Questões de Concurso Comentadas sobre classificação dos gêneros literários em literatura

Foram encontradas 78 questões

Q2203968 Literatura
Na literatura e em outras artes, o diálogo nos permite descobrir as palavras, as ações, os pensamentos e as características de duas personagens que falam, o que, de certa forma enriquece o teor discursivo. A narração feita com a inserção do diálogo torna-se muito útil na construção da narrativa.
(MAIA, João Domingues. Literatura: textos & técnicas. Ática. São Paulo. Cap.14. P.232/3.) - (Adaptado)

Nesse contexto literário, tem-se que:
I.As vozes contidas nos diálogos ajudam a construir as personagens, dando-lhes vida e verossimilhança.
II.Os diálogos também são relevantes, pois dão leveza e fluidez ao texto.
III.As conversas entre os personagens ajudam a levar a narrativa para frente, contribuindo para dinamizar a narração.
IV.Os diálogos limitam-se a caracterizam a personagem enunciadora.
V.O diálogo é usado essencial e unicamente em textos romanescos focados no discurso indireto.

Marque a alternativa com a opção correta.
Alternativas
Q2203967 Literatura
A partir do respeito dado à literatura infantil, ela foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância. Com isto, muitos autores foram surgindo, como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato, imortalizados pela grandiosidade de suas obras. (...)
(https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-importancialiteratura-infantil-para-desenvolvimento.htm)

Sobre o "Contexto historiográfico da Literatura Infantil", julgue as assertivas com V(Verdadeiro) ou F(Falso):
(__)Os primeiros livros direcionados ao público infantil, surgiram no século XVIII.
(__)La Fontaine e Charles Perrault escreveram suas obras artísticas com enfoque dado aos contos de fadas.
(__)Em sua produção literária infantil, Monteiro Lobato destacou-se por escrever contos e fábulas.
(__)Monteiro Lobato escreveu a fantástica obra literária: "Sítio do Picapau Amarelo".

Marque a alternativa com a opção correta.
Alternativas
Q2201341 Literatura

Texto III


Presa do ódio

(Cruz e Souza)


Da tua alma na funda galeria

Descendo às vezes, eu às vezes sinto

Que como o mais feroz lobo faminto

Teu ódio baixa de alcateia espia.


Do desespero a noite cava e fria,

De boêmias vis o pérfido absinto

Pôs no teu ser um negro labirinto,

Desencadeou sinistra ventania.


Desencadeou a ventania rouca,

Surda, tremenda, desvairada, louca,

Que a tua alma abalou de lado a lado,


Que te inflamou de cóleras supremas

E deixou-te nas trágicas algemas

Do teu ódio sangrento acorrentado!

Texto III
Presa do ódio (Cruz e Souza)
Da tua alma na funda galeria Descendo às vezes, eu às vezes sinto Que como o mais feroz lobo faminto Teu ódio baixa de alcateia espia.
Do desespero a noite cava e fria, De boêmias vis o pérfido absinto Pôs no teu ser um negro labirinto, Desencadeou sinistra ventania.
Desencadeou a ventania rouca, Surda, tremenda, desvairada, louca, Que a tua alma abalou de lado a lado,
Que te inflamou de cóleras supremas E deixou-te nas trágicas algemas Do teu ódio sangrento acorrentado!
O texto III é uma obra do Simbolismo Nacional e, a partir de uma leitura atenta, é possível afirmar que o sujeito poético ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. 
Alternativas
Q2169992 Literatura
Barcos de Papel

Quando a chuva cessava e um vento fino Franzia a tarde tímida e lavada, Eu saía a brincar, pela calçada, Nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada; E, estendendo o meu braço pequenino, Eu soltava os barquinhos, sem destino, Ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles, Que não são barcos de ouro os meus ideais: São feitos de papel, são como aqueles,

Perfeitamente, exatamente iguais... — Que os meus barquinhos, lá se foram eles! Foram-se embora e não voltaram mais!

ALMEIDA, Guilherme de. Disponível em: <https://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos escolhidos>.Acesso em: 24 mar. 2023. 

No contexto literário, o gênero lírico apresenta diversas formas poéticas, numa combinação intrincada de subjetividade, musicalidade, sentimentos e emoções, evidenciando uma linguagem figurada e carregada de significados. No caso específico do poema acima, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q4224432 Literatura
Marque a alternativa que não é classificada como gênero literário infantil. 
Alternativas
Q4197099 Literatura
Because I could not stop for Death by Emily Dickinson
"Because I could not stop for Death, He kindly stopped for me; The carriage held but just ourselves And Immortality."
Source: https://earlybirdbooks.com/most-famous-poems
The text above refers to which textual genre?
Alternativas
Q4115114 Literatura
Leia o texto e responda o que for solicitado no comando da questão.


Vocação: Guru.


A profissão de palpitar na vida alheia continua sendo um sucesso.


    Ser guru sempre foi uma excelente carreira. Houve a época dos gurus indianos como o Maharishi que, impulsionados pelos Beatles, se projetaram no mundo, passaram a ganhar em dólares e dificilmente mantiveram a dieta de arroz integral. Bandos de jovens ocidentais foram para India onde entravam em conexão com o cosmo limpando e lavando o espaço da seita, os aposentos do guru e tudo mais - para adquirir transcendência.

    Há gurus de marketing, de preparação física, de vida amorosa. Tornar-se um é muito lucrativo. Não é preciso jejuar, dormir sobre tábuas e dar exemplos diários de humildade e elevação, como os mestres indianos. Pelo contrário. Adotam a máxima de que cuidar bem do corpo é um ato espiritual - e nisso estão incluídos os menus degustação.

    Já assisti ao surgimento de vários gurus. Um deles era analista de marketing. Perdeu o emprego careta. Fiquei sem vê-lo por algum tempo. Quando nos reencontramos, ele se especializara num tratamento alternativo que, com alguns apertões em certas áreas do corpo faria a pessoa esquecer todos os traumas e desabrochar como ser humano. Não fui experimentar, não posso opinar sobre a qualidade. Mas ele estava pleno, tendo alcançado seu lugar no mundo. Os que explodem com livros e palestras ficam até ricos. Seu escopo é jogar as pessoas para cima, propor superações.

    Em geral um guru, desde novinho, fala o que é certo, errado, do que se deve fugir, e o que abraçar. Um bom livro de literatura é mais profundo sobre a vida do que qualquer um dos seus textos. Mas eles facilitam, simplificam, mastigam ideias.

    Qual a fórmula para se tornar um guru? Em primeiro lugar, a atitude de querer dar palpite na vida alheia. É preciso ter o prazer de aconselhar, encaminhar, até mesmo ameaçar com uma vida horrível caso as pessoas não sigam suas instruções.


    Fundamental também é conhecer a área sobre a qual estabelecer seus tentáculos. É preciso estar presente no que se acredita. Nunca vou esquecer do meu trauma ao conhecer um professor de ioga barrigudo. Sei muito bem que ioga não é para emagrecer. Mas... foi uma surpresa.

    Gostar de ganhar bem é um ponto importante. É preciso fazer contas, vender palestras, livros, cursos. Hoje em dia vivese uma explosão de cursos on-line, e a autoajuda é um dos terrenos mais prolíficos. É preciso acreditar no que diz, agir como prega. Com a internet, a vida de guru se tornou espinhosa, qualquer tropeço, vira meme, notícia... risco de cancelamento! 

    Os gurus que conheci ao longo da vida reuniam todas essas características. Eu prefiro não seguir gurus, nem ser um ... Não se esqueça, é perigoso deixar que alguém se aposse de sua vida. Pense bem. Só dou um conselho. Se você encontrar alguém que diz como viver, dá dicas de como agir num futuro contato com alienígenas, reflita se quer mesmo esse guru. Afaste-se e vá cuidar da própria vida. Só não deixe que ele cuide da sua. Por que é isso que ele mais ama: palpitar na vida alheia. 


(CARRASCO, Walcyr. Revista VEJA,14 de setembro de 2022.)
As figuras de linguagem presentes em: "Em geral um guru, desde novinho, fala o que é certo, errado, do que se deve fugir, e o que se abraçar.", são:
Alternativas
Q4107186 Literatura
“Os Sertões” são uma das obras mais emblemáticas do escritor pré-modernista Euclides da Cunha. A obra regionalista narra os acontecimentos da sangrenta Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (1830-1897), que ocorreu no Interior da Bahia, durante 1896 e 1897. Sobre a obra ”Os Sertões” de Euclides da Cunha, é possível afirmar:
I – Está dividida em três partes: A terra, o homem e a luta.
II- A parte destinada ao “Homem” trata de um estudo antropológico e sociológico, donde o homem é determinado pela tríade - meio, raça e história - segundo a teoria determinista do historiador francês Hippolyte Taine.
III-A parte destinada “A Luta “ apresenta uma categoria geográfica que Hegel não citou. Como se faz um deserto. Como se extingue o deserto. O martírio secular da terra.
IV – N a primeira parte da obra, Euclides da Cunha aborda sobre os habitantes do local, o sertanejo e o jagunço, os quais fazem parte dessa paisagem. Sendo assim, nesse primeiro momento, apresenta uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país.
V- Na Terceira parte da obra “A luta”, o autor descreve os embates que ocorreram entre o sertanejo e o exército nacional do Brasil. Aborda sobre as quatro expedições realizadas pelo exército nacional, enviados para destruir o Arraial de Canudos, que contava com cerca de 20 mil habitantes.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4099523 Literatura
Sobre gêneros literários, gêneros textuais e tipos textuais, avalie as assertivas que seguem:

I. Tipo textual designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística da sua composição. O tipo textual caracteriza-se muito mais como sequências linguísticas do que como textos materializados. Em geral, abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas.

II. Gênero textual refere os textos materializados em situações de comunicativas recorrentes; são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas.

III. Gênero Literário é utilizado, nas diferentes formas de arte, para denominar o conjunto de obras que apresentam características semelhantes de forma e de conteúdo.

Quais estão corretas? 
Alternativas
Q4074796 Literatura
“Era uma vez uma menina linda, linda. Os olhos dela pareciam duas azeitonas pretas, daquelas bem brilhantes. Os cabelos eram enroladinhos e bem negros, feitos fiapos da noite. A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra quando pula na chuva. Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laço de fita colorida. Ela ficava parecendo uma princesa das Terras da África, ou uma fada do Reino do Luar”. MACHADO, Ana Maria. Menina Bonita do Laço de Fita. São Paulo: Ática, 2011, p. 3-4. O trecho retirado do livro de Ana Maria Machado, pertence ao estilo de obra:
Alternativas
Q4073032 Literatura
Os gêneros textuais representam um conjunto de textos orais ou escritos que possuem características próprias, tais como estrutura, linguagem e temática. Todos eles cumprem uma função comunicativa e social dentro de um determinado contexto.

São exemplos de gêneros textuais escritos, EXCETO:
Alternativas
Q2093794 Literatura

Quanto aos gêneros literários, analise os itens e assinale a alternativa correta.

I- Ode: o eu lírico homenageia algo, ou alguém.

II- Elegia: é um poema composto em tom melancólico.

III- Madrigal: apresenta caráter pastoril e heroico.

IV- Epitalâmio: enaltece o casamento.

Alternativas
Q2081907 Literatura
Com relação aos gêneros literários, desta vez sobre os os gêneros textuais narrativos, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta: 
I – crônica. II – fábula. III – diário. IV – lenda. 
Alternativas
Q1985705 Literatura
As opções a seguir apresentam definições de alguns gêneros literários, retiradas do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Assinale a que cabe ao gênero denominado crônica.
Alternativas
Q2006237 Literatura
Os que regressavam consigo, clérigos, astrólogos genoveses, comerciantes judeus, aias, contrabandistas de escravos, brancos pobres do Bairro Prenda, do Bairro da Cuca, abraçados a volumes de serapilheira, a malas atadas com cordéis, a cestos de verga, a brinquedos quebrados, formavam uma serpente de lamentos e miséria aeroporto adiante, empurrando a bagagem com os pés (na faixa reservada aos passageiros em trânsito passavam islandeses altos e desgrenhados como pássaros de rio) na direcção de uma secretária a que se sentava, em um escabelo, um escrivão que lhe perguntou o nome (Pedro Álvares quê?), o conferiu numa lista datilografada cheia de emendas e de cruzes a lápis tirou os óculos de ver ao perto para o examinar melhor, inclinado de banda no poleiro de fórmica, passeou o polegar errático no bigode e inquiriu de repente Tendes família em Portugal?, e eu disse Senhor não, muito depressa, sem pensar, porque a minha velha se finou de icterícia há seis anos e dos tios que aqui permaneceram quase não me recordo ou não me recordo nunca, ignoro se ficaram em Coruche e se ficaram onde moram, com quem moram, quantos filhos têm, se estão vivos.


ANTUNES, António Lobo. As naus. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

Levando-se em conta as possibilidades de foco narrativo apresentadas por Lígia Chiappini Moraes Leite (2002), com base na tipologia de Norman Friedman, observa-se no excerto e ao longo do romance o uso de
Alternativas
Q2006236 Literatura
Os que regressavam consigo, clérigos, astrólogos genoveses, comerciantes judeus, aias, contrabandistas de escravos, brancos pobres do Bairro Prenda, do Bairro da Cuca, abraçados a volumes de serapilheira, a malas atadas com cordéis, a cestos de verga, a brinquedos quebrados, formavam uma serpente de lamentos e miséria aeroporto adiante, empurrando a bagagem com os pés (na faixa reservada aos passageiros em trânsito passavam islandeses altos e desgrenhados como pássaros de rio) na direcção de uma secretária a que se sentava, em um escabelo, um escrivão que lhe perguntou o nome (Pedro Álvares quê?), o conferiu numa lista datilografada cheia de emendas e de cruzes a lápis tirou os óculos de ver ao perto para o examinar melhor, inclinado de banda no poleiro de fórmica, passeou o polegar errático no bigode e inquiriu de repente Tendes família em Portugal?, e eu disse Senhor não, muito depressa, sem pensar, porque a minha velha se finou de icterícia há seis anos e dos tios que aqui permaneceram quase não me recordo ou não me recordo nunca, ignoro se ficaram em Coruche e se ficaram onde moram, com quem moram, quantos filhos têm, se estão vivos.


ANTUNES, António Lobo. As naus. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

Das características apontadas por António José Saraiva e Óscar Lopes (2004) em relação aos romances de António Lobo Antunes, qual delas NÃO se torna evidente no excerto de As naus?
Alternativas
Q2006232 Literatura

HÚMUS


Pátios de lajes soerguidas pelo único

esforço da erva: o castelo –

a escada, a torre, a porta,

                                                  a praça. 

Tudo isto flutua debaixo

de água, debaixo de água.

                                               − Ouves

o grito dos mortos?


A pedra abre a cauda de ouro incessante,

só a água fala nos buracos.


São palavras pronunciadas com medo de pousar,

uma tarde que viesse na ponta dos pés, o som

devagar de uma

borboleta.

                                      − A morte não tem

só cinco letras. Como a claridade na água

para me entontecer,

                                       a cantaria lavrada:

com um povo de estátuas em cima,

com um povo de mortos em baixo.


Primaveras extasiadas, espaços negros, flores desmedidas

− todos os dias debalde repelimos os mortos.


É preciso criar palavras, sons, palavras

vivas, obscuras, terríveis.

[...]


HELDER, Herberto. Poemas completos. Rio de Janeiro: Tinta-da-china Brasil, 2016. p. 215-216.

O poema de Herberto Helder, do qual se apresenta apenas o excerto inicial, foi construído a partir de fragmentos provenientes de uma edição distinta da obra homônima de Raul Brandão (a segunda edição, não considerada como versão definitiva), resgatando tal produção após quase 50 anos de seu lançamento.
Com base no excerto, em seu diálogo com o texto-fonte e nas características da produção de Herberto Helder apontadas por Saraiva e Lopes (2004), leia as afirmações abaixo e marque V, para as verdadeiras, e F, para as falsas.
( ) Ao empreender uma operação que recombina diferentes passagens do texto-fonte, Herberto Helder adota uma postura de transgressão da linearidade do discurso. Com isso, não só se alinha à experimentação que predomina na poesia portuguesa durante a década de 1960, mas também se mostra tributário do Surrealismo, uma vez que a montagem possibilita uma liberdade metafórica própria desse movimento. ( ) A rede imagética obtida pela modificação do texto-fonte altera a cena inicial, trazendo ao poema camadas de significação distintas daquelas que se manifestam na abertura da obra de Brandão. A presença, por exemplo, de metáforas associadas ao elemento aquático minimiza o abatimento associado à imagem do “invólucro de pedra”, dado pertencerem ao campo semântico da fluidez. ( ) A transmutação operada por Helder no nível do significante também se manifesta tematicamente: imagens ligadas à finitude são apresentadas juntamente com símbolos de fecundação e renascimento, sugerindo uma ideia de coincidência dos opostos própria do imaginário hermético-alquímico. A simetria entre o que está “em cima” e o que está “em baixo” reforça essa possibilidade interpretativa.
A sequência correta, de cima para baixo, é
Alternativas
Q2006231 Literatura

13 de Novembro

Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste...

