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Questões de Concurso Comentadas sobre linguística

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.131 questões

Q3541321 Linguística
Texto 1


ARGUMENTAR NA REDE

Monica Graciela Zoppi Fontana


   A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.

   Argumentar é uma prática de linguagem que envolve uma relação entre os interlocutores e com a situação do dizer. Argumentamos a partir do já-dito, ou seja, dos sentidos já produzidos socialmente na história e presentes como memória discursiva. E ao argumentar estabelecemos uma relação particular com o não-dito e com o silêncio, pois a língua fornece a base material para essa prática.

   Argumentamos por meio de palavras (casebre, mansão, pouco, um pouco, muito e muitas outras presentes no léxico da língua). Sufixos e prefixos também participam na argumentação (contradiscurso, antibelicista, pseudointelectual), assim como diminutivos e aumentativos (carrão, favorzinho, mulherzinha, garotão). Temos ainda locuções adverbiais (mesmo que, só que, apesar de, tanto quanto, por exemplo) e frases idiomáticas (descascar um abacaxi, enfiar o pé na jaca). E ainda há interjeições com valor argumentativo (vixe!, credo!). Argumentamos também por meio da forma de construção dos enunciados (a ordem das palavras na frase, construções passivas ou ativas, elipses etc.). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.

   Assim, a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção. Mas toda prática de linguagem é produzida por falantes constituídos enquanto tais em um tempo e um espaço específicos. Todo dizer é assim determinado pelos processos históricos e pelos espaços de enunciação nos quais é produzido. E isso afeta constitutivamente a argumentação.

   Nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos próprios do digital, como hashtags, memes, gifs e vídeos. Algumas expressões que surgiram na internet atravessam as fronteiras das redes sociais e são incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.

   A Linguística estuda essas questões e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espaços de enunciação. Questões semânticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumentação nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas práticas de linguagem na sociedade.


Adaptado de: https://www.blogs.unicamp.br/linguistica/2017/08/16/argumentarna-rede/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Considerando a situação de uma aula de língua portuguesa, em que o conteúdo é a argumentação da linguagem no eixo da análise linguística, assinale a alternativa na qual se verifica que as afirmações estão corretas e que as ações, a serem executadas pelo professor, estão em conformidade com o objetivo de desenvolver a compreensão sobre a argumentação da linguagem, por meio da prática de análise linguística. 
Alternativas
Q3541292 Linguística
Texto I

Variação linguística


   O termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe etc., usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades.

   A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.

   A consciência de que a língua é variável remonta à Antiguidade, quando os primeiros estudiosos da língua grega tentaram sistematizá-la para o ensino e para a crítica literária. Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua. Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico. A consequência cultural desse processo histórico é que o termo língua passou a ser usado, no senso comum, para rotular exclusivamente esse modelo idealizado, literário, enquanto todos os usos reais, principalmente falados, foram lançados à categoria do erro. 

   Com os avanços das ciências da linguagem, essa visão foi abandonada: o exame minucioso de cada variedade linguística revela que ela tem sua própria lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua literária idealizada, e serve perfeitamente bem como recurso de interação e integração social para seus falantes. Diante disso, um novo projeto de educação linguística vem se formando: é preciso ampliar o repertório e a competência linguística dos aprendizes, levá-los a se apoderar da escrita e dos muitos gêneros discursivos associados a ela, sem contudo desprezar suas variedades linguísticas de origem, valorizando-as, ao contrário, como elementos formadores de sua identidade individual e social e como patrimônio cultural do país.


BAGNO, Marcos. Variação linguística. Glossário Ceale – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Universidade Federal de Minas Gerais, 2013. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceitolinguistico. Acesso em: 21 mar. 2025.
Considere o excerto a seguir, em que o autor elenca diferentes níveis de variações linguísticas:
“Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.”.
Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3532021 Linguística
No campo dos estudos linguísticos, o estruturalismo considera que o sentido de uma frase está vinculado: 
Alternativas
Q3529917 Linguística
Read the suggestion of an activity to answer question.

        As part of a joint project between language and science with focus on the human body, a way for the language teacher to start working with vocabulary is to ask learners to work on words related to that topic (for example, one of the systems in the human body), brainstorming the following aspects:

•  words which are special to your subject (ex. the human body systems).

•  words which ‘collocate with’ (or often accompany) your main theme (ex. The respiratory system).

•  everyday words which are used in your subject and may have different meanings in other contexts (ex. tissue).

        Once learners have come up with some suggestions, the teacher can ask them to share their contributions with other learners in the class, and complement their own notes.

(Based on DALE, Liz; TANNER, Rosie. Cambridge: Cambridge University, 2012)
The branch of linguistics that deals with the study of words (such as tissue) having different meanings in different contexts, as mentioned in the activity, is
Alternativas
Q3529442 Linguística
En términos lingüísticos, el conservadurismo, según el análisis de Francisco Moreno (2003-2004), refierese a la mantención de
Alternativas
Q3528447 Linguística
Ingedore Koch (Desvendando os segredos do texto, 2018) explica que a concepção de sujeito da linguagem como lugar de interação corresponde à noção de
Alternativas
Q3527055 Linguística
Segundo Quadros e Karnopp (2004), para comparar as línguas de sinais com as línguas orais, três aspectos podem ser investigados. São eles: 
Alternativas
Q3526760 Linguística
Em sua discussão sobre a evolução da Linguística Textual, Ingedore Grunfeld Villaça Koch (Desvendando os segredos do texto, 2018) conclui que essa área de investigação
Alternativas
Q3526753 Linguística
Luiz Antônio Marcuschi (Produção textual, análise de textos e compreensão, 2008) adota a concepção de sujeito como
Alternativas
Q3526279 Linguística
A   ________________é a ciência que estuda os sons como entidades físico-articulatórias isoladas. A   ________________estuda os sons do ponto de vista funcional como elementos que integram um sistema linguístico determinado. A  ________________é o estudo da estrutura interna das palavras, ou seja, da combinação entre os elementos que formam as palavras.
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do excerto. 
Alternativas
Q3526278 Linguística
O conjunto dos princípios que caracterizaria a classe das gramáticas possíveis, e que preconizaria os modos pelos quais as gramáticas são organizadas, as regras de seus componentes e as relações que poderiam estabelecer entre si, foi denominado por Chomsky como
Alternativas
Q3525987 Linguística
Para Chini e Bosisio (2013), uma didática plurilíngue deve considerar os componentes do conceito de competência linguística, quais sejam:
Alternativas
Q3525744 Linguística
Este estudo foi caracterizado como uma pesquisa baseada em design, conforme concepção assumida por Anderson e Shattuck (2012), ao caracterizar o percurso investigativo marcado pelo planejamento interventivo e colaborativo e informado por pressupostos teóricos, em função da transformação do ensino e do fortalecimento da teoria. Sob a influência do próprio programa de fomento à pesquisa e de formação de pessoal, a principal abordagem teórica utilizada foi a da educação científica, em desenvolvimento na LA (Linguística Aplicada) (Freitas, 2022; Magalhães, 2023; Silva, 2020b; Silva; Mendes, 2023). Essa abordagem informou o planejamento interventivo, marcado pela elaboração e testagem de materiais de ensino, a exemplo de jogos didáticos focalizados mais diretamente neste artigo. Auxiliou a construção colaborativa de procedimentos pedagógicos diferenciados.
(Wagner Rodrigues Silva, Andreia Cristina Fidelis e Kiahra Antonella. Laboratório virtual de pesquisa escolar com gramática: educação científica em aulas de língua materna. 2024)

Para o desenvolvimento do jogo didático, fruto da pesquisa, os autores fundamentaram-se na perspectiva
Alternativas
Q3524977 Linguística
... linguistas que se dedicam a estudar a língua não como sistema autônomo, mas por meio de seu funcionamento em situações concretas de uso. Sob essa perspectiva, o texto passa a ser visto como lugar de interação entre sujeitos sociais.
(Ingedore Villaça Koch; Vanda Maria Elias. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2011)

As informações do texto referem-se aos
Alternativas
Q3524948 Linguística
De acordo com Luiz Antônio Marcuschi (Produção textual, análise de textos e compreensão. 2008), um dos focos na visão da Linguística estrutural consiste na ideia de que 
Alternativas
Q3524907 Linguística
Según Noam Chomsky (Scutti, apud Bruno, 2005), el concepto de competencia puede definirse como
Alternativas
Q3524902 Linguística
La teoría sobre la lengua y la naturaleza del conocimiento lingüístico que considera la lengua como un vehículo para el desarrollo de relaciones personales y la realización de transacciones de tipo social entre individuos es la
Alternativas
Q3524641 Linguística
Aluno: Inglês é muito difícil! Uma palavra significa muitas coisas!
Professor: Sim, como no português. Pense na palavra “banco”. Quantos significados você consegue lembrar?
O diálogo retrata uma possível situação em sala de aula de Língua Inglesa. Para argumentar que qualquer língua possa trazer dificuldades para seu falante ou aprendiz, o professor recorre a um exemplo que se insere na área da linguística denominada
Alternativas
Q3524005 Linguística
A sala de aula é um universo de linguagem no qual a língua é considerada do ponto de vista da estrutura e, em certa medida, deslocada da interação real. Diante dessa afirmação, Cicurel (2011) aponta que as motivações ou razões escolares relativas ao uso da língua são diferentes daquelas externas à sala de aula de língua estrangeira.

A partir dessa afirmação, as diferenças relativas ao uso da língua na sala de aula e fora dela podem ser atribuídas:
Alternativas
Q3523884 Linguística
Para Kleiman (1995), a linguagem, independentemente da modalidade de comunicação, é, por natureza,
Alternativas
Respostas
341: C
342: B
343: A
344: A
345: E
346: A
347: C
348: A
349: D
350: B
351: A
352: C
353: D
354: C
355: D
356: A
357: C
358: D
359: C
360: C