Questões de Concurso
Comentadas sobre papéis e responsabilidades do tradutor-intérprete em libras
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Em relação à questão de neutralidade do tradutor/intérprete da língua de sinais, tendo como base os modelos propostos por Emeli Leite, (2004) citado por Marques, (2012) em Os papéis do intérprete de Libras na sala de aula inclusiva, marque (V) para VERDADEIRO ou (F) para FALSO.
( ) No “modelo ajudador”, adota-se uma postura assistencialista, caritativa, que surgiu antes que a interpretação fosse encarada como profissão. Nessa época, a maioria dos intérpretes eram amigos, professores, religiosos ou familiares de pessoas surdas.
( ) No “modelo ajudador”, os intérpretes não possuíam uma formação especifica e utilizavam a interpretação simultânea, para resumir ou modificar o que julgava estar além da compreensão das pessoas surdas.
( ) No “modelo de condutor”, o intérprete é visto como máquina; o intérprete teria que ser como um telefone, apenas “passando” a informação de um lado para o outro, sem se envolver e sem manifestar sua subjetividade
( ) No “modelo de condutor”, os intérpretes queriam um tratamento mais profissional e se achavam na obrigação de serem invisíveis, neutros e distantes.
( ) No “modelo de especialista bilíngue e bicultural”, a cultura das partes envolvidas no processo comunicativo não é levada em consideração e também encarada como relevante a situação ou o contexto em que esse processo se dá.
( ) No “modelo de especialista bilíngue e bicultural”, o intérprete deveria “ser assistencial, também, com os ouvintes”. E o grande perigo seria esse sujeito tentar acumular “funções na tentativa de ser especialista em tudo, além de tradução: pedagogia, antropologia, sociologia, psicologia etc”.
Assinale a assertiva que apresenta a sequência CORRETA.
Levando em consideração o questionamento de Rodrigues (2010), ao problematizar sobre a formação de intérpretes:
Um único ILS [Intérprete de Língua de Sinais] reuniria conhecimentos, habilidades e estratégias para atuar em distintas esferas (internacional e intra-social) e com tipos específicos de interpretação, tais como a interpretação comunitária (community interpreting), a interpretação em tribunais (court/legal interpreting), a interpretação médica (healthcare/medical interpreting), a interpretação de diálogo (dialogue interpreting), a interpretação na mídia (media interpreting), a interpretação de ligação ou acompanhamento (liaison/escort interpreting) e a interpretação de conferência (conference interpreting).
RODRIGUES, C. H. Da interpretação comunitária à interpretação de conferência: Desafi os para formação de intérpretes de língua de sinais. In: II Congresso Nacional de Pesquisa em Tradução e Interpretação de Língua de Sinais Brasileira, UFSC, Florianópolis, 2010
Segundo os deveres do intérprete, elencados no código de ética presente no Regimento Interno do Departamento Nacional de Intérpretes (FENEIS), aprovado por ocasião do II Encontro Nacional de Intérpretes - Rio de Janeiro/RJ/Brasil - 1992, assinale a opção que melhor soluciona a problemática relatada por Rodrigues.
As relações entre intérpretes e surdos devem ser de troca, divisão de poder, e respeito à cultura alheia, isso das duas partes, já que o ouvinte intérprete é também portador de uma cultura e deve ser entendido como tal. REICHERT, A. R. Intérpretes, Surdos e negociações culturais.In: PERLIN, G.; STUMPF, M. (Org.) Um olhar sobre nós surdos: leituras contemporâneas. Curitiba, PR: CRV, 2012. p.73
Sobre as questões de poder estabelecidas durante a atuação do tradutor-intérprete de Libras junto à comunidade surda, é INCORRETO afirmar que
Leia o excerto a seguir:
A presença crescente de acadêmicos surdos nas universidades e em demais instituições de ensino superior implica, consequentemente, novas demandas ao tradutor e ao intérprete atuantes nesse contexto, entre elas, a tradução de textos e trabalhos produzidos por surdos.
RIGO, N. S. Tradução de Libras para português de textos acadêmicos. Cadernos deTradução (UFSC), v. 35, 2015, p. 460.
Conforme nos relata Rigo (2015), é crescente a demanda dentro das universidades do trabalho de tradução da Libras para o português escrito. Sobre essa nova atuação, é INCORRETO afirmar que
Constantemente, os tradutores e os intérpretes de Libras-Português recebem diversas solicitações para atuar em diferentes contextos de trabalho, tais como: contextos de atendimentos médico-hospitalares e atendimentos clínicos (perícias, consultas, emergências, tratamentos psicológicos e outros); contextos religiosos (cultos ecumênicos em formaturas ou outras atividades); contextos legais (reuniões com procuradores, assessores ou advogados); contexto administrativo (reuniões em pró-reitorias, reitorias, departamentos,visitas técnicas e outros); contextos de conferências em diferentes campos do saber; contextos de tradução audiovisual (legenda, dublagem e outros); contextos artístico-culturais (festivais, musicais, espetáculos, teatro e outros) ou ainda contextos como emergências ambientais (tragédias envolvendo incêndios, enchentes, em apoio a órgãos do governo como a defesa civil e outros). SANTOS, S. A. A implementação do serviço de tradução e interpretação de libras-português nas universidades federais. Cadernos deTradução (UFSC), v. 35, 2015, p. 126-127.
Sobre a rotina de trabalho do tradutor e intérprete de Libras na universidade federal, é INCORRETO afirmar que
Leia o trecho a seguir:
No contexto brasileiro, as universidades federais são um profícuo espaço para refletir sobre alguns elementos importantes na sistematização das rotinas de trabalho de tradutores e de intérpretes de Libras-Português.
SANTOS, S. A. A implementação do serviço de tradução e interpretação de libras-português nas universidades federais. Cadernos deTradução (UFSC), v. 35, 2015, p. 117.
Sobre a implementação do serviço de tradução e interpretação de Libras-Português nas universidades
federas, é INCORRETO afirmar que
“Assim como existem estratégias de aprendizagem que o aprendiz bem-sucedido de línguas estrangeiras utiliza, também existem estratégias de tradução que o tradutor experiente utiliza para atingir suas metas e produzir um texto traduzido bem-sucedido.” ALVES, F.; MAGALHÃES, C. PAGANO, A. Traduzir com Autonomia: estratégias para o tradutor em formação. SP: Contexto. 2003, p.19-20.
Sobre as estratégias de tradução, é INCORRETO afirmar que
( ) O intérprete processa a informação da língua-fonte, faz escolhas lexicais, estruturais, semânticas e pragmáticas, traduzindo-a para a língua-alvo. ( ) O intérprete deve ter domínio das línguas envolvidas no processo de interpretação, para distinguir ideias principais de secundárias e dar coesão ao discurso. ( ) Existem diversas áreas do conhecimento nas quais o intérprete de Libras pode atuar, sendo elas, social, educacional, religiosa e cultural, exceto política. ( ) A interpretação da língua falada para a língua sinalizada e vice-versa deve ser confiável e realizada com discrição e profissionalismo, podendo ser alterada a informação conforme necessário. ( ) Professores de surdos e intérpretes de língua de sinais desempenham a mesma função e papel no ensino dos surdos, sendo a única diferença existente entre eles a fluência no uso da língua.