Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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A escrava
— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado.
REIS, M. F. Úrsula e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.
Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao
PALAVRA – As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição. Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas, e para brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra “palavra” diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e pronto.
FALCÃO, A. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Salamandra, 2013 (adaptado).
Esse texto, que simula um verbete para a palavra “palavra’’, constitui-se como um poema porque
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 8.
Inaugurada no Theatro Municipal de São Paulo, em 13 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna chega a seu centenário num momento em que a cultura e valores estimados pelos modernistas, como a diversidade, a liberdade e a educação, são alvos frequentes de ataques retrógrados.
A semana foi organizada por um grupo de artistas e escritores que vinha se articulando em torno de ideias e planos de renovação do ambiente artístico e cultural. A São Paulo na qual viviam era uma cidade emergente, que experimentava uma notável aceleração de sua economia sob o impulso da abundante riqueza do café.
Prefigurava-se naqueles tempos a formação de uma metrópole industrial que estaria destinada, na visão de sua elite, e, também, dos jovens modernistas, a exercer um papel modernizante na esfera nacional, não apenas como polo econômico, mas também cultural.
Comemorava-se em 1922 o centenário da Independência, e o festival modernista que reuniu nomes como Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti era uma oportunidade de lançar da capital paulista uma plataforma para o futuro.
Há, naturalmente, muitos aspectos a questionar no movimento modernista de São Paulo, desde episódios das biografias de seus participantes a temas polêmicos ligados à sua atuação pública. Não há dúvida, contudo, de que a aventura modernista tinha, em suas sementes, um projeto de país progressista. Neste projeto, a diversidade racial, a potência da natureza e a extraordinária riqueza cultural se congregavam de maneira estimulante.
(Lições de 22. Folha de São Paulo, 13.02.2022. Adaptado).
É correto afirmar que os objetivos modernistas eram
A partir de 1820, houve uma ascensão da classe média na Europa – cada vez mais numerosa e influente –, ocasionando o surgimento de um novo tipo de ópera, destinada a cativar o público relativamente inculto, mas que enchia os teatros de ópera em busca de emoções e divertimento, tornando-a popular e levando-a ao seu apogeu.
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Em que período esse fato ocorreu?
Texto 11 para responder às questões 79 e 80.
1--------Sou um homem arrasado. Doença! Não. Gozo
-----perfeita saúde. Quando o Costa Brito, por causa de duzentos
-----réis que me queria abafar, vomitou os dois artigos, chamou
4----me doente, aludindo a crimes que me imputam. O Brito da
-----Gazeta era uma besta. Até hoje, graças a Deus, nenhum
-----médico me entrou em casa. Não tenho doença nenhuma.
7----O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro.
-----Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem
-----objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado
10---é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta
-----casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade
-----embotada.
13-------Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se
-----uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e
-----dormir como um orco! Levantar-se cedo todas as manhãs e
16---sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida
-----para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que
-----estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar
19---tudo?
1--------Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se.
-----Não tenho sono. Deitar-me, rolar no chão até a
22---madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo
-----isto. Amanhã não terei com que me entreter.
1--------De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma
25---linha. Digo em voz baixa:
26---- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.
----------------------------------RAMOS, Graciliano. São Bernardo.
-------------São Paulo: Editora Martins Fontes, 1970, com adaptações.
A principal expressão do romance de 30 encontra-se no regionalismo nordestino representado por escritores. Esse gênero narrativo também teve bastante relevância em outro movimento literário. Considerando-se o contexto apresentado, assinale a alternativa que relaciona, corretamente, o movimento literário, a obra e seu autor.
No que concerne à literatura contemporânea no Brasil, assinale a alternativa correta.
Texto 9 para responder às questões de 72 a 75.
----------------A corda bamba da poesia na sala de aula
1-----------Vamos começar nossa conversa a respeito de poesia
------em sala de aula lembrando um poema de Antônio Carlos de
------Brito, o Cacaso. Ele traduz bem a concepção de poesia e de
4-----literatura que penso ser a mais adequada para conduzir o
------trabalho com a literatura em geral e a poesia em específico
------em contextos de ensino, os quais podem produzir, além da
7-----criticidade, a humanidade dos seres humanos. Cacaso era
------mestre em criar preciosidades em forma de poemas-pílula;
------era um sábio que ensinava a moçada de seu tempo a viver e
10----a escrever poesia por meio dos seus aforismos desaforados,
------bem-humorados, doces e amargos. Eis o “poeminha”:
----------------Na corda bamba [para Chico Alvim]
13----Poesia
------Eu não te escrevo
------Eu te
16----Vivo
------E viva nós!
1-----------Nesse texto que, na verdade, sintetiza toda a sua
19----poética, Cacaso embaralha alguns elementos que, na
------concepção escolar mais tradicional de poesia, estão
------separados. No contexto escolar, poesia e vida são, quase
22----sempre, coisas completamente diferentes. A poesia é, em
------geral, apresentada aos alunos com uma aura de solenidade
24----que apaga suas relações com a vida real das pessoas.
PILATI, Alexandre. Poesia na sala de aula: subsídios para pensar o lugar e
----a função da literatura em ambiente de ensino. Campinas, SP: Pontes
----------------------------------------Editores, 2017, com adaptações.
Assinale a alternativa que corresponde às características da produção artística de Antônio Carlos de Brito em seu contexto estético.
Leia o poema de Raimundo Correia e responda a alternativa correta:
MAL SECRETO
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, Raimundo. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1961, p.135-136.
Leia a estrofe a seguir e marque a alternativa correta.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.
Quanto aos versos camonianos acima, é correto afirmar que
Leia o fragmento a seguir e marque a alternativa correta.
Que auroras, que sol, que vida,
que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Quanto à estrofe transcrita, é correto afirmar que
INSTRUÇÃO: Leia o poema a seguir para responder às questões de 1 a 3.
Maldição
Olavo Bilac
Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
– Hoje, velha e cansada da amargura,
Minh’alma se abrirá como um vulcão.
E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão…
Maldita sejas pelo Ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!
Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!…
Disponível em: www.tudoepoema.com.br/olavo-bilac-maldicao/.
Acesso em: 4 fev. 2022.
O eu lírico, a voz que se manifesta em primeira pessoa no poema, faz uma queixa atribuída a um indivíduo
(Antonio Candido, 2000. Adaptado)
O autor e a obra a que Cândido se refere são, correta e respectivamente:
Em relação ao texto precedente, julgue o item subsequente.
O poema é característico da segunda fase do Modernismo,
em que o poeta parece querer recuperar o espiritualismo na
poesia, sem as liberdades formais da primeira fase.
Em relação ao texto precedente, julgue o item subsequente.
O poema apresenta uma das concepções teóricas dominantes
na segunda fase do Modernismo brasileiro, cujas temáticas
incluem a retomada do amor romântico e a função social da
poesia.
Ó minha amada Que olhos os teus
São cais noturnos Cheios de adeus São docas mansas Trilhando luzes Que brilham longe Longe nos breus... […]
Considerando as convenções sonoras que caracterizam o poema, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O ritmo do verso é diferente do ritmo lógico. ( ) As pausas, no poema, formam unidades musicais. ( ) Qualquer aspecto gramatical deve ser dispensado em relação à análise da versificação do poema. ( ) A métrica do poema é construída de acordo com a marcação feita pelos sinais de pontuação em cada estrofe.
A sequência está correta em
O conjunto de versos de Fernando Pessoa, destacados anteriormente, pode ser considerado (de acordo com a estrofação empregada):
Jamais para velar-se: e por isso são ralos. Para enredar os outros é que usa os enredados.
(João Cabral de Melo Neto.)
Em relação à métrica dos versos anteriores observa-se que de acordo com a contagem das sílabas poéticas é possível afirmar que; marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Em todos os versos, a sílaba final não é contada. ( ) Em todos os versos, a última palavra é paroxítona. ( ) O número de sílabas poéticas nem sempre está relacionado a questões de tonicidade.
A sequência está correta em