Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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Sextilhas Românticas
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
- Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
Decorei "Amor e medo”,
"No lar”, "Meus oito anos”... Viva
José Casimiro Abreu!
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
Nem não posso renegar
Peri tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
[...]
BANDEIRA, M. Bandeira de bolso: uma antologia poética. Org. de Mara Jardim. Porto Alegre: LP&M, 2010.p. 113-114.
TEXTO PARA A QUESTÃO
"O garrafeiro"
o garrafeiro era apenas um homem
que sobrava das ruas
também sujo de terra e esquecido
como as garrafas e cacos no quintal
suas mãos de cuidado
tangiam aranhas, lagartixas
e vez por outra
um escorpião afiado
depois arrumava as garrafas
lado a lado
âmbares, azuis, verdes, transparentes,
num arco-íris pobre
"essas são de vinho tinto"
dizia-me ele embriagado de vazios
e as de fundo côncavo serviam
para pescar piabas no Poti
o mundo é duro e frágil, eu aprendia
mas nele lições pequenas eternizam
piabas prateadas nas garrafas
como rútilos presos nos cristais
VILHENA, Graça. PEDRA DE CANTARIA. Teresina: Nova
Aliança e Entretextos, 2013.
Assinale a opção que identifica corretamente esse estilo e a razão básica de ser criticado.
Com base no estudo de caso e nas concepções contemporâneas de ensino das formas literárias no Ensino Fundamental indicadas na BNCC, analise as assertivas a seguir.
I- A prática pedagógica descrita contribui para a formação do leitor literário, ao valorizar a fruição estética, a interpretação plural e o diálogo entre texto, leitor e contexto.
II- O trabalho com elementos estruturais dos textos literários, quando articulado à experiência de leitura dos alunos, favorece a compreensão das formas literárias sem comprometer o prazer estético.
III- A abordagem adotada pela professora é inadequada, pois o ensino das formas literárias no Ensino Fundamental deve priorizar a classificação de gêneros, escolas literárias e dados históricos sobre os autores.
É CORRETO o que se afirma em:
A expressão destacada no pensamento acima apresenta-se sob qual figura de linguagem?
Texto 12A4-II
Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.
João Guimarães Rosa. As margens da alegria. In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
I.A crônica é um gênero que se situa entre a literatura e o jornalismo, tendo como temática fatos do cotidiano, frequentemente abordados com tom reflexivo, irônico ou poético.
II.O conto caracteriza-se pela brevidade e pela unidade de ação, apresentando um número reduzido de personagens e focando em um único conflito que se encaminha para um desfecho rápido.
III.O romance define-se como uma narrativa longa, com multiplicidade de núcleos dramáticos, maior complexidade psicológica dos personagens e desenvolvimento temporal extenso.
Está CORRETO o que se afirma em:
O Barroco, no Brasil, é caracterizado por:
I. Exagero e linguagem rebuscada.
II. Figuras de linguagem, como antítese.
III. Dualismo, como bem e mal, fé e pecado.
Está CORRETO o que se afirma:
O meu desejo é ser pintor — Lionardo,
cujo ideal em piedades se acrisola;
fazendo abrir-se ao mundo a ampla corola
do sonho ilustre que em meu peito guardo.
Meu anseio é, trazendo ao fundo pardo
da vida, a cor da veneziana escola,
dar tons de rosa e de ouro, por esmola,
a quanto houver de penedia ou cardo.
Quando encontrar o manancial das tintas
e os pincéis exaltados com que pintas,
Veronese! teus quadros e teus frisos,
irei morar onde as Desgraças moram;
e viverei de colorir sorrisos
nos lábios dos que imprecam ou que choram!
ANDRADE, M. Pauliceia desvairada. São Paulo: Novo Século, 2017, p. 9.
No poema, o eu lírico expressa o desejo de transpor a arte da pintura para a poesia, buscando dar cor e vida à página.
Pela sua estrutura externa, o texto define-se como um poema