Uma vila encardida — ruas desertas — pátios de lajes soerguidas pelo único esforço da erva — o castelo — restos intactos de muralha que não têm serventia: uma escada encravada nos alvéolos das paredes não conduz a nenhures. Só uma figueira brava conseguiu meter-se nos interstícios das pedras e delas extrai suco e vida. A torre — a porta da Sé com os santos nos seus nichos — a praça com árvores raquíticas e um coreto de zinco. Sobre isto um tom denegrido e uniforme: a humidade entranhou-se na pedra, o sol entranhou-se na humidade. Nos corredores as aranhas tecem imutáveis teias de silêncio e tédio e uma cinza invisível, manias, regras, hábitos, vai lentamente soterrando tudo. Vi, não sei onde, num jardim abandonado — inverno e folhas secas — entre buxos do tamanho de árvores, estátuas de granito a que o tempo corroera as feições. Puíra-as e a expressão não era grotesca mas dolorosa. Sentia-se um esforço enorme para se arrancarem à pedra. Na realidade isto é como Pompeia um vasto sepulcro: aqui se enterraram todos os nossos sonhos... Sob estas capas de vulgaridade há talvez sonho e dor que a ninharia e o hábito não deixam vir à superfície. Afigura-se-me que estes seres estão encerrados num invólucro de pedra: talvez queiram falar, talvez não possam falar.

Silêncio. Ponho o ouvido à escuta e ouço sempre o trabalho persistente do caruncho que rói há séculos na madeira e nas almas.


BRANDÃO, Raul. Húmus. São Paulo: Carambaia, 2017.

Os traços dos gêneros estão em constante transformação; portanto, no ato de leitura, nos devemos conduzir abertamente pelas mudanças e não por características fixas. Faz-se necessário atentarmos para as expectativas criadas pela própria obra.
SOARES, Angélica. Gêneros literários. São Paulo: Ática, 1993. p. 21.

Em Gêneros literários, Angélica Soares (1993) procura afastar-se de classificações fechadas − conforme explicita a passagem acima −, adotando, para isso, a proposta elaborada por Emil Staiger em Conceitos fundamentais da poética. Preterindo uma compreensão substantiva das categorias de gênero, que vincularia terminantemente as produções a um ou outro rótulo, Staiger volta-se para os traços estilísticos líricos, épicos ou dramáticos que podem estar presentes em um texto, os quais se manifestam, muitas vezes, de maneira combinada. Essa formulação torna-se bastante útil para a análise de obras como a de Raul Brandão, que não se apresenta nos moldes tradicionais da prosa de ficção.
Qual dos aspectos abaixo corresponde a um traço lírico presente no excerto?
Alternativas
Q2006229 Literatura
Bosi (2006), ao analisar a obra realista do escritor Machado de Assis, estabelece uma linha temporal que discute aspectos importantes dos romances e contos.
Com base nisso, analise as seguintes afirmativaI.
I. Machado promove, a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o que Bosi chama de um processo de inversão parodística dos códigos tradicionais que o Romantismo fizera circular. II. Em Quincas Borba, o autor recorre à narração em terceira pessoa para relatar de forma mais objetiva “o nascimento, a paixão e a morte de um provinciano ingênuo”. III. Em Dom Casmurro, o autor retoma o estilo de memórias, quase póstumas no caso de Bentinho, que se propõe a “atar as duas pontas da vida e restaurar na velhice a adolescência”. IV. A prosa realista de Machado de Assis está marcada por uma série de contos memoráveis como A causa secreta, Entre Santos, Missa do Galo, que se destacam pelo desenho psicológico das personagens.
Estão corretas as afirmativas s: 
Alternativas
Q2006228 Literatura
— Se não, vejam vossas senhorias isto! Que paz, que animação, que prosperidade!
E com um grande gesto mostrava-lhes o Largo do Loreto, que àquela hora, num fim de tarde serena, concentrava a vida da cidade. Tipoias vazias rodavam devagar; pares de senhoras passavam, com os movimentos derreados, a palidez clorótica duma degeneração de raça; nalguma magra pileca, ia trotando algum moço de nome histórico, com a face ainda esverdeada da noitada de vinho; pelos bancos de praça gente estirava-se num torpor de vadiagem; um carro de bois, aos solavancos sobre suas altas rodas, era como o símbolo de agriculturas atrasadas de séculos; fadistas gingavam, de cigarro nos dentes; algum burguês enfastiado lia nos cartazes o anúncio de operetas obsoletas; nas faces enfezadas de operários havia como a personificação das indústrias moribundas... E todo este mundo decrépito se movia lentamente, sob um céu lustroso de clima rico, entre garotos apregoando a lotaria e a batota pública, e rapazitos de voz plangente oferecendo o Jornal das pequenas novidades [...].

 QUEIRÓS, Eça de. O crime do padre Amaro. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
2000.
No que se refere aos recursos estilísticos que Saraiva e Lopes (2004) reconhecem na prosa de Eça de Queirós, observa-se no excerto o emprego de
Alternativas
Respostas
41: B
42: C
43: E
44: C
45: B
46: A
47: A
48: A
49: E
50: B
51: C
52: D
53: E
54: D
55: D
56: D
57: C
58: B
59: D
60: B