Questões de Concurso
Comentadas sobre escolas literárias em literatura
Foram encontradas 1.262 questões
Mario de Andrade, no “Prefácio interessantíssimo” de “Pauliceia Desvairada”, por exemplo, escreveu:
“Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio interessantíssimo. (...) Um pouco de teoria? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada” (ANDRADE apud BOSI, 2013, p. 371).
Fonte: BOSI, A. História concisa da Literatura Brasileira. 49ª ed. São Paulo: Cultrix, 2013.
Sobre a primeira fase do Modernismo brasileiro, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em cada afirmativa a seguir.
( ) A Semana de Arte Moderna foi o ponto de encontro das várias tendências artísticas que, desde a I Guerra, vinham se firmando de Norte a Sul no Brasil.
( ) Apesar de a Semana ter ocorrido somente em 1922, entre os anos 1920 e 1921 Mário de Andrade já havia escrito “Pauliceia Desvairada”, primeiro livro de poesia integralmente nova.
( ) O verso livre foi a última conquista do Simbolismo e o primeiro passo do Modernismo. Sendo ele uma unidade rítmico-melódica, o verso livre virá a produzir também um novo modo de dispor o texto.
A sequência correta é
“Nunca, nunca se comerciou tanto preto quanto agora. A cidade cresceu, expandiu-se, o píer do cais do Valongo foi construído e finalmente desativado, mas seguimos entrando por todos os poros desta cidade. Sim, o país de Mr. Toole proibiu este tráfico, mas eu estava certa. Isto não importaria nada para este lugar. Eu desci aqui, eu pisei na areia desta praia e depois vi os meus pisarem as pedras deste cais. E ainda vejo a massa esquelética que chega em ondas sucessivas. A cada um que chega penso nos tantos que ficaram no caminho”
Fonte: CRUZ, E. A. O crime do Cais do Valongo. Rio de Janeiro: Malê, 2018.
Sobre a Literatura Afro-brasileira, assinale a alternativa correta.
I → Caracteriza-se apenas pela presença da crítica cultural vanguardista.
II → Aborda o apagamento da linguagem e dos elementos literários na multiplicidade artística produzida desde a primeira metade do século XX.
III → Aponta a crise das crenças culturais que vem se instalando no Ocidente desde o Iluminismo.
IV → Afirma a relativização dos pressupostos de estabilidade e das referências modelares na cultura ocidental.
Está(ão) correta(s)
Fonte: ASSIS, M. de. Os melhores contos de Machado de Assis [seleção de Domício Proença Filho]. 14ª ed. São Paulo: Global, 2002.
A partir do exposto, considere as afirmativas a seguir.
I → O jogo da verdade e da mentira é o cerne da narrativa nos contos “A Causa Secreta”, “A cartomante” e “Trio em Lá Menor”.
II → A relação entre ser e parecer é o ponto central da narrativa nos contos “O Espelho” e “Teoria do Medalhão”.
III → As oscilações entre o Bem e o Mal estão evidentes nos romances “Esaú e Jacó” e “Helena”.
IV → A afirmação pessoal se faz presente no conto “Um Homem Célebre” e no romance “Quincas Borba”.
Está(ão) correta(s)
I. A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco na literatura brasileira, sendo um evento que reuniu poetas, músicos e artistas plásticos com o objetivo de romper com as tradições artísticas e culturais do período anterior, principalmente com o academicismo do Romantismo e do Realismo.
II. O Modernismo de 1922 buscou uma ruptura radical com a tradição, propondo uma literatura que valorizasse a subjetividade e a experimentação formal, como evidenciado nas obras de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Anita Malfatti.
III. A poesia modernista brasileira, influenciada pelo simbolismo e pelo parnasianismo, foi caracterizada pelo retorno ao verso metrificado e pela exaltação do subjetivo e do intimismo do eu-lírico, o que se opõe às propostas do Modernismo.
IV. O movimento modernista brasileiro também refletiu as questões sociais e políticas da época, com um foco na valorização da cultura nacional e indígena, e na busca por uma identidade própria para a literatura brasileira, distante das influências europeias.
Estão CORRETOS:
“Estão agora sozinhos e, como Adão e Eva, no começo do mundo, prontos para o amor. Eis, então, que uma grande enxurrada os surpreende ([...] está atento aos preconceitos de seus leitores). O casal refugia-se em cima de uma palmeira, mas as águas continuam subindo. Em um último gesto heroico, [...] arranca a palmeira (incluindo raízes e tudo), transformando-a em canoa. O índio e a jovem branca são arrastados então pela correnteza” (Gonzaga, 2012).
O autor do trecho analisa uma obra do movimento indianista do Romantismo Brasileiro, que apresenta o indígena como herói da nascente nacionalidade pós-colonial, em uma tentativa de desenhar um passado heroico para o país. Assinale a alternativa que apresenta a obra à qual o trecho acima se refere.
Analise o excerto do poema a seguir:
“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso”.
Considerando suas características formais e temáticas, o trecho do poema pertence a qual movimento
literário?
“Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar. Mas por outro lado, sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. [...] Se o leitor é rapaz e dado ao gênio melancólico, imagina que Miss Dollar é uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue, abrindo à flor do rosto dois grandes olhos azuis e sacudindo ao vento umas longas tranças louras. [...] Suponhamos que o leitor não é dado a estes devaneios e melancolias; nesse caso imagina uma Miss Dollar totalmente diferente da outra. Dessa vez será uma robusta americana, vertendo sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita e perfeita.”
Fonte: ASSIS, Machado de. Miss Dollar. Contos fluminenses. São Paulo: Martin Claret, 2002.
O texto acima foi escrito por Machado de Assis, importante escritor do Realismo.
Considerando o texto, o escritor e o movimento literário, todas as afirmativas a seguir estão corretas, EXCETO:
O conjunto de textos publicados nesse período constitui-se como
As palavras que preenchem, correta e respectivamente, as lacunas dessa sentença são:
Agosto de 1934
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
(GULLAR, FERREIRA. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. p.170.)
Assinale a alternativa correta sobre a reflexão do eu lírico sobre sua condição e destino de seu poema.
Cantar de amor
Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei i,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit’e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir’eu logo, se Deus mi perdon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu bem,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m’é prison:
Grave di’aquel em que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca perç’o sen e perç’a razon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. p.144-45.
Sobre do poeta modernista Manuel Bandeira e sua relação com as cantigas de amor medievais, é INCORRETO afirmar que
Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!
Não vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.
Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:
Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.
Publicado no livro Obras (1768). In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da Língua Portuguesa)
Marque a alternativa que analisa corretamente o poema.