Questões de Concurso Comentadas sobre história

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Q3439551 História
   “Mandei que Sexta-Feira apanhasse todos os crânios, ossos, restos de carne e o que mais fosse, juntasse tudo numa grande pilha e acendesse uma fogueira para reduzir tudo a cinzas; percebi nele grande vontade de comer daquela carne, nele persistia sua natureza canibal; demonstrei porém tanto asco pela simples referência à ideia ou por seu eventual interesse que ele não se atreveu a manifestá-lo; porque arranjei um jeito de fazê-lo entender, além do mais, que o mataria se ele cedesse a seus impulsos.”

DEFOE, Daniel. Robinson Crusoe. SP: Ubu Editora, 2021. Trad. Leonardo Fróes

Esse excerto de texto tão clássico como popular, escrito no século XVII, poderia ensejar uma representação dramatizada (enriquecida pela pesquisa em outras fontes) das relações entre europeus em expansão e povos americanos, africanos, orientais que foram acessados pelo ímpeto mercantilista dos séculos XVI e seguintes e, mais tarde, pela avidez imperialista das sociedades cuja produção já exigia abertura de novos mercados.

Um professor, ao solicitar uma representação dramatizada desse excerto, pretende que seus estudantes reflitam e percebam que o que nele se destaca é a 
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Q3439550 História
As percepções humanas são suscetíveis de alterações a depender de elementos do seu contexto. Historicamente, a capacidade atencional para apreender imagens em deslocamento foi desenvolvida no século XIX. Uma abordagem interdisciplinar desse fenômeno, nesse período, deve ser apresentada aos estudantes a partir 
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Q3439548 História
“O Estado sou eu”, teria enunciado Luís XIV, no século XVII. Síntese do absolutismo monárquico, a frase poderia ser exposta à análise de estudantes até o limite de seu efeito retórico. Esse exercício deve levar à pesquisa sobre o funcionamento do poder monárquico e suas bases objetivas de sustentação. Ou seja, à caracterização da estratégia de equilíbrios de interesses de setores sociais distintos durante o antigo Regime na Europa. Dividida a sala em dois grupos, cada um deles deve reunir informações sobre os interesses em jogo para depois compor painel sobre o funcionamento do Estado absolutista. Assim, seriam caracterizados os objetivos contraditórios
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Q3439546 História
Dom Casmurro, romance de Machado de Assis publicado em 1899, narra a história de Bentinho, que reflete sobre sua vida e seu amor por Capitu. Quando se casam, Bentinho se torna obcecado pela ideia de que Capitu o traiu com seu melhor amigo. Essa paranoia consome Bentinho e o transforma num homem isolado e amargurado.

Capitu é apresentada de maneira ambígua ao longo da narrativa. Enquanto Bentinho a vê como uma possível traidora, ela também pode ser vista como uma mulher forte e independente, presa em um casamento dominado pelas inseguranças de seu marido. No final, a dúvida sobre a lealdade de Capitu nunca é resolvida, refletindo temas como ciúmes, memória e a ambiguidade da verdade.

Ao tratar da personagem Capitu no romance de Machado de Assis, em parceria com docentes de Literatura, o professor de História elege como apropriado
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Q3439545 História
Uma das tendências da historiografia contemporânea é a concepção da cultura como circular, ou seja, resultado da reunião de elementos de naturezas diferentes na composição de saberes culturais para contextos determinados.

Com o objetivo de colocar seus estudantes diante dessa concepção de circularidade cultural, uma professora de História desafiou seus estudantes a reunirem, em sustentação lógica, argumentos das mais diversas origens para produzir justificativas em defesa da ampliação dos espaços públicos para lazer infantil em sua cidade.

Com esse exercício, a docente preparou os estudantes a entrarem em contato com a concepção de história que embasam obras didáticas de
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Q3439539 História
O professor propôs que os estudantes se reunissem em grupos e lessem o texto a seguir, a fim de atentar para a origem histórica do termo América Latina.

    “A denominação América Latina integra nosso vocabulário cotidiano. Mas sua historicidade precisa ser lembrada. Esse termo foi inventado no século XIX, carregando desde suas origens disputas de ordem política e ideológica. Os sentidos que lhe foram atribuídos estão vinculados às polêmicas que envolveram, de um lado, franceses e ingleses (século XIX) e, de outro, latinoamericanos e norte-americanos (séculos XIX e XX). A precisa origem do termo tem sido alvo de controvérsias. Para uma corrente, os franceses propuseram o nome como forma de justificar, por intermédio de uma pretensa identidade latina, as ambições da França sobre esta parte da América. Para outra, foram os próprios latino-americanos que cunharam a expressão para defender a ideia da unidade da região frente ao poder já anunciado dos Estados Unidos”.

PRADO, M. Ligia; PELLEGRINO, G. História da América Latina. São Paulo: editora Contexto, 2014.

Cada grupo deve compor um painel com as suas conclusões a partir da leitura do texto. Como se espera que a ideia de que o termo América Latina foi “inventado” seja apresentada pelos grupos em seus painéis.
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Q3439538 História
Numa aula sobre a configuração da sociedade colonial brasileira o professor oferece aos estudantes um texto clássico do historiador Caio Prado Jr.

     “Esta massa de escravos, índios ou negros, constituía a maior parte da população colonial. (...). Ao lado de pequenos proprietários encontramos o tipo mais comum dos agregados. São estes os indivíduos – em geral escravos libertos ou mestiços espúrios - que vivem nos grandes domínios prestando aos senhores toda sorte de serviços: guarda da propriedade, mensageiro, etc. Entre eles figuram também os rendeiros, que pagam seus aluguéis em dinheiro ou mais comumente em produtos naturais ou em serviços. A situação destes rendeiros é a mais precária possível. Raramente se faziam contratos escritos, e mesmo não havia autoridades para os sancionar. Na propriedade quem domina incontrastavelmente é o senhor. Todos os que se fixam em suas terras cedem, em troca da gleba que cultivam para seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor contra outros mandões do sertão ou a própria Justiça, praticamente, toda a liberdade”.

PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1953 (texto adaptado).

A partir da leitura do excerto desse historiador, os estudantes devem ser instados a interpretarem a estrutura de classes que compunha a sociedade colonial e suas interrelações de dependência. Dessa atividade, resulta a compreensão de que

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Q3439343 História
De acordo com a historiografia mato-grossense e sul-matogrossense, qual foi a importância do término da Guerra do Paraguai (1864-1870) para a região?
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Q3438674 História
Durante o período colonial, o Brasil passou por diversas formas de exploração econômica. A principal atividade econômica desenvolvida nos séculos XVI e XVII, responsável pela ocupação do litoral nordestino e pela utilização intensiva da mão de obra escravizada africana, foi:
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Q3430483 História
No contexto do pós-guerra, o fornecimento de doações e empréstimos americanos a juros baixos visava equilibrar orçamentos e estabilizar as moedas europeias. Inicialmente, a oferta de ajuda abrangia também os países da Europa Oriental. Porém, conhecidas as condições de adesão para o recebimento da ajuda, ficou muito claro que o plano intervinha nas economias nacionais limitando seriamente a soberania de projetos estratégicos de desenvolvimento.

(Enrique S. Padrós. Capitalismo, prosperidade e Estado de Bem-Estar Social. Em Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

O plano ficou restrito à Europa Ocidental, pois no leste europeu
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Q3430482 História
Depois da guerra, o governo dos EUA passou a trabalhar na estruturação de um mercado europeu rentável para as finanças e o comércio privados dos EUA, o que permitiria também lançar os fundamentos materiais necessários ao desencadeamento da luta contra as tendências políticas opostas aos seus interesses. A implementação desta política ocorreu em 1947.

(Paulo G. Fagundes Vizentini, A Guerra Fria. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

Tal política se deu por meio
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Q3430481 História
Os alemães deram início, em 10 de maio de 1940, à grande ofensiva no Ocidente. Coincidentemente, nesse mesmo dia, Winston Churchill tornou-se primeiro-ministro britânico à testa de um governo de união nacional. Esse foi um momento especial, um ponto de inflexão na história da guerra. Porque, ao desfechar o ataque, a Alemanha definiu sua ampla superioridade na frente ocidental, habilitando-se, a seguir, a atacar a União Soviética.

(Williams da Silva Gonçalves. A Segunda Guerra Mundial. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

Considerando o contexto abordado pelo excerto, a ascensão de Churchill ao poder representou
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Q3430480 História
Até o fim da década de 1950 havia um amplo consenso entre os historiadores acerca da responsabilidade de Adolf Hitler pelo desencadear da guerra. Dentro desse consenso, cabiam a corrente interpretativa liberal e a corrente marxista. Para a primeira, Hitler encarnava o delírio do totalitarismo, do desumano poder capilar e total. Para a segunda, Hitler representava a face mais agressiva e impiedosa do imperialismo capitalista.

Em 1961, porém, o historiador inglês A.J.P. Taylor quebrou esse consenso, negando o que parecia uma verdade absolutamente inquestionável.

(Williams da Silva Gonçalves. A Segunda Guerra Mundial. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

De acordo com o autor, como contraponto, o historiador Taylor afirmou que
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Q3430479 História
Já em março de 1946, os Estados Unidos atenuavam a legislação sobre a desnazificação, restringindo-a apenas aos principais culpados, e dispensando os comprometidos, os comprometidos menores e os seguidores. Em pouco tempo, pode-se dizer, os tribunais de desnazificação transformaram-se em fábricas de seguidores (todos eram considerados apenas seguidores ou aderentes, a categoria mais leve de envolvimento com o nazismo).

(Francisco Carlos Teixeira da Silva. Os fascismos. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

No caso alemão, a desnazificação ocorreu de forma
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Q3430478 História
Embora constitua-se num tema clássico da História do Tempo Presente, e talvez num dos fenômenos históricos com a mais ampla e contraditória bibliografia, o fascismo conheceu, após o final da década de 1980, uma vigorosa retomada de interesse, com novas abordagens e novas teorias explicativas. Tal fato se deve fundamentalmente a três razões.

(Francisco Carlos Teixeira da Silva, Os fascismos. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

Entre as razões encontradas para o fenômeno, é correto identificar:
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Q3430477 História
Apesar de brutal e ditatorial, o sistema soviético não era “totalitário”, um termo que se tornou popular entre os críticos do comunismo após a Segunda Guerra Mundial, tendo sido inventado na década de 1920 pelo fascismo italiano para descrever seu próprio projeto.

(Eric Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991)

De acordo com Hobsbawm, a União Soviética não poderia ser considerada totalitária, pois o sistema soviético
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Q3430476 História
Havia diferenças significativas entre os dois líderes da nova extrema-direita: Hitler impunha pela força um programa racista e antissemita, Mussolini preferia a demagogia patriótica da “italianidade”.

(Leandro Konder. Cultura e política nos anos críticos. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

Ambos, entretanto, recorriam à repressão sistemática e combinavam em seus respectivos programas
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Q3430475 História
Em dois períodos, sobretudo, presididos, respectivamente, por S. Witte (1892-1903) e por P. Stolypin (1906- 1911), uma série de mecanismos garantiu altas taxas de desenvolvimento. Elevadas barreiras alfandegárias, estímulos fiscais, encomendas do Estado, moeda forte, arregimentação agressiva do capital estrangeiro, conferiam ao capitalismo russo um perfil específico.

(Daniel Aarão Reis Filho, As revoluções russas. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

Em relação ao perfil específico do capitalismo russo, entre os séculos XIX e XX, é correto identificar:
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Q3430474 História
A sensação de segurança absoluta impediu a correta avaliação das tendências econômicas. O crédito fácil alimentava a continuidade da produção. A busca de enriquecimento rápido supervalorizou as ações das empresas. Em 1929 tudo veio abaixo. Com o crack da Bolsa de Nova York a crise generalizou-se, provocando um cataclisma em todo o mundo.

(José Jobson de Andrade Arruda. A crise do capitalismo liberal. Em: Daniel Aarão Reis Filho; Jorge Ferreira; Celeste Zenha. O século XX: O tempo das crises; Revoluções, fascismos e guerras. Adaptado)

De acordo com a obra citada, a repercussão mundial da crise pode ser explicada
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Q3430473 História
A reivindicação de anistia era antiga, e a campanha começou em 1975, com a criação do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), em São Paulo, por iniciativa de Therezinha Zerbini. Os núcleos do MFPA se espalharam pelo Brasil, receberam apoio do MDB e da Igreja Católica, e animaram os exilados a se agregarem em torno de uma bandeira comum. Em fevereiro de 1978, no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA).

(Lilia Moritz Schwarz e Heloisa Murgel Starling. Brasil: uma biografia. Adaptado)

Os Comitês Brasileiros pela Anistia
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Respostas
3501: D
3502: E
3503: D
3504: B
3505: C
3506: C
3507: A
3508: C
3509: D
3510: A
3511: C
3512: B
3513: D
3514: B
3515: E
3516: A
3517: C
3518: E
3519: C
3520: B