenas
a partir do período da redemocratização, na segunda metade da
década de 80 do século passado.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
Caramuru e O Uraguai, assim como os romances O Guarani
e Iracema, de José de Alencar, fizeram parte das
manifestações românticas do período posterior à independência
do Brasil, que, ao idealizarem o indígena, buscavam consolidar
a mitologia da nacionalidade brasileira.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
Os expoentes da literatura colonial produzida no Brasil entre
os séculos XVI e XVIII incluem textos colonialistas em defesa
da política da metrópole portuguesa de exploração de terras,
recursos e pessoas.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
A análise de textos literários deve concentrar-se no contexto de
publicação da obra, sem influência das circunstâncias
históricas relativas ao momento em que se realiza a leitura.
Tendo como referência inicial o texto precedente, publicado pela primeira vez em 1985, julgue o item a seguir.
O Uraguai é passadista em relação a Caramuru, pois este
último veicula ideias mais relacionadas ao que, ao seu tempo,
poderia ser entendido como progresso.
Caramuru e O Uraguai são poemas que, como parte da literatura colonial brasileira, abordam o tratamento violento dos governantes da época contra os indígenas.
TEXTO II
A caçada
Quando a cavalgata chegou à margem da clareira, aí se passava uma cena curiosa.
Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.
Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.
Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor do cobre, brilhava com reflexos dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência.
Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, à qual se prendiam do lado esquerdo duas plumas matizadas que, descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negras o pescoço flexível.
Era de alta estatura; tinha as mãos delicadas; a perna ágil e nervosa, ornada com uma axorca de frutos amarelos, apoiava-se sobre um pé pequeno, mas firme no andar e veloz na corrida. Segurava o arco e as flechas com a mão direita calda, e com a esquerda mantinha verticalmente diante de si um longo forcado de pau enegrecido pelo fogo.
Perto dele estava atirada ao chão uma clavina tauxiada, uma pequena bolsa de couro que devia conter munições, e uma rica faca flamenga, cujo uso foi depois proibido em Portugal e no Brasil.
Nesse instante erguia a cabeça e fitava os olhos numa sebe de folhas que se elevava a vinte passos de distância, e se agitava imperceptivelmente.
Ali por entre a folhagem, distinguiam-se as ondulações felinas de um dorso negro, brilhante, marchetado de pardo; às vezes viam-se brilhar na sombra dois raios vítreos e pálidos, que semelhavam os reflexos de alguma cristalização de rocha, ferida pela luz do sol.
Era uma onça enorme; de garras apoiadas sobre um grosso ramo de árvore, e pés suspensos no galho superior, encolhia o corpo, preparando o salto gigantesco.
Batia os flancos com a larga cauda, e movia a cabeça monstruosa, como procurando uma aberta entre a folhagem para arremessar o pulo; uma espécie de riso sardônico e feroz contraía-lhe as negras mandíbulas, e mostrava a linha de dentes amarelos; as ventas dilatadas aspiravam fortemente e pareciam deleitar-se já com o odor do sangue da vítima.
O índio, sorrindo e indolentemente encostado ao tronco seco, não perdia um só desses movimentos, e esperava o inimigo com a calma e serenidade do homem que contempla uma cena agradável: apenas a fixidade do olhar revelava um pensamento de defesa.
Assim, durante um curto instante, a fera e o selvagem mediram-se mutuamente, com os olhos nos olhos um do outro; depois o tigre agachou-se, e ia formar o salto, quando a cavalgata apareceu na entrada da clareira.
Então o animal, lançando ao redor um olhar injetado de sangue, eriçou o pêlo, e ficou imóvel no mesmo lugar, hesitando se devia arriscar o ataque.
O índio, que ao movimento da onça acurvara ligeiramente os joelhos e apertara o forcado, endireitou-se de novo; sem deixar a sua posição, nem tirar os olhos do animal, viu a banda que parara à sua direita.
Estendeu o braço e fez com a mão um gesto de rei, que rei das florestas ele era, intimando aos cavaleiros que continuassem a sua marcha.
Como, porém, o italiano, com o arcabuz em face, procurasse fazer a pontaria entre as folhas, o índio bateu com o pé no chão em sinal de impaciência, e exclamou apontando para o tigre, e levando a mão ao peito:
– É meu!... meu só!
ALENCAR, J. de. O guarani. 20ª ed., São Paulo:
Ática, 1996 - com adaptações).