Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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I – Está dividida em três partes: A terra, o homem e a luta.
II- A parte destinada ao “Homem” trata de um estudo antropológico e sociológico, donde o homem é determinado pela tríade - meio, raça e história - segundo a teoria determinista do historiador francês Hippolyte Taine.
III-A parte destinada “A Luta “ apresenta uma categoria geográfica que Hegel não citou. Como se faz um deserto. Como se extingue o deserto. O martírio secular da terra.
IV – N a primeira parte da obra, Euclides da Cunha aborda sobre os habitantes do local, o sertanejo e o jagunço, os quais fazem parte dessa paisagem. Sendo assim, nesse primeiro momento, apresenta uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país.
V- Na Terceira parte da obra “A luta”, o autor descreve os embates que ocorreram entre o sertanejo e o exército nacional do Brasil. Aborda sobre as quatro expedições realizadas pelo exército nacional, enviados para destruir o Arraial de Canudos, que contava com cerca de 20 mil habitantes.
Está correto o que se afirma em:
1- O poema apresenta versos decassílabos clássicos em rimas toantes, de tal forma que a tensão poética realizada pela alternância métrica dilui a formalidade declamatória conferindo ao poema um curso mais reflexivo e profundo, o ritmo delineia em pausas sem os maneirismos sonoros.
2- As palavras transitam em registros denotativos e conotativos dirigindo a consciência do leitor para dentro do poema.
3- Diferente do experimentalismo disfarçado de arrojo nas execuções concretistas, Drummond restabelece a conexão do nexo com a linguagem, onde a natureza semântica denotativa paira no verso sem obscurecer a realização conotativa que a construção do verso referencia.
4- O poema traz uma intertextualidade direta com a Divina Comédia, desde a caminhada do eu lírico que busca a situação do homem, espiritualmente, em Dante, e existencialmente em Drummond e ainda na forma conscientemente semelhantes; no entanto Dante traça seu itinerário em espiral em parte do incerto, atravessa a escuridão e alcança a iluminação numa reiteração da ascendência virtuosa.
5- Drummond, no poema, opta por um itinerário diverso, a circularidade, onde cada verso estabelece um retorno dentro do tema e se fecha como unidade autônoma, é nesta circunstância que no final de seu itinerário o poeta abraça o ceticismo e contesta as representações de assunção contidas na obra de Dante.
Considerando as ideias apresentadas no poema e movimento literário do qual Carlos Drummond fez parte, é possível afirmar que:
A Máquina do Mundo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensa
I- Primeiro momento: um pedido para o próprio poeta se revelar, deixar de ser hermético, como a própria máquina o fez — os seus sentimentos precisam se abrir para o mundo.
II- Segundo momento: interação com o mundo de maneira sinestésica, sentir, olhar, reparar, auscultar as pessoas — necessidade em ser abertos e empático para com os outros, e confiar nos próprios sentidos e emoções.
III- Terceiro momento: a máquina sustenta sua posição de ente mítico e a necessidade de absorvê -la como parte para descoberta do enigma do mundo.
A partir da análise das proposições é possível afirmar:
A Máquina do Mundo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensa
( ) O poema mantem uma relação intertextual com Os Lusíadas, de Camões. E não só pelo tamanho, mas também pelo termo máquina do mundo também aparecer nos versos de Camões.
( ) A máquina do mundo é um termo usado para representar, de forma alegórica, o sistema como o mundo funciona.
( ) No poema, os versos decassílabos bem construídos, uma reverência ao clássico não tão comum aos modernos, promove uma reflexão sobre o homem e a linguagem e, principalmente, ao seu tempo.
( ) A intertextualidade é um elemento presente no poema.
( ) Drummond usa uma ótica inteiramente pessoal para mostrar como ele enxerga o funcionamento do universo. O início é turvo e um verdadeiro enigma, o começo do poema é inerentemente pesado.
A sequência correta de cima para baixo é:
BUSCANDO A CRISTO CRUCIFICADO
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
Gregório de Matos
1- O poema é um soneto que ilustra uma característica típica do Barroco: o uso de situações ambivalentes, que possibilitam dupla interpretação.
2- A imagem de Cristo crucificado dá origem às metonímias que constituirão os argumentos apresentados por Gregório de Matos Guerra.
3- Cada uma das partes do corpo de Cristo representa uma atitude acolhedora, magnânima, uma manifestação de bondade e comiseração.
4- Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão do verbo, já referido no 1º verso – correndo vou. Em todos eles ocorre o procedimento estilístico denominado zeugma.
É ou são verdadeira (s).
I. Tipo textual designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística da sua composição. O tipo textual caracteriza-se muito mais como sequências linguísticas do que como textos materializados. Em geral, abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas.
II. Gênero textual refere os textos materializados em situações de comunicativas recorrentes; são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas.
III. Gênero Literário é utilizado, nas diferentes formas de arte, para denominar o conjunto de obras que apresentam características semelhantes de forma e de conteúdo.
Quais estão corretas?
Gal Costa, uma das maiores cantoras do Brasil, morreu aos 77 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria da cantora. Ela havia dado uma pausa em shows, após passar por uma cirurgia para retirar um nódulo na fossa nasal direita. Gal Costa foi uma cantora baiana que é considerada um dos grandes ícones da música popular brasileira. Lançou dezenas de discos de sucesso e gravou canções que marcaram gerações. Iniciou sua carreira na década de 1960. Na década seguinte, tornou-se uma das grandes representantes do Tropicalismo e foi considerada também uma musa hippie.
(Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/11/09/gal-costa-morre-aos-77-anos.ghtml. Acesso em: 09/11/2022.)
Sobre o Tropicalismo, assinale a afirmativa INCORRETA.
Aquela manhã estava muito fria, congelando, uma temperatura glacial.
Após análise, marque a alternativa CORRETA.
Fonte: https://www.mundovestibular.com.br/articles/4542/1/versificacao/
Observe o verso a seguir:
"E entra a Saudade... Fiquei
Como assombrado e sem voz!"
(Teixeira de Pascoaes)
Quando o verso não finaliza com um segmento sintático, ocorre __________________, que é a continuação do sentido de um verso no verso seguinte:
Após análise, marque a alternativa CORRETA:
Fonte: https://proenem.com.br/enem/literatura/a-arte-a-literatura-e-seus-conceitos-ficcionalidade-verossimilhanca-catarse-epifania/
Todas as alternativas a seguir são características do texto literário, EXCETO:
Fonte: https://proenem.com.br/enem/literatura/a-arte-a-literatura-e-seus-conceitos -ficcionalidade-verossimilhanca-catarse-epifania/
Acerca dessa temática, é INCORRETO afirmar que:
Mas, para que o leitor ou ouvinte se sinta atraído e até mesmo entenda toda a situação, ela precisa ter uma estrutura e elementos essenciais ao desenvolvimento da história.
Com base no texto abaixo, indique a alternativa cujo elemento estruturador da narrativa não foi interposto no episódio:
"Porque não quis aceitar o acordo, Marcos de Oliveira, pintor, de 45 anos, residente na rua Nossa Senhora da Saúde, 172, Centro, matou ontem no Bar Recantos, o seu colega Gustavo Souza".
Após análise, marque a alternativa CORRETA.
Sobre representantes das escolas literárias, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.
COLUNA I.
A- José de Alencar.
B- Aluísio Azevedo.
C- Machado de Assis.
D- Euclides da Cunha.
E- Jorge Amado.
COLUNA II.
1- Naturalismo.
2- Pré-modernismo.
3- Modernismo.
4- Realismo.
5- Romantismo.
A Era Colonial abrange os estilos literários:
O Poeta autor do Romance "A bagaceira" é:
Assinale a alternativa CORRETA:
( ) A literatura, tipo de arte, utiliza o código verbal, seja ele falado ou escrito.
( ) Os textos literários têm como característica importante, que assim os define como tal, a apresentação de sequências temporais delimitadas.
( ) Os textos para teatro se destinam a ser representados e, por isso, não podem ser classificados como textos literários, mas pertencentes ao gênero dramático.
A sequência está correta em
Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu do arsenal de marinha e enfiou pela rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, de mais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma longa viagem de instrução, e Deolindo veio à terra tão depressa alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo: – Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva... Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma dessas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Começara a paixão três meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeçada, ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior. A velha Inácia, que morava com ela, dissuadiu-os disso; Deolindo não teve remédio senão seguir em viagem de instrução. Eram oito ou dez meses de ausência.
(Histórias sem data. São Paulo: Ática, 1998. Fragmento.)
Sobre o gênero literário a que pertence o fragmento apresentado, indique V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Pertence ao grupo dos gêneros narrativos ficcionais. ( ) A sequência de fatos reflete uma relação de causa e efeito. ( ) A descrição é importante, assim como o emprego de adjetivos e pontuação na exploração do significado de cada expressão.
A sequência está correta em
NOIVO (entrando) — Mãe. MÃE — Que é? NOIVO — Já vou. MÃE — Aonde? NOIVO — Para a vinha. (Vai sair.) MÃE — Espere. NOIVO — Quer alguma coisa? MÃE — Filho, o almoço. NOIVO — Deixe. Vou comer uvas. Me dê a navalha. MÃE — Para quê? NOIVO (rindo) — Para cortá-las. MÃE (entre dentes e procurando-a) — A navalha, a navalha... Malditas sejam todas as navalhas, e o canalha que as inventou. NOIVO — Vamos mudar de assunto. MÃE — E as espingardas e as pistolas, e a menorzinha das facas, e até as enxadas e os ancinhos do roçado. NOIVO — Bom. MÃE — Tudo o que pode cortar o corpo de um homem. Um homem bonito, com sua flor na boca, que vai para as vinhas ou para os olivais que tem, porque são dele, herdados... NOIVO (baixando a cabeça) — Chega, mãe. MÃE — ... e esse homem não volta. Ou, se volta, é só para que a gente lhe ponha uma palma por cima, ou um prato de sal grosso, para não inchar. Não sei como você se atreve a levar uma navalha no corpo, nem sei como ainda deixo essa serpente dentro do baú. NOIVO — Já não chega? MÃE — Nem que eu vivesse cem anos, não falaria de outra coisa. Primeiro seu pai, que cheirava a cravo; e só o tive por três anos, tão curtos. Depois, seu irmão. E é justo? E é possível que uma coisa tão pequena como uma pistola ou uma navalha possa dar cabo de um homem, que é um touro? Não vou me calar nunca. Os meses passam e o desespero me perfura os olhos e pica até nas pontas do cabelo. NOIVO (forte) — Vamos parar? MÃE — Não. Não vamos parar. Alguém pode me trazer seu pai de volta? E seu irmão? E depois, o presídio. Mas o que é o presídio? Lá se come, lá se fuma, lá se toca música! Os meus mortos cobertos de grama, sem fala, viraram pó; dois homens que eram dois gerânios... Os assassinos, no presídio, folgados, olhando a paisagem...
(FEDERICO GARCÍA LORCA, Bodas de sangue. São Paulo: Abril Cultural, 1977. Fragmento.)
Considerando os recursos de representação do gênero apresentado, está correto o que se afirma em: