Questões de Concurso
Comentadas sobre desenvolvimento escolar em libras
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Na obra “A Surdez: um olhar sobre as diferenças”, organizada por Carlos Skliar, reflete-se um momento particular, porém fragmentado, de um processo mais amplo no trabalho e na pesquisa educacional. Embora ainda seja impossível falar de um ponto de partida na tentativa de criar novos olhares sobre o tema, o processo de construção de novas perspectivas sobre a surdez no espaço acadêmico iniciou-se, formalmente, em meados de 1996. Em acordo com essa visão, a obra de Skliar (1997) representa uma iniciativa impactante sobre o tema da surdez. Sobre o livro de Skliar, leia as afirmativas abaixo e marque-as com V (VERDADEIRO) ou F (FALSO):
( ) O livro apresenta uma coletânea de artigos de um grupo de alunos e professores do Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Rio Grande do Sul, pelo Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais para Surdos, NUPPES.
( ) O livro representa a proposta de constituir-se como subproduto ou uma subárea da educação especial e de manter-se dentro de uma prática e de um discurso hegemônico da deficiência.
( ) O livro representa a motivação da criação de um novo espaço acadêmico e de uma nova territorialidade educacional à qual denominamos Estudos Surdos em Educação Especial.
( ) A obra se constitui em um programa de pesquisa em educação, onde as identidades, as línguas, os projetos educacionais, a história, a arte, as comunidades e as culturas surdas são focalizadas e entendidas a partir da diferença, a partir do seu reconhecimento político.
( ) A obra é produzida a partir de olhares dos autores, que possibilitam pensar a surdez dentro de uma perspectiva geral da educação, devendo ser concebida pela perspectiva da deficiência.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
Miorando (2006) menciona uma discussão sobre a formação docente acerca de uma identidade, necessária no espaço escolar para alunos surdos, e propõe que a atuação dos professores ouvintes com seus alunos ouvintes não é tão diferente daquela dos professores surdos com seus alunos surdos, pois afirma que o diferencial, no processo de ensino de uma língua, é seu tratamento como primeira língua. Abaixo estão listadas propostas feitas pela autora acerca do que seria necessário para o melhor trabalho de professores surdos com alunos surdos:
I) Discutir o desenvolvimento linguístico, por exemplo, da criança surda, que estuda a língua de sinais como primeira língua e a língua portuguesa como segunda.
II) Buscar formações específicas na área da surdez para trabalhar com alunos surdos e deficientes auditivos, respeitando as suas diferenças de ensino-aprendizagem.
III) Incluir estudos sobre a história dos surdos no Brasil, os aspectos visuais de sua cultura, o desenvolvimento sócio-político do seu movimento, que talvez não seja muito diferente do de outras minorias culturais, como os afrodescendentes ou os índios fazem.
IV) Criar materiais didáticos e visuais, com suas adaptações de conteúdos seguindo as normas curriculares propostas nas secretarias de educação.
Marque a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS em relação à discussão feita pela autora:
A respeito da metodologia de ensino da Libras, julgue o item subsequente.
A pedagogia surda enfatiza a educação na diferença, que
ocorre na mediação intercultural e no respeito à
identidade surda.
A respeito da metodologia de ensino da Libras, julgue o item subsequente.
Contação de histórias, desenvolvimento da criatividade
plástica e utilização do sign writing são alguns dos
elementos da cultura surda adotados pela pedagogia
visual.
Um dos pressupostos da pedagogia surda é a presença do professor surdo nas salas de aula regulares, com suporte do professor ouvinte nas salas de recursos multifuncionais.
Acerca do processo de ensino-aprendizagem da lingua portuguesa como segunda língua para surdos, julgue o item que se segue.
O principal objetivo do ensino da língua portuguesa para
indivíduos surdos é ampliar seu acervo textual para que
sejam capazes de dialogar com os colegas ouvintes de
forma escrita compreensível.
Acerca do processo de ensino-aprendizagem da lingua portuguesa como segunda língua para surdos, julgue o item que se segue.
A proposta didático-pedagógica para se ensinar
português escrito para os alunos com surdez orienta-se
pela concepção educacional bilingue Libras-português
escrito.
Um aluno da rede pública, matriculado no 5.º ano do Ensino Fundamental, apresenta surdez profunda bilateral. No dominio social, o desenvolvimento desse aluno ́ é muito bom; é bem-humorado, educado e gosta de estar sempre com os colegas. No dominio da linguagem e comunicação, é bastante comunicativo; expressa-se por meio da Libras e possui um pouco de oralidade. Domina Libras devido ao contato com o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) de sua escola, que também oferece curso de Libras para todos os demais alunos. Ainda apresenta dificuldades na linguagem escrita e na leitura, por não compreender bem a estrutura da língua portuguesa.
Carla B. Alves e Maria Isabel Araújo. Estudo de caso: atendimento educacional especializado para aluno com surdez na escola comum. V Seminário Nacional de Educação Especial; IV Encontro de Pesquisadores em Educação Especial e Inclusão Escolar. Universidade Federal de Uberlândia, s/d (com adaptações).
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo acerca do AEE para alunos com surdez.
Os três momentos que compreendem o planejamento
do AEE em Libras são: AEE em Libras; ensino da Libras; e
ensino da língua portuguesa.
Um aluno da rede pública, matriculado no 5.º ano do Ensino Fundamental, apresenta surdez profunda bilateral. No dominio social, o desenvolvimento desse aluno ́ é muito bom; é bem-humorado, educado e gosta de estar sempre com os colegas. No dominio da linguagem e comunicação, é bastante comunicativo; expressa-se por meio da Libras e possui um pouco de oralidade. Domina Libras devido ao contato com o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) de sua escola, que também oferece curso de Libras para todos os demais alunos. Ainda apresenta dificuldades na linguagem escrita e na leitura, por não compreender bem a estrutura da língua portuguesa.
Carla B. Alves e Maria Isabel Araújo. Estudo de caso: atendimento educacional especializado para aluno com surdez na escola comum. V Seminário Nacional de Educação Especial; IV Encontro de Pesquisadores em Educação Especial e Inclusão Escolar. Universidade Federal de Uberlândia, s/d (com adaptações).
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo acerca do AEE para alunos com surdez.
Ao professor do AEE caberá a utilização de estrategias de dramatização, pantomima e outras que
contribuam para que o estudante surdo permaneça
relaxado e bem-humorado durante o processo de
ensino-aprendizagem.
Um aluno da rede pública, matriculado no 5.º ano do Ensino Fundamental, apresenta surdez profunda bilateral. No dominio social, o desenvolvimento desse aluno ́ é muito bom; é bem-humorado, educado e gosta de estar sempre com os colegas. No dominio da linguagem e comunicação, é bastante comunicativo; expressa-se por meio da Libras e possui um pouco de oralidade. Domina Libras devido ao contato com o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) de sua escola, que também oferece curso de Libras para todos os demais alunos. Ainda apresenta dificuldades na linguagem escrita e na leitura, por não compreender bem a estrutura da língua portuguesa.
Carla B. Alves e Maria Isabel Araújo. Estudo de caso: atendimento educacional especializado para aluno com surdez na escola comum. V Seminário Nacional de Educação Especial; IV Encontro de Pesquisadores em Educação Especial e Inclusão Escolar. Universidade Federal de Uberlândia, s/d (com adaptações).
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo acerca do AEE para alunos com surdez.
O planejamento do AEE em Libras é uma atribuição do
professor especializado nesse atendimento.
Acerca do Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A formação de tradutores e intérpretes de Libras para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada pela Federação Nacional de Surdos (FENEIS) ou pelas associações de surdos, por profissionais capacitados, em que Libras e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação oral.
( ) A formação de tradutores e intérpretes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.
( ) As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas nesse decreto como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.
( ) A formação do tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras – Língua Portuguesa.
Assinale a sequência correta.
Considere o seguinte fragmento:
Pode-se debater se a surdez é ou não “preferível” à cegueira quando adquirida não muito cedo na vida; mas nascer surdo é infinitamente mais grave do que nascer cego pelo menos de forma potencial. Isso porque os que têm surdez pré-linguística, incapazes de ouvir seus pais, correm o risco de ficar seriamente atrasados, quando não permanentemente deficientes, na compreensão da língua, a menos que se tomem providências eficazes com toda a presteza. E ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis [...].
(SACKS, O. Vendo Vozes. Uma jornada pelo mundo dos Surdos. Rio de Janeiro: Imago, 1990, p. 19)
Assinale a alternativa que demonstra o entendimento do autor quanto às relações entre surdez e linguagem.
Quadros (1997) cita que, em condições de input linguístico adequado, crianças surdas, aprendendo Língua de Sinais, apresentam estágios de aquisição de língua análogos aos das crianças ouvintes aprendendo língua oral. Quais são esses estágios?
Diferentemente das crianças ouvintes, grande parte das crianças surdas chega com pouco ou nenhum conhecimento da língua portuguesa, cabendo à escola a tarefa de ensiná-la. Na educação de surdos, a adoção da concepção de segunda língua como código somente escrito, realizado através do ensino de estruturas frasais da língua portuguesa, resultou em um ensino:
A língua de sinais preenche as mesmas funções que a linguagem falada, para os ouvintes e deve ser adquirida na interação com usuários dela fluentes, os quais, envolvendo as crianças surdas em práticas discursivas e interpretando os enunciados produzidos por elas, inserindo-as no funcionamento desta língua, o que reforça o reconhecimento de que a Língua de Sinais possibilita o desenvolvimento do surdo em todos os seus aspectos